Síndrome dos Ovários Policísticos: o distúrbio endócrino que provoca alteração dos níveis hormonais

A Síndrome do Ovário Policístico, também conhecida pela sigla SOP, é um distúrbio endócrino que provoca alteração dos níveis hormonais, levando à formação de cistos nos ovários que fazem com que eles aumentem de tamanho. É uma doença caracterizada pela menstruação irregular, alta produção do hormônio masculino (testosterona) e presença de micro cistos nos ovários. Assista ao vídeo e veja mais detalhes com a Dra. Juliana Amato (CRM 106072).

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Meu nome é Juliana Amato, eu sou ginecologista e obstetra, especializada em reprodução assistida. Hoje nós vamos conversar um pouquinho sobre síndrome dos ovários policísticos. No que consiste essa síndrome? Ela é uma síndrome caracterizada por irregularidade menstrual, hiperandroginismo e obesidade. O que quer dizer isso? São mulheres que têm irregularidade na menstruação, ou seja, elas têm ciclos muito curtos, muito longos, ou não menstruam por vários meses. O hiperandroginismo, ele consiste no aumento de pelos, principalmente na região de maxilar, de buço, esssa região entre os seios, região lombar. Pode ser de pequena ou grande intensidade. E altera muito em relação ao grau de ovário policístico. E aumento de peso. O que consiste nesse aumento de peso? Pode ser só um sobrepeso, ou pode ser uma obesidade mesmo. Ou seja, pode ser só uns 20% de aumento de peso, ou muito mais do que isso. Essa irregularidade menstrual, ela pode causar infertilidade, porque as pacientes que têm ovário policístico, ou elas não ovulam todos os meses, ovulam alguns meses esporádicos, ou se ela não estiver menstruando ela não ovula mesmo. Então, fica mais difícil obter uma gravidez. A síndrome dos ovários policísticos, ela se prevalece em 15% da população, e está associada com fator genético e fator ambiental. Quais são as repercussões no corpo da mulher que tem ovário policístico? Como ela tem a obesidade ou o sobrepeso, ela tem um aumento da resistência da insulina. E esse aumento da resistência da insulina, com o passar do tempo, pode levar a uma diabetes mellitus do tipo II. As pacientes com ovário policístico, elas têm um risco cardíaco aumentado podendo desenvolver hipertensão arterial e dislipidemia que é o colesterol alterado, o acúmulo de placa ateromatosa nos vasos. O hiperandroginismo também aumenta as chances de desenvolver câncer do endométrio. E a obesidade também pode causar distúrbios no sono, com apneia obstrutiva durante a noite. O diagnóstico de ovário policístico se dá pela clínica. Ou seja, aumento de pelos, ganho de peso e irregularidade menstrual. E ele também tem que ser diagnosticado pelo ultrassom. Ou seja, pela imagem, um ultrassom transvaginal que vai mostrar a presença de pequenos cistos no estroma do ovário. O tratamento do ovário policístico é feito com pílulas combinadas que tenham progestogênio que tenha a ação de anti-androgênico. Ou seja, como a paciente com ovário policístico ela tem muito androgênio circulante no corpo, que é um hormônio masculino, essa pílula vai diminuir a ação desses androgênios. Pacientes que têm o desejo de engravidar, existem outras alternativas medicamentosas que diminuem esse androgênio para que ela perca peso, diminua a resistência à insulina e consiga ovular de novo. Sempre lembrar que o tratamento de ovário policístico, ele é um tratamento a longo prazo. Você começa o tratamento, porém ele vai demorar uns seis, sete meses para começar a surtir um efeito. Em pacientes que têm hirusutismo, ou seja, aumento de pelos, a gente sempre orienta a fazer depilação a laser.

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