Hidrocefalia de Pressão Normal: distúrbio da circulação liquórica

A Hidrocefalia de Pressão Normal é uma doença que costuma acometer adultos, principalmente após os 60 anos de idade. Ela é caracterizada por um distúrbio da circulação liquórica (líquido cefalorraquidiano que protege e irriga o sistema nervoso central). O cérebro para de funcionar adequadamente, porque o líquido não é reabsorvido corretamente ou então apresenta dificuldade de circulação. Assista ao vídeo e veja mais detalhes com o Dr. Marcelo Amato (CRM 116579).

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Olá, hoje nós vamos falar sobre a hidrocefalia de pressão normal. Essa é uma doença que costuma acometer adultos, principalmente depois dos sessenta anos de idade. Ela é caracterizada pela má circulação do líquido cefalorraquidiano, que é um líquido que circula dentro do crânio, da coluna e protege o sistema nervoso. A causa dessa má circulação do líquor, nos casos de hidrocefalia de pressão normal, não está muito bem determinada. Acredita-se que alguns casos possam ser secundários a um pequeno traumatismo, ou alguma infecção que tenha passado despercebida no momento e por fim acaba levando a um acúmulo desse líquido no nosso crânio. A causa de acúmulo do líquido na hidrocefalia de pressão normal não está muito bem determinada. Mas acredita-se que alguns desses casos são secundários a pequenos traumatismos ou infecções prévias. A hidrocefalia de pressão normal ela costuma cursar com um quadro clínico bem característico de uma tríade clínica que é um declínio cognitivo ou uma perda de memória, uma dificuldade de marcha o paciente geralmente anda com passos curtos e tem muito desequilíbrio, às vezes, chegando a cair muitas vezes, e também incontinência urinária. Essa tríade clínica, ela está presente em outras doenças no idoso. Por exemplo, as síndromes demenciais como Alzheimer, também podem cursar com esse tipo de quadro clínico. Então é muito importante a avaliação clínica e a confirmação dessa possibilidade diagnóstica com os exames complementares. Os exames de imagem, como a tomografia de crânio e a ressonância, elas podem muitas vezes fechar o diagnóstico de hidrocefalia de pressão normal. Em outros casos, costuma restar uma dúvida se realmente o quadro clínico, ele é compatível ou não com essa doença. E aí entram alguns outros exames. Principalmente um exame funcional que a gente chama de taptest. Através dele é realizado uma punção liquorica lombar, uma punção lombar que se retira uma quantidade significativa desse líquido. Esse exame, ele é realizado em sistema ambulatorial, ou seja, em um hospital dia, o paciente fica algumas horas conosco, é retirado uma quantidade significativa desse líquido e isso pode proporcionar uma melhora dos sintomas do paciente nas primeiras horas, e às vezes perdura aí por alguns dias. É uma melhora transitória, mas que vai ser suficiente para mostrar se o diagnóstico é compatível com a hidrocefalia de pressão normal ou não e se existe a indicação do tratamento cirúrgico definitivo para essa condição. O tratamento cirúrgico, o mais conhecido é a derivação ventrículo peritoneal, chamada de válvula, através do qual se coloca um cateter dentro dos ventrículos do crânio, os ventrículos são os bolsões de líquido onde fica acumulado esse líquido cefalorraquidiano, e esse cateter é conectado com uma válvula que fica embaixo da pele, no espaço subcutâneo, e dessa válvula sai um outro cateter até a cavidade peritoneal. Ou seja, até o abdômen, que é onde esse líquido vai ser reabsorvido pelo organismo. Existe uma alternativa ao tratamento com a válvula, que é a neuroendoscopia. Então, através de um pequeno orifício no crânio é introduzida uma câmera, e essa câmera vai comunicar o sistema ventricular com as cisternas, que são duas regiões do cérebro onde esse líquido fica acumulado. Essa comunicação vai fazer com que esse líquido, ele circule de uma forma mais adequada, e dessa forma trazendo a melhora esperada para o paciente.

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