O exercício físico é um pilar fundamental no tratamento do lipedema, mas sua aplicação deve ser cuidadosamente individualizada. O tema central aborda como utili
Diminuir o volume do lipedema usando o exercício físico. Eu escrevi esse livro, o Método de Exercícios para o Lipedema, exatamente por causa disso. Tudo começou, eu comecei escrevendo algumas ideias, estava pensando em fazer um pequeno ebook e no final foi tanto que acabou virando um livro completo aqui.
E a resposta não é tão simples assim, porque alguns exercícios precisam ser adaptados, modificados, depende da fase em que o paciente está da doença, depende também do objetivo do paciente. Está querendo ganhar músculo, está querendo crescer, está querendo o aeróbico.
Só a título de curiosidade, veja que tem trabalho mostrando que as pacientes com lipedema têm até 30% a menos de força na musculatura da coxa. Isso é significativo, não dá para a gente aplicar a mesma estratégia que aplicaria para alguém que não tem lipedema, para alguém portador do lipedema numa fase inflamatória, super dolorida.
Por exemplo, faz exercício e diminui a ansiedade. Isso é uma informação quase que senso comum. Todo mundo sabe que fazer exercício deixa mais tranquilo, o que melhora vários aspectos da vida em geral.
Você sabia que se você tem uma ansiedade elevada, ou se você tem alguma impedimento, por exemplo, você tem um receio de ir para a academia para mostrar o seu corpo. Isso é a sua mente que está dificultando para você executar o exercício.
Olá, sou Dr. Alexandre Amato, cirurgia vascular do Instituto Amato e hoje eu vou falar sobre o exercício físico e o lipedema. O lipedema é um assunto que eu gosto bastante, que eu falo bastante aqui no canal e o exercício faz parte dos pilares do tratamento do lipedema. Então, como que a gente pode fazer isso? Como que a gente vai unir o exercício como uma ferramenta terapêutica? Como que a gente consegue melhorar os sintomas? Como que a gente consegue melhorar? Diminuir o volume do lipedema usando o exercício físico. Eu escrevi esse livro, o Método de Exercícios para o Lipedema, exatamente por causa disso. Tudo começou, eu comecei escrevendo algumas ideias, estava pensando em fazer um pequeno ebook e no final foi tanto que acabou virando um livro completo aqui. Eu vou falar sobre os aspectos principais, o que a gente precisa lembrar, porque não é qualquer exercício que funciona para o lipedema. Eu vivo recebendo mensagem aqui no Instagram, no YouTube, perguntando, ah, eu faço tal exercício, esse exercício é bom para o lipedema? E a resposta não é tão simples assim, porque alguns exercícios precisam ser adaptados, modificados, depende da fase em que o paciente está da doença, depende também do objetivo do paciente. Está querendo ganhar músculo, está querendo crescer, está querendo o aeróbico. Então, tudo isso varia muito de fase da doença e de objetivo de cada um. A própria dor do lipedema, aquela dor em membros inferiores, que pode ser só o aumento da sensibilidade ao toque, ela ocorre pela inflamação, ocorre também por causa de hipóxia. E veja, o exercício pode tanto aumentar quanto diminuir a inflamação e ele pode causar também hipóxia. Então, o que a gente pode fazer para aumentar ou diminuir cada um desses fatores? Só a título de curiosidade, veja que tem trabalho mostrando que as pacientes com lipedema têm até 30% a menos de força na musculatura da coxa. Isso é significativo, não dá para a gente aplicar a mesma estratégia que aplicaria para alguém que não tem lipedema, para alguém portador do lipedema numa fase inflamatória, super dolorida. Muitas vezes eu pego o paciente aqui que está sofrendo, está fazendo muito exercício, está fazendo exercício errado e não está vendo resultado. Então, o primeiro aspecto que é muito importante, que eu falo bastante, é sobre a inflamação. Então, a inflamação é o principal do lipedema, é o que vai trazer os piores sintomas. E o exercício físico, por si só, ele pode, em determinada faixa de intensidade, diminuir essa inflamação, ou seja, ter um efeito anti-inflamatório, como se for intenso demais, ele pode até aumentar essa inflamação. Qualquer exercício, para fins de ganho muscular, por exemplo, eles acabam causando microlesões na musculatura. São essas pequenas lesões que vão à medida que ocorre a, entre aspas, a cicatrização, que vai aumentando a força muscular. Só que essas microlesões também aumentam a inflamação. Então, a gente tem que acertar essa intensidade para que o exercício tenha um efeito anti-inflamatório, principalmente numa fase de alta inflamação, de altos sintomas. Ainda com relação à inflamação, se a gente começa a tentar buscar o ganho da massa muscular, exatamente nessa fase, você vai acabar aumentando a inflamação. E aí você não consegue um resultado que você deseja. Em vigência da inflamação, é muito difícil perder gordura, ganhar músculo. Então, a gente primeiro precisa corrigir o metabolismo para depois conseguir ter um resultado melhor no exercício físico. Depois que a doença já está mais controlada, que já não tem toda essa inflamação, aí sim, é possível e tranquilo ganhar a massa muscular. Então, por isso que um exercício não pode ser o mesmo para a mesma pessoa, mas em fases diferentes da doença. A outra coisa é o estágio do lipidema. Então, se a gente pega uma paciente no estágio inicial, um estágio 1 ou um estágio final do lipolinfedema, que tem linfedema associado, é óbvio que as dificuldades diárias vão ser diferentes. E obviamente, os exercícios também serão diferentes. Alguém que está no estágio inicial, um estágio 1, por exemplo, não vai ter dificuldade de entrar e sair do carro, ou dificuldade de subir uma escada. Agora, quem está no estágio 4 avançado, já pode ter essas dificuldades. E aí, o exercício físico pode tentar ajudar a melhorar exatamente esses aspectos. Enquanto que nos estágios iniciais, o objetivo pode ser inteiramente outro, pode ser mais estético, pode ser ganho de massa muscular, pode ser o bem-estar, hábito de vida saudável. Então, a gente tem que avaliar cada paciente, entender o que que cada um precisa em cada momento da vida. A gente não está a pegar alguém com o estágio final da doença e falar, inicialmente, você tem que ganhar massa muscular. Não, tem muita coisa para melhorar antes. Tem que melhorar o retorno linfático, melhorar a bomba de retorno linfático e venoso, tem que diminuir a inflamação, tem muita coisa antes de atingir a estética. E obviamente, isso tem que ter uma adaptação constante. Então, você não vai começar num exercício que hoje está funcionando bem para o lipidema, talvez ele não funcione bem eternamente. Tanto porque você pode melhorar os seus aspectos da doença e pode querer um pouquinho mais, e aí vai ter que adaptar esses exercícios, só que você tem que saber exatamente quais variáveis que você vai mexer. Então, a principal vai ser a intensidade, o tipo de exercício e com isso você vai direcionando para o resultado que você deseja. Existem muitas doenças que vêm acompanhado do lipidema, então, são as chamadas comorbidades. Exatamente porque o lipidema tem essa deposição de gordura em pernas, coxas, há uma mudança da marcha. E com essa mudança da marcha, vem algumas lesões ortopédicas e lesões que acabam atrapalhando a execução de certos exercícios. Então, uma lesão muito frequente é o joelho valgo, o joelho em X. Em casos extremos, dificulta até mesmo uma caminhada. Então, a gente tem que considerar isso. E o fortalecimento da musculatura da coxa pode até mesmo melhorar essa lesão. Então, o exercício físico pode não só melhorar os sintomas do lipidema, como pode, se for bem direcionado, ajudar a corrigir as outras alterações que vem junto com o lipidema. Outro exemplo é o pé plano. Então, o pé plano, que é a forma como você pisa, ele vai alterar a bomba venosa. Então, o retorno venoso fica prejudicado. A queda do arco plantar e tudo isso também dificulta alguns movimentos. Então, existem exercícios que podem melhorar isso. A hipermobilidade, ela também tem uma frequência mais alta no lipidema. Então, são pessoas que conseguem ter uma mobilidade articular maior. Então, eu não tenho nada de mobilidade articular. Mas são pessoas que conseguem colocar a palma da mão no chão, que conseguem até mesmo colocar a perna atrás da cabeça, ou pelo menos conseguiu em algum momento da vida. Essa hipermobilidade dá uma amplitude maior da movimentação das articulações. E isso pode parecer interessante, mas, na verdade, acaba forçando essas articulações, tendões, musculatura. Pode trazer outras lesões. Então, um exercício físico tem que ser direcionado para fortalecer os músculos do núcleo, os músculos para manter a estrutura corporal. E outra lesão que é super frequente é a chondromalácia, ou a lesão de cartilagem de joelho. Se você coloca a mão no seu joelho e mexe a perna e sente uma crepitação, sente um estalar do joelho, sente como se fosse crocante. Tem um paciente que fala que está crocante. Essa chondromalácia, muitas vezes, é exatamente por causa dessa mudança da marcha devido ao lipidema. E isso pode limitar alguns exercícios e alguns exercícios podem até piorar essa chondromalácia. Então, você tem que saber exatamente o que você pode executar para não trazer mais problemas. Eu mencionei o retorno venoso e o retorno elinfático. Então, eles são executados pela contração muscular. Então, exatamente com um exercício físico, com a contração muscular, a gente bombeia tanto o sangue venoso quanto a limpa de volta para a circulação central. Então, se a gente não tem essa contração adequada, e essa contração pode não estar adequada pela marcha errada, mas também pela menor capacidade muscular. Então, é muito frequente, exatamente por causa dessa diminuição da força muscular, da eficácia muscular nas pacientes com o lipidema. A gente tem um impacto negativo no retorno, tanto venoso quanto elinfático. Então, alguns exercícios são melhores para melhorar esse retorno, e a gente tem que aproveitar essa eficácia maior dos exercícios, por exemplo, na água. Então, quando está dentro de uma piscina, tem a pressão exercida da água, que também vai facilitar esse retorno do sangue e da limpa. Mas existem outros exercícios também que vão, por exemplo, aumentar a amplitude de movimentação do pé, e isso vai contrair mais a panturrilha, que é o principal, a bomba, o coração periférico. Mas a gente tem a bomba plantar também quando a gente pisa, a gente exprime o sangue que está na planta do pé, e esse sangue acaba retornando para a circulação, acaba impulsionando, uma bomba propulsora. Agora, um outro aspecto é a influência da mente no exercício. Todo mundo fala sobre a influência do exercício na mente, mas o inverso, que é a mente no exercício, eu vejo poucas pessoas falando. Então, o que quer dizer a influência do exercício na mente? Por exemplo, faz exercício e diminui a ansiedade. Isso é uma informação quase que senso comum. Todo mundo sabe que fazer exercício deixa mais tranquilo, o que melhora vários aspectos da vida em geral. Agora, o quanto a mente influencia na escolha do exercício? Você sabia que se você tem uma ansiedade elevada, ou se você tem alguma impedimento, por exemplo, você tem um receio de ir para a academia para mostrar o seu corpo. Isso é a sua mente que está dificultando para você executar o exercício. Você vai ter que achar alternativas para isso. Então, não quero mostrar meu corpo, então por isso eu não vou numa piscina. Se você não vai na piscina, você não vai fazer o melhor exercício na água para o lipidema. E no final, se a gente vai rastreando, tudo isso começou com um problema na mente. Um receio de mostrar o corpo. Tudo bem, isso veio por um viés anti-obesidade ou por algum impacto negativo que teve no passado. Então, o ambiente que você cria para realizar o exercício é muito importante. Mas também a busca da dopamina. A nossa vida é uma incessante busca da dopamina. Essa pequena dose diária do nosso vício. E esse vício pode estar na comida, pode estar em vícios mais maléficos ainda, como droga, como tabagismo, compras. São várias coisas que podem causar uma pequena liberação de dopamina no nosso cérebro. Mas se a gente sabe que tem a dopamina no exercício, a gente tem que saber extrair essa dopamina ao máximo do exercício. Muitas vezes a gente competir com outra pessoa ou competir conosco mesmo, tentar sempre melhorar, isso a gente acaba conseguindo micro doses diárias de dopamina. E os medicamentos, quem começou um tratamento de lipidema, muitas vezes está tomando vários medicamentos. Será que isso vai influenciar no exercício, não vai? Tem algum que pode dificultar? Então, por exemplo, existem alguns medicamentos que podem baixar a glicemia. Será que isso impede de fazer algum exercício físico? Então, a gente precisa avaliar a situação de cada paciente e entender como isso pode afetar o seu exercício físico. E lembrando que a maior parte dos pacientes que estão fazendo o tratamento adequado, correto do lipidema, estão em algum tipo de dieta ou de mudança de hábito alimentar. Assim, tem vários, mas pode ser desde um jejum intermitente, uma dieta cetogênica, uma dieta anti-inflamatória. Eu falo bastante de dieta anti-inflamatória e de dieta cetogênica, que são excelentes para o lipidema. Então, qual é o impacto disso no exercício físico? Eu já vi gente falando que quem está em dieta cetogênica não consegue fazer exercício físico. Muito embora tenha muito trabalho científico publicado, já de atleta profissional em cetogênica fazendo exercício físico. Então, não é uma limitação. Assim como, numa dieta cetogênica, há uma desidratação maior, tem que tomar mais líquido, tem que se preocupar bastante com a hidratação. A gente tem que saber os aspectos individuais de cada dieta e aplicar isso na atividade física. Então, a minha mensagem principal aqui nesse vídeo é lembrada da individualidade, um exercício que funciona para uma pessoa não necessariamente vai funcionar para outra pessoa. É importante a gente avaliar, entender o objetivo de cada uma, o que cada uma quer atingir com esse exercício. A maioria dos exercícios podem ser adaptados. Então, eu gosto muito de fazer esse exercício aqui, mas me falaram que esse exercício não pode no lipidema. Na verdade, não é isso. Na verdade, você precisa entender o seu corpo e adaptar esse exercício à necessidade do seu corpo. Talvez você não consiga fazer exatamente como você está fazendo agora nesse momento. Talvez precise de um pequeno ajuste ou um ajuste maior, mas realmente são poucos exercícios que não podem, de jeito nenhum, ser feitos no lipidema. Agora, tem, sim, os exercícios que têm mais chance de dar certo. Se eu falar aqui, a chance de errar é pequena. E quando eu estou fazendo um vídeo aqui para um público maior, eu tenho que tomar muito cuidado de falar, faz isso que vai dar certo. Porque mesmo que dê certo para a metade do público e a outra metade não dê certo, eu estou fazendo mal para a metade que não deu certo. Então, quais são esses exercícios que há chance de dar certo para um público maior? São os exercícios na água, na atação, hidrogenástica, com a cycle, com a joga, isso aí. Tem uma chance, assim, enorme de não errar. Então, eu fico muito confortável em falar, vai por esse lado aí que a chance é grande. Mas não quer dizer que só isso pode ser feito. Quer dizer que a chance de errar nisso aí é menor. Uma caminhada, por exemplo, é difícil errar numa caminhada, na intensidade. Talvez não atinja os objetivos maiores aí de ganhar a massa muscular, mas a chance de errar e acabar se inflamando numa caminhada é muito pequena. Agora, tem que lembrar que os exercícios mudam de acordo com a fase do tratamento. Com estágio da doença e mesmo dentro do estágio, com a fase. Se está inflamado, se não está inflamado. No início, você precisa da avaliação médica para entender isso. A gente não nasceu com um manual do nosso corpo. Tem uma fase de entendimento, de autoconhecimento para você entender quando que você está inflamada, quando que não está inflamada, quanto que dá para fazer determinado exercício, quando que não dá. Então, gostou do nosso vídeo? Inscreva-se no nosso canal, clica no sininho e espera aí que eu vou colocar o próximo melhor vídeo para você assistir.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.