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Infiltração, Fisioterapia ou Cirurgia? O Melhor Tratamento Para o Seu Joelho | Ep. 66

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Infiltração, Fisioterapia ou Cirurgia? O Melhor Tratamento Para o Seu Joelho | Ep. 66

O episódio discute as abordagens para problemas no joelho, com o ortopedista Dr. Eduardo Souza. O tema central é a evolução no tratamento de lesões, quebrando m

Perguntas respondidas neste vídeo

É um assunto que eu imagino que tem muita coisa para falar, inclusive a gente vai mostrar com imagens aqui, né?

Isso, exatamente. Como que funciona o joelho. Eu já tive problema de joelho.

Dava para ficar aqui uns três, quatro dias falando sobre o joelho, mas vamos tentar resumir em uma hora aí as maiores dúvidas dos pacientes, né?

Exatamente. Doutor, a gente já começa o episódio sempre dando uma passada no assunto, um geral do que as pessoas vão poder acompanhar, sem dar muito spoiler.

Porque são as mais faladas, né?

Lesão de ligamento, de menisco, que os jogadores de futebol têm.

A artrose, as pessoas estão ficando mais velhas, a média de idade da população está, a expectativa de idade da população está ficando cada vez maior, as pessoas estão fazendo mais esporte, tá?

Então isso daí gera mais problemas de cartilagem, mais problemas de artrose, então acho que isso aí também é um assunto que é interessante a gente comentar.

Como que veio essa ideia?

Eu entrei na faculdade de medicina em 97 para ser médico de time de futebol e tratar de joelho de jogador de futebol. Eu fui fazer medicina com esse propósito. Ah, já sabia que ia ser esse o destino.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato. E agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais para falar sobre procedimentos minimamente invasivos e antes sobre lipedema e fisioterapia, que é um tema que a gente traz bastante.

Tem uma playlist aqui só de lipedema para quem se interessa por esse assunto. Hoje, novamente, nós recebemos um convidado especial, dessa vez o doutor Eduardo Souza, que é ortopedista, médico ortopedista, para falar sobre um assunto que vocês já tinham pedido aqui nos comentários, que é tudo o que envolve joelho. Então, antes de dar as boas-vindas aqui para o nosso convidado, eu vou apresentar quem é o nosso convidado especial de hoje.

O doutor Eduardo Almeida Ides de Souza tem graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Fez residência em Ortopedia e especialização em cirurgia do joelho no Instituto de Fraturas, Ortopedia e Reabilitação. Tem pós-graduação em Medicina do Esporte pela Universidade Federal de São Paulo.

Também é especialista em tratamentos clínicos e cirúrgicos de todas as patologias do joelho, com aperfeiçoamento internacional nos procedimentos. Além disso, foi felon no Departamento de Medicina Esportiva na Universidade de Pittsburgh. Bem-vindo, finalmente, doutor.

Obrigado, obrigado, obrigado pelo convite. É um prazer estar aqui, é um prazer receber o convite seu, o convite do Alexandre e de toda a família Mato. Para mim é uma alegria estar com eles aqui.

É um assunto que eu imagino que tem muita coisa para falar, inclusive a gente vai mostrar com imagens aqui, né? Isso, exatamente. Como que funciona o joelho. Eu já tive problema de joelho.

Ah, e quem não teve? Pois é, exatamente. Dava para ficar aqui uns três, quatro dias falando sobre o joelho, mas vamos tentar resumir em uma hora aí as maiores dúvidas dos pacientes, né? Exatamente. Doutor, a gente já começa o episódio sempre dando uma passada no assunto, um geral do que as pessoas vão poder acompanhar, sem dar muito spoiler.

O que você acha que vai ser de mais interessante para a gente falar sobre o joelho? Eu acho que assim, tem as lesões do esporte, né? Que são as maiores curiosidades, né? Porque são as mais faladas, né? Lesão de ligamento, de menisco, que os jogadores de futebol têm. Mas hoje em dia um assunto muito comum são a respeito dos problemas de cartilagem, né? A artrose, as pessoas estão ficando mais velhas, a média de idade da população está, a expectativa de idade da população está ficando cada vez maior, as pessoas estão fazendo mais esporte, tá? Então isso daí gera mais problemas de cartilagem, mais problemas de artrose, então acho que isso aí também é um assunto que é interessante a gente comentar. Legal, inclusive você tem muita proximidade com a medicina do esporte, né? Sim.

Como que foi isso? Você gosta mesmo dessa parte do atletismo junto com a medicina? Como que veio essa ideia? Eu entrei na faculdade de medicina em 97 para ser médico de time de futebol e tratar de joelho de jogador de futebol. Eu fui fazer medicina com esse propósito. Ah, já sabia que ia ser esse o destino.

Sim, ao longo daí da faculdade, da residência, a gente dá umas osciladas, a gente vê algumas outras áreas que às vezes chamam a atenção, mas no final de tudo eu falei, não, eu entrei lá atrás para fazer isso, vou seguir nisso daí e consegui, consegui. Foi nessa área que eu me dediquei, tive a possibilidade, a oportunidade de trabalhar muitos anos com o futebol profissional, ainda somos referência na região lá do ABC para atletas tanto profissionais quanto não profissionais, então é uma área muito, muito gostosa de lidar porque é uma área de promoção de vida, né? É a gente buscar a performance do atleta, mas também oferecer atividade física para quem quer começar, para quem está com algum tipo de dificuldade, né? Legal, e se não fosse a ortopedia, qual que seria a sua segunda opção? Olha, todos os meus testes vocacionais davam para economista. Nossa, não era nem na medicina.

Nem na medicina, então acho que foi bom ter ido para a medicina, né? E se fosse dentro da medicina, tinha alguma outra opção ou não? Eu tenho uma época da minha vida que eu gostei um pouquinho de cardiologia, mas eu gosto de procedimento, tá? Cardiologia já, tirando a cirurgia cardíaca, mas a cardiologia esportiva na época que eu me interessei era uma área muito clínica, então eu pesei muito isso, né? Falei, pô, eu quero fazer, quero ser cirurgião, sonho em ser cirurgião, então acabei realmente voltando para a ortopedia e no final voltando para a cirurgia de joelho. E é verdade que para ser ortopedista precisa usar a força ali o tempo todo, precisa ser um médico que usa a força. Não mais, não mais, não mais.

Eu escutava muito isso. Não, já foi, hoje em dia os materiais, os tipos de cirurgia evoluíram bastante, a parte clínica da ortopedia evoluiu bastante, tanto que você vê hoje em dia um número gigante de mulheres que fazem ortopedia, né? Hoje em dia as cirurgias, a maioria delas, pelo menos na área do joelho, são ortoscopias, são cirurgias mais delicadas, que requeram muito mais habilidade do que força. Ah, legal.

Antes da gente ir, de fato, então para o nosso assunto, eu só vou dar um destaque para quem já está acompanhando, já sabe, mas para quem é novo por aqui, agora o Amatocast tem um patrocínio da Sigvares que oferece meias de compressão para todos os momentos da sua vida. Vamos acompanhar. A Sigvares possui opções de meias de compressão graduada para todos os momentos da sua vida.

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Então mostra que é uma pesquisa que foi feita nos Estados Unidos, não encontrei a data, mas diz que o joelho é a articulação mais lesionada entre atletas jovens, com uma estimativa de 2,5 milhões de lesões esportivas anuais. Então por que que acontece tantas lesões no joelho? É de fato preocupante quando acontece algo nesse sentido? Sim. O que que acontece? O joelho é uma articulação muito exposta, é uma articulação de carga, então ele nos carrega numa caminhada, numa corrida, ele absorve impactos durante um salto, então assim, ele tá muito sujeito a pressões, a vetores de força.

E o que que a gente observa cada vez mais? A precocidade da exigência física nos esportes, né, você vê hoje em dia o jogador de futebol, ele não se destaca mais aos 19, 20, 20 e poucos anos, é uns 15, 16 anos, então a própria criançada hoje em dia tá tendo mais lesão de joelho também, tá? E outras coisas que mudaram também, por exemplo, no Brasil a expectativa de vida aumentando, então as pessoas tão durando mais, então elas andam por mais tempo, então vem também os problemas de joelho, tá? Então realmente o joelho é uma articulação que é muito raro alguém que passe a vida inteira sem se queixar que teve algum probleminha nele, né? Alguma dor já é sinal de algum problema mais grave, porque é difícil alguém que nunca teve, né, ter um incômodo, uma dor, de vez em quando um estralo, quando abaixa. É assim, a gente tem que ficar atento a esses sinais, né? Porque assim, os sintomas são o nosso corpo falando com a gente, né? Então quando vem uma dor no joelho, é o joelho alertando, ó, não tá legal isso, tá fazendo isso errado, ou tô com algum tipo de lesão, então assim, é um sinal de que a gente tem que ficar atento ou investigar alguma coisa, tá? Alguns outros sinais que o pessoal leva muito em consideração, às vezes não são tão perigosos, né? Porque os estralos no joelho, a maioria deles são bolinhas de gases que estouram lá dentro do joelho, tá? Tem estralos, não, que são perigosos, que são, às vezes, por um joelho mal encaixado, tá? O joelho é uma máquina. A máquina, ela, em teoria, ela é perfeita, as pecinhas todas bem alinhadinhas, mas tem pessoas que nascem com algum tipo de alteração, tá? Então isso pode gerar uma área de atrito, pode gerar um estralo, as próprias lesões de cartilagem, né? A cartilagem, ela é um tecido que ela é liso, ela permite o movimento de um osso em relação ao outro osso de uma forma bem solta, mas ao longo da vida a gente vai gastando ela.

Então, com o tempo que a gente vai gastando ela, ela vai deixando de ser lisa e vai começando a ficar um pouquinho irregular e daí vão surgindo alguns estralos. Eu costumo falar para o paciente assim, que o estralo perigoso é o estralo que dói, tá? Esse é o estralo que realmente o paciente tem que ficar incomodado, tem que investigar, tá? E normalmente, quando a pessoa é diagnosticada com um problema mesmo ali no joelho, muita gente escuta falar isso, imagino que quem está acompanhando vai falar, ah, eu já escutei da tia, da avó, de alguém que falar, que olha, eles têm um problema no joelho, vixe, nunca mais vai recuperar, um problema no joelho é muito grave. Doutor, de fato, existe isso? Não, não, a medicina evoluiu demais, né? Eu acho que existiam mitos lá atrás sobre quem tinha problema no joelho ia ficar de cadeira de rodas, quem botava prótese ia ficar de cadeira de rodas, uma lesão de menisco era cirurgia obrigatória, uma lesão de ligamento era obrigatória, mas hoje em dia a gente sabe que não, tá? A medicina tem mostrado pra gente que muitos dos problemas antigos que a gente classificava como um problema cirúrgico, hoje em dia a gente consegue tratar bem com uma boa reabilitação.

A própria técnica cirúrgica evoluiu muito, então uma cirurgia que no passado não restabelecia plenamente o paciente, hoje em dia a gente consegue botar ele pra voltar a fazer o esporte quase com 100% de eficácia em relação ao que era antes. É lógico que tem lesões que não, lesões que vão deixar sequelas, tem muitas estruturas no joelho que não regeneram, cartilagem não regenera, menisco não regenera, então são lesões que quando compromete fragmentos dessas estruturas é bem provável que em algum momento da vida o paciente vai ter uma reclamação, porque são lesões que fazem com que às vezes o joelho comece a envelhecer um pouquinho mais rápido do que deveria. Eu costumo falar pro paciente assim, o teu joelho tem que ter atuidade, então vamos tratar dele pra que tenha atuidade, porque às vezes o paciente de 50, 60, 70 anos vem procurar a gente, pô, eu tô com artrose.

Ah, mas com 60, 70 anos todo mundo vai ter artrose, porque a artrose é o envelhecimento da articulação. Se ela ocorrer de uma forma bem equilibrada, teoricamente ela vai ser um joelho bom pra você, pra o que você quer fazer, respeitando que você tem 60, 70 anos. Mas em alguns casos não, em alguns casos algumas lesões aceleram esse processo, ou desequilibram a artrose, né, transformando aquele joelho num joelho osteoartrítico.

E daí são joelhos em que a gente tem que ter um carinho a mais, uma atenção a mais, pra que a gente possa tentar desacelerar o processo de desgaste dessa articulação e botar ela numa linha normal, que eu falo também pro paciente assim, a gente pegar esse joelho e levar pro limite de melhora possível, e torcer pra que esse limite de melhora seja uma coisa que satisfaça o paciente, né. Sim, eu já vou com uma pergunta polêmica agora, que você estava falando sobre essa questão da recuperação e tudo mais, crossfit, já que a gente vai falar de esporte também, que imagino que seja dúvida de algumas pessoas, ou a maioria delas. Qual que é a sua opinião de crossfit? É assim, eu classifico, é uma opinião pessoal minha, tá, às vezes as pessoas contestam, às vezes as pessoas concordam, mas assim, o crossfit na minha opinião é um esporte, tá, a gente tem que diferenciar bem o que é atividade física do que é esporte.

A atividade física é em prol da saúde, o esporte, ele já exige performance, e a performance já nem sempre vai trazer somente benefícios pro paciente, às vezes vai trazer alguns malefícios, pode trazer algumas consequências, tá. Então assim, o crossfit, o problema é que o pessoal fica viciado, e o pessoal quer ir todo dia, né, você pergunta pra alguém que gosta de crossfit, quantas vezes você vai na semana? Ah, vou seis, sete vezes, né, é isso daí que o pessoal fala, tá. Eu acho que se a pessoa souber dosar, vai umas duas, três vezes por semana, associado a um trabalho de musculação, um trabalho de pilates, alguma coisa que dê uma postura legal pra pessoa, que dê uma sustentação bacana pra pessoa, eu acho que daí não é perigoso, tá.

É lógico que se a pessoa começar a competir, e quiser ter uma performance, aí já estamos falando de esporte, aí realmente pode ser que venham dores, pode ser que venham lesões, mas assim, a simples prática do crossfit, duas a três vezes por semana, não acho que seja ruim não. É o que eu falo pra todo paciente, a gente tem que construir um alicerce. O nosso alicerce é a nossa musculatura, que nos dá sustentação a nossa musculatura.

Onde a gente desenvolve musculatura? É na academia, ou num pilates bem orientado, tá. Fez isso, a pessoa se credencia pra poder fazer um crossfit, um futebol, um vôlei, um tênis, o que que ela queira fazer, né. E agora, quando vira um esporte, né, pra associar não só crossfit, mas qualquer outro esporte, quando já tem essa questão do rendimento, né, de competição, como que a pessoa consegue associar, é possível associar um joelho saudável, não só o joelho, né, mas todo o corpo saudável, com a prática ali constante na vida da pessoa? É assim, a gente tenta associar a proteção corporal, pra que a pessoa tenha longevidade no esporte, pra que ela não fique lesionando, com oferecer performance.

Tá, mas veja bem, é uma balança que às vezes vai pender pra um lado, às vezes vai pender pro outro. Porque se a gente não der bastante performance pro atleta, talvez ele não renda tanto e ele fique insatisfeito com aquilo que ele tá fazendo. Ou, por exemplo, um atleta profissional não vai conseguir, às vezes, ter o resultado que ele precisa ter.

Tem pessoas que precisam desse pra ganhar o dinheiro, né, então ele vai ter que focar muito aqui na performance. E daí, quando sobe a performance, abaixa um pouquinho essa questão, às vezes, da proteção. O ideal é tentar buscar, né, você vê os atletas quando estão voltando de reabilitação, a gente viu um monte de vídeo aí de atletas que voltam de lesão de cruzado, fazendo um programa de equilíbrio corporal, de desenvolvimento de controle neuronal da musculatura.

Isso daí tudo é muito importante pra que ele previna, mas não isenta ele da possibilidade de ter uma nova lesão. Porque, realmente, o esporte profissional exige muito. E aquilo que eu falei, cada vez mais cedo, né, você vê a molecada de 14, 15, 16 anos aí já despontando em times profissionais.

A gente estava num evento, ano passado, nos Estados Unidos, numa reunião sobre ligamento cruzado anterior e aí, todo mundo comentando que a gente nunca teve que tratar tanta lesão de ligamento cruzado anterior em crianças. Tá? Porque a exigência é muito grande. Tem alguns fatores que levam em consideração, por exemplo, o piso, né, o sintético tá muito falado essa semana aqui, não sei se vocês viram, assim, que até os jogadores da Série A do Campeonato Brasileiro aí, que estão disputando os estaduais agora, fizeram até um levante aí, uma reclamação em grupo contra essa questão dos campos sintéticos, né, porque, realmente, às vezes escorrega um pouquinho mais, às vezes trava um pouquinho mais, foge um pouquinho do habitat natural deles, e isso também pode predispor a ter novas lesões.

Então, daí entra a importância dele estar bem preparado fisicamente, muscularmente, neuronalmente, tá, porque ele tende a perder um equilíbrio, tende a escorregar, se ele tá bem preparado, se o corpo dele tá ágil, ele vai voltar, ele vai conseguir se defender, tá? Mas, às vezes, num final de jogo, ou dependendo do nível de preparação dele, às vezes não dá, e daí vai vir uma nova lesão, né? Sim, e uma lesão em cima da outra, isso acaba, cada vez mais, aumentando a gravidade. Ah, é ruim, é ruim. Até dando o exemplo do Neymar, por exemplo, que cada vez que se machuca, fica mais tempo afastado.

Exatamente, exatamente. Essa última lesão dele, que ele tá voltando agora, é, acho que é a primeira lesão do joelho dele, né? Então, é uma lesão grave, mas é a primeira do joelho, mas, se não me engano, ele teve duas ou três lesões de tornozelo, né? Então, você vê, vai machucando, machucando, aquela mesma lesão, aquela mesma área, a área vai perdendo a capacidade de cicatrizar, de regenerar, tá? A área vai ficando cada vez mais difícil de você controlar ela, tá? Então, realmente, a gente tem que ficar muito atento, tá? É assim, o que eu falo pro paciente que machucou o joelho, machucou o joelho, é ginástica pro resto da vida, exercício pro resto da vida, justamente pra evitar de ter uma segunda lesão. A segunda lesão sempre vai ser mais complicada que a primeira.

Tá, e agora eu acho importante pra gente diferenciar, a gente escuta muito falar, por exemplo, aluxou, quebrou, deslocou, roubou o ligamento, qual que é a diferença, assim, até na questão de estrutura, se quiser mostrar, pra explicar, porque eu já escutei falar, eu sei que eu, até falei que o problema que eu tive pra usar como exemplo, eu desloquei a patela do joelho, foi completamente pro lado, num acidente em casa, mas assim, na prática, a gente não sabe o que significa, imagino que quem tá acompanhando também não, se for da área da saúde, né? Não, é assim, vamos pegar aqui o exemplo, vamos fazer uma anatomia rápida do joelho aqui pra eu te explicar tudo direitinho, tá? Então o joelho é uma articulação formada basicamente por três ossos, eu tenho o fêmur, que é o osso da coxa, a tíbia que é o osso da perna e a patela aqui na frente. A patela aqui na frente. Então isso daqui tudo tem que tá muito bem encaixadinho pra que a gente tenha um movimento de flexão e extensão ocorrendo de uma forma estável, tá? Então aqui, o encaixe da patela no fêmur, ele se dá através do formato dos dois ossos.

O fêmur, ele tem uma cavidadezinha aqui no meio, chamada tróclea, que vai receber perfeitamente esse formato da patela aqui, tá? Ou deveria receber, tá? E daí a patela, tendo bem ajustada aqui, ela vai subir e descer por esse trilho durante o movimento de flexão e extensão. O fêmur, ele não se encaixa perfeitamente em relação à tíbia do ponto de vista ósseo. Por quê? Porque o fêmur na parte baixa dele, ele é formado por duas áreas redondas que são os côndios, tá? E a tíbia é formada por duas áreas retas que são os dois planaltos, tá? Então se eu puser uma bolinha aqui em cima dessa mesa, essa bolinha vai ficar se mexendo.

Se eu puser uma argolinha em volta dela, eu vou estabilizar essa bolinha. E o corpo desenvolveu aqui duas argolinhas, que são essas estruturas que estão representadas pela cor azul, que são os dois meniscos, que fazem a adaptação do osso da coxa em relação ao osso da perna, tá? Ao mesmo tempo, eles conseguem também, por ser uma cartilagem mole, amortecer, tá? Amortecer os impactos. Então o menisco, ele é o adaptador e o amortecedor do joelho.

Na minha opinião, é a estrutura principal do joelho. O meu foco, quando eu analiso um exame, quando eu analiso uma lesão de um paciente, é sempre pra ver em que estado que está o menisco dele, porque é uma estrutura que eu tenho que tentar preservar ao máximo. E tudo isso conectado por cordões fibrosos, chamados ligamentos, sendo o principal esse aqui do meio, chamado ligamento cruzado anterior, que é o que o Neymar rompeu.

Então assim, agora pra voltar pra tua resposta. Fratura é quando quebra o osso. Então quebrou esse osso, o fêmur ativa, aí é fratura.

Luchação é quando um osso sai fora do eixo dele. Então aqui, a patela tá bem alinhada com o fêmur aqui. Você lá na sua casa se escorregou, o seu joelho foi pra um lado, o corpo foi pro outro, a patela veio pra cá.

Então isso é uma luchação. A subluchação é quando ela quase sai fora do lugar. E o entorce é um movimento inadequado, um movimento rápido, normalmente bidirecional e que lesiona os ligamentos.

Então é aí que a gente chama do entorce. Entendi. E qual que é considerada a lesão mais grave? É sempre nesse daqui que faz o menisco, né? O menisco.

Porque assim, na verdade a gente tem que avaliar o grau de recuperação que a gente consegue dar pra aquela peça. Porque no passado era muito famoso falar da lesão de cruzado anterior. A lesão de cruzado anterior nos últimos 20 anos aí mudou muito o conceito sobre o ligamento cruzado anterior.

Hoje em dia a gente tem ligamentos tem conceitos de que o ligamento em primeiro lugar, nem em todo caso é cirúrgico. Tem pessoas que conseguem viver bem mesmo tendo o ligamento rompido. Desde que sejam pessoas que não façam esportes rotacionais, por exemplo um corredor, um maratonista.

Às vezes ele não precisa operar um ligamento cruzado anterior. E são pessoas que normalmente através da musculatura ou da própria anatomia que conseguem estabilizar bem o joelho independente da presença ou ausência do ligamento cruzado anterior. Mas o conceito de cirurgia de ligamento cruzado anterior mudou muito nos últimos anos.

E hoje em dia a gente consegue fazer uma cirurgia que a gente chama de anatômica. A gente consegue restaurar muito melhor o ligamento cruzado anterior. E a gente desenvolveu também algumas técnicas de reforço dessa estrutura.

São ligamentos extra-articulares como ligamento anterolateral. Então a gente costuma falar que um joelho hoje em dia com uma lesão de ligamento cruzado anterior bem operado, ele tende a voltar a ser um joelho quase 100%. Desde que essa seja a única lesão do paciente.

Agora, por exemplo, o menisco. O menisco é uma peça que não tem substitutivo. O ligamento cruzado anterior quando a gente opera, a gente tira enxertos do próprio corpo pra usar pra botar no lugar.

A gente não consegue usar na maioria das vezes as fibras que estão ali. Agora o menisco não tem essa possibilidade, não existe substitutivo. Então na verdade a gente tem que tentar ir lá e remendar eles.

Mas ao longo dos anos a gente também começou a observar que hoje em dia existe um padrão de lesão de menisco que a gente não precisa mexer. Que a pessoa consegue conviver bem com aquela lesão ou em alguns casos o menisco ele vai acomodando de novo dentro do joelho do paciente e o paciente começa a esquecer daquela estrutura. Então é como se fosse uma rachadura na parede.

A parede racha às vezes ela pode ficar séculos e séculos trincada ali que não vai atrapalhar a vida de ninguém. Agora se essa trinca começar a aumentar e a parede começar a desestruturar aí você tem que corrigir. Então é esse olhar que a gente tem que ter, por exemplo, em relação ao menisco.

Só que se o menisco começa a desestruturar, começa a soltar pedaços, eu não tenho nada para botar no lugar dele. Então eu tenho que agir de uma forma rápida. Então é o que eu costumo falar para o paciente em relação ao menisco.

A gente tenta evitar cirurgias, mas a gente não pode perder o timing certo de executar uma se ela se mostra necessária. Justamente para que não fiquem sequelas. Porque uma lesão grave de menisco, o paciente perde a operação de menisco, porque aquele menisco muito tempo lesionado ele vai esfarelando, e daí a gente já não consegue mais estruturar ele.

Aí a gente vai ter que comprometer parte da substância do menisco e isso lá na frente vai ficar uma sequela para o paciente. Por isso que eu falo que a gente fica muito atento ao menisco hoje. É um termômetro muito importante para mim da urgência ou não de uma cirurgia ou do quanto eu posso investir no tratamento clínico ou eu tenho que migrar para o tratamento cirúrgico rapidamente.

Entendi. E todas essas situações o paciente vai sentir dor ou isso pode ser silencioso? Eu acho que assim é, não, normalmente assim uma lesão grave ela vai dando dor para o paciente. Tanto que tem paciente que às vezes vem com a gente assim, às vezes por causa da cleptana, aquela primeira história que você falou lá meu joelho range.

Então vem o paciente e fala pô Eduardo, eu queria ver por que meu joelho range. Daí a gente pede alguns exames ali e a gente descobre que o paciente tinha uma lesão de menisco. Essa lesão ela era silenciosa.

Ela atrapalha a vida do paciente. E os pacientes às vezes perguntam, pô eu vou ter que operar? Não, porque não está te atrapalhando. Deixa quieto.

Lógico que a gente vai observar aquela lesão. A gente vai sequenciar exames aí uma vez a cada seis meses ou uma vez por ano para ver como é que aquela lesão está se comportando. Porque se aquela lesão começar a aumentar muito rápido e o paciente ainda não estiver sentindo, às vezes a gente tem que fazer alguma coisa.

É aquele negócio, a gente não pode perder o timing, tá? Então assim agora quando tem dor, aí realmente é um sinal mais intenso, né? Daí já o corpo reclamando ó, faz alguma coisa que aqui não está legal, né? E o tratamento a sua primeira opção é clínico? Antes da cirurgia? Depende do tipo de lesão. Tirando as que você disse que quando percebe que já é o momento ali Aí é, hoje em dia a gente tem uma gama muito grande de recursos, de conceitos de tratamento clínico que dá muito certo, né? São conceitos que foram se desenvolvendo aí, por exemplo, a importância do fortalecimento muscular, tá? Eu costumo falar para o paciente que assim, independente de qual que seja o caminho do tratamento do paciente. Fortalecer a musculatura é uma coisa que vai fazer parte.

Então, em alguns casos, vamos fortalecer, quem sabe a gente já consiga estabilizar aquela lesão com o fortalecimento muscular. É, aquele conceito de que o joelho é uma articulação de carga, ele carrega a gente, tá? A cada passo que a gente dá, toda vez que a gente bate o pé no chão, o joelho recebe um impacto de 3 vezes o peso do nosso corpo, tá? Então, tá chegando o carnaval aí, dá aquela bobeada, ganha 3, 4 quilos aí, você tá jogando 12 quilos a mais de pressão pra dentro do joelho, a cada passo que você dá, ele vai reclamar. Então, uma das coisas que a gente pega no pé do paciente é ele cuidar do peso corporal dele, tá? E daí, eu até, a gente até trabalha com nutricionista perto e tudo mais, mas eu costumo falar pro paciente que a minha função dentro do consultório é orientar.

Porque tem gente que gosta de nutricionista, tem gente que já prefere hoje em dia os neutrólogos, tem gente que prefere o endócrino, tem gente que sabe meio que o que fazer, tá? Então, a nossa função ali é orientar pra que a pessoa esteja forte e com o peso correto. Então, isso é a base da maioria dos tratamentos conservadores. E daí depois entram outras alternativas aí de infiltração de ácido alurônico, tem alguns medicamentos de cartilagem, tem algumas outras coisas que podem ser associadas também.

Tá, eu vou chegar nessa parte de tratamento, que eu imagino também seja uma dúvida comum. As infiltrações, né, que fala, que inclusive tá no Trend Topics, que a gente fala que são os assuntos que as pessoas vão lá no Google e mais perguntam relacionados a joelho. Agora, é, até aquelas coisas que as pessoas usam pra fazer, eu não lembro a palavra, mas é como se fosse uma proteção ali no joelho, que a gente vê bastante no crossfit, que fica... A joelheira mesmo? A fitinha ou a joelheira mesmo? Acho que é a joelheira mesmo.

Isso é útil ou acaba sendo desnecessário? Pode piorar uma situação? É, sim. Por exemplo, no teu caso, que você teve a luxação da patela, tá? Então, hoje em dia tem algumas joelheiras bem legais, que elas têm até um silicone em volta da patela pra oferecer uma estabilização melhor aqui, tá? Então, assim, em alguns casos como esse, eu acho que a joelheira funciona. Em outros casos, eu acho que ela tem um efeito muito mais psicológico do que qualquer outra coisa, porque elas são mores, né? Se a pessoa for torcer o joelho, vai torcer.

Agora, tem joelheiras que são armadas, né, que são joelheiras que não é tão comum se ver aqui no Brasil, mas fora a gente vê bastante. Quem assiste, por exemplo, futebol americano, tem bastante jogador com no cotovelo, no joelho, aquelas armações, tá? Aquilo lá é de carbono, aquilo lá é extremamente rígido. Aquilo lá consegue dar um pouquinho mais de sustentação pro joelho, tá? Mas é desconfortável, não é, não permite que a pessoa faça um esporte com tanta liberdade.

Tem gente que usa até aquelas cintas, porque carrega muito peso ali no agachamento, né? Não sei se tem medo, né, de acontecer de torcer ali, de ter algum... É, eu acho que assim, a cinta eu aconselho, ontem um paciente me perguntou sobre a necessidade da cinta. E aí eu perguntei qual era o nível de peso que ele tava carregando, porque quando tá envolvendo performance, tá? Quando a pessoa quer fazer um carregamento de bastante peso, tá? Às vezes é interessante você proteger aqui essa transição da coluna com a bacia dele, tá? Pra justamente evitar uma lesão grave. Agora, no dia a dia, é interessante pra gente? Não, por quê? Porque a gente tem que desenvolver a nossa musculatura, que é a nossa proteção natural, tá? Então, aquele negócio que eu falo pro paciente, carregue o peso que você carrega de uma forma confortável, tá? Trave bem a musculatura e vá desenvolvendo o conceito de que a tua musculatura te protege.

Isso é sempre o mais importante, tá? Porque senão a gente vai ficar muito dependente. Tem pessoas, eu tenho amigos, que vão jogar com o joelheiro o tempo todo. Aí eu falo, mas você tá sentindo alguma coisa? Não, mas se eu não tiver com o joelheiro, eu não consigo entrar no campo.

É isso daí, né? Porque ficou na cabeça dele de que a joelheira é quem permite ele jogar, tá? E não é esse o conceito correto, a gente tem que desenvolver o conceito de que a nossa musculatura, o nosso corpo vai permitir a gente jogar. Sim. Bom, agora das situações mais comuns, né? Que a gente até tava falando antes de começar a gravação sobre artrite, por exemplo.

O que a gente pode delistar? Isso é considerado algo natural ali do corpo? Vai acontecer com todo mundo? Quais são as situações mais comuns, assim, tirando algo externo, né? Que foi causado ali por peso ou qualquer, ou no meu caso, por exemplo, um acidente doméstico. É, não, tem algumas, aquilo que eu falei, as pecinhas do joelho, elas vão desgastando ao longo do tempo, tá? Então, começa pelo desgaste da catilagem, que é essa superfície aqui que tá no contato dos ossos, essa superfície lisa, como se fosse um azulejo ali, e que permite esse movimento liso, tá? Então, isso, pelo repetição do atrito, isso vai desgastando ao longo do tempo, tá? Então, é normal uma pessoa ali com 30, 30 e poucos anos, fazer uma ressonância e já vem uma chondropatia, a pessoa tá assustada, pô, tô doente, não. Não, já é o comecinho do desgaste.

E aquilo que eu te falei, a gente só tem que mensurar se o joelho é um joelho de 30 e poucos anos. Se a gente notar que está proporcional, ótimo, vamos proteger esse joelho e vamos tocar. Agora, depois da chondropatia, as outras estruturas já começam a desgastar junto, então daí já começa a existir a artrose.

Mas se você pegar na essência da palavra, a artrose é o envelhecimento da articulação. Então, se essa articulação, ela envelhece de uma forma bem equilibrada, tá, acompanhando o resto do corpo do paciente, tá, é uma articulação que dificilmente vai limitar demais a pessoa. Agora, fatores que desequilibrem isso, ou essa articulação começa a acelerar muito rápido, às vezes traumas, peso, postura, falta de exercício, exercício errado, genética, que desequilibrem esse processo, já vão fazer com que seja uma articulação envelhecendo e inflamada.

Então, é uma articulação que a gente costuma falar como articulação osteoartrítica. Aí é uma articulação que a gente tem que abordar, tá, porque daí a gente tem que tentar, em primeiro lugar, entender o que é que está fazendo com que ela desgaste mais rápido, tentar controlar ou eliminar esse fator, tá, e botar ela no eixo de envelhecimento normal novamente. Agora, ela pode em um certo ponto, não ser mais útil pro paciente.

Pode ser que chegue um momento em que ela envelheceu tanto que a gente não consegue mais corrigir nada. E daí existem hoje em dia as possibilidades, hoje em dia não, já tem alguns anos, a possibilidade da substituição da articulação, que é a cirurgia da prótese de joelho, né, que é um recurso excelente. Cada vez melhor, cada vez a gente tem tido sucesso e às vezes até não demoraram tanto pra indicar uma cirurgia dessa.

Por quê? Porque as próteses mais modernas hoje em dia oferecem qualidade de vida pro paciente. Pacientes com prótese que andam de bicicleta, que brincam de tênis, que brincam de futebol com os netos, é óbvio que não é esse o propósito de botar uma prótese no joelho de um paciente. O propósito é oferecer qualidade de vida pra ele.

Fazer com que ele saia da cama, com que ele consiga ir no shopping, passear com a família, com que ele consiga fazer uma viagem. Esse é o objetivo de quando a gente indica uma prótese. Mas o resultado tem sido tão satisfatório que as pessoas estão conseguindo fazer algo a mais.

Então é por isso que hoje em dia em alguns casos a gente não espera a pessoa estar tão debilitada. Quando a pessoa está tão debilitada, já está de cadeira de roda, não está mais no direito, a musculatura já está fraca, os tendoes já estão fracos, os ligamentos já estão fracos, talvez aquela prótese não consiga oferecer pra pessoa todo o benefício que ela pode oferecer, se a gente tivesse feito um pouquinho antes, enquanto ela ainda tinha uma musculatura boa, enquanto ela tinha os ligamentos bons, enquanto ela tinha uma cabeça boa, porque a pessoa também que fica há muito tempo dentro de casa, ela também pode começar a ter problemas psicológicos, né? Então depois é difícil em algumas situações você resgatar isso daí, né? Quais são as etapas dos tratamentos? Então primeiro é algo considerado clínico ali, fisioterapia? Clínico, a gente trabalhar sempre a parte física do paciente, por exemplo, problema de cartilagem ertrosa, eu sempre começo com fortalecimento muscular, que eu costumo falar pro paciente, que é o artista principal, é ele que vai concorrer ao Oscar de artista principal. Aí a gente tem o controle de peso corporal, e daí entram as questões dos tratamentos de cartilagem, por exemplo, da aplicação do ácido helurônico, que é um coadjuvante super importante na história, mas ele é um coadjuvante.

O principal tá aqui, fortalecer e controlar o peso. E daí a gente vai acompanhando o paciente. Pode ser que em alguns momentos, devido ao avanço da doença, comece a soltar alguns fragmentos de cartilagem, soltar alguns fragmentos de menisco, e a gente sabe que quando esses fragmentos estão soltos lá dentro do joelho, eles aceleram o processo de desgaste, por quê? Porque eles deixam o joelho inflamado o tempo todo, eles deixam o joelho doente por dentro.

Então, em alguns pacientes, a gente, num determinado momento, a gente indica pra fazer uma limpeza na articulação, uma artroscopia, pra ir lá e tirar tudo que tá solto dentro do joelho, pra deixar ela mais limpa, pra gente poder voltar a tentar fazer o tratamento do fortalecimento, controle de peso e aplicação do ácido helurônico. Quando a gente nota que já não está mais respondendo, aí é a hora da gente pensar em alguma coisa um pouco mais agressiva, mas pra que a gente mantenha o paciente em pé. Como que funcionam as infiltrações? A infiltração é assim, a infiltração tem dois tipos, tem a infiltração do anti-inflamatório com anestésico, que ela era mal falada no passado, mas ela tem o seu lugar dentro da medicina do joelho.

Quando você pega um joelho muito inflamado, o líquido sinovial, que é o óleo de dentro da articulação, muito inflamado, ele é tóxico. Então, às vezes, compensa mais você fazer uma aplicação de um ácido helurônico dentro do joelho pra tirar um pouquinho dessa toxicidade, pra depois você botar o ácido helurônico. Então, você faz o corticoide primeiro pra preparar o joelho, às vezes, pra fazer um ácido helurônico.

Ou um paciente que já tem uma artrose muito estabelecida e, por exemplo, não quer operar, não tem uma condição clínica de operar, aí você fazer uma infiltração de corticoide com anestésico pra dar um pouquinho mais de sustentação, pra fazer com que esse paciente consiga movimentar o joelho, é indicado. Agora, a infiltração que o pessoal tem falado mais em relação ao joelho é a infiltração do ácido helurônico. Na verdade, ela foi desenvolvida há muitos anos lá atrás e, naquela época lá atrás, o propósito era que ela fosse aplicada em articulações muito desgastadas pra evitar cirurgia de prótese.

Mas era uma molécula inicial, uma molécula muito pesada, então, a infiltração não conseguia suprir o efeito que se propunha na época, e o paciente fazia, às vezes ficava com dor no joelho, o joelho inchava e, inevitavelmente, ele acabava tendo que fazer a cirurgia no segundo momento. Então, assim, começou a ser contestado. Se a gente pegar a literatura científica de perto dos anos 2000, existe uma contestação muito grande em relação a esse tipo de tratamento.

Porém, com o tempo, o pessoal começou a entender que tratava-se de uma terapia de prevenção. Então, se eu quero prevenir, eu não posso deixar estar tão desgastado. Então, a gente começou a antecipar um pouquinho as aplicações e a indústria, junto com os cientistas, pegaram aquela molécula, aquela molécula muito pesada e transformaram em uma molécula mais agradável para o joelho, uma molécula melhor para o joelho.

Então, daí surgiram os assuntos de médio peso molecular, que é o que a gente usa normalmente. Tem o de baixo peso molecular, de acordo com o peso molecular da molécula, que eu, particularmente, acho que não serve pra nada. Tem o de alto peso molecular, que é bem denso, e tem o de médio peso molecular, que ele vai ajudar bem na lubrificação do joelho, ele vai ser um lubrificante pela presença física dele e pelo efeito de estimulação que ele causa dentro do joelho.

Porque a gente tem um óleo lá dentro chamado líquido sinovial, que é produzido pelas membranas sinoviais, que são as membranas de dentro do joelho. Essas membranas, elas precisam ingerir alguma coisa pra produzir o líquido sinovial. O que que é? É o ácido helorônico.

Então, quando a gente joga o ácido helorônico lá dentro, a gente estimula essas membranas a produzir mais óleo. Então, a gente vai conseguir ter um efeito a médio e longo prazo também. Então, normalmente os pacientes que fazem esse tipo de tratamento, fazem uma vez por ano, uma vez a cada nove meses.

Isso acontece em hospital? Pode ser em clínica? Não, na clínica, na clínica. A gente vê muito a indicação desses procedimentos serem feitos em hospitais, mas eu particularmente sou contra. Eu acho que na clínica, na mão de um profissional, ir num consultório bem preparado pra isso, com uma estrutura correta pra isso, é bem tranquilo de se fazer.

Tem riscos, doutor? É assim, o risco que existe é muito pequeno, o risco de infecção. Então, pra isso a gente tem que fazer uma sepsia correta do local. E no passado, quando a molécula era muito pesada, existia até um índice de reação sinovial, que era uma inflamação que acontecia dentro do joelho por irritação em função da presença dessa molécula muito grande.

Hoje em dia, com os medicamentos mais modernos, é muito difícil a gente ver esse tipo de reação. E é vida normal ali, pra pessoa sair do procedimento? No dia a gente pede pra não fazer atividade física nem antes nem depois. O que eu gosto é fazer uma sequência de três aplicações, uma por semana ou uma a cada quinze dias.

No dia eu falo pro paciente que não faz ginástica nem antes nem depois, mas no dia seguinte já pode até ir pra academia e o dia da pessoa é totalmente normal. Entendi. E o próximo passo que é considerado o mais agressivo, digamos assim, agressivo, não sei se é a palavra, mas invasivo, seria a prótese do joelho? A prótese.

Seria quando o paciente já tá começando a ter uma limitação grande. É assim, a gente vai acompanhando o paciente. Eu normalmente aviso, olha, Letícia, teu joelho já tem um desgaste severo, já tá com um desgaste importante.

Então se a tua vida começar a ficar limitada, se você começar a deixar de fazer coisas importantes pra você por causa do joelho, já cabe a gente pensar na cirurgia da prótese sim, porque a gente faz uma correlação clínica com radiológica. E daí a gente, somando esses dois fatos, a gente tenta entender o momento certo de fazer o procedimento e aquilo que eu falei pra você, como o resultado é muito satisfatório, hoje em dia a gente faz até cirurgia pró-robótica. Então assim, então o paciente volta a ter uma qualidade de vida muito bacana e não tão demorada.

Então a gente não espera aquele paciente que tá acamado, porque no passado era comum falar, se puser prótese não sai da cadeira de roda. Mas normalmente eram pessoas que já estavam de cadeira de roda, ou seja, a musculatura já tava ruim, é óbvio que o material era diferente, a técnica cirúrgica era diferente, mas já eram pacientes também diferentes dos que a gente hoje em dia procura selecionar pra fazer o procedimento. E aí já muda tudo o cenário de recuperação e tudo mais, eu imagino que seja mais delicado.

Sim, sim, mas a gente tem que estimular, tá? Foi bom você tocar nesse ponto aí, porque assim, um conceito muito importante sobre joelho e o corpo como um todo, o movimento é a coisa mais importante que a gente faz pro nosso corpo, tá? Então assim, num tratamento clínico, a gente mantém uma fisioterapia, atividade física, não só pra dar sustentação muscular, mas pra manter o paciente em movimento. O movimento ele fortalece as nossas articulações, isso é cientificamente comprovado. Agora num paciente, por exemplo, de prótese, o que a gente tem que fazer? A gente tem que ensinar aquele joelho a voltar a funcionar normal, e o joelho normal ele dobra e estica, então a gente de imediato já tem que, lógico, de uma forma bem escalonada, indo aos poucos, mas a gente já tem que ir dobrando, esticando esse joelho, já tem que ir mostrando praquele joelho o que a gente quer dele.

Porque aquele paciente que faz uma cirurgia dessa e fica aí um mês, um mês e pouco de cama com a perna reta, é um paciente que não vai dobrar o joelho depois, tá? Então depois talvez precise até fazer um segundo procedimento pra fazer uma limpeza, tirar uma cicatriz muito espessa que forma, tá? Mas se você pega o paciente e já desde o primeiro pós-operatório, quando a gente tira o dreno do joelho, já começa a mostrar pro paciente que o joelho dobra e estica, esse paciente vai ter uma facilidade e vai adquirir ângulos aceitáveis, porque também não adianta pensar que a prótese vai, o paciente vai conseguir colocar o cocanhar no bumbum, como o pessoal fala, não. Hoje em dia a gente considera como satisfatório uma prótese que chega em 100, 110 graus, é extremamente satisfatória, tá? Por quê? Porque pouquíssimas coisas na vida a pessoa não vai conseguir fazer. Se você estica o joelho inteiro e dobra 110 graus, a 99% do seu dia-a-dia vai ser normal.

É, porque até quando a pessoa usa aquela, quando quebra, né, e fica imobilizado, até eu quando usei o meu foi só uma bota, né, que eu me lembro foram três semanas, doeu mais a parte de recuperação depois da fisioterapia do que o momento da, que eu desloquei mesmo. Sim, porque perde toda a musculatura, né? Você vê, no passado tratava-se a famosa dor de crescimento, né, que a criança tem, que é ali no joelhinho, tá, que na verdade é um probleminha nesse ossinho aqui, tá, porque a criança cresce pelo osso, tá, e a musculatura nem sempre acompanha o crescimento, e daí vai tracionando essa área aqui, que também tem uma cartilagem de crescimento, então essa área aqui, ela vai ficando muito inflamada, ela pode até deformar, né, tem pessoa que tem um joelhinho pontudo, é porque teve esse problema na infância. Só que lá atrás, qual que era o tratamento disso, tá? Isso chama-se síndrome de ósgutilata.

O passado era, bota gesso e deixa a criança com duas ou três semanas com o joelho parado que resolve, tá, você até tirava a dor dela, você até tirava a inflamação, porque ela não tava mais mexendo, mas a hora que você tirava o gesso, a musculatura da criança tava menor, tá, daí pra você tentar desenvolver a musculatura, a pessoa normalmente tinha a recorrência do problema, tá, então hoje em dia qual que é o tratamento, por exemplo, pra isso? O pessoal vai na clínica, tem bastante criança que aparece com isso, até em função do esporte precoce, tá, tratamento, fisioterapia pra desenvolver a musculatura, pra alongar, pra desenvolver postura e tudo mais, pra que o efeito de tração do músculo pare de ser intenso aqui, mas através não de deixar parado, e sim de desenvolver o músculo, né. É, desde criança, realmente as pessoas, isso é uma coisa que eu ia citar no começo, até esqueci, parece que agora virou moda, né, todo mundo gosta de fazer esporte assim, pelo menos da minha faixa etária, eu vejo que não era uma coisa tão falada, só que até por conta das redes sociais, virou um estilo de vida que as pessoas gostam de mostrar, né, que estão fazendo exercício, que cada vez mais novas, assim, se preocupam com isso, da alimentação. Exatamente, eu tava brincando outro dia até com o Alexandre, a gente foi almoçar e a gente tava falando do que cada um tá fazendo em termos de esporte, e eu falei pra ele, por que a gente não era assim na faculdade, né, a gente tinha os jogos na faculdade e a gente não competia normalmente em nada, né, hoje em dia a gente vê todo mundo na nossa faixa etária aí, um faz triatlo, um outro joga tênis de mesa, um joga tênis, futebol e tal, então cada um se encaixando dentro do esporte, entendendo que o esporte tem que fazer parte da vida, né, eu acho que isso é um conceito que o Brasil tem que adquirir cada vez mais, né, você vê em alguns países, como os Estados Unidos, alguns países da Europa, desde cedo já mostra-se a importância da atividade física pra criança, né, ela já cresce entendendo que é importante fazer aquilo, tá, no Brasil a educação física muitas vezes é uma brincadeira, né, então assim, eu acho que mudar um pouquinho esse conceito eu acho que vai ser importante pra daqui uns 30, 40 anos aí pra gerações que estão se ferrando agora, né.

E pros mais jovens muda essa questão de quais são os exercícios, eu ia te perguntar agora se tem algum esporte que é mais recomendado ou menos recomendado pros adultos, mas entra na mesma pergunta pras crianças, criança deve evitar algum tipo de esporte específico, como por exemplo musculação, que até virou um meme na internet, né, o horário dos Enzos e das Valentinas na academia fazendo musculação, eu acho estranho, pra ser sincera, ver alguém tão novinho já puxando um pé... Eu acho que depende da carga, eu vou dar um exemplo pessoal, meu filho teve o mesmo problema que você, ele teve uma luxação de patelo, ele teve um episódio na escola, depois teve um episódio seguinte, a gente fez umas análises do joelho dele, e assim, alguns parâmetros do joelho dele não são legais, então assim, é uma criança que vai depender muito da musculatura pra tá legal, e daí a gente contratou uma personal lá onde a gente mora, conversei com ela, passei a importância, ele tinha 11 anos na época que ele começou a fazer personal, eu fui conversar com o pessoal do condomínio, eu expliquei que ele teria que fazer musculação como parte de um tratamento, não era performance, não era fitness, era parte de um tratamento, peguei a personal, orientei bem ela, e a partir desse momento ele faz 2 a 3 vezes por semana regrado, ele adora, e nunca mais ameaçou sair fora do lugar. Então assim, a criança pode ir pra uma academia? Pode, desde que haja a orientação ao profissional que vai cuidar daquela criança ali dentro, porque se a criança for ali, pegar aquela receita de bolo que a maioria das academias dão, e ela tentar fazer sozinha, ou tentar fazer cargas erradas, ela pode se prejudicar, não só assim, o crescimento que falam muito, às vezes do impacto e tudo mais, mas o principal é a criança se machucar, porque ela vai carregar um peso, ela não tem uma consciência corporal ainda bem desenvolvida pra fazer um peitoral na postura correta, pra fazer um agachamento na postura correta, e ela vai acabar se machucando. Eu não sou contra, de verdade, até lá no meu condomínio eu sou um dos caras que mais estimula, mas eu falo pra todo mundo, vai mandar o teu filho pra academia, conversa com o profissional, às vezes passa ele com algum médico, teve recentemente até um amigo nosso lá, que me procurou e eu conversei com o personal do filho pra gente fazer uma programação legal, é um menino que joga golfe com a gente lá, então a gente fez um treinamento bacana também no sentido de educar o corpo dele pro golfe.

Então, postura, estabilidade e velocidade de rotação. Então, se a orientação é correta, o exercício é bom. Tem algum esporte que você fala, olha, esse daqui, ou seja, pra criança ou pra adulto, esse eu realmente acho perigoso, realmente não recomendo? É assim, a gente tem que divulgar em causa própria, então eu quero que todo mundo jogue tudo, né? Não, tô brincando.

Mas é assim, proporcionalmente o esporte que mais destrói joelho são esportes de neve. O esqui, tanto que assim, você vê que nos Estados Unidos tem muito centro de desenvolvimento cirurgia de joelho linkados às estações de esqui, porque realmente machuca bastante. O futebol já teve o seu momento de machucar mais, agora tá voltando a machucar um pouquinho, a gente teve um gap aí no meio do caminho que não machucava-se tanto quando foi o desenvolvimento da preparação física, o desenvolvimento da composição corporal, né? Eu lembro em 2007 quando eu trabalhava no time do Santo André, a gente foi conversar com o pessoal da preparação física sobre fazer um trabalhinho mais forte de fortalecimento muscular, de glúteos, de abdômen, musculatura das costas, aqui na época até o preparador físico era um amigo nosso, mas ele era old school, né? Então ele falou, pô, mas isso aí não é para jogador de futebol, eu falei, não, mas agora tem que fazer, né? A gente tem que desenvolver essa base de sustentação para que minimize a sobrecarga que chega no joelho.

E realmente, assim, o índice de lesão veio diminuir bastante, mas ultimamente com o aumento da velocidade do jogo, os campos sintéticos, a exigência física, e assim, calendário também, né? Você vê que tem time que joga três vezes por semana e tal, então o atleta nem sempre consegue ter uma musculatura resistindo a toda essa carga de esforço, então o joelho acaba ficando mais exposto e pode ter mais lesões também. Tem as lesões de tendão patelar do jogador de vôlei, né? Porque imagine um cara de dois metros e pouco que vem numa corrida para dar um salto, para dar um ataque, e na hora que ele cai no chão ele tem que recuar totalmente o corpo para não invadir. A força que ele faz sobre o joelho para jogar o corpo para trás normalmente desenvolve um processo inflamatório importante no tendão, né? Sim, e entre os mais recomendados tem algum que você acha? Musculação, natação? Eu acho que assim, eu costumo falar aquilo que eu falei, eu acho que assim, se a pessoa musculação tem que estar.

Se ela fizer musculação direito, duas a três vezes por semana, ela se condiciona para poder jogar o resto. E daí entra de novo aquela coisa que nós já falamos, que se ela quer só brincar, se ela quer só se divertir, é um esporte recreativo, normalmente não vai machucar tanto ela. Agora, se ela entra em um nível de competição, buscando ter performance, daí mesmo fazendo uma base física grande, ainda assim pode surgir algumas pequenas lesões, né? Tudo tratável, né? Tudo tratável, hoje em dia dificilmente existe aquela lesão que aposenta o jogador, não, não existe mais isso.

Assim, pode ser que tenha algumas lesões mais sérias e que às vezes façam com que a pessoa tenha que perca um pouquinho a performance ou às vezes até tenha que mudar a característica de jogo, mas aquele negócio do jogador aposentou por causa daquela lesão, a não ser que seja um acidente gravíssimo, né? Mas normalmente não existe mais. Eu até já ia para a parte dos nossos mitos e verdades, que eu até citei para vocês antes da gente começar a gravar, que é o que as pessoas mais perguntam ali no Google, né? Mais buscam saber sobre esse determinado assunto. Eu só queria tirar uma dúvida que pode ser a dúvida de outra pessoa, que às vezes está esperando até agora para ver se a gente vai tocar no assunto.

A chondromalácea, o Dr. Alexandre tinha me citado sobre isso, que ele viu alguém perguntando aqui nos comentários, é um nome formal disso que a gente já falou, que eu vi que está ligado ao desgaste da cartilagem. Desgaste da cartilagem, né? A chondromalácea que todo mundo fala, na verdade, é a patologia degenerativa da cartilagem, tá? Porque, lembrando um pouquinho, a cartilagem é esse tecido que reveste os ossos na área em que vai ter contato e movimento com outro osso. É como se fosse um azulejo que está ali, mas em função de ter um movimento constante, esse atrito vai desgastando essa região e daí alguns outros fatores podem acelerar isso.

Então, quando você começa a ter a degeneração da cartilagem, a gente diz que é a chondromalácea apatelar, tá? No caso da relação da apatela com o feno. A chondromalácea apatelar é uma doença progressiva, ela não tem volta, tá? Ela sempre vai piorar. Então, ela começa no estágio 1 e pode ir até o estágio 4 e depois a gente já caracteriza como uma artrose, tá? Por quê? Porque o tecido cartilaginoso não tem capacidade de regeneração.

Então, quando a gente identifica um paciente com chondromalácea, com problema de cartilagem, a nossa função é tentar controlar aquilo ali, é fazer com que o paciente, com que aquele processo pare de acelerar. A gente tentar entender por que aquilo está acontecendo, tá? E tentar estagnar aquele processo ali, tentar parar o processo pra que ele evolua numa velocidade normal, né? São muitas as condições, né, doutor? Porque às vezes a pessoa sente um incômodo ali e realmente precisa de um profissional pra saber onde que exatamente está acontecendo isso. Porque você tem que tratar a causa, né? A dor, ela é uma consequência.

A consequência é de alguma coisa. Se você não matar a causa, a dor, às vezes você engana o paciente com remédio, tá? Eu costumo falar que eu sou um dos ortopedistas que menos prescreve remédio, porque eu gosto muito de atuar em cima da causa do problema, né? Pra que a gente realmente faça com que o problema não continue progredindo. Porque às vezes o paciente toma um monte de remédio, tô bem, tô legal, vou jogar, vou fazer isso, vou fazer aquilo, e na verdade o processo tá piorando, piorando, piorando, e na hora que ele parar de tomar o remédio, a dor vai vir 10 vezes maior, né? Engana muito, né? Engana bastante.

E essa questão da acondromalácia, o que a gente usa muito pro tratamento dela hoje em dia é aquilo que a gente falou das aplicações do ácido lurônico, né? Ela é... tem o seu lugar perfeito junto com o fortalecimento muscular e o controle de peso corporal. Eu nem sabia que o ácido poderia ser aplicado no joelho, porque a gente já falou tanto de ácido aqui, principalmente nas questões estéticas, né, que tem o doutor Fernando que fala bastante aqui no canal também, e eu nunca tinha escutado falar sobre o ácido no joelho. Tem algumas senhorinhas que de vez em quando vão lá pra fazer a aplicação e elas falam, ah, doutor, não pode botar metade no joelho e metade na testa aqui? Já quer aproveitar, né? Aproveita.

Sobrou um pouquinho lá pra... Não é minha área. Esses procedimentos, a maioria, doutor, eles são cobertos por plano de saúde? Sim. As aplicações do ácido lurônico, elas têm tanta comprovação científica de eficácia pra o que se propõe.

Veja bem, o que que ela propõe? Lubrificação. Eu gosto de focar muito isso com o paciente, porque ela não vai restaurar cartilagem, ela não vai regenerar cartilagem, como em alguns lugares é dito. Então ela vai lubrificar o joelho pra que o joelho desacelere o processo de desgaste.

Mas tem uma constatação tão grande científica de eficácia pra isso, que no Brasil os planos de saúde são obrigados a bancar pro paciente isso daí, desde que o médico tenha uma indicação perfeita e haja comprovação do problema. A prótese também pode ser coberta? Tudo, tudo, tudo. Hoje em dia eu acho que poucas coisas os convênios não são obrigados a bancar e o interessante é a gente observar que no passado existia uma briga dos convênios com os pacientes em relação a prótese importada, a prótese nacional e tudo mais.

Hoje em dia a gente vê que o resultado da prótese importada, uma prótese boa, é tão legal que o próprio convênio fala, não, bota a boa mesmo, que é pra ser uma vez só. Porque no passado falavam, uma prótese dura 5, 10 anos. Hoje em dia uma prótese bem colocada, bem cuidada, vai durar 20, 25 anos ou seja, praticamente a pessoa não vai mais precisar pensar em trocar essa prótese.

Eu tenho pacientes aí que estão beirando 20 anos de prótese, eu tenho 20 anos de carreira os pacientes do começo da minha carreira vêm uma vez por ano, então eu já tô vendo alguns que já estão com bastante tempo de prótese e estão tocando a vida totalmente normal. O que envolve a questão da ortopedia, dificilmente algo não é coberto pelos planos de saúde? Eu acho que dificilmente, assim, existem sempre as contestações, existem as terapias novas aí que às vezes o convênio quer saber, quer entender um pouquinho, eu particularmente não entro muito na linha da medicina regenerativa, mas tem alguns colegas que trabalham comigo que fazem alguns procedimentos nessa linha e eu vejo que às vezes o convênio vai dar uma contestada, alguns materiais que às vezes possam não ser necessários numa cirurgia, mas é o que eu costumo falar, a gente tem reunião às vezes com o pessoal dos planos de saúde e assim, eles têm que ou confiar no médico, eles têm que confiar um pouquinho mais no médico que eles puseram pra atender o plano deles. Então assim, se eles me credenciaram pra atender o plano deles, então se eu falar que precisa disso, confia.

Ah não, eu tô achando que o Eduardo não tá indicando certo, ou que o Zezinho não tá indicando certo. Então descredencia esse médico. Se o plano começar a fazer esse tipo de seleção, eu acho que a gente vai resolver muitos dos nossos problemas que a gente tem hoje em dia dentro da da medicina, dessa questão dos problemas de material de cirurgia.

Bom, então como a gente tá caminhando agora pra conclusão aqui do nosso episódio, eu vou entrar nos mitos e verdades, que também vai esclarecer muita coisa. É um apanhado geral, né, uma conclusão aí de tudo que a gente falou, tem muito mais, né, doutor, se for entrar em cada condição, eu não consigo detalhar tudo que aparece pra gente, né, das lesões mais comuns, enfim, mas depois no final, pra quem tiver alguma dúvida, eu vou pedir pra você passar também suas redes sociais, pra quem quiser, às vezes tá com alguma situação, quer marcar uma consulta, enfim, né, te procurar nas redes sociais pra saber mais detalhes, aí você passa. Bom, então primeiro, mitos, mito ou verdade.

Toda dor precisa de cirurgia? Mito. A dor, ela precisa a gente entender o que é que tá causando aquela dor, tá? Dores por lesões, quando o paciente fala, não, realmente eu torci o joelho, eu machuquei o joelho, a gente vai lá e vê que realmente é uma lesão que não tem nenhuma possibilidade de tratar clinicamente, aí cirurgia tá indicada, mas em 90% das vezes, até mais, o tratamento é clínico. A dor no joelho é problema no joelho? Na grande, grande maioria das vezes, tá, eu falo muito pro paciente, assim, o joelho, ele é meio egoísta, né, mas algumas situações, problemas no quadril podem gerar um desconforto na parte interna do joelho, então já tem muito paciente, já tive alguns pacientes que vieram pra mim com a queixa da dor na parte interna do joelho, a hora que a gente vai examinar o quadril do paciente, a gente vê que é um quadril que já tá bem desgastado, que já tá com uma artrose muito grave, então a gente pede os exames, comprova isso e dá encaminho pro colega de quadril pra tá tratando isso daí.

Mas normalmente dor já é um sinal de algo... Que não tá legal. A dor é o teu corpo falando pra você, Letícia, aqui não tá bom, resolve. Tá.

Dor exige limitar os exercícios? As vezes, corrigir, assim, nunca parar, eu acho que a palavra limitar é uma palavra que pode se encaixar assim, nunca parar. A gente tem que entender, sempre diante de um problema, quais são os limites e quais são as prioridades do exercício do paciente, mas assim, parar o exercício é muito raro. Mesmo que a pessoa quebre a perna, quebre o joelho, ela pode comprar um daqueles ciclos de mão e ficar fazendo um trabalhinho assim, porque o corpo precisa tá movimentando, o corpo humano é uma máquina, máquina parada em ferrugem.

Sim. É, muita gente as vezes até tem medo de procurar um especialista que ia falar, ah, ele vai me proibir de fazer o esporte que eu não gosto. Exatamente.

Eu falo pro paciente assim, que as vezes a gente vai dar uma segunda ou uma terceira opinião, tá, não sendo antiético, mas são coisas que acontecem no consultório. E o paciente chega, o médico falou que não era pra fazer exercício, eu falo, não, peraí. Então vamos esquecer um pouquinho essa história do não fazer exercício? Vamos só entender qual é o exercício que a senhora não pode fazer e qual que a senhora vai fazer, né? É, pra adaptar, né? Exatamente.

Devo tomar remédio para dor no joelho? Dependendo da intensidade da dor, sim, tá, tem duas linhas de medicamento aí, tem os medicamentos pra dor, pra inflamação, tá, que é aquilo que eu te falei, eu não sou muito fã, mas em algumas situações a gente tem que usar, e tem os remédios pra cartilagem que o pessoal toma aí, glicosamina, condroitina, colágeno tipo 2, mas que é uma linha de medicamentos ainda um pouquinho contestada, né? Existem até trabalhos que contraindicam a utilização desses medicamentos tá, porque realmente aparentemente o efeito é muito pequeno pelo custo do medicamento e pelo tempo que o paciente tem que tomar. A dor no joelho é causada apenas por lesão? Não, pelo desgaste também, se for um desgaste desequilibrado, pode ter. Quem tem dor não deve se exercitar no momento da dor, né? Acho que a gente pode falar assim.

Não, você tem que entender a dor, entender o que desperta aquela dor e tentar fazer uma adaptação. O movimento ele é importante, o movimento ele fortalece a articulação. É só a gente entender qual é o movimento correto.

Por exemplo, um exemplo assim, rápido, no passado falava-se que andar de bicicleta fazia mal pro joelho. Hoje em dia pra 99% dos pacientes é uma andar de bicicleta, por quê? Porque a gente sabe que o movimento cíclico repetido da bicicleta é excelente pra estimular a cartilagem, é excelente pra manter o metabolismo do joelho bem ativo. É só a gente entender qual é a necessidade do paciente naquele momento, né? Legal, eu gosto também, bastante.

A ruptura do LCA é uma lesão que termina a carreira? Não, não mais, não mais. É o ligamento cruzado anterior, que é a lesão do Neymar. Ah, é a sua sigla diferente.

Exatamente, então assim, isso mudou muito nos últimos anos, eu tive o prazer e a honra de fazer parte da minha formação lá no aniversário de Pittsburgh, como você citou, e quem coordenava o serviço na época era o Dr. Fred Fuch, que na minha opinião e na opinião de muita gente, é o maior nome da história da cirurgia de ligamento cruzado anterior. É o maior pesquisador em termos de ligamento cruzado anterior, e através de estudos dele com contribuições de muita gente, a gente hoje em dia tem um modelo de reconstrução do ligamento cruzado anterior, que a gente entrega a pessoa de novo pro esporte. Aquilo que eu te falei, o cruzado anterior ele entrega a pessoa a quase que 100% pro esporte.

Outras lesões, por exemplo, de menisco, podem gerar algum tipo de limitação, mas o cruzado não. Agora a última pergunta é, ser forte evitará lesões? Sim, sim. A pessoa que é forte, mas uma coisa importante, que eu também gosto de falar pro paciente, você vê que eu gosto de conversar bastante com o paciente, né? A pessoa tem que desenvolver o músculo e aprender a usar o músculo.

Tem gente que tem o abdômen todo tanquinho, vai na academia todo dia, mas na hora que senta, tá todo largado assim, né? Ou seja, a pessoa não sabe usar aquela musculatura que ela tem. Então, isso não protege ela. Um músculo largado não protege ela.

Um músculo potencializado que coloca ela no eixo correto, na postura correta, que oferece um equilíbrio perfeito pra aquele corpo, esse músculo vai proteger ela sim. Então, é o que eu falo pro paciente. Faça o fortalecimento e desenvolva a utilização da tua musculatura.

O paciente, por exemplo, o pessoal que trabalha no escritório, eu brinco assim, pega a postite, escreve a palavra postura e espalha no escritório inteiro. Então, você bateu o olho, pum, corrige a postura. Bateu o olho aqui, corrige a postura.

Postura e água, né? Porque aí vem, corrige a postura e toma água. Exatamente, exatamente. Porque daí a pessoa vai protegendo, se você tá no eixo correto do teu corpo, suas articulações estão mais bem protegidas, não ficam recebendo impactos que não deveriam.

Perfeito. Antes de finalizar, aqui te agradecer também pela participação, eu quero lembrar também e agradecer para o Laboratório Origem, que é um dos nossos patrocinadores aqui. Doutor, muito obrigada pela sua participação, vou pedir pra você passar as suas redes sociais, o que você preferir pra quem quiser te encontrar e a gente vai deixar também aqui, tá? Legal, legal.

Eu que agradeço o convite, como isso é um prazer estar conversando com você aqui, pra mim é uma honra retribuir a amizade que eu sempre tive com a família Mato de estar vindo aqui. Rede social, confesso que eu não sei de cor, então vou passar pra você depois. Tá bom, a gente coloca aqui.

Mas o meu site pessoal é o www.joelho.pro joelho.pro tá, então ali já vai ter todas as informações sobre os nossos trabalhos, sobre onde a gente trabalha. Tem contato também ali, né? Isso, tem tudo ali, tem tudo ali e eu fico à disposição. Quem quiser, através dos contatos, mandar perguntas, mandar questionamentos, pode mandar que a gente procura estar respondendo a todo mundo sempre que possível.

Exatamente, então já aproveita, se você ficou com alguma dúvida desse assunto aqui do joelho, pode comentar aqui no nosso vídeo, que a gente vai tentar encaminhar pro doutor, se ele quiser responder nas redes sociais, ou até a gente marca um novo episódio, porque tem muito assunto relacionado à ortopedia, a gente não tinha trazido ainda, foi um inédito aqui, essa especialidade no Amatocast, então vai ser muito legal te trazer de novo, então peço pra que vocês comentem se vocês querem mais dúvidas sobre esse assunto, ou qualquer outro relacionado à especialidade aqui do doutor Eduardo Souza. Muito obrigado. Obrigado, Joelho.

Obrigado a você pela participação aqui no Amatocast, não deixe de curtir, comentar e compartilhar também, que é muito importante pra visibilidade do nosso canal. Obrigada!

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