A obesidade, definida pelo IMC acima de 30, é um fator agravante central para as doenças vasculares, atuando em um ciclo vicioso com o sedentarismo. Ela difere
Primeiro que tem que fugir do efeito sanfona. Então, aquele negócio de engorda, emagrece, engorda, emagrece, engorda, emagrece, é muito pior do que aquele gordinho saudável que está sempre lá, gordinho, no mesmo peso e não varia.
Eu tenho um vídeo sobre isso aqui no canal. Poder pode, mas se não tratar a obesidade, outro problema grave vai continuar existindo. Então tem que ser tratado em concomitância.
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Olá, sou o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular do Instituto Amato, e hoje eu vou falar como a obesidade agrava as doenças vasculares. Então, muitas vezes elas andam juntos e a gente não consegue separar uma coisa da outra. Às vezes o sintoma de uma doença é por causa dessa doença vascular, mas é agravado por causa da obesidade ou o sintoma é da obesidade, a doença vascular só está lá numa fase que seria assintomática, difícil separar os sintomas.
Então, esse aspecto, a influência da obesidade nas doenças vasculares é importantíssimo para todo mundo. A obesidade, hoje em dia, ela é reconhecida como a deposição de gordura corporal causada por um aumento de absorção energética. Então, se você come mais do que consegue ou gasta de energia, você vai acabar acumulando essa gordura no corpo todo.
Ela difere do lipedema, onde o lipedema pode acontecer esse acúmulo de gordura sem necessariamente essa ingesta maior energética, porque ela ocorre por causa da inflamação do sistema linfático e, necessariamente, em membros, não em tronco. Então, a obesidade, ela difere do lipedema, mas elas também podem andar juntas. A obesidade é definida pelo IMC, que é o índice de massa corpórea.
O IMC, você pode fazer o cálculo, tem várias calculadoras, vou colocar um link aqui embaixo de uma calculadora para fazer o seu IMC, mas o IMC acima de 25 é considerado sobrepeso e o IMC acima de 30 já é considerado obesidade. O IMC, ele tem algumas falhas. Então, quando a gente pega um alterofilista, por exemplo, ele pode ter um IMC muito alto sem nada de gordura.
Então, não é obesidade. O IMC serve para uma avaliação de população em geral, ajuda na avaliação individual, mas não é o único critério que a gente vai utilizar. Por exemplo, uma paciente com lipedema pode ter o IMC de 30 e não ser obesa.
Esse é um conceito importante. Agora, quais são as atualidades sobre a obesidade? Primeiro que tem que fugir do efeito sanfona. Então, aquele negócio de engorda, emagrece, engorda, emagrece, engorda, emagrece, é muito pior do que aquele gordinho saudável que está sempre lá, gordinho, no mesmo peso e não varia.
Não que seja bom isso, mas o efeito sanfona é muito pior. Então, é aquele negócio de faz dieta, emagrece, engorda tudo de novo. Faz dieta, emagrece, engorda tudo de novo.
Isso é péssimo, a gente tem que fugir disso. Outro aspecto é, qualquer perda de peso é significativa e importante para a sua saúde. Então, se você consegue perder 5% do peso corporal, isso já vai influenciar muito positivamente na sua saúde em geral e nas doenças vasculares.
Lembrando outra coisa que eu já falei em outros vídeos, é que os alimentos ruins são os mais baratos. Então, veja, se você for no fast food comprar um sanduíche, você fez uma refeição, relativamente barata, mas ela é a pior de todas. Então, vai ser repleto de carboidrato, são alimentos muito processados e que pioram a obesidade.
O emagrecimento rápido facilita a adesão ao tratamento. Então, muitas vezes é necessário a gente entrar com medicação logo no início. Eu sei que muitas pessoas são aversas ao uso de medicação para emagrecer.
Ah, vou emagrecer só com dieta. É possível? Sim, é possível. Mas o uso de medicação no início e a perda de peso, enxugar rápido, ajuda a aderir ao tratamento.
Então, não evite o uso de medicamento se for necessário, se for indicado pelo seu médico. E para a obesidade, isso não vale para lipedema, mas para a obesidade, a dieta com baixa ingesta calórica vai causar um teste do que você está comendo de energia e do que você está gastando. E você vai acabar, obviamente, tendo que utilizar suas reservas naturais para sua energia e vai acabar emagrecendo.
Matemática básica isso, vai acontecer. Estou comendo pouco e não estou emagrecendo. A gente tem que descobrir o que está acontecendo.
Ou está fugindo para a geladeira, ou tem um outro problema associado, que é o lipedema. E lembrando que a obesidade, ela sempre vem junto com o sedentarismo. O sedentarismo causa a obesidade, a própria obesidade acaba incentivando o sedentarismo.
É muito mais difícil correr com 10 quilos a mais do que com 10 quilos a menos. Você vai ter que carregar esses 10 quilos para correr. Então, você acaba diminuindo o seu ritmo de exercícios.
Existem outras doenças associadas, como hipotiroidismo e outras causas para a obesidade. Agora eu vou falar da obesidade com cada um dos problemas vasculares. Então, quando a gente divide a cirurgia vascular, a gente vai encontrar problemas arteriais, problemas venosos, problemas linfáticos e eu coloco o lipedema também junto com os problemas linfáticos.
Então, doença arterial. As doenças arteriais são as doenças das artérias. A mais comum é a aterosclerose, que é a deposição de placas que entopem essas artérias e não chega sangue nos membros.
Vocês já podem ter visto gangrena, necrose, gente que precisou ser amputada. Isso é a fase final da aterosclerose, mas ela começa muito mais cedo na vida e a gente pode prevenir isso sem a obesidade. A obesidade traz também a diabetes.
A diabetes é igual a aterosclerose. Quem tem diabetes vai ter a aterosclerose. Pode não ter a aterosclerose sintomática, pode não estar no grau avançado, mas já tem aquelas lesões das artérias.
E quando a gente tem um paciente obeso, sedentário e com lesão aterosclerótica, a gente já sabe que pode estar sedentário, já não está fazendo o exercício, que é um dos tratamentos para a doença arterial. Então vai diminuir a melhora no tratamento clínico. Então tratar a obesidade também é importante.
Trata a obesidade, trata a diabetes, trata todas as comorbidades para ter uma melhora também do ponto de vista arterial. A necessidade do cirurgião vascular vai ser nas fases finais da doença arterial, quando já está entupindo, quando a gente tem que operar, colocar um estente ou abrir essa artéria para recuperar o perdido. Mas essas pessoas, elas tiveram décadas anteriores que elas poderiam ter evitado esse problema.
Do ponto de vista de problema venoso, o problema venoso mais frequente é a insuficiência venosa, varízes. A insuficiência venosa é basicamente o refluxo do sangue. Então o sangue que deveria subir na perna, ele desce, dilata essa veia.
E a gente tem os nossos mecanismos de retorno venoso que bombeiam o sangue de volta para o coração. A panturrilha é o principal. Então o paciente que é obeso, ele vai ter uma piora da insuficiência venosa, vai ter uma piora das varízes, agravado ainda com o sedentarismo, que não vai utilizar a musculatura da panturrilha para bombear o sangue e de volta para cima.
Então o paciente obeso pode operar varízes? Eu tenho um vídeo sobre isso aqui no canal. Poder pode, mas se não tratar a obesidade, outro problema grave vai continuar existindo. Então tem que ser tratado em concomitância.
Agora os problemas linfáticos. Os problemas linfáticos ocorrem pela dificuldade de retorno da linfa para a circulação, que também ocorre pela panturrilha. Então se tiver sedentário, vai ter uma retenção maior de líquido do sistema linfático e isso acaba aumentando também o risco de infecção.
Risco de infecção que aí vem erizipela, celulite infecciosa, várias doenças graves que entram num ciclo vicioso de uma erizipela, piora a linfedema, obesidade, infecção, nova erizipela, piora a linfedema. Então é muito importante também controlar a obesidade. E do lipedema tem um aspecto bem característico.
São pacientes que têm uma dificuldade enorme de perder a gordura das pernas e elas tentam dieta, tenta exercício físico não direcionado e não vem melhora. Quando não vem essa melhora, algumas acabam desistindo. Ah, não gosto de fazer exercício, não gosto de fazer dieta, vou comer e ficar sedentário, que é o que eu quero.
E aí vem a obesidade em cima do lipedema. Numa situação dessas são dois problemas para tratar, dois problemas que aí acaba sendo bem mais difícil. O lipedema é relativamente fácil, mas quando a gente tem o lipedema junto com a obesidade, a gente tem que abordar esses dois aspectos diferentes e que são tratados de forma um pouquinho diferente.
É óbvio que a obesidade causa inflamação e a inflamação piora a obesidade. E o lipedema, os sintomas do lipedema vêm por causa da inflamação, então acaba entrando nesse ciclo vicioso. Algumas pessoas perdem a mão nisso e acaba piorando assim gradativamente de uma forma às vezes exponencial.
A gente tem que por um basta nesse ciclo. Eu vejo como responsabilidade do médico do cirurgião vascular o tratamento associado da obesidade. Então não basta o paciente vir aqui com problema venoso, arterial, linfático ou mesmo lipedema e eu entregar o tratamento somente dessa doença.
Eu tenho que dar a informação e tenho que dar condições para o tratamento da obesidade também. Como eu disse já nesse vídeo, o uso da medicação pode ajudar e acelerar esse processo, ganhando adesão ao tratamento. Agora, se o seu cirurgião vascular não for adepto do tratamento da obesidade associado, não se acanhe.
Busque um outro médico para fazer o tratamento da obesidade, que pode ser um endocrinologista, pode ser um clínico. Tem vários médicos que são dedicados ao tratamento da obesidade, mas não deixe de fazê-lo. É necessário fazer em concomitância.
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Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.