💬 Canal WhatsApp

Junho Roxo Revelado: O Que Ninguém Te Contou Sobre o Lipedema | Ep. 80

Mais sobre este vídeo

Junho Roxo Revelado: O Que Ninguém Te Contou Sobre o Lipedema | Ep. 80

O episódio aborda o “Junho Roxo”, mês de conscientização do lipedema, e discute por que a data é crucial para ampliar o diagnóstico e combater o estigma de que

Perguntas respondidas neste vídeo

Sempre honrado de vir aqui como do outro lado, né?

Exatamente. Falei muito legal. Exatamente.

Que a gente já fala muito de Lipedema, a gente sempre coloca alguns vídeos aqui relacionados, mas hoje é de um jeito um pouquinho diferente, né?

Um jeito que a gente nunca conversou sobre a doença e... Prometo não ficar falando o que vocês já sabem, vamos fazer alguma coisa diferente. Exatamente.

Por que que qual a importância de ter uma data que marca a doença?

Primeiro, para que todos fiquem sabendo, não só as pessoas em geral, mas também os médicos, porque por incrível que pareça, ainda tem muita gente que não faz diagnóstico do Lipedema, apesar de estar frequentemente, assim, amplamente aparecendo no constório deles.

Então, estão comendo bola, né?

Então, a gente faz a conscientização exatamente para que diagnostiquem mais e, de forma que a gente possa prevenir a evolução. Então, é uma doença que, se você sabe que tá lá e faz tudo direitinho, ela não vai piorar.

Então, essa é o principal, né?

E também pra tirar aquele viés anti-obesidade. São aquelas pessoas que se sentiram, foram chamadas de obesa a vida toda e, na verdade, não é obesidade. É um outro problema cujo tratamento é diferente.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCache pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós conversamos sobre inteligência artificial na medicina e telemedicina. Hoje nós recebemos o nosso ofitrião aqui do AmatoCache, que é o Dr. Alexandre Amato, cirurgia vascular. Dessa vez, como vocês viram aí no nome do nosso episódio, a gente vai conversar sobre a conscientização do Lipe Dema, no mês do Lipe Dema, esse mês de junho. Também vamos conversar sobre um congresso que o Dr. Alexandre está montando. Vai participar também, vai contar daqui a pouco todos os detalhes aqui para a gente e claro, a gente vai conversar um pouquinho sobre a doença de um jeito que ninguém conversa, que ninguém te conta. Mais uma vez eu vou explicar, vou apresentar, a melhor dizendo, o nosso convidado de hoje, o professor Dr. Alexandre Amato é médico e cirurgia vascular e endovascular do Instituto Amato. O especialista é doutor em ciências pela Universidade de São Paulo. Atualmente faz pesquisa científica em Lipedema e é presidente da Associação Brasileira de Lipedema. Além disso, é autor de diversos livros sobre saúde. Mais uma vez, bem-vindo, doutor. Obrigado, Letícia. Sempre honrado de vir aqui como do outro lado, né? Exatamente. Falei muito legal. Exatamente. Te apresentei como um anfitrião, porque a gente já, para quem acompanha o canal já há bastante tempo, sabe que é um fitreão desse assunto também, né? Ah, sim. Que a gente já fala muito de Lipedema, a gente sempre coloca alguns vídeos aqui relacionados, mas hoje é de um jeito um pouquinho diferente, né? Um jeito que a gente nunca conversou sobre a doença e... Prometo não ficar falando o que vocês já sabem, vamos fazer alguma coisa diferente. Exatamente. Então, vou começar. Antes, na verdade, eu vou agradecer o patrocínio aqui do laboratório Origem para não esquecer. O laboratório é especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa, o foco de Origem, a qualidade de vida e prevenção. Pra quem já acompanha, já conhece o laboratório. Pra quem tá chegando agora, a gente sempre deixa um link, um vídeo pra vocês saberem um pouquinho mais sobre o laboratório. Doutor, então, o mês de conscientização do Lipedema. Como a gente citou, a gente já conversou muito sobre esse assunto, mas por que que é tão necessário ter esse mês de conscientização, né? Tem de várias doenças, mas na sua visão, por que que é tão necessário? O que que tá mais sendo falado agora? Por que que qual a importância de ter uma data que marca a doença? Primeiro, para que todos fiquem sabendo, não só as pessoas em geral, mas também os médicos, porque por incrível que pareça, ainda tem muita gente que não faz diagnóstico do Lipedema, apesar de estar frequentemente, assim, amplamente aparecendo no constório deles. Então, 12,3% das mulheres têm Lipedema. É muita gente. Então, estão comendo bola, né? Então, a gente faz a conscientização exatamente para que diagnostiquem mais e, de forma que a gente possa prevenir a evolução. Então, é uma doença que, se você sabe que tá lá e faz tudo direitinho, ela não vai piorar. Então, essa é o principal, né? E também pra tirar aquele viés anti-obesidade. São aquelas pessoas que se sentiram, foram chamadas de obesa a vida toda e, na verdade, não é obesidade. É um outro problema cujo tratamento é diferente. Então, se a gente não consegue separar uma coisa da outra, o tratamento não vai ser correto. Então, o mês junho Lipedema, o mês roxo, é exatamente pra isso. Pra gente levantar a bandeira e falar pra todo mundo, olha, essa doença existe. Precisa de atenção, tanto na esfera pública, quanto na esfera privada, tanto pra pesquisadores, quanto pra médicos, tanto pra pacientes, quanto para os acompanhantes dos pacientes, né? Que muitas vezes não acreditam, né? Passam a vida toda ouvindo reclamações e não acreditando que a questão existe. Legal. E nesse mês, a gente precisa destacar, tá tendo mais ações, campanhas relacionadas a doença, não só no mês especificamente, mas, claro, que acaba tendo mais visibilidade. Como, por exemplo, que a gente já vai falar um pouquinho sobre o Congresso, que de uma certa forma é uma ação sobre a doença. Você consegue enxergar isso? Ah, sim. Quando a gente começou isso há mais de dez anos atrás, eu lembro que, se vocês procurarem aqui no canal, tem o primeiro post meu do Junho Roxo, deve ter, sei lá, uns dez anos, quase. Então, eu lembro que ninguém falava disso, né? Era um assunto quase que tabu. Eu passava nos Congressos, as pessoas apontavam pra mim e falaram assim, olha o cara lá que inventou uma doença. Mas isso aí já estava descrito desde 1940. Caramba, não inventei nada, eu só tava levantando a bandeira pra falar, gente, vamos olhar isso aqui, isso aqui é importante. E, assim, eu tenho ciúmes enorme desse assunto, enorme. Eu tenho como eu carrego isso desde lá de trás. Por um lado, eu fico muito feliz de ver as pessoas falando sobre Lipe Dema, né? Mas aí o meu ciúmes entra naquele negócio que puxa, mas deviam estar falando o que eu penso, deviam estar falando do que eu acho correto, né? Mas, acho que antes de ter esse afunilamento para uma conscientização de um consenso, né? Eu acho que só o fato de já estar falando sobre o assunto já é muito, já tenho que ficar muito feliz. Sim, e não só da parte dos profissionais, mas também dos pacientes, né? Que a gente até chegou a trazer alguns exemplos no seu Instagram, né? Mas, aí, quando eu cheguei no cumprimento, irmã, Hashimya Sh grabou, ele rachou su stickers, kenes broo frabro, né? Pelo menos assim, que ficou esse boom de falar, não que seja nova, mas que está todo mundo comentando agora. Que eu vejo daqui, sei lá, há dois anos as pessoas falando sobre isso, pelo menos sendo postado nas redes sociais, antes tinha, né? Essa visibilidade toda. É bom, é que eu tenho um viés de seleção, né? Pra mim eu já vejo isso há mais tempo, mas eu vou explicar o porquê que isso está aparecendo pra você, né? Nos últimos cinco anos foi publicado mais artigos científicos sobre lipedema do que todos os oitenta anos anteriores. Então, cinco anos é o tempo pra começar artigos científicos, dois, três anos pra alguns profissionais da saúde começarem a olhar pra esse assunto e começarem a levantar a bola. Então, acho que é mais ou menos esse ponto aí, dois, três anos em que todo mundo começou a ver que, opa, calma aí. Acho que deve ter alguma coisa de interessante nesse assunto. E agora, falando também sobre quem se interessa mais sobre esse tema, pra quem está aqui, imagino que já tem, né? Às vezes a pessoa passa por isso, ou tem alguém na família que passa, ou às vezes é um profissional da área, vai ter um congresso, um evento que vai falar bastante sobre isso, que você está organizando, vai participar, vai ser um dos palestrantes, conta um pouquinho pra gente como vai ser. Então, essa é a minha ação do junho lipedema de 2025, né? A dez anos atrás que eu falei, eu fiz uma pequena animaçãozinha e coloquei nas mídias sociais. Eu achei que era bastante na época. Esse ano passado a gente fez vídeos também, esse ano a gente resolveu fazer um congresso. Então, exatamente por causa desses ciúmes que eu tenho do assunto, eu falei, tudo bem. Eu vejo as pessoas falando, acho que elas deviam falar coisa mais correta, a coisa mais pra esse lado, não, pra aquele outro. Então, como que eu vou ensinar as pessoas? E a melhor maneira é com o congresso. Então, eu me uni com o colega, que é o doutor Daniel Benit, e a gente montou um congresso grande, internacional, com vários convidados internacionais, e a gente vai falar de todos os aspectos do lipedema, tanto o tratamento conservador, quanto o tratamento cirúrgico, e é multiprofissional. Então, não é só pra médico. Então, todos os profissionais da área da saúde podem participar. Então, nutricionista, psicólogo, educador físico, enfermeiro, todo mundo pode participar, inclusive, está aberto para pacientes e portadores também. Então, a gente vai fazer numa linguagem que seja acessível pra todo mundo sem ser superficial, o que é importante, porque senão a gente fica só naquele não vai mais profundo do que um tick tock. Não, a gente quer profundidade, mas de uma forma compreensível pra todo mundo. Então, vai ser dia 20, 21 de junho, no Grand Riot, aqui em São Paulo, está todo mundo convidado. O site é www.lipedemaevolution.com.br. A gente vai colocar o link aqui embaixo. E espero ver todo mundo lá. Lembrando que isso é muito importante. É uma doença multispecialidade e multiprofissional. Ou seja, não é só o cirurgião vascular. Eu, como cirurgião vascular, consigo resolver tudo, não. Eu preciso da ajuda de todos ao redor pra resolver o problema de uma paciente. E todos ao redor tem que estar falando a mesma língua. Porque se um fala uma coisa, o outro fala uma coisa oposta, o paciente não sabe o que é o correto e não vai fazer nenhuma nem outra. E aí a gente perdeu o tratamento do paciente. Então, essa linguagem comum precisa existir. Existe também... A gente tem que lidar muito com o ego nessa questão. Ah, quem que é o mais importante é o nutricionista, é o psicólogo, é o médico, é o cirurgião. E todo mundo vai sempre tentar trazer pro seu lado. Não, a minha parte é o mais importante. E eu vejo isso claramente. Então, o cirurgião normalmente puxa pro seu lado, falando não, a cirurgia resolve tudo e não sei o que. Eu lembro que eu fui no congresso na Alemanha. Eu saí do módulo clínico, o módulo de alimentar, aliás. E aí eu vi um grupinho conversando e eu tinha acabado de ver números impressionantes de melhora com determinada dieta. E aí eu fui nesse grupinho, era um grupinho de cirurgião plástico. E aí, o que vocês acharam do resultado? Ah, a gente nem entrou nessa aula, o tratamento é a cirurgia. Gente, a questão é a gente tem que trabalhar junto. Tanto cirurgião quanto nutricionista quanto psicólogo, educador físico. E assim, quando a gente soma o nosso trabalho, o resultado não é somado. O resultado é multiplicado e a gente tem um resultado muito melhor. Sim, eu vi, inclusive, a gente vai deixar o banner ali com a descrição de cada... A gente já pode divulgar todos os palestrantes. Como que vai ser a sua participação? Você vai apresentar vários módulos. Eu vou dar várias aulas, né? Eu vou falar sobre o líquido gante, que é síndrome da permeabilidade intestinal. Eu vou falar sobre a síndrome da ativação mastositária e MCASE, que é um troço assim. Aliás, esse é um assunto legal para fazer um podcast depois. Se tiver alguém que interessa nesse assunto, comenta lá embaixo. Vou falar também a beleza do Lipedema, que é o meu livro. É bem legal, né? As pessoas acham que é antagônico, mas o Lipedema nada mais é do que um equilíbrio da natureza, né? De um lado, a paciente está inflamando. Do outro lado, o Lipedema entra como uma forma de equilíbrio. Isso é muito bonito como a natureza funciona. E assim, desculpa falar, mas a natureza não está nem aí se a pessoa acha a perna bonito ou não. Para a natureza, ela tem que viver, procriar e ficar saudável. É isso, né? Eu vou falar também sobre a dieta cetogênica, que é a dieta sem carboidrato, que é a mais estudada no Lipedema. Esses são alguns dos assuntos que eu vou falar. Eu vou dar a cereja do bolo que todo mundo quer. Qualquer congresso que eu vou, as pessoas me pedem a qual é a fórmula mágica do tratamento do Lipedema. E eu vou entregar com o fluxograma do tratamento do Lipedema. Então, por isso que eu espero todo mundo lá. Legal. E são várias áreas, igual você citou, né? Vários especialistas que inclusive já vieram alguns deles aqui no canal, já participaram, já falaram um pouquinho de cada uma das especialidades, fisioterapia, né? Enfim, educador físico já veio para falar do Lipedema. Nossa, uma infinidade, né? Que a gente sempre deixa uma playlist aqui só de Lipedema para vocês acompanharem. Mas isso está sendo muito interessante, né? As pessoas poderem enxergar como um todo e uma mudança no estilo de vida, que é o que a gente abre, pode que eu ache falando sobre isso, uma qualidade de vida, para realmente não ver algo como puramente estético, que a gente sabe que tem uma dificuldade para que as pessoas não enxerguem dessa forma, né? No final, a gente está o tempo todo apagando o fogueira. É apagando o fogueira, apagando o fogueira. E se, ao invés de a gente apagar a fogueira, a gente não acendesse a fogueira. Não seria mais lógico, mais razoável, né? Então, quando a gente está fazendo o tratamento da estética, o tratamento, o remédio para tirar a dor, isso no final, a gente está tentando resolver uma consequência. Vamos atrás da causa, vamos atrás da raiz. E quando a gente fala da raiz, aí a gente consegue pegar todas as áreas da saúde, que abrange tudo. Engraçado e interessante, por outro lado, as mulheres com lipedema, muitas vezes buscam uma cirurgia estética, mas elas não estão conseguindo ir no banheiro, elas não estão dormindo, elas estão extremamente estressadas e ansiosas, elas têm dor, elas têm um monte de coisa. Mas aí elas colocam a estética na frente e acha que fazer a cirurgia vai resolver tudo. Puxa a vida, gente. O que a gente precisa fazer é entender esse problema no contexto completo, holístico, e ver a pessoa como um todo. E não só como a estética, ou só como, sei lá, um figa de uma perna, a gente tem que juntar tudo e lembrar que isso é um ser humano. Sim. E você citou que vai ter uma colaboração internacional, que algumas pessoas vêm de fora para falar sobre lipedema. Como que isso deve impactar no atendimento? Tem algo específico que vai ser trazido para alguma revolucionária? É bem interessante. Então, eu preciso colocar isso aqui, porque é uma questão de honra, de mérito e de orgulho. O Brasil está em segundo lugar nas publicações internacionais sobre lipedema. Graças à nossa equipe, a gente tem o segundo maior número de pesquisa científica em lipedema. Não é à toa que a gente faz bem feito e tem resultados brilhantes. E eles gostam de ver o resultado nosso também. Mas a mentalidade dos americanos e dos europeus é diferente da nossa. Mas não é só por causa da mentalidade, é porque o público é diferente. Veja que interessante. Nos Estados Unidos tem muita obesidade associada ao lipedema. Então, eles encaram dois problemas ao mesmo tempo. Não que não tenha isso aqui no Brasil, também tem. Mas a gente vê muito lipidema puro. Então, aquelas mulheres, algumas se chamam de falsas magras, mas não é falso magro, é aquela que não tem barriga, mas acumula gordura na perna. Na Europa, eles enxergam o lipidema de uma forma um pouquinho diferente. Ah, para ser lipidema tem que ter dor. Tudo bem, porque se não tiver dor, entra numa lipodistrofia. Tudo bem, é uma forma de classificação diferente. Mas para mim e para a forma como a gente enxerga aqui, o lipidema pode não ter dor se ele não tiver com inflamação. Então, se a gente tem o lipidema e tratou a inflamação, ele diminui o sintoma, a mulher fica muito bem. Não tem mais enchaço, não tem mais dor, não tem peso, cansaço, não tem roxo e a estética acaba melhorando. Então, é interessante a visão diferente de cada país, mas isso é consequência da falta de um consenso mundial ainda, do que é e do que não é e de como definir. Eu participei da elaboração, tanto do consenso brasileiro de lipedema, que também é mais um orgulho nosso, como participei da elaboração do consenso internacional. O consenso brasileiro foi publicado, o consenso internacional ainda está indo e vindo. Exatamente, porque é muito difícil atingir o consenso entre tantos países diferentes. Sim, e indo nessa linha de tudo que... da posição que o Brasil está, desses estudos, enfim, dessa... não é revolução que eu ia dizer a palavra, mas o que está sendo mais comentado nos bastidores que as pessoas não sabem, mas que ainda existe alguma dúvida entre os profissionais do que pode ainda melhorar, algum ponto que... não sei se eu consegui me expressar bem na pergunta, mas algum ponto que ainda não é passado para os pacientes, mas que já é discutido entre os profissionais? Olha, eu publiquei um tempo atrás a meta-análise do resultado cirúrgico do lipedema. E uma coisa que me assusta é o quanto rápido uma coisa experimental está sendo apresentada para os pacientes como um padrão ouro. E assim, quem é pesquisador, quem lê os artigos e quem vê os números entende que o que está publicado não é o suficiente para mostrar que a cirurgia é definitiva e melhor do que o tratamento conservador. Tanto que a primeira coisa que você tem que fazer do ponto de vista científico é provar a não inferioridade com relação a outro tratamento. Ou seja, pegar o tratamento conservador, pegar o tratamento cirúrgico e falar, pelo menos a cirurgia não é pior do que o tratamento conservador. E aí vale a pena continuar fazendo cirurgia. Não! Pularam isso! Começaram a fazer cirurgia do nada e começaram a comparar a cirurgia com nada. Não tem comparação da cirurgia com o tratamento conservador. Então não dá para falar se um é melhor ou outro é melhor. O que eu posso falar é que não tem evidências ainda de que o tratamento cirúrgico é ou vai ser o padrão ouro, mas é um tratamento extremamente oneroso, caro e que ninguém banca. Tem que ser o próprio paciente. E o que eu vejo? As mulheres vão lá, fazem cirurgia, até ficam relativamente satisfeitas por um tempo, mas depois acaba, ou voltando, porque não fez o tratamento necessário conservador, e aí tem uma piora estética, e aí acaba tendo que voltar no cirurgião, falar, o que a gente vai fazer agora? Ah, opera de novo! E aí não tem fim! Eu já peguei uma paciente que tinha feito 8 lipos na perna, e ela me buscou esperando a próxima. Eu falei, não, porque se não vai ter mais uma, mais uma, mais uma, ou você vai aprender a fazer o tratamento correto ou não vai ser comigo. Com certeza tem gente aí que não está nem aí para a sua saúde e vai fazer a cirurgia. Sim, e existe muita rivalidade, você já adiantou falando da questão, o objetivo do Congresso é justamente unir como um todo, todas as etapas e processos do tratamento, todas as especialidades, mas existe muita rivalidade, às vezes até entre cirurgiões e especialidades diferentes. Pois é, isso é um assunto espinhoso. Eu encarei esse problema da primeira vez, quando eu publiquei o meu livro de dieta anti-inflamatória e depois o de dieta cetogênica. Quando eu publiquei esses dois livros, eu comecei a receber bordoada de tudo quanto é lado, falando, ah, porque você é médico, você não pode falar de nutrição. Mas calma aí, eu estou falando do aspecto disso numa doença, por que eu não posso falar? Depois eu publiquei o de exercício físico no lipidema e aí eu já sabia que eu ia levar esse tipo de bordoada ou dos educadores físicos ou de quem quer que seja. Mas aí eu já me preparei, então aí todo o texto foi voltado para eles, para os educadores físicos, para eles entenderem o que a gente precisa do nosso lado como médico para conseguir, no final, ajudar a paciente. Então, a gente tem que parar de olhar porque a gente quer e olhar para o que o paciente precisa. Porque se a gente trabalha como rival, eu não vou ter um resultado bom para a paciente, mas se a gente trabalha junto, o resultado é brilhante. Até alguns especialistas que vieram aqui, que eu já vi que estão na lista aí dos palestrantes do Congresso, que eles disseram que você convenceu a eles entrarem nessa parte do lipedema, até a fisioterapeuta, a Mari. Eu lembro exatamente dessa frase dela que ela não fazia, não era tão relacionada assim ao lipedema, já tinha visto algumas coisas que ela citou lá durante o curso, mas que foi você que trouxe isso para a especialidade dela. Então, isso é muito legal. Graças a Deus, eu tenho essas pessoas boas, próximas de mim que toparam esse desafio. Porque, assim, no final, eu acabei mudando muito a minha vida também por causa disso. Eu lembro que na época do Covid, na época do... todo mundo dentro de casa e tal. E eu falei, mas, caramba, o que eu vou fazer? Agora já tendi a lipedema um bom tempo, mas aí eu percebi que eu ia ter que tomar uma decisão. Se eu ia mergulhar de cabeça, ou se eu ia continuar só encostando no assunto sem me comprometer por completo. E aí eu decidi me comprometer por completo, abrir mão de muita coisa na minha vida para ir para esse lado. Assim, no final, é recompensador, porque eu vejo a melhora das pacientes, e eu vejo que isso faz... muitas vezes faz a diferença não só para elas, faz a diferença na família inteira. Então, muitas vezes eu não estou mudando uma vida, eu estou mudando um contexto. Isso é muito legal, isso não tem preço. E ainda dá para ver... Essa era a minha próxima pergunta. Dá para ver o brilho no seu olhar de falar realmente sobre esse assunto, desde o nosso primeiro episódio até agora o Congresso se aproximando mais ainda, aquela animação, empolgação. Mas os casos ainda conseguem te... Exatamente, pelo lado da cedade está falando que é algumas coisas novas, a gente vai fazer algumas gravações lá, inclusive já estão mudando o spoiler, porque vão ter alguns vídeos aqui no canal. Vou fazer uma coisa que ninguém fez até hoje, que eu saiba no Brasil. Vai ser muito legal. E ainda alguns casos conseguem te surpreender, alguns, tanto casos como a evolução de algumas pessoas, isso dá mudança na vida da pessoa, de algum paciente específico, você ainda consegue ter coisa nova para você? Você sabe que toda vez que eu falo que eu já vi de tudo, aí acontece alguma coisa para me provar que eu estou errado. Bacha a bola aí, que você não sabe de tudo. Não seria o jogo. Não seria o jogo, boa. É isso mesmo. Então sempre tem, é muito legal. Por exemplo, semana passada atendi um homem com lipedema. É super incomum, mas tem. Específicamente esse caso é um caso legal, porque eu já tinha tido lá atrás, ele tinha melhorado, tinha resolvido o problema, tinha ficado bem por um tempo, e agora voltou com o problema. Então eu vi o ciclo, a piora, a melhora, a piora de novo, e agora vai melhorar. E é interessante que eles voltam com uma cabeça diferente, porque a primeira vez que veio, é assim, caramba, nunca ninguém resolveu entender esse problema. Será que vai dar certo aquela expectativa? E agora que, por exemplo, ele está voltando e já fez, já sabe que dá certo, eu só quero a sua ajuda para andar de novo nesse caminho, que eu sei que vai dar certo. Já vem com outra esperança. Exato, é muito legal isso. Mas tem algum caso, então, dos que já aconteceram, não precisa ser nada novo, que te marcou muito profundamente, que você usa como exemplo, pretende falar, inclusive, no congresso. Tem muitos. Nossa, eu uso vários casos como exemplo. Por exemplo, eu podia pegar de cada assunto, de exercício físico, eu tenho uma paciente, que ela perdeu 36 quilos de perna, de gordura na perna, saiu de uma coxa grande para uma perna bem menor, e obviamente ficou com a flacidez de pele, mas quando ela tingiu esse ponto, ela percebeu que conseguia ganhar massa muscular, que é uma coisa que as pacientes que tem lipedema nunca conseguem, mas depois que desenflama, dá certo. E aí ela percebeu que ganhava massa muscular e gostou desse negócio. Ela virou triatleta. Nossa, que legal. Se ela autorizar, a gente podia colocar alguns exemplos até as redes sociais, de uma aposta. Ela está sempre postando no dela, eu tento compartilhar quando eu posso, mas é brilhante, porque assim, era uma pessoa que era uma completa acedentária, e não gostava de exercício, porque não via resultado, fazia exercício, não via nada, falei para que eu vou continuar fazendo. E assim que ela começou a ver nossa, esse negócio dá certo. Triatleta ganhou massa muscular. A primeira paciente que eu vi na vida, que ela casou e ganhou músculo na lua de mel. Quem ganha músculo na lua de mel? Ela tem nolá. Tem nolá. A gente começou a gostar. Brilhante. Tem outros casos. Tem daqui faz equitação. Tem um monte de casos interessantes. Tem daqui que conseguiu o resultado adotando o cachorrinho, porque ela não saía, essa completa acedentária adotou um cachorrinho e começou a ter que sair do apartamento duas vezes por dia. Foi obrigada a sair se não o apartamento ou a casa ia ficar destruída. Falam de alimentação. De alimentação tem várias que a gente descobre um gatilho genético. E quando é genético ela herdou de alguém e pode ter passado para frente. Então é muito legal quando eu trato, vejo que elas melhoram e aí a gente passa para um segundo plano que é calma aí, você tem filho e seu filho está com um problema de saúde, será que não é a mesma intolerância? Será que não é a mesma coisa? Aí faz uma pequena mudança e aí muda dinâmica da família inteira. Nossa, isso é muito legal. E assim, eu não tenho uma. Tenho várias. Estou lembrando que na minha cabeça tem a dessa semana passada. É muito, muito. Sabe dizer quantas pacientes você já tendeu de pacientes de lipedema? Eu estou com 2.500 na minha tabela. 2.300 e alguma coisa. É muita gente. Por isso que a gente fez também uma data. Uma mulher aqui eu não vou lembrar o nome, eu estava com o nome na cabeça que ela comentou em vários vídeos que ela estava tentando marcar uma consulta e não estava conseguindo por causa da data. Então aí ela está explicada o motivo, né? Mas enfim, a gente deixa também os meios da sua comunicação, da sua secretária pra... Eu prometo que a gente vai melhorar nisso. Ela estava comentando em várias, assim, alguém me nota, alguém socou. Bom, a gente está vendo, tá? A gente espera só uma observação. A gente lê. Exatamente, a gente lê tudo. Pode deixar as dúvidas e observações que vocês tiverem. Agora, reação emocional dos pacientes. Doutor, como que costuma a gente o título do nosso episódio é justamente falar de um jeito que a gente nunca tinha falado sobre o lipidema, né? Costuma ser um desafio no seu consultório? Ah, sim. Quando ela você sabe a notícia ali do lipidema? Eu acho que eu sou um dos poucos cirurgiões vasculares que elas começam a chorar só no diagnóstico, porque hoje em dia diminuiu a frequência disso, mas a 8... 6 a 8 anos atrás era extremamente frequente. Eu dá o diagnóstico do lipidema, elas caíam aos prantos. Nossa, finalmente, algo que explica tudo que eu sentia, porque ela passou a vida toda ainda para um monte de médica e ninguém falava o que que era. Não é nem você, é de alívio. De alívio. Eu não sou louca. Tem uma coisa e finalmente tem um nome. E ela não precisava nem saber se tinha ou não tinha tratamento. Era só o fato de eu ter dado o nome ao que ela sentia. A Valéria veio aqui de Portugal, né? Sim. Conversou com a gente e deu exatamente essa... contou esse relato, que foi depois de tantas tentativas que ela ia com muita expectativa e saia chorando de tristeza, que ela chorou de alívio quando recebeu um diagnóstico. Pois é. E assim, infelizmente para a bom martelo, todo o parafuso é prego. Elas não conseguem descrever o que elas têm e elas vão atrás de vários profissionais diferentes. E se o cara é bom em pregar prego, ele vai transformar aquele problema em um prego, mesmo que não seja. E aí, elas ficam fazendo tudo quanto é procedimento, tudo quanto é invenção de coisa, e aquilo vai melhorar. E as pessoas, sinceramente, às vezes eu tenho uma descrença na humanidade quando eu vejo isso, mas aí depois eu volto e falo, não, é... não é maldade, boa parte das pessoas fazem até pela inocência, elas fazem acreditando. O que eu quero dizer é elas fariam na própria mãe, porque elas realmente acreditam que aquilo funciona. Muito embora não funcione, mas porque é divido para elas como algo que funcionaria. Então, é inocência no final. E aí, elas ficam buscando essa saída e tenta de uma coisa não dar certo, tenta outra, e entram num ciclo vicioso que não se quebra. Você precisa desconvencer muitas pacientes que já chegam, você que é o médico, mas já chega ali com um protocolo do que quer fazer, né? Ah, sim. Pelo menos, porque por causa do Junho Lipedema, a conscientização está maior. Então, as pessoas que pelo menos aqueles que me acompanham e que veem os meus vídeos, veem o que eu falo, muitas vezes já chegam em mim fazendo muita coisa certa. É legal, porque aí eu tenho que fazer o ajuste fino. Antes não, antes o pessoalo vinha, assim, fazer dieta da pipoca. Algumas bizarrices, assim, porque acreditava, já vi pacientes que não tomavam água. O médico falou que, nossa, isso aí é a retenção de líquido, para de tomar água. Pra mim, é quase que criminoso fazer um negócio desse, um paciente com Lipedema. E tem alguma orientação que chega, assim, que as pacientes costumam falar que viram em algum lugar, que até é uma coisa errada, mas é algo bem intencionado, que você fala assim, não, até tem um fundo ali de que costumam falar. Bem intencionado. Quando você começou a falar, eu pensei em uma outra coisa. Um mal intencionado. E qual que é o mal intencionado, então? Parar com carne. É muito frequente, tem um monte de gente falando, ah, porque a carne vermelha faz mal pro Lipedema, não faz não faz mal, e não é só isso, a mulher que tem Lém Lipedema ela tem uma diminuição da massa muscular, ela precisa de proteína. Aí você tira a carne vermelha, ela já come pouca proteína, vai comer menos ainda e aí é super frequente, as mulheres com Lipedema tem baixa de ferro. E aí não tem a hemoglobina, a mioglobina da carne pra alimentar o ferro. Ah não, mas vai absorver o ferro do feijão e do brócolis. Até tem, gente, mas a gente não consegue absorver na quantidade necessária. Então isso tudo por uma compreensão de uma coisa muito simples. Problema não é a carne vermelha, problema é a carne processada. Carne processada realmente inflama e tem um monte de coisa relacionada com câncer e com um monte de problema. A carne processada o que é? Presunto, linguiça, salsicha, esses são venenos. Agora a carne, carne vermelha não, carne vermelha é boa e eu recomendo. Então esse é o mal intencionado. Agora não sei porque mal intencionado, de novo eu acho que muitos devem recomendar isso até por inocência. Porque não foram estudar e realmente acreditam nisso. Comerente no bem intencionado então, mas que né, por uma inocência talvez. Exato, e até porque tem toda uma jogada de marketing em cima do vegetarianismo, do veganismo, como algo mais sustentável. Mas eu vou falar viver de vegetais isso é pra quem pode, não é pra quem quer. Porque, primeiro, você tem que ter uma genética boa pra conseguir absorver todos os nutrientes dos vegetais. Segundo, você tem que fazer um cálculo dos nutrientes pra comer certo, não adianta comer boa só e achar que tem tudo lá. É excelente que noa, é mas não dá pra viver só disso. E tem que dosar. Tem que fazer exame laboratorial pra acompanhar e repor o que for necessário. A maior parte das pessoas que entram no vegetarianismo, veganismo simplesmente pulam fora da carne e não vai fazer exame, não faz acompanhamento nutricional, não faz mais nada. Depois de algum tempo não produz serotonina, não produz dopamina e não consegue entender o porquê. Porquê que tá depressiva, porquê que tá brigando muito, porquê que tem transtorno de humor, porquê não faz o ciclo da metilação mais. E o diagnóstico é muito claro do sinal de sintomas, tudo isso que a gente já falou antes, que a gente não vai pra quem quer mais especificamente isso, já tem outros episódios, mas tem algo cinzento ainda entre os especialistas, algo que gera dúvida. Eu acho que é isso que eu comentei a dor. Porque aqui no Brasil pra mim é claro, dá pra ter lipedema sem dor? E eu falo até quantos? 10% dos casos não tem dor. E é lipedema. Na Alemanha não tem dor, não é lipedema. Quem tá certo? A questão toda a classificação em medicina tem uma razão de existir pra indicar o tratamento. Então, se o tratamento é diferente pra aquela que tem dor, pra aquela que não tem dor, eu tenho que diferenciar que faz sentido. Agora, se o tratamento é igual, tanto pra uma quanto pra outra, ou pelo menos as bases do tratamento são iguais, eu não preciso me preocupar tanto com isso. E do que que eu tô falando do tratamento? Eu não tô falando de cirurgia. Eu tô falando de hábito alimentar, exercício físico e o ambiente do tratamento. E isso vale pra todas, aquela com dor, sem dor. Só que não vale só pra elas, vale pra você, vale pra mim, vale pra todo mundo. Do discurso do lipedema entre, se for considerar todos os especialistas, todos os especialistas, tudo que a gente escuta falar, o que mais te incomoda entre aspas mas o que mais te gera um desconforto seria essa questão de não classificar a dor, da carne, tudo isso que a gente se torna até agora. E isso me incomoda, mas acho que tem uma coisa que me incomoda mais, que é a cirurgia de cara. Porque assim, se o paciente tropeça na frente do consultório do cirurgião plástico, ele já tá marcado a cirurgia. O objetivo do cirurgião plástico, na grande maioria, não vou falar de todos óbvio, mas a grande maioria é vender sua cirurgia, fazer o seu procedimento. O objetivo é entregar pro paciente o que ela tá pedindo e não escutar o que tá por trás desse pedido e entender o sofrimento da mulher. Porque muitas vezes elas chegam com aquele saco de reclamações que tá escrito estética. E aí eu abro o saco, aí eu tiro lá dentro, dor, peso, cansaço, enchaço e inflamação. Aí eu começo a resolver todos esses problemas, aí quando fica o saco só da estética, eu não tenho mais nada lá dentro. Só que, para o plástico isso não é rentável, isso não é o que ele faz, o que ele faz é resolver a estética. Então pra que ele vai querer descobrir todos esses problemas e descobrir a real dor da paciente, ao invés de simplesmente entregar o que ela tá pedindo que é a estética? Então por isso que paciente com lipedema não deveria nunca procurar o cirurgião plástico como primeira opção. Nunca. O tratamento, no mínimo, tratamento bem feito conservador de um ano pra pensar em fazer a cirurgia experimental que é a cirurgia do lipedema. Antes disso, não. Só que assim apareceu no consultório do cirurgião plástico, ele tem toda a estratégia de venda. Ele vai se portar como um especialista, ele vai se portar como um preocupado holístico, ele vai se preocupar em mostrar pra paciente que o que ele tem pra oferecer é o que ela precisa. Acho que o Steve Jobs que falava a gente tem que entregar pro cliente o que ele quer, o que ele precisa. Não o que ele pede. E foi assim que nasceu o iPad. Ninguém tava pedindo um computadorzinho de colo. Mas ele sabia que era o que as pessoas precisavam. No iPad é a mesma coisa. Estão pedindo a estética, mas por trás, embaixo desse iceberg tem vários outros problemas que a gente precisa resolver. E se a gente inverte a ordem não dá certo? É. E é difícil, né, falar sobre tudo isso sem citar também os mitos que existem aí. A gente já vai comentar um pouquinho sobre mitos e verdades sobre o iPad, mas só que também de um jeito que a gente nunca comentou. Só queria citar um pouquinho sobre o futuro. A gente começou aqui um pouquinho nos bastidores, inclusive já tava vários cortes que a gente até tava brincando, né? A gente vai colocar a conversa de bastidores, a gente vai colocar como um episódio isso mesmo que ninguém te conta. Era um subtítulo, né? O que ninguém te conta sobre a doença. Isso realmente é o que ninguém te conta. Nos bastidores da conversa. Mas eu queria comentar um pouquinho sobre, te perguntar sobre na sua visão como que vai ser o futuro do Lipedema em 5 anos, 10 anos. Ah, essa pergunta é muito legal, porque eu sei o que vai acontecer. É o seguinte. O Lipedema não é uma doença genética, não é uma doença de um gene único. É uma doença multigênica. Isso, toda doença com alta prevalência vai ser multigênica. Ou seja, vários genes acometidos. Então, a gente não vai conseguir lidar com esses genes do Lipedema tão rapidamente. E principalmente, porque eu não enxergo mais o Lipedema como uma doença. Eu enxergo como uma resposta natural do corpo e que traz benefícios pra mulher. A questão é não usar de forma errada, não usar a toa e tirar os gatilhos. Agora, quando eu falo dos gatilhos, tem vários gatilhos que são um gene único. E esses gatilhos gene único, eu acredito que em 5 anos a gente vai conseguir tratar. Porque a tecnologia já existe. A tecnologia se chama CRISPR. E é usar uma bactéria pra ir lá e trocar um gene único. E eu vou contar a coisa mais legal de todas. Há um mês atrás, aconteceu o primeiro caso no mundo, o primeiro tratamento de um gene único. E deu certo numa criança com uma doença genética, bem diferente do Lipedema, dos gatilhos do Lipedema, mas em que era um gene único. Então, eles foram lá e conseguiram com a tecnologia CRISPR mudar isso. Pra essa criança fazia todo sentido, porque era uma doença que ia matar rápido. O Lipedema não mata. Então, ele não tá na prioridade de estudo. Então, não vai ser a próxima nem a sequência. Mas, como a evolução da IA e a evolução da tecnologia tá indo muito rápido, eu acredito que em 5 anos a gente já vai ter a solução comercial pra vários dos gatilhos inflamatórios do Lipedema. De forma que a mulher vai continuar carregando o gene ou o multigênis do Lipedema, mas ele não vai se expressar, ele não vai aparecer. Ele vai continuar dormindo. Vai ser muito legal isso. Em questão de remédio, medicamento, você acha que pode surgir algo assim, 100% eficaz? Eu acho que não. Pelo menos não em curto prazo. Exatamente porque ele é multigênico e aí teria que atingir várias vias de inflamação do corpo ao mesmo tempo. Tem algumas coisas que estão em estudo mas nenhuma outra, nada que fez meu olho brilhar, sabe? Eu acho que vai ajudar, mas vai ser sempre subgrupos, vão ser grupos pequenos. Ah, determinado grupo de paciente com Lipedema que tem tal problema associado, usando esse medicamento vai dar certo. Maravilha, resolve um grupinho, depois vai resolver outro grupinho, depois vai resolver outro grupinho. Não vai ser uma coisa mais ampla como eu acho que a tecnologia genética vai ser. Legal, e vai falar também sobre isso, né? Essas projeções do congresso. Vamos, opa! Daqui cinco, dez anos, o que a gente pode esperar pra gente... Nossa, eu não tinha pensado em falar do CRISPR, mas eu acho que é um assunto legal. Legal, já surgiu aí uma ideia. É. Daquem que tá vendo depois do congresso agora vai ter que ver os vídeos que a gente fez lá, né? Quem tá vendo depois do congresso vai ter que ficar pra 2026. Vai ter? Já tá enchendo, as pessoas estão querendo vaga, assim, tem que ser já, porque daqui a pouco não tem mais vaga. E enchendo, a gente vai querer fazer ano que vem. Legal, já começar a planejar tudo. Bom, então agora, queria ir pro mito dos verdades, porque a gente já tá nos nossos últimos minutos aqui do podcast e como a gente falou sobre... Eu imagino que eu não lembrei de nada do que a gente falou hoje de outros episódios que a gente comentou. Acho que realmente foi uma visão diferente, né? Sobre o lipedema. Então eu também trouxe mitos e verdades diferentes do que a gente... Maravilha, vamos lá! Falado antes. Então, primeiro é, a crioterapia, banho frio ou gelado pode aliviar os sintomas do lipedema? Puxo a vida. Olha, eu tava num congresso de semana e uma médica cirurgião plástica que tem lipedema e que não vai operar o lipedema dela, veja, cirurgião plástica. Ela falou que o que resolveu pra ela foi intercalar o banho quente gelado. E ela perguntou pra mim exatamente a mesma coisa que você tá perguntando. E a minha resposta foi... Eu acredito que sim, mas tem muitas variáveis nisso. Qual a temperatura do quente? Qual o tempo de banho? Qual a temperatura do frio? Qual o tempo do frio? Quanto? Quem antes, quem depois? Tem muitas variáveis que a gente tem que testar pra ver o que dá mais certo do que... do que outro. Então eu não tenho o protocolo que dá certo. Ah, faz isso que vai funcionar? Não! Mas assim, não é algo invasivo, concorda? Eu acho engraçado que as pessoas vão pra cirurgia, mas tem medo de testar um banho quente gelado. O banho quente gelado não vai fazer mal pra ninguém. Pode testar. Mal não vai fazer. Mal não vai fazer. Chega a ser até da agonia de ver aqueles vídeos de quem fica ali alguns minutos naquela banheira de gelo e me dá a agonia. Ah, tem um de uma russa que pega gelo, ela entra na água, sai quebrando gelo e aí pega um pedaço de gelo de pizza e começa... Ah, meu Deus do céu, os russos são... E agora que tá frio, né? Vocês conseguem perceber quando você tá vendo esse episódio, mas agora que tá frio dá mais agonia ainda, né? Então essas coisas. Certos tipos de calçado podem piorar os sintomas do lipedema? Ah, isso é legal. Porque assim, quem tem lipedema, muitas vezes tem impermobilidade também e uma coisa super comum é a queda do arco plantar. Então tem o pé plano. Então, os calçados que ajudam no pé plano são melhores. Então, palmilha, tudo isso e que mantém o arco plantar é melhor. Agora, por exemplo, o salto alto é péssimo pra isso, né? Mas normalmente elas já não conseguem usar. Uma coisa que eu vejo também um sofrimento enorme é pra uso de bota. Elas querem usar a bota e não conseguem usar a bota. E é uma felicidade enorme quando elas voltam no tratamento e falam conseguir usar a minha primeira bota. A gente não dá valor pra essas coisas pequenas, né? E pra elas, é importante. Sim. Lipedema pode afetar a coagulação sanguínea? Isso é muito... Nossa, você escolheu um assunto legal. A gente chamou o professor Ramos Cioti pra falar no congresso sobre isso. Ele é o papa da trombose aqui no Brasil. E aí eu pedi pra ele falar o seguinte. O lipedema e a trombose. Porque tem um artigo que saiu falando exatamente sobre isso. E ele falou, não, isso eu não posso. Mas eu posso falar sobre outra coisa e faz todo sentido e que é a minha resposta. Eu posso falar sobre inflamação e trombose. O lipedema é uma doença inflamatória. E a inflamação aumenta risco de trombose. Então, a conexão, a inflamação trombose tá muito bem definida. A correlação lipedema-trombose não tá muito bem definida. Mas a correlação lipedema-inflamação tá. Então, a gente fala por analogia. Diga-me com quem andas, que eu direi quem é. Legal. Ficar muito tempo sentado. O lipedema? Ah, sim. Entra na lista de sedentarismo. E não uso da bomba da panturrilha pra bombear o sangue de volta pra cima. Então, vai dar a sensação de inchaço. Vai piorar o refluxo venoso. Então, sim, tem que colocar aquele tomatinho da cozinha. Depois de 45 minutos, levanta, caminha 5 minutos. Alguns cremes ou olhos? Podem ajudar no alívio dos sintomas? Ah, tem. Tem vários. Muitas delas estão desidratadas. Esse eu posso recomendar sem fazer atendimento, porque não vai fazer mal pra ninguém também. Então, muitas delas estão completamente desidratadas. Eu acho interessante porque foi semana passada, paciente, uma uva passa. Não tinha nada de água no corpo dela. Aí ela, depois de tudo o que eu falei, ela falou, ah, mas tem alguma coisa pra passar na minha pele, que é muito seca? Eu falei, até tem. Passa um creme hidratante, tem vários. Mas você não acha melhor começar tomando água que talvez resolva o problema? Ela, ah, é verdade, né? E demora muito pra ver efeito ali, pra quem não toma água, começa a tomar? Nossa, é super rápido. É super rápido. Eu tô nesse processo também. Foi uma pergunta pessoal. Eu acabei de sair de uma internação hospitalar pra uma pedra no RIM. Então, eu não abro mão da minha... O seu foi pedra no RIM? Eu achava que era pedra na visícola, né? Que tem essa... Isso é mais uma curiosidade, né? Tá melhor, né? Tá recuperado agora. Resolvido. Que bom. O Lipedema pode afetar a saúde cardiovascular indiretamente? Pode, mas pro bem, não pro mal. O Lipedema protege de eventos cardiovasculares. Então, todas as mulheres que têm Lipedema, elas passaram boa parte da vida delas com os exames laboratoriais bons. Então, colesterol bom, alto, tudo bom, né? Tanto que... Essa é uma das razões pra desacreditarem no Lipedema, porque ela vai pro médico, senta, fala, nossa, eu tenho isso na minha perna, tô sentindo tudo isso, tomar, fadiga, não sei o quê. Aí, o médico pega os exames, fala, mas tá tudo bem. Eu tá melhor do que o meu, né? Aí vem esse discrédito. Mas por que que os exames tão bons? Tão bons porque é isso que o Lipedema faz. Ele protege de eventos cardiovasculares. Ele protege da inflamação. É o que eu disse antes. É um equilíbrio da natureza. Eu fiz uma analogia que eu nunca tinha feito pra uma paciente esses dias, que é o seguinte, se a gente pegar e ficar cutucando na pele sem parar, o que que vai acontecer? Vai formar um calo, não vai? O Lipedema é o calo. O Lipedema é a resposta do corpo a agressão. Então, se eu for lá e tirar esse calo, mas continuar cutucando, o que que vai acontecer? Vai voltar o calo. Eu tenho aqui, pará de cutucar. E aí, eu lembrei que foi até o assunto que a gente tava falando antes aqui. Eu tinha um calo pra escrever. Eu escrevia tanto um calo no dedo. E eu não tinha percebido. Eu não tenho mais. E eu não tirei calo nenhum. Eu simplesmente comecei a usar mais o computador e menos a caneta. Então, é a mesma coisa com o Lipedema. Tá lá cutucando. Forma o calo. Se eu parar de cutucar, esse calo vai desaparecer. O Lipedema tá lá a inflamação cutucando, o Lipedema vai aparecer. Se eu tiro a a inflamação, o Lipedema vai desaparecer. Sim. Então, o Lipedema tem uma inflamação ruma que já vai levar a gente retomar o destaque pro congresso, né? Onde vai ser, quando vai ser. O Lipedema pode ser confundido com o transtorno alimentares? Acho que isso é um ponto-chave, né? Do assunto. Eu acho que 90% delas quase foram diagnosticadas ou têm os sinais de... elas passaram a vida experimentando dieta. Deixa eu ver se essa dieta dá certo. Não deu. Deixa eu tentar essa outra. Não deu. Deixa eu tentar essa outra. Agora deixa eu ver se não como nada pra ver se dá certo. Aí não dá certo. Então, e as pessoas em volta ficam vendo isso como distúrbio alimentário. Algumas vezes podem até se desenvolver de realmente um distúrbio alimentário. Então, é super frequente isso. Eu vejo... tem um trabalho científico que eu não publiquei ainda, mas é interessante o resultado é que a gente vê nas mulheres com o Lipedema Sintomático elas têm uma maior monotonia alimentar. Um paladar mais infantil. Então, tem a menor escolha de alimentos. E aquelas que não têm o Lipedema têm uma maior amplitude para ele alimentar. Isso é interessante. Sim, muito legal. E a gente vai falar mais sobre isso também no congresso. Queria finalizar destacando de novo para quem chegou aqui até o final. Também já escutou a gente falando no início, mas a gente vai deixar aqui também na descrição o link para quem ainda estiver vendo antes do congresso, para acessar, fazer a inscrição, mas retoma por favor, Dr. Onde vai ser, quando vai ser, como vai funcionar. Vamos lá, pessoal. Já tá acabando as vagas depois pedindo para eu dar um jeito de colocar lá dentro porque eu não vou conseguir fazer isso. Quem realmente quer o site é www.lipedemevolution.com.br vai ser agora dia 2021 de junho em comemoração ao junho Lipedema, junho roxo 2025. Vai ser no Grand Hyatt, na frente da Globo, aqui em São Paulo. Vai ser só presencial e tá aberto para todo mundo. Não é só para médico. Tá aberto para todos os profissionais de saúde. A gente tem que trabalhar em conjunto. Então, nutricionista, educador físico, psicólogo, enfermeiro, todo mundo que lida com paciente lida com Lipedema. E é bem-vindo nesse nosso congresso. Inclusive, pacientes também podem assistir. Tá aberto. Então, te vejo lá. Legal. Muito obrigada pela participação aqui no podcast. A gente também destaca que vai ter mais vídeos sobre esse assunto, justamente depois do congresso que a gente vai gravar com todos os especialistas que estiverem lá. Vamos fazer o especial do congresso e vai durar por um tempo. Exatamente. Vários vídeos para a gente postar aqui sobre esse assunto. Se ficou alguma dúvida que quer encaminhar a sua sugestão aqui para a gente trazer o doutor Alexandre ou sobre esse assunto, algum tema relacionado pode deixar nos comentários o que a gente está sempre acompanhando para o doutor de suas redes sociais. A principal é o YouTube mesmo, é o Instituto Amato mas eu estou lá no Instagram também, no dr.alexandriamato tem o Twitter que ninguém me segue no Twitter. O Twitter eu não consegui entender até hoje. Parece que aqui lá só cresce quem fica brigando. Eu não consigo brigar. O Twitter eu também nunca entrei muito assim. Agora é o X, né? É o X, eu não consigo falar X. Tem algumas coisas que eu levo mais tempo para assimilar. Mas é isso, a gente está deixando o link aqui também das suas redes sociais tanto do congresso como dos perfis ou do perfil do seu Instagram e aí vocês podem mandar todas as dúvidas aqui que a gente está sempre acompanhando. Obrigada, doutor. Obrigado eu. Obrigada também a você que chegou aqui até o final não deixe de curtir, comentar e compartilhar que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas aqui para o AmatoCast. Até a próxima. Tchau.

Consulte um especialista

Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.