Em 20 anos de medicina, cinco casos curiosos marcaram a trajetória do Dr. Alexandre Amato. O primeiro envolveu uma paciente diabética que tratava a condição com
Não vou abrir o estômago do paciente para descobrir o que é isso. Aí eu tive que ir atrás do major que ia fazer a endoscopia, isso era no final de semana, lógico, só podia acontecer no final de semana.
É uma bola de fibras que acaba se acumulando no estômago. Então existe o tricobesuar, que são as pessoas que comem cabelo e acabam formando um enovelado de cabelo no estômago. Normalmente associado com algum problema psicológico, psiquiátrico.
Pelo menos não era um câncer, a gente terminou a cirurgia, o paciente foi para o quarto, ficou bem. E no pós-operatório, eu perguntei para o paciente o que que estava acontecendo para ele ter feito esse tal de fitobesuar.
O paciente se recusou a fazer a amputação. Até aí, eu já tive vários pacientes que num primeiro momento se recusam e aí levam tempo de aceitação da doença, mas ele estava num pronto socorro. Então ele pediu a alta pedido.
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Olá, sou Dr. Alexandre Amato, cirurgia vascular do Instituto Amato e eu cansei de fazer vídeo informativo para vocês. Eu vou fazer agora um vídeo de curiosidades. Vamos ver se vocês gostam, comentem aqui embaixo. Mas eu já tenho, vou completar agora esse ano, 20 anos de formado. São esses 20 anos, mais os 6 anos de faculdade. Então, posso falar que eu entrei na área da saúde, no milênio passado. Então, tenho muitas histórias para contar. Na medicina, a gente aprende bastante com os relatos de caso. Os relatos de caso são descrições científicas de casos curiosos. Mas tem muitos outros casos curiosos que a gente acaba não tendo algo científico que vai acrescentar apenas a curiosidade. Então, separei aqui 5 casos interessantes para contar. Espero que vocês gostem e vamos lá. Então, o primeiro caso que eu lembrei foi um que eu atendi há muitos anos atrás. Eu não consigo nem dizer exatamente quando foi. Eu já era cirurgião vascular e eu atendi uma paciente que tinha diabetes e a diabetes é uma doença intimamente relacionada com problemas vasculares. E, obviamente, a gente tem que levantar tudo da vida da pessoa entre as coisas que a gente tem que levantar, na amnese que chama. São os medicamentos que a pessoa toma. E, assim, eu estou acostumado. No Brasil, a gente ouve bastante, eu tomo chá de alguma coisa, tomo algum fitoterápico, faço alguma coisa diferente, enrolo a perna com folha de bananeira. O povo brasileiro é bem criativo nos tratamentos não-médicos. Agora, esse foi além. Foi bem interessante. A paciente era diabética. E aí, quando eu perguntei o que ela usava para tratar a diabetes dela, ela me falou que usava chá de insulina. E, assim, eu sou uma pessoa curiosa por natureza. Então, eu não só anotei chá de insulina. Eu queria saber todos os detalhes do chá da insulina, assim que ela falou. E a curiosidade foi que ela explicou como que era feito. Então, era como o cipó que ela tinha, nascia no jardim dela, no quintal dela. Ela cortava o cipó, colocava na água, colocava a água para ferver. Ficava numa cor meio turva, escura. E aí, eu perguntei para ela se pelo menos era gostoso o chá. E aí, ela falou, olha, é muito amargo. O chá é extremamente amargo. Tanto que eu tenho que colocar duas colheres de açúcar para conseguir tomar o chá. Então, a tadinha da senhora estava tratando a diabetes com o chá com excesso de açúcar. Bom, ela teve a oportunidade de ouvir que realmente isso não ia ajudá-la. Eu aprendi sobre mais uma coisa, aprendi que existe na crendice popular esse tal chá de insulina que pode, segundo o povo, melhorar a diabetes. E aprendi a perguntar todos os detalhes desses tipos de tratamento não medicamentoso. O segundo caso aqui que eu separei foi um caso bem interessante. Eu tinha acabado de me formar em cirurgia vascular. Fui passar um ano fora do Brasil. Não vou falar em que serviço, se alguém quiser ver, está no meu currículo. Mas foi fora do país, fui num serviço que fazia cirurgias enormes, cirurgias que eu nunca tinha visto aqui no Brasil. E eu estava numa cirurgia inédita para mim, para eles era rotina. Uma cirurgia em que abria o corpo inteiro para tratar um aneurisma. Então, o aneurismas era um aneurisma de aorta, mas tipo 2. Isso significa que é um aneurisma que vai acometer desde a raiz, da aorta, do comecinho, da aorta até o final. E a estratégia que o cirurgião estava usando para tratar esse aneurisma era abrir o tórax, abrir o abdômen, e fazer uma derivação, colocar uma ponte, um tubo de trás do coração. Era uma cirurgia bem maluca na época, extremamente interessante. Mas a curiosidade foi o que aconteceu no meio da cirurgia. Enquanto eu estava vendo aquela cirurgia maravilhosa, estava impressionado com tudo o que estava acontecendo, de repente a gente ouviu um barulhão, a gente olha para o lado e o circulante da sala tinha caído, tinha caído como desfalecido mesmo. Nisso todo mundo se preocupa, o tórax aberto, o coração aberto, tudo no seu ponto crítico e todo mundo volta a atenção para o circulante, que é quem ajuda o cirurgião sem estar dentro da cirurgia, e metade da equipe vai ajudar o circulante e descobre que ele tem uma parada cardíaca. O circulante no meio da cirurgia teve uma parada cardíaca. Eu pensando lá, caramba, a morte estava circundando a sala aqui e errou o alvo, é inacreditável. No final o circulante ficou bem, fizeram a respiração boca a boca, a massagem, imagina a cena, no meio da cirurgia um paciente aberto e metade da equipe fazendo respiração boca a boca e massagem no circulante da sala. Foi uma situação realmente inédita para mim. A terceira história que eu separei é uma curiosidade. Aconteceu quando eu estava na faculdade ainda, então é no milênio passado. Eu queria que vocês levassem essa história com essa consciência de que aconteceu há muito tempo atrás, num tempo onde as tatuagens não eram tão frequentes assim. Então a gente estava na aula de patologia, numa aula, é uma aula muito séria, uma aula onde a gente faz a dissecção de um corpo, então de alguém que acabou de morrer e que vai fazer autópsia para a gente descobrir a causa da morte. Então a gente estava lá na sala, é uma sala num formato diferente que as pessoas não estão normalmente acostumadas. É como se fosse um estádio de futebol pequeno onde a mesa de dissecção está lá no centro e os alunos ficam sentados em cadeiras bem elevadas para que consigam assistir o que está acontecendo, o que está sendo feito lá embaixo. Então o professor tem até uma missa antes da sala, é uma coisa extremamente séria, mas esse dia não deu para ser tão sério assim. Porque na hora em que o cadáver estava lá na mesa e foi tirado o lençol de cima do cadáver, ele tinha uma tatuagem enorme no seu tórax, assim, em letras garrafais estava escrito "sou imortal". Realmente essa mensagem estava tão antagônica com o teor da aula que foi uma curiosidade que me marcou para o resto da vida. A quarta história que eu separei, eu ainda não era cirurgião vascular, eu ainda era cirurgião geral, eu estava trabalhando num hospital militar e isso é importante na história porque mostra a hierarquia do que aconteceu. Bom, tem várias histórias interessantes de militar. Desde quando acabou a luz, eu pedi para o soldado ficar segurando uma daquelas luminárias de bateria enorme com uma escadinha em cima, mas a história não é essa. A história é que eu atendi um paciente com uma apendicite, levei para o centro cirúrgico, eu era recém-formado, recém-tenente, então eu estava bem abaixo na hierarquia e estava fazendo a cirurgia dessa apendicite e durante a cirurgia, eu coloquei a mão lá, senti uma coisa estranha. A gente tem que sempre fazer o inventário da cavidade, que é entrou numa cirurgia de apendicite e você tem que ver os outros órgãos para ver se não encontra alguma coisa estranha. Basicamente a gente está procurando um câncer ou alguma fístula, alguma coisa que a gente tem que tratar naquele momento, porque senão o paciente vai acabar piorando drasticamente. E eu coloquei a mão lá, palpei o estômago e senti uma bola dura. E essa bola dura era dura demais, uma coisa estranha, eu nunca tinha visto. Aí eu como tenente falei, caramba, o que eu posso fazer? Não vou abrir o estômago do paciente para descobrir o que é isso. Aí eu tive que ir atrás do major que ia fazer a endoscopia, isso era no final de semana, lógico, só podia acontecer no final de semana. E aí eu tinha que tirar o major da cama dele, acordar ele para ir fazer uma endoscopia para descobrir o que era aquela tal da bola, porque se fosse um câncer, ia mudar completamente a cirurgia, prognóstico e tudo. Então eu chamei, ele foi lá, fez a endoscopia, tudo bem, levou uma hora para chegar, e isso eu de menos, a gente foi cuidando do restante que tinha que cuidar do paciente. Mas quando ele colocou o endoscópio, ele falou, mas esse negócio está muito estranho. Não sei o que que é. Caramba, o médico mais experiente não sabe o que que é, puxa a vida, o que que eu faço. Ele falou, mas deixa eu tentar uma coisa. E aí ele pegou o endoscópio, começou a bater nessa bola para ver o que que acontecia, e a bola começou a se desfazer. Era um fitobesuar. O que que é um fitobesuar? É uma bola de fibras que acaba se acumulando no estômago. Então existe o tricobesuar, que são as pessoas que comem cabelo e acabam formando um enovelado de cabelo no estômago. Normalmente associado com algum problema psicológico, psiquiátrico. Mas um fitobesuar é com fibras vegetais. Caramba, isso nunca tinha visto. O que que pode ser isso? Pelo menos não era um câncer, a gente terminou a cirurgia, o paciente foi para o quarto, ficou bem. E no pós-operatório, eu perguntei para o paciente o que que estava acontecendo para ele ter feito esse tal de fitobesuar. Ele estava comendo fibras de laranja, mas ele estava comendo tanta fibra de laranja, tanto bagaço que isso estava acumulando lá no estômago e formando essa bola. Foi a primeira e última vez que eu vi um fitobesuar. Eu acho que é extremamente raro. E o que eu aprendi nesse caso foi que qualquer coisa exagerada não pode fazer bem. Mesmo algo que é bom, pode não fazer bem de forma exagerada. Porque as fibras vegetais ajudam na nossa digestão. Mas uma quantidade exagerada pode chegar no extremo como um fitobesuar. Eu separei o quinto caso. Esse quinto caso também é bem antigo. É da época que eu estava na faculdade ainda. Embora seja vascular, era da época que eu estava na faculdade, o paciente chegou no pronto-socorro com o pé completamente esquêmico, com necrose, tecido morto. Já estava a musculatura, a pele. Tudo já estava preto, não tinha como sobreviver. E algumas áreas tinham exposição óssea. Então vocês podem imaginar um pé com tecido morto na sua maior parte e com osso exposto. Tudo isso decorrente de diabetes e de uma aterosclerose avançadíssima. Foi indicado para o paciente a amputação. É óbvio. Poderia ter sido feito tratamento de revascolarização e outras coisas, mas se fosse antes, ele chegasse mais cedo para o tratamento médico. Quando chega muito tarde, não tem muita coisa a fazer. A gente tem que lembrar que a amputação é uma cirurgia para salvar a vida. A gente não está querendo tirar uma perna simplesmente por tirar e por quem não quer tratar. Quando o cirurgião indica amputação, algum objetivo tem. Ou é salvar a vida ou é melhorar a qualidade de vida. Então foi indicado para ele, a amputação, para os dois, para melhorar a qualidade de vida e para sobreviver, porque uma necrose desse tamanho infecciona e a infecção pode, da noite para o dia, acabar levando ao óbito. Bom, o que aconteceu? O paciente se recusou a fazer a amputação. Até aí, eu já tive vários pacientes que num primeiro momento se recusam e aí levam tempo de aceitação da doença, mas ele estava num pronto socorro. Então ele pediu a alta pedido. Quando ele se responsabiliza pelo próprio tratamento e sai do hospital. Outra forma disso ser feita é simplesmente levantar embora, não avisar ninguém. Mas ele ainda avisou. Ele avisou e falando que Deus ia curá-lo. Bom, eu respeito a fé. Respeito a fé de todo mundo, realmente. Mas a minha reação naquele momento foi quase falar para ele. Eu não falei, mas foi quase falar para ele, olha, se você demorar muito, você vai acabar pedindo para ele em pessoa. É melhor você ficar aqui, ao invés de pedir ajuda para Deus nesse momento. A gente pode te ajudar mais. Eu respeito todas as crenças, mas eu tenho que aceitar o meu limite e saber aonde que eu realmente consigo ajudar. Num caso desse, a autonomia do paciente foi muito perigosa. Então o fato dele poder tomar a decisão pela vida dele, ele acabou tomando uma decisão péssima em que podia acabar levando a morte da noite para o dia. Então foi nesse caso que eu aprendi que o limite da autonomia do próprio paciente, a gente tem que informá-lo, tem que dar todas as informações necessárias para que ele tome a decisão consciente. Nesse caso, eu lembro, todo mundo foi explicar para ele o que ia acontecer. Eu lembro que foi o residente, foi outro residente, foram os chefes, todo mundo tentava convencê-lo de que o melhor para a vida dele era seguir na internação e fazer o tratamento proposto. Mas ele optou por não fazer esse tratamento. Como foi num pronto socorro, a gente não teve segmento, eu não sei o que aconteceu, embora eu tenha plena consciência do que pode ter acontecido. Então, veja, gente, eu lembrei de cinco casos aqui. São casos como esses que acabam formando, lapidando o médico durante a vida. Então, quando a gente dá alguma sugestão de saúde, é porque a gente tem toda essa carga. A gente já viu várias histórias anteriores que acabam levando a desfechos desfavoráveis, alguns desfeços favoráveis. E a gente acaba colocando tudo isso numa balança para propor para o nosso paciente sempre o melhor tratamento possível. E aí, você gostou desse vídeo de curiosidades diferente de um vídeo puramente informativo? Escreve aqui no comentário aqui embaixo o que você acha. 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Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.