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Lipedema Talks #09 · Exames e Meta-inflamação: a ciência por trás do lipedema

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Lipedema Talks #09 · Exames e Meta-inflamação: a ciência por trás do lipedema

# Resumo: Lipedema Talks #09 · Exames e Meta-inflamação O episódio apresenta o Dr. Paulo Roberto Grimaldi Oliveira, médico patologista formado pela UNIFESP com

Capítulos

Perguntas respondidas neste vídeo

Antes de tudo, a gente já participou aqui, né?

a gente já gravou, na verdade, ano passado, contando um pouquinho sobre como funcionam esses exames, né, dos bastidores. Mas esse ano eu acho que é importante também a gente entender como que surgiu essa ideia na sua vida.

Como que surgiu a ideia de entrar pra medicina na vida do senhor?

Bom, a medicina entrou quando eu tinha 5 anos de idade.

Porque durante o cursinho, o ano do cursinho, eu vi um filme ch da vida do Freud, né?

o Freud que inventou a psicanálise. E eu vi o filme, fiquei apaixonado pela psicanálise e eu entrei na escola firme para fazer psicanálise.

Psicanálise, sabe a diferença entre psicanalista e psiquiatra?

Psicanalista só conversa com o paciente. Então ele cura o paciente com a conversa. Esse é o psicanalista.

Então tinha uma mesa assim, né?

Uma mesa de aço e tinha um cadáver em cima e uma toalha de plástico em cima do do cadáver. E ele começou falando sobre anatomia.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia, minha moto, está no ar mais um episódio do Liped Matalx e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui com a gente para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida.
No episódio de hoje, a gente vai conversar um pouquinho sobre a importância dos exames, o que os exames revelam sobre a sua vida e a gente vai responder essa pergunta, é claro.
Antes eu vou apresentar o nosso entrevistado especial de hoje, o nosso convidado que é o Dr.
Grimaldi.
O Dr.
Paulo Roberto Grimalde Oliveira é médico patologista formado pela UNIFESP.
mestre em anatomia patológica e doutor na área de oncologia.
Atua décadas em diagnóstico laboratorial e medicina de precisão, com foco em patologia clínica, anatomia patológica e exames para medicina integrativa.
Bem-vindo, doutor.
>> Bom, obrigado.
Eu que agradeço o seu convite, >> doutor.
Antes de tudo, a gente já participou aqui, né? a gente já gravou, na verdade, ano passado, contando um pouquinho sobre como funcionam esses exames, né, dos bastidores.
Mas esse ano eu acho que é importante também a gente entender como que surgiu essa ideia na sua vida.
Eu queria saber eh como que surgiu essa ideia de abrir um laboratório, como que é [limpando a garganta] hoje a sua rotina, essa proximidade com os pacientes, se foi uma ideia que surgiu ao longo da primeiro da medicina, né? Como que surgiu a ideia de entrar pra medicina na vida do senhor? Bom, a medicina entrou quando eu tinha 5 anos de idade.
Por quê? Porque a gente tinha, eu morava no Belém e tinha uma turminha de moleques ali nessa idade e aí um deles matou um passarinho, um estiling, matou um um pardalzinho.
E aí ele caiu no chão e esse rapaz, o Toninho, chegou lá e pegou o pegou o passarinho e falou: "Bom, que que nós vamos fazer com isso aqui agora?" Aí eu falei: "Da aqui que eu vou ver o que tem aí dentro".
Aí eu peguei o passarinho, fui em casa, peguei uma gilete e abri no peito dele, abri assim com a gilete.
E eu fui abrindo assim para ver e aquilo eu lembro como se fosse hoje.
Então apareceu o gradil costal, depois tem o fígado, depois o intestino e eu fui vendo ali.
Aí eu abri o gradil costal, apareceu o coração no meio, os dois pulmões do lado.
Eu falei: "Nossa, olha que bacana esse negócio".
E eu falei: "Que gozado! Bacana, né? Eu acho que foi daí que nasceu, porque depois eu quis fazer medicina, sempre quis fazer medicina e quando eu entrei na faculdade, eu queria ser psicanalista.
Por quê? Porque durante o cursinho, o ano do cursinho, eu vi um filme ch da vida do Freud, né? o Freud que inventou a psicanálise.
E eu vi o filme, fiquei apaixonado pela psicanálise e eu entrei na escola firme para fazer psicanálise.
Psicanálise, sabe a diferença entre psicanalista e psiquiatra? Psicanalista só conversa com o paciente.
Então ele cura o paciente com a conversa.
Esse é o psicanalista.
O psiquiatra ele usa medicamentos.
Além de conversar, ele usa medicamento.
E eu nem queria saber de psic, queria psicanálise mesmo.
Mas no primeiro dia, primeiro dia de aula, o dia inaugural, coincidiu naquele ano 1965, foi isso, eh o professor de anatomia, o professor Renato Lock, ele tava completando 70 anos de idade e naquele naquele ano ele ia se aposentar, naquela época era obrigatório, depois passaram para 75, mas naquela época 70 anos.
Então ele falou, ele começou a aula dizendo que era o último ano que ele ia dar aula na faculdade.
A vida inteira ele tinha dado aula.
Então tinha uma mesa assim, né? Uma mesa de aço e tinha um cadáver em cima e uma toalha de plástico em cima do do cadáver.
E ele começou falando sobre anatomia.
O que que é anatomia? Anatomia é você aprender os órgãos que compõem o nosso corpo.
Então, tem anatomia topográfica, é a disposição dos órgãos.
O fígado fica aqui, o rim fica ali.
Isso é anatomia topográfica.
E ele [roncando] começou a falar e falou assim: "Olha, eu vou dizer uma coisa importante para vocês, para vocês levar levarem como mensagem.
Até hoje eu lembro disso.
Vocês vão fazer durante os 6 anos da faculdade um monte de prova de exame, vão fazer exame prático, exame oral, de todo jeito e vocês vão tirar o diploma.
O grande, o grande teste que vocês vão fazer é cada doente que entrar no consultório de vocês, porque vocês vão ter que fazer o diagnóstico e vão ter que tratar esse paciente.
Então vocês vão ter 6 anos para aprender medicina e para poder curar os pacientes.
E aquilo foi E aí ele foi falando, aí ele começou a falar do respeito que a gente tinha que ter pelo cadáver.
Por quê? Porque durante o ano todo, que era o primeiro ano da faculdade, a gente ia ter a matéria anatomia e a gente ia ter contato íntimo com o cadáver.
Para quê? Para dessar.
Então, a gente eh cortava a pele, depois ia abrindo assim, divulcionando, né? Aí achava o músculo, tinha que descrever o músculo e tinha que depois tinha cada mês tinha uma prova oral com [roncando] os professores.
Você tinha que falar tudo sobre o músculo.
E aí ele falou do respeito e aí ele começou a a tirar, ele falando do respeito, começou a tirar a toalha, foi tirando assim o plástico e era uma velhinha, uma velhinha que devia ter uns 70 anos, toda encarquilhada, magrinha, né? E ele falou: "Esse é o cadáver que vocês têm que ter o maior respeito e esse é o cadáver que o cirurgão opera.
Esse é o cadáver que vocês em vida vão receber no consultório de vocês." Então, muito respeito por pelo cadáver, tá bom? E aquilo ali ficou lá, naquele dia eu já esqueci da psicanálise e comecei a querer fazer eh cirurgia.
Então, mudei pra cirurgia.
Aí no segundo ano teve aula de patologia.
Primeira aula de patologia também era um cadáver.
E aí o anatopatologista ele faz autópsia para descobrir porque o doente morreu.
Quando não sabem porque o doente morreu, ou então prefeito de documentação, é é feita a autópsia no cadáver.
Então abre-se o corpo, né, e tira-se os órgãos, tal.
E aí ele falou: "Então, vocês têm um cadáver aqui.
Eu queria que vocês dissessem o que que vocês acham que foi a causa da morte desse paciente".
Aí um falou: "Ah, eu acho que foi infarto." O outro aluno falou: "Não, não, eu acho que não.
Acho teve algum problema do fígado, ela tá muito magra.
Ah, ela deve ter tido o câncer, porque o câncer emagrece muito a pessoa, né? Bom, e aí foi, aí ele falou: "Bom, tá bom.
Os médicos também achavam tudo isso que vocês acharam.
Só que agora nós vão o que é realmente que esse cadáver tinha, o que que levou ele à morte.
E ele abriu.
Quando ele abriu aqui a parte do abdômen, apareceu o fígado, tinha um caroço desse tamanho assim, amarelo, no fígado.
E ele falou: "Aqui tá a causa da morte desse paciente.
Realmente é um câncer.
E esse câncer consumiu ali.
Já virei de cirurgão, já esqueci a cirurgia.
Falei: "É isso que eu quero.
Eu quero saber por que um doente morre.
Eu não quero ter contato com o paciente.
Eu quero saber porque morreu o paciente." E aí eu fiz anatomia patológica que em vida a gente, um cirurgião, por exemplo, quando ele tira um um câncer, a gente tem que examinar esse câncer, tem que falar uma porção de coisa que a gente faz, a gente tira a carteira de identidade do câncer.
Então, a gente fala o nome, eh, a, a duração mais ou menos se tá no começo, no meio, no fim, porque tudo depende desse relatório.
Todo o tratamento posterior do paciente após a cirurgia, Letícia, depende do diagnóstico anatomo patológico.
Então, esse diagnóstico é que vai ditar a conduta do oncologista, do cirurgão, do plástico que ele vai fazer, tudo depende.
Então, aí eu entrei no no segundo ano, eu tinha uma uma monitoria, eu virei monitor de anatomia patológica e saí mais.
Faz desde 66 que eu tô em patologia.
>> Muito legal.
E, doutor, os exames estão cada vez mais precisos, né? O senhor com o laboratório consegue afirmar isso melhor do que ninguém.
É, >> eles são importantes, inclusive a fala que o senhor disse que eles conseguem determinar a conduta de um médico, determinar um diagnóstico, determinar o que vai ser feito com aquele paciente.
Então, é a base de tudo.
>> É a base de tudo.
É a base.
Então, por exemplo, vamos imaginar o pessoa tem um uma lesão, uma lesão na pele, por exemplo.
Aquela lesão na pele, dependendo do tipo, pode ser uma coisa benigna ou pode ser uma coisa mais grave, né? Tem um tipo de câncer que é o mais frequente que existe, é o câncer carcinoma base celular.
Ele é um câncer muito frequente, é o mais frequente em todo o mundo.
O ser humano é atacado mais por carcinoma base celular.
Então o que que acontece? Ele tem uma malignidade só local.
Então o cirurgião vai lá, coloca uma anestesia ali, né? Aplica um anestésio, aí ele tira aquele pedacinho, coloca num vidrinho com forma tamponado a 10%.
pega um papel, escreve alguns dados ali, o nome do paciente, a idade e tal, aonde tá aquela lesão e manda pro patologista.
É isso que o anátomo patologista faz.
Chega lá, a gente examina aquele material macroscopicamente, descreve o tamanho da lesão, as medidas, tal, e aí o técnico faz a lâmina, no dia seguinte a gente olha a lâmina e você olha no microscópio o que é aquela lesão.
É aí que você vai saber primeiro, é câncer ou não.
Porque se for câncer, precisa saber outras coisas, o o tipo de câncer, qual é a célula que originou aquele câncer.
se ele já está no início ou já está avançado.
Tudo isso você tem o número de mitose.
Mitose é a divisão celular.
Então você no microscópio você consegue saber que aquela célula está se dividindo.
Então você conta, você conta lá 10 campos, quantas células em mitose tem, é o índice mitótico que chama.
Isso é super importante pro oncologista, porque depois ele vai dar uma droga que é antiproliferação celular, dependendo daquele dado, entendeu? >> E aí é aí é que é feito a a carteira de identidade do câncer.
Por exemplo, existe um câncer de pele muito ruim, muito maligno, agressivo, chamado melanoma maligno.
E esse melanoma maligno, o o laudo tem 12 itens que o patologista tem que responder.
Se ele não responder, o oncologista liga, escuta aqui, ó, que que deu tal coisa? Porque você tem que informar isso aí.
Então é muito chato você receber um telefonema de um de um cliente, né, dizendo que não tá não tá atualizado o seu exame.
Então por isso patologista tem que estudar muito, todo dia tem que estudar.
>> Uhum.
>> Aí ele lê, aí ele define o que ele vai fazer.
Vai fazer quimio, vai fazer rádio, vai fazer imuno.
Agora tá a medicina de precisão.
O patologista virou protagonista.
Por quê? Porque como é que é, como é que é descoberta uma droga contra o câncer que custa às vezes custa 50, R$ 60.000? Uma ampola para você dar uma injeção custa R$ 60.000 e tem paciente que tem que tomar quatro durante uma por semana.
É caríssimo.
Então, como é que eles, por que que é caro? Porque os as farmacêuticas gastam bilhões de dólares para descobrir uma droga que vá parar aquele câncer de crescer, entendeu, Letícia? Esse que é o negócio.
E como é que é feita? Como é que descobre isso? Eu vou te falar.
Isso que é medicina de precisão ou patologia de precisão molecular.
A gente pega o o tumor do paciente na lâmina.
Para fazer a lâmina precisa fazer um bloquinho de parafina.
Nesse bloquinho de parafina, o tumor tá ali dentro.
Então a gente, o patologista pega a lâmina e ele olha aonde o tumor tá mais agressivo.
E você conhece, você sabe disso, porque é onde tem do lado de necrose, onde tem muita mitose, onde a célula tá feia, o núcleo é redondinho, normal é redondinho de uma certa cor.
a célula cancerosa, o fica todo irregular, preto, um monte de cromatina, que em franca divisão, franca proliferação.
Aí você pega aquela área e você com uma com uma canetinha [roncando] hidrográfica que é de 1 mm, você pontua na própria lâmina, você pontua a área mais agressiva do tumor.
Aí você pega o bloco de parafina, que deu origem à aquela lâmina, põe a lâmina em cima do bloco de parafina e aí você acha no bloco de parafina aonde tá aquela área.
E aí você faz a macrodissecção e a microdissecção.
Aí você entrega pra farmacêutica.
A farmacêutica vai fazer a extração do DNA do tumor, porque o DNA do tumor é diferente do DNA normal, entendeu? O câncer o que que é? é uma proliferação anômala normal, né, que onde o tumor não para mais de crescer.
Esse que é o problema.
Porque você vê a mucosa gástrica nossa, por exemplo, nosso estômago, a cada 90 dias é renovada a mucosa.
Ou seja, aquela célula que produz o ácido clorídrico, a célula gástrica, ela vai envelhecendo, 90 dias, ela morre.
Só que em vez de morrer, Deus é tão maravilhoso que em vez da célula morrer, ele faz com que ela divida em duas jovens.
Então essas duas jovens ficam naquele lugar ocupando o lugar e a função da mãe.
A mãe tava velhinha, tenho duas filhas novas agora que vão continuar fazendo o trabalho.
É por isso que nós, o nosso estômago funciona direitinho.
O que que é o câncer? Uma delas sofre uma mutação que chama, em vez de formar o DNA da célula normal, vai formar um DNA tumoral.
E o que que é o DNA tumoral? É um DNA que não responde mais aos fatores que param a mitose.
Porque aquela normal vem um fator e fala para ela: "Tá bom, agora você vai trabalhar".
Essa aqui vem, mas ela não obedece.
ela não obedece e continua proliferando.
É por isso que o câncer vai crescendo e aí isso não dá sinal, não dá sintoma.
Isso tudo começa pequenininho.
O câncer começa com uma célula.
Uma célula começa um câncer.
E então você não tem como fazer isso aí.
Agora, o que que que o pessoal tá fazendo? As grandes pesquisas, eles acham uma droga que interrompe a mitose da célula tumoral.
Olha que coisa maravilhosa.
Ele interrompe.
Então, por exemplo, o câncer de pulmão, até há pouco tempo atrás, quando eu faço três, quatro diagnósticos por dia de câncer de pulmão, câncer de intestino, câncer coloratal, eu faço sete por dia no meu laboratório particular, que é um laboratório pequeno, mas eu faço sete diagnósticos.
É muito frequente.
Agora, que que eles descobriram? um jeito de parar a proliferação da célula cancerosa em alguns tipos de câncer.
Então, o câncer de pulmã, por exemplo, antigamente levava um ano um diagnóstico de câncer, um ano o paciente morria, agora não.
Agora eles fazem a droga alvo que chama, que é aquela que descobre do jeito que eu te falei, ou a imunoterapia, que é uma coisa semelhante que para o processo de proliferação celular.
Com isso, o paciente vive 2, 3, 5 anos para isso.
Para um paciente com câncer de pulmão é espetacular, porque ele tem tempo de arrumar a vida dele, de organizar, entendeu? De fazer aquilo que ele não quis fazer e não podia fazer antes.
>> Sim.
E doutor, agora falando na questão do lipedema, né? O que que tem de mais novo? O que que toda essa parte laboratorial consegue mostrar pra gente do LipDM ajudar também na vida do paciente, da paciente? Tem uma coisa chamada inflamação.
O que que é inflamação? Então, vou te falar.
Inflamação.
Tem um ditado que fala assim, ó.
Calor, rubor, tumor e dor.
>> Tudo or.
Calor aumenta a temperatura, calor.
O rubor fica vermelho.
Então, calor, rubor, tumor, ele cresce e dor dá dor.
Então, se você tiver esses quatro sinais, você tá perante uma inflamação, seja onde for, calor, rubor, tumor e dor.
Depois veio um patologista chamado Rudolf Vishov, que acrescentou uma outra característica, é a perda da função.
Então o órgão inflamado ele ele começa a funcionar menos, entendeu? Mas basicamente você tem calor, ruborto, moredor.
Então isso eu aprendi na faculdade em 66.
O professor de patologia, Dr.
Jorge Michaelani, maravilhoso, adorava ele.
Ele ensinou calor, ruborto, tumoredor, inflamação.
Tá bom.
Agora as coisas cresceram, o progresso veio, muitos trabalhos científicos, então era uma coisa visível a inflamação.
Você enxergava a inflamação, né? Por exemplo, quando você põe, você vai pegar uma rosa lá e sem querer o espinho da rosa faz um furinho na sua pele, aquilo ali vai virar uma inflamaçãozinha ali.
Mas você vai ver, você vê o negócio.
Mas eles descobriram que existem inflamações que são subvisíveis.
você não consegue enxergar, são células que começam a alterar.
E aí isso mudou o conceito de inflamação.
Agora chama metainflamação.
O que que é metainflamação? É a inflamação que leva ao lipedema.
Então a pessoa na perna onde ela vai ter o lipedema, ela tem um estado inflamatório crônico.
E esse estado inflamatório no tecido adiposo provoca as alterações que vão desaguar no lipedema, entendeu? Então você acha uma inflamação, se fosse no conceito antigo você não ia achar.
Agora existem sinais que existem exames que podem mostrar para você que aquela pessoa tem uma metainflamação.
Quais são esses exames? Então você tem intolerância alimentar, que a pessoa não podia comer um determinado alimento e come, então vai dar uma inflamação.
Você tem o o índice nutrigenético, você tem o microbioma, você tem o cibo imo.
São exames, Letícia, que permitem que o médico tenha um panorama da saúde daquele paciente, mas é a saúde microscópica, saúde realmente que interessa, que tá lá dentro do organismo para fazer um diagnóstico e poder tratar.
>> Uhum.
E esses exames, inclusive, doutor, eles são capazes de mostrar um alimento que se aquela pessoa continuar utilizando, pode, eu tô falando da forma mais simples possível de explicar, tá? Senhor, me corrija se for isso, se for diferente.
[limpando a garganta][roncando] Eh, e o exame consegue mostrar se aquele paciente continuar fazendo uso de um determinado alimento, se ele tá, se ele tem uma tendência de ter também, né? Pode não ter sido diagnosticado ainda, mas já indica que um problema do futuro, o que que a pessoa pode fazer para evitar, digamos assim.
>> E então eu preciso explicar para você uma coisa importante sobre o nosso genoma.
O que que é genoma? Genoma é o conjunto de genes que você tem no seu corpo, que é absolutamente seu.
Ninguém vai pegar e ninguém tem igual, é só seu, o seu genoma.
Então, o que acontece? O que que é é um conjunto de genes? O que que é um gene? Um gene é um pedaço do DNA especializado numa determinada função.
Por exemplo, eu tô vendo teu olho castanho lindo.
Teu olho.
>> Como é que ele foi feito esse olho teu? dentro na barriga da sua mãe.
Foi assim, o DNA, um pedaço do DNA que é responsável pela cor dos olhos, produziu uma proteína.
Essa proteína é que dá o colorido do olho.
Então, assim como você tem, nós temos cerca de 20 a 23.000 1000 genes do nosso corpo.
Cada cada gene tem uma determinada função e o e eles ficam todos empacotadinhos no DNA.
O DNA é uma molécula helicoidal.
Você já viu a forofotografia de um DNA? É uma escada como se você pegasse uma escada e rodasse assim, né? Então você tem as duas as duas bases aonde ficam os degraus.
Imagina que você dá uma rodada nela, é o DNA.
O que que é a a a parte que segura os degraus? É uma ligação entre uma pentose, que é um açúcar com cinco carbonos, e um radical fosfato.
Então você tem a parte e o que interessa são os degraus, que são as chamadas bases nitrogenadas.
São químicos que têm nitrogênio na sua constituição.
Então o nucleotídio, o que que é? é um é um eh é uma base nitrogenada, um par de base nitrogenada, um radical fosfato e um eh e um radical fosfato e uma pentose, um açúcar de cinco carbonos.
Então o DNA, o que que é o DNA? É uma sequência de nucleotídios, tá? E o que que é esse nucleotídio? É o que eu te falei.
Então você pega um pedaço desse DNA, é para fazer a função dos olhos, a a cor dos olhos.
Outro pedaço DNA é para formar o lábio, por exemplo, entendeu? Então tá tudo distribuidinho, bonitinho.
O que que é fazer o sequenciamento do DNA? É você descobrir qual é a sequência de nucleotídios do seu genoma.
O seu genoma.
E aí o aparelho, tem um aparelho super moderno agora de última geração, chama NGS.
É um negócio que é super caro, né, caríssimo esse aparelho, mas ele faz o sequenciamento do DNA.
E aí nesse sequenciamento, você conhece o seu genoma.
E qual é a vantagem de você fazer esse exame chamado índice nutrigenético? A vantagem é que você vai conhecer o que, quais são os seus polimorfismos.
O que que é polimorfismo? É quando você tem uma pequena alteração de uma base nessa escadinha, por exemplo, na cor do olho.
Então é um pedaço do DNA é responsável pela cor dos olhos, o gene.
Só que em vez de ter uma base de nitrogên, são só quatro bases.
Só quatro.
O organismo é perfeito.
Com quatro bases ele forma tudo.
Em vez de uma, ele põe a segunda base.
Seu olho vira verde, entendeu? Se ele puser uma outra base, seu olho vira um misto entre marrom e verde.
Seu olho vira azul.
É tudo proteína.
Isso é proteína.
E quem faz a proteína é o nosso DNA.
A gente tá acostumado a só DNA.
É só que vai ser responsável pela minha descendência.
Então, metade de mim, metade da minha esposa formaram meus filhos, tá? Agora, isso é a parte, vamos dizer, bonita, assim, a parte chique, parte que chama atenção.
A parte do DNA que não chama atenção, que é mais importante é ele produzir proteína.
Ele produz todas as proteínas do corpo, que tem mais de 50.000 proteínas no corpo.
E essas proteínas, todas elas têm uma função.
Chegamos onde eu queria.
Tem proteínas que formam as enzimas e a enzima é que vai quebrar a molécula do alimento.
Então, por exemplo, vamos imaginar um amendoim.
Você come um grão de amendoim, esse amendoim vai pra sua boca, aí você vai mastigar, já começa a primeira fase da digestão, primeira fase mecânica, dente.
Aí tem a saliva que já tem a milase, já começa a misturar, faz o bolo, né? o bolo alimentar vai pro pra faringe, esôfago, estômago.
Chega no estômago, fica 2 horas lá, o estômago fica fazendo esse movimento e tem vários hormônios, várias várias substâncias que o hormônio produz que ajudam a quebrar o pedacinho de amendoim.
E aí ele passa pro duodeno, que é a primeira parte do intestino de do estômago, vai pro duodeno.
O duodeno vai dar uma carga final.
de digestão naquele alimento.
Por quê? Porque ele pega o suco pancreático junto com a bilgado, né? E aí destrói qualquer coisa, destrói.
Vira molécula.
O que que é molécula? Glicose, aminoácido e ácido grxo.
Glicose, carboidrato, todo o carboidrato vira glicose.
Aminoácido, proteína, toda proteína vira aminoácido e ácido graxo, toda gordura vira ácido graxo.
Aí ele passa pro sa doeno, vai pro jejuno.
Aí o jejuno ilho é onde tem a absorção do nutriente.
Então o jejuno tem é uma mucosa, né? Tem um tubo que tem a mucosa parte dentro e tem uma célula chamada enteróstito, uma do lado enteros, intestino delgado, cita, então ele fica uma juntinho da outra assim, ó.
E aqui tá a luz.
Aqui vem um amindozinho já digerido.
Ele já vem como glicose.
Eu não sei o que tem no amenduim, mas ele vem como glicose ácido grá.
Aí o enterócito ele passa pertinho.
O enterócito tem um receptor, pega o amenduim digerido e joga aqui embaixo.
Aqui embaixo tem uma aveia que leva no fígado.
O fígado vai usar aquele nutriente para formar um monte de coisa que precisa, para formar hormônio, para formar insulina, para formar tudo que seu corpo precisa, é através do fígado, né? Então, qual que é o problema da intolerância alimentar? Você tá faltando uma enzima para você quebrar o amendoim.
Então, quando ele chega aqui no intestino, se ele não estiver como glicose, ácido grxo e aminoácido, o intestino não pega, deixa, vai embora.
Ele vai embora, ele sai no cocô.
Por quê? porque não interessa pro seu ele não sabe trabalhar, ele não sabe quebrar o seu que você comeu.
E você não sabe disso.
E muitas vezes é o comum você gostar de uma coisa que você não podia comer.
É muito frequente isso, entendeu? Mas você não sabe, você vai comendo, você vai comendo.
Chega uma hora, Letícia, que o intestino fala: "Pô, cara, você não vai parar de comer esse negócio?" a célula ela é, o enteróstito é preso um ao outro por anéis de proteínas que ficam aqui grudando, começa a a fraquejar essa aderência.
Quando fraque a aderência, o seu amenduim não digerido cai aqui na corrente sanguínea.
Quando ele cai no sangue, nós temos um sistema espetacular, um sistema eh imunológico que qualquer coisa estranha que entrar, ele toca uma corneta e vem célula de defesa para matar aquele negócio que é um corpo estranho.
O amendoim que você não consegue digerir se chegar no seu sangue é como se tivesse uma agressão, é como um inimigo entrando no seu corpo.
E aí vem o linfócito.
Um linfócito ele reconhece aquela porque a molécula ela tem uma forma espacial.
Então ele vem ali, ele cobre assim, ele reconhece e passa um a informação para um outro linfócito que vira um plasmócito.
Esse plasmócito vai formar um anticorpo contra o seu amenduim que você comeu, que você não podia comer.
E o e o anticorpo é exatamente igual a molécula, é como chave fechadura.
A chave só abre uma fechadura, tá certo? Aquele anticorpo só vai grudar nesse antígeno, que esse amendin a gente chama de antígeno.
Que que é antígeno? É tudo aquilo que entra no corpo, que forma um anticorpo, chama antígeno.
É como se fosse um corpo estranho.
E aí quando você comer de novo o seu amenduim e ele também passar, vem um anticorpo e gruda nele.
Gruda nele, forma um negócio chamado complexo antígeno anticorpo.
O que que é isso? é uma moleculona grande, mas a a nocividade do amuim deixou de existir, porque quando o anticorpo prende no antígeno, ele neutraliza o antígeno, só que é uma moléculona e fica no sangue.
Aí o sistema imunológico é esperto.
Ele tem uma outra célula chamada estiosto ou macrófago.
Macros grande.
pagos comer.
O que que é um macrófago? É uma célula que come coisa grande.
O macrófago tá vendo que aquele complexo tá rodando, ele vem ali, gruda e fagocita.
Ele come aquele complexo.
Acabou o seu problema, você não vai ter problema nenhum.
Aí você pergunta para mim: "Bom, meu doutor, mas então como é que tem doença, sinal e sintoma de intolerância alimentar?" Eu vou dizer para você, porque a quantidade de macrófagos não é ilimitada.
Ela, o, o seu corpo tem um poder de fabricar macrófago.
Chega uma hora que termina.
Se você comer mais amendoim do que macrófago, do que você tiver no seu corpo de macrópago, vai ficar rodando.
Como ele é muito grande, ele vai pro cérebro, depois vai pro pulmão, vai pro dedão do pé, volta, vai pra pele, pro músculo.
Chega uma hora que ele para num lugar, onde ele parar, vai criar uma inflamação.
Lembra da inflamação? Ele vai criar uma inflamação.
Esta inflamação é que é responsável, Letícia, pelos sinais e sintomas da intolerância alimentar.
Quais são esses sinais? Tem mais de 150 sinais já comprovadamente devidos a esse mecanismo.
Então, por exemplo, você pessoas que têm enxaqueca, enxaqueca, a pessoa tem enxaqueca a vida inteira e não sara de jeito nenhum.
Aí eu tenho quatro casos no laboratório.
Pessoa fez um teste de intolerância alimentar, porque esse teste ele analisa 222 alimentos da nossa dieta, inclusive amendoim dele, chocolate, tudo.
E aí deu que ela não podia comer determinada coisa, né? Porque aí o relatório sai, é como se fosse um semáforo, né? vermelho, amarelo e verde.
Vermelho você não pode comer.
Amarelo um pouquinho e verde você come quando você quiser.
E no caso dessas pacientes, deu lá três ou quatro substâncias que elas não podiam comer e elas pararam de comer.
O que aconteceu? Você cortou a o o a causa da inflamação.
Você cortou a causa da inflamação.
E aí o que acontece? dali a três semanas, quatro, um mês, dois meses, desaparece a dor, porque desapareceu a inflamação, entendeu? Então, uma pessoa, teve uma senhora que levou até um uma caixinha de bombom para mim, falou: "Doutor, eu eu sofri 40 anos de enxaqueca, aí eu fiz esse exame e parei." Então ele funciona, ele funciona.
Tem alguns pacientes que eu não sei porque ele não funciona direito, uma quantidade pequena, mas a grande maioria funciona.
Então você tira aquele alimento que o teste indica e você faz um teste, faz o já tá sofrendo daquele negócio lá.
O que que que é um sintoma desse tipo? É um sintoma que não não atrapalha muito você.
Ele não é grave, ele nunca leva a morte, nunca leva infarto, nada disso, mas você fica com ele a vida inteira enrolando, entendeu? Então, muitos casos de lipedema tem a sua gênese, começam nessa intolerância alimentar.
É, é o estado de inflamação do seu corpo.
>> Eu fiz esse exame, inclusive, muito bom, viu? Eu fiz e nossa, muita coisa que eu nunca nunca imaginei que realmente eu tinha, principalmente a glút de aquele, né, que dá mostrando do gene.
Exatamente.
>> Eu alimentos que então você não tem doença celíaca.
Você porque assim, a doença celíaca é um é um carimbo, só que você não é só esse exame, tem também você tem que fazer o teste genético para ver se você tem alteração do DQ2, DQ8.
Foi esse.
Deu deu alteração nos dois DQ2 e DQ8.
>> É, já contando um bastidor aqui, né? >> E e o alimento deu glút? >> Deu.
>> Aí tá aí, ó.
Tá vendo? >> É.
Aí o Dr.
Alexandre também me deu.
Aí ele que que olhou o exame para mim, deu um alerta no fora das câmeras aqui eu te conto mais.
Mas doutor, muito obrigada pela sua aula.
É o nossa, mais passou até dos 30 minutos.
[risadas] >> O senhor sempre dá uma aula aqui no nosso podcast.
Obrigada, viu, por todas as explicações.
Parabéns pelo trabalho, pelo laboratório.
E eu vou deixar o espaço aberto pro senhor quiser eh passar alguma, algum site, alguma rede social.
Se quem tá acompanhando quiser encontrá-lo, como é que faz? >> Ah, eu tenho o Instagram eh Paulo Grimald.
>> Legal.
>> Paulo ppaulogrimald.
>> Legal.
Tá certo? Então, a gente vai deixar o link aqui para quem quiser já consegue acessar direto a sua página, >> tá bom? O que eu queria falar é que é muito bom fazer um podcast com você.
>> Ah, muito obrigada.
E esse essa esse testemunho seu, eu não sabia disso.
Testemunho legal.
>> Pois é, já contei aqui um bastidor e aí eu eu levo a risco.
Agora tô seguindo certinho a dieta, né, alimentação e e academia.
Então tá sendo muito importante.
Realmente é muito legal.
>> Você você aprendeu um negócio importante que é obedecer.
>> É, não, eu sou regrada, eu realmente >> hoje disciplinada, né? O sucesso.
É por isso, por isso que você tem sucesso, >> porque você tem que você tem que obedecer.
As pessoas não querem obedecer.
Eu não entendo porquê.
>> É, >> é, então, a vida é simples, né? >> E é e é muito legal o resultado que é bem é bem didático essa que é a palavra.
Então, vale a pena fazer porque realmente >> para quem não é médico é super simples de entender e acaba mudando a vida, né? >> Tá bom.
>> Obrigada, doutor.
>> Eu que agradeço.
>> Obrigada a você que acompanhou até aqui o final.
Não deixa de acompanhar também os nossos outros episódios e curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas.
Obrigada e até a próxima.
Tchau.

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