💬 Canal WhatsApp

Chás QUE MAIS Beneficiam a Circulação | Chás e Circulação | Ep 43

Mais sobre este vídeo

Chás QUE MAIS Beneficiam a Circulação | Chás e Circulação | Ep 43

O episódio aborda o uso de chás e infusões para beneficiar a circulação sanguínea. O especialista esclarece que, embora não substituam medicamentos, essas bebid

Capítulos

Perguntas respondidas neste vídeo

O que a gente vai poder dar de resumo mesmo, de mais importante sobre esse assunto?

Todo brasileiro gosta de uma solução natural para a saúde, né, e o Brasil é interessante porque a gente tem uma diversidade muito grande de plantas que podem ajudar na saúde. Então a gente vai conversar sobre isso e como que isso influencia especificamente a saúde vascular, a circulação, afinal é a minha especialidade.

Isso é possível em alguma hipótese?

Tá, essa pergunta é muito importante. Não tem como substituir, mas eles podem fazer parte, podem ajudar, e muitas vezes podem ajudar a prevenir o uso de algum medicamento lá na frente.

Pode ser associado?

Pode ser associado. É um pouquinho complicado fazer essa associação, né, o médico tem que estar sempre ciente do que está sendo usado, porque muitos chás vão interagir com os medicamentos. Entendi.

Ele é a casca daquela árvore chorão, sabe aquela árvore que é grande assim?

Pois é, vem dali. Tem um medicamento para tratar a insuficiência cardíaca, que são os digitálicos, são superpotentes.

De onde que ele vem?

Ele vem de uma planta chamada digitalis, porque a folha dela tem o formato de dedos. Então, eu vejo muita gente que fala, ah, chá não funciona, ou medicamentos naturais não funcionam. A gente tem que tomar muito cuidado com isso, porque esses medicamentos são potentíssimos, e são originários da natureza.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato. Agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios, nós estivemos aqui com o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular.

O último episódio foi justamente sobre a importância da conscientização da saúde vascular. Antes, nós falamos também um pouquinho sobre o tratamento de varizes em determinadas estações, mais especificamente no inverno, que é a estação que nós nos encontrávamos quando gravamos o episódio. Agora, nós recebemos novamente o doutor Alexandre Amato aqui no AmatoCast, mas desta vez para falar sobre um assunto muito polêmico, que as pessoas costumam procurar bastante sobre isso, e que eu tenho certeza que alguém da sua família alguma vez já te indicou.

O poder dos chás. Bom, vamos lá. O professor doutor Alexandre Amato é médico e cirurgião vascular e endovascular do Instituto Amato.

O especialista é doutor em ciências pela Universidade de São Paulo, atualmente faz pesquisa científica em lipedema e é presidente da Associação Brasileira de Lipedema. Além disso, é autor de diversos livros sobre saúde. Mais uma vez, bem-vindo, doutor.

Obrigado. Fico muito feliz de estar aqui conversando de novo sobre um assunto de saúde. Eu estava vendo, olha uma coisa interessante.

Eu estava completando quase um ano e meio de podcast. É bastante coisa. Nossa, é bastante coisa mesmo.

Inclusive, eu acho que eu já estou no meu 36º, que eu estou vendo aqui, não é o mesmo número que a gente coloca, porque já tiveram alguns episódios antes, né, de eu começar a participar, mas eu já, já é o meu 36º aqui. A gente já fez pelo menos uns 10 ainda. Muito legal, muito legal mesmo.

Doutor, então, antes eu queria um spoiler do que a gente pode dizer, eu até dei um resumo, né, que é um assunto que eu tenho certeza que alguém da família de quem está acompanhando, alguma vez, já falou, toma um chazinho para melhorar isso, tenta trocar um medicamento. O que a gente vai poder dar de resumo mesmo, de mais importante sobre esse assunto? Todo brasileiro gosta de uma solução natural para a saúde, né, e o Brasil é interessante porque a gente tem uma diversidade muito grande de plantas que podem ajudar na saúde. Então a gente vai conversar sobre isso e como que isso influencia especificamente a saúde vascular, a circulação, afinal é a minha especialidade.

E agora já vou entrar em mais uma pergunta polêmica. Dá para substituir um resumo, só que a gente vai contar mais depois, mas dá para substituir algum tipo de remédio por chá? Isso é possível em alguma hipótese? Tá, essa pergunta é muito importante. Não tem como substituir, mas eles podem fazer parte, podem ajudar, e muitas vezes podem ajudar a prevenir o uso de algum medicamento lá na frente.

Pode ser associado? Pode ser associado. É um pouquinho complicado fazer essa associação, né, o médico tem que estar sempre ciente do que está sendo usado, porque muitos chás vão interagir com os medicamentos. Entendi.

E doutor, o chá já é algo bem antigo, né, que era utilizado já há muitos e muitos anos, foi ficando mais famoso, digamos assim, né, alguns chás específicos para determinadas situações, mas é algo que já era utilizado há bastante tempo. Sim, né. Na saúde, tanto na medicina tradicional, chinesa, indiana, todas as medicinas tradicionais usaram, usavam, e usam algum tipo de chá ou infusão para melhorar a saúde.

Hoje em dia, quando a gente pensa em medicina moderna, todo mundo pensa em alguma molécula criada por laboratório e que acaba sendo um medicamento vendido na farmácia. Mas isso não quer dizer que as plantas não tenham alguma atuação. Boa parte dos medicamentos vendidos em farmácia, eles têm uma origem na natureza.

Eu vou dar um exemplo, alguns exemplos aqui, que vocês devem conhecer. Então, por exemplo, a aspirina, o ácido acetil salicílico, de onde que ele vem? Ele é a casca daquela árvore chorão, sabe aquela árvore que é grande assim? Pois é, vem dali. Tem um medicamento para tratar a insuficiência cardíaca, que são os digitálicos, são superpotentes.

De onde que ele vem? Ele vem de uma planta chamada digitalis, porque a folha dela tem o formato de dedos. Então, eu vejo muita gente que fala, ah, chá não funciona, ou medicamentos naturais não funcionam. A gente tem que tomar muito cuidado com isso, porque esses medicamentos são potentíssimos, e são originários da natureza.

Então, a gente tem que saber usar e usar com parcimônia. E doutor, com o tempo também foram novas combinações, as pessoas preparam de formas diferentes, e eu vi que uma dúvida, inclusive, que estava no Trend Topics desse tipo de assunto nas redes sociais, é em relação a chá quente, chá frio, isso tem uma diferença na forma, quando é associado a algum tipo de tratamento de alguma doença específica, ou isso não muda nada? Não muda sim, a forma como é feito muda bastante. Até várias propriedades do chá são perdidas se você colocar no momento errado da ebulição.

Então, por exemplo, tem gente que coloca o material para fazer o chá na água, e aí ferve a água, e depois coa. Fazendo isso, você perde boa parte dos fitoquímicos, dos flavonoides que tem ali. Então, o correto seria primeiro ferver a água, esperar abaixar um pouquinho, e depois colocar na xícara, para aí sim entrar em contato com o material, e aí você preserva boa parte dos antioxidantes que tem ali.

Mas eu queria falar de uma outra coisa antes. Vamos definir o que é chá? Porque eu tenho certeza que eu estou falando uma coisa, mas as pessoas estão pensando outra. O chá é um líquido feito de uma planta específica, que é a Camellia sinensis.

Se não for a Camellia sinensis, não é chá. Então, aqueles de saquinho, isso não pode ser considerado? Não, tem o saquinho que é a Camellia sinensis. Então, seria o chá preto, chá branco, chá verde, esses são chás de verdade.

Qualquer outra coisa, a gente chama de chá, mas são tisanas, são infusões, é uma outra categoria. Então, tem muita gente que fala, chá de hortelã, chá de canela, chá de maçã, é chá? Não, é uma infusão, é uma tisana, também tem propriedades, a gente vai conversar sobre isso também, mas são coisas diferentes. Quando a gente está falando especificamente de chá, é a Camellia sinensis, é uma árvore grande e que tem um monte de propriedade.

Mas por que eu falo isso? Porque quando a gente vai na literatura médica, os artigos científicos que falam sobre chá, eles estão sendo extremamente específicos com a substância que tem lá, que é a Camellia sinensis. E essa, sim, é extremamente estudada, tem muita coisa na literatura. As infusões, as tisanas, elas têm menos evidência na literatura, principalmente porque a amplitude, a variedade de plantas que existem por aí é enorme.

E as que são consideradas chás, de fato, doutor? Quando a forma de preparo, você já disse que isso determina a forma que aquele chá específico vai agir ou não. Mas então, por exemplo, aquele que é vendido em saquinho, que pode ter a propriedade do chá específico, ou a forma que aquela avó prepara, que é em casa, da forma realmente mais natural, parece, isso também determina como aquilo vai agir no corpo? Com certeza. O tempo da colheita da natureza, o momento em que foi retirada essa planta, a forma como ela foi seca e preparada, tudo isso influencia.

Tem um chá novo aí que é liofilizado. O que é o liofilizado? É aquele que você só encosta na água, ele já dissolve e já está pronto. Eu não consigo dizer o quanto de fitoterápico vai ter nesses liofilizados.

A gente tem que buscar o mais próximo do natural. Aquele que está no saquinho, ele é bem prático e mantém boa parte das propriedades dos chás. E eu estava até, quando eu fui pesquisar sobre esse assunto, eu vi que tem um dado que fala que os chás se tornaram, já são a segunda bebida mais consumida do mundo.

Então as pessoas até costumam beber chá na refeição mesmo. A gente sabe que aqueles chás mais industrializados, que vem, isso já não pode encontrar. Já tem chá industrializado.

Esse já vem, porque aquele chá, até ia falar o nome da marca para não fazer propaganda, mas que tem aquele chá que é como se fosse um suco mesmo, que é vendido já no recipiente de plástico ali, que é bem conhecido, que as pessoas costumam tomar com as refeições. Tem que tomar muito cuidado, porque, de fato, o chá é saudável e tem muita coisa boa, mas aí a indústria aproveita isso, embala e faz um monte de coisa para deixar aquilo gostoso e de uma forma que você possa ficar repetindo e querendo mais. E a primeira coisa que eles vão fazer é entuxar açúcar lá dentro.

Coloca bastante açúcar, um pouquinho de sódio também, umas outras substâncias químicas que induzem ao vício, e aí pronto. Já não está na propriedade de fato. Exato.

E aí todo o processo de industrialização, de engarrafamento, de armazenamento, e até mesmo essas garrafas são claras, então tem a incidência da luz, e a luz oxida e diminui o efeito desses fitoquímicos. Então não é a mesma coisa do que você preparar o chá em casa. Não compre chá industrializado para substituir o refrigerante, achando que está fazendo uma coisa absurdamente boa para a sua saúde, porque não está.

E doutor, então qual é a melhor forma? A gente vai falar agora sobre alguns mitos ou verdades relacionados aos chás, que inclusive são ligados a algum tipo de tratamento de determinada doença, mas para quem busca os benefícios do chá, então qual a melhor forma de trazer isso para a saúde? Você já falou que é preparar em casa, tem a forma da colheita, tem a forma do preparo, se é quente, se é frio, tudo isso precisa ser aliado junto com o médico, a pessoa consegue determinar sozinho, como que pode ser feito? Bom, primeiro o ideal seria plantar em casa, nem todo mundo consegue, mas tem muita coisa que dá para plantar em casa e usar dali ou em natura, que aí já não tem agrotóxicos e coisas extras que vão fazer mal. Sempre conversar com o seu médico se vai ter interação com o medicamento que você precisa ou por alguma doença que você porventura tenha, tem que estar sempre atento a isso. Então isso é importante, porque pode dar algum efeito com o remédio.

E a outra coisa que eu queria falar, e é muito importante, é que os chás, você não consegue determinar quanto que tem de alguma substância lá dentro. Quando a gente está falando de um medicamento de farmácia, está lá escrito 10 miligramas, tem 10 miligramas exato daquela substância lá dentro. E quando a gente fala de uma coisa feita da natureza, você vai pegar lá X folhas, vai colocar na água, vai ferver, vai jogar, quanto concentrado está aquilo? Será que tem 10 miligramas de um fitoquímico? Será que tem 1 miligrama? Será que tem 100 miligramas? Essa é uma das grandes dificuldades nos chás, a gente estabelecer padrões.

Então isso dificulta para fazer trabalho científico e para estudar o impacto dessas substâncias no corpo, porque o chá que eu faço aqui pode não ser igual ao que você faz na sua casa, que pode não ser igual ao que está sendo feito na China. Simplesmente porque a forma de preparo pode variar um pouquinho ou até mesmo a planta nasceu num terreno que tem uma terra que tem mais magnésio ou menos, cálcio ou qualquer outra coisa, e produz menos da substância. Então os chás são extremamente variáveis na sua intensidade e nos seus efeitos.

A gente tem que tomar muito cuidado com isso. Por isso que é muito perigoso você usar um chá como um tratamento definitivo para alguma coisa. Então por mais que determinada planta tenha um efeito para tratar alguma doença, será que você está fazendo na quantidade certa e na concentração certa para ter o efeito no seu corpo? É mais seguro você se apoiar em substâncias que estejam bem controladas.

Então muitas vezes as substâncias desses chás podem ser encontradas de forma padronizada. Como isso funciona para encontrar dessa forma, doutor? Elas podem ser manipuladas, existem vendidas em farmácia também. A própria substância do chá? A própria substância do chá.

Uma delas é a teanina, por exemplo. A teanina é derivada da camellia sinensis. É utilizada para diminuir a ansiedade e ajuda.

Dessa forma então, como a gente citou no início, que às vezes você começa a apresentar algum problema, a gente vai citar inclusive para a questão de gripe e resfriado, que tem bastante chá para isso. Eu vi na internet que tem estudiosos, pesquisas, que vão contra nessa questão de gripes e resfriados tratáveis com chás. Mas aquela forma quando você está tratando em casa, que você faz ali algo informal, não sabe exatamente quanto está indo da substância.

Então isso acaba sendo arriscado para o tratamento de quando a pessoa não tem nenhuma orientação médica. Nesse sentido de já ter algum outro medicamento junto e ter alguma interação ali. Exato.

Uma das interações mais comuns é com medicamentos que causam a antiagregação plaquetária ou deixam o sangue mais fino. Boa parte dos fitoquímicos têm um efeito antiplaquetário e acabam diminuindo essa agregação. E se você está usando um medicamento que tem esse efeito também, ele vai acabar potencializando.

Então são vários. A aspirina, que eu acabei de falar, é um antiagregante plaquetário. Se você toma aspirina e mais muitos desses chás, você pode acabar tendo eventos de sangramento que são ou desnecessários ou podem até causar algum mal.

Isso é importante. Já dá inclusive um corte para alertar as pessoas. Exato.

Porque pessoas próximas sempre estão tomando um monte de chá ali achando que não é nada. Eu não estou falando para não tomar chá. Por favor, tome chá.

Ajuda, mas com cautela e sem exagerar. Por exemplo, não tomar mais de 3 doses num dia. Isso já é uma barreira de segurança e que vai tudo bem.

Quando se junta com outro tipo de medicamento, até 3 doses isso não teria nenhum tipo de problema? Até 3 doses é difícil exagerar. Mesmo que a concentração seja alta, você não passa de uma margem de segurança. Agora, se tiver usando medicamentos, principalmente medicamentos que atuam na coagulação, por favor, converse com o seu médico.

É importante. Certo. Doutor, agora eu vou para alguns pontos específicos que os chás podem tratar ou não.

Primeiro, que é o risco de doenças cardiovasculares. A gente até conversou sobre isso fora do episódio, que o seu vascular acaba sendo diferente de cardiovascular. Mas, ainda assim, acho que é importante a gente citar.

De fato, tem uma pesquisa, eu trouxe alguns dados aqui, para não ficar muito cansativo para quem está acompanhando, um resumo que foi uma pesquisa da Sociedade Europeia de Cardiologia em 2020, mostrou alguns benefícios do chá para o corpo humano de forma geral e cita especificamente doenças, os benefícios contra doenças cardiovasculares. Então, doutor, isso pode ajudar nessa questão que é tão atrativa, as pessoas se preocupam tanto com esse tipo de doença? Sim, ajuda, ajuda bastante. Os fitoquímicos têm um efeito antioxidante.

Tendo um efeito antioxidante, diminui a inflamação crônica no corpo. E a inflamação crônica é o pontapé inicial para os danos na parede vascular. Então, atua também na produção do óxido nítrico, que também está lá no endotélio e é o que regula a vasodilatação e a vasoconstrição dos vasos.

Então, se você tem esse sistema funcionando bem e os chás podem dar aquela azeitadinha no mecanismo, fazendo funcionar direitinho, você melhora a regulação da pressão no corpo. E melhorando a regulação da pressão, você evita problemas cardiovasculares, incluindo até a longo prazo a aterosclerose, formação de placas e tudo mais. A questão é que muitas pessoas chegam nesse problema, desenvolveu a placa, já está quase obstruindo lá e fala, agora eu vou tomar chá para melhorar.

Agora é tarde demais, agora é bom acompanhar com o médico, às vezes até precisa de cirurgia, além de medicamento. Isso dos chás, de uso profilático, é para ser usado no início da vida, desde quando não tem nada. A profilaxia, a prevenção, eles são bem mais eficazes do que no tratamento da doença já estabelecida.

Isso é muito importante, que eu estava dando uma lida novamente aqui nos dados da pesquisa, e foi uma pesquisa que durou dez anos nas pessoas, quase dez anos. Algumas pessoas participaram de sete anos e três meses, e assim por diante. Mas eles conseguiram verificar ao longo prazo os aspectos que mudaram de uma pessoa que não tomava para uma pessoa que tomou por tanto tempo.

Isso é importante, porque logo no início, você já disse, é uma forma de prevenção, ajudar a prevenção, e não quando a pessoa já está com algum tipo de problema, a resolver esse diagnóstico, é isso? Exato, eu vejo muita gente também, na hora que vai no médico e tem o diagnóstico de alguma doença mais grave, aí fala, não, eu sou da medicina natural, então eu não vou fazer o que o médico falou, e vou fazer o uso dos chás, porque minha família sempre se resolveu assim, gente, agora é tarde, Inês é morta. Não, agora é tarde, não dá mais para se basear somente no chá. Tem que fazer o que o médico falou, e se quiser usar o chá, converse com ele para ver se não vai ter interação.

Isso é fundamental. Vou dar um exemplo, tem uma história da minha vida profissional, logo no começo, que acho que exemplifica isso. Eu tinha uma paciente, que veio para mim, diabética, com lesão grave nas pernas, já com pé diabético, tudo bem avançado, eu perguntando para ela como que ela tratava, ela falava que usava chá de insulina.

Aí eu, sempre muito curioso, perguntei para ela, mas o que é esse chá de insulina? Ah, é um cipó que nasce aqui no quintal da minha sala. Falei, nossa, mas é gostoso isso aí? Ela falou, é bem amargo, tanto que eu tenho que colocar um monte de açúcar para conseguir tomar. Então, diabética, tomando um chá de cipó, insulina, cheio de açúcar, para tentar tratar a doença dela.

O açúcar, mesmo que o chá funcionasse, o açúcar estava destruindo a situação dela, estava piorando muito mais. E isso para todos os sentidos, dos outros chás que, às vezes, podem ter algum benefício, mas que se são utilizados errados, pode ter algum efeito ao contrário. Exato.

Agora que eu falei do açúcar, acho que vale a pena eu mencionar. Então, se você está tomando chá e está enchendo de açúcar, porque ou acha amargo ou não gosta, o açúcar é um baita do inflamatório. Então, não pode fazer isso e achar que está fazendo um bem para o seu corpo.

Você tem que buscar uma forma de adoçar que seja mais saudável. Então, em primeiro lugar, se você gostar sem o açúcar, melhor ainda. Agora, dos adoçantes, tem alguns que vão evitar a inflamação, evitar dano na microbiota.

Esse é outro assunto que dá um episódio inteiro, mas, por exemplo, o Stévia e o Monk Fruit são adoçantes que não vão piorar a inflamação ou inibir o efeito benéfico do chá. Doutor, o próximo que eu estava vendo aqui, que teve uma pesquisa também num jornal dos Estados Unidos, é sobre o poder do chá de camomila no auxílio ao sono. Que esse eu acho que é o mais comum, que todo mundo já escutou falar alguma vez na vida.

Até não só o chá em si, mas vários objetos ali próximos, que às vezes algum travesseiro que tem aquele cheiro da camomila dizem que auxilia também nessa questão do sono. Agora, o chá especificamente, isso é verdade? Que consegue ajudar nessa questão? Tem alguns trabalhos que mostram um efeito não só da camomila, mas da eva-cidreira e tem outros também que podem ajudar. Eu acho que é interessante eu diferenciar dois tipos de chá em infusão.

O chá-chá da Camellia Sinensis, o Guaraná, eles têm cafeína. Então eles vão aumentar a excitação, vão aumentar a agitação. Enquanto outros chás que não têm cafeína podem ter um efeito mais calmante.

Então a gente tem que diferenciar bem esses dois grandes grupos. E o chá, agora, até que eu citei, eu já vi travesseiro que fala o travesseiro com o cheiro da camomila que vai auxiliar. Isso pode ser considerado também? Tem algumas pessoas que são sensíveis à aromaterapia, que ajuda.

São pequenos gatilhos que podem ajudar a induzir o sono. Para aquela pessoa que já está todo o ritmo circadiano lascado, não vai ser só isso que vai ajudar, não. Mas pode sim dar um empurrãozinho extra para algumas pessoas.

Legal. Agora, o chá verde foi um que você citou que entra na... que é chá de verdade, né? Para ficar bem diferenciado. Fala que tem propriedades antioxidantes.

Acho que é importante a gente citar o que são propriedades antioxidantes, porque muita gente não sabe. E como que isso age? Ok. A oxidação é o enferrujamento do corpo.

Então assim como o metal, o ferro enferruja, o nosso corpo oxida. Que é a união do oxigênio, o oxigênio muda a molécula. E isso é o envelhecimento, isso é a inflamação.

Esse é um processo natural do corpo e que a gente fica continuamente combatendo. Então, a vida no planeta Terra ela depende de um equilíbrio entre a inflamação e a desinflamação. Esse equilíbrio, ele vai sempre pender um pouquinho mais para a inflamação.

E está tudo certo. É assim que tem que ser mesmo. A questão é, os antioxidantes, eles vão puxar para o outro lado.

E muitas coisas na nossa vida diária acabam puxando para o lado da inflamação. Então, o estresse, a poluição, alimento industrializado, todas as coisas ruins, elas vão inflamar mais. Os antioxidantes vão puxar para o outro lado e ajudam a equilibrar.

O nosso corpo busca esses antioxidantes nos alimentos que a gente ingere. Então, lá no passado, na época das cavernas, estava lá naquelas frutinhas, nas coisas que a gente comia. E hoje em dia, as pessoas estão indo atrás de comida industrializada, que não tem esses antioxidantes.

Então, a gente tem que fornecer para o nosso corpo, comendo frutas, verduras, legumes. Mas a gente pode acrescentar, dando um boost de antioxidantes com os chás e com as infusões. Então, doutor, além da alimentação, a alimentação é o principal para ter essa questão antioxidante.

Inclusive, eu já vou aproveitar e falar que o nosso próximo episódio vai ser sobre esse assunto, que envolve alimentos que podem causar inflamação e dor. Exatamente. Vai nessa linha dos chás.

Vamos falar exatamente sobre isso. Eu queria falar de um outro chá que as pessoas usam bastante, são os chás com efeito diurético. A gente tá aqui falando do chá medicinal, mas eu sou cirurgião vascular, eu tenho que dar uma puxadinha pra minha área.

Então, as pessoas se sentem inchadas, e aí elas vão direto, toma esse chá aqui, que tem um efeito diurético. E são vários que têm efeito diurético, né? Chá de hibisco, de cavalinha, tem vários. Se vocês lembrarem de algum, escrevam aqui embaixo.

A questão é, tem que identificar a causa do inchaço. Se você não sabe o que tá inchando, só o fato de você tomar um diurético vai colocar líquido pra fora. E muitas vezes, não é esse o problema.

O problema não é a retenção do líquido. O problema pode ser uma disfunção cardíaca, pode ser uma disfunção do rim, e pode ser inflamação nas pernas, pode ser uma disfunção do sistema linfático, do sistema vascular. Então, só o fato de você tomar um diurético, você vai se desidratar, e não necessariamente vai estar tratando o problema.

Esse é uma das piores indicações de uso de chá. Então, ah, sentiu inchada e vai tomar um chá diurético. Por favor, não façam isso.

E pode até, naquela linha que a gente estava comentando, do efeito ao contrário, doutor. Isso pode piorar? Pode, pode piorar. Muitas vezes, vamos supor, paciente com lipedema, tá com a perna super inchada, e vai lá e começa a tomar bastante chá diurético.

Mal sabe ela que a desidratação é um dos gatilhos inflamatórios. Então, pode até ter uma melhora inicial, pouquinho assim, mas depois vai ter uma piora da inflamação e dos sintomas, e aí entra num ciclo vicioso difícil de quebrar. Então, o chá diurético, ele tem esse efeito diurético mesmo, que é de aumentar a retirada de água do corpo.

Mas, o problema da sociedade atual é exatamente o oposto. As pessoas não estão tomando água necessária. As pessoas estão desidratadas.

Então, não vamos usar chá diurético com esse intuito. Agora, se você está tomando, porque você gosta do sabor, pelo menos manera na quantidade e capricha na ingestão de água. Doutor, então eu já aproveito essa deixa para perguntar algo que também está sendo muito discutido em questão do chá.

Ele não pode ser utilizado, então, aquela forma de substituir a água, achando que a pessoa está ingerindo líquido de qualquer forma? Os chás diuréticos, não. Mas toda outra classe de chás que não tem efeito diurético, podem sim. E eu acho que é uma das grandes indicações.

Assim, apesar da água ser insípida, inodora, incolor, tem gente que tem coragem de falar que não gosta de água. E aí, uma água saborizada, ou um chá, pode ajudar a induzir o aumento da ingesta hídrica. Mas não o diurético.

Assim como o álcool. O álcool também tem efeito diurético. E as pessoas vão lá e começam a se entupir de cerveja e achar que está se hidratando.

Está nada, está indo no banheiro colocando tudo para fora e mais um pouco. É aquela desculpa, né? Pelo menos eu estou me hidratando. E cerveja não é chá de cevada, não.

É, vai querer achar uma desculpa, né? De qualquer forma. Doutor, teve uma vez, eu acho importante também a gente trazer aqui na sua explicação, que eu tive um problema de pedra no rim. E aí eu lembro que um médico especialista nessa parte me disse que para eu lembrar de tomar água, ter aquele gosto de tomar, de me hidratar, não precisava ser especificamente a água.

Poderia ser um suco, por exemplo. E eu acho importante a gente falar sobre isso. Então, não só os chás, mas todas as bebidas podem, não as bebidas alcoólicas, podem ajudar nessa questão da hidratação.

Só que é importante também o suco. Eu acho que a gente até, eu não lembro se foi com você ou com a doutora Lorena em outro episódio, que a gente comentou, por exemplo, o suco. A pessoa acha que está sendo natural por ser um suco natural.

Mas ao mesmo tempo, a quantidade de fruta que é utilizada para fazer um suco de laranja, por exemplo, é muito mais, tem muito mais açúcar ali do que a pessoa fosse comer a laranja, por exemplo. Então, é essa questão da bebida do suco natural, por exemplo, que as pessoas precisam estar atentas. Sim, sim.

Nas frutas, por exemplo, mesmo que você não esteja comprando industrializado, que você está fazendo em casa, quantas frutas está sendo necessário para você fazer um copo, por exemplo, de suco de maçã? Precisou de cinco maçãs para fazer um suco? E aí você ainda tirou todas as fibras, tirou todo o bagaço, deixou aquele suquinho bem líquido e gostoso? Gostoso por quê? Gostoso porque está cheio de frutose lá dentro. É tão absurdo a quantidade de açúcar quanto um industrializado. Então, os sucos naturais, eles são bons, sim, mas a gente tem que maneirar, porque tem açúcar e frutose lá dentro.

Não pode exagerar. A gente não pode substituir a mesma quantidade de água que a gente precisa com sucos dessa forma. Então, por exemplo, se a gente está precisando de três litros de água por dia, imagina tomar três litros de suco de maçã.

Dois, três dias você já percebe que o negócio foi por água abaixo. Entendi. Então, isso é por isso que a água acaba sendo o principal nessa parte da hidratação, porque não traz esses outros... E a água no chá, maravilha.

Pode variar bastante de sabores, com outros efeitos, para não ficar sempre no mesmo e aumentando muita concentração de água, que pode causar dano à sua saúde. Então, variar bastante e buscando a antioxidação com os chás. Agora, doutor, chá preto para ajudar no estresse físico e psicológico, isso funciona de que forma? Então, o chá preto é interessante porque ele tem várias substâncias que aumentam o efeito do estresse e outras que diminuem.

Então, tem a l-teanina, que ajuda a diminuir, mas também tem cafeína, tem algumas coisas que vão aumentar. E esse equilíbrio é bom porque ele acaba modulando o estresse no corpo. É um dos chás mais estudados, o chá preto, que é da Camellia Sinensis, e utilizado na medicina chinesa tradicional.

Tem vários países até que indicam o uso profilaticamente no seu sistema de saúde. Aqui no Brasil, se não me engano, não. Mas isso não quer dizer que não funcione.

E o gosto, como é que funciona? É um pouco mais amargo esse? Ele é um pouco mais amargo, tanto que as pessoas acabam fazendo isso e entuchando açúcar. Por isso o meu alerta, tomar cuidado com isso. E o efeito maior vai estar se ele estiver puro ou usando alguma coisa que não vai ter tanto açúcar.

Substituir açúcar por mel, isso pode ajudar? Pode, mas aí tem a caloria. O mel tem muita coisa boa também. O mel também tem alguns fitoquímicos, também pode ajudar.

Mas tem açúcar. E esse açúcar vai ser convertido em calorias. E dependendo da quantidade que você está tomando, pode ter um... pode acabar até engordando.

Se eu tiver que escolher algum, então, pra tornar o gosto um pouco mais atrativo, qual que seria a sua opção? O stévia é um dos adoçantes mais saudáveis. Ele tem um efeito até antioxidante. O stévia é uma plantinha que, se não me engano, ela nasce entre Brasil e Paraguai.

Então é uma coisa bem regional nossa e com muitos efeitos benéficos. Então essa é a minha primeira sugestão. Algumas pessoas não gostam porque se você exagera na quantidade do stévia, acaba até deixando mais amargo.

E tem que tomar muito cuidado que tem muito produto no mercado que está escrito stévia grandão. E aí você vai ver no conteúdo do que tem lá dentro, é 10% stévia e 90% outra porcaria qualquer. Então tem que tomar cuidado.

Esses... as pegadinhas dos alimentos industrializados. Não só desse, né? Mas como de vários outros. Agora, doutor, no top 5 dos chás que são mais procurados pra algum tipo de melhora na saúde, aparece também o chá de hortelã, na melhora da digestão.

Isso pode ser associado? Tem vários, né? Tem o chá de hortelã, o chá de bouldo que pode ajudar na digestão. Aí foge um pouco da minha especialidade, eu acho que a minha experiência é mais como leigo do que como médico. Mas pelo que eu vi, sim, tem um efeito.

Parece que funciona. Tem chá pra tudo que é problema, né? De tudo que é parte do corpo, tem algum tipo de chá que pode ajudar? Uma coisa interessante dos chás é que eles não são uma molécula única, como nos medicamentos. Então, na hortelã, não tem lá só a molécula da hortelã que tem esse efeito e ponto final.

É uma mistura, assim, enorme, centenas de substâncias diferentes que vão ter vários efeitos diferentes. Então... E aí a gente começa a pensar, caramba, no Brasil tem a Amazônia, com uma diversidade enorme de plantas. Eu fico imaginando a quantidade de plantas e moléculas diferentes que poderiam ser estudadas e até mesmo desenvolvidas em algum medicamento.

Mas falta investimento público nessa pesquisa no Brasil. Isso é notório. E a proteção de intelectual.

Então, os laboratórios grandes, farmacêuticas, eles buscam alguma molécula que eles consigam patentear. Então, se eles conseguirem patentear, eles conseguem fechar o mercado e vender. Ninguém tem interesse em descobrir uma nova molécula que existe na natureza.

Porque isso não é patenteável. E na hora que você investe muito dinheiro nisso, descobre uma molécula que tem numa plantinha XYZ, e que tem um baita um efeito benéfico para a saúde, não tem proteção intelectual daquilo ali. Então, outros laboratórios podem simplesmente copiar e fazer aquilo e começar a vender.

Se não tem essa proteção intelectual e um ganho financeiro muito grande, as farmacêuticas não têm interesse em investir pesquisa nisso. Elas querem investir pesquisa em vamos descobrir uma molécula que pode ser na natureza e vamos mudar ela de alguma forma que eu possa vender e só eu possa vender. Então quem que tem que investir nisso? Teoricamente, seria o serviço público.

Seriam os governos que teriam que ter interesse em colocar dinheiro em pesquisa científica para extrair daí alguma coisa que possa ser útil para a população. Mas a gente sabe que pesquisa científica no Brasil, investimento é piada. Praticamente não tem.

Existem alguns projetos, mas é para fingir que está sendo feito alguma coisa. Não existe nada real. Entendi.

Isso é polêmico. Dá para fazer outro episódio falando das pesquisas científicas. Doutor, eu peguei aqui alguns mitos e verdades também que são mais discutidos em todas as redes sociais.

Até eliminei alguns que você já citou que eram mais específicos das doenças vasculares que é justamente a sua especialidade. Mas eu acho que é importante também algumas dúvidas gerais de todos os tipos de chás que a gente citou, como por exemplo o primeiro, o chá tem prazo de validade? As pessoas, outra dúvida, não só do chá mas também até do remédio, vai nessa linha. Remédio e medicamento, começa por aí.

Qual é a diferença? Remédio e medicamento é tudo igual ou o nome muda de alguma fórmula? Nossa, você fez uma pergunta que eu não estava preparado e não tenho uma resposta pronta. Na própria, no meu trabalho que eu já comentei aqui algumas vezes trabalhando em uma televisão, a gente ficou nessa dúvida também, se poderia citar sempre remédio, sempre medicamento ou se é a mesma coisa. Nossa, eu vou atrás da etimologia da palavra Esse daí a gente vai responder nos comentários e num outro episódio.

E até esqueci qual que era a minha outra pergunta, mas nessa linha da dúvida do chá tem prazo de validade, eu lembrei. Eu não vou responder entre remédio e medicamento, mas eu vou falar uma outra coisa que acho que é mais importante do que a etimologia da palavra e essa diferença. É medicamento ou remédio e tratamento se significa a mesma coisa.

Porque muitas vezes a gente está falando de tratamento, tratamento, tratamento e a pessoa escuta medicamento, medicamento, medicamento. E tratamento é muito mais do que medicamento. O tratamento envolve mudança de hábito de vida, mudança alimentar, exercício físico, todas as medidas que você toma na sua casa, isso é o tratamento das doenças.

Medicamento é o que você está colocando pra dentro, achando que é a pílula mágica e que vai resolver todo o restante. Não, medicamento é algo que é algo mais de um contexto muito maior. Não adianta também só tomar o remédio barra medicamento e achar que o resto é tudo.

Eu vejo muita gente que tem medo, por exemplo, do efeito rebote dos medicamentos pra obesidade. É efeito rebote mesmo? Então se você tem uma doença crônica e você está fazendo o tratamento com medicamento, aí você atinge o seu peso ideal e você abruptamente tira o medicamento, só que você não estava fazendo mais nada pro tratamento, que é a dieta, exercício físico e tudo mais. Ou seja, você tirou o tratamento completo.

Vai ser um efeito rebote ou vai ser a doença que volta a progredir naturalmente na evolução natural dela? É a progressão da doença. Então, pra você abandonar o tratamento medicamentoso, você tem que fazer o tratamento não medicamentoso de forma adequada e suficiente. Eu acho que isso é muito importante.

E aí os chás, pra introduzir o assunto no podcast de hoje, os chás entram nesse processo do tratamento não medicamentoso. Tá lá no contexto geral. E essa dúvida principal da questão da validade vai na questão que eu vi uma reportagem uma vez que dizia que nos Estados Unidos, por exemplo, a caixa do remédio não costuma vir com prazo de validade.

Eu não sei se isso procede, mas uma reportagem dizia, não sei se eram alguns tipos ou todos. E aí existia uma afirmação dizendo que no Brasil tem prazo de validade por uma questão, eu acredito que era da Anvisa, mas que na verdade o remédio se passou um tempo do prazo de validade, a pessoa ainda assim pode tomar sem nenhum tipo de prejuízo, se foi armazenado de uma forma correta. Isso, doutor, você sabe dizer se... Eu acho que tem uma questão legal aí, eu não sou advogado, mas eu vou mencionar, vocês podem comentar aqui embaixo se eu estiver errado, mas é o seguinte.

Quando você coloca um prazo de validade, a indústria que produziu aquele medicamento, ela é responsável pelo medicamento até aquele período. A partir daquele período, ela abre a mão do negócio e não tem responsabilidade nenhuma. Tomou, deu errado, problema seu.

Mas isso não quer dizer que da noite pro dia, a molécula que tá ali dentro, ela virou outra coisa. E também não quer dizer que não tenham alguns medicamentos que tenham uma molécula muito mais frágil. Então, vocês podem ver alguns medicamentos, isso é mais fácil de ver em medicamentos líquidos, que toma de gotinha.

Tem alguns que são em vidros extremamente escuros. Por quê? Porque eles são sensíveis à luz. Se toma uma luz externa, isso vai oxidar.

Isso vai mudar a conformação da molécula e ela vai ter ou menos efeito ou vai ter um efeito indesejado. Então, com certeza, tem medicamentos que perdem a validade e tem medicamentos que tem uma validade muito maior do que aquilo que tá escrito no medicamento. E isso vale pros chás também.

Só que aí eu não consigo dizer o prazo de validade, porque depende da forma de armazenamento, se foi seco, se foi torrado ou qual foi o processo de estabilização das substâncias que estão lá no chá. Mas assim, uma coisa eu posso falar com certeza absoluta. O in natura é o melhor de todos.

Pega lá, eu lembro quando eu era criança, ia na fazenda tinha erva cidreira, tinha um matinho lá, a gente cortava e fazia na hora o chá. Não tem coisa melhor do que aquilo. Agora a próxima dúvida, doutor, é se não pode tomar chá à noite.

Verdade ou mito? Chá com cafeína, de jeito nenhum. Senão, pra quê? Tem algumas pessoas que conseguem metabolizar a cafeína melhor, mas não faz sentido. Não busca alguma coisa que vai relaxar melhor.

Agora o próximo, chá consegue retardar o envelhecimento? Oh, assunto perigoso, né? O pessoal pode cortar um pedacinho do que eu falo e jogar na rede. Mas eu vou falar mesmo assim. Tem um processo muito interessante, que é o seguinte, o envelhecimento, ele tá relacionado com a inflamação.

Tem até um termo pra isso, que é inflammation. Aging do inglês, que é o envelhecimento. Inflam, de inflammation.

Então, quer dizer o seguinte, quer dizer que boa parte do nosso envelhecimento é o processo de inflamação. Então, teoricamente, se a gente luta contra a inflamação, a gente tá lutando contra o envelhecimento. Teoricamente, isso poderia retardar, então, alguns chás com grandes quantidades de antioxidantes, poderiam retardar esse processo de envelhecimento.

Mas daí, eu pular e falar, olha, isso acontece mesmo, falta muito estudo científico. Agora, a teoria sugere que isso é possível. Então vai todo mundo já acender o alerta, que quando envolve beleza, né? O pessoal já costuma procurar mais.

Tem muita coisa pra beleza que pode ajudar. Então, por exemplo, a vitamina C, e tem alguns chás que são ricos também em vitamina C, poderiam, ajudam a diminuir a quebra do colágeno, que é uma das coisas que aparece no processo do envelhecimento. Que as pessoas tentam repor de várias formas.

Exato. Doutor, a última mito ou verdade, antes da gente ir pras dúvidas, se a gente já não respondeu todas, mas chá ajuda a curar gripes e resfriados, é o que mais é procurado. Pois é, e isso é bem interessante, porque envolve vários aspectos, né? Primeiro, gripe e resfriado, vírus, bactéria, tem alguma coisa acontecendo no seu corpo.

Os chás, eles podem ter um efeito, sim, anti-inflamatório, e tem alguns estudos mostrando até algum efeito anti-infeccioso, tá? Só que eu queria falar de um outro aspecto, que eu acho que é mais relevante nesse processo todo. Muitas vezes as pessoas acham que estão gripadas ou resfriadas, mas, na verdade, é o nosso processo imune que tá exacerbado. Então, são as nossas células de defesa atuando e liberando estamina, que causa o processo inflamatório.

Muitas vezes isso acontece sem ter um agente causador lá, sem ter um vírus ou uma bactéria, necessariamente. Então, são, por exemplo, as pessoas que entram num lugar com um ar-condicionado trincando e sentem a rinite, sentem alguma coisa assim. É uma gripe, um resfriado? Não, não tem um processo infeccioso, mas tem o processo inflamatório, porque há inflamação que traz os sintomas.

E aí entra o que eu acredito dos chás. Boa parte desses chás tem fitoterápicos e fitoquímicos, muitos têm quercetina também, que são estabilizadores do mastócito, que é a primeira célula linha de defesa do nosso corpo. Então, tem algumas pessoas que têm essa célula, esse mastócito, como um pastor alemão.

Então, ele late quando tem que latir. E tem gente que tem esse mastócito como o cachorrinho da minha filha, que é o Lulu da Pomerânia, e late pra tudo que tem na face da Terra. Então, se você tem um mastócito que vai liberar estamina e causar inflamação só quando precisa, só quando tem vírus e bactéria, aí, sim, é uma infecção.

Mas tem muita gente que esse mastócito acaba causando uma inflamação antes do necessário. E aí, os chás podem atuar nessa parede do mastócito, causando uma estabilização dessa parede, evitando que ele degranule e libere estamina. Então, será que ele tá tratando a gripe ou o resfriado, ou será que ele tá controlando aquele Lulu da Pomerânia, acalmando ele pra ele não ficar liberando estamina o tempo todo? Então, eu não tenho essa resposta, eu acredito nisso, mas eu acho que a solução tá nesse caminho.

Então, a resposta pra essa pergunta é sim, porém depende. Exato. Doutor, vou passar rapidinho aqui nas dúvidas que o pessoal mandou.

É raro, mas acontece muito. É raro, mas acontece, né? É aí no cantinho, a flechinha. Agora vamos para as dúvidas das redes sociais.

Maria Clara, de Belém. Oi, doutor. Aqui em Belém, a gente toma muito chá de erva-cidreira.

Ele ajuda mesmo na circulação ou é só pra acalmar os nervos? Ele tem bastante fitoquímico também e pode ter um efeito antioxidante. É gostoso o chá de erva-cidreira. Deve ter um efeito pequeno na circulação, não é tão grande assim.

E dizem que acalma os nervos, né? Isso é engraçado. Igual o suco de maracujá, que falam que acalma, mas não acho não, que é meu preferido, eu nunca tô calmo. João Pedro, Juazeiro.

Boa tarde, doutor. Chá de canela é bom para melhorar a circulação ou tem que tomar com cuidado por aqui no sertão? Chá de canela é uma das especiarias mais antigas que tem, né? E tem um monte de substância benéfica lá dentro. Então, ajuda sim também, mas no mesmo contexto.

São antioxidantes, fitoterápicos, fitoquímicos que vão ajudar a diminuir a inflamação, mas não vai resolver tudo. Tem que tomar muito cuidado com usar um chá achando que você vai tratar alguma doença. No máximo que você vai fazer é diminuir um pouquinho a inflamação, retardar a progressão, na profilaxia e as escolhas inteligentes.

Se você for escolher alguma coisa para colocar numa sobremesa, por exemplo, vamos supor, você tem a canela para colocar de um lado e tem o açúcar para colocar. Eu não tenho dúvida nenhuma de qual que é a escolha inteligente. É a canela, para quem não percebeu.

Doutor, aqui em Porto Alegre, a gente costuma tomar chimarrão todo dia. Isso ajuda ou atrapalha a circulação? Rodrigo, de Porto Alegre. Nossa, eu tenho muito paciente de ir lá e chimarrão é um assunto que trazem bastante.

E o chimarrão é uma mistura de ervas também, não é uma erva só e tem bastante cafeína. Então, para aquelas pessoas que têm a sensibilidade à cafeína, tem que tomar muito cuidado com isso, por mais que seja difundido bastante na região, eu não tenho essa resposta, mas eu tenho certeza que uma parcela da população não tem essa capacidade de metabolização. Então, tem muita gente lá sofrendo porque está fazendo uma coisa que é disseminada e tem que tomar cuidado.

Outras pessoas não têm essa sensibilidade e está tudo bem. Certo. Próximo.

Oi, doutor, chá de hibisco realmente ajuda a desinchar as pernas? Minha mãe vive falando que sim. Obrigada. Beatriz, Belo Horizonte.

Hibisco entra naquela categoria de chás diuréticos e não é pra usar pra desinchar a perna. Pelo amor de Deus, não façam isso porque vocês estão tratando errado e está levantando o tapete e escondendo o problema lá embaixo. Próximo.

Bom dia, doutor. Chá verde faz bem pra circulação mesmo ou é só pra emagrecer? Sempre tomo aqui em casa. Dona Vera, Salvador.

Chá verde, eu acredito que você esteja falando, então, do chá da Camellia sinensis, que é o mais estudado, tem bastante antioxidante e tem um efeito grande, sim. E aí, entra na mesma categoria do chá branco, do oolong e do chá preto. Ótimo.

Entre eles, o chá preto, o preto, o verde, ooolong e o verde, o verde é um dos que mais tem, tá? Mais do que ele, só o chá branco, que é o que tem, que foi colhido antes ainda do chá verde. Próxima pergunta. Oi, doutor.

Chá de cavalinha é bom pra quem tem problema de má circulação? Tô sempre com as pernas inchadas. Silvana Recife. Pois é, o chá de cavalinha, sempre me perguntam, porque a cavalinha, ela pode ser usada no tratamento de varizes também, mas ela tem dois efeitos principais.

Ela tem o efeito do diurético e ela tem o efeito do venotônico, o efeito do fitoquímico aí, que melhora a circulação. Não pode exagerar na cavalinha, porque senão você começa a ter muito efeito diurético e aí piora ou pelo menos você não aproveita o efeito antiinflamatório. É uma faca de dois gumes, isso aí.

Doutor, chá de gengibre ajuda a melhorar a circulação ou é só mito? Todo mundo aqui no Rio tá falando disso. Marcelo, Rio de Janeiro. Gengibre é outro que tem bastante efeito benéfico, tem bastante antioxidante e pode ajudar, sim.

Pode ser positivo. Última pergunta. Oi, doutor.

Minha avó sempre faz chá de carqueja. Carqueja? Diz que é bom pro sangue. Isso ajuda mesmo na circulação? João de Goiânia.

João, desculpa, eu não sei o que é carqueja, não. Esse eu também nunca vi. Deve ter muitas plantas aí no Brasil que eu não conheço também, não sei o efeito.

Comentem aqui embaixo, vamos conhecer outras. Eu até quero saber qual é o efeito que sugerem pra isso. Aproveita, João, e comenta aqui pra gente saber do que você tá falando, né? E, doutor, as pessoas costumam perguntar também como que elas conseguem mandar essas dúvidas, né? Eu vou reforçar pra vocês mandarem nos comentários aqui dos vídeos ou nas próprias redes sociais, tanto do doutor Alexandre como na minha.

Exato, elas são coletadas do Instagram e do Youtube aqui embaixo. Se a gente não responde agora, a gente responde depois. E na aba comunidades aqui do Youtube.

Então volta e meia a gente solta uma caixinha lá pra todo mundo perguntar. Aproveita e passa seu Instagram, doutor, pro pessoal te seguir. É arroba doutordr ponto Alexandre Amato.

O meu é aleticiamiamoto, depois do i tem um y. E se escreve o resto tudo igual. Doutor, obrigada pela sua participação mais uma vez aqui no Amato Keshe, como sempre um papo muito esclarecedor. Obrigado, eu que agradeço.

Até a próxima. Agradeço também o carinho da sua audiência e participação aqui conosco e conto com você no nosso próximo episódio. Até mais, tchau!

Consulte um especialista

Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.