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Eu tenho um cisto na cabeça. Isto é perigoso? Pode estourar?

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Eu tenho um cisto na cabeça. Isto é perigoso? Pode estourar?

Cistos intracranianos, especialmente os cistos aracnoides, são frequentemente identificados incidentalmente em exames de imagem como tomografia ou ressonância.

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Perguntas respondidas neste vídeo

Doutor, o meu filho tem um cisto na cabeça, ele pode estourar?

É isso aí, Marcelo. Esse assunto é um assunto extremamente importante E nós damos agora continuidade aqui ao nosso bate-papo em neurocirurgia pediátrica. E sim, são os cistos intracranianos, que hoje, Marcelo, com o advento das tomografias e de ressonância, hoje nós sabemos que em diversos lugares nós temos a possibilidade de realização desses exames.

Mas enfim, o que é o cisto intracraniano?

Em algumas situações, nós temos algumas membranas na nossa cabeça, nós temos o nosso cérebro, a primeira membrana de revestimento, entre a primeira membrana e a membrana mais rígida, que nós chamamos de duramater, existe um espaço, que é um espaço que nós chamamos de espaço subaracnoideu e que neste espaço há formação de algum tipo de represamento do líquor, que esse líquor é produzido 24 horas por dia, nós sabemos, no outro vídeo que você pode acompanhar, nós já explicamos sobre isso, ou seja, o líquor é produzido dentro das cavidades ventriculares e ele circula e depois ele precisa ser reabsorvido.

Você mesmo já deve ter recebido no seu consultório pais que vieram assustados com isso, não foi mesmo?

Com certeza. A questão do aumento da realização de exames de imagens, seja tomografia, seja ressonância, que faz parte do avanço da medicina, realmente a gente consegue identificar problemas muito mais precocemente do que no passado.

Como você muito bem explicou, a gente tem diferentes tipos de cisto, e a sua explicação é com relação principalmente ao cisto aracnoide, certo?

Então vamos aproveitar aqui, você que está nos ouvindo, se quiser deixar aí nos comentários para a gente fazer algum vídeo específico sobre algum outro tipo de cisto, cisto de pineal, cisto dermoide, neurocistoicercose, que também gera cistos, a gente pode vir a conversar mais sobre isso.

Quando que o cisto aracnoide preocupa?

Sim, é importante... Você bem lembrou, existem vários cistos, os mais frequentes que nós iremos comentar hoje no nosso vídeo são os cistos da região que nós chamamos de espaço beracnoideu ali, são os cistos do aracnoide mesmo.

Transcrição completa do vídeo

Olá, pessoal. Hoje nós vamos conversar um pouco sobre cistos na cabeça. Continuando nossa série aqui sobre neurocirurgia pediátrica, é uma dúvida muito frequente no consultório.

Doutor, o meu filho tem um cisto na cabeça, ele pode estourar? É isso aí, Marcelo. Esse assunto é um assunto extremamente importante E nós damos agora continuidade aqui ao nosso bate-papo em neurocirurgia pediátrica. E sim, são os cistos intracranianos, que hoje, Marcelo, com o advento das tomografias e de ressonância, hoje nós sabemos que em diversos lugares nós temos a possibilidade de realização desses exames.

Não é infrequente o paciente procurar o médico por um determinado sintoma e esse médico solicitar uma tomografia ou até mesmo uma ressonância e lá, quando nós olhamos o laudo do exame, vem escrito lá presença de um cisto intracraniano. E aí logo vem a pergunta. Puxa, os pais com a criança, muitas vezes com um sintoma, por exemplo, a criança teve uma dor de cabeça ou tem um atraso do rendimento escolar, enfim, qualquer sintoma que acabou levando aqueles pais a procurarem um determinado profissional que solicitou um exame e aí eles abrem o laudo, vão lá cisto intracraniano e dali, opa, vai pra internet.

E na internet nós vamos ter diversos assuntos que muitas vezes não tem nada a ver com aquele determinado cisto. Mas enfim, o que é o cisto intracraniano? Em algumas situações, nós temos algumas membranas na nossa cabeça, nós temos o nosso cérebro, a primeira membrana de revestimento, entre a primeira membrana e a membrana mais rígida, que nós chamamos de duramater, existe um espaço, que é um espaço que nós chamamos de espaço subaracnoideu e que neste espaço há formação de algum tipo de represamento do líquor, que esse líquor é produzido 24 horas por dia, nós sabemos, no outro vídeo que você pode acompanhar, nós já explicamos sobre isso, ou seja, o líquor é produzido dentro das cavidades ventriculares e ele circula e depois ele precisa ser reabsorvido. E justamente a reabsorção se dá no nível de umas estruturas, que nós chamamos de vilosidades da aracnoide.

Mas o mais importante é que esse espaço, o chamado espaço subaracnoideu, ele é todo emaranhado, por isso que vem esse termo aracnoideu, lembrando que isso é uma teia de aranha, e aí pode ocorrer alguns compartimentos e esse compartimento levará então o que nós chamamos de um cisto intracraniano e que na maioria das vezes esses cistos não necessitam de nenhum tipo de tratamento cirúrgico, então daí vem a preocupação dos pais em relação, quando identificam o diagnóstico, a dúvida se há ou não a necessidade da realização de um tratamento cirúrgico. Você mesmo já deve ter recebido no seu consultório pais que vieram assustados com isso, não foi mesmo? Com certeza. A questão do aumento da realização de exames de imagens, seja tomografia, seja ressonância, que faz parte do avanço da medicina, realmente a gente consegue identificar problemas muito mais precocemente do que no passado.

Mas gerou esse tipo de problema, do aparecimento de lesões assintomáticas, que não fazem parte do motivo pelo qual levou a criança a fazer aquele exame. Como você muito bem explicou, a gente tem diferentes tipos de cisto, e a sua explicação é com relação principalmente ao cisto aracnoide, certo? Então vamos aproveitar aqui, você que está nos ouvindo, se quiser deixar aí nos comentários para a gente fazer algum vídeo específico sobre algum outro tipo de cisto, cisto de pineal, cisto dermoide, neurocistoicercose, que também gera cistos, a gente pode vir a conversar mais sobre isso. Mas vamos falar um pouquinho mais do cisto aracnoide.

Quando que o cisto aracnoide preocupa? Sim, é importante... Você bem lembrou, existem vários cistos, os mais frequentes que nós iremos comentar hoje no nosso vídeo são os cistos da região que nós chamamos de espaço beracnoideu ali, são os cistos do aracnoide mesmo. A preocupação maior é quando nós identificamos, principalmente crianças com menos de dois anos, que apresentam um crescimento da cabeça progressivo, que foge daquela curva que nós temos normal do perímetro craniano, começa a ter uma fuga. Então um dos diagnósticos que podem ser são os cistos em crescimento, ou seja, aquele líquor está represado, mas além dele estar represado, ele está progredindo, ou seja, há uma falha de alguma forma em que esse líquido não é escoado, e aí esse cisto entra em progressão, e quando ele progride, ele vai necessariamente comprimir o cérebro, e aí vai levar na criança menor, ou seja, menor que dois anos, em que ainda nós temos o crescimento importante do perímetro craniano, uma desproporção da cabeça.

Por outro lado, Marcelo, nós temos também o aparecimento de cistos nessa região em pacientes, em crianças com idade acima de dois anos, e que podem aparecer com os mais diversos tipos de clínica, como, por exemplo, crise convulsiva, que não é tão comum a crise convulsiva relacionada ao cisto aracnoide, mas, como você mesmo também pontuou, a crise convulsiva acaba levando à realização de um exame radiológico, e o exame às vezes pode evidenciar um determinado cisto. E é óbvio que após a avaliação do especialista, nós saberemos ou não se aquele cisto precisa de uma conduta mais cirúrgica ou não. Um outro ponto importante é quando nós devemos, por exemplo, repetir o exame.

Então, em geral, a primeira consulta em que nós identificamos um cisto, se esse cisto é pequeno, ele não tem relação com a clínica que foi o motivo da origem da realização daquele exame, em geral nós repetimos normalmente uma ressonância, daí alguns meses, geralmente em torno de seis meses. Quando nós já identificamos um cisto importante e o paciente com sintomas evidentes, como, por exemplo, o aumento da cabeça, o aumento do perímetro craniano, ou o aparecimento de outros sinais, entre eles o mais importante para cistos progressivos é a presença de dor de cabeça. Então, a dor de cabeça persistente, ela indica que pode estar ocorrendo um aumento da pressão dentro da cabeça, levando à dor de cabeça, e isso é correlacionado com a expansão do cisto.

Nestes casos, geralmente o tratamento não vai ser um tratamento expectante, conservador, muitas vezes a necessidade de um tratamento cirúrgico. Porém, alguns pacientes apresentam ou chegam já com cistos grandes e quase sem sintomas. Por exemplo, a criança ou uma adolescente bateu a cabeça, e aí alguém resolveu pedir uma tomografia, e lá na tomografia a gente vê um cisto grande.

A criança tem 14, 15 anos. E aí, tem que operar? Esse cisto pode romper? Não, na maioria das vezes, esse cisto está já há muito tempo ali, e foi lentamente crescendo até atingir aquele tamanho. E aquilo entrou numa harmonia, num equilíbrio com as estruturas no interior do crânio.

Então, nestes casos, a primeira conduta geralmente é o acompanhamento. Uma outra situação importante é que, em algumas situações, que o paciente já tem um cisto grande em equilíbrio, ele pode vir a descompensar esse cisto depois de um traumatismo de crânio. Então, você pode ter as duas situações.

O trauma levar uma descompensação do cisto, e o trauma levar o diagnóstico de um cisto. Olha só que interessante. Reforçando um pouco, o cisto aracnoide que nos preocupa, é aquele cisto que está em progressão, que ele está causando sintoma, que ele está apertando o cérebro ao redor.

Então, esse é um dado que o neurocirurgião vê de uma forma muito clara no exame. E, muitas vezes, o paciente vem muito preocupado com o tamanho do cisto, mas não é aquilo que preocupa o neurocirurgião. Por conta disso.

Às vezes, o cérebro já está equilibrado, não existe uma compressão. O cérebro foi se desenvolvendo ao redor daquele cisto. E alguns pacientes ficam preocupados.

Poxa, mas eu vou ficar com esse cisto aí na minha cabeça? Não tem como tirar, porque o líquido que está dentro do cisto aracnoide é o líquido que está ao redor do cérebro, que protege o cérebro. Não dá para a gente tirar esse líquido. Se a gente tirar esse líquido, a gente vai causar um problema, porque vai ser preenchido de sangue.

Se for uma cirurgia desnecessária, uma tentativa de drenagem de um cisto que não tem indicação de cirurgia, existe risco alto de complicação. Então, vamos falar um pouquinho mais dos cistos com tratamento cirúrgico. Qual é a cirurgia para tratar o cisto aracnoide? É, Marcelo, você tocou em um assunto extremamente importante.

O primordial é separar bem aqueles pacientes que não precisam de cirurgia daqueles que sim há necessidade da indicação ou da realização de um tratamento cirúrgico. Porque aqueles pacientes que têm cistos pequenos, que não estão em progressão ou que a clínica nada tem a ver com o cisto, esses pacientes em primeiro momento devem ser observados, devem ter uma conduta conservadora. Obviamente, depois de uma avaliação de um especialista.

Para aqueles pacientes que apresentam progressão do cisto ou sintomas relacionados ao cisto aracnoide, como por exemplo, os cistos mais comuns são aqueles localizados na região temporal. Ou seja, logo aqui, próximo da região da nossa orelha. Logo acima dessa região aqui, à frente da orelha, são os cistos temporais.

Esses cistos, quando eles estão em progressão, há necessidade do tratamento cirúrgico. O tratamento cirúrgico para os cistos aracnoides, nós podemos separar em três tipos principais de cirurgias. A cirurgia que nós chamamos de microcirurgia, que corresponde à realização de uma pequena incisão, a abordagem direta do cisto, a colocação de um microscópio cirúrgico e a partir da ampliação da imagem que nós identificamos no microscópio, nós rompemos a parede desse cisto, comunicando então esse represamento de líquor com um espaço normal do nosso cérebro, permitindo assim que o líquido possa ter a circulação reestabelecida.

Então esse é um tipo de cirurgia. O outro tipo é quando nós utilizamos o neuroendoscópio. O que é o neuroendoscópio? O neuroendoscópio é um instrumento, é uma ferramenta que o neurocirurgião dispõe em que nós realizamos uma pequena perfuração no crânio, introduzimos então esse endoscópio que vai lá dentro do cisto e na verdade nós vamos realizar o mesmo padrão de cirurgia, ou seja, romper a parede do cisto e comunicar o cisto com as estruturas normais do crânio.

Contudo, o neuroendoscópio, ele depende do tipo e a localização do cisto, nós podemos identificar ou nós podemos indicar uma cirurgia chamada cirurgia aberta ou a cirurgia endoscópica. Essas duas cirurgias, elas conseguem tratar a grande maioria dos cistos. E será que tem espaço para a colocação de catéteres? Em geral, no cisto araquinoide, em primeira mão nós preferimos não indicar a colocação desses catéteres, mas em algumas situações isso é inevitável, acaba que o neurocirurgião acaba tendo que colocar esses catéteres, quando? Quando mesmo realizando essas aberturas, ainda assim não é possível reestabelecer a circulação dicórica.

Nesses casos, a indicação de colocação de um catétere dentro do cisto e esse catétere vai drenar esse excesso de líquido lá para a região do abdômen. Mas preferencialmente, a nossa escolha é para a cirurgia aberta e eventualmente a cirurgia endoscópica. Uma dúvida também que aparece no consultório é esses cistos araquinoides que têm indicação de cirurgia.

Muitas vezes os pais perguntam o momento da cirurgia, se eventualmente esse cisto pode sumir. Então às vezes vem a questão de repetir o exame para ver se ele sumiu. É possível o cisto sumir sem cirurgia? Na maioria das vezes, o que é importante para a gente não é necessariamente ele desaparecer.

Mas se for um cisto que permaneça estável, e felizmente a grande maioria dos cistos permanecem ao longo da vida estáveis, ou seja, eles não aumentam de tamanho. A regressão espontânea do cisto é possível, mas são casos esporádicos, relatados na literatura, e que na maioria das vezes não têm uma importância. Mais uma vez, para nós o importante é que esse cisto não tenha uma progressão.

Porque se ele não tiver progressão, não haverá o aparecimento de sintomas correlacionados com o aumento da pressão dentro da cabeça. Então é isso que é importante. Num primeiro momento, a identificação do cisto, tranquilizar os pais, porque como eu disse, na maioria das vezes são cistos pequenos, são cistos que não têm uma relação direta com o motivo da realização daquele exame, e repetir uma ressonância, daí algum tempo, geralmente seis meses.

E se esse cisto se mantiver exatamente igual, nós podemos repetir uma nova ressonância, daí um ano, e depois só se houver o aparecimento de sintomas, para aqueles casos em que há cistos pequenos. Para aqueles cistos maiores e progressivos, aí sim o tratamento geralmente será o tratamento cirúrgico. Quando a gente indica uma cirurgia para um cisto aracnoide, porque a gente enxerga que os benefícios desse tratamento superam muito os riscos da cirurgia.

Mas certamente existem riscos como qualquer outro procedimento. Ricardo, fala um pouquinho mais dos riscos do tratamento cirúrgico do cisto. Quando nós realizamos uma cirurgia na tentativa de comunicar o cisto com as estruturas normais do crânio, esse é o objetivo da cirurgia, é você realizar uma derivação interna, mas nós devemos lembrar o seguinte, dentro daquele cisto a pressão é muito alta, por isso que nós estamos indicando cirurgia, porque houve um crescimento exagerado e um aumento da pressão dentro do cisto.

Quando nós realizamos um tratamento em que nós abrimos uma janela para entrar nesse cisto e realizar a comunicação, nós modificamos toda a questão da pressão. Então, um dos principais problemas que nós podemos ter é justamente o escape de líquido pela cicatriz cirúrgica, que nós chamamos de fístula licórica. Por isso é importante a realização ampla dessa comunicação do cisto com as estruturas intracrânianas e, ao finalizar isso, é importante que o fechamento seja extremamente bem executado de modo a minimizar, a reduzir a chance desse escape de líquido.

Bom, então, voltando à pergunta inicial, o cisto cerebral pode estourar? É muito raro isso, né, Ricardo? Qual é a sua experiência com o estouro desses cistos? É isso aí. Embora os pais muitas vezes venham ao nosso consultório queixando se a criança tem o cisto e se aquele cisto pode romper, a chance da ruptura do cisto é extremamente pequena. Sim, pode ocorrer.

Em casos, por exemplo, em que existe um traumatismo crânio e cefálico, ou seja, a criança bate a cabeça, mas não é só uma batidinha do dia a dia. Geralmente, às vezes, é um trauma de crânio mais importante. E para cistos maiores, cistos pequenos, em geral, eles são benignos.

Eles não aumentam e permanecem a vida toda, não levando nenhum outro problema para o paciente. Bom, pessoal, esse foi o assunto de hoje. Espero que vocês tenham gostado.

E não deixe de nos acompanhar nas redes sociais, deixar aqui seu comentário, sua sugestão. E lembrando aqui o doutor Ricardo Santos Oliveira, neurocirurgião pediátrico, presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica, agora aqui com a gente no Instituto Amato. Então nós vamos ter bastante vídeos e ele também não está participando só do nosso canal, mas também aqui dos atendimentos no nosso instituto.

É isso aí, Marcelo. Nós estamos aqui lembrando que estamos à disposição para responder aos questionamentos através das nossas redes sociais. E também aqui na clínica, caso você tenha interesse de agendar uma consulta, entre em contato conosco.

Estamos aqui e até mais!

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