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Tratamento CIRÚRGICO de Hérnia de Disco: AmatoCast Ep 27

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Tratamento CIRÚRGICO de Hérnia de Disco: AmatoCast Ep 27

O episódio aborda o tratamento cirúrgico da hérnia de disco, esclarecendo conceitos fundamentais. O disco intervertebral, estrutura entre as vértebras, pode sof

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Perguntas respondidas neste vídeo

A nossa conversa é sempre muito esclarecedora, né?

A gente tira sempre as principais dúvidas. Então eu já vou direto para aquela nossa pergunta de abertura para entender de fato o que é hérnia de disco, doutor.

Bom, o disco intervertebral é uma estrutura cartilaginosa que se localiza entre os corpos vertebrais, né?

Então eu até trouxe umas coluninhas aqui para tentar mostrar. Então a gente tem aqui o corpo vertebral, dois corpos vertebrais.

E esse daqui é o disco, né?

Então nota que ele tem uma função aqui de absorver o impacto dos corpos vertebrais.

E ele tem uma estrutura mais dura, mais cartilaginosa que por fora, né?

Que pode ser considerada uma capa do disco, que a gente chama de ânulo fibroso.

Ele protrui ou então ele extrui a parte de dentro, o núcleo, ele sai para fora dessa capa e comprime alguma estrutura ali dentro do canal vertebral, né?

Então aqui nessa estrutura até é possível a gente simular uma hérnia de disco. Não sei se vai ter foco suficiente aqui, mas se eu apertar aqui a coluna, vamos ver se dá pra ver.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um Amatocast pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios, nós estivemos aqui com a doutora Juliana Amato, que é ginecologista, e conversou com a gente sobre tratamentos estéticos da região íntima e antes estivemos com o doutor Fernando Amato, que é cirurgião plástico, e conversamos sobre cirurgias de contorno corporal. Hoje nós estamos aqui com o doutor Marcelo Amato, que é neurocirurgião e nós vamos conversar sobre um tema bastante interessante, que é tudo o que envolve hérnia de disco.

Bem-vindo mais uma vez, doutor. Obrigado, Letícia. É um prazer estar aqui.

Espero contribuir aí com esse canal que está cada vez mais rico, né? Exatamente. A nossa conversa é sempre muito esclarecedora, né? A gente tira sempre as principais dúvidas. Então eu já vou direto para aquela nossa pergunta de abertura para entender de fato o que é hérnia de disco, doutor.

Quando que essa condição deve ser considerada algo preocupante para o paciente? Bom, o disco intervertebral é uma estrutura cartilaginosa que se localiza entre os corpos vertebrais, né? Então eu até trouxe umas coluninhas aqui para tentar mostrar. Então a gente tem aqui o corpo vertebral, dois corpos vertebrais. Tá legal aí, gente? Tá dando pra ver? E esse daqui é o disco, né? Então nota que ele tem uma função aqui de absorver o impacto dos corpos vertebrais.

E ele tem uma estrutura mais dura, mais cartilaginosa que por fora, né? Que pode ser considerada uma capa do disco, que a gente chama de ânulo fibroso. E dentro ele tem uma estrutura um pouco mais gelatinosa, com um pouco mais de água, né? Que a gente consegue ver, não sei se vai ser possível por transparência, né? Nessa vértebra aqui que é de vidro, né? Então a hérnia de disco é quando a gente tem uma doença, um desgaste dessa estrutura, né? E o disco ele abaula, né? Ele protrui ou então ele extrui a parte de dentro, o núcleo, ele sai para fora dessa capa e comprime alguma estrutura ali dentro do canal vertebral, né? Então aqui nessa estrutura até é possível a gente simular uma hérnia de disco. Não sei se vai ter foco suficiente aqui, mas se eu apertar aqui a coluna, vamos ver se dá pra ver.

Seria esse o impacto que causa a dor na pessoa? Exatamente, aí a gente tem a extrusão aqui de uma substância que comprime o nervo, né? Essa outra coluna aqui tem uma já mais fácil de mostrar, aqui em vermelhinho, né? Então nota aqui uma protrusão aqui comprimindo aqui a raiz neural. Então eu usei sinônimos aí, né? Abaulamento, protrusão, hérnia, extrusão, né? Na verdade é tudo, são fases diferentes da doença degenerativa discal. E é bem importante a gente esclarecer isso porque vendo, pesquisando sobre o assunto, eu vi que as pessoas têm uma dúvida.

Ah, todo mundo tem hérnia de disco ou hérnia de disco é a condição? É bom a gente esclarecer que na verdade o disco, pelo que eu entendi, todo mundo tem. A questão é quem tem essa doença é a hérnia de disco, não que todas as pessoas têm a hérnia de disco. Sim, com certeza, todo mundo tem disco intervertebral, né? Isso faz parte, né? E é verdade, às vezes as pessoas até contam assim.

Não, eu tenho duas e aí compete ali, né? Não, eu tenho três, né? Mas na verdade ter a hérnia de disco também não é sinônimo de doença, né? Então a pessoa pode ter uma hérnia ou teve uma hérnia, ela cicatrizou, teve um momento que teve dor na vida e o problema passou e a imagem, se fizer um exame de imagem, uma ressonância magnética, vai mostrar ali eventualmente um abaulamento, uma protrusão, né? Que pode ser considerado uma hérnia de disco, mas ela não tá, ela tá quietinha ali. Então não é uma doença, né? Então tem essa situação também. Quando a pessoa começa a sentir dor, doutor, normalmente já tem aquela preocupação, né? Quando envolve algo da coluna, se vai conseguir melhorar com o tempo, porque parece algo mais difícil de cicatrizar ali de forma natural.

Quando que realmente existe uma preocupação que a pessoa deve procurar um médico pra procurar um tratamento, seja ele clínico ou cirúrgico? Bom, a preocupação ela tem que vir se tá tendo sintoma, né? E se os sintomas estão impactando na qualidade de vida, né? Então aí a gente já deve tomar uma medida, seja um tratamento conservador, sejam outras alternativas, né? Até os tratamentos cirúrgicos hoje estão cada vez mais modernos e a gente consegue, assim, é muito raro um paciente com hérnia de disco ter um impacto tão grande assim na sua qualidade de vida. Na grande maioria das vezes os pacientes têm a presença de uma hérnia de disco é compatível com uma qualidade de vida normal, né? Então se tá impactando na qualidade de vida, a gente tem que se preocupar, tem que procurar um especialista pra tomar as medidas necessárias e ter uma vida normal. Uma vez a gente comentou aqui no outro episódio, né? Sobre até outro assunto, mas era importante a gente explicar por que a gente tá falando de hérnia de disco e por que a gente trouxe um especialista, no caso a sua especialidade, né? Que é neurocirurgião.

Normalmente essa condição pode afetar alguma questão cerebral? Por isso que existe esse tratamento relacionado à neurocirurgia? Não, a neurocirurgia ela trata do sistema nervoso, né? Então o sistema nervoso ele compreende o cérebro, a medula, as raízes neurais, né? Então nessa estrutura aqui a gente pode ver uma parte da medula, né? Que passa no meio da coluna vertebral e as raízes neurais. Então tudo isso é campo de atuação do neurocirurgião, tá? Então por isso a hérnia de disco não vai atingir o cérebro, tá? Então isso já tá num outro compartimento do nosso corpo, não tem esse risco. Mas por conta desse comprometimento das raízes neurais e da medula que fazem parte do sistema nervoso e estão dentro da coluna, né? É importante a gente esclarecer isso porque eu acredito que quando você sente, né? O paciente sente uma dor nas costas, costuma procurar ali um ortopedista, né? Acha que não consegue identificar realmente se é uma questão lombar, se é uma hérnia de disco.

Porque quem não é relacionado à área da saúde costuma procurar uma especialidade que parece mais próxima daquilo que tá sentindo, né? Então é importante a gente esclarecer quando existe essa necessidade de um neurocirurgião ser consultado para um tipo específico de tratamento. A gente já vai chegar lá, mas que é importante destacar isso, né, doutor? Com certeza, com certeza, né? Acho que hoje até por conta da facilidade da informação, né? A gente já recebe muitos pacientes que vêm diretamente a nós, né? Mas uma grande fonte de encaminhamento nosso é realmente o ortopedista, né? O ortopedista, reumatologistas, fisiatras ou médicos especialistas em dor, né? Outros clínicos que atendem pacientes com dor na coluna e encaminham para o neurocirurgião. Mas existe essa confusão, com certeza.

E quais são as causas dessa condição, doutor? A gente tá cada vez mais comum, inclusive, ver pacientes mais novos que falam que estão com esse problema da hérnia de disco, né? Então não é só a questão de idade, existe algo genético que pode influenciar? O que a gente pode levar como fator? A hérnia de disco, a causa, ela é multifatorial, né? Existe um componente genético, então a coluna que a gente herda dos nossos pais, né? Ela pode ter uma predisposição maior a sofrer um desgaste, uma hérnia ou outras doenças aí da coluna. Então o fator genético, ele é importante. Mas eu considero o principal fator a forma como a gente usa a coluna, né? Então se a coluna é utilizada de forma inadequada, pode ser que apareça um problema aí nessa articulação.

Assim como outras articulações do corpo, né? Se a gente tem uma sobrecarga no joelho por excesso de trabalho, de esporte, alguma coisa, o joelho vai sofrer e a coluna não é muito diferente. Então movimentos que a gente faça de forma inadequada vão machucando o disco. Agora, o disco é uma estrutura forte, ele aguenta o tranco, né? Não é um movimento errado que vai dar um problema.

Geralmente é uma sequência, são semanas, meses, anos aí de uso inadequado daquela articulação. O disco vai sofrendo até o momento que aparece o problema e que pode ser traduzido aí como por uma hérnia de disco, uma protrusão. Mas geralmente é mais devagar, né? Existem causas mais agudas de hérnia, no movimento brusco, no acidente de carro, por exemplo, isso pode acontecer.

Uma hérnia de disco estrusa aguda. Mas o mais comum é o que o paciente vem fazendo, né? O que a pessoa vem fazendo no dia a dia. Pela repetição mesmo daquilo.

Pela repetição, por isso que postura é uma coisa que a gente tá sempre martelando, né? Porque se a gente tem uma postura inadequada, aquelas articulações estão sofrendo de forma constante por muito tempo, né? Durante postura de trabalho ou postura para um exercício físico, né? Se é feito de forma inadequada uma vez, o disco ele aguenta. Mas fazendo aquilo continuamente por várias vezes, o disco vai sofrendo até o momento que pode aparecer a hérnia de disco. E alguns sinais de alerta podem fazer com que essa condição não apareça de fato? Então a pessoa começou a sentir uma dor, um incômodo e percebeu que está fazendo um movimento errado ou que está fazendo algum tipo de exercício que tem causado ali com constância isso, pode mudar aquele comportamento e fazer com que a hérnia não apareça de fato? Com certeza.

Então por isso que é o que a gente conversou aí no começo, né? Qualquer sintoma, qualquer incômodo que esteja interferindo, né? Que esteja prejudicando o paciente, vale a pena procurar ajuda. Porque se a gente consegue atuar ali no início do problema, a gente pode evitar situações mais graves. Então se a gente tem uma... o problema é apenas dor, né? Geralmente a gente está em um momento bom para atuar, porque a dor é um sinal de alerta do nosso corpo falando, opa, peraí, tem alguma coisa errada, vamos ver o que é. Quando a gente tem uma hérnia que já está comprimindo o nervo de uma forma mais grave, a gente vai ter algum comprometimento funcional, algum comprometimento neural, como perda de força, perda de sensibilidade no território daquele nervo.

E além da dor, né? E tem pacientes que são muito tolerantes à dor, e muitas vezes chegam pra gente não se queixando de dor, mas queixando porque o pé está fraco, o pé está adormente, né? E às vezes já é uma situação mais grave porque houve uma negligência, ou até mesmo porque aquela pessoa, o sistema de alerta, né? Não foi tão eficaz em mostrar o problema antes. Mas isso é menos frequente. Geralmente o paciente vem com dor antes, né? E a dor que preocupa é a dor na coluna, né? Principalmente com irradiação para o membro.

Então, se a gente está falando de uma hérnia de disco na coluna lombar, é uma dor na lombar que irradia para a perna. Na coluna cervical, uma dor na coluna cervical, no pescoço, que irradia para o braço. Ou uma dor muito intensa, né? Mesmo que seja só na coluna, mas uma dor muito intensa.

Ou uma dor que o paciente toma um remédio um dia, de repente está tendo que tomar todo dia ali, várias vezes na semana, medicamento. Também podem estar relacionados a um problema mais grave. E quando que essa doença, o problema, costuma aparecer, né? Mais homens, mulheres? Tem uma faixa etária também que a gente pode afirmar que costuma ser mais frequente? Como que isso aparece? É, os livros antigos mostravam entre 35 e 55 anos, uma faixa etária mais predisposta a esse problema, né? Mas hoje realmente a gente vê hérnias de disco em jovens, adolescentes às vezes, né? E certamente está relacionado a mudança de hábitos de vida, né? Mais sedentarismo, muito tempo sentado, né? E a ausência de atividade física.

Às vezes a atividade física é em excesso ou de forma errada, né? Então existe uma... A gente pode ver tanto em adolescentes quanto em idosos, né? No idoso geralmente a hérnia de disco está associada a outros problemas, né? Desgastes, artroses, né? Um pouco mais avançadas da coluna, mas também é possível o idoso ter uma hérnia de disco simples, né? Também é possível acontecer. Gestante, pessoa com sobrepeso, isso tudo tem relação também com forçar ali, né? A gestante é interessante, ela tem um fator protetor hormonal, né? E não é incomum a gente ver pacientes que têm dor na coluna e trabalham, fazem um tratamento conservador, de repente engravidam e a dor some, né? Então não é tão comum a gente ter hérnia de disco em gestante, mas acontece e é uma situação que limita muito a gente a questão de o que pode ser feito, né? Então medicamentos, mesmo procedimentos, né? Mas eu já tive que inclusive operar uma gestante por uma situação grave de hérnia de disco durante a gestação, mas é mais raro, tá? Geralmente a gestante tem um fator protetor. E a obesidade é interessante, né? Sim, a obesidade é muita carga a mais pra coluna, principalmente lombar, né? Vai forçar mais as articulações e essas articulações podem se desgastar e podem acabar evoluindo pra uma hérnia de disco.

Mas não é um tipo muito frequente no consultório, o obeso, né? Geralmente a gente vê muito paciente que perde peso muito rápido, eles acabam sofrendo mais. E até falam isso, poxa, eu tava 30 quilos acima, nunca tive problema na coluna, aí fiz uma dieta, emagreci 30 quilos e agora tô com problema. Então assim, se a pessoa tem uma musculatura, uma estrutura muscular forte que consiga sustentar o seu peso e uma boa postura, uma boa consciência corporal pro funcionamento da sua coluna lombar, a coluna, os discos aguentam esse sobrepeso da obesidade.

Mas se a pessoa tem uma musculatura incapaz, e é isso que acontece, né? Quando o obeso perde peso muito rápido, ele perde musculatura muito rápido também. E às vezes é aí que começa o problema. Mas sim, muitas vezes se a pessoa tem dor e tá com sobrepeso, a gente tem que trabalhar isso também porque é carga em cima da coluna.

É importante avaliar o conjunto, né? Então, do que a pessoa tá vivendo ali. E entre homens e mulheres é a mesma condição, né? Tanto homem como mulher, se tiver um hábito ruim, isso pode ser causado. Sim, sim, não tem nenhum tipo de diferença entre sexos.

Beleza. Agora a questão de tipos de hérnia de disco. São três principais, qual que é a diferença entre elas? Como que funciona isso? Eu fiz uma breve pesquisa aqui antes do nosso episódio, difícil explicar cada um, mas protusas, é isso? Restrusas e sequestradas.

Como que funciona? Sim, então existem terminologias diferentes que são usadas, né? Como a gente já pincelou um pouco sobre esse assunto. Mas o abaulamento, né? Seria um leve abaulamento do disco aqui, sem um ponto maior desse abaulamento, né? Ele não tá mais no centro, não tá mais de um lado, não tá mais do outro. É um abaulamento homogêneo ali.

Então, geralmente, é muito difícil a pessoa chegar ali aos 30, 40 anos e não ter nenhum disco com pequeno abaulamento, né? Então, é difícil dar sintoma, tá? Esse aba pode acontecer. Existe uma outra categoria aí de dor, que a gente chama de dor discogênica, que a pessoa não tem hérnia de disco, mas tem dor proveniente do disco. A gente pode conversar um pouquinho mais sobre isso também.

Mas seria o abaulamento, seria uma fase inicial, né? Estaria relacionado a uma fase inicial de desgaste desse disco. E aí, a gente tem as protrusões, que é um abaulamento, né? Um pouquinho maior do disco, da capa do disco, né? Dessa parte de fora, né? Que é o ânulo fibroso. Ele pode abaular um pouquinho mais pro lado direito ou esquerdo e aí começar a incomodar um pouquinho a estrutura neural.

Mas ainda não houve saída do núcleo pra fora dessa estrutura, né? Então, nesse caso, a gente chama de protrusão. E a extrusão, né? É quando a gente tem, sim, uma rachadura, né? Uma fissura nessa capa, no ânulo fibroso. E aí tem a saída do núcleo, né? De dentro lá do disco pra fora, comprimindo aqui as estruturas neurais, né? A questão de ser sequestrado já é uma classificação um pouquinho mais avançada, digamos assim, mais técnica.

Mas esse fragmento pode sair do disco e perder continuidade com o disco. E a gente fala que é um fragmento sequestrado. E ele pode, inclusive, migrar.

Ele pode migrar pra cima, pra baixo, né? E ficar um pouco distante do disco onde ele se originou. Mas aí são questões mais técnicas, né? A importância de citar esses três tipos, porque fazendo uma breve pesquisa na internet como eu citei, eu encontrei isso. Então, quem tá com a dor, normalmente encontra sites que explicam essas questões técnicas que muitas vezes não vai influenciar em nada, né? Na melhora ali da pessoa.

Até porque a gente lê isso e parece que não entende nada. E mesmo entre elas, assim, às vezes a pessoa fala, não, a minha hernia é estrusa, ou a minha hernia é protrusa. Como se isso tivesse uma classificação de gravidade.

Mas esse ponto é muito interessante, né? Da gente esclarecer, porque não tem, né? A hernia estrusa, né? Que parece que ela tá na categoria como o pior, né? Mas por ser um fragmento mole, né? E a gente também chama de hernia de disco mole. Muitas vezes ele absorve sozinho, né? E já é sabido que 80% das hernias de disco melhoram com tratamento clínico, sem necessidade de intervenção nenhuma. E essas hernias estrusas, né? Tem gente que coloca até na internet, a minha hernia sumiu.

E aí tem um fragmento gigante ali dentro da coluna. E aí, sei lá, seis meses, um ano depois, a mesma ressonância mostra que o fragmento sumiu. As hernias estrusas, né? Estrusas, elas têm essa capacidade, como é um tecido mais mole, o corpo ele pode absorver e praticamente sumir.

As hernias protrusas, né? Já elas são um pouquinho mais crônicas, geralmente. Porque a gente tem um abaulamento dessa estrutura que é mais dura, que é o ânulo fibroso. Então, geralmente elas têm a característica de ir crescendo aos poucos, né? Se a pessoa não tá cuidando, vai machucando o disco, aquela região vai, inflama e aí cicatriza, inflama, cicatriza.

E essa protrusão, ela vai aumentando, né? Pode calcificar, por isso a gente chama também de hernias de disco duras, né? Então, e aí elas podem se tornar grave. Mas a gravidade da hernia de disco não vem pela definição delas. Se é estrusa, se é protrusa, se é abaulamento, se é migrado, se é sequestrada, não vem.

Ela vem pelo quanto ela tá causando sintoma. Então, se ela estiver comprimindo a estrutura neural, dando dor incapacitante, dando perda de força, perda de sensibilidade, aí sim é quando a hernia, ela se torna grave. Ou então uma condição que gere alguma deformidade, alguma instabilidade da coluna, que também pode acontecer, também seria um sinal de gravidade.

Então, tá muito mais relacionado à clínica do que à denominação. Então, aquela disputa dos pacientes, não, eu tenho três, eu tenho duas, a minha é protrusa, a minha é estrusa, isso não faz muito sentido, né? Faz se tiver tendo compressão neural, principalmente. Porque eu imagino que seja comum o paciente chegar já com um diagnóstico que ele mesmo fez e ele que tá te mostrando, né? Ele já tá querendo explicar o que ele tem e pedir o tratamento que ele quer também, que ele pesquisou na internet, que é o mais recomendado pra aquele tipo de condição, né? Doutor, e como que funciona o diagnóstico, essa confirmação, até mesmo que a pessoa precisa realmente de uma cirurgia? Você citou que 80% dos casos são tratados de forma clínica, né? Então, quando que, como primeiro, como que a pessoa consegue ter essa confirmação que realmente, porque às vezes sente aquela dor procurando na internet que a gente citou e acha que tem.

Como que é feita essa confirmação e quando há a confirmação de necessidade de cirurgia? Perfeito. Bom, a confirmação vem inicialmente pelos sinais de alerta, né? Se a gente tem um comprometimento neural, esses sintomas, né? Perda de força ou perda de sensibilidade. Geralmente, o paciente percebe isso como o pé, né? Se for a hérnia lombar, né? Ele vai perceber o pé fraco ou a perna fraca ou a perna dormente ou formigando, né? Ou uma dor tipo choque, né? Que irradia ali pra perna, pro pé.

Esses são sinais que mostram que ele precisa de uma avaliação de um especialista, né? Então, aí o neurocirurgião ele faz uma avaliação clínica, identifica no seu exame físico, né? Nesses casos, o exame físico ele é muito importante pra gente definir se tem de fato um comprometimento neural e qual a gravidade desse comprometimento neural. Às vezes o paciente tá percebendo que o pé tá fraco, né? Mas quanto tá fraco, né? Ele tá pléstico, o pé não mexe, né? É uma situação. Não, tá esquisito, tá diferente do outro lado, né? Então, assim, não é uma perda de força tão grande, né? Então, a gente consegue clinicamente ter essa noção de gravidade do comprometimento neural, né? E a confirmação vem, lógico, com os exames de imagem, né? Hoje a ressonância magnética, ela é perfeita, ela mostra muitos detalhes pra gente tanto da hérnia, o tipo de hérnia, como que essa hérnia tá, né? Como que tá o nervo lá dentro da coluna, o quanto que ele tá comprometido, né? Isso a gente consegue ver pela ressonância magnética.

Algumas situações a gente fica na dúvida, né? E a gente utiliza outros exames, né? A eletroneuromiografia é um teste, é um exame funcional, feito por um neurologista ou um neurofisiologista, que consegue determinar pra gente o quanto que esse nervo está comprometido, né? Então, com isso a gente consegue, né? Geralmente são poucos exames que a gente precisa, a gente consegue fechar o diagnóstico e, eventualmente, indicar ou não uma cirurgia, tá? E aí, se a dor, ela tá melhorando, né? E a perda de função neural é muito leve, e a gente nota que também já está melhorando, né? Geralmente é um paciente que vai responder bem ao tratamento conservador, né? Se a gente está preocupado com a perda de função neuronal, ela está piorando, ou ela é muito grave, né? A compressão é muito grande no exame, né? A gente usa diferentes parâmetros para, então, indicar uma cirurgia, tá? Responde todas as dúvidas que me servem. A dúvida, inclusive, em questão de cirurgia, porque quando as pessoas têm esse diagnóstico, né? Ou é recomendada a cirurgia, existe um medo muito grande para quem não é da área da saúde, já fala em cirurgia de hélice de disco, já todo mundo fica em alerta, porque, inclusive, parece até, não sei se é um mito, né? Mas que, sabe, é algo enraizado, assim, que a mãe fala e que a tia fala, que todo mundo da família comenta, que cirurgia na coluna costuma ser algo perigoso, né? Arriscado. Existe esse risco mesmo? Qual que é o grau de perigo para isso? Sim, lógico, é uma região muito delicada, né? Então, um acidente, né? Numa cirurgia, né? Se o cirurgião corta o nervo ali, o nervo para de funcionar, né? Então, a gente mexe perto de estruturas muito delicadas.

E no passado, realmente, existiam casos trágicos, né? E são pacientes que, muitas vezes, estão aí ainda, né? Vivendo com algumas limitações por conta do que aconteceu na cirurgia, né? Então, essa preocupação era totalmente compreensível. Mas, realmente, houve um avanço muito grande na segurança da cirurgia da coluna, né? Então, as cirurgias de hérnia de disco, elas são feitas hoje com a técnica endoscópica, né? Então, a gente entra com uma câmera lá dentro da coluna, né? E a gente tem uma visão magnificada, perfeita, né? 4K, num telão gigante, ali a gente consegue ver detalhes que antigamente, nas cirurgias abertas, não eram vistos, né? Então, hoje a gente consegue uma segurança muito maior para o tratamento dessas doenças, que são feitas, inclusive, de modo ambulatorial, né? Uma cirurgia de hérnia de disco simples costuma durar menos de uma hora, é feita num sistema de hospital dia, né? E o paciente vai embora 2, 3 horas depois da cirurgia, né? Vai andando pra casa, já com uma reabilitação muito acelerada, né? Porque é muito diferente, né? Antigamente eram cortes grandes na coluna, tinha que afastar a musculatura, essa musculatura depois, pra cicatrizar, demorava muito tempo, causava dor, né? E hoje, o corte pra introdução do endoscópio ele é em torno de 7, 8 milímetros, né? Então, é como se fosse uma caneta, né? Que é colocada e a fibra muscular é dilucionada e a gente consegue colocar a câmera e os instrumentais lá dentro e mexer só onde precisa, né? Então, a recuperação no pós, ela é muito mais rápida, né? Mas ainda é uma cirurgia delicada, né? Que precisa ser feita por quem tem experiência pra não causar nenhum déficit adicional. E eu, o alerta que eu faço nessa situação é que, lógico, os pacientes tem que ter essa preocupação, né? Tem que vir conversar, ter segurança em fazer o procedimento, mas eu tenho uma preocupação muito grande nos pacientes que têm esse receio e estão perdendo função neural, né? Porque aí a minha preocupação, essa preocupação no paciente ela fica infundada, né? Porque é muito mais grave numa situação dessa o paciente não operar do que ele operar, né? Então, se a gente tem uma perda de função motora, por exemplo, né? E o tempo vai passando, a partir de um certo momento a cirurgia não vai mais trazer recuperação dessa função.

E o paciente pode ficar com uma sequela, né? Com uma perda de força definitiva porque demorou pra fazer a cirurgia, né? Quanto mais tempo o paciente leva pra fazer essa cirurgia mais arriscada também, o resultado mais difícil de alcançar o objetivo ali do médico? Ou isso acaba sendo indiferente a mais na questão do limite que a pessoa tá aguentando ali, né? É, a situação ela muda, lógico, de paciente pra paciente, né? Então, se tiver perda de função motora, né? Tem trabalhos que mostram que se, dependendo do grau, tá? Se for uma perda total, a cirurgia ela precisa ser feita em alguns dias, né? Se for uma perda de força parcial, que está melhorando o paciente até pode observar um pouco mais. Agora, uma perda de força parcial que não tá melhorando se ela passar ali um mês de perda de força a recuperação, mesmo com a cirurgia, vai ser muito difícil. Então, isso a gente tá falando de força, né? Quando a gente fala, por exemplo, de dor, a dor ela pode se cronificar e, eventualmente, nunca mais ter uma melhora total.

Diferente do paciente que faz uma cirurgia mais precoce, né? Se é um paciente que faz uma cirurgia, ele tá com uma dor incapacitante duas semanas, não aguento mais, vamos operar, fez a cirurgia. Esses pacientes, geralmente, eles saem da cirurgia sem dor, já com o problema resolvido. Pode chegar um momento que a pessoa tá tão avançada ali no problema que a condição melhora com a cirurgia, mas que não resolve.

Que não resolve totalmente. Esse é o ponto da pessoa se tentar ir o mais rápido possível pra ver como que vai ser feito esse tratamento. Em questão de tipos de cirurgias, tem alguns que estão disponíveis.

Isso é a questão da nova tecnologia, que até você citou que é algo que traz essa segurança maior pro médico. Uma vez, a gente já comentou aqui em outros episódios também, até com outros especialistas que vieram, que muitos médicos, quando algo novo surge no mercado, como uma nova tecnologia pra cirurgia, deixa de lado as outras opções justamente pra trazer essa segurança tanto pro paciente como pro próprio profissional. Como que é pra você isso? Tem várias opções.

É um tipo de tratamento cirúrgico que você opera? Como que funciona? Não, a gente tem que fazer o que o paciente precisa, né? Então, é bem interessante essa sua pergunta, porque existe uma preocupação, até entre os especialistas e também entre os pacientes, de um médico que faça só um tipo de cirurgia. E aí, aquele médico pode tentar encaixar todos os problemas numa cirurgia só. Então, essa estratégia não é interessante.

O cirurgião precisa estar habilitado e ter conhecimento de todas as técnicas existentes pro tratamento da doença que ele se propõe tratar. Então, hoje, falei um pouco mais ainda da cirurgia por vídeo, da endoscopia de coluna, porque é a técnica hoje mais moderna que nos traz a possibilidade de tratar diversos tipos de hernias de disco de uma forma eficaz e muito segura. Que é a mais comum? É uma técnica nova, né? Ela tá aqui no Brasil há pouco mais de 10 anos, né? Então, não sei se eu posso dizer que é mais comum, porque existem muitos cirurgiões que não estão capacitados a realizar a endoscopia e que ainda realizam técnicas alternativas e que também são muito bem sucedidas, né? Com algumas diferenças aí das técnicas, mas que funcionam.

Existem, mas existe além da endoscopia, né? Existem outras formas de a gente tratar hernia de disco. Por exemplo, né? Existe a artrodese da coluna, que é uma cirurgia que a gente faz com a colocação de parafusos, né? E no local do disco, a gente coloca um dispositivo aqui, né? Que é um cage, né? É um calço que vai entre uma vértebra e outra. Essa é uma técnica, né? Que já foi muito realizada, mesmo pra hernia de disco, né? Mas que ela seria hoje considerada pra hernia de disco a última opção, né? Porque é uma cirurgia que trava o segmento da coluna.

Esse segmento, ele tá travado. Então, ele não vai mais dar problema. Aqui não vai mais ter hernia, esse disco não vai mais desgastar, porque ele tá travado.

Só que ele acaba sobrecarregando os níveis adjacentes. Então, eu posso ter uma hernia no futuro no nível de cima ou no nível de baixo, porque são segmentos que estão sobrecarregados, já que eu tive que estabilizar um segmento, né? Mas às vezes a gente precisa usar. Se essa hernia estiver associada a alguma instabilidade ou se foi uma recidiva, um segmento que já teve três recidivas de hernia, né? Tem uma situação que a gente fala, agora não adianta mais fazer endoscopia.

A gente tem que partir pra uma alternativa um pouquinho mais agressiva, digamos assim, né? Que hoje a gente também faz essa cirurgia de forma minimamente invasiva, com parafusos percutâneos que são colocados sem precisar divulgionar muita musculatura. Então, é uma técnica que avançou muito também, mas que a gente não tem necessidade de usar de rotina pra hernia de disco. Existem também as infiltrações e os bloqueios que são feitos, né? E eu queria até alertar um pouquinho sobre esse procedimento.

Ele é muito interessante pra ajudar no controle de dor, tá? Então, se o paciente tem uma hernia de disco e tá causando dor, não pode, não tá no momento de operar, mas as medicações não estão ajudando, né? Ou tá precisando tomar uma medicação muito forte e tá tendo efeito colateral por conta disso, as infiltrações e os bloqueios são uma boa alternativa. Mas eu tenho uma preocupação quando existe um comprometimento neural. Então, se a gente tem o nervo, ele tá muito comprimido, tá? Tá causando alguma disfunção neural, a dor que tá vindo dali é um alerta pro problema.

Eu vou lá e faço um procedimento que eu vou tirar o alerta, igual a casa tá pegando fogo, eu vou lá e desligo o alarme de incêndio, né? Então, lógico, a infiltração e bloqueio pode ser usado, né? A gente usa em diferentes situações, mas se tem um comprometimento neural, tem que ter muita cautela e geralmente a gente não indica. Aí a cirurgia é a opção melhor, né? E existe um outro procedimento que é a artroplastia, né? Que é o disco artificial, que também tá aí disponível pra todo mundo pesquisar, então vale a pena a gente comentar um pouco. O disco artificial já é uma situação que a gente mantém a funcionalidade do segmento, não precisa colocar parafuso, a gente precisa tirar o disco que tá com defeito aqui e coloca uma prótese móvel, né? Então isso já é conhecido em outras articulações, prótese de quadril, prótese de joelho, na coluna também tem prótese móvel, né? Que permite a função daquele segmento, né? Também não é uma cirurgia que é indicada de forma inicial, geralmente são pacientes que já passaram por bloqueios, eventualmente uma endoscopia, um vídeo e continuam tendo problema, né? E é um bom candidato a artroplastia, né? Ele pode, é uma opção que existe também hoje pra resolver esse problema.

Quando você diz que o paciente voltou a ter o problema, né? Imagino que isso seja uma dúvida também bastante comum, porque quando a pessoa se submete a uma cirurgia, ela pensa que aquilo vai ser algo pra vida, né? Eterno, não vai precisar passar de novo pelaquela mesma situação. Então algumas cirurgias as pessoas podem voltar a sentir a dor, como que isso funciona? Costuma acontecer isso ou não? Tem um prazo pra ver se a pessoa vai parar de sentir a dor? Um prazo que isso costuma voltar a aparecer? Como que funciona, doutor? É, perfeito. Essa pergunta é muito boa, né? Porque a hernia de disco é um problema, como a gente vem falando aqui, multifatorial.

Ele tem esse cunho degenerativo, né? Então assim, as células que se degeneram, que se desgastam, elas não vão voltar a ser células normais e a cirurgia não tem esse poder, né? De ir lá e colocar um disco novo, natural. A cirurgia não faz isso. A cirurgia, ela tira a compressão do nervo, ela tira a causa da dor.

Ela pode tirar outras causas da dor, né? Como eu falei, às vezes o disco, por si só, ele pode doer. E a cirurgia ajuda nisso também, né? Mas o disco, ele vai continuar com aquele nível de desgaste, né? E eventualmente até um pouco maior, porque a cirurgia em si, por menos agressiva que seja, ela é uma agressão ali pra estrutura, né? Então, a cirurgia geralmente é a primeira fase pra melhora total do paciente, né? Pra tirar aquela dor inicial. Eu costumo dizer pro paciente que a minha função é devolver o paciente pra condições de fazer exercício físico.

Que eu acredito que a atividade física, a educação postural, isso sim é um tratamento a médio e longo prazo pro problema da hérnia de disco ou pra doença degenerativa da coluna. Então, o paciente fez a cirurgia, vai ter uma fase ali de cicatrização, que geralmente demora de duas a seis semanas. O disco, ele vai cicatrizar e aí o paciente, ele precisa começar a fazer coisas que vão melhorar a saúde da coluna.

Tentar identificar o que causou aquela hérnia inicialmente, foi postura, foi exercício mal realizado ou falta de exercício, né? E aí vai precisar começar um trabalho pra não acontecer novamente. Se esse trabalho não for feito, a chance de acontecer em alguém que já teve é muito maior do que em alguém que não teve. Então, o problema pode vir no mesmo disco, o pessoal pode ter uma hérnia de disco, uma recidiva de hérnia que a gente chama, e pode ter problemas em outros discos também.

A recidiva de hérnia, ela não é tão comum, gira em torno de 5% a 10% dos casos operados, e nem todos esses casos precisam, quando a hérnia é recidiva, nem todos precisam de uma nova cirurgia. Como eu disse, 80% das hérnias melhoram com tratamento clínico. Então, se o paciente tem uma recidiva da hérnia, ele volta pra essa estatística aí de novo.

Provavelmente ele vai melhorar com tratamento clínico, então não necessariamente ele vai precisar de outra cirurgia. Mas o paciente precisa ter essa consciência de procurar as causas, o que causou nele aquela doença, pra correr atrás e conseguir evitar um problema maior depois. E um outro dado que eu queria falar também, às vezes a dor na coluna pode ser um problema mais complexo, e não tá envolvida só com uma estrutura, uma hérnia de disco, por exemplo.

Podem ter outros fatores, principalmente quando é uma dor crônica. E entre esses fatores estão aí outras disfunções, de outras articulações, um comprometimento muscular, então contraturas musculares, pacientes que às vezes têm hábitos de exercício errado, com encurtamentos musculares, ou então associado à depressão. Pacientes muito depressivos ou muito ansiosos, eles têm uma chance de evoluir pra dor crônica maior, e às vezes aparece uma hérnia também, que piora a situação, tá causando dor, mas aí o paciente opera a hérnia e não melhora totalmente, porque ele ainda tá com depressão, ainda tá com ansiedade, então ele precisa de um tratamento multidisciplinar pra resolver essas outras questões que estão no entorno da hérnia de disco.

E a cirurgia da hérnia também, tem paciente que é muito preocupado, geralmente esse perfil mais ansioso, é muito preocupado com a estética do disco, então ele vem até na consulta e, ó, não, mas aqui a minha protrusão tá aqui e tal, e a cirurgia vai melhorar essa protrusão? Você olha, a cirurgia vai descomprimir o nervo, mas essa protrusão não necessariamente ela vai sair. Então, às vezes o paciente busca isso, ele quer que o disco volte ao normal, isso, nenhuma cirurgia é capaz de fazer isso, a cirurgia ela é capaz de melhorar a dor, trazer um alívio pro paciente depois fazer a sua parte ali e ter uma boa qualidade de vida. Teve a protrusão, aquilo não tem como retornar, ou existe a possibilidade daquilo ficar mais normal dentro do estético ali? Então, essa não é uma preocupação que a gente tem, porque se o paciente ele tem a protrusão, mas ele não tem dor, não tem comprometimento funcional por conta daquela protrusão, ele não precisa nem de cirurgia, mas às vezes acontece isso, o paciente tem uma protrusão, tem uma hernia, tem uma compressão, ele resolve a compressão na cirurgia, mas aí ele faz uma ressonância depois por algum motivo, mas minha protrusão tá aí ainda, a cirurgia não foi feita, mas a sua compressão sumiu, e até é interessante, tem um trabalho que mostra que ressonâncias pós-operatórias, elas feitas de forma muito rápida no pós-operatório, elas mostram protrusões ou massas ali na região operada em mais de 80% dos casos operados, né? Então, isso diminui depois de três meses, se essa ressonância é feita depois de três meses, isso cai pra 30% ou 40%, mas assim, de pacientes assintomáticos, os pacientes que fizeram a cirurgia resolveram, não tem mais sintomas, mas depois de meses, ele repete a ressonância, a protrusão tá lá, né? Ah, não tem mais aquele volume todo, o nervo tá solto, né? Mas tem uma protrusão, né? E os pacientes às vezes ficam, né? Me perguntam na internet, então, eu fiz alguma cirurgia, minha hernia tá aí ainda.

O importante não é a estética, não é uma cirurgia plástica do disco, é uma cirurgia pra resolver um problema funcional, pra descomprimir um nervo, pra melhorar, ajudar a melhorar a dor, né? Parte dessa melhora da dor não vem da cirurgia de forma isolada. Vem pelo que o paciente vai fazer depois. Essa era a minha próxima pergunta, se a melhora da dor depois que a pessoa sai da cirurgia já é algo imediato, né? Porque eu já tive caso próximo a mim de pessoa que tava com uma crise de hernia de disco e eu sei, consegui perceber que é algo que muito incomoda a pessoa, né? Que é algo desesperador mesmo, por exemplo, que chega a pessoa aí pro pronto-socorro, né? Quando tá em crise, enfim.

E isso, então, com o tempo, né? Que a pessoa tem essa melhora e não é algo imediato ali da dor. Isso é uma outra parte da dúvida, é se a pessoa tá nessa crise de chegar aí pro pronto-socorro, por exemplo, que não tá conseguindo ficar em pé, né? Com a dor, não tá conseguindo fazer nenhum tipo de movimento mesmo que simples. A cirurgia pode ser feita nesse caso ou existe um tratamento prévio pra depois a pessoa passar pela cirurgia? Quando tá crítico dessa forma, já consegue realizar o procedimento? Com relação a sua primeira pergunta, o paciente, ele pode, sim, ter um alívio imediato da dor e quanto mais rápido ele fizer a cirurgia, mais rápido vai ser o alívio da dor.

Então, pacientes que são operados de forma precoce costumam acordar da cirurgia sem dor nenhuma. E é uma cirurgia, pro médico, ela é muito gratificante, né? Porque o paciente chega desesperado aqui e acorda zerado. Tira com a mão aquela casa conhecida.

Tira com a mão, é o que eles falam, né? Então, a questão do especialista tá justamente em definir qual que é esse paciente que vai se beneficiar de fazer a cirurgia e qual que é aquele que vai se beneficiar de aguardar um pouco mais, né? Em geral, existe um prazo que medicina não é matemática, né? Mas é um prazo de seis semanas, né? Então, se o paciente está melhorando nessas seis semanas e consegue suportar a dor com medicamentos, vale a pena a gente esperar e aguardar um pouquinho pra ver se vai resolver. Porque como eu falei, por menos agressiva que seja a cirurgia, ela é uma agressão, a estrutura. Então, se o corpo consegue cicatrizar e reparar sozinho aqueles tecidos, tem vantagem de eu não precisar mexer, né? Mas a gente tem essa preocupação, eu não posso deixar o nervo sofrer, né? E aí, outra coisa interessante, né? É que a forma mais rápida de se ver livre da dor é com cirurgia.

Não tenho dúvida nenhuma. O nervo está apertado, eu solto o nervo, a dor melhora. É mecânico o problema.

Existe um componente inflamatório, mas existe um componente mecânico mesmo e isso só melhora com a cirurgia. Então, eu sei disso. Quando o paciente chega com dor aqui pra mim, que se eu fizer a cirurgia e a dor começou há pouco tempo, ele vai melhorar na hora.

Então, eu preciso pesar essa questão, entendeu? Vou esperar um pouco mais. Geralmente, eu acompanho muito de perto esses pacientes, né? E aí, a gente vai vendo dia após dia como é que está. A gente tenta uma medicação diferente.

Se não tiver comprometimento funcional, tenta um bloqueio pra ver se a dor melhor. Não deu certo, aí a gente indica a cirurgia. E esses pacientes que vão pro pronto-socorro, muitas vezes eles vão com uma dor incapacitante e medicamento na veia e tal.

Nada melhora. Geralmente, a gente até interna e faz a cirurgia no mesmo momento. Não tem problema de ser feito dessa forma.

Quando já está naquele momento crítico, né? Que a gente fala. Exatamente. Aquela dor desesperadora que chega sem conseguir fazer nenhum tipo de movimento e precisa urgente ali, né? Do atendimento.

Em questão de reabilitação, né? Não é nem reabilitação a palavra, recuperação. Reabilitação já é um segundo passo ali, né? A recuperação a gente já citou de forma breve, mas queria entender um pouquinho mais como que funciona. Quando é naquela cirurgia por vídeo, por exemplo, a pessoa já sai no mesmo dia? Sai no mesmo dia.

Já consegue retomar ali? Claro, né? Não 100% as atividades. Como que é esse processo? Então, esse tempo de cicatrização, né? Baseado em alguns trabalhos aí. E não é muito preciso, né? Como eu disse, não é matemático.

Mas ele varia. A cicatrização do disco, ela ocorre entre duas e seis semanas. Então, eu sei que nesse período, se eu tiver uma sobrecarga nesse disco, eu posso ter uma recidiva da hérnia, né? Eu posso ter alguma dor, né? E às vezes, todo aquele período gratificante ali do paciente estar super satisfeito com a cirurgia acaba se frustrando um pouco, né? O paciente e o médico.

Então, por menos invasiva que seja a cirurgia, eu gosto que o paciente respeite ali um prazo de repouso, tá? Então, geralmente uma semana, eu peço pra ficar em casa pra realmente evitar esforço, não abaixar pra pegar peso. Não ficar muito tempo sentado nessa posição 90 graus, porque a carga do nosso corpo tá toda em cima ali da coluna. Isso no caso da coluna lombar, né? Cervical é um pouquinho diferente.

Então, eu peço pra não ficar muito em cima ali da coluna. Tempo de uma refeição, trabalhar um pouquinho no computador, mas colocar um alarme ali, 30, 40 minutinhos, mudar de posição. Porque nessa posição sentado ou movimentos de flexão, a pressão na frente do disco, ela é maior.

E aí, fazendo uma pressão na frente do disco, eu posso forçar a protrusão ali, né? A região que foi operada, eventualmente um pouco do núcleo do disco que ainda está viável, ainda está sadio, ele pode sair por aquela região do disco que ficou aberta, né? Então, eu preciso esperar essa região do disco cicatrizar. E aí, assim, duas semanas, né? Se eu fizer um corte na pele com duas semanas, ele já está bem cicatrizado. Mas se eu pegar a pele e ficar mexendo assim, ele vai abrir.

Então, é mais ou menos isso que está acontecendo lá dentro, que a gente não tem como ficar olhando toda hora. Então, a gente, de duas a seis semanas, eu costumo pedir pro paciente fazer uma reabilitação inicial com a fisioterapia, né? E já algumas atividades da sua rotina, já pode voltar. Alguma caminhada na academia, exercício, por exemplo, se for cirurgia na lombar, fazer exercício pra braço na academia, não vejo problema, né? E retorno ao trabalho, lógico que depende do trabalho.

Se for um trabalhador braçal, a gente vai ter que segurar um pouco mais. Mas se for trabalho no consultório, escritório, enfim, geralmente com uma semana após cirurgia, já consegue retomar. Vai de caso a caso, né? Vai de caso a caso, eu gosto de individualizar bem, porque varia de acordo com a rotina do paciente e também o que a gente encontrou na cirurgia.

Nesse caso, não há necessidade de internação, pelo menos, né? Igual aqui na Amato Clínica Hospital Dia. Então, a pessoa faz algumas horas ali e já consegue retornar. Exatamente, não tem necessidade de internação.

A grande maioria das hérnias de disco, a gente faz nesse sistema de cirurgia ambulatorial. E a anestesia é sempre geral ou pode ser local também? Como que funciona? Algumas pessoas têm medo da cirurgia por conta da anestesia, né? Ótima pergunta, né? Existe, depende do local da hérnia. Eu tenho preferência por fazer a cirurgia com anestesia local.

E aí a gente faz uma sedação leve, mas a gente vai conversando com o paciente durante a cirurgia, né? Pra se tiver algum incômodo, alguma coisa, a gente consegue ajudar. E a cirurgia, ela costuma transcorrer muito bem, né? Mas algumas hérnias em outros locais, a gente prefere fazer com anestesia geral por conta da delicadeza do local, né? Então a gente tá trabalhando ali muito próximo de estruturas neurais, de nervos, às vezes da medula, né? Então o movimento do paciente durante a cirurgia pode acabar comprometendo o resultado. Então nessa situação a gente prefere anestesia geral.

Mas algumas dá sim pra fazer com sedação leve e anestesia local. Perfeito, a gente já acredita aqui que a gente tá encaminhando pro fim. Quando a pessoa começa a chegar nesse estágio, né? De ser necessário uma cirurgia, né? Ou de já estar marcado, por exemplo, com o médico, ou de já estar pensando na possibilidade.

Quando tá nessas crises, tem opções pra melhorar aquela situação como, por exemplo, os analgésicos, né? Que a gente citou ainda no começo. E eu tinha separado três fatores aqui pra citar como um conjunto até como de prevenção mesmo, né? Que é o controlador, a reabilitação física e a modificação corporal. Então eu acho importante a gente citar isso.

Quando já tá, como eu disse, né? Tá nessa situação de fazer uma cirurgia pra conseguir chegar até esse momento e uma avaliação ali com o médico pra conseguir passar por esse processo de uma maneira eficaz. E também a questão da consciência corporal, até pra quem não tem esse problema e não quer chegar a ter. Ou pra quem já tem e quer melhorar, não precisar de uma cirurgia, por exemplo.

Sim, essa questão da consciência corporal é muito interessante, né? Às vezes o paciente que passa por um tempo com dor, ele já entende muitos movimentos que ele não pode fazer que a dor vai piorar. Então no caso da coluna lombar, por exemplo, você vê o paciente levantando da cama de lado, na hora de agachar pra pegar alguma coisa, ele agacha com a coluna estabilizada. E é um momento de aprendizado do paciente que é importante também.

Porque às vezes o paciente que opera muito rápido, ele tá com a dor, dois dias tá operando, aí acabou a dor, ele não passou por esse período de aprendizado, de aprendizagem, né? E aí às vezes no pós-operatório ele acaba fazendo algum movimento errado que pode piorar de novo a situação. Diferente do paciente que fez todo esse preparo antes, né? Por conta do tratamento conservador que foi tentado antes, ele já tem isso bem consolidado e ele se protege melhor. Às vezes o que eu faço no pós-operatório pra ajudar nisso é usar uma cinta lombar por uma, duas semanas, pro paciente lembrar às vezes que fez a cirurgia.

Porque a cirurgia realmente ela pode eliminar totalmente o problema da dor daquele momento, né? E o paciente esquece que fez. De repente tá movimentando normal. Já tive paciente que foi jogar vôlei com uma semana.

Já operei neurocirurgião que com uma semana tava operando normal. Então assim, às vezes esquece. Então aí nessa situação eu peço pra usar essa cinta lombar pro paciente ajudar nessa consciência corporal, né? Do que que pode, do que que não pode fazer com a coluna naquele momento.

Que é importante essa etapa depois da cirurgia, né? Que é justamente pra não voltar naquela mesma situação que a gente disse, ter que operar de novo ou de voltar a sentir a dor. E não ser aquele caso de reincidiva, né? Que a gente citou. Exatamente.

É isso aí. Em questão de até, acho que é importante a gente citar só pra finalizar agora rapidamente antes que a equipe mate aqui. Mas em questão de idoso, né? É apto pra cirurgia também? Idoso ou criança? Imagino que seja mais raro acontecer em criança, né? Porque não tem um desgaste ali pela idade mesmo.

Mas é uma possibilidade também fazer a cirurgia pra essas duas funções? Com certeza, né? E nesses casos, né? A técnica por vídeo, né? A cirurgia endoscópica, ela trouxe um benefício muito grande. Tanto pra operar uma criança, que às vezes é necessário. O idoso, né? A gente já operou aqui paciente de 94, 95 anos, né? Porque ela é muito pouco invasiva, né? Não tem risco de sangramento.

Então, a agressão pro sistema, pro corpo do paciente é muito pequena. Então, isso permite que a gente faça cirurgia em diferentes faixas etárias, diferentes condições de saúde. Às vezes pacientes que não tem condições de saúde boa, coração, pulmão, tem outras doenças, eles se beneficiam muito nessa cirurgia por não precisar fazer corte grande, perda de sangue, né? E até mesmo, né? A cirurgia no obeso, né? O paciente obeso que tem hernia de disco, a cirurgia aberta, ela é muito difícil, né? Porque o corte precisa ser maior, a quantidade de tecido que a gente precisa de funcionar é maior, os instrumentos, eles às vezes... Então, assim, uma cirurgia no obeso, ela acaba aberta, ela acaba sendo mais agressiva, né? E justamente a pessoa que precisa de uma musculatura boa acaba sofrendo mais com uma cirurgia aberta.

Isso não acontece na endoscopia. A cirurgia por vídeo, no obeso, o corte é o mesmo tamanho, é tudo igual, porque os instrumentos eles conseguem atravessar todo o tecido adiposo para chegar na coluna. Então, a cirurgia por vídeo hoje, né? Esse avanço trouxe essas facilidades para esses diferentes tipos de pacientes.

Perfeito. Era importante esse esclarecimento justamente para a gente chegar naquele mesmo ponto que é o nosso objetivo aqui, que é esclarecer e trazer confiança para o paciente ou para alguém que tem algum caso próximo na família de que se realmente é a indicação da cirurgia para sentir que realmente aquilo está bem sustentado, que aquelas dúvidas foram esclarecidas, né? Para a pessoa não ficar pensando que aquela necessidade que parece algo tão ruim de se fazer que acaba piorando a outra condição que foi o que a gente disse, né? Sim. Então, o medo da cirurgia acaba levando a uma complicação realmente grave, né, doutor? É isso aí.

Perfeito. Muito obrigada pela sua participação aqui mais uma vez, doutor. Foi um prazer.

Eu que agradeço. Como sempre, eu vou pedir para vocês comentarem as dúvidas aqui, sugestões, para a gente trazer novamente o doutor Marcelo aqui no Amatocast. Então, se deixou algum assunto que vocês pensaram que seria legal comentar aqui com ele ou alguma dúvida até em relação a esse assunto, manda aqui para a gente que nas redes sociais também ele está sempre acompanhando e a gente pode trazer aqui novamente.

Muito obrigada pela sua participação e companhia aqui conosco e aguardo a sua companhia e participação também no próximo episódio. Até mais. Tchau.

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