O processo de cicatrização ideal resulta em uma cicatriz linear, quase imperceptível, sem dor, coceira, vermelhidão ou edema. Cicatrizes problemáticas podem ser
Bom, a cicatriz saudável é aquela que não é mais próxima de uma pele normal. Então, existem várias características da cicatrização que ela é ruim. Por exemplo, se a cicatriz estiver alta, a gente chama de uma cicatriz hipertrófica.
Porque a gente sabe que, no momento que a pessoa passa por uma cirurgia 1, até uma lesão que precisou fazer qualquer tipo de...
Até não foi para o hospital, fez alguma questão de...
Isso. Tem essa preocupação no começo, porque fica feio ali a situação para ficar mais simples das pessoas entenderem, e a pessoa está sempre olhando ali, será que está melhorando, será que... ou passou pela cirurgia nesse processo.
Tive um problema com a cicatriz, preciso procurar um médico, voltar no médico, porque não está legal. Bom, realmente a cicatrização, ela tem que ser conduzida. Não adianta deixar acontecer sem nenhum cuidado.
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. No último episódio nós estivemos aqui com o Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular, para falar um pouquinho sobre lipedema, o que envolve essa doença, quais os tipos de tratamento, então quem perdeu pode conferir e antes disso também nós estivemos aqui com o Dr. Marcelo Amato, neurocirurgião que falou um pouquinho sobre os problemas relacionados à coluna. Hoje nós estamos aqui mais uma vez com o Dr. Fernando Amato, cirurgião plástico, dessa vez para falar sobre tudo que envolve o processo de cicatrização do corpo humano. Mais uma vez, bem-vindo, Dr. Boa noite, muito obrigado. É um excelente tema, aliás, para todos os médicos, para todo cirurgião, ele tem que saber sobre a cicatrização, então é um tema muito bom, muito importante ser abordado. Vamos lá então, doutor. A questão de cicatrização a gente sabe que acaba sendo inevitável, essa pessoa sofreu uma lesão ou passou por algum tipo de cirurgia, em cirurgia que envolve o corte em si. O que é considerado uma cicatrização, ok, uma cicatrização dentro do esperado, uma cicatrização saudável, se é que a gente pode dizer assim? Bom, a cicatriz saudável é aquela que não é mais próxima de uma pele normal. Então, existem várias características da cicatrização que ela é ruim. Por exemplo, se a cicatriz estiver alta, a gente chama de uma cicatriz hipertrófica. Se ela estiver alta e invadindo os tecidos ao redor, esse já é o keloid. Muitas pessoas se confundem o que é cicatriz hipertrófica ou keloid. Tem muitas pacientes que chegam e falam, doutor, eu tenho keloid. Vai lá e mostra uma cicatriz hipertrófica. Então, a cicatriz hipertrófica é aquela que é mais alta, o keloid, aquela que invade os tecidos ao seu redor. Mas não é só isso que a cicatriz pode apresentar. Ela pode apresentar um editeima, uma vermelhidão, uma hiperemia local, que são os vasos que estão no processo de cicatrização e pode até gerar dor e prurido, é coceira. Então, a cicatriz pode ter até sintomas de dor e de coceira. E a gente tem que valorizar isso no paciente. São sintomas ruins para uma cicatrização. Então, uma cicatrização boa também não gera dor nem coceira. Ela geralmente é linear, quase imperceptível. Além disso, a cicatrização ruim, como tem essas hipertróficas, que elas são maiores, exacerbadas, tem as atróficas, que são aquelas afundadas. A gente vê muito cicatriz atrófica, por exemplo, na cicatriz diaquinéa, que é aqueles furinhos no rosto, acaba afundando um pouquinho. E ela é o extremo oposto do keloid e da hipertrófica. Além disso, a cicatriz pode ter uma contratura, uma formação de uma abertura, e quando ela limita, a movimentação. Então, às vezes, o paciente tem uma rala, uma região queima, uma região de dobra, e tem aquela cicatrização de uma ferida por segunda intenção. E a gente disse que uma cicatriz é por segunda intenção, é quando ela não foi coaptada as bordas, as bordas não se juntaram, e aí, nesse processo de cicatrização, ela vai contraindo e fecha. E pode ter uma cicatriz causando uma contratura e até mesmo limitação do movimento. Então, cicatrizes em regiões de articulação, de juntas, podem causar essa limitação de movimento. E às vezes, a gente precisa fazer uma cirurgia para liberar essa cicatriz e redirecionar a cicatriz. A gente chama isso, tem um nome, que é **z邑 plastia**, que a gente faz uma transposição da pele, e essa transposição dá uma... reposiciona a pele de uma forma que ganha tecido naquela região que está faltando, e reposiciona as linhas de tensão. E aí, esse reposicionamento pode favorecer o processo de cicatrização e tira aquela contratura, aquela brilha. E a questão de até... você citou, quando está mais... começa a coçar... Quando que acaba se tornando uma questão de alerta? Porque a gente sabe que, no momento que a pessoa passa por uma cirurgia 1, até uma lesão que precisou fazer qualquer tipo de... como é que se diz? Até não foi para o hospital, fez alguma questão de... primeiro socorros ali mesmo? Isso. Tem essa preocupação no começo, porque fica feio ali a situação para ficar mais simples das pessoas entenderem, e a pessoa está sempre olhando ali, será que está melhorando, será que... ou passou pela cirurgia nesse processo. Quando que se torna um sinal de alerta que as pessoas precisam? Tive um problema com a cicatriz, preciso procurar um médico, voltar no médico, porque não está legal. Bom, realmente a cicatrização, ela tem que ser conduzida. Não adianta deixar acontecer sem nenhum cuidado. Então, o acompanhamento médico seria o ideal. O médico está participando de um processo de cicatrização, ou mesmo uma equipe multidisciplinar. Não necessariamente o médico, mas uma equipe de enfermagem bem treinada, pode ajudar a identificar uma cicatrização ruim. Mas, geralmente, em torno de três meses, a cicatriz já terminou essa maturação. Então, ela vai ter... tem divisões de cicatrização, por exemplo, de fase inflamatória, proliferativa e reparadora. Mas também tem outras classificações, até fase de coagulação, fase de inflamação, fase proliferativa e reparação e remodelação. Então, a classificação não é o que importa. Na verdade, e essas fases não são fases que acontecem. Ela terminou essa fase, então eu estou na outra. Na verdade, elas vão se intercalando, caminhando juntas e vai depender de toda uma cascata de coagulação. Então, se teve um trauma, o coagulação serve para, por exemplo, os vasos que estão sangrando pararem de sangrar. É uma fase que tem migração de tecidos de defesa, células de defesa, neutrófilos, macrófagos. Então, eles vão migrar para aquela região que teve um trauma, para poder defender o corpo, aquela região. O que eu preciso fazer? Por isso que tem secreção, tem liberação de citocina. Citocina são pequenas substâncias que vão conduzir esse processo de cicatrização. Então, vai ter uma produção de colágeno nessa fase, o colágeno que é produzido, existem vários tipos de colágeno. Mas, na cicatrização, começa pelo colágeno tipo 3. E, só lá na frente, que ele começa a ter uma substituição por colágeno tipo 1, mas ele só começa a ter mais colágeno tipo 1 depois na fase de remodelação. Então, o tempo, por exemplo, com três semanas, a tensão de uma cicatriz que tenha sido bem conduzida, está em torno de 20 a 30% de uma perinormal. Já depois, com seis semanas, vai estar em torno de 40, 60% de uma tensão de uma perinormal. E, só depois de três meses, vai estar em torno de 60, 80%. Nunca vai atingir uma cicatriz, vai atingir a mesma força de tensão de uma perinormal. Eu falo força de tensão porque, se você chegar numa cicatriz que está com 10 dias e fizer força em cima, você abre os pontos, porque não deu tempo de cicatrizar. Então, esses processos de cicatrização devem ser bem conduzidos. E essa condução depende diante da cirurgia, já ter uma pele com bom preparo, ver as doenças que o paciente tem. Às vezes, o paciente tem diabetes, tem pressão alta, tem alguma doença do colágeno, tem algum antecedente de uma cicatriz ruim, tem os pacientes que já tem. Já teve outra cirurgia. Foi bem a cicatriz? Tem gente que já falou que a cicatriz é super bem. Eu tenho aqui um keloide, que geralmente não é keloide, é uma hipertrófica, mas o médico precisa examinar o paciente antes para saber o histórico de cicatriz desse paciente, para poder conduzir essa cicatriz. Cigarro, o paciente tem que suspender antes. Não adianta chegar e suspender no dia da cirurgia. Tem que ser pelo menos 10 dias. Na verdade, deveria ter muito tempo antes de suspender o cigarro. O cigarro causa uma isquemia local, então ele prejudica a cicatrização. Ele tem que ficar sem fumar no pós-operatório. O paciente que vai tomar sol, teve uma paciente que quase suspendia a cirurgia, porque eu via ela com 10 dias da cirurgia, estava ótima, estava preparada para a cirurgia. Ela foi tomar sol e chegou descascando na cirurgia, com a pele toda ressecada. Isso piora muito a cicatrização. O preparo da pele, se a pele é ressecada e ruim para a cicatriz, vamos hidratar a pele, vamos passar um hidratante. Às vezes, podemos até manipular um hidratante melhor para aquela pele, para o pós-operatório dela e até mesmo para na cirurgia plástica, a gente faz para evitar a estria quando vai aumentar, fazer um aumento de mama. Então, tem como você preparar a pele não só para a cicatriz, mas no contexto geral. E no pós-operatório, a gente não pode deixar úmido a cicatriz. Então, você vai deixar um curativo, aquele curativo ficar úmido, entra água, do banho ou mesmo sai secreção dele e suja. Então, o risco de aumentar a infecção. Então, a gente tem que cuidar desde o começo, ter a orientação do curativo estar seco. Então, a gente pode orientar o paciente, deixar o curativo seco. A gente pode orientar o paciente a lavar a ferida, como lavar a ferida, que produto pode passar na ferida, que produto não pode passar na ferida. Depois, evitar o sol. Então, evitar o sol é fundamental. A cicatrização normal vai durar pelo menos três meses, vai estar em torno de três meses, então, não é um tempo de exposição solar. E não quer dizer que seja todo, seja um três meses, pode durar seis meses, um ano. Então, liberar para o sol também é importante, uma avaliação médica. Olha, essa cicatriz já está madura. Tomar o sol já não tem problema. Mas, o sol em si já é prejudicial para uma cicatrização. Então, e para o envelhecimento da pele. Então, a gente tem que evitar o sol, usar protetor solar, independente de uma cicatrização boa ou não. Como são várias etapas que essa, como você disse, são três meses para a cicatriz já estar começando a realmente se recuperar, quase chegando perto ali do 100%, durante esses três meses, o que não é considerado normal, acho que fica mais fácil de a pessoa conseguir identificar. Então, a dor já foi um ponto que a gente falou. Então, em nenhuma dessas etapas, a dor é considerada algo normal ali da cicatriz? Dor não é normal. Então, acho que para todas as doenças, se alguém sentir dor, ela precisa ser avaliada, e a dor é individual. Cada paciente vai sentir uma dor diferente do outro, independente da, e isso é do indivíduo. Então, às vezes, você tem alguém que é mais sensível para a dor e sente dor por qualquer coisa, tem gente que não sente nada e está normal. É claro que teve um trauma local, pode ter alguma sensibilidade alterada naquele lugar, e só que a dor, no início, ela pode estar associada à infecção e pode estar associada a uma inflamação. Uma inflamação prolongada vai causar uma cicatrização ruim. Uma infecção vai causar, além de todos os riscos da infecção, ali pode causar uma inflamação prolongada e uma cicatrização ruim. Pode causar abertura dos pontos. Abrir o ponto vai causar uma cicatrização por segunda intenção. Ou seja, vai ser um processo cicatricial demorado e isso é um dos fatores de risco para a formação de uma cicatriz hipertrófica ou um keloide. Então, a dor tem que ser sempre avaliada no paciente. O médico tem que respeitar esse sintoma e, infelizmente, não é algo que se avalie tão bem por teleconsulta. Então, às vezes, as pessoas podem conversar pelo telefone. Muitas vezes, o exame físico, você vê, você sente porque tem calor. Às vezes, o calor local, a vermelhão, a saída de secreção, que cora a saída de secreção, o cheiro da secreção. Então, tudo isso faz parte de um contexto de infecção. Então, não só a dor. Então, a gente precisa examinar o paciente e aí se identificar. Então, acho que a dor seria o primeiro sintoma de uma cicatrização ruim. A coceira, por um aspecto, ela pode estar associada a uma cicatrização ruim. Muitas vezes, é comum porque a pele está ressecada, é sensibilidade. Então, ela está sentindo uma coceirinha. Uma coceirinha é aceitável numa cicatrização, mas a gente precisa olhar para ver se a pele não está ressecada, se não está formando uma cicatriz hipertrófica, se aquela cicatrização está tendo uma boa condução. Então, a dor seria o principal. A coceira é algo importante. A altura, se a cicatriz começa a ficar mais alta, se ela está ficando vermelha, se ela está ficando escura, se ela está ficando mais clara. Então, tudo isso fala a favor de uma cicatrização, alguma alteração na cicatrização que precisa de uma atenção. Agora, a pessoa que, por exemplo, fuma, que a gente já citou, que é algo que vai dificultar esse processo de cicatrização, é algo relacionado unicamente a essa pessoa, um hábito de vida, que prejudica esse processo. Tem fatores genéticos também que podem influenciar nessa questão da cicatrização. Olha, minha mãe tem um problema muito ruim de cicatrização, já tem um histórico que não passou por um bom processo nessa questão, necessariamente eu também não vou ter um bom processo. Com certeza. A cicatrização tem um fator muito grande genético, principalmente étnico. Então, tem algumas etnias que têm maior propensão à formação de keloides. Então, a gente vê, e outra, o keloide também tem uma interpretação cultural. Então, a gente vê, por exemplo, em tribos africanas, o keloide sendo tratado como algo tribal, mas de forma como uma tatuagem. Então, eles escarificam partes do corpo para formar alterações locais que tem um significado. Então, é fácil encontrar isso na internet, que você vê que eles escarificam a pele em vários lugares para fazer como se fosse uma tatuagem, fazer desenhos, fazer texturas no corpo com a cicatriz. Então, também a cicatriz, se ela não estiver causando dor ou coceira, pode trazer algo confortável. Eu não acho que seja confortável uma cicatriz, mas ela tem essa connotação tribal de grupo, de sociedade. Então, nas tribos africanas, tem mais tribos africanas. Descendentes africanos têm mais propensão, descendentes asiáticos, também a formação de keloide. Mas não quer dizer que a pessoa vá ter, porque eles são outros fatores. E quando a gente fala em genética, a gente não sela o diagnóstico ou algo que vai acontecer com uma pessoa. A gente fala que tem mais chances de acordo com os fatores ambientais. E quais são os fatores ambientais para uma cicatrização ruim? Quais são os fatores ambientais? A infecção, a inflamação, cicatrização por segunda intenção. E quando a gente fala que segunda intenção é que não teve essa coaptação das bordas, então a escarificação da pele, então causa uma ferida que demora o fechamento. Uma descência, ou seja, o paciente formou uma coleção de líquido, vazou por um orifício, por uma parte mais frágil da cicatriz e ficou aberto um ponto. Naquele local, tem mais chances de formar um kelóide, uma cicatriz hipertrófica, porque ele fica aberto mais tempo, ele fica inflamado, pode até ter uma infecção local ou mesmo só por conta da colonização causa uma maior inflamação e ele forma uma cicatrização ruim. Além disso, necrose de pele, tem uma necrose de pele. Fatores como o cigarro, que faz mal, ele pode influenciar negativamente para uma cicatrização. A alimentação, então pacientes subnutridos, o paciente para ter uma boa cicatrização, tem trabalhos mostrando que precisa ter um aporte bom de proteínas, principalmente arginina, glutamina, vitamina C, zinco. Então, tem todo um fator ambiental de alimentação, também importante, exposição solar, hidratação da pele, localização da cicatriz, até mesmo por conta das forças de tensão. Essas forças de tensão, quando eu falo, ele foi descrita no século 19 por um anatomista chamado Karl Langer. Esse anatomista desenhou onde ficam as dobras no corpo. Então, o melhor sentido para fazer a cicatriz. Então, quando a gente segue esse melhor sentido, você consegue colocar o melhor posicionamento da cicatriz. A cicatriz, às vezes, fica quase imperceptível quando você coloca nessa disposição, porque ela confunde como se fosse uma dobra do corpo. Então, escolher o melhor lugar para uma cicatriz. A técnica utilizada, por exemplo, em um abdômenoplastia, a gente tira muita pele e deixa puxando. Então, essa força de puxar pode ser um fator negativo para uma cicatrização. A quantidade de pontos, como cirurgião plástico, a gente tem que saber escolher bem onde colocar a cicatriz para ficar imperceptível e tem que fazer várias camadas de pontos para tirar atenção naquela localização e conduzir melhor a cicatrização. Então, realmente, são vários fatores, não somente genéticos, familiar. Que influencia, mas não é a única questão. Essa questão da cirurgia de forma específica, abdômenoplastia, mamoplastia, era o próximo tema que eu queria abordar. Quando a pessoa escolhe uma cirurgia estética, que a gente pode usar como exemplo, abdômenoplastia, mamoplastia, que não necessariamente vai ser estética, a gente já comentou em outros episódios, mas muitas vezes o tipo de cirurgia ele é escolhido baseado na questão da cicatriz. Então, como que funciona isso? E na questão da, de forma, acredito, que tem muitas particularidades de cada uma delas, mas o que a gente pode citar de forma geral, tanto da abdômenoplastia como da cirurgia mamária? Então, o maior desafio do cirurgião plástico é esconder suas cicatrizes, porque também não existe cirurgia sem cicatrizes. Aliás, as cicatrizes contam história, elas contam experiências boas, muitas vezes ruins, eu vou fugir um pouquinho, mas eu estava vendo minha sobrinha, ela estava cantando uma música que era assim, mas vale um joelho ralado do que um coração partido. E eu fiquei pensando nisso, falei assim, poxa, é algo interessante, porque a gente, as cicatrizes vão contar histórias, experiências boas, ruins, e de certa forma ela faz parte da vida, então a gente vai acumular na vida, a gente vai acabar acumulando cicatrizes, acumulando histórias. Na cirurgia plástica, a gente tenta esconder essas cicatrizes, e por quê? E onde a gente vai colocar uma cicatriz? Onde tem dobra, onde tem uma transição de tecido para outro? Por exemplo, na pálpebra a gente coloca numa área que fica quase na linha da dobra, na orelha a gente tenta colocar atrás da orelha, numa ritida o plastia a gente coloca contornando o cabelo e fazendo contorno da orelha, ou às vezes a gente coloca dentro do coro cabeludo, a gente tenta fazer cirurgias por vídeo, para tentar minimizar essas cicatrizes. Na mama, a gente tenta, como é um cone, a gente tenta fazer circular narela, ou no suco mamário, onde a paciente não consegue ver, ou onde ela não mostra, como na plástica redoutora, que tem aquela cicatriz em T, ou mesmo até uma cicatriz em L, elas ficam onde a paciente não vê e onde ela não mostra, porque senão vai todo mundo saber que a pessoa fez uma cicatriz, fez uma cirurgia na mama. No abdômen, tem uma cirurgia que é a abdômen ou plástica em âncora. Por que ela é em âncora? Porque realmente ela é um formato de âncora, vertical e horizontal. Para corrigir um paciente que fez cirurgia bariátrica, perdeu mais de 60 quilos, é uma abordagem muito boa, porque a gente consegue corrigir tanto horizontal como verticalmente. Só que não é uma cirurgia mais tão aceita, pelo menos as minhas pacientes que eu tenho no consultório, não querem mais essa cirurgia, porque vão ficar com uma cicatriz no meio. Porque hoje se faz a cirurgia bariátrica por vídeo, então às vezes a gente não quer, ela está fazendo uma cirurgia para tirar pele, para poder ir para a praia e depois ela fica com corte no meio e vai todo mundo saber que ela fez a cirurgia. Então elas querem que a gente faça a cirurgia abdômenoplastia clássica, aquela horizontal que a mulher consegue esconder no biquíni, na calcinha. Às vezes a gente precisa fazer ela circunferencial, ou seja, 360 graus, mas mesmo assim a gente puxa para baixo. Acaba não tratando tanto essa questão vertical, mas a gente puxa ela para baixo. Então tem suas vantagens e desvantagens e os cortes. Tem existido abdômenoplastia reversa, que a gente leva a cicatriz para o sulco da mama, a gente puxa para cima. Então o cirurgião plástico tem esse desafio, esconder cicatrizes e fazer cicatrizes imperceptíveis. Então faz parte do tratamento do cirurgião plástico cuidar dessas cicatrizes. A gente precisa cuidar, a gente precisa saber evitar, a gente precisa saber prevenir e orientar para os pacientes para ter um melhor resultado estético. A questão até de tecnologia, de avanço, que a gente acompanha também relacionado a cirurgia. A gente até fez um episódio aqui, falando sobre as novas tecnologias relacionadas às cirurgias plásticas. Elas são ligadas diretamente a essa questão de reduzir a questão da cicatriz também. Sim, as tecnologias, por exemplo, na liposutura, elas querem chegar ao ponto de evitar uma cirurgia, uma abdominoplastia para ter retração de pele. Mas ainda não existe tecnologia tão eficiente que substitua, por exemplo, uma abdominoplastia. Isso é uma limitação. Mas, por exemplo, para a mama, hoje é possível colocar uma prótise de silicone e ter cicatrizes de 2,5 ou 3 centímetros para colocar uma prótise. Antigamente, o que eu deixava uma cicatriz de pelo menos 5 centímetros. Reduzir pela metade a cicatriz. É possível colocar também pela axila. E colocar pela axila também a cicatriz fica bem mais reduzida. Existem várias técnicas. E esse é o desafio do cirurgião. Isso que estimula um cirurgião plástico é poder inovar de forma que você melhore os resultados e melhore a qualidade de vida dos pacientes. Isso é importante. Mas também a gente tem tecnologias para tratar as cicatrizes. Por exemplo, muitas pessoas falam assim, eu fiz um laser para tratar a cicatriz. Ah, vem fazer um laser. Vai fazer um laser. Por favor, não é uma tecnologia. O laser fala de várias tecnologias que tem um único comprimento de onda. É um comprimento de onda que trata, cada comprimento de onda vai ter uma afinidade para um tecido diferente. E de acordo com a potência, a energia que for entregue e o tempo de exposição, ele vai conseguir tratar os tecidos de forma diferente. Então, quando a gente fala em laser para a cicatriz, a gente tem inúmeros tipos de laser que podem tratar a cicatriz e cada um vai agir de uma forma diferente. E é excelente para o tratamento da cicatriz. Então, tem laser que ele vai atingir o vaso, que está mais vascularizado. Tem laser que vai fazer colunas para estimular o colágeno. Então, tem uns que vão deixar mais a textura, vai melhorar a textura. Tem alguns que vão melhorar a elasticidade, a pigmentação, aquelas cicatrizes mais escuras, aquelas mais avermelhadas. Então, geralmente, o laser vai tratar... cada tipo de laser vai ter um alvo diferente. Então, a gente não pode tratar... A gente não pode falar que o laser é uma tecnologia só que vai tratar a cicatriz. São várias tecnologias, muitas, na verdade, hoje a gente tem uma infinidade de laser disponível que vai conseguir cada um de uma forma diferente trabalhar a cicatriz. Além disso, a gente tem, por exemplo, a radiofrequência. O Morpheus, que a gente já falou em outro episódio, são microagulhas que eles vão tendo radiofrequências em várias profundidades e também pode ser utilizada para a cicatriz. A microagulhamento. O microagulhamento também pode ser utilizado na cicatriz para melhorar a cicatriz, inclusive com entrega de medicamentos, drug delivery, que também pode ser feito em alguns tipos de laser. Então, é possível. E quando a gente fala de tecnologia, muitas vezes não é a tecnologia, o equipamento. A gente fala de tecnologia no tratamento, no desenvolvimento de medicações, de substâncias que podem realizar aquele tratamento. Por exemplo, eu trouxe isso aqui. Isso aqui é uma placa de silicone. Eu acho que é um dos tratamentos que a gente tem para mais eficazes, para um tratamento de cicatriz. E bem antigo. O silicone, em si, para tratar uma cicatriz, não é uma cicatriz. Ele pode ser feito tanto de forma preventiva. Então, a pessoa está muito preocupada com a cicatrização e quer conduzir. Então, depois que tirou os pontos, não tem nenhuma casquinha, não tem nada ali, fechou tudo, é possível usar o silicone. A gente vai precisar só levantar um pouquinho a mão. O silicone aqui, pode colocar aqui. O silicone pode ser usado para deixar. O que ele faz? O que é uma placa? Uma fita de silicone faz? Ela deixa a cicatriz mais hidratada. E essa hidratação favorece uma melhor condução da cicatrização, além de ter um efeito compressivo local e diminuição de tensão. Então, ele tem outras funções, mas basicamente são essas. É manter a cicatriz hidratada. Então, a hidratação é uma das coisas mais importantes, tanto no pré-operatório da pele, para preparar o da pele como no pós-operatório. Então, passar um hidratante ideal para a cicatriz também é uma alternativa. A placa de silicone pode ser usada preventivamente, ou como tratamento do keloid. Então, ela faz parte do tratamento do keloid e cicatrizes hipertróficas. Isso até seria a questão da membrana regeneradora, que eu pesquisando sobre esse tema, eu vi que tem algumas técnicas que podem até reduzir a dor. Qual é a sua opinião em relação a isso, da utilização desses suportes? Agora, na verdade, a gente tem várias tecnologias para feridas. Então, a gente tem até célula, impressora 3D, pele por impressora 3D. Então, a tecnologia vai indo. Então, você tem uma fita de tecido acelular que você coloca e tem uma integração com o tecido. Então, quando a gente vai tratar de ferida, a gente tem muitas tecn ógias, por exemplo, colágeno que a gente pode colocar, colágeno bovino, tem um que é um tecido do intestino, de ovinos. Então, tem várias tecnologias para tratamento de feridas. E, realmente, você pode tirar dor, você pode diminuir a infecção, você direciona o processo de cicatrização numa ferida. Já numa cicatriz, não faz muito sentido. Quando a gente vai tratar de uma cicatriz, a gente tem que fazer primeiro a prevenção. A prevenção começa no antes, com a hidratação da pele, preparo da pele, melhora das condições clínicas do paciente, alimentação, suplementos de vitamina, podem ser feitos. E, durante a cirurgia, que é a escolha do melhor lugar para fazer a cirurgia, uma boa emostasia para não ter sangramentos, uma boa limpeza para não ter infecção. Inclusive, a gente faz, às vezes, um preparo antes da cirurgia, de banho com clorexidina, que é um antiséptico, para o paciente usar, às vezes ele usa antes da cirurgia, e a gente ainda, na cirurgia, utiliza produtos para limpar o paciente. Então, tem tudo que a gente vai fazendo na cirurgia, é para uma boa cicatrização. Então, a limpeza, os cuidados, a tensão que a gente faz na cicatriz, então dá vários pontos, bem das bordas. Então, por exemplo, na mama, a gente coloca um implante de silicone, e por um buraco de 2 cm. Então, coloca uma prótise de 250 ml, por 2,5 cm. E a pele pode ficar um pouquinho esgarçada, macerada. Ela não vai ter uma boa cicatrização. Então, às vezes, a gente precisa tirar aquela pele ruim, para melhorar as bordas da cicatriz, e ela conseguir ter uma boa copitação de bordas. Então, o que a gente faz antes, o que a gente faz durante, e o que a gente faz depois. E aí depois é, deixar a cicatriz, a ferida bem limpa, não deixar seca, com nenhuma umidade, evitar sol, e ter uma boa hidratação da pele da cicatriz. E a hidratação pode, sim, com uma placa de silicone, pode ser uma alternativa, pode ser usado gel de silicone, pode ser usado outros hidratantes de cicatriz. Dependendo do tipo de cicatriz, se ela estiver ficando alta, a gente usa um corticóide tópico, mas a gente não pode sair falando que essa placa é boa para a cicatriz. Não existe placa boa para a cicatriz. Existe a placa boa para a sua cicatriz. Então, a gente precisa ter uma avaliação para ver se tem indicação de um corticóide, se tem indicação de um antibiótico, se tem indicação só de um hidratante. Então, isso precisa ser avaliado, porque se não, se eu indicar, falar não, a placa de silicone é boa para a cicatriz. Qual o risco? Um paciente terminou a cirurgia, está com dois, três dias de cicatriz, coloca esse silicone e na hora de tirar, ele puxa, a cicatriz não tem uma boa tensão e abre. Então, não adianta indicar, precisa ter uma orientação, precisa ter uma avaliação antes. Então, não existe tratamento excelente para todos. A gente precisa ter uma avaliação para ver qual é o tratamento mais indicado para cada paciente. De caso a caso. Não tem aquela fórmula, a gente inclusive falou no último episódio com o doutor Alexandre disso. Não há nenhuma fórmula mágica, cada pessoa precisa ser avaliada, seria errado falar uma recomendação, ou que é normal ou não, sendo que precisa ser para cada um. Exatamente. Inclusive, bons hábitos são bem-vindos. Então, puxando para o último episódio de Lipe D, a alimentação, se eu estou falando que um dos fatores de uma massicatrização é a inflamação local, então alimentos mais inflamatórios vão levar para uma, podem levar para uma cicatrização ruim. Então, às vezes a alimentação influencia na cicatrização. Então, fazer uma alimentação mais rica em vitamina C, com alimentos cítricos, fazer uma alimentação rica em peixes, sardinha, atum, salmão, tem ômega 3, lichia, lichia perdão, chia, linhaça, também tem ômega 3. Então, são bons para cicatriz. Tem trabalhos mostrando que é bom para cicatriz. E também alimentos com gordura a transe, frituras, congelados, industrializados. Não são saudáveis. Então, às vezes, bons hábitos são bem-vindos para ter uma boa cicatrização. Com certeza. Na questão de cola cirúrgica, não sei se é esse o termo correto, mas algumas pessoas sempre perguntam que já é uma tecnologia capaz de substituir a cicatriz externa, mas não troca uma pela outra. A cola cirúrgica é capaz de ajudar nessa questão, acelera o processo? Olha, a cola cirúrgica é quase o mesmo material de um superbonder. Superbonder é marca, mas acho que isso faz mais sentido. Então, as pessoas, quando usam o superbonder, formam uma capa. Quando coloca no dedo, a pior coisa que tem é que você está mexendo com o superbonder, caindo no dedo, e você fica lá, às vezes, é necessário lixar. Um ano para sair. É um ano, é desesperador. A cola cirúrgica não é exatamente a mesma coisa, mas ela foi inspirada no superbonder e ela forma uma película. Essa película, por exemplo, da cola mesmo, é uma cola cirúrgica, às vezes fica uma semana, mais, às vezes três semanas, tem uma cola cirúrgica que não tem nenhum concorrente, que é o prínio. O prínio tem uma fita, uma tela, uma telinha, que a gente aplica essa cola em cima e ele reage. Ele forma uma película mais espécie realmente, às vezes fica até três semanas. A vantagem dessa cola e dessa película com cola é que eles protegem a cicatriz, protegem de forma bactericida, então, não é bacteriostática, na verdade. Não cresce nenhuma bactéria naquela localização, então você diminui o risco de infecção, você coloca uma membrana protegendo a cicatriz, ou seja, não cai em nada dentro, e você também diminui tensão. Mas, se você substituir ponto, esse não é o objetivo dessa. Inventaram, tentaram desenvolver para substituir, muitas pessoas tentam fazer trabalhos tentando substituir, mas por que não agregar? Se a gente fala que faz um monte de ponto por dentro, vamos continuar fazendo os pontos por dentro e coloca essa tela por fora. Então, às vezes, a gente coloca a cola e é algo a mais, eu não daria nem mais, nem menos ponto por conta da cola. A cola está ali para diminuir a infecção, diminuir a tensão, proteger a cicatriz, e ela já vai ser muito boa para conduzir o processo de cicatrização. Mas também não é tão simples, não é só usar a cola, porque se ela cair dentro da ferida, não estiver bem fechado, ela pode prejudicar a cicatrização. Então, tem que estar muito bem fechado para a gente utilizar ela. Então, não dá para substituir ponto. Mas, geralmente, em cirurgia plástica, a gente usa pontos que ficam por dentro, exatamente para não ficar aquele trilho de trem. Tem que paciente ficar aquele trilho de trem, aquelas marcas de cicatriz ali. A gente faz isso. Em cirurgia plástica, a gente evita esse tipo de ponto. Mas a cola não é utilizada em todas as pessoas, depende de caso a caso também. E não precisa ser avaliado. Tem casos que, por exemplo, uma ferida que pode ter uma potencial umidade, pode vazar líquido. Se vazar líquido tiver com isso, vai formar uma secreção ali, vai perder o efeito da cola. Então, dependendo da região, se tiver uma região de dobras, ela vai causar uma limitação, não vai ser tão eficiente. Em mucosa, ela não gruda. Então, às vezes, no olho, a gente movimenta muito o olho. Não é um lugar que fica bem uma cola cirúrgica. Fora que pode cair no olho e ter outros efeitos. Então, não é algo para todos, mas é algo que a gente tem que considerar. E quando a gente fala em tecnologia em cirurgia plástica, a cola cirúrgica é uma tecnologia excelente. É um produto. Deve ter sido gasto-fortunas para desenvolver. E tem colas excelentes. E tem mecanismos de aplicação. Não é só a cola, o material, mas como é aplicado. Às vezes, tem utilização até em coração, em cirurgia cardíaca. Aliás, a cola cirúrgica, ou quando eu aprendi, falaram que foi alguém que chegou lá numa cirurgia cardíaca, precisou fazer algum remendo, não tinha usado o Superbonder no coração. Então, foi assim que disseram para mim que foi descoberto com a cola cirúrgica. Eu já não tenho como comprovar isso, mas isso é assim que eu aprendi. Alguma vez o Superbonder vai parar no coração. Exatamente. Alguém colocou um Superbonder onde não devia e deu certo. Assim que as coisas começam a surgir. É, e se foi corajoso, viu? Mas salvou uma vida. Então, as tecnologias têm isso. Elas vão se desenvolvendo muito. Então, a cola cirúrgica, eu vejo como um grande aliado. A gente também, para diminuir tensão, a gente pode fazer, tem a placa de silicone, a gente tem o taping. Hoje a gente usa muito taping, que são aquelas fitas mais elásticas que a gente coloca no paciente que diminui edema, diminui hematoma, e também podem diminuir a tensão da ferida operatória. Microporagem, Micropor é também meio marca, mas é um esparadapo com vários furinhos, e... então é o esparadapo microporoso, que seria o termo correto. Mas a gente acaba usando o que nem o bombril. O tema é ótimo. Já não tem nome original, né? Não tem nome original. A marca já é o nome. A cola é o dermabonde. O micropora, ele também pode ser usado para diminuir tensão. É um aliado há muito tempo. Inclusive a placa de silicone, a fita de silicone, e o micropora são usados há mais de 20 anos. São tecnologias que estão no mercado há muito tempo e a gente usa. E de lá para cá, se desenvolveu a tecnologia neles, para eles serem melhores. Então a cola ser melhor, não ter nenhum efeito irritativo local. Então tudo isso tem que ser considerado. Muita gente, quando precisa fazer uma segunda cirurgia, por qualquer que seja a questão, ou até a gente já comentou em outro episódio também, pessoas que resolvem fazer uma mamoplastia, porque tem mudado essa tendência muito bonita, ou a pessoa não é mais a mesma, há de dez anos para cá. Resolve fazer uma outra cirurgia, ou por alguma questão também de complicação, depois dessa cirurgia. A questão de cicatrização. Se precisa fazer uma nova cirurgia no mesmo lugar, essa cicatriz deve ficar mais feia, para ficar mais simples a palavra. Ou essa cicatriz não pode ser no mesmo lugar, ou é no mesmo lugar para realmente evitar que fique uma de um lado, outra do outro, justamente para não ficar feio em dois lugares. Enfim, como funciona isso, se a pessoa precisa passar por um novo processo cirúrgico? Quando o paciente vai ser submetido a um novo processo cirúrgico, e ele já tem uma cicatriz, obviamente a gente tem que aproveitar a cicatriz que tem lá. Então se a gente conseguir aproveitar, é melhor. Agora, como a gente vai manipular esses tecidos, é o diferencial. Então se a paciente teve uma cicatrização boa naquela localização, isso facilita a gente até ter um entendimento melhor de como é a cicatrização do paciente. Se ela tem uma cicatrização ruim naquela região, talvez a gente tenha que fazer algum reposicionamento de cicatriz, ou fazer algo para complementar, para ter uma cicatrização melhor. Então se ela teve um keloid naquela região, a gente tem que até avaliar se aquele keloid está no momento certo de fazer uma cirurgia. Porque o keloid não é só cirurgia, não é só arrancar fora a cicatriz doente, porque se você arrancar fora uma cicatriz doente você vai ter uma cicatriz nova, que vai ter todo o potencial que a outra cicatriz teve de ficar ruim mais um pouco. Então se você já sabe que a paciente tem uma cicatrização ruim, então a gente tem que reconsiderar como abordar aquela cicatriz. No keloid a gente faz um tratamento com infiltração, com corticóide, usa a placa de silicone, faz compressão local, às vezes tem malhas compressivas. A gente pode realizar beta terapia, que é uma radioterapia para diminuir esse processo de cicatrização, retardar um pouquinho essa cicatrização para não ser tão exacerbada. Então, tudo isso tem que ser considerado porque a gente pode fazer um preparo antes, fazer alguns cuidados durante e fazer alguns cuidados no pós-operatório. Então a gente reutiliza o acesso, mas a gente não pode deixar a cicatriz antiga lá. Então o ideal é que a gente retire a cicatriz antiga, até mesmo a gente pode até mandar para uma análise e refaz a cicatriz, né? Diminuir tensão, dar muitos pontos, considera o uso de corticóide, considera o uso de beta terapia, considera o uso de placa de silicone, considera o uso de hidratante, reavalia esse paciente mais vezes, então chama esse paciente mais vezes no pós-operatório. Então tudo isso tem que ser considerado quando o paciente já tem uma cicatriz. Perfeito. Agora que já está encaminhando os minutos aí da nossa conversa, eu separei, na verdade, já algumas frases, acho que a melhor way de explicar assim, que são muito conhecidas relacionadas à cicatrização, que desde pequena a gente escuta, por exemplo, a primeira, que a ferida precisa ficar aberta para respirar, até a cicatrização em si. E aí o objetivo é a gente falar se é mito ou verdade, explicar essas frases bem conhecidas para as pessoas tirarem essa... que já vem em passa de mãe, em passa de vó, aquilo que todo mundo comenta, mas que eu me surpreendi, já dou um spoiler aqui, que eu me surpreendi com alguns mitos e verdades. Bom, então a primeira, vamos lá. A ferida precisa ficar aberta para respirar? Bom, a ferida não tem pulmão, ela não respira. Mas o que a gente tem que ver dessa pergunta, ela tem o mito e a verdade. O mito é exatamente que não precisa respirar. Mas quando a gente fala em uma ferida operatória, o ideal é que ela fique ocluída por pelo menos 48 horas. Por que ela tem que ficar ocluída? Porque ela não tem tensão nenhuma, ela não está fechada. Então isso facilita entrar micro-organismos e ter uma infecção que pode causar inserência e um aumento de inflamação e ter toda essa condução ruim da cicatriz. Agora, deixar mais tempo, tem um limite também, o curativo, às vezes pode até machucar a região e pode molhar e pode molhar com água externa, com água da torneira ou algo que caiu lá dentro ou mesmo com secreção daquela localização. Então quando tem secreção, se você está molhado, eu recomendo que aquele curativo seja trocado numa fase inicial. Depois, muitas vezes a gente recomenda o curativo para proteger causas externas, às vezes um trauma local, uma proteção para causas externas. Então na verdade, a ferida não precisa, ela pode estar ocluída desde que ela esteja seca por dentro. Então tem momentos aí que isso é mítero e momentos que... A comunicação de quando deixar aberto, quando deixar fechado ela vai ser de caso a caso e tem que estar bem alinhado com cada cirurgia e com cada médico. Perfeito, porque eu tenho certeza que todo mundo que está acompanhando alguma vez na vida já escutou isso, da mãe, da vó, da pessoa, da família, precisa respirar. Mas tem uma verdade nisso em relação a alguns tipos de bactérias que são anaeróbicas que elas se dão bem com oxigênio. Então, alguns tipos de infecção, a exposição ao oxigênio diminui. Então tem uma certa verdade, tanto é que existe tratamentos como câmera hiperbárica em que a gente aumenta o oxigênio no sangue exatamente com esse intuito de tratar alguns tipos de infecção, e às vezes a paciente tem uma infecção, está difícil o tratamento, a câmera hiperbárica pode ser uma solução. Ela diminui o edema, ela ajuda no processo de cicatrização, ela otimiza o processo de cicatrização e diminui alguns tipos de infecção. Porém, é um tratamento que é caro, a gente não pode propor uma câmera hiperbárica para todo mundo e ainda mais em questões profiláticas. A gente tem que saber utilizar essa tecnologia que ela não é tão disponível. Entendi, perfeito. Agora o próximo, então, mito ou verdade. Existem partes do nosso corpo que cicatrizam com mais facilidade. Com certeza. Tem regiões que elas têm uma vascularização muito melhor e atenção. Então, por exemplo, uma pálpebra, às vezes a gente tira ponto com quatro dias. Às vez tem um trauma no rosto e um cortezinho no rosto que apenas com uma microporagem com esparadapos a gente faz ponto falso e tira com quatro dias e já fechou. Então, dependendo da região, dependendo da tensão, dependendo da espessura da pele, o tempo da cicatrização vai ser diferente. Então, nas costas, em uma região próxima do ombro, se tirar ponto com sete dias, muitas vezes, em uma região de dobra de cotovelo, se tirar ponto com sete dias, é um absurdo. Vai abrir. Ou, talvez, a gente tira pontos mais superficiais porque a gente sabe que tem pontos por dentro. Mas o ponto, o tempo certo de tirar ponto é individual de cada paciente, de cada localização e de cada cirurgião. Então, tem um vídeo no canal de quando é o melhor momento de tirar ponto. E eu fico assustado porque os médicos não orientam. Falar no posto, tira o ponto com tantos dias. E aí, chegando no posto, a pessoa lá não quer tirar o ponto. E, às vezes, ficam três, quatro semanas com ponto e ninguém quer tirar. Então, falta um acompanhamento adequado, uma orientação adequada. Então, quem é a pessoa melhor para falar quando é o melhor momento de tirar o ponto? O médico que operou. Ele sabe, ele está acostumado com aquela cirurgia, ele sabe a quantidade de ponto que tem ali, o material do ponto. Então, tem ponto que, se você deixar um mês, ele cai, porque ele é absorvível. Tem pontos que são inabsorbíveis. Então, cada cirurgia vai ter uma indicação diferente do ponto. Tá aí a importância do acompanhamento, que a gente sempre fala nos outros episódios também, a gente trouxe essa questão. Então, se o médico não acompanha no pós-operatório, não dá nenhuma orientação do ponto, não falta faltou no tratamento. Com certeza. Agora, se a gente já comentou, que a coceira na área lesionada pode indicar que a ferida está cicatrizando. Então, tem essa questão, né? A gente trouxe do mito ou verdade, que a gente já comentou que a coceira exagerada poderia indicar um problema. Faz parte do processo de cicatrizial, né? Uma liberação local de vitamina. Coçar não é bom, né? Mas, às vezes, o paciente que está com uma prurido ali local, ele pode passar um hidratante, o hidratante para cicatrização, uma solução mais oleosa, um petrolato, alguma coisa, que vai deixar, vai dar um alívio. E tem até hidratantes com esse intuito. Mas ele, a ideia mesmo, é que se tiver muito exacerbado, que procure o médico para orientar, porque às vezes pode até ser a infecção também. Outro tema, né, que a gente escuta muito também, desde criança, quando começa a coçar muito o machucado ali, ou a cicatriz, aí a mãe sempre fala, né? Deixa coçar, não, não pode coçar, deixa coçar, tem que coçar bastante mesmo, porque é sinal que está cicatrizando outra frase que a gente escuta muito. É, e às vezes a cicatriz está desidratada, ela está ressecada, ela está com dificuldade na cicatrização. Perfeito, próximo, feridas que demoram muito para cicatrizar, podem indicar problemas de saúde. Com certeza, né? Alguém que tem um problema sistêmico, uma doença sistêmica, ela pode, por exemplo, diabetes, pode ter uma dificuldade de tratamento. Diabetes, que é uma patologia muito frequente na sociedade, mas uma ferida que não cicatriza, se você não tiver uma causa, pode ser um câncer de pele. Então, quando a gente fala de feridas que não cicatrizam, antes a gente tem que entender se não é um câncer de pele. Então, a gente precisa fazer uma biópsia dessa lesão. Inclusive, tem câncer de pele que pode ser gerado para uma ústera cicatriz. Então, por exemplo, ústera sacral, que fica anos, abre, fecha, abre, fecha, abre, fecha, pode evoluir para um câncer de pele. Então, o câncer de pele é um diferencial, né? Fora os diferenciais de infecções, né? Então, outros tipos de infecção parasitária, vírus. Então, a gente tem que saber que feridas a gente precisa saber qual que é a causa da ferida, antes, para poder tratar. Então, cicatrizes que não fecham podem estar relacionadas a essas causas. E, às vezes, o paciente vem com uma queixa e eu bati aqui, fiz esse machucado, fiz essa espinha, e aí, ela não fecha mais, doutor. E não tem nada a ver com a espinha. Na verdade, o paciente pode ter tido um trauma e já tinha lesão, só que ele só começou a notar a lesão porque teve o trauma e começou a valorizar. Então, eu já vi muito câncer de pele que não está relacionado ao trauma local mas porque a pessoa conta uma história de um trauma e não está relacionado. E, às vezes, a cirurgia no nariz é o que eu mais vi, né? Foi uma espinha, doutor, está uns 5 anos dessa espinha. Câncer de pele. Olha, vale a atenção também com isso. Bom, agora o último, nossa pergunta, que a ferida deve ser lavada durante o banho. Outro tema, também, com certeza, com alguma pessoa já que está acompanhando, já ouviu, né? Inclusive as mães até recomendava lavar com a bucha, né? Quando tinha ali um corte, uma ferida. É, o lavaro é muito importante. Agora, como o lavaro é o diferencial. Então, o banho, em cirurgia em uma cicatriz e eu recomendo que meus pacientes tome em banho desde o começo porque eu uso colas, né? Colas cirúrgicas. A cola protege, então eu sei que ela está protegida e não vai ter... a água externa e vai ter contato com o paciente. Então, eu consigo orientar isso para os meus pacientes. E muitas vezes eu falo, olha, vai tomar um banho, pelo menos nas partes íntimas, tudo para você ter mais conforto. Já a... com tempo, né, quando a ferida já está seca, pode lavar com sabonete neutro, uma cicatriz, não tem problema. Agora, a ferida, se a gente, dependendo do que a gente vai usar, a gente pode prejudicar e tem agentes tóxicos que podem até prejudicar a cicatrização. Então, por exemplo, o povidine, que é uma solução de iodo, o clorexidina, que é uma solução de cloro, né? Que são antisépticos, eles... dependendo da concentração, eles podem agredir demais a pele e prejudicar a cicatrização, né? Tem o pHMB, que é um outro produto que é menos... menos tóxico, que também pode ser utilizado, mas tudo vai depender da concentração que vai estar sendo utilizada. É... Mas, também, a... Por exemplo, tem trabalhos mostrando que, por exemplo, o soro, né, a gente pode lavar com o soro, né? É ótimo, porque o soro é estéreo, a gente pode usar só que ele pode ser caro, uma limpeza cara, lavar com o soro. Mas ele tem até um jeito, se você colocar 8 PSI, 8 PSI é a pressão que a gente faz com uma agulha, coloca uma agulha e joga o soro. Então, você não vai conseguir orientar para um paciente, né? Difícil, né? Então, a pressão. Então, tem até trabalhos mostrando que a água da torneira, ambiente, a água tratada, né? Então, a gente tem um problema no Brasil, que a água... sobre o tratamento de água. Então, talvez que a gente está em São Paulo, a gente consegue ter uma qualidade melhor de água, mas a gente tem que considerar para o Brasil inteiro. Então, a água direto pode ser bom, porque vai ter uma limpeza da ferida, mas a gente tem que tomar muito cuidado porque pode ser uma água ruim, né? Então, pode ter uma água que esteja sujo. Então, a limpeza da ferida é importante. Então, na dúvida, eu realmente falava, usa um soro, um soro fisiológico, está ótimo, usar uma gase para tirar essas crostas que se formam, que se for um sabonete neutro, é bem-vindo. Agora, se tiver condições de usar um antiséptico, tipo o pH melhor. Ele é propício para isso, para a limpeza. Então, ele seria a melhor opção. Mas ninguém tem isso na hora. Então, tem gente que passa álcool, álcool é péssimo para a ferida. Além de arder, ele desnatura todas as células e ele pode prejudicar em muito a cicatrização. Então, a gente tem que ter muito cuidado do que a gente está tratando ali na ferida, dessa limpeza. Perfeito, muito esclarecedor. Essas últimas dicas também, que era algo que existia a dúvida em questão do preparo, limpeza, porque as pessoas escutam falar, aí passa de indicação de um para o outro, que no final é isso que é o resumo do episódio de ter uma avaliação individual. Eu queria falar só uma outra coisa. Existem várias terapias para a cicatrização, para você tratar e prevenir uma boa cicatrização. Eu acho que vale a pena falar da toxina botulínica, que é o Botox. É uma marca, mas a toxina botulínica para a cicatrização, além de ela trabalhar a musculatura, então diminuir a tensão, ela também tem ação nos fibroblastos. Então, também é um tratamento que existe, é possível para evitar uma cicatrização ruim. Tem trabalhos também com enxerto de gordura para melhora da qualidade de pele. Tem trabalhos com pressão negativa, que são curativos para ativos especiais. Então, existem muitos trabalhos para a cicatrização. Porque nenhum é 100% efetivo, nenhum atende 100% dos pacientes. Então, exatamente o que você estava falando. Os tratamentos têm que ser individualizados. O paciente tem que ser individualizado. Cada paciente tem um tratamento diferente para cada cicatriz. Por isso que é muito importante uma avaliação médica para definir o tratamento daquela cicatriz. Até porque é isso que fica depois para a pessoa. Depois a marca do que foi o que a gente disse, o momento, o que significou também a cirurgia, com certeza é uma preocupação muito importante, essa questão da cicatrização. Que nem eu disse, as cicatrizes elas contam histórias boas ou ruins. Elas vão ficar para a vida. Então, a gente tem que deixar apenas histórias boas, apenas boas cicatrizes para a gente lembrar no final. Deixar dar melhor forma para que seja um momento bom, né? Bom, doutor Fernando Amato, cirurgião plástico. Obrigada pela sua participação mais uma vez aqui conosco. E agora um papo muito esclarecedor sobre essa ponta final de tudo que a gente já trouxe em outros episódios para quem deixou de conferir. A gente também tem uma playlist, né, doutor? Com certeza. Obrigada pela sua participação. E até a próxima. Também obrigada pela sua participação e companheirismo aqui no nosso AmatoCast, falando sobre tudo da realidade de vida. E como a gente sempre disse, se ficou alguma dúvida relacionada a esse assunto mesmo, algum outro assunto que você queira ver aqui no AmatoCast, comenta aqui, curte o vídeo e também compartilhe com todo mundo que você achar interessante falar sobre esse tema e conto com a sua participação aqui no nosso próximo episódio também. Tchau.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.