# Sono e Saúde das Artérias O vídeo do Dr. Amato, cirurgião vascular, explora a relação direta entre a qualidade do sono e a saúde cardiovascular, usando o cas
Agora, somem os pontos. De zero a um ponto, o sinal verde, o risco de apneia é baixo, com uma exceção, se o seu ponto foi a pergunta dois, se alguém já viu você parar de respirar, isso sozinho já merece avaliação.
Se você se reconheceu em algum deles ou se o teste deu amarelo ou vermelho, conversa com seu médico e pergunte se vale a pena investigar o sono.
Depois do diagnóstico de apneia e do tratamento, a pressão dela cedeu com menos remédio e ela me disse uma frase que eu guardo até hoje. Doutor, eu não sabia o que era dormir de verdade. Se você levar três coisas desse vídeo, leve estas.
Maria tem 58 anos e dorme 5 horas por noite há [música] 20 anos.
Não por insônia, não, um hábito, novela, celular, um pouco de costura e quando ela vê já passou da meia-noite.
Ela me disse uma frase que eu ouço toda semana: "Doutor, me acostumei a dormir pouco, não preciso de mais".
O corpo dela mostrava outra coisa, pressão que não baixava nem com três remédios, glicose subindo ano após ano, pernas pesadas no fim do dia, um ronco que incomodava o marido e um cansaço que ela achava que era da idade.
Dormir mal não é só cansaço no dia seguinte.
Enquanto você dorme, suas artérias passam por uma manutenção que depende do sono para acontecer direito.
E quando o sono é curto ou quando ele é quebrado várias vezes, essa manutenção fica pela metade.
Estudos grandes com milhares de pessoas que fizeram exames de imagens das artérias mostram mais placas de gordura em quem dorme menos de 6 horas por noite.
Doutor Amato aqui, sou cirurgião vascular e neste vídeo você vai conhecer cinco sinais de que o seu sono pode estar prejudicando a sua circulação, entender porque um ronco pode ser um perigo para o seu coração e para o seu cérebro e aprender a melhorar o seu sono começando hoje e de um jeito realista.
No meio do caminho tem um teste rápido de cinco perguntas, o mesmo tipo de rastreio que a gente usa para suspeitar de apneia do sono.
Então vou começar pelo básico que quase ninguém te conta.
O que uma noite bem dormida faz dentro da sua artéria.
Durante o sono profundo acontece uma sequência que eu gosto de explicar em três partes.
A primeira, a pressão cai.
Então durante o sono ela desce de 10 a 20% em relação ao dia.
É um mergulho da pressão que no laudo do mapa aparece com o nome de descenso noturno.
É a principal folga da artéria do dia.
Sem esse mergulho, a artéria passa a noite inteira sob pressão.
A segunda, a inflamação cai.
O sono profundo acalma o sistema do estresse e baixa a inflamação no sangue, que é o motor das placas de gordura.
Quando a inflamação não baixa, a placa encontra terreno para crescer.
E a terceira, a parede da artéria funciona melhor.
Uma camada fina de células chamada endotélio protege o vaso contra a gordura e coágulos, e ela depende de sono para funcionar bem.
Então, em estudos, pouco mais de uma semana dormindo 5 horas por noite já fez a artéria perder parte da capacidade de dilatar.
Então, repara no resumo: sono profundo não é descanso passivo, é a manutenção ativa dos seus vasos, feita toda noite sem você perceber.
E já dá para agir a partir de hoje.
Se você tem um aparelho de pressão em casa, meça também logo ao acordar, antes do café e dos remédios.
Se a pressão amanhece alta com frequência, isso já é um sinal.
Então, meça do jeito certo.
Gravei um vídeo mostrando todos os erros mais comuns na medida em casa e o também o teste dos dois braços.
Dá uma olhada.
Agora, vira a chave.
Quando você dorme menos de 6 horas ou quando o sono é interrompido várias vezes, essa sequência inteira falha.
A pressão não mergulha.
No laudo do mapa, isso aparece como descenso atenuado ou ausente.
A pressão cai pouco ou nada durante a noite.
Esse padrão tá associado a mais dano no coração, nos rins e no cérebro.
O cortisol, que é o hormônio do estresse, fica mais elevado.
A inflamação sobe e a glicose piora.
Noites de sono curto reduzem a sensibilidade à insulina, que é o hormônio que coloca o açúcar para dentro das células.
Com o tempo, isso aumenta o risco de diabetes tipo 2.
E o diabetes, por sua vez, acelera o dano nas artérias.
E tem um dado que me impressiona toda vez que eu leio.
Um estudo grande feito na Espanha, o PESA, avaliou quase 4.000 pessoas de meia-idade sem doença cardiovascular conhecida.
Eles usaram um sensor no pulso por uma semana para medir o sono e fizeram ultrassom das artérias do pescoço e das pernas.
Quem dormia menos de 6 horas tinha cerca de 27% mais chance de ter placa nessas artérias.
E quem tinha o sono fragmentado, acordando várias vezes, tinha placa em mais artérias, independente das horas dormidas.
Então, qualidade importa tanto quanto quantidade.
E os pacientes me perguntam: "Doutor Amato, dormir mal engorda?" Em parte, sim.
O sono curto mexe com dois hormônios do apetite.
A grelina, que dá fome, tende a subir e em alguns estudos a leptina, que dá a saciedade, cai.
Curiosidade, quem produz é a própria gordura.
Então, na prática, quem dorme pouco come, em média, 250 calorias a mais por dia e sente mais vontade de doce.
E peso a mais piora pressão e piora a apneia.
Apneia do sono é o nome de quando a respiração para por 10 segundos ou mais, muitas vezes por noite, porque a garganta fecha durante o sono.
Apneia significa parada da respiração.
A forma mais comum é a apneia obstrutiva.
O ar não passa, mesmo com a pessoa tentando respirar.
Cada pausa faz o oxigênio no sangue cair.
O cérebro percebe e manda um alerta de emergência.
O sistema nervoso simpático dispara, a pressão sobe em picos, o coração acelera.
A pessoa não acorda por completo, mas o sono é quebrado dezenas e, às vezes, centenas de vezes por noite.
Isso se repete todos os dias, às vezes por anos, sem diagnóstico.
Agora junta as peças.
Queda repetida de oxigênio, pico repetido de pressão, inflamação alta e sono picado.
É exatamente o cenário que vai acelerar a aterosclerose.
Por isso, a apneia não tratada está associada à pressão alta de difícil controle, a arritmias, principalmente a fibrilação atrial, que é um ritmo irregular do coração, e a um risco maior de AVC, que é o acidente vascular cerebral, que é a interrupção da circulação em uma parte do cérebro.
O ronco alto e frequente é o sinal mais comum.
Não é todo ronco que é apneia, mas quase toda apneia tem ronco.
E tem um detalhe que o parceiro ou a parceira costuma notar.
O ronco para de repente, vem com um silêncio estranho e depois de alguns segundos volta com um engasgo ou com um suspiro forte.
Esse silêncio é a apneia acontecendo.
E aqui entra uma ligação com as pernas que pouca gente conhece.
O líquido que se acumula nas pernas ao longo do dia, quando você deita, sobe em direção ao pescoço.
Isso pode estreitar a garganta e piorar a apneia.
Em estudos, usar meia de compressão durante o dia diminuiu as paradas de respiração à noite, principalmente em quem tem insuficiência venosa.
Obviamente, não substitui o tratamento da apneia, mas mostra como a perna e o sono estão correlacionados.
Esse é um dos pontos mais práticos do vídeo.
Então, presta atenção.
Se você toma três remédios para pressão ou mais, na dose certa e sem esquecer nenhum, e ela continua alta, as diretrizes das sociedades de cardiologia mandam procurar causas secundárias.
E a apneia do sono está no topo da lista.
Outra causa que vale checar é o anti-inflamatório tomado todo dia, que sobe a pressão e atrapalha o remédio.
Eu tenho um vídeo só sobre isso.
Então, os pacientes me perguntam: "Doutor Amato, como eu sei se a minha pressão cai à noite?" A resposta é um exame simples chamado MAPA, a monitorização ambulatorial da pressão arterial.
Você usa um aparelho pequeno por 24 horas que vai ficar medindo a sua pressão em intervalos curtos, inclusive quando você está dormindo.
Se a sua pressão não cai à noite, isso é uma pista importante.
E se a sua pressão amanhece alta com frequência, pensa em apneia.
O diagnóstico da apneia em si é feito com um exame chamado polissonografia, que monitora o sono, a respiração e o oxigênio durante uma noite.
Em alguns casos, dá para começar a investigação com exames mais simples, feitos em casa.
O tratamento mais usado é um aparelho o CPAP, que sopra o ar suavemente e mantém a garganta aberta durante a noite.
Em muitos casos, a sonolência do dia melhora muito, a disposição volta e a pressão costuma cair um pouco, principalmente em quem usa o aparelho todas as noites.
Emagrecer, quando tem excesso de peso, também melhora bastante a a apneia.
Então, pega papel e caneta ou conta nos dedos ou usa os comentários aqui embaixo, são cinco perguntas de sim ou não, cada sim vale um ponto.
Então, um, você ronca alto a ponto de incomodar quem dorme perto ou de ser ouvido do quarto do lado? Dois, você já notou que você para de respirar [música] por alguns segundos enquanto dorme? Três, você já acordou engasgando, sufocado ou com a sensação de falta de ar? Quatro, você sente sono excessivo durante o dia a ponto de cochilar no sofá, na frente da televisão ou lendo? Cinco, você tem pressão alta ou seu pescoço é largo, com mais de 40 cm de circunferência? Agora, somem os pontos.
De zero a um ponto, o sinal verde, o risco de apneia é baixo, com uma exceção, se o seu ponto foi a pergunta dois, se alguém já viu você parar de respirar, isso sozinho já merece avaliação.
De dois a três pontos, sinal amarelo, vale conversar com o seu médico sobre avaliação do sono, principalmente se você tem pressão alta ou sonolência durante o dia.
De quatro a cinco pontos, sinal vermelho, procure uma avaliação médica sem demora, a chance de apneia é alta [música] e tratar melhora o sono, a disposição e ajuda a controlar a pressão.
Esse tipo de rastreio não fecha diagnóstico, ele aponta quem merece investigar.
Então, comenta aqui embaixo quantos pontos você fez, eu leio todos os comentários.
Então, agora a parte que mais me pedem, o que fazer de concreto para dormir melhor.
Eu vou te dar cinco medidas com base no que funciona, sem milagres e sem nenhum produto caro.
A primeira é o horário regular, deite e levante em horários parecidos todos os dias, inclusive no final de semana, o relógio biológico gosta de rotina.
Quem dorme e acorda em horários muito diferentes a cada dia, cria uma confusão interna que também está associada a mais inflamação.
A segunda é o quarto escuro e fresco.
A luz atrapalha a melatonina, que é o hormônio que avisa o corpo que a noite chegou.
Então, escureça o quarto de verdade e, se puder, deixa a temperatura um pouco mais baixa.
O corpo dorme melhor quando está mais frio.
E a terceira tela: celular, televisão, até hora de deitar atrasam o sono por dois motivos: a luz que engana o relógio biológico e o conteúdo que acelera a cabeça.
O ideal é uma janela de 30 a 60 minutos sem tela antes de dormir.
E a quarta é a cafeína.
O efeito dela pode durar muitas horas no corpo, principalmente para quem tem uma mutação genética bem específica.
Mas, para a maioria das pessoas, café depois das 3:00 da tarde já atrapalha a noite.
E atenção ao chimarrão, ao chá preto, ao chá mate e alguns refrigerantes que também têm cafeína.
E a quinta é o álcool.
Ele dá sono no começo, mas quebra o sono na segunda metade da noite e piora muito a apneia, porque relaxa a musculatura da garganta.
Se você ronca, álcool à noite é um dos piores hábitos que existem.
Os pacientes me perguntam: "Doutor Amato, e remédio para dormir?" Em alguns casos tem indicação, sempre com receita e acompanhamento, nunca por conta própria.
Mas a base do tratamento é comportamental.
Começa por esses hábitos e, quando não basta, existe uma terapia específica para insônia, terapia cognitivo-comportamental, que é a primeira escolha.
E não é frescura nem falta de força de vontade.
Sono ruim tem causa e quase sempre dá para melhorar.
Agora, tem duas situações que não podem esperar.
A primeira é a sonolência intensa ao dirigir.
Se você já sentiu os olhos pesarem no volante ou já deu aquela cabeçada e acordou assustado, leva a sério.
Com sono não dirija.
A sonolência ao volante mata.
Pare o carro em local seguro e depois procure avaliação do sono.
Esse é um sinal de alerta que a gente leva muito a sério.
A segunda são sinais de emergência que podem aparecer depois de anos de sono ruim e pressão descontrolada.
Dor no peito que aperta e não passa, falta de ar súbita, fraqueza de um lado do corpo, fala enrolada, rosto torto.
Nesses casos, ligue para SAMU 192 ou vá para o pronto-socorro imediatamente e não vai dirigindo você mesma.
E quando marcar a avaliação sem correria, então aqui estão os cinco sinais que eu prometi.
Um, você dorme menos de 6 horas ou acorda várias vezes toda a noite? Dois, você ronca alto ou alguém já viu você parar de respirar? Três, você tem sono de dia a ponto de querer cochilar sem querer? Quatro, você acorda com dor de cabeça ou com a boca seca com frequência? Cinco, a sua pressão amanhece alta ou não abaixa nem com remédio? Se você se reconheceu em algum deles ou se o teste deu amarelo ou vermelho, conversa com seu médico e pergunte se vale a pena investigar o sono.
Lembra da Maria lá do começo? Depois do diagnóstico de apneia e do tratamento, a pressão dela cedeu com menos remédio e ela me disse uma frase que eu guardo até hoje.
Doutor, eu não sabia o que era dormir de verdade.
Se você levar três coisas desse vídeo, leve estas.
Meça o seu sono, busque de 7 a 9 horas [música] com horário regular, escute o seu ronco, se alguém notou pausas na sua respiração, investiga e trate o sono como parte do tratamento.
Ele é a manutenção ativa das suas artérias todas as noites.
E a gente se cobra junto porque eu também tenho noites melhores e noites piores.
Normal, somos humanos.
O objetivo não é a perfeição, é a direção.
E se esse vídeo te ajudou, inscreva-se no canal, deixe o seu like, ative o sininho.
Assim, você vai receber os próximos vídeos sobre saúde vascular.
E tem muito mais sobre circulação aqui no canal.
Até a próxima.
Cuida do seu sono que ele cuida das suas artérias.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.