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Bate papo sobre Jejum Pré-Operatório

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Bate papo sobre Jejum Pré-Operatório

O jejum pré-operatório é uma medida de segurança essencial para procedimentos realizados sob anestesia geral ou sedação. Seu objetivo principal é prevenir a bro

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Carlos, o que que é o jejum pré-operatório?

Bom, Fernando, primeiramente eu gostaria de agradecer a oportunidade, é sempre um prazer estar aqui com vocês, conversando, esclarecendo, desmistificando um pouco da anestesia, que sempre há algo assim, que ninguém entende muito bem o que é, que ainda gera muito medo nas pessoas, principalmente a população que não está inserida nos serviços de saúde.

O que que é esse jejum?

Na verdade, quando a gente come, a comida não simplesmente passa pelo estômago, ela fica parada lá, um bom tempo, para que o suco gás, que tem o tempo de ação, para começar a quebrar as proteínas, enfim, inicial processo de gestão.

Legal, então esse é o motivo que ele precisa ser feito para o paciente não broncoaspirar, não engolir o próprio vómito, respirar o próprio vómito, é isso?

Exatamente, exatamente. Então, fala um pouco mais como ele tem que ser feito, 8 horas, 6 horas, 12 horas, porque eu fui fazer o exame de colesterol e pediram 12 horas, é o mesmo jejum, a mesma função. Então, fale um pouquinho sobre os tempos e para que tipo de alimento tem a restrição.

Mas você não come chiclete?

Não come, mas ele gera resíduo dentro do estômago e ele retada o esvazamento gástrico além de aumentar a secreção do suco gástrico, ou seja, o estômago fica cheio. Então, você não pode aumentar o conteúdo gástrico.

E aí, líquido, eu posso tomar então um café, duas horas antes?

Não, depende do café. Se for o café coado, pode.

Transcrição completa do vídeo

Olá a todos, eu sou Dr. Fernando Amato, eu sou cirurgião plástico no Instituto Amato e hoje a gente chamou para conversar sobre anestesia, sobre jejum pré-operatório, o Dr. Carlos Henrique Lemus, que ele é anestesista, ele é meu colega de faculdade, meu amigo parceiro em muitas cirurgias, ele anestesia muitas cirurgias para a gente aqui no Instituto Amato e ele vai falar um pouco sobre o jejum pré-operatório. Dr. Carlos, o que que é o jejum pré-operatório? Bom, Fernando, primeiramente eu gostaria de agradecer a oportunidade, é sempre um prazer estar aqui com vocês, conversando, esclarecendo, desmistificando um pouco da anestesia, que sempre há algo assim, que ninguém entende muito bem o que é, que ainda gera muito medo nas pessoas, principalmente a população que não está inserida nos serviços de saúde. Bom, o jejum pré-operatório, ele é, como o nome mesmo diz, é um jejum, que deve ser feito antes do procedimento cirúrgico, antes da anestesia, para conferir maior segurança ao procedimento anestesico e, consequentemente, ao procedimento cirúrgico. O que que é isso? O que que é esse jejum? Na verdade, quando a gente come, a comida não simplesmente passa pelo estômago, ela fica parada lá, um bom tempo, para que o suco gás, que tem o tempo de ação, para começar a quebrar as proteínas, enfim, inicial processo de gestão. Sempre que um paciente vai passar por uma anestesia, seja ela anestesia geral ou sedação, a gente tem que garantir que o estômago esteja vazio. Porque, na anestesia geral e mesmo na sedação, ocorre um relaxamento do esfínter esofagiano inferior, que é o que segura o alimento no estômago e impede que ele volte pelo esófago. O estômago estando cheio, na hora que relaxa esse esfínter com a sedação ou anestesia geral, como o paciente está deitado, na hora que entra em ação a anestesia, todo o conteúdo gás trigo pode voltar e parar no pulmão e broncoaspirar, chama broncoaspiração, esse evento. E isso é algo que pode ser realmente muito catastrófico, porque aí vai ácido para o pulmão, enchoa o pulmão e aí o paciente tem problemas graves. Então, por isso que é sempre preconizado o jejum, o jejum básico é de 8 horas antes da cirurgia, para que ele possa fazer o procedimento com segurança se for ser submetido a uma anestesia geral ou sedação. Legal, então esse é o motivo que ele precisa ser feito para o paciente não broncoaspirar, não engolir o próprio vómito, respirar o próprio vómito, é isso? Exatamente, exatamente. Então, fala um pouco mais como ele tem que ser feito, 8 horas, 6 horas, 12 horas, porque eu fui fazer o exame de colesterol e pediram 12 horas, é o mesmo jejum, a mesma função. Então, fale um pouquinho sobre os tempos e para que tipo de alimento tem a restrição. O que é preconizado para todo mundo, a regra geral, são 8 horas de jejum para qualquer tipo de alimento líquidos com resíduos, então leite, sucos de fruta, sucos de caixinha, café. O jejum são 8 horas sempre e para o que é chamado de líquidos claros, mas essencialmente a água são só 2 horas de jejum, não 8. Vale lembrar que chiclete não pode, são 8 horas, bala não pode. Mas você não come chiclete? Não come, mas ele gera resíduo dentro do estômago e ele retada o esvazamento gástrico além de aumentar a secreção do suco gástrico, ou seja, o estômago fica cheio. Então, você não pode aumentar o conteúdo gástrico. Então, qualquer coisa que a gente... Bala pode? Bala também não pode, porque a bala, apesar de ela ir dissolvendo na boca e engolindo, ela forma material particular no estômago, então vira gruminos no estômago. Mas quanto tempo de jejum do chiclete? 8 horas. Caramba. E aí, líquido, eu posso tomar então um café, duas horas antes? Não, depende do café. Se for o café coado, pode. Mas o café é expresso? Tipo um café? É, café solúvel, nada disso pode, só pode o café de filtro de papel ali, coado. Então, um chá, por exemplo, eu poderia tomar um chá. O chá de saquinho, se não for particular, pode. O ideal é passar por um filtro de café. Tá, então é tomar líquido mesmo, o líquido tem que estar bem claro, bem translúcido, você não pode ver nenhum resíduo, então isso com duas horas antes. Correto. Suco vale, o suco de laranja, por exemplo, bem coado, também pode. Pode, mas suco geralmente a gente acaba considerando 8 horas, quando é aquele suco mais denso, aquela vitamina. O suco mais denso, o suco de caixinha são 8 horas, o suco da fruta natural, bem coado e não é coado na pinerinha de casa, é coado no filtro de café. E leite, pode? Não, leite não pode. Leite é 8 horas também. 8 horas de jejum. E água de coco? Água de coco pode. Água de coco pode, bom, encontramos alguma coisa. Vamos lá, então, mas eu tenho muito desespero se eu for fazer uma cirurgia e se a tarde, e eu ficar acordado todo aquele tempo sem comer nada, sem beber nada. Tem alguma coisa que eu possa fazer, que me vai me dar um pouquinho mais de energia, o que que pode ser feito, né, a gente, o que que é essa abreviação de jejum, também que se fala. Então, queria que você falasse sobre abreviação de jejum, e o que que seria que a pessoa poderia tomar antes? Muito bem. Então, abreviação de jejum é algo que vem sendo cada vez mais debatido, já tem alguns anos, os anestesistas mais atualizados, mais novos, eles têm exercido muito essa abreviação de jejum. O que que isso quer dizer? Alguns pacientes, que não tem nenhum fator, que seja uma contraindicação para jejum abreviado, que são esses fatores? Paciente renalcrônico, paciente obesomórbido, paciente com diabetes, paciente com cirurgia gástrica prévia, que já tem operado intestino ou estômago. Esses pacientes não podem fazer abreviação de jejum clássica. O que que é abreviação de jejum clássica? Ao invés de ser 8 horas de jejum, são 6 horas. Até 6 horas você pode comer livremente, desde que não seja nada muito gorduroso. Então, não pode comer um churrasco, não pode comer uma feijoada, não pode comer um montão de queijo amarelo, aquele cheddar, aquele hambúrguer, isso não pode. Mas você pode comer uma refeição normal, um arroz, um feijão, um filé de frango, uma refeição normal leve, salada, isso são 6 horas. E pode continuar tomando os líquidos que a gente já falou, por até 2 horas. E o que tem sido feito é que hoje em dia a gente tem uma solução de um açúcar especial, que é uma maltodestrina, que quem frequenta a academia já ouveu falar. É o carbup. É isso, é o carbup, é o que os maroveiros diluem lá para consumir. Não frequenta a academia, não frequenta a academia. Precisa, é bom, faz bem para a saúde. Essa maltodestrina a gente pode consumir igual a água, então 2 horas antes da cirurgia. Isso que aumenta a glicemia, diminui os hormônios inflamatórios que são liberados pelo jejum. O paciente tem uma recuperação mais rápida, uma alta mais rápida, tem menos efeitos deletérios durante e após anestesia. Isso tudo favorece uma recuperação mais rápida do paciente. Legal, e tem medicações que o paciente toma e que podem alterar esse tempo de jejum? Que pode interferir o tempo de jejum? Ou que pode não só aumentar o tempo de jejum, ou que talvez você pode dar alguma medicação que diminua esse tempo? É muito bom você tocar nesse ponto, porque tem uma classe de remédios que foi desenvolvida inicialmente para tratar diabetes, que hoje em dia é muito utilizado amplamente como emagrecedor. É o Saxenda, o Victosa, o Ozenpique. Como esses remédios agem? Na verdade, eles mantêm o alimento no estômago por muito mais tempo. E aí isso dá uma sensação de saciedade, a pessoa não tem fome, e aí se ela come menos ela emagrece. Só que isso interfere diretamente na anestesia e ele invalida as 8 horas de jejum. Em algum, tem várias publicações de casos de pacientes com 36 horas de jejum e ainda com estômago cheio, cheio de comida mesmo. Comida, entraram para fazer endoscopia do paciente, e ele com 12, 36 horas de jejum ainda tinha comida. Eles identificaram a comida lá dentro. Então esses remédios, Saxenda, Victosa, Ozenpique, cada um deve ser suspenso alguns dias antes. Então o Saxenda e Victosa 3 a 5 dias, o Ozenpique 7 a 10 dias antes da cirurgia, para que o jejum realmente seja efetivo, seja válido. E se não suspender a medicação, a cirurgia vai ser suspensa. Porque aí é uma cirurgia eletiva, que você não vai submeter o paciente a esse risco. E se o paciente... E a gente troca de anestesista quando ele suspeita. É, por exemplo. Se você com raio vai trocar de anestesista. Pode trocar. A gente só não pode perder o paciente. E aí tem algum medicamento que você pode usar, que aumente esses vazamentos gráficos para diminuir esse tempo? Tem. Existe um antibiótico, que inclusive já foi protocolo de alguns hospitais, que a eritromicina, porque ela favorece a motividade gástrica, então diminui o tempo de desvazamento gástrico. E os chamados proscinéticos, o plasio, o digestão, que eles são tratados, usados para tratar em jou, vômitos, mas que eles favorecem o desvazamento gástrico. Então isso aí também, esses remédios também ajudam bastante. E os antiácidos também, porque eles tendem a diminuir o conteúdo gástrico. E se a gente está em dúvida, né, o paciente usa, tem que fazer a cirurgia ou não, o que a gente faz, dizem, faz uma endoscopia, mas quem vai chamar um endoscopista ou faz um ultrassom, faz uma tomografia, cutuca a barriga do paciente para ver se volta alguma coisa. O que a gente pode fazer? A endoscopia seria possível, mas não é prático, até porque o paciente teria que fazer a endoscopia acordada, e aí é desagradável. O que a gente pode fazer que tenha um custo baixo e é eficaz é o ultrassom gástrico. Então o anestesista ou mesmo o cirurgião ou o remédio pode ser treinado para isso e ele coloca o ultrassom e ele identifica se tem conteúdo dentro do estômago, a gente consegue quantificar esse conteúdo dentro do estômago, e aí se for dentro de uma margem de segurança que varia de acordo com idade e tudo mais, se ele tiver dentro desse volume aceitável, a gente pode conduzir anestesia sem problemas. O último que a gente tem é se tem diferença do jejum que é feito, por exemplo, uma anestesia geral para quem faz alguma outra cirurgia, fazer uma raca anestesia, fazer uma pele dural, algum bloqueio de nervo periférico, ou somente uma sedação. Você teria diferença ao tipo de anestesia. Bom, então vamos lá, aí tem total diferença, o jejum serve só para quem vai ser sedado ou para quem vai passar por anestesia geral. Quem vai fazer raca anestesia, bloqueio, pele dural, que são as anestesias loco-regionais que não interferem na capacidade do paciente de reter a comida dentro do estômago, ou de proteger a viaérea, reflexo de tosse, essas coisas, eles não precisam do jejum. Saiba que ele vai sentir picada, ele vai estar plenamente consciente, ele vai participar, ele só não, depois de anestesia, não sente a cirurgia, mas ele vai estar acordado, vendo, ouvindo tudo que se passa. Então, esses pacientes, eles não precisam de jejum, tanto é que esses tipos de anestesia são utilizados para pacientes em situações de urgência e emergência que precisam passar por um procedimento cirúrgico, que estão com um estômago cheio. A gente pode lançar a mão dessas anestesias, porque aí, por mais que seja, às vezes, um pouquinho desconfortável o paciente ficar acordado durante todo o procedimento, a gente vai preservar a segurança da via respiratória do paciente. Bom, esse é um tema muito interessante, o jejum pré-operatório, uma dúvida muito frequente, aliás, é uma dúvida que todos os pacientes deveriam ter antes de uma cirurgia, deveriam perguntar para os seus médicos, se tivessem a oportunidade de falar com anestesia, com anestesista, seria até melhor. O Dr. Carlos, ele é meu colega de faculdade, meu amigo, parceiro e muitas cirurgias, com todas, mas quase toda a cirurgia a gente tenta que ele participe. Ele é anestesista, já há algum tempo, e ele atua também aqui no Instituto Amato e faz muitas anestesias aqui. E ele tem uma experiência de hospital dia, e esse é o objetivo nosso de dar segurança para o paciente que faz uma cirurgia em hospital dia. Então, eu gostaria que vocês que estiverem assistindo curtam o vídeo, compartilhem, se tiverem alguma ideia, quiserem sugerir algum tema, pode ser de anestesia, pode colocar abaixo aqui, a gente tenta responder se tiver alguma pergunta ou qualquer sugestão para os próximos vídeos. A gente tem outros vídeos aqui que a gente vai com temas semelhantes e espero que agrade a todos. Muito obrigado. Obrigado. Muito obrigado.

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