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Virus Zika entrevista com neurologista

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Virus Zika entrevista com neurologista

O surto de microcefalia no Brasil, caracterizado por um perímetro cefálico inferior a 33 cm, está sob investigação quanto a sua possível relação com o vírus Zik

Perguntas respondidas neste vídeo

Bom, Marcela, primeiro então, tendo-se esse surto de microcefalia, mas explica para os nossos ouvintes então, afinal, o que é microcefalia?

Bem, microcefalia é um sintoma neurológico que se caracteriza por um crânio pequeno. Em termos médicos, é quando o crânio tem uma dimensão menor que 32 centímetros. Para fins práticos, o Ministério da Saúde tem considerado um crânio menor que 33 centímetros atualmente para a gente abranger um número maior de crianças, para que a gente possa investigar atualmente o que tem acontecido com essas crianças.

Como é que funciona?

Na verdade, cura não, porque isso envolve uma má formação cerebral, ou seja, já aconteceu o processo de desenvolvimento cerebral então a gente não tem como reverter o que aconteceu, mas tem reabilitação.

Tem realmente uma relação entre o Zika vírus e a microcefalia e se tem, como funciona?

Atualmente a gente não tem como comprovar exatamente uma relação causal. Isso é uma possibilidade diante de tudo o que está acontecendo. É a melhor possibilidade que a gente tem.

É, terá provavelmente um bom tempo de pesquisa a ser feito, é um assunto muito delicado, muito novo, como você bem disse, e precisa de toda atenção, e com relação ao tratamento, você disse que não tem cura para a microcefalia, o que dá para fazer é desenvolver a capacidade cognitiva das crianças que nascem com essa doença, mas o tratamento, de que forma esse desenvolvimento intelectual pode ser feito com as crianças que têm a microcefalia?

Essas crianças com microcefalia precisam de reabilitação, a reabilitação consiste tanto na fisioterapia motora, que consiste na parte de estimular essas crianças na marcha, no estímulo da força, consiste também em fonoterapia, essas crianças podem ter dificuldade para a fala, a parte de terapia ocupacional, em estímulo pedagógico, isso mais à frente, então tudo isso precisa de tempo, não dá para prever qual a dificuldade essas crianças terão, cada criança pode ter uma dificuldade diferente de outra, algumas podem ser menos ou mais comprometidas, assumir que uma criança vai ter um excelente prognóstico ou um prognóstico ruim, é arriscar-se bastante, porque o comprometimento diferencia de uma criança para outra, assim como o tamanho da microcefalia, a gente consegue prever que as microcefalias são tamanho de crânio e cérebro abaixo de 33 centímetros, de perímetro cefálico abaixo de 33 centímetros, mas o grau de comprometimento cerebral é bastante variável, então isso é muito dependente, é impossível fazer uma previsão de grau de comprometimento, o importante é estímulo, estimular essa criança desde o nascimento, quanto mais estímulo essas crianças tiverem, maior é o grau de recuperação e maior o grau de desenvolvimento que essas crianças podem atingir conforme o potencial que elas têm.

Provavelmente terá um bom tempo de pesquisa, porque é um assunto muito importante, demanda toda a atenção, já que é uma coisa nova, e essa possibilidade dos zika vírus estar causando microcefalia, que é uma coisa muito séria, é bastante preocupante, né?

Sim, claro. Mas eu me deixo aqui à disposição para qualquer dúvida, qualquer esclarecimento maior, e quem quiser precisar entrar em contato, a gente se coloca sempre à disposição. Então, muito obrigado, Marcela Avelina, Neurologista da Amato Instituto de Medicina Avançada, pelos seus esclarecimentos.

Transcrição completa do vídeo

Rádio Gazeta N890. Entrevista. Recentemente, os noticiários têm divulgado a possível relação entre o surto de microcefalia em crianças com o Zika vírus, um vírus que chegou ao Brasil recentemente e é transmitido pelo mesmo mosquito transmissor da dengue.

Para explicar esse assunto tão delicado e novo, vamos conversar agora com Marcela Avelina, ela que é neurologista da Amato Instituto de Medicina Avançada. Marcela Avelina, seja muito bem-vindo ao nosso programa. Obrigada, bom dia.

Bom, Marcela, primeiro então, tendo-se esse surto de microcefalia, mas explica para os nossos ouvintes então, afinal, o que é microcefalia? Bem, microcefalia é um sintoma neurológico que se caracteriza por um crânio pequeno. Em termos médicos, é quando o crânio tem uma dimensão menor que 32 centímetros. Para fins práticos, o Ministério da Saúde tem considerado um crânio menor que 33 centímetros atualmente para a gente abranger um número maior de crianças, para que a gente possa investigar atualmente o que tem acontecido com essas crianças.

Para aumentar a sensibilidade e abranger o maior número, para que a gente possa considerar o maior número de crianças e investigar melhor o que tem acontecido. Mas para envolver essas crianças e investigar a causa dessas crianças com cérebro pequeno e crânio pequeno. E tem cura para isso? Como é que funciona? Na verdade, cura não, porque isso envolve uma má formação cerebral, ou seja, já aconteceu o processo de desenvolvimento cerebral então a gente não tem como reverter o que aconteceu, mas tem reabilitação.

Essas crianças podem ser trabalhadas e incentivadas para que o potencial do desenvolvimento seja aproveitado da melhor maneira possível. E essas crianças se desenvolvam com potencial e cresçam com o melhor que elas podem ganhar. E nos noticiários a gente tem visto muito uma possível relação desse surto de microcefalia em alguns estados do Brasil com o Zika vírus, o vírus transmitido também pelo mesmo mosquito que transmite a dengue na Oedes aegypti.

Como que se dá essa transmissão? Tem realmente uma relação entre o Zika vírus e a microcefalia e se tem, como funciona? Atualmente a gente não tem como comprovar exatamente uma relação causal. Isso é uma possibilidade diante de tudo o que está acontecendo. É a melhor possibilidade que a gente tem.

Porque o que a gente tem em mãos atualmente é que essas crianças elas têm uma malformação cerebral, elas têm uma microcefalia e têm uma malformação do próprio desenvolvimento cerebral com calcificações cerebrais, com anormalidade do córtex cerebral, dizem cefalia, que são bem comuns e infecções que são ditas congênitas, que a criança nasce com a infecção. Isso é comum em outras infecções que a gente já conhece, como as infecções por rubéola, toxoplasmose. Só que durante a investigação dessas crianças, a gente vê que essas infecções foram negativas.

Então, o mais próximo que a gente tem visto é que essas gestantes durante a gravidez tiveram infecções com raste, com vermelhidão, com o que a gente acredita que tenha sido próprio zika vírus. Então, a gente tem, digamos que dados que façam a gente acreditar que a causa mais provável para essa microcefalia dessas crianças, essa microcefalia congênita, é o próprio zika vírus. Mas, para confirmar como é teologia causal, os nossos dados ainda são insuficientes.

Porque é uma doença nova, é uma patologia nova que a gente ainda está investigando. É o mais provável. Dessa forma, a gente tem que trabalhar com os dados que a gente tem em mão e proteger essas crianças que estão nascendo com os dados que a gente tem em mão.

Como é teologia mais provável, a gente acaba atribuindo o mais provável aos próprios zika vírus. Diante disso, o zika vírus, como transmitido por um mosquito, que é o mesmo da Aedes aegypti, é o mesmo mosquito da própria dengue, que é o Aedes aegypti, é transmitido através da picada do mosquito durante o repasso, durante a alimentação que é feita durante o dia, a picada do mosquito. Então, a gente sempre pede para gestantes se protegerem durante o dia, aplicarem repelente, usarem roupas de manga comprida, evitarem se expor durante o dia em áreas com muito mosquito, em áreas que estejam próximas a ambientes muito arborizados, em áreas de epidemiologia de dengue, onde estejam acontecendo muitos casos, áreas que estejam acontecendo muitos casos de zika vírus, áreas que estejam acontecendo muitos casos de chikungunya, que são as mesmas áreas que acontecem geralmente as áreas de dengue, áreas de zika vírus, de chikungunya, são as mesmas, porque são os mesmos mosquitos que transmitem os três vírus.

É bom, você comentou que é uma doença nova, uma patologia nova, a que não se sabe muito a respeito, ao contrário da dengue, febre amarela, que são doenças mais antigas, o zika vírus é totalmente novo e a gente não tem muito conhecimento sobre ele. Então, por exemplo, se uma gestante começa a sentir os sintomas do zika vírus, ela estando grávida, ainda não se sabe exatamente o que tem que fazer para evitar a microcefalia do bebê, porque é uma doença nova. Exato, é uma doença que chegou ao Brasil por volta de março deste ano, então o zika vírus, por exemplo, existia na África, existia em alguns países da Ásia, é uma doença que a gente sabe se caracterizar por sintomas semelhantes à dengue, o próprio zika vírus em si, ele produz sintomas até bem mais brandos que a dengue, ele dá uma vermelhidão no corpo, sintomas semelhantes a uma conjuntivite, uma dor nas articulações, inchaço nas pernas, dor de cabeça, às vezes uma diarreia, são sintomas bem mais brandos, mas ninguém associou, por exemplo, o zika vírus a doenças como microcefalia em filhos digestantes que tiveram no mundo inteiro, então é uma coisa que é totalmente desconhecida no mundo, então a gente está estudando tudo isso, é uma coisa muito nova, isso não aconteceu em nenhum país do mundo, então você atribuir isso como um fator causal é algo muito novo, então tudo isso é novo, não só no Brasil, como no mundo inteiro, tudo indica que isso pode estar relacionado, mas a gente precisa estudar isso com muita calma, com muita patrimônia, com muito cuidado, não se pode atribuir isso sem muito cuidado, a gente precisa estudar, não precisa estar preparado para o que vem acontecer.

É, terá provavelmente um bom tempo de pesquisa a ser feito, é um assunto muito delicado, muito novo, como você bem disse, e precisa de toda atenção, e com relação ao tratamento, você disse que não tem cura para a microcefalia, o que dá para fazer é desenvolver a capacidade cognitiva das crianças que nascem com essa doença, mas o tratamento, de que forma esse desenvolvimento intelectual pode ser feito com as crianças que têm a microcefalia? Essas crianças com microcefalia precisam de reabilitação, a reabilitação consiste tanto na fisioterapia motora, que consiste na parte de estimular essas crianças na marcha, no estímulo da força, consiste também em fonoterapia, essas crianças podem ter dificuldade para a fala, a parte de terapia ocupacional, em estímulo pedagógico, isso mais à frente, então tudo isso precisa de tempo, não dá para prever qual a dificuldade essas crianças terão, cada criança pode ter uma dificuldade diferente de outra, algumas podem ser menos ou mais comprometidas, assumir que uma criança vai ter um excelente prognóstico ou um prognóstico ruim, é arriscar-se bastante, porque o comprometimento diferencia de uma criança para outra, assim como o tamanho da microcefalia, a gente consegue prever que as microcefalias são tamanho de crânio e cérebro abaixo de 33 centímetros, de perímetro cefálico abaixo de 33 centímetros, mas o grau de comprometimento cerebral é bastante variável, então isso é muito dependente, é impossível fazer uma previsão de grau de comprometimento, o importante é estímulo, estimular essa criança desde o nascimento, quanto mais estímulo essas crianças tiverem, maior é o grau de recuperação e maior o grau de desenvolvimento que essas crianças podem atingir conforme o potencial que elas têm. Perfeito, perfeitamente. Bom, Marcela Avelina, infelizmente estamos chegando à final da nossa entrevista, o nosso tempo é curto, mas então eu deixo aí um espaço para que você comente algo que não tenha sido perguntado, ou então deixe um recado aí de precaução para as gestantes que estão nos ouvindo.

É importante dizer para todos os gestantes que essa situação que está acontecendo deve deixar claro que a gente precisa ter um cuidado, que durante esse período de gestação elas devem se proteger, devem usar repelente, devem usar roupas de manga compridas, calças, porque vai chegar o período de maior transmissibilidade, mas que a população também deve tomar consciência que o cuidado deve ser de todo mundo, que acabar com a transmissibilidade do mosquito, não só por causa dessa epidemia de zika vírus, de dengue, isso tudo vale para o ano inteiro, não vale só para esse período de microcefalia, é uma doença que depende de todos nós, depende do cuidado que todos nós temos nas casas da gente, nas casas de todos, porque o mosquito ele depende da gente acabar com os fômites e com os focos de transmissão, e que isso também pode ser acabado, e que depende também dos profissionais de saúde para notificarem os casos, para que isso possa ser estudado com mais detalhes, para que a gente possa logo conseguir entender melhor o que está acontecendo, informar melhor a população, para que a gente possa chegar logo a melhores conclusões e passar mais informações para que todo mundo ajude a resolver mais e melhor o que está acontecendo no Brasil. Muito bem, exatamente. Provavelmente terá um bom tempo de pesquisa, porque é um assunto muito importante, demanda toda a atenção, já que é uma coisa nova, e essa possibilidade dos zika vírus estar causando microcefalia, que é uma coisa muito séria, é bastante preocupante, né? Sim, claro.

Mas eu me deixo aqui à disposição para qualquer dúvida, qualquer esclarecimento maior, e quem quiser precisar entrar em contato, a gente se coloca sempre à disposição. Então, muito obrigado, Marcela Avelina, Neurologista da Amato Instituto de Medicina Avançada, pelos seus esclarecimentos. É muito bom saber essas coisas, um assunto tão delicado, tão importante e tão novo na nossa rotina.

Então, mais uma vez, muito obrigada pela sua participação e pela sua disponibilidade, Marcela. É um prazer, obrigado. Nós que agradecemos.

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Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.