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Pessoa, não paciente: o novo olhar humanizado sobre o lipedema | AmatoCast no Lipedema Evolution

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Pessoa, não paciente: o novo olhar humanizado sobre o lipedema | AmatoCast no Lipedema Evolution

**Resumo do AmatoCast – “Pessoa, não paciente: o novo olhar humanizado sobre o lipedema”** No episódio do AmatoCast, a apresentadora Letícia recebe o Dr. Antôn

Perguntas respondidas neste vídeo

E doutora, eu já queria começar falando algo, não é polêmico, mas assim já vai dar uma introdução do que a gente vai conversar aqui, que é justamente o papel do médico no Lipedema, só que é o que o senhor falou, um papel humanizado, né?

Essa visão realmente humanizada de como o paciente deve ser tratado quando existe esse diagnóstico.

E outro detalhe, agora sim, na parte polêmica, antes de tudo, paciente ou pessoa, doutor?

Sim, eu vou te explicar da onde que veio essa situação. Meu interesse em cuidar de pessoas com lipedema, porque minha filha, né, descobri que minha filha tem lipedema, né, tinha tem lipema e ninguém fazia o diagnóstico.

Eu, como cirurgião vascular e angiologista sabia dessa situação, mas ela sempre foi tratada de alguma forma como obesa, como que não seguia dieta, ou seja, uma pessoa, em outras palavras, relaxada, né?

Então eu comecei a me interessar por esse assunto e desde 2018 aí junto com o Amato, então tá a minha missão é levar para esses para essas pessoas eh junto com esse grupo que é extremamente sério de que cuida de Lipedema.

e a e o médico que e o profissional que não é cuidado só por médico, né?

Todos os profissionais que estão vocacionados, são chamados para cuidar dessas pessoas, tem que entender uma avaliação a 360º em todas as dimensões.

Ela não é apenas uma pessoa que tem uma gordura diferente, né?

É uma pessoa que foi ah abnegada na sua situação por todos esses anos e mal compreendida. E além disso tem repercussões não só, né, no aspecto corporal, nas pernas e eventualmente nos braços, mas também em todas as dimensões do corpo, eh, como se diz, do cabelo ao pé, ela tem aqueles aquelas situações marcadoras da pessoa que sofre dessa situação de lipedema.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Meamoto, está no ar mais um Amatocast pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nós estamos mais uma vez aqui no congresso do Lipedema Evolution. Para quem já acompanha há bastante tempo o Amatocast, sabe que a gente tá num ambiente um pouco diferente, porque nós estamos literalmente gravando aqui no meio do congresso. Eu estou com convidados especiais para falar sobre tudo que envolve esse assunto do Lipedema. São é uma série, na verdade, com assuntos diferentes do que a gente tem tratado aqui, do que a gente já trouxe relacionado a Lipedema. E também para quem já tá aqui há um há um bom tempo, sabe que tem até uma playlist só de lipedema para quem tem dúvidas, se interessa por esse tema, às vezes eh recebeu o diagnóstico ou tem alguém próximo que também eh recebeu diagnóstico ou também gosta desse assunto. Então agora eu vou apresentar o nosso convidado especial de hoje, que eu tenho certeza que vai ser muito interessante para todos vocês. O Dr. Antônio Carlos de Souza é médico especialista em cirurgia vascular e titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Também é professor da Universidade Católica de Brasília e tem atuação no tratamento de pessoas com lipedema desde 2018. Bem-vindo doutor. >> Muito obrigado. Primeiro queria agradecer o convite da participação, né, em especial para falar sobre esse assunto que eu sou apaixonado, né, que é tratar as pessoas com lipedema. >> Legal. E doutora, eu já queria começar falando algo, não é polêmico, mas assim já vai dar uma introdução do que a gente vai conversar aqui, que é justamente o papel do médico no Lipedema, só que é o que o senhor falou, um papel humanizado, né? Essa visão realmente humanizada de como o paciente deve ser tratado quando existe esse diagnóstico. E outro detalhe, agora sim, na parte polêmica, antes de tudo, paciente ou pessoa, doutor? Sim, eu vou te explicar da onde que veio essa situação. Meu interesse em cuidar de pessoas com lipedema, porque minha filha, né, descobri que minha filha tem lipedema, né, tinha tem lipema e ninguém fazia o diagnóstico. Eu, como cirurgião vascular e angiologista sabia dessa situação, mas ela sempre foi tratada de alguma forma como obesa, como que não seguia dieta, ou seja, uma pessoa, em outras palavras, relaxada, né? Então eu comecei a me interessar por esse assunto e desde 2018 aí junto com o Amato, então tá a minha missão é levar para esses para essas pessoas eh junto com esse grupo que é extremamente sério de que cuida de Lipedema. a verdade sobre o lipema, que não é uma doença nova, doença descrita na metade do século passado, então não é a invenção moderna da humanidade, não é, da medicina, vamos dizer assim. Então, tem muitas coisas pra gente discutir, descobrir. Cada dia que passa nós temos informação nova. Essa situação que eu falo que eu que eu gostaria de cuidar de pessoas com lipedema, que pessoa é bem mais do que paciente. Pessoa se se se refere ao corpo, né, e toda a história é psicossocial dela, que uma pessoa é muito mais do que um paciente. e a e o médico que e o profissional que não é cuidado só por médico, né? Todos os profissionais que estão vocacionados, são chamados para cuidar dessas pessoas, tem que entender uma avaliação a 360º em todas as dimensões. Ela não é apenas uma pessoa que tem uma gordura diferente, né? É uma pessoa que foi ah abnegada na sua situação por todos esses anos e mal compreendida. E além disso tem repercussões não só, né, no aspecto corporal, nas pernas e eventualmente nos braços, mas também em todas as dimensões do corpo, eh, como se diz, do cabelo ao pé, ela tem aqueles aquelas situações marcadoras da pessoa que sofre dessa situação de lipedema. E doutor, o senhor sempre se interessou por essa área da medicina, como que foi o seu currículo mesmo, né? algumas coisas aqui, mas primeiro a medicina sempre foi o seu interesse. >> Eu nunca pensei, eu formei há exatamente 33 anos, né? Eh, eu nunca estudei nenhum dia em uma instituição privada, por exemplo, sempre escola pública, graduei numa escola eh pública de medicina e quando eu fiz o vestibular eh não tinha segunda opção. Assim, na minha cabeça sempre foi essa. >> Uhum. E apesar de todas as dificuldades, se fosse para começar tudo de novo, começaria fazendo exatamente a mesma coisa e exatamente a mesma especialidade, cirurgia vascular e angiologia. >> Nunca teve um plano B de especialidade, algo que te acendia ali uma vontade também >> tinha psiquiatria. >> Psiquiatria. >> Aí conseguiu juntar as duas coisas agora. >> É, parece que é parece que tem alguma coisa a ver, né? Eu gosto muito desse de de estudar e tentar entender o, né, esses enigmas que ultrapassa o corpo, né, vamos dizer assim, a mente, as questões sociais, culturais, tudo isso interessa. E eu tenho certeza que tá associado à doença em si, ao sofrimento, que a nossa função como médico e em especial noema, que na qual eu defino, eh, é trabalhar em equipe, mas o médico deve acolher, porque o diagnóstico é o papel dele, né? O diagnóstico nozológico é o papel do médico. Então, acolher, fazer o diagnóstico e fazer os devidos encaminhamentos, né? Por isso, trabalhar em rede, trabalhar em grupo sempre. >> Uhum. E doutor, como que eu imagino que seja um desafio, né, falando do meu lado de paciente mesmo, agora pro seu lado de médico, ganhar confiança do paciente para que ele realmente abra o jogo ali de tudo que envolve a vida para que o tratamento, para que toda essa essa parte do diagnóstico aconteça de forma certa. como que é porque às vezes em uma única consulta, né? Claro que uma consulta completa vai ter um pouco mais de tempo ali, mas como que é um desafio ganhar essa essa confiança ou pro senhor é o primeiro passo? Que como que funciona isso na prática? >> Sem sem a confiança disso não tem tratamento, não tem cura, né? É a fé que salva assim, tem que ter a confiança. E para conquistar a confiança é é nós precisamos de primeira coisa, empatia. Ou seja, eu preciso de me colocar no lado, no lugar daquela pessoa, não sendo eu, mas sendo aquela pessoa. É muito fácil eu colocar do seu lado sendo eu, nas suas dificuldades, mas eu tenho que tentar estar do seu lado, seja do lado eh eh do paciente, na posição do paciente, a empatia, primeiro lugar. A segunda questão é ouvir, né? Eu tenho uma grande dificuldade de digitar e ouvir, então eu prefiro eh gravar tudo na cabeça para depois eu anotar, porque eu eu tenho que olhar para o paraa pessoa falando, né? Então, precisa de ouvir sem ouvir não entend e de alguma forma, mesmo na primeira consulta vai acreditar em você, vai confiar em você aquela pessoa que entendeu que você se preocupou com ela, que você entendeu, você captou a dor dela. Então, sem empatia e sem ouvir, não tem jeito. No segundo passo, o afeto. Não tem como fazer a a medicina que eu eh entendo, que é a medicina que eu estou e que eu pratico, né, sem o afeto, sem a compaixão. Isso não tem como. >> E só depois é que o plano de tratamento, plano terapêutico, ele vai surtir efeito. É, às vezes a gente tem resultados que a gente chama de placebo, né, que não tem muitas vezes uma água que você toma, mas e tem um efeito placebo. Mas esse efeito placebo, muito embora ele seja menosprezado, mas ele é um efeito para quem tava com dor e melhorou a dor, ela melhorou a dor. E ela não vai conseguir isso sem ter confiança. Não vai. E essa confiança só é adquirida quando ele é o paciente sente que o cuidador está realmente preocupado com a situação dele. Preocupado não é situado não é angustiado. Ele se colocou no lugar, ele teve empatia. >> Uhum. >> Ele teve compaixão e afeto. Sem isso, não há possibilidade de ter a confiança do paciente. >> Sim. E doutor, quando a gente fala de cirurgia, né, cirurgião vascular, como por exemplo uma das suas especialidades, já vem essa ideia pro paciente? Fala por mim que eu imagino que quem tá acompanhando, a maioria paciente, né, que acompanha aqui o canal tem essa visão também. O cirurgião já é uma coisa mais prática, que ele não quer ficar escutando muito ali histórias, digamos assim, que não quer que perca muito, perder muito tempo ali escutando, né, muitos detalhes. E às vezes as pessoas têm até medo de às vezes ficar contando muita coisa e achar que o que o médico tá perdendo até a paciência, né, de ficar ouvindo tudo isso. Então, o lipedema, eu acho importante a gente destacar isso, né, que apesar de ser a sua especialidade de uma cirurgia vascular, é, o diagnóstico é clínico, né, e muitas vezes o caminho é clínico da do tratamento. Então, acaba tendo essa visão até por parte dos pacientes, né, que vai chegar ali no seu consultório, que é uma cirurgia, que aquilo se resolva de forma prática e que não tenha nem que ficar contando muitos detalhes, às vezes não quer, né, entrar em todas todos os aspectos ali da vida, né, doutor? >> É isso. Isso é o grande dilema. Você foi perfeita em relação a isso. E muitas pessoas, inclusive colegas, né, eles falam: "Por que que o cirurgião vascular angiologista é um dos dos especialistas que adotou, ele adotou o a pessoa com lipedema?" É porque na maioria das vezes, né, isso no mundo inteiro, a pessoa que sofre de lipedema, ela tem edema, inchaço nas pernas, dores nas pernas, algumas manchas roxas nas pernas. E quem é o especialista que ela procura primeiro? Cirurgião vascular, na maioria das vezes, na maioria das vezes, não porque seja uma doença circulatória, não, genuinamente não é uma doença circulatória, mas nós, isso foi um ato eh que é um ato de extrema eh eu diria nobreza, é que o cirurgião vascular que acolhe essa paciente não necessariamente ele precisa dar continuidade no tratamento dessa dessa pessoa, mas um acolhimento adequado e o encaminhamento para os para o grupo de eh eh de pessoas que estão habituados a tratar. Esse é fundamental. Eu não posso simplesmente dizer, olha, é é é isso é um é uma obesidade ou isso é uma uma outra doença qualquer sem um diagnóstico, porque o diagnóstico, como você falou, ele é clínico. Ele é clínico e o devido encaminhamento pode mudar a vida dessa pessoa. Uhum. O lipedema é preciso ter tempo para atender essa pessoa. Então, aquela pessoa que chega até nós já querendo a cirurgia, essa é uma pessoa que muito pouco provável eu não vou cuidar dela, porque ela quer uma cirurgia de uma de uma doença que inicialmente não é cirúrgica, né? A gente sabe que o lipedema hoje, é claro, é uma doença genética, ou seja, tem fatores predisponentes e tem uma série de fatores desencadeantes. Quer dizer, eu, o lipedema não dá e em homem, muito raro dar em homem, a, mas eu sou portador dessa genética, não tenho fenótipo dessa genética, mas eu posso passar pros meus descendentes. E a expressão desse fenótipo depende de uma série de situações, o fato de ser mulher, né, o fato dela ter essa carga genética específica dela inflamar por causa do intestino, da microbiota intestinal. Tem uma série de fatores que não são curáveis inicialmente com a cirurgia. A cirurgia é um tratamento adjuvante quando a pessoa estiver preparada, em especial para quando a pessoa compreender o papel da cirurgia na vida dela, o que a cirurgia pode melhorar na vida dela. Quem colocar todas as fichas somente na cirurgia, no tratamento inicial gera mais frustrações. E esse é o grande problema que você falou: "Mas você é cirurgião, não é? Por que que você não opera, né?" O cirurgião leva 30 anos, desculpa, leva 15 anos aprendendo a indicar cirurgias e o resto da vida tentando contraindicar, >> porque a cirurgia >> é uma declaração de falência do tratamento conservador médico. que é quando não tem mais o que fazer ou você já fez tudo e a cirurgia vai dar aquele plus, aquele passo a mais em que o médico, a equipe e o paciente elas eles devem ter estar afinados para que resultado que vai ter aquele tratamento numa primeira consulta. Isso é impossível. Quem foi na primeira consulta e marcou, já saiu de lá tudo pronto para operar, pode ser que errou. No momento cirúrgico, existem uma situação muito interessante em cirurgia e o lipedema é um grande exemplo disso. Qualquer doença que existe uma possibilidade do tratamento cirúrgico ser melhor que o tratamento conservador, muito bem, a gente faz então a indicação cirúrgica. Então, se eu tenho uma apendicite, indicação cirúrgica, se eu tenho uma urgência por um acidente, às vezes tem indicação cirúrgica. Muito bem. A indicação cirúrgica é muito importante, mas tão importante quanto seria o momento cirúrgico. Eu posso ter indicação cirúrgica, sim, mas quando vou fazer isso? Esse momento de fazer pode ser agora, pode ser daqui 2 horas ou pode ser quando você estiver na melhor forma, o menor risco, que a questão é mitigar risco, melhorar o resultado da cirurgia. Então, o momento cirúrgico, muito embora o lipedema, alguns casos, ele pode ser tratado com cirurgia e e e para melhorar a qualidade de vida, o momento cirúrgico é fundamental. É quando quando é esse momento, quando o paciente melhorar a inflamação, quando cair a ficha de que o problema não está na gordura. É uma doença genética que tem papel hormonal e de fundo inflamatório. Não tem como a cirurgia resolver tudo isso. É uma pretensão muito, muito irreal. >> Uhum. E doutor, acontece de, por exemplo, uma paciente chegar muito abalada emocionalmente no seu consultório, não sei se já aconteceu ou supondo que aconteceria e às vezes até acontece uma indicação cirúrgica depois de todos esses tratamentos que o senhor mencionou de realmente ser necessário, mas o senhor não fazer naquele momento por conta da questão emocional. Isso é fundamental porque o momento cirúrgico, eh, como o próprio nome diz, tem, você tem sim indicação cirúrgica, porque você provavelmente vai se beneficiar. Um exemplo, a paciente tem ela, né, do ponto de vista funcional, ela tem alguma dificuldade para andar, né, de locomover ou esteticamente tá inaceitável para ela. Eu quero ajudá-la de alguma forma e a cirurgia, eh, avaliando, a cirurgia vai ajudar. Agora, quando que essa cirurgia vai? É o momento. E o momento ela tem que estar preparada a 360º. Tem que tá preparada do ponto de vista biológico, por exemplo, os exames pré-operatórios, né, do ponto inclusive cardiológico, bioquímico, etc. Ela tem que estar preparada nesse aspecto. Ela tem que tá preparada do ponto de vista social, familiar, psicológico. E o alinhamento, que a gente chama um nome estranho, mas o alinhico, o que que ela espera com isso? Isso, essa pergunta tem que ser feita uma, duas ou três vezes pra situação ficar clara. O que você espera com essa cirurgia? O que você espera? Se a resposta não coincidir com aquilo que a cirurgia pretende entregar, >> é melhor escolher um outro momento até que esse alinhamento esteja perfeito. Os resultados e as frustrações advêm de distanciamento entre a indicação cirúrgica e o momento cirúrgico inadequado, porque o momento cirúrgico inadequado significa que não houve alinhamento de expectativa. Se for para um procedimento, seja, não precisa ser só cirúrgico, um tratamento que seja invasivo, que passa por algum grau de sofrimento, sem alinhamento, expectativa, há frustração. E e a e aí se perde uma grande oportunidade. Ou seja, a cirurgia pode ser fenomenal, fantástica, né? numa fase em que a pessoa para ela viver melhor, mas tem que ser no momento adequado. Eu perco, entre aspas, eventualmente alguns pacientes que quer fazer a cirurgia naquele momento. Ela não está preparada para isso. E, infelizmente ela bate a minha porta, não quer o ouvir um momento cirúrgico adequado. Pode ser que o momento de outro de outro cirurgião, né, pode ser diferente. Uhum. >> Pode não ser adequado às expectativas e isso gera frustrações. >> Sim, >> né? E doutor, tem uma às vezes uma culpa também, né, das pacientes, porque a gente sabe que o lipema envolve a questão estética, que às vezes tá associada, às vezes até se confunde, né, com uma obesidade. E existe também esse esse sentimento de culpa que precisa ser desvinculado da situação. Ol, olha, uma das situações que mais me manteve nessa luta, porque não é fácil um cirurgião vascular, um cirurgião, como você diz, mais antigo, raiz, >> né, de repente se encantar novamente. Falei, eu falei que eu me encantei com a medicina que eu gostaria de ter feito, que é uma uma consulta prolongada, você aborda os vários aspectos, né, do paciente. Mas isso, essa situação aí é é extremamente comum >> de >> da culpa. Da culpa a ponto de que até uns dos anos, quando a gente falava, quando eu falava em congressos, em seminários sobre Lipedema para uma população de médicos não especialistas, muito comum colegas médicas vir até a mim chorando com lágrimas, dizendo: "Olha, você me tirou um peso enorme. achava, todo mundo me falava que o grande problema meu era relaxo, é porque eu não malho, como demais, eu tenho um problema é com a obesidade e na verdade o que eu tenho uma doença que não tem nada a ver com isso. Então isso a o só o diagnóstico é uma libertação. Só o diagnóstico é uma libertação, mas é apenas uma etapa, né? você rompe, não tem nenhuma relação do ponto de vista de fatores predisponentes, né, com é lipedema com obesidade. Tem sim algumas quando se fala nos desencadeantes, né? Não deixa de ser ganho de peso, né? E a associação com a obesidade é muito grande, porque geneticamente existe um embricamento gênico para lipedema e para obesidade. Então existe sim a culpa e a culpa é uma situação que a gente tem que trabalhar. E dentro do protocolo da nossa primeira consulta existe a proposição de cuidar da mente de terapia. >> Uhum. >> É muita informação. É é é muita coisa. é muito para pra cabeça da paciente e ela precisa trabalhar isso aí. >> Sim. E quais técnicas que o senhor acha mais importante nesse caminho do acolhimento mesmo da da paciente? por exemplo, chegou no seu consultório, falou, começou a criar aquela confiança que a gente já passou, né, dessa dessa fase aí da conversa, contou mais da vida, do dos sinais, sintomas, enfim, já tá se aproximando do do diagnóstico. Existe uma algum tipo de técnica pré-definida para isso ou é ali no momento o senhor realmente só ter uma conversa como se fosse algo pessoal? >> Vamos fazer a primeira situação é o diagnóstico né? E atenção, isso é uma coisa muito importante. Falar para uma pessoa que ela tem lipedema pode ser a comunicação de uma notícia ruim. O impacto pode ser muito grande. >> Tem gente que acha que é um alívio e tem outras que aceitam >> não mais. É essa essa mudança que que eu vi que eu vi que tem tem acontecido. Antes a gente vinha mais aquele alívio. >> Uhum. com o ganho. Eh, na mídia se fala tanto de Lipedema no momento, né? Isso é viralizou, como se diz, que passou no consciente coletivo de muitas pessoas achar que o lipedema é uma fatalidade sem cura. >> Então, para partir de um tempo para cá, a comunicação do diagnóstico, ela tem técnica, sim. Não, não é uma comunicação, você tem lipedema, por isso não. É, é uma comunicação de uma, de uma notícia ruim. E comunicar notícia ruim tem técnicas, não é, né, não é técnica de abordagem, né? >> Tem que levantar as expectativas, o que que você acha, até onde você sabe sobre isso, o que para poder falar. Então, o diagnóstico ele é relativamente simples, mas não é tão simples passar essa mensagem para o paciente. E depois que que ele ouve isso, que ele passa pelas várias fases, uma fase uma fase de negação, várias fases, até a fase de aceitação. E pra gente ter resultados, nós temos que estar lá na fase de aceitação. Por quê? Porque aí com esses dados, nas visitas subsequentes, a gente vai oferecendo dados para ele, para ela poder metabolizar e no momento que ela aceitar e resolver a enfrentar o problema, aí a gente tem que estar disponível para oferecer as possibilidades. Então são tempos diferentes. >> Se a gente atropelar esses tempos, >> a gente não tem êxito. E de novo gera mais frustrações. É muito comum a gente atender pacientes que já passou por inúmeros tratamentos. Cada tratamento com uma expectativa diferente do que ela pensava e gerando mais e mais frustração. >> Uhum. >> Então é preciso ter isso. A desde a comunicação do diagnóstico, fornecimento de informação e se oferecer, né, como parceiro. Eu vou estar com você. É, até você melhorar, né? Isso é muito importante. >> Até que ponto o senhor acha que, por exemplo, o senhor citou das redes sociais, né, dos vídeos que viralizam, enfim, eu já cheguei a ver um vídeo, por exemplo, que tinha 1 milhão de curtidas, mais de 1 milhão de visualizações, é, com uma mulher que pegava a perna, ela apertava a perna e mostrava como ficava algumas marcas e falava: "E se você tem isso, pode procurar o médico, pode ser lipedema." E aí já criava aquele alerta, né? Pode ser que aquilo não confirmava o diagnóstico, mas criava um alerta. Até que ponto o senhor acha que os vídeos que viralizam a forma que o lipedema tem sido falado na internet ajuda a fazer com que o assunto seja mais conhecido e até que ponto cria uma ansiedade nessas pacientes de ficarem procurando informações ou é quererem outros casos às vezes não é o daquela pessoa, né? Ficar se comparando com outras pessoas. O senhor acha que ajuda ou o senhor acha que pode atrapalhar? Não, eu acho que nós já estamos chegando numa fase em que os excessos, a exploração, eh, a exploração mesmo do assunto, do tema e a e a exploração da pessoa com lipedema, porque ela é uma, a pessoa com lipedema e outras doenças também, nós estamos falando de lipedema, ela tem uma uma suscetibilidade enorme, ela é suscetível. Então, se você promete eh um tratamento que cura, ela faz qualquer situação, ela ela contrai dívidas, ela ela é capaz de fazer muita coisa, né? Por quê? Porque ela está apavorada com um tanto de notícias, na maioria das vezes inverídicas, sem fundamento científico, tá? Em que tá que tem nas redes sociais. Então, eu queria dar um conselho a todas que estão eh nos assistindo. Eh, eu sei que a situação é difícil. Lipedema não é uma doença grave. As mulheres que têm lipedema têm duas características interessantes. Elas são bonitas. Lipedema não dá em mulher, a não ser que seja bonita. E a outra é que ela vive mais, ela tem uma proteção. Então o lipedema ele pode ser visto de uma forma de uma graça. Só que nós estamos vivendo uma época na história do mundo da evolução, em que essa evolução chocou, colidiu os nossos hábitos alimentares e de vida. Não deu certo a evolução natural com os hábitos alimentares de vida. E pro outro lado, a expectativa do conceito de saúde e beleza contemporânea. Se a gente olhar as pinturas clássicas e antigas, a gente vai ver que a pessoa mais gordinha, sinal de beleza. Nós estamos vivendo uma época em que isso não é não se não não é conceito de beleza. Ah, e essa e essa situação colidiu com os nossos hábitos alimentares. Então, e não é uma situação fácil, mas não é uma situação grave. Não é uma situação grave ver o lipedema como uma oportunidade de melhorarmos como pessoa. Essa é uma situação interessante. Tem muitos que acredita que o lipedema não existe, até hoje não existe, que na verdade esse lipedema é um biotipo, ou seja, a pessoa tem uma forma de pera característica do lipeda. Bom, a gente pode até considerar que algumas situações fazem parte sim do biotipo, porque esse é um biotipo da mulher que tem uma boa força reprodutiva, tem tudo positivo para a mulher para ser mulher, ela ela foi construindo do ponto de vista evolutivo para o lipedema nesse sentido. Mas algo controlado com o choque que aconteceu com os hábitos alimentares de vida, isso passou a ser uma doença. E qual é esse limite de ser um biotipo? para uma doença, de ser uma coisa normal para uma doença. O que muda é se isso está causando nessa pessoa sofrimento em qualquer dimensão. Então, pode ser que tenha uma pessoa com lipedema grau um e que vive muito bem, tá aproveitando o melhor que ela tem, os exames de sangue fantástico. Só que ela viu esse tema, foi atrás, pediu informação de pessoas idôneas e viu que ela poderia melhorar se ela ajustasse o hábito de vida com a genética dela, alimentação com a genética que ela tem. Pronto, isso é esse nosso sonho de consumo, né? Mas eu posso olhar isso aí com uma fatalidade, né? Quem que transforma esse olhar numa fatalidade? Essas informações desencontradas que existem hoje com facilidade nas redes sociais, isso gera pânico, ansiedade, né? Eh, e isso dificulta o nosso trabalho quando essas informações são distorcidas, essas expectativas são desviadas, desviam essa expectativa para um um patamar que a gente não dá conta. A gente que eu falo como ciência na altura do campeonato. Nós nesse momento nós estamos tentando entender o que é que tá acontecendo. Uma doença descrita lá no no meio do século passado e que a gente não por quê? Porque isso não havia a depois do pós-guerra houve-se o confronto entre os hábitos alimentares e e e hábitos de vida. E aí houve-se, perdeu-se o rumo. Essas pessoas começaram a ficar doentes também por conceitos sociais de valorização eh do consciente coletivo, do que é a beleza, etc. E agora isso é bombardeado na mídia. Isso pode transformar num grande monstro. Olha, na minha especialidade, felizmente tem muito pouco câncer, tumor maligno, muito pouco. Nós temos que dar uma notícia ruim com muita frequência, que é a trombose. Falar para uma pessoa que ela teve uma trombose, isso tem um peso muito grande do ponto de vista psíquico, de sofrimento e de estigma, etc. Tem pessoas que chegam num consultório, quando você dá a notícia do Lipedema, ela tem um sofrimento semelhante a esse, porque ela tá construída de que aquilo é uma situação catastrófica. >> Na verdade, não é bem assim, né? Felizmente nós estamos crescendo, temos que controlar a ansiedade no sentido de querer ser curada a todo custo, né? é que é possível melhorar muita qualidade de vida, mas sem afobar, sem fazer coisas eh extraordinárias. Não precisa. Sim, >> não precisa. >> E às vezes cria tanto essa necessidade da urgência, né, a gente escuta muito, né, essa essa frase, eh, que as pessoas ficam tão obsedadas em passar logo por aquilo ou se curar daquilo, que a gente sabe que de lipedema, vários especialistas aqui já falaram que não existe cura. Não sei qual que é a opinião do senhor sobre isso, mas dizem que, né, é a doença que você controla, mas que vai continuar ali na sua vida, eh, o resto da vida. E e mas de qualquer forma existe a obsessão às vezes daquele daquela pessoa, que eu tava falando paciente de novo, mas daquela pessoa em melhorar aquela situação. E tem e tem algumas coisas que podem piorar, né? algum tipo de atividade física, algum tipo, não sei se a alimentação, mas aquela atividade física que seja muito de impacto. Algum especialista já até comentou sobre isso. Então, existe todo esse contexto que tem que ser analisado também para que seja tudo muito bem equilibrado. >> Equilíbrio é a palavra fundamental, né? Porque todas as, não é só o lipedema que não tem cura. Cura para doença crônica, para problemas crônicos. Volto a dizer que o limite entre o que é uma doença é o sofrimento né? Eh, ele é muito tênuo. Ele é muito tênuo. >> Sim. Doutor, queria agora só uma última mensagem que o senhor puder, a gente, eu até falei no começo, né? A gente tinha combinado que o episódio acaba sendo mais focado em pacientes, mas até para pros próprios médicos que estão acompanhando aqui, que se interessaram pelo congresso, é sobre esse assunto do Lipedema, o senhor que já comentou um pouco sobre a sua, claro que a gente poderia ficar horas comentando, falando, conversando sobre esse assunto, né, sobre o todo o seu histórico na cirurgia vascular, mas o que que o senhor acha agora de mais importante nesse momento para que caminhe de uma forma que é o objetivo do congresso, né, falar sobre as novidades, falar sobre a evolução mesmo, né, do tratamento do Lipedema. O que que é de mais importante agora que tenha a visão tanto do lado médico como do lado do paciente? É, primeiro, em relação aos cuidados, é, esse congresso, ele tem um mérito enorme nessa ideia do Benit do Amato, enorme de trazer equipes, pessoas multiprofissionais para falar. Então, não é só de médico, o médico sozinho também não dá conta, precisa de outros profissionais. Então, primeira situação, o tratamento ele é multiprofissional, então não dá pro médico dar conta sozinho disso. Por quê? Porque ele é multifatorial, né? É, segunda situação para os pacientes, que vocês procurem é médicos que tenham referência, que estudem esse assunto com seriedade. Seriedade. É, muito cuidado com as promessas vazias, promessas de milagres. Eu sempre falo que milagre existe, o que não existe é mágica. Então o milagre seria aquela aquela melhora que você tem através de uma boa relação. Você faz a sua parte, o profissional faz a outra e com o passar do tempo você vai melhorando até o ponto em que você pode se considerar curado. Curado do ponto de vista assim, o sofrimento não existe mais, né? Já a mágica é uma promessa de que você vai sair daqui sem esse culote, sem essa bolinha de >> Uhum. Isso não tem remédio para isso. A cirurgia ela é custosa nesse aspecto e tem que ter o momento adequado. Então tem um pouco de calma nesse momento. Entenda que o lipedema é está, vamos dizer assim, começando. Tenho poucos anos que tem um grupo de cientistas que estão tentando entender isso aí para poder ajudar. E o Evolution é porque o ano que vem vai ter uma outra edição, porque a evolução é tremenda. Nós estamos agora com muitas informações, informações que a gente tem que metabolizar durante esse ano para poder chegar ao nível de aplicação clínica. Nós não podemos simplesmente ter uma informação que está num estudo experimental, no estudo observacional e já aplicá-la. Nós precisamos amadurecer isso aí, a questão de responsabilidade. Então isso precisa de um certo tempo. Então pediria calma, né? Calma para os pacientes e que os médicos acolham essas pessoas, médicos e profissionais de saúde, essas pessoas com os olhos da compaixão, da empatia, né? E vamos eh pensar na possibilidade de melhorar a qualidade dessa no Brasil, 12. 12% das mulheres tendo lipedema. Nós temos uma uma possibilidade de juntos melhorar muito a qualidade de vida dessas pessoas, né? E deixar por um plano eh posterior ou ou natural, né? as influências mercadológicas em cima dessa situação. Que a gente tem que lembrar de novo que a pessoa com lipedema, ela é suscetível, ela tá frágil, ela tá machucada. Na sociedade moderna nós estamos todos machucados de alguma forma. Pessoa do Lipedema, ela tá, se ela entra nas redes sociais, ela é carimbada a todo momento que está doente, que ela tá com problema grave. Não, você não tem um problema grave. Tem gente que pronto para cuidar com de você. Só que nós estamos evoluindo. Tem um pouquinho de paciência e procure profissionais capacitados. Dr. Antônio Carlos de Souza, muito obrigada pela sua participação. Foi muito esclarecedor. Tenho certeza que os comentários aqui, inclusive já queria deixar uma observação, se o senhor quiser passar alguma rede social ou site por onde as pessoas podem te encontrar e onde o senhor atende, caso alguém ficou com alguma dúvida, queira te procurar. Ótimo. Eu atendo o Brasil inteiro, mas, né, hoje a gente tem a possibilidade da telemedicina, mas tem o meu Instagram aqui hoje, o Instagram é a Carlos_line, >> tá? A gente vai deixar aqui também o link para quem tiver alguma dúvida, quiser acessar, pode mandar diretamente nas redes sociais doutor. Sempre entrou a à disposição, >> tá? sempre virame aqui em São Paulo também doutor. >> Três a três vezes por mês, no mínimo. >> Aí, então, para quem já é o público mais daqui, né, que a gente costuma gravar aqui também, na verdade a gente sempre grava aqui, a maioria dos médicos de São Paulo mesmo, mas já consegue te encontrar dessa forma, né, doutor? >> É isso aí. Muito b, >> muito obrigada, viu, pela sua participação. >> Muito obrigada. Obrigada também a você que acompanhou até aqui. Não deixe de curtir, comentar e compartilhar que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas aqui sobre tudo que envolve qualidade de vida. Obrigada e até a próxima. Tchau.

Consulte um especialista

Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.