O bate-papo entre o cirurgião plástico Dr. Fernando Amato e o anestesiologista Dr. Carlos Henrique Lemos esclarece aspectos fundamentais da anestesia. O especia
Bom, olá Fernando, sempre um prazer estar aqui com você. É um prazer imenso fazer parte dessa equipe, desse trabalho de ponta que a gente consegue exercer aqui no Instituto Amato. A anestesia, a palavra na verdade é não sentir, é a ausência do sentir, mas a anestesia, quando ela foi desenvolvida, ela era constituída de um tripé, que é inconsciência, imobilidade e insensibilidade, que é a anestesia, a analgesia propriamente dita.
A anestesia é sempre realizada por médico anestesista, um médico especialista anestesiologista que fez residência de anestesia, são três anos de residência, mais a prova do título. Esse é o profissional que pode estar capacitado, habilitado para fazer anestesia.
A anestesia local, na verdade, os profissionais de saúde podem fazer. Então, o dentista faz, quando a gente vai fazer um tratamento ortodôncico, a anestesia local é aquela anestesia pontual, em pequeno território.
Bom, a anestesia você tem de vários tipos, então você tem a anestesia geral, que o paciente realmente dorme, apaga, e aí a anestesia geral subintende-se que o paciente ele perde a capacidade de manter a via aérea dele na aberta, então ele perde a capacidade de tossir, ele precisa de assistência ventilatória.
E isso é muito importante, porque a gente que trabalha num hospital dia, a gente precisa garantir que o paciente que sai de uma sala de cirurgia, que ele está seguro para ficar numa recuperação e logo depois ir para casa com segurança.
Olá, eu sou o Dr. Fernando Amato, sou cirurgião plástico aqui no Instituto Amato e hoje eu estou trazendo o Dr. Carlos Henrique Lemos, anestesista. Dr. Carlos é colega meu de faculdade, amigo e parceiro em muitas cirurgias tanto fora quanto aqui no Instituto Amato. Então a gente trouxe ele aqui para falar sobre alguns temas de anestesia e hoje a gente vai falar sobre os tipos de anestesia. Uma dúvida que as pessoas têm, que as pessoas leigas têm, sobre os tipos de anestesia que existem, para que servem, qual que vai ser anestesia, por que que tem que ser uma anestesia, por que que tem que ser outra anestesia. Então obrigado, Dr. Carlos, por vir aqui hoje e eu vou começar a pergunta falando o que que é uma anestesia? Bom, olá Fernando, sempre um prazer estar aqui com você. É um prazer imenso fazer parte dessa equipe, desse trabalho de ponta que a gente consegue exercer aqui no Instituto Amato. A anestesia, a palavra na verdade é não sentir, é a ausência do sentir, mas a anestesia, quando ela foi desenvolvida, ela era constituída de um tripé, que é inconsciência, imobilidade e insensibilidade, que é a anestesia, a analgesia propriamente dita. Então você anestesiar o paciente, ele não mexer, não sentir e não se recordar, está dormindo. Isso é a essência da anestesia, mas é claro que a anestesia evoluiu muito desde quando ela foi desenvolvida como uma especialidade e foi descoberta até os dias de hoje. Legal. E assim, a anestesia, quem que pode fazer anestesia? A anestesia é sempre realizada por médico anestesista, um médico especialista anestesiologista que fez residência de anestesia, são três anos de residência, mais a prova do título. Esse é o profissional que pode estar capacitado, habilitado para fazer anestesia. Vamos só dar um ponto que a anestesia está falando de uma anestesia que tem sedação, que tem muitos outros medicamentos. A anestesia local, todo médico está habilitado a fazer, isso é importante saber, mas a anestesista tem uma função a mais durante uma cirurgia. Qual é essa função do anestesista numa anestesia? A anestesia local, na verdade, os profissionais de saúde podem fazer. Então, o dentista faz, quando a gente vai fazer um tratamento ortodôncico, a anestesia local é aquela anestesia pontual, em pequeno território. Mas o anestesista tem algumas funções. Então, essencialmente, quem é responsável por manter o paciente vivo durante a cirurgia é o anestesista, independente da circunstância. Se o paciente sangra é o anestesista que repõe líquidos ou que indica a transfusão do sangue, se for o caso. Se o paciente desenvolve uma ritmia, é o anestesista que trata a ritmia. Qualquer complicação que vem a ter, colher exames durante a cirurgia que encolhe o anestesista, fazer qualquer tipo de correção de algum exame é o anestesista que faz. O anestesista consegue interferir diretamente no sangramento do campo cirúrgico. Então, aumentando ou diminuindo a pressão do paciente, aumentando ou diminuindo a coagulação do sangue do paciente, isso tudo é responsabilidade do anestesista, bem como qualquer outra função, outra da cirurgia, porque o cirurgião está preocupado com a cirurgia, qualquer outra função, além da cirurgia mesmo por si, quem é responsável por fazer ou administrar, conversar com a enfermagem, outros profissionais necessários é o anestesista. Eu falo para os meus pacientes que a função do anestesista é cuidar do paciente enquanto eu estou cuidando, eu estou concentrado na cirurgia. Então, tem muitos pacientes que perguntam, doutor, por que você não faz dar um remédio na língua e faz anestesia local pra mim, porque eu não vou conseguir fazer uma cirurgia e cuidar ver se a pressão está boa, se a frequência está boa, se está respirando, se a saturação está boa. Eu não tenho essa capacidade de prestar atenção em tudo e eu não acredito que alguém vai fazer tudo muito bem feito, prestando atenção nisso e na qualidade do serviço que está atendendo. Então, quando a gente deixa de fazer uma anestesia local, é importante ter a presença de um anestesista para cuidar do paciente. E até mesmo pacientes que são muito difíceis, têm muitas doenças, às vezes até mesmo numa anestesia local pura, é interessante a presença de um anestesista para estar cuidando do paciente, da segurança do paciente, da estabilidade hemodinâmica do paciente no intraoperatório. Então, eu queria completar isso porque é importante o paciente saber dessa função do anestesista numa cirurgia. E quais são os tipos de anestesia que existem e pra que elas servem? Bom, a anestesia você tem de vários tipos, então você tem a anestesia geral, que o paciente realmente dorme, apaga, e aí a anestesia geral subintende-se que o paciente ele perde a capacidade de manter a via aérea dele na aberta, então ele perde a capacidade de tossir, ele precisa de assistência ventilatória. Às vezes ele até consegue respirar sozinho, dependendo de como a anestesista faça essa anestesia. Mas na maioria das vezes ele perde essa capacidade, então precisa ser conectado a um ventilador para continuar respirando. Essa é a anestesia geral. E você tem as cedências, que as cedências se dividem leve, moderada ou profunda, e que a cedência ela interfere também com a sensibilidade, mas precisa, na maioria das vezes, ser complementada por uma anestesia local ou regional, e você tem as anestesias regionais, que é a paravertebral, a pele dural, o bloqueio de nervo, então um paciente que vai fazer uma cirurgia no braço, no ombro, faz um bloqueio aqui na região do pescoço, que aí a anestesia cobre todo o braço, e aí a anestesia mesmo da cirurgia é o bloqueio, ou o bloqueio pode ser feito só para uma analgesia pós-operatória. Mas, enfim, esses são os tipos de anestesia realizadas pelo anestesista, bem como uma anestesia local, que você já pontuou, que aí o cirurgião pode fazer, o dentista, ou, no caso dos pacientes com várias comorbidades, com vários problemas de saúde, um paciente grave, tem o acompanhamento anestésico, que o anestesista é um médico de medicina intensiva. Então, se ele tiver qualquer problema de saúde durante a cirurgia, o anestesista está lá para intervir o mais rápido possível e diminuir, senão anular qualquer efeito deletério sobre o paciente. Legal, mas eu tenho uma pergunta que os pacientes fazem e que gera, eles têm uma confusão dentro deles, que eles sempre vêm com essa pergunta, mas enquanto o tempo demora para uma anestesia passar, por que que eles perguntam isso, que eles acham que eles vão para casa e pode voltar a anestesia e eles não acordarem em casa? E isso é muito importante, porque a gente que trabalha num hospital dia, a gente precisa garantir que o paciente que sai de uma sala de cirurgia, que ele está seguro para ficar numa recuperação e logo depois ir para casa com segurança. Então, Carlos, a pergunta é, quanto tempo demora para passar uma anestesia? Bom, vamos lá, essa é uma pergunta complexa, porque na verdade aqui no Instituto Amato a gente faz anestesia para cirurgias ambulatoriais, os pacientes vão embora para casa no mesmo dia. Então, fazemos uma seleção de drogas que durem pouco tempo, mas que o paciente vá para casa sem sentir dor. Um detalhe, quando a gente fala drogas, a gente está falando medicamentos, então para não ter nenhuma confusão a gente está falando medicamentos, a gente chama de drogas, porque a gente usa no operatório, mas é medicamentos, são medicamentos que são utilizados e são medicamentos lícitos para cirurgia, para anestesia. Não dá para comprar em farmácia, só um hospital pode ter, mas são medicamentos. Sim, então essa seleção de medicamentos a gente seleciona remédios que têm um período de ação que o paciente vá sair daqui sem dor, que dê tempo dele passar na farmácia, para os remédios que ele vai tomar em casa para não ter dor, começar a tomar esses remédios e passar o pósoperatório o mais confortável possível. Então, a anestesia está fazendo efeito durante todo esse tempo, só que esse é o efeito analgésico, o paciente sai daqui acordado, o paciente acorda entre 5 a 10 minutos depois da cirurgia. É o tempo que ele leva para acordar. Acabou a cirurgia, fez o curativo, desligou os medicamentos que mantêm o paciente anestesiado, 5 a 10 minutos ele acorda. Ele ainda tem um lápis de memória que é variável, varia de meia, uma, às vezes duas horas de pósoperatório, que ele está acordado, ele está consciente, ele responde, mas ele não fixa a memória, então ele pode não se recordar daquelas horas. Mas ele sai daqui, plenamente consciente, capaz, sem nenhum tipo de repercussão. Claro, a gente sempre orienta, não pode dirigir, não pode tomar grandes decisões a respeito da vida, a gente pode sempre brigar com o cônjuge, porque a gente culpa sempre os remédios da anestesia. Mas aí é um assunto para um outro dia. Não pode pagar conta. Não pode pagar conta. Pode evitar essas grandes decisões, acho que pagar conta, deixa para o dia seguinte. Tá ótimo. Outra pergunta é, dessas anestesias que a gente falou, qual a anestesia mais segura? A anestesia mais segura é sempre a mais indicada para o paciente. Não necessariamente a mais confortável, mas é sempre a mais indicada. Lógico, aqui a gente está falando de cirurgias agendadas em regime ambulatorial, né, de hospital dia que a gente vai embora para casa. Normalmente a gente combina ou anestesia geral com bloqueio, ou acedência com bloqueio, ou acedência com anestesia local. Isso varia muito da cirurgia e do paciente. Agora, em situações de emergência, aí você tem que sempre preservar o máximo do paciente e aí isso pode ser fazer uma anestesia geral, isso pode ser fazer um bloqueio periférico, isso pode ser fazer um marraque. Cabe ao anestesista fazer uma avaliação criteriosa do paciente e da cirurgia e aí você decide assim optar qual é a anestesia mais indicada e vale dizer que essa não é uma decisão unilateral do anestesista. Isso é conversado, anestesista, cirurgião e paciente. O paciente, ele é responsável pelo procedimento ao qual ele se submete e ele deve participar da escolha. Se o paciente disser, ah, eu não quero fazer marraque anestesia, por exemplo, ele tem plenas condições e pleno direito de vetar essa anestesia desde que o anestesista esclareça, pontuie e enfim, precisa entrar num acordo. Então não precisa sempre entubar, não é? Entubar eu digo passar o tubo para poder ventilar o paciente, então não precisa ser entubação. E aí mais entubação é perigosa? A entubação ela é um procedimento invasivo, existem alguns riscos ao procedimento, então às vezes um paciente que tem uma entubação difícil, que seja difícil colocar o tubo na traqueia, às vezes pode machucar um pouquinho a boca, quebrar um dente, graças a Deus comigo nunca aconteceu, mas esses, isso são riscos inerentes, mas são riscos controlados quando o paciente, quando ele é avaliado pelo anestesista, ele já avalia se ele é um paciente possivelmente difícil de ser entubado. Se ele for um paciente aparentemente difícil de ser entubado ou já sabidamente, através de cirurgias anestésicas anteriores, difícil de ser entubado, o local onde vai ser feito a cirurgia e anestesia tem que ter recursos para pacientes que têm as chamadas via aérea de difícil. Para esses pacientes a gente tem vários recursos também, diferentes tipos de fio-guia, o laringoscópio com câmera na ponta que a gente vê direitinho o tubo entrando na traqueia, fibroscopia que é como se fosse um endoscópio que a gente usa para auxiliar na passagem, nisso tudo tem que estar à mão do anestesista e aqui a gente dispõe de todos esses artifícios. E para finalizar, eu quero saber qual é o papel do anestesista para a recuperação do paciente, para o paciente ter uma recuperação melhor e mais rápida. Bom, isso é realmente algo que faz diferença, o anestesista já há muito tempo deixou de ser aquele cara quase dormindo, cuidando do cara quase acordando que é o paciente, que é a brincadeira que os cirurgiões e os anestesistas têm. Hoje em dia o anestesista consegue interferir diretamente no resultado da cirurgia na recuperação do paciente e na alta do paciente. Então, o anestesista consegue pesar diferentes medicamentos para fazer com que o paciente sangre menos, o paciente acorde mais rápido, que ele retome todas as suas competências o mais rápido possível. Então, associar a anestesia, a sedação com bloqueios para que o paciente tenha uma fisioterapia mais adequada, mais efetiva, que tenha menos dor, e tendo menos dor ele respira melhor, ele anda melhor, ele andando melhor, o intestino funciona mais rápido, a bichiga funciona mais rápido, ele faz xixi, ele come, tudo isso devolve as funções para o paciente o mais rápido possível e você tem formas de fazer a anestesia que diminuem a resposta inflamatória do paciente no intra e no pós-operatório, então você tem uma recuperação mais rápida, você tem um resultado estético melhor, você tem uma cicatrização melhor do paciente, o anestesista consegue interferir no grau de sangramento do paciente no intra e no pós-operatório através de drogas, então a cirurgia é mais rápida, essa cirurgia é mais rápida, a recuperação do paciente é mais rápida, a grau de infecção pós-operatória é muito menor, uma cirurgia mais rápida do que uma cirurgia mais longa, então hoje em dia o anestesista é parte integrante ativa da cirurgia e é muito importante o anestesista ter essa relação com cirurgião de confiança e de trabalho em equipe, isso realmente faz toda a diferença para o paciente, para o cirurgião, para o anestesista e para o resultado cirúrgico. Legal, então eu queria agradecer a presença do Dr. Carlos, anestesista, trabalha em parceria aqui com a gente no Instituto Amato, queria agradecer a presença deles, queria pedir que curta, que compartilhe esse vídeo com quem tem dúvidas de anestesia, que comente, acho que ficou com alguma dúvida, quer perguntar alguma coisa aqui nos comentários, se tiver alguma sugestão de tema, tanto de anestesia, de cirurgia plástica, algum outro tema de saúde e não deixe de se inscrever no nosso canal. Muito obrigado a todos, muito obrigado Dr. Carlos. Muito obrigado, é sempre um prazer estar aqui.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.