O episódio aborda a saúde infantil com foco no crescimento do crânio, apresentando o neurocirurgião pediátrico Dr. Ricardo de Oliveira. Ele esclarece o conceito
A gente é colega aí, já operamos junto e estamos aqui trabalhando nessa clínica fantástica aqui. E hoje é uma honra ter aceitado o convite e falar um pouco sobre a questão do crescimento crâniano, das alterações desse esqueleto nosso.
Eu acho o mais importante aqui, eu gosto... Eu fico enrolando um pouco, porque o pessoal manda no chat se o som está bom, se o som está ruim, então eu já estou esperando ver alguém aqui se reclama ou não, então estou dando a oportunidade para reclamar.
Ele contou um pouquinho da experiência delas e dessa cirurgia.
Bom, vamos lá, Fernando. Nós fizemos toda a cirurgia, foi a cirurgia de separação das gêmeas siamesas que nasceram com o crânio unido um ao outro. E todo o planejamento e a cirurgia, ela ocorreu nos anos de 2017 e 2018.
Isso é um problema extremamente raro, extremamente complexo no mundo todo. São poucos casos que nós temos e também poucos casos de sucesso. Ou seja, aqueles casos em que ambas sobreviveram e em boas condições neurológicas.
Boa tarde a todos. Estamos aqui no nosso sexto episódio do AmatoCast. Sexto, é isso mesmo.
Sexto episódio do AmatoCast. Estamos com o nosso convidado especial, Dr. Ricardo de Oliveira. Dr. Ricardo é neurocirurgião pediátrico, um parceiro nosso aqui do Instituto Amato.
E o mais interessante dele é que ele é um ultra especialista em algumas patologias da cabeça, do crânio. E o tema nosso é saúde infantil com foco no crescimento do crânio. Dr. Ricardo, muito obrigado por ter aceitado o convite.
Gostaria que você se apresentasse para o público, falasse um pouquinho quem você é, onde você fez faculdade, o que você fez, mestrado, doutorado, livre docência. E também é importante dizer que o Dr. Ricardo é ex-presidente também da Sociedade de Neurocirurgia Pediátrica. Muito obrigado, Dr. Ricardo.
Bom, Fernando, antes de mais nada, vamos já quebrando essa formalidade aí. Sem nada de doutor, né? A gente é colega aí, já operamos junto e estamos aqui trabalhando nessa clínica fantástica aqui. E hoje é uma honra ter aceitado o convite e falar um pouco sobre a questão do crescimento crâniano, das alterações desse esqueleto nosso.
Então, vamos lá. Eu sou formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, pela USP, em 1994. Depois eu fiz residência em Neurocirurgia no Hospital das Clínicas também da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.
Depois doutorado, pós-doutorado, fiquei um ano fora do país na minha especialização, no hospital exclusivamente de Neurocirurgia Pediátrica. E ao longo desses anos, muitas contribuições científicas, trabalhos, congressos, atualizações. E eu tive a honra também de ser eleito presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica nos anos aí de 2019 a 2021.
E nesse período, todos se lembram aí, a gente pegou aí a pandemia, então foi um período difícil para todo mundo, mas que nós pudemos modernizar a sociedade em diversos aspectos, incluindo essas transmissões online que hoje fazem parte do nosso dia a dia. Então vamos lá, Fernando. Vamos lá.
O que a gente vai conversar hoje? Eu acho o mais importante aqui, eu gosto... Eu fico enrolando um pouco, porque o pessoal manda no chat se o som está bom, se o som está ruim, então eu já estou esperando ver alguém aqui se reclama ou não, então estou dando a oportunidade para reclamar. Então antes de fazer as perguntas, eu vou comentar também um dos motivos de ter chamado o doutor Ricardo para cá, para essa live. O doutor Ricardo foi um dos médicos que fez a cirurgia daquelas crianças que nasceram com a cabeça grudada uma na outra, né? E a gente fez até uma live sobre isso, né? Ele contou um pouquinho da experiência delas e dessa cirurgia.
Vamos aproveitar o momento e vou perguntar aí como que estão essas crianças, como foi essa cirurgia e como que estão essas crianças? Bom, vamos lá, Fernando. Nós fizemos toda a cirurgia, foi a cirurgia de separação das gêmeas siamesas que nasceram com o crânio unido um ao outro. E todo o planejamento e a cirurgia, ela ocorreu nos anos de 2017 e 2018.
Foram um total de cinco intervenções, sendo quatro intervenções só do ponto de vista neurocirúrgico e uma intervenção que foi realizada exclusivamente pela cirurgia plástica, preparando para a última, que efetivamente foi quando nós separamos as meninas em outubro de 2018. E desde então, Fernando, esse é um caso de separação, né? Isso é um problema extremamente raro, extremamente complexo no mundo todo. São poucos casos que nós temos e também poucos casos de sucesso.
Ou seja, aqueles casos em que ambas sobreviveram e em boas condições neurológicas. Então hoje nós temos as duas que voltaram para a sua terra natal, próxima à Fortaleza, e seguem aí com seus tratamentos. Já voltaram? Já voltaram.
Estão lá há bastante tempo. Teve algum déficit neurológico? Como que elas estão? Essa é uma pergunta bem interessante para ver se ficou alguma sequela da cirurgia. Sim.
Na verdade, a gente não pode dizer sequela da cirurgia, mas nesse problema chamado de gêmeos craniópagos, ou seja, aqueles unidos pelo crânio, nós temos, em geral, um dos gêmeos, ele é o que nós chamamos de dominante em relação ao outro. Então existe uma série de fatores aí que explica essa dominância, mas no nosso caso também. Uma das gêmeas tinha a parte, o neurológico perfeito e assim ficou, e a outra já tinha alguns comprometimentos neurológicos e também não pioraram com a cirurgia.
Muito pelo contrário. Hoje elas estão em um ambiente de reabilitação, de desenvolvimento, e, digamos assim, melhorando a performance, melhorando o seu desempenho a cada dia. Então ambas estão muito bem e estão lá com os pais próximo à Fortaleza.
Show de bola. E aí, como a gente veio aqui falar de crânio, eu não ia deixar de perguntar delas, porque toda vez que eu encontro o doutor Ricardo, eu quero perguntar, mas eu não consigo perguntar porque eu encontro ele correndo. Ele está sempre correndo, então não deu para perguntar as últimas vezes.
Mais uma pergunta que é bem interessante e, na verdade, que todos os pais têm em relação à moleira. Aliás, o doutor Marcelo, que é meu irmão neurocirurgião, ele sempre chama atenção nisso, que é um ponto da neurocirurgia pediátrica que é uma informação útil para todo mundo que é pai, porque fica todo mundo desesperado sobre a moleira. E o que é a moleira? Eu que pergunto, o que é a moleira? Então vamos lá.
Então, essa pergunta realmente é a pergunta-chave da nossa conversa aqui. A moleira, na verdade, ou chamada fontanela, que é o termo que nós utilizamos, a moleira é o termo popular. A fontanela ou moleira, ela é um conjunto da união de alguns ossos do crânio.
Então nós temos a moleira, a fontanela anterior, localizada na região aqui da frente do nosso crânio e posterior aqui atrás. A moleira, na verdade, ela serve para o ser humano para uma finalidade, que é quando o bebezinho está dentro do útero e precisa passar pelo canal de parto. Essa passagem pelo canal de parto, ela é uma passagem difícil.
Então nós temos a moleira que serve como se fosse um amortecedor natural para que o crânio possa moldar-se e, como ele é muito elástico e complacente, o crânio do bebezinho, a moleira ajuda que isso possa ocorrer. Fora isso, a moleira não tem mais nenhuma outra função no nosso corpo. E há uma confusão em que muitos colegas, até colegas médicos, falam para os pais em relação ao fechamento da moleira.
Então há uma confusão entre fechamento da fontanela ou da moleira e a chamada crâniosinostose. E daí veio o termo chamado de mito da moleira fechada, porque isso causa, na maioria das vezes, uma angústia, uma preocupação nos pais e nós sabemos que o que faz o crânio crescer, Fernando, são duas coisas. Primeiro, e a mais importante delas, é o nosso cérebro.
Ou seja, se você tem um bebê com o cérebro normal, significa nasceu, não houve falta de oxigenação, não houve uma infecção intraútero grave, o cérebro é normal, o cérebro vai crescer de qualquer jeito. Muitas vezes ele pode não crescer da forma simétrica, mas ele vai crescer. Então, o primeiro detalhe quando o pediatra fala sobre a questão da fontanela fechada é observar o crescimento craniano, porque o crescimento vai se fazendo mês a mês, por conta do desenvolvimento do cérebro.
Em segundo lugar, são as suturas. As suturas são aqueles espaços que existem entre os ossos e que ele faz com que o crânio cresça de forma simétrica. Então, primeiro lugar, o cérebro, segundo, as suturas.
E a definição de craniostenose é exatamente essa, que é a falta ou a dificuldade de fechamento de uma ou mais suturas cranianas. Mas elas vão fechar em algum momento, né? Sim, as suturas no ser humano, elas podem se fechar. Algumas perduram aí a nossa vida toda e continuam ainda assim abertas.
Mas algumas se fecham em alguns pontos da nossa vida. Mas, quando isso ocorre, o nosso crânio já teve a sua constituição normal. A questão da craniostenose é que o fechamento da sutura ocorre intraútero, então, outra dica que fica aí, que é o bebê, quando nasce com craniostenose, o defeito já está presente.
Ele é visível e isso só tende a piorar com os meses. Nada a ver com a tal da moleira fechada, que o crânio é normal, ele é simétrico e o crescimento ocorre de forma normal, porque o cérebro está crescendo normalmente. E como que faz o diagnóstico se tem alguma alteração? É com medida, fazendo aquelas medidas de perímetro cefálico, ou é apertando? Pode apertar a moleira? Como que é? Sim, essa é outra dúvida bastante frequente, que é essa questão em relação à moleira.
Você pode tocar, sim, você pode palpar a moleira, tocar a moleira sem nenhum problema. Obviamente, por ser no bebezinho um ponto do crânio, entre aspas, de fraqueza, ninguém espera que ali ocorra um trauma direto. Mas se você tiver que palpar por alguma razão ali, é importante, inclusive.
E podem notar os pais, as mães, que têm bebezinho pequeno, que em algumas situações a moleira, ela se altera. Como, por exemplo, se a criança chora, a moleira, ela fica abaulada, ela estufa. Se a criança... É porque aumenta a pressão, é isso? Porque aumenta a pressão, aumenta a pressão, aumenta a pressão porque ela chora, reduz então o retorno venoso, ou seja, isso é normal, a redução do retorno venoso, e há um engurgitamento, há um abaulamento... Estou lembrando aqui, você está falando aqui, de criança chorando, eu lembro das poucas vezes que meus filhos choraram, que assim, fica aqueles cinco segundos de tranquilidade, aí vem aquele choro intenso.
Choro intenso, isso mesmo. Ela vai juntando a energia ali. Aí, de repente, ela explode.
Então, aí a moleira, ela se altera. Como, por exemplo, se o bebezinho está dormindo, tranquilo, num sono profundo, se você notar, a fontanela, ou a moleira, vai ficar um pouco deprimida. Isso é normal também.
Então, essas variações durante o dia são perfeitamente possíveis de serem vistas. No caso, por exemplo, quando você tem um problema, não é o nosso motivo aqui, mas só citar um exemplo, por exemplo, você tem uma hidrocefalia, que é o acúmulo de líquido no interior das cavidades ventriculares. A moleira, ela é importante.
Por quê? Porque ela vai ficar permanentemente abaulada, porque a pressão na cabeça está alta. Então, ali é como se fosse uma válvula de escape. Mas, mais uma vez, a moleira não tem relação direta com o feijão, com a carência senosa.
Nada tem a ver uma coisa com a outra. Ótimo. Aí tem uma pergunta aqui, se adultos podem desenvolver a hidrocefalia.
Então, acho que não tem nada a ver com o tema, mas veio aqui. Mas aí vem uma outra pergunta. Essas crianças que têm hidrocefalia, na verdade, ela teria algum atraso, né, no fechamento da moleira? Como que funciona? Quando o adulto tem hidrocefalia? Uma pessoa perguntou aqui se adultos podem desenvolver a hidrocefalia.
Eu acho que a gente pode responder essa pergunta. Sim. Mas, na verdade, eu aproveitaria para complementar uma pergunta.
Se a criança tem uma hidrocefalia, ela vai retardar o fechamento dessa moleira? Sim, perfeito. Claro, a hidrocefalia, a gente tem a hidrocefalia de forma espontânea ou congênita e aquela hidrocefalia adquirida. E no adulto, na maioria das vezes, as causas de hidrocefalia são aquelas causas adquiridas.
Por exemplo, um tumor que comprimiu a via licórica ou a hidrocefalia, chamada hidrocefalia do idoso, ou a hidrocefalia após uma meningite ou após uma hemorragia, geralmente são hidrocefalias adquiridas. No caso da moleira, sim. Quando você tem a hidrocefalia no bebezinho, em geral, a moleira é bem ampla porque há um aumento da pressão intracraniana e isso ocorre.
Como eu falei, a moleira acaba sendo uma válvula de escape. Então, ela fica bem ampla e muitas vezes tensa. Essa é uma forma, é um sinal clínico que nós temos para investigar se, por exemplo, é uma hidrocefalia o problema.
E quando que um pai tem que procurar um neurocirurgião pediátrico por conta... Um pai, eu digo pai ou mãe, procurar um neurocirurgião pediátrico por alguma... Que alteração eles têm que procurar na cabeça dos filhos para procurar um neurocirurgião pediátrico ou não? Deixa para o pediatra fazer essa indicação. É muito importante, os pais, na verdade, eles estão com os seus filhos durante o tempo todo. Então, eles sabem perfeitamente se ocorre ou não alguma alteração.
É claro que o pediatra é fundamental e vai acompanhar essa criança mês a mês. É o papel do pediatra. É importante que os pais notem alguns sinais de alerta.
Como, por exemplo, olhar o crânio, olhar o formato da cabecinha do seu bebê. Que normalmente, o nosso crânio não é totalmente arredondado, mas o formato lembra algo mais arredondado. Então, qualquer alteração que lembre uma deformidade do crânio, e esse é muito simples, basta comparar, por exemplo, com outro bebê.
Enfim, isso não é difícil. Leve a um profissional especializado, que pode ser o neurocirurgião pediátrico, para que faça uma avaliação, sabendo que aquela deformidade, às vezes, pode ser apenas uma deformidade postural, pelo fato do bebê ficar muito tempo apoiado na região de trás da cabeça. Mas o neurocirurgião pediátrico é o profissional habilitado, existem outros também, mas habilitado para fazer o diagnóstico correto de uma crâniosinostose, por exemplo.
Para mim, como cirurgião plástico, aparecem muitos pacientes com deformidades posturais. Mas não dá para mudar já no adulto, já tem uma abordagem diferente. Então, é uma orientação que deve ser dada para os pais, a mudança da posição da criança no berço.
É uma orientação formal, porque acaba que ninguém fala, olha, você tem que mudar, que posição fica. Na verdade, é até desesperador, falam que não pode ficar, que não pode ficar de barriga para baixo, para não se vomitar, não ter algum risco de sufocamento. Agora, quando está de lado, tem que ficar mudando de posição, por conta do formato do crânio? Então, vamos lá.
Essa é uma pergunta também muito interessante e... Deixa eu só corrigir aqui. Aproveitando aqui para falar para todos, não deixar de compartilhar esse vídeo com quem possa se interessar, quem é pai, mãe, tem crianças pequenas e se preocupam e estão um pouquinho angustiados com a criança. Então, acho que vale a pena fazer esse compartilhamento.
Se inscrever no canal, quem está assistindo, é sempre bom e ajuda a gente a criar mais conteúdos. Curtir o vídeo, por favor, curtem. Eu estou aqui me desgastando no sexto episódio, já tem sétimo episódio no mês que vem.
Então, tentando pelo menos um episódio por mês, mas tentando fazer dois episódios por mês, trazendo pessoas excepcionais aqui para trazer assuntos muito interessantes e a gente poder aproveitar. E a gente está aqui com o doutor Ricardo de Oliveira, que é neurocirurgião pediatra. Qual que é o seu Instagram? doutor.ricardodeoliveira underline neuro Podem seguir ele no Instagram, ele também vai trazer informações importantes sobre os temas.
E a gente está falando sobre o desenvolvimento da cabeça, do crânio. Então, algumas patologias que trazem muita angústia para alguns pais nesse momento difícil, quando nasce uma criança, é tudo muito novo. E a gente já falou um pouquinho da moleira aqui, falamos um pouquinho de crânios sinostose.
E aí, em relação a, a gente falou também da hidrocefalia, né, que pode retardar o fechamento. Falamos que, na verdade, por que que fecha antes a moleira e aí evolui para a crânio sinostose? Então vamos lá, vamos lá, Fernando, vamos lá. Vamos pontuar cada detalhe aí.
Primeiro, vamos voltar à questão, nós vamos voltar aqui à questão da moleira. Da deformidade postural. Ótimo.
Então, esse é um ponto muito importante. Vale lembrar o seguinte, em 1992, a Sociedade Americana de Pediatria, ela publicou uma norma. E nessa norma ela dizia que a criança deveria ficar apoiada com a parte posterior, porque havia riscos da criança, por exemplo, após a amamentação ou o aleitamento, ela ter um engurgitamento, ter vômito e aspirar aquele leite.
Ponto. Só que, a partir desse, dessa normatização, houve um aumento significativo das deformidades que ocorrem na parte de trás da cabeça. Porque precisa complementar essa informação.
Então, lembrem que após, geralmente, 3 meses, a criança já tem o controle do pescoço completo. Então, a criança não pode ficar engessada na mesma posição. Ou seja, você não pode colocar o bebê apoiado o tempo todo.
Por quê? Porque o peso da cabeça vai acabar deformando o crânio. Isso é o que nós chamamos de deformidade postural. E veja bem que, sim, você pode mudar a criança.
Você pode colocá-la de lado, lado direito, lado esquerdo e até mesmo de barriga para baixo, que, na verdade, é a melhor posição. Para aquelas crianças que já têm uma deformidade, colocar de barriguinha para baixo é perfeito, porque você não apoia mais aqui. Mas em que situação? Porque, obviamente, como você mesmo falou, os pais têm medo, têm preocupação em relação a isso.
Você vai primeiro, a criança, você vai colocá-la de decúbito ventral quando ela realmente estiver dormindo. Ou seja, você não pode pegar, der o leite para a criança e já quer colocá-la na posição ali. Ela não vai ficar.
Aí você tem que esperar ela adormecer profundamente e aí você coloca na posição. Ah, mas eu tenho medo, eu não sei se isso vai dar certo ou não. Não tem problema.
Você pega no começo, acompanha, fica do lado, fica no beijo, fica do lado, observa. E, logo, vocês vão notar que a criança se adapta muito fácil a essa posição. Então... Na verdade, como pai, eu falo que a melhor posição para as crianças dormirem é ventral, de barriga para baixo.
Só que essa orientação desconsidera essa experiência como pai, porque deixar a criança virada para cima são poucas que conseguem. Então, às vezes, precisa até colocar de lado. Minha opinião como pai.
Agora, como neurocirurgião, aí eu não sei qual seria a melhor recomendação. É interessante saber disso. O ideal também é o seguinte, você pode colocar o bebezinho de lado.
Existem, inclusive, algumas... Travesseiros. Travesseiros que são próprios para isso. Você pode colocar lado direito, lado esquerdo.
O mais importante, o mais importante grave em isso é a mudança de posição. Não se deve deixar a criança na mesma posição o tempo todo. É isso que causa as deformidades posturais.
E agora, pegando esse link. Então, deformidade postural, o bebê adquire. Ou seja, ele nasce e isso vai aparecer com o tempo.
Existem bebês que ficam, às vezes, internados em UTI muito tempo. E, às vezes, a deformidade é mais importante. Outros acabam adquirindo por conta dessa posição e desse medo da engurgitação.
Do vômito após o aleitamento. O outro ponto da moleira, da fontanela, novamente. A fontanela, mais uma vez, para aqueles que entraram agora.
A fontanela, ela nada tem a ver com craniostenose. Tal como a deformidade postural. São situações que estão relacionadas com o esqueleto crâniano, de alguma forma.
Mas não são problemas que necessitem de uma intervenção cirúrgica. E sim, de uma orientação. Perfeito.
Tem alguma receita, como neurocirurgião, para a criança desenvolver melhor o cérebro? Obviamente, sim, tem. Temos, sim. Na verdade, não como neurocirurgião.
Mas como é fundamental... Vejam bem, o desenvolvimento neurológico é crucial, principalmente nos primeiros dois anos de idade. Eu tinha que perguntar isso, gente. Realmente, vai que tem algo que eu possa fazer a mais.
De zero a dois anos, Fernando, é o ponto-chave do nosso desenvolvimento. Ou seja, nesse momento, a criança precisa estar bem nutrida, com um aleitamento adequado, com a alimentação também gradualmente incluída na dieta, de acordo com as orientações do pediatra. Mas tudo isso deve ser feito, e já existem inúmeros estudos, para que a criança, a cada fase, adquira uma evolução do ponto de vista alimentar.
E isso é extremamente importante para a criança. Outro fato, que nós sabemos muito bem, é, obviamente, a estimulação cerebral, em que a criança precisa estar constantemente estimulada, através de sons, música, do diálogo, no ambiente calmo, o dia-a-dia, também, mais uma vez, dependendo da idade, a interação lúdica, com diferentes tipos de brinquedos, e assim por diante. Então, isso acaba levando que o nosso cérebro, nessa fase da vida, adquira as funções normais, as funções mais importantes.
E depois, isso só vai aperfeiçoando cada vez mais. Então, a gente vai tendo ali a primeira infância, de dois até sete anos, depois a segunda infância, até a pré-adolescência. E vejam só que interessante.
No passado, nós acreditávamos que o nosso cérebro não era capaz de se reorganizar diante de uma lesão, a não ser na fase da infância. E isso é provado hoje, que não é bem assim. Em qualquer fase da nossa vida, se existe uma lesão no cérebro, há possibilidade, obviamente diferente do bebezinho, mas há possibilidade de nós obtermos novas aquisições em qualquer fase da vida.
Poxa, legal isso. Aí, como pai, e eu nunca quis fazer isso, mas eu conheço alguns pais que já cogitaram. Não vou citar aqui, porque podem ser conhecidos, mas capacete.
Tem gente que quer colocar capacete na criança para não bater a cabeça da criança. Eu já vi meu filho, na minha frente, tropeçar, cair, bater aqui na lateral, e tem uma artéria aqui superficial. Então, assim, não deu dois segundos, já fez um hematoma.
Um galo. Um galo. Sorte que tinha um neurocirurgião assistindo junto comigo, então meu irmão estava do meu lado, e nós dois assistimos ele caindo, batendo na quina, fazendo o galo, e ficamos observando ele, não teve problema algum.
Mas tem essa história do capacete. Existem uns capacetes para algumas crianças, e eu não sei se teria indicação meio preventivo de crianças que são mais acidentadas, ou seria só para as crianças com alguma patologia, alguma doença, ou um pós-operatório. Então vamos lá, a história do capacete.
Vamos falar um pouquinho do próprio desenvolvimento do ser humano. Ao longo de milhares de anos, a espécie humana, o Homo sapiens, foi se desenvolvendo, e o nosso crânio também se aperfeiçoando ao longo dos anos. Isso vai desde o nascimento até a idade adulta, a velhice e assim por diante.
O que ocorre? Na verdade, o nosso crânio é adaptado. Ele é extremamente bem preparado para que a gente possa passar fases da nossa vida. De acordo que pequenos traumas são, num primeiro momento, por exemplo, você citou aí do seu filho, que idade ele tinha? Deve ter uns três anos.
Três, quatro anos. Então nessa fase, o crânio tem uma certa elasticidade. É até interessante falar, nós estamos falando de osso com elasticidade.
Mas sim, por quê? Porque ele tem informação. E ele consegue absorver um trauma muito mais fácil do que, por exemplo, um paciente na idade adulta, ou até mesmo uma criança maior. E isso, o trauma, tanto é que qual é a forma mais comum de trauma de crânio na criança? São as quedas.
Quedas acidentais. A criança anda de bicicleta, a criança sobe em árvore, a criança ela tropeça. Criança saudável, né? Criança saudável tem que fazer isso, né? Tem que fazer.
E aí, obviamente, isso ocorre. Ele vai bater a cabeça, ele vai ter trauma. Mas na imensa maioria dos casos, não se concretiza com algo mais grave.
Porque geralmente isso é absorvido pelas condições fisiológicas, pelo crânio da criança. Agora, no caso do seu filho, teve uma ruptura porque ele bateu aqui numa região. Bateu em cima.
Possivelmente rompeu ali, ou uma veia, ou até mesmo uma pequena artéria. E isso acabou formando um hematoma. Então, que é algo muito comum quando tem trauma de crânio, é a formação desses hematomas.
Que na maioria das vezes são por conta de ruptura de pequenas veias. E isso se resolve tranquilamente. Mais uma vez, quando há um trauma, bateu a cabeça, observe.
E, obviamente, caso sintam ali que a criança está um pouco mais parada, queixando de dor de cabeça, muito irritada, no caso dos bebezinhos, levem até o hospital para que seja devidamente avaliado. Então, o sinal de alarme é a criança que ficou mais amoada, mais sonolenta, acho que vomitar também, vômito, dor de cabeça, pior que a dor de cabeça vai ter por causa da localização. Mas aquela dor de cabeça persistente deve ser investigada.
E aí o capacete? O capacete, vamos lá. A questão do capacete, ele surgiu da mesma forma. Como houve essa publicação da questão da sociedade americana da criança ficar deitada, aumentou muito a deformidade postural.
Aumentando a deformidade postural, surgiram os capacetes. As ortes ou capacetes crânianos, eles surgiram na tentativa de acelerar o remodelamento do crânio nesses pacientes. Mas nós sabemos, existem diversos estudos que mostram que a mudança postural, ela é tão eficiente ou mais que o próprio capacete.
E vale lembrar que nós moramos num país em que boa parte do país, tirando essa época do ano, mas mesmo assim, olha só, nosso inverno bem limitado, que nós moramos num país quente, num país tropical. Então, imagine o bebezinho ficar ali 23 horas por dia com esse capacete. E ele tem que ao longo do tempo trocar o capacete.
Por quê? Porque ele vai crescer o crânio. Então, o capacete precisa ser ajustado. Ou seja, as indicações do capacete são extremamente restritas.
E devem, isso é importante, devem ser feitas por um profissional especializado. E não, como nós estamos vendo hoje, profissionais até não médicos, que acabam prescrevendo o capacete sem um diagnóstico clínico adequado. Tem isso? Por exemplo, tem.
Eu já operei criança com crâniosinostose verdadeira em que estava usando ou que usou o capacete. Pra quê? Exatamente. Pra nada.
Porque o capacete não vai melhorar uma crâniosinostose. Então, passou num profissional, não médico, que acabou prescrevendo um capacete e a família usando aquilo percebendo que o crânio cada vez pior. Ou seja, tomem cuidado com isso.
O capacete não é a solução de qualquer deformidade. Muito pelo contrário. O seu uso é extremamente restrito.
Então, não dá pra ficar prescrevendo aí capacete. Só o de bicicleta, quando for andar de bicicleta. Ah, sim.
Aí sim. É o de proteção para o esporte, né? Aí é EPI. Isso sim.
O capacete, esse você lembrou bem. Então, como as causas principais são as quedas, bicicleta, patins, patinete, tudo isso, a criança precisa estar protegida, né? Perfeito. E o capacete serve pra isso mesmo.
E aí voltando já, a gente já falou um pouquinho de moleira, crâniosinostose. A gente vai fazer esse vai e volta e vamos voltar pro crâniosinostose, né? O que que é, né? Bom, eu vou falar minha visão bem simples tentando explicar pro povo e você vai me corrigir. É o fechamento das suturas, né? Que são as divisões dos ossos do crânio.
Eles se fundem mais cedo e aí com isso vai ter algumas deformidades dependendo de onde tiver essa fundição. É isso? É isso aí. Tem alguma explicação melhor aí? É, vamos lá.
A crâniosinostose, a origem, né? O que é a crâniosinostose? É o fechamento de uma ou mais suturas crânianas. Dependendo de qual ou quais suturas foram fechadas, nós vamos ter uma deformidade específica. Então, por exemplo, a mais comum quando há o fechamento da sutura chamada sutura sagital, que é essa sutura que a gente tem aqui nessa parte superior da cabeça.
O que vai acontecer? O crânio vai crescer de forma alongada e estreita. Então, é bem característico desse tipo de crâniosinostose. Outros tipos, por exemplo, uma sutura lateral que nós temos aqui.
Quando ela é fechada de um lado só, é essa parte, por exemplo, do lado direito. A parte dessa do lado direito vai ficar afundada. Então, chama-se plágiocefalia.
Cada sutura tem um tipo característico e também um tratamento específico. Em relação a por que surgem as crâniosinostose. Normalmente, a crâniosinostose é um problema genético, é um problema de origem genética em que um gene que é responsável ali, que está naquela região da sutura e ele é responsável pela ossificação, ele sofre uma alteração e essa alteração acelera o fechamento da sutura.
Como você me perguntou, mas quando fecham essas suturas? Às vezes, nós temos suturas que vão ficar a vida toda aberta, mas no caso da crâniosinostose, há um aceleramento desse fechamento e aí por isso que o bebezinho já nasce com o problema. Pode ser por conta de algum medicamento, alguma coisa externa, alguma coisa que dá para evitar? Tem algum fator assim, controlável? Tem, tem. Uma das medicações, sabidamente, que pode estar relacionada com a crâniosinostose é o ácido valpróico ou o Depakene.
Mas o uso pelos pais, é isso? Pela mãe. Geralmente, a mãe que tem epilepsia e que faz uso do ácido valpróico precisa ser orientada durante o período gestacional ou preferencialmente programar a gestação para que até mesmo uma mudança do anticonvulsivante possa ser realizada. Mas o ácido valpróico, ele tem relação, sim, com um tipo específico de crâniosinostose chamado trigonocepalia.
Felizmente, aqui no Brasil, ele não é um anticonvulsivante utilizado como de primeira escolha. Como, por exemplo, na Europa. Na Europa, a gente tem muito mais mães que utilizam o ácido valpróico.
Não é o caso aqui no nosso país. Interessante. Legal.
E qual que é o termo correto? Crâniosinostose ou crâniostenose? Na verdade, vamos considerar que o melhor é a gente dizer crâniosinostose, porque envolve a questão das suturas. Mas o crâniostenose também é bem conhecido e é uma questão semântica, mas crâniosinostose, digamos assim, que seria o termo melhor para a gente usar aqui no Brasil. Tá certo.
Aí, uma sugestão aqui que o Dr. Marcelo falou para a gente falar um pouquinho de Chiare. Sim. Eu nem sei o que é isso.
Então, aí eu vou começar desde o começo. Ele falou, fala de Chiare, se der tempo. Eu falei, o que é Chiare? Vamos lá.
O Chiare é uma outra... Na verdade, ele também tem uma certa relação com o crânio, com o crescimento crâniano. O Chiare hoje, vejam só. Chiare, primeiro, é o nome de um indivíduo que determinou, que fez a primeira impressão de sinais e sintomas e acabou levando o nome de síndrome de Arnold e Chiare.
São dois profissionais aí que evoluíram nessa doença, como nós temos tantas outras doenças aí com nomes de pessoas. Mas o Chiare nada mais é do que... Hoje, entende-se que ele pode ser congênito ou adquirido. E, na maioria das vezes, há uma dificuldade.
Nós não formamos muito bem a região aqui de trás da nossa cabeça, chamada fossa posterior. Ou seja, nós temos uma diferença entre o conteúdo... O que é o conteúdo? São as estruturas que estão ali. Quais são as estruturas? Geralmente, está o cerebelo e o tronco encefálico.
Estão ali as estruturas. E o continente, que é a parte óssea. Então, se você tem uma alteração na formação óssea, você vai ter um desequilíbrio entre o conteúdo e o continente.
Só que tem um detalhe. A gente tem a medula que conecta o cérebro, o espaço que conecta o cérebro à coluna vertebral, passa a medula. E se você tem as estruturas não cabendo, entre aspas, nesse espaço, elas tendem a passar pelo canal espinhal, levando ao que nós chamamos de chiare, que é uma parte do cerebelo, chamado de amídala cerebelar, que mergulha dentro do canal.
E aí acaba levando... Pode dar hidrocefalia? Pode até dar hidrocefalia. Não é comum, mas pode acontecer. Quais são os sinais e sintomas mais comuns do chamado chiare verdadeiro? São aqueles que são dores de cabeça, geralmente dor de cabeça localizada na região posterior, dor de cabeça que se acentua com exercício físico, com qualquer indicativo de algum aumento da pressão.
Então, por exemplo, se você tosse, se você faz um exercício físico, um esforço, a dor de cabeça aumenta. Existem casos em que há formigamento, que pega os braços, pode pegar as pernas. Então, nesses casos, outra sinal interessante é que alguns pacientes envolvem a apneia do sono.
O que é a apneia do sono? Durante o sono, ele tem períodos em que ele para de respirar e volta. Isso pode acometer as crianças? Não só crianças, como adultos. O chiare é um problema que pode acometer tanto crianças quanto adultos.
Eu realmente achava que era só adultos. Então, eu realmente fiquei até surpreso de ter colocado. Então, criança pode ter isso.
E qual a faixa etária? Geralmente, crianças, você pode ter o chiare em qualquer fase da nossa vida. Mas na população pediátrica, geralmente acima de 5, 7 anos é o período mais comum. Também porque a criança começa a manifestar a clínica... Outro detalhe é que o chiare, hoje, é um problema cada vez mais frequente nos consultórios.
Mas por que isso? Problema é na facilidade de realização da ressonância. Então, muitas vezes, a pessoa, a criança, tem um trauma. Vamos colocar lá o caso do seu filho.
Teve um trauma de crânio. Alguém fez uma ressonância. Alguém fez uma tomografia.
Na tomografia, ficou em dúvida. Passa para a ressonância e vem lá o chiare. Isso é extremamente importante.
E ganhou uma cirurgia? Não, necessariamente. E na maioria das vezes, não. Porque é um achado de exame.
Às vezes, a gente pode ter uma discreta... Essa parte do cerebelo pode mergulhar discretamente. E a paciente não tem nenhum sinal. Mas e quando tem indicação cirúrgica? Como que a cirurgia? Faz por vídeo? Não.
No caso do chiare, quando há indicação cirúrgica, a cirurgia que ela é realizada, como eu disse, o que é o chiare? Então, é entender um pouco a dinâmica do chiare. É um problema de conteúdo e continente. Você precisa gerar espaço.
Gerar espaço, você consegue gerar através da remoção de parte do osso, desse anel em que passa a coluna vertebral. E com isso, você expande o espaço, resolvendo, na maioria das vezes... Então, tira um pedaço da coluna? Não. Da coluna, a gente só remove o arco da primeira vértebra, que não causa nada para a remoção desse arco.
Não acontece, não tem nenhum problema. E o anel, a gente também remove esse anel que une o crânio e a coluna. A gente remove, geralmente, 1 a 2 centímetros de osso.
Com isso, você expande o local da fossa posterior, reduzindo ou melhorando o espaço para as estruturas que estão ali. Legal. É uma cirurgia demorada? É uma cirurgia que envolve, obviamente, um treinamento, mas que, quando você tem chiare, que não há necessidade da abertura da dura mater, que é a membrana que separa o conteúdo do sistema nervoso da parte exterior, geralmente, é uma cirurgia de 1 hora e meia, no mais, tardar 1 hora e meia, 2 horas.
E resolve, porque você descomprime, né? Descomprime e, na maioria das vezes, resolve. E não chega a mexer com o cérebro, nada, só mesmo o osso, né? Isso, é uma cirurgia, basicamente, de remoção óssea e dos ligamentos, que são elementos que nós temos ali, que você também remove para gerar espaço, para descomprimir o canal. Mas, na maioria das vezes, não há necessidade.
Hoje, existem trabalhos que demonstram isso. Não há necessidade de você abrir a dura mater. Em alguns casos, selecionados.
Mas, na maioria das vezes, não há necessidade. Show de bola. Legal.
Eu gosto muito de assistir cirurgias de outras especialidades. Eu gostava muito do internato e da residência de cirurgia geral, porque a gente ia pulando nas especialidades e ia vendo. Agora, a gente vai concentrando na nossa especialidade e a gente deixa de ver essas cirurgias.
Por isso que eu falei, eu não sei como que é. Eu sei, mais ou menos, o que é a doença, mas fica lá num vago, numa situação que eu não vejo há muito tempo. Então, é muito interessante mesmo. Quando tiver aí, eu vou dar uma olhada.
Bom, a gente falou, conversou antes. Quanto tempo ia demorar a live? Eu falei, não sei, acho que uns 40, 50 minutos. A gente já tem 45 minutos para ver o que a gente bobeou, passou.
45 minutos, super rápido, bem legal. Então, se alguém tiver dúvidas, o momento de tirar as dúvidas é esse. Pode mandar também no Instagram aqui do Dr. Ricardo.
Ele deixou aberto aqui para interagir com o público dele. É um tema muito legal. Eu quero saber mais das meninas siameses, que nasceram com a cabeça unidas e eles separaram.
Então, toda vez que entrevistar, eu vou perguntar sobre esses casos. Crânio estenose, crânio sinusitose é algo que gera muita aflição para os pais. Eu já vi colegas médicos desesperados com os filhos.
Então, a gente vê isso muito próximo. Essa sensação de saber se a conduta é cirúrgica ou não. Então, por isso, o mais importante é procurar um especialista.
A moleira é muito confuso. Na verdade, não deveria ser, deveria ser simples. Deixa ela quieta lá, que ela vai fechar se tiver.
Então, tem que ver se tem alguma deformidade nela, mas o fato de ela estar aberta não é para ter esse desespero. O capacete, para ser usado preventivamente, tem que ser o capacete de moto, de bicicleta, de skate, de patins, o que for fazer de atividade. É muito importante para proteger e para evitar algum trauma cirúrgico.
Algum trauma acidental no crânio. Então, é importante usar esses equipamentos de proteção individual. Doenças da criança, do desenvolvimento.
Eu acho que a gente citou as mais importantes. Tem alguma outra que você veja que é importante citar para o público? Não, eu acho que você pontuou muito bem. Então, para aqueles que entraram aí e viram a nossa live, a questão das deformidades cranianas.
Toda vez que os pais notarem uma deformidade craniana, procure um profissional para tirar a dúvida. Não persistam com a informação do que é normal. Muitas vezes eu também já operei diversos casos e que o diagnóstico acabou sendo tardio pela insistência, sempre aquela história.
Mas, doutor, tem um probleminha ali. Não, isso é normal, é do parto. Não, espera aí.
Se isso é normal, é do parto, geralmente ocorre o quê? Duas, vamos colocar aí, de duas a três semanas após o parto e às vezes pode ocorrer mesmo. Não, e nasce todo amassado. Minha filha, mesmo sendo de cesárea, ela nasceu toda deformada.
Até a orelha, toda constrita, tudo. Isso foi tudo remodelando. Muitas vezes com desespero, porque ela estava bem encaixada.
Mesmo tendo sido cesárea, ela estava muito encaixada. Então, o parto normal deforma. A cesárea, não acha que fazer cesárea vai evitar isso? Deforma também.
Pode acontecer. E deforma porque é natural, faz parte do processo a criança deformar para ela conseguir nascer, para poder passar no canal do parto. Então, as pessoas às vezes ficam muito desesperadas.
Então, o momento de ficar, começar a se preocupar depois de umas três semanas. Então, assim, é exatamente isso. Existem algumas alterações, a maioria das vezes alterações no próprio couro cabeludo e que vão se resolver nas primeiras duas, três semanas.
Passado esse período, preste atenção, porque nós podemos estar diante de uma deformidade chamada crânisternose, que é o fechamento de uma ou mais estruturas crânianas. E isso tende a ficar cada vez mais importante. Ou seja, não melhora.
Diferente, por exemplo, da deformidade postural em que a criança nasce e passado alguns meses, por conta da posição dela, ela vai amassar principalmente a região posterior. E depois, recolocada essa criança na posição correta, de lado, ou mesmo de barriga pra baixo, você recupera, você melhora. Então, essas nuances, essas dicas, os pais precisam ficar bem atentos.
E não ficar, como eu já vi, eu falei pra você, de crianças com diagnóstico de crâniosternose e que muitas vezes o pediata, não, é normal, é normal, e não era normal desde o início. Então, assim, na dúvida, procure o profissional pra tirar, pra esclarecer tudo isso. Como é uma live longa de 50 minutos, tem pessoas que entram depois, a gente tem que também dar uma atenção também quem entra e dar algumas coisas, e vai ter que repetir.
Doutor Ricardo, como estão as gêmeas? Eu tô brincando porque a gente já falou, é a terceira vez, mas a gente vai falar, e toda vez que eu encontrar com ele, eu vou perguntar, como estão as gêmeas? Não, felizmente, elas estão muito bem. Elas estão lá em Fortaleza, na cidade delas, nós estamos aí, a cirurgia foi em 2018, nós estamos aí completando esse ano, em outubro desse ano, cinco anos de cirurgia, e felizmente as duas estão muito bem, Fernando, estão muito bem mesmo, e seguindo lá o tratamento delas na cidade delas. Show, legal.
Então, o que mais? Basicamente, ó, hoje eu queria pedir desculpa pra todos, eu atrasei um pouquinho pra começar, esse foi um problema meu, vocês veem que ficou com uma bagunça aqui, a gente ficou com uma câmera só, e minha assistente de palco aqui esqueceu de colocar a caixinha de perguntas. Tem uma caixinha de perguntas que a gente pega, é uma caixa de pérfuro cortante, eu deixo várias perguntas lá, e daí você coloca a mão na caixa de pérfuro cortante, você vai pegar uma coisa pior do que o pérfuro cortante, que é uma pergunta. E aí, não veio a caixa de pérfuro cortante, então ele vai ficar sem a caixa de pérfuro cortante por culpa da minha assistente de palco.
Mas eu vou fazer uma pergunta pra ele que não tem nada a ver com isso, porque já foi uma pergunta que caiu duas vezes nos outros episódios. Estilo de música. Estilo de música? Olha, essa é uma pergunta boa.
Na verdade, eu não tenho um estilo de música, eu gosto de música boa. Essa é uma resposta boa também. Se a música for boa e me agradar, tá valendo.
Eu não tenho um estilo, eu nunca fui fã, por exemplo, de um determinado grupo, de um determinado cantor, eu gosto de música. Então se eu pegar no Spotify, as mais ouvidas, você vai gostar? Não necessariamente. Não pra mim.
Pode ser pra os outros, mas não pra mim. Legal, legal. Agora você pode fazer outra pergunta.
Por exemplo, qual é o seu time de coração? Time de coração? Tava lá a pergunta lá. Tava lá. Tava lá, mas tinha essa pergunta também.
Pode falar. Esse não tem dúvida. Palmeiras? De forma alguma.
São Paulo. Eita. Resolveram aparecer essa semana, né? Tá certo então.
Pessoal, eu gostaria muito... Opa. Qual... Calma aí, alguém fez uma outra pergunta. Qual tratamento a longo prazo será obrigatório elas fazerem? Tá perguntando das gêmeas.
Então, na verdade aí, o tratamento a longo prazo é a reabilitação, né? A reabilitação e o acompanhamento com geralmente a neurologia pediátrica e o próprio pediatra. Mas lembrando que hoje elas estão como uma criança vivendo a vida delas, né? Se desenvolvendo, né? Tendo estímulos. Isso.
Então é isso, pessoal. Tivemos aqui nesse nosso sexto episódio do Amatocast o nosso convidado, o doutor Ricardo de Oliveira, Neurocirurgião Pediátrico. Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica.
Então é uma pessoa de referência no Brasil e no mundo na neurocirurgia pediátrica. E aí eu queria agradecer a presença dele e que ele faça as últimas... as palavras dele aí para de finalização. Não, mais uma vez, eu acho que esse bate-papo ele é extremamente útil, Fernando.
E eu agradeço a sua iniciativa, o seu tempo, porque você montou toda aqui uma estrutura pra que a gente possa interagir e muitas vezes ajudar pessoas que estão nos ouvindo e vão continuar nos ouvindo porque esse material fica lá à disposição no canal da clínica, da Clínica Mato, também no nosso Instagram, ele vai estar à disposição. E também no canal existem dezenas de outros assuntos. Isso é muito legal.
A gente tem muito vídeo. O doutor Ricardo fez muito vídeo também sobre esses temas. Então, se quem quiser tiver uma pergunta consegue, no vídeo, e consegue perguntar lá, às vezes até interagir, porque talvez seja mais direcionado a sua pergunta.
Aqui a gente tentou pegar um pupurri, um apanhado de assuntos aqui relacionados à neurocirurgia pediátrica. Tentamos abranger tudo em uma hora, acaba ficando bem pequeno o tempo. E a intenção mesmo do canal de fazer essas lives é tentar falar um pouquinho de saúde.
Saúde no geral, não só na saúde infantil. Saúde tem várias maneiras da gente abordar, estilo de vida, melhora no estilo de vida. Esse a gente acabou pegando um público mais específico que são as crianças com algumas dúvidas, principalmente dos pais.
Talvez seja mais a saúde dos pais do que as crianças que a gente esteja abordando. Então, é isso. Tem mais uma perguntinha aqui, pediu até um por favor.
O valproato de sódio faz mal pra mim que sou adulto? Eu uso porque tomo remédio controlado. Isso, geralmente é o que eu falei. Não é que faz mal.
Toda medicação tem os seus efeitos colaterais. É importante, se você faz uso dessa medicação, existe uma razão pra isso. E é importante acompanhar com o clima.
Na verdade, a gente citou o medicamento por conta da mãe que está gerando uma criança e está em uso dessa medicação. No caso, foi um homem que perguntou. Não vai interferir em nada.
Então, é isso. Eu agradeço muito a todos. Espero que no mês que vem tenha um sobre a saúde, um reembolso saudável.
A gente tem convênio de saúde. É interessante que a gente vai trazer uma advogada pra falar sobre isso. É um tema bem interessante pra quem tem convênio médico ou quem pretende ter convênio médico porque o reembolso tem sido um grande problema pra fazer procedimentos e ter uma livre escolha pros tratamentos médicos.
Então, é isso. Muito obrigado. Obrigado, Fernando.
Obrigado a todos que nos acompanharam nesse tempo. E, mais uma vez, o material está disponível. Nos acompanhe.
Envie as suas dúvidas. Envie as suas dúvidas, os seus comentários. Podem enviar aqui no negócio da live, mesmo nesse vídeo, que a gente tenta responder pontualmente cada um.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.