A Dra. Lorena Amato, endocrinologista, explica que a endocrinologia pediátrica aborda crescimento, desenvolvimento, saúde óssea, obesidade, tireoide e alteraçõe
Sim, com certeza. A endocrinologia pediátrica aborda vários aspectos relacionados ao crescimento, desenvolvimento, saúde óssea, obesidade, tireoide, todas as alterações hormonais que podem acontecer nas crianças.
Não, não são todas as crianças que precisam, toda criança precisa de um pediatra para o acompanhamento do seu crescimento. Quando está tudo bem, dentro do previsto, ele não vai ser encaminhado, referenciado para um endocrinopediatra, mas o pediatra que acompanha essa criança, quando notar alguma alteração, alguma possibilidade de disfunção endocrinológica, ele certamente vai encaminhar para o especialista, então, geralmente, esse paciente já vem referenciado.
Sim, e é interessante também, porque às vezes, por exemplo, a criança já tinha esse controle da urina, não usava mais a fralda, e passou a não ter o controle, e às vezes os pais acham que não faz essa relação, acham que a criança não está fazendo de propósito, não está fazendo birra, alguma coisa assim, e é importante esse tipo de alerta, que às vezes a condição, claro que não pode ser algo fácil de resolver, mas que pode estar relacionado a algo mais sério, mais grave.
O adulto vai crescer muito mais saudável, se já tiver esse acompanhamento desde a infância. Com certeza. Na questão das fraturas, que eu acabei não falando na pergunta anterior, eu ouvi uma frase que eu achei fantástica, eu sempre guardo nessas frases, que a osteoporose é uma doença que começa na infância.
Coisa de adulto, quebrando osso, osso fraco. Mas poucas pessoas sabem que a gente faz um pico de massa óssea até por volta dos 30 anos de idade. E o quão alto esse pico a gente atinge de massa óssea, depois disso a gente começa só a perder.
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato. Agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios, nós estivemos aqui com convidados especiais para falar sobre um tema que ainda é considerado um tabu, mas que reúne muitas curiosidades, cuidados paliativos.
Antes, nós estivemos com o doutor Alexandre Amato, que é cirurgião vascular, e conversamos sobre alimentos que podem causar inflamação ou dor. Hoje, nós estamos aqui com a doutora Lorena Amato, endocrinologista, para falar também sobre um tema muito interessante que ainda a gente não trouxe aqui no AmatoCast, que é endocrinopediatria. Vamos falar agora sobre a doutora Lorena Amato, que é médica endocrinologista do Instituto Amato, graduada pela Universidade de Goiás e especialista pela USP.
Além disso, é membro da Sociedade Brasileira e Americana de Endocrinologia e professora de pós-graduação. Mais uma vez, bem-vinda, doutora. Obrigada, vamos lá, mais uma vez.
Já vou adiantar aquele spoiler de sempre, o que a gente pode já comentar que vai ter sobre esse assunto. Já peço o gancho, inclusive, que muita gente sabe, ou não, o que a endocrinologia faz, mas a endocrinopediatria é algo que ainda a gente não discutiu, muitas pessoas têm dúvidas em relação a isso, não é, doutora? Sim, com certeza. A endocrinologia pediátrica aborda vários aspectos relacionados ao crescimento, desenvolvimento, saúde óssea, obesidade, tireoide, todas as alterações hormonais que podem acontecer nas crianças.
Então, a gente vai falar um pouquinho de cada uma dessas coisas aqui. Legal. Então, já vou direto para a pergunta.
Quando que, de fato, uma criança precisa de um endocrinopediatra? Todas as crianças deveriam passar para ter um acompanhamento, ou, caso tenha algum problema, algum sinal de alerta, aí sim, os pais precisam procurar? Não, não são todas as crianças que precisam, toda criança precisa de um pediatra para o acompanhamento do seu crescimento. Quando está tudo bem, dentro do previsto, ele não vai ser encaminhado, referenciado para um endocrinopediatra, mas o pediatra que acompanha essa criança, quando notar alguma alteração, alguma possibilidade de disfunção endocrinológica, ele certamente vai encaminhar para o especialista, então, geralmente, esse paciente já vem referenciado. Alguns, como vêem em episódios como esse, algumas disfunções e sabem que as crianças podem precisar, por ter conhecimento, por ter lido a respeito, podem precisar de um endocrinopediatra, vem direto.
Sem indicação do pediatra e, muitas vezes, realmente com uma queixa condizente relacionada à estatura, relacionada ao excesso de peso, que já realmente tem que ser conduzido pelo endocrinopediatra. Legal. Inclusive, quando as pessoas falam de pediatria, mais especificamente, comentam sobre até quando a pessoa pode ser acompanhada por um pediatra.
Há essa dúvida, porque, às vezes, a pessoa já fica adulta, já completa 18 anos e continua passando com o pediatra, mas é legal também, no seu caso, que, por exemplo, começa desde a infância e, como você também é endocrinologista de adultos, já não tem esse limite de idade. Excelente você falar sobre isso, Letícia, porque alguns pacientes passaram comigo, vários, para acompanhar o crescimento, o desenvolvimento, o check-up anual. Devido a isso, já são ali adolescentes, pré-adolescentes e já não se veem mais passando com o pediatra.
Apesar que existe uma especialidade para adolescentes dentro da pediatria, chama ebiatria, mas esses adolescentes, muitas vezes, não se veem muito confortáveis de passar com o pediatra, mas então é a hora que, muitas vezes, os pais trazem ao endocrinologista para fazer o seguimento desse crescimento, se está dentro do esperado, check-up anual, avaliação de saúde, bem-estar, quando já não se acham mais condizentes a seguir com o pediatra. Mas sim, até a adolescência, até o final, até o início da idade adulta, um pediatra poderia conduzir essas pessoas, mas muitos deles já querem optar por um médico que não seja só de criança. Sim, e da endocrinologia até para os adultos, tem muito a ideia que é algo complexo, que envolve ali, até é difícil de explicar qual que é a função de fato dessa especialidade, mas também é importante a gente dizer que, inclusive, foi um link para o nosso último episódio para quem quiser acompanhar, que a endocrinologia, eu ia falar endocrino-pediatria, mas a endocrinologia, em geral, ela também está relacionada à qualidade de vida, que até você citou, que na consulta, a qualidade de sono pode estar interferindo em alguma condição que aquela pessoa apresenta, e a criança, no caso.
Com certeza, promoção de saúde, avaliar todos os aspectos da saúde, porque, com certeza, pode estar interferindo na produção hormonal, e essa interação é muito íntima e muito conhecida. Qualquer alteração do estilo de vida saudável pode interferir nas funções hormonais do corpo, e as desfunções hormonais é o endocrinologista que avalia. Legal, e nas funções, quando eu fui fazer a pesquisa da endocrino-pediatria, eu encontrei algumas que me chamaram a atenção, e queria que você comentasse um pouquinho sobre, ah, do crescimento a gente sabe que faz parte, do sobrepeso, obesidade também, que a gente vai comentar um pouquinho mais sobre como que isso pode ser controlado, como que funciona, alterações de peso, agora, diabetes, colesterol, teve um que me chamou, dois, na verdade, aumento da frequência urinária e fraturas ósseas frequentes.
Então, acho legal a gente destacar, porque às vezes é um alerta, né, pra quem tá querendo, os pais que estão acompanhando, se tem algum indício que tá tendo esse tipo de problema nos filhos, que deve procurar um endocrinologista. Sim, o aumento da frequência urinária em adultos também, mas em crianças, se os pais percebem, em criança, muitas vezes, pode aparecer com uma criança que já desfraudou, já saiu das fraldas, já parou de urinar à noite, e aí começa a ter o que a gente chama de anorese noturna, urina à noite, ou tá indo muito ao banheiro, ou tá perdendo urina, porque tá produzindo tanta, que não consegue segurar até ir ao banheiro. Então, em crianças, os sinais, às vezes, são esses, a mãe não vai perceber que está levando mais ao banheiro, mas, às vezes, uma criança que já controlou a questão da urina, já não usa mais fralda, para de controlar.
Isso é um sinal que ela pode estar produzindo muito urina, pode ser isso. E duas doenças, existem várias situações, mas na endocrinologia, duas doenças, principalmente, podem levar a esse aumento da produção de urina, que é o diabetes, pode ser um primeiro sinal de diabetes, inclusive, esse termo diabetes vem do excesso de urina, se você for pegar a terminologia de onde veio diabetes, é o excesso de produção de urina, e poliúria é o termo mais vinculado, mas lá, dos primórdios da medicina, que era o local onde você urinava, então, o excesso de urina vem com esse termo diabetes, que é o melitus, que é o excesso de glicose no sangue, que é o diabetes tipo 1 clássico de crianças, a gente vai ver também que pode ter o tipo 2 em crianças, mas a gente fala mais para frente, e o diabetes insípidos, que não tem relação com a glicose, não tem nada a ver, também chama diabetes, porque também cursa com o excesso de urina, mas não tem nada a ver com o excesso de glicose, e é uma doença endocrinológica, o diabetes insípido são situações endocrinológicas, às vezes relacionadas a lesões neurológicas, mas o primeiro sinal é esse, e o endocrinologista acaba sendo o médico que conduz esse diagnóstico, até saber qual foi a causa. Então, os diabetes insípidos, melitus, que são alterações que podem acontecer nas crianças, que se manifestam com o excesso de urina, também são da área da endocrinologia, são totalmente, né? Sim, e é interessante também, porque às vezes, por exemplo, a criança já tinha esse controle da urina, não usava mais a fralda, e passou a não ter o controle, e às vezes os pais acham que não faz essa relação, acham que a criança não está fazendo de propósito, não está fazendo birra, alguma coisa assim, e é importante esse tipo de alerta, que às vezes a condição, claro que não pode ser algo fácil de resolver, mas que pode estar relacionado a algo mais sério, mais grave.
Exatamente. E um diabetes, você diagnosticando no começo, principalmente o melitus, faz toda a diferença. Então, ficar atento aí, a esses sintomas sutis que podem aparecer.
E outra coisa que eu queria pontuar, doutora, é essa questão da endocrinopediatria, que é importante pra quem já busca essa questão da qualidade de vida, né? O adulto vai crescer muito mais saudável, se já tiver esse acompanhamento desde a infância. Com certeza. Na questão das fraturas, que eu acabei não falando na pergunta anterior, eu ouvi uma frase que eu achei fantástica, eu sempre guardo nessas frases, que a osteoporose é uma doença que começa na infância.
Aí eu falo, nossa, osteoporose? Coisa de adulto, quebrando osso, osso fraco. Mas poucas pessoas sabem que a gente faz um pico de massa óssea até por volta dos 30 anos de idade. E o quão alto esse pico a gente atinge de massa óssea, depois disso a gente começa só a perder.
Então, se a gente faz um pico não tão alto, nesse momento de perda, as chances da gente vir a ter uma massa óssea muito baixa, porque a gente não fez um bom pico, é muito grande. Então, uma criança que não ingere leite ou derivados, não tem um bom aporte de cálcio. Tem fonte de cálcio de outra forma, além de leite e derivado? Tem.
Mas aí você tem que se empenhar bem mais, porque não é tão fácil achar cálcio. Você consegue brócolis, outros gergelim, enfim. Mas você tem que comer bem mais para você conseguir.
Exposição ao sol para produzir vitamina D, nível de vitamina D boa. A gente vê que essa criançada ninguém se expõe ao sol, né? E atividade física regular. É isso que vai construir o osso.
É isso que faz uma boa massa óssea. As crianças estão muito sedentárias. É incrível.
A criança faz atividade uma vez por semana, duas vezes ali na escola. Ah, não, já faz atividade física. Para a criança, é atividade física diária, de moderada intensidade, pelo menos.
E a gente não vê isso na prática. Então, esses três formadores de osso, se a criança não faz esse pico de massa óssea, porque durante 30 anos da vida e começou lá na infância, não fez um bom osso, quando ela começar a perder, esse osso que chegou lá ruim, só vai por água abaixo. E fraturas também podem ser osteogênese imperfeita, outras alterações ósseas que têm a ver com a endocrinologia também.
Então, fraturas frequentes. Não só essa questão do pico de massa óssea, a prevenção da osteoporose, como também, e outras doenças, mas aqui falando dos ossos, como outras doenças que acometem os ossos, podendo levar a fraturas frequentes. E falando dessa questão de massa óssea, eu até já coloquei aqui no nosso primeiro assunto, que eu acho muito importante a gente destacar, que eu imagino que seja uma das maiores procuras para a endocrino pediatria, que é a questão da baixa estatura.
Então, quando que isso deve ser uma preocupação? Às vezes, os pais estão nessa dúvida se de fato tem algum tipo de problema do crescimento daquela determinada criança, se precisa utilizar algum hormônio, e há também muitas polêmicas sobre esses hormônios que podem ser utilizados na questão de crescimento das crianças. Então, queria entender como que isso deve ser um alerta. Toda criança que os pais suspeitam que possa estar abaixo da estatura que deveria estar, deve passar por uma avaliação de um endocrinologista, endocrino pediatra.
Isso é fato. Mesmo que seja para que esse endocrino pediatra diga que está tudo bem. Se os pais suspeitam que possa ter algo errado, que possa ter uma alteração na estatura dessa criança, leve para uma consulta com o endocrino pediatra para avaliar se de fato se confirma essa baixa estatura.
Muitas vezes, pode ser só uma impressão errada dos pais, ou os pais são baixos e a criança só segue o padrão familiar, ou pode ser o primeiro sinal, como para o crescimento a criança tem que estar bem psiquicamente e fisicamente, pode ser o primeiro sinal de uma doença que está se manifestando ali na ausência de crescimento, fazendo com que a criança fique baixa. Então, o crescimento, para a criança crescer, ela tem que estar bem até psiquicamente. Alterações psíquicas, estresse psíquico, deprivação de afeto, leva à diminuição do crescimento, leva a uma menor estatura.
Então, é por isso que o bem-estar da criança vai levar ao melhor potencial em estatura. E pode ser o primeiro sinal também de uma doença aí, que está uma doença intestinal que não se diagnosticou, uma queda na estatura. Então, precisa de uma avaliação toda vez que os pais suspeitarem.
Pode ser que esteja tudo bem ou não. Na questão de ser algo genético, isso deve, a criança vai seguir aquele padrão dos pais ou tem alguma forma de reverter esse quadro, essa situação? Perfeito, essa questão genética é complexa. Pode ser genético porque não é um problema, é igual puxou o rosto da mãe, puxou o rosto do pai, se assemelha herança genética ou herança genética alterada.
Às vezes, aquele pai baixo, ele teve o problema que não foi diagnosticado e agora o filho está tendo o mesmo problema e tem a oportunidade de ser diagnosticado e ser tratado. Então, pode ser simplesmente pessoas saudáveis que têm uma genética para ter uma estatura mais baixa ou pessoas que foram doentes sem diagnóstico. Então, esse pai pode ser que ele tenha tido, ou essa mãe, uma alteração de saúde genética que ele passe para o seu filho e o filho tem a oportunidade de se tratar.
Então, existem as duas situações. A situação que não, não tem nada de errado, os pais são baixos e são saudáveis e foram saudáveis e que aí não tem realmente, é difícil abordar porque nesse caso é a genética da pessoa ou quando aquela família teve, de fato, um problema, um pai ou uma mãe não foi diagnosticado, essa criança tem uma oportunidade de se tratar e mudar sua evolução na estatura, deixar ficar um pouco mais alto. Sim, e muito se fala sobre a questão do hormônio de crescimento, é o GH, né? O GH, o hormônio de crescimento.
Até lembrei de um outro episódio que a gente comentou por algum motivo. E as pessoas dizem que quem faz uso desse tipo de hormônio acaba não só tendo a questão da altura melhorada, se é que na avaliação daquela pessoa, mas também tem outros problemas, entre aspas, como, por exemplo, muitos pelos, suor excessivo. Quando que o hormônio pode ser indicado? Para criança já pode ser utilizado em questão dessas contraindicações, né? Como que funciona isso? Efeito colateral, toda medicação tem.
Tudo tem. Tudo que você for intervir vai ter efeito colateral. A grande avaliação que a gente tem que fazer é a balança do benefício para os riscos.
Se a pessoa não precisa utilizar o hormônio de crescimento da criança, você só vai estar expondo a ela esses riscos, porque o benefício vai ser muito pequeno. Agora, para a criança que precise, ela vai ter um real benefício com o uso daquele hormônio. Existem as indicações, a avaliação, a gente faz a avaliação com endocrinologista e vê quem precisa ou não.
O benefício vai superar muito os possíveis riscos que são raros, são incomuns. É uma medicação segura, de uso a longo prazo, muito estudado, GH. Então, para quem precisa, pode usar com segurança, tranquilidade, com acompanhamento médico, que vai ser um tratamento tranquilo.
Legal. E tanto nessa questão da baixa estatura, também há o oposto, né? A estatura muito alta, que às vezes causa essa preocupação também nos pais. Mas isso pode gerar um problema ou não, isso não tem como ser alguma condição que precisa ser tratada? Sim, a alta estatura também é uma área de abordagem do endócrino pediátrico.
Quando a criança está crescendo muito, algumas alterações, doenças, têm que ser investigadas. Existem algumas doenças que cursam com alta estatura. Existe, enfim, gigantismo, Marfan, Kleinefelter, algumas doenças que podem cursar com alta estatura.
Quando a gente avalia a criança e vê que ela não tem uma doença, ela só tem a alta estatura, na verdade, a sociedade quer se enquadrar num padrão, né? As pessoas são diferentes. Existe ali a maioria, existem as mais altas, as mais baixas, e esse tratamento só para colocar todo mundo no padrão, isso não é adequado, né? As pessoas não têm que seguir um padrão. O que o endócrino pediatra faz? Ele vê se tem doença.
Se tem algo que vá prejudicar aquela criança. E se tem essa doença, a gente vai tratar. Se não tem, a pessoa tem que se aceitar como ela é, afinal, ninguém é igual a ninguém, as pessoas são diferentes.
Umas mais, outras menos. Umas mais no padrão, outras menos. E a criança tem que trabalhar muito com os pais e com a criança a questão da aceitação do que é característica e do que é doença, fazer essa diferenciação.
E você falou bastante sobre a questão do olhar dos pais, né? De ver quando a criança ou está com a altura considerada menor do que o desejado ou maior do que o desejado, que é o que a gente estava falando agora. Mas há alguma tabela que as pessoas podem se basear? Ou não, isso é apenas pelo olhar dos próprios pais ali mesmo? É essencial seguir o seguimento regular com o pediatra, no caso, porque vai medindo todo ano. Mas a gente encontra na internet diversos aplicativos, sites, que você coloca lá a estatura do pai, da mãe, é só procurar e dá uma previsão de estatura da criança, fala em que percentil de crescimento a criança está, percentil se está nos 50 está igual todo mundo, se está acima dos 50 está um pouco mais alto do que o padrão e abaixo está um pouco mais baixo do que o padrão, que não necessariamente é isso, inclusive não é, são variações da mesma, da criança, na população, as pessoas não são iguais.
Mas quando está muito abaixo, percentil muito abaixo, menor que percentil 5, mais enfaticamente percentil 3 de crescimento, aí chama a atenção. Mas o pediatra vai notar isso e toda criança tem que passar regularmente com o pediatra, não só para ver o crescimento, desenvolvimento, vacinação, prevenção, enfim, outras situações. Legal.
E em questão de sexos, tem mais incidência em sexo masculino ou sexo feminino esse tipo de problema? Na verdade não tem, mas a reclamação é mais no sexo masculino. Existe uma pressão em social de estatura para homens, na questão populacional, não, as mulheres são mais baixas geneticamente, os homens são um pouco mais altos, mas a procura, como se isso fosse um problema, é muito maior em relação aos meninos. Eu acho muito importante a gente colocar aqui uma questão, se a criança não tem baixa estatura e os pais, que às vezes são da altura da criança, a criança vai chegar na altura dos pais, mas os pais querem, por um fim estético, fazer alguma coisa para a criança crescer mais, é um erro muito grande.
Os pais têm que trabalhar muito a questão psicológica, avaliar o que está acontecendo, porque o que está acontecendo que aquela criança vai ser inadequada por ter 7 centímetros a menos do que os pais esperavam? Será que ela precisa daquilo para atingir o quê? Qual é a expectativa dos pais em relação a isso? O que ela vai atingir a mais? Não, eu queria ter um filho alto. Poxa, você tem que aceitar como você tem. As pessoas falam muito isso na estatura e não veem como preconceito.
Outras situações, se os pais falassem isso, isso ia ser um grande absurdo. E na estatura, a gente vê falando como se tivesse problema algum, eles falam, não, você tem que querer o quê? Como ele é, né? Enfim, é muito complexo isso aí. Eu vejo, eventualmente, essas situações e eu falo, aí não se resolve com o hormônio e com o endocrinopediatra.
A gente tem que avaliar esse contexto da família. Essa fala disso e tudo, né? De, ah, eu quero um filho alto, mas quando fala, por exemplo, que é o próximo tópico aqui da obesidade, se fala relacionado a isso, é um grande absurdo. É um grande absurdo.
Eu quero um filho magro. Porque quer um filho mais magro do que... Exato, se alguém falar, eu quero um filho magro, nossa, o pai já ia te chamar, conselho tutelar para os pais. Mas aí fala, eu quero um filho alto na frente da criança, a criança muitas vezes não se importa com aquilo e a criança fica colocando aquilo como algo importante.
Quando outras coisas são muito mais importantes para a saúde, para relações sociais, do que a estatura somente. Exato. Agora, já entrando na questão da obesidade, a gente trouxe um episódio, mas hoje, falando da gravidade da obesidade infantil, mas acho que hoje é importante a gente citar como que funciona o tratamento relacionado a isso e da mesma forma da estatura, né? Até que ponto isso realmente é um alerta, algo considerado mais grave para aquela determinada criança.
Então, eu trouxe um dado aqui que mostra que a estimativa aqui no Brasil, cerca de 6 milhões e meio de crianças sofrem com excesso de peso. Esse número tem aumentado, né, doutora? E o mais grave é que aumenta ano após ano, apesar de todos os esforços que todo mundo faz de conscientização. Ano após ano, a incidência só aumenta.
E aí, eu acho que, com certeza, vêm muitos mitos, né? Os pais acham que, por exemplo, a criança gordinha está saudável, ou então, que não tem problema, entra até nos mitos que a gente vai falar mais para frente, e não buscam ajuda, ou acham que vão traumatizar a criança se buscarem ajuda médica porque ela está acima do peso. Ela vai desenvolver algum transtorno alimentar, uma anorexia, bulimia, porque os pais procuraram ajuda. Isso é exatamente o contrário.
As crianças que não têm acompanhamento médico e têm obesidade, elas, mais à frente, desenvolvem mais transtornos alimentares do que as que tiveram acompanhamento. Então, você não vai despertar nenhum problema na criança porque você buscou ajuda para o tratamento da obesidade, que é uma doença. Então, a gente, visivelmente, a gente sabe um pouco quando tem um diagnóstico de obesidade, mas é claro que existem critérios clínicos, né? A gente usa critérios bem estabelecidos para fazer esse diagnóstico e essa criança tem que ser tratada, né? Com um endocrinologista.
E nem sempre a questão da obesidade infantil está relacionada, de fato, à alimentação que aquela criança tem, especificamente. Pode estar relacionada também a questões, igual a gente falou da altura, genéticas. Exato.
A obesidade é uma doença que tem dois grandes pesos, genético e ambiental. Tem um peso genético muito grande, mas tem um ambiente também. Existem algumas síndromes muito específicas que a criança fica obesa, mesmo sem a família ser.
São até raras. A maioria das causas que a gente vê no dia a dia é a obesidade, que tem o seu fator genético forte, que a gente já sabe, mas tem o ambiente também. Então, tratar o ambiente, você falar, não é só genética, mas o ambiente foi favorável à obesidade e é o ambiente que a gente tem que melhorar.
Porque às vezes os pais também ficam nessa desculpa, não, é genética, e não vão tratar o ambiente. Não, vamos lá, com certeza é genética, tem sim fatores genéticos, mas vamos mudar hábitos para que essa genética não se manifeste dessa maneira tão forte. E a endocrinologia, nem sempre o tratamento é feito com medicamento, né? Por exemplo, na questão da obesidade, como que isso pode ser feito para as crianças? Porque eu imagino que a preocupação dos pais seja não ir direto para algum remédio que talvez a criança, na cabeça dos pais, vai ficar dependente daquilo, só vai conseguir emagrecer quando tiver utilizando aquilo.
Aquele efeito rebote que a gente chama, que na verdade, a gente até desmistificou no outro episódio, mas enfim, tem esse tabu também. Sobre os mitos dos medicamentos para tratar a obesidade, tem no nosso outro episódio, pode conferir lá que vale a pena. Mas em relação à criança, a maioria dos medicamentos tem autorização, alguns, a partir dos 12 anos.
Muitos que são para a obesidade não tem para a criança, 12 já é pré-adolescente, né? Não tem autorização para a criança. Aí a pessoa fala, ah, não tem medicamento, então não tem tratamento, é a hora que a gente reforça aqui o tempo todo. Tratamento não é só medicamento, existem várias medidas e claro, quem usa medicamento para tratar a obesidade, também tem que fazer a modificação do estilo de vida.
Tem que promover saúde, alimentação, atividade física, acompanhamento psicológico, se for necessário em cada situação e a família inteira tem que participar. É frequente a gente pesar pais na consulta para ver se eles também estão perdendo peso na consulta da criança que está acima do peso. E aí os pais ficam um pouco assustados e falam, mas por quê? Porque a família inteira tem que mudar hábitos, né? Então isso, todo mundo, inclusive a criança, que é irmão, às vezes, daquela que está acima do peso e não está acima do peso, vai falar, mas ele pode comer.
Ele tem que fazer dieta, alimentação saudável para todo mundo, não é só para quem está acima do peso. Então a criança que está magra também tem que se alimentar de forma saudável. E as pessoas têm a ideia que dieta é aquela restrição, que não pode comer nada.
Inclusive já tem um episódio também aqui com a doutora Lorena falando sobre dietas saudáveis, que a gente cita alguns tipos que existem e a variedade é enorme de opções. E todo mundo, quando cita essa questão de dieta, já tem aquela ideia de que não vai poder comer nada. E quando é direcionado para a criança, pior ainda, as pessoas pensam já, né? Nossa, vai deixar a criança com vontade de comer, não vai poder comer o que ela quer.
Exato. As pessoas têm, às vezes, pena da criança, acham que ela vai sofrer porque não vai comer um docinho. E essa questão é muito exemplo da família.
Quando a criança está acostumada, vai ter um período de transição que vai ser complicado. Mas quando a família inteira não come daquela maneira errada, digamos assim, aqueles alimentos de forma não saudável, a criança está ali inserida no meio e ela quer mais participar do grupo. Ela quer fazer o que o grupo está fazendo.
Então, se a família inteira come de forma saudável, ela vai acabar comendo saudável também, porque é o que tem na casa. Não é que você está tirando só dela. Não, todo mundo come, só não você, porque você está de dieta.
Jamais. Todo mundo tem que estar comendo, por isso que os pais têm que estar juntos. E a criança vai se espelhar e vai falar, opa, é assim, porque afinal é o que tem na casa.
Então, é uma mudança de estilo de vida da família, do ambiente da criança. E a probabilidade de uma criança diagnosticada com obesidade de ser um adulto obeso também acaba sendo mais grave. É bem alto.
Se não for tratado, não for orientado, essa criança vai evoluir com obesidade e as consequências da obesidade. Diabetes, risco cardiovascular, AVC, que é a principal causa de morte. Uma das principais causas de morte são os eventos cardiovasculares.
Infarto, AVC e cérebro vasculares. Então, a gente está prolongando a vida. A gente está mudando a evolução da vida quando a gente está tratando alguém com obesidade.
Importante também destacar essa questão das doenças mais graves que podem ser diagnosticadas depois de algo não tratado, nessa questão da endocrinologia, porque às vezes as pessoas têm uma ideia que isso é um luxo, tratar essa questão da subespecialidade ou algo que esteja relacionado à endocrinologia acha que isso não é tão relevante como algo mais grave, como, por exemplo, passar com cardiologista se está tendo algum sintoma relacionado ao coração. Mas às vezes o sintoma relacionado ao coração é porque algo relacionado à endocrinologia está errado. As pessoas acham eventualmente que é estética e não é. Então, é claro que tem também uma criança que passa pela adolescência com excesso de peso, ela tem uma questão do bullying, da autoaceitação, que isso com certeza afeta a criança.
Então, tem essa questão da autoaceitação, da autoimagem, a criança tem uma melhor aceitação. Mas não é só estética, é prevenção de doença. Então, isso está bem estabelecido, a gente já falou bastante sobre isso aqui, sobre o tratamento da obesidade, que não é bem escolhível.
É uma doença crônica como outras que deve ser tratada com medicamentos quando indicado. Certo. Agora, puberdade precoce e puberdade tardia, igual da estatura, tem os dois lados dessa questão.
Primeiro, entender o que é puberdade e quando que essa questão de ser precoce ou tardia prejudica aquela criança, adolescente. Puberdade é o período que a criança passa por todas aquelas transformações hormonais que dão a elas a forma de homem e de mulher, que a gente chama de caracteres sexuais secundários. A menina ganha mamas, gordura em algumas regiões, como quadril, pilificação, o homem aumenta a massa muscular, também acaba tendo uma voz que fica mais grossa, barba, pelos, aumento da genitália.
Então, tudo isso é a puberdade, essa transição do corpo da criança para o corpo do adulto. Esse é o período da puberdade. Aquela criança não tem os hormônios sexuais, estrogênio nas meninas, basicamente, tem outros, e testosterona nos meninos.
E aí o corpo começa a produzir e dá essa forma de homem e de mulher. Então, esse é o período da puberdade. E seria normal se iniciar a partir dos oito anos em meninas e a partir dos nove anos em meninos.
Antes disso, é considerado precoce se acontecer qualquer sinal de puberdade antes dessas idades cronológicas mesmo. Oito anos de idade a menina e nove anos o menino. É considerado precoce, precisa de uma avaliação.
E como é feito o tratamento nesses casos? A gente bloqueia a puberdade. Claro, existem várias causas. Se a causa for um tumor produzindo hormônio antes da hora, pode acontecer uma criança de dois anos com um tumor que produz hormônio feminino.
Ela começa a desenvolver puberdade com dois anos de idade. Isso pode acontecer. Geralmente, causas tumorais são mais graves, aparecem mais cedo.
Aquela criança de sete para oito anos, seis para oito, que começa uma puberdade. Essas causas tumorais são mais precoces e mais graves. Mas pode acontecer.
Imagina um menino de dois anos que começa a aparecer barba, começa a ficar musculoso, aumentar pênis e testículo. Pode ser um tumor produtor de testosterona. E aí o tratamento é todo tratamento relacionado àquele tumor.
Mas nas causas mais frequentes, que são as idiopáticas, o que é isso? Que a gente não sabe a causa. Começou ali um pouquinho antes e não se sabe ao certo o que é. Não é uma doença específica, não é um tumor, alguma coisa. A gente faz o bloqueio da puberdade com medicamentos.
Existem injeções semestrais. Quando eu comecei a tratar há mais de dez anos, era mensal a injeção. Então, intramuscular.
Imagina uma criança tomando injeção todo mês. Era um caos. Agora é uma vez por semestre.
Tem essa opção. Tem a mensal ainda, mas tem essa opção semestral até pelo SUS. Então, quer dizer, são medicações caras.
Então, você consegue esse bloqueio da puberdade. Legal. Duas no ano, injeções no ano.
É super apetitoso. É, tranquilo. Eu, inclusive, já vi algumas meninas falando, contando quando teve a primeira menstruação e relatam que teve aos oito anos, aos nove anos.
E, às vezes, as pessoas se assustam com essa idade. Mas se já está considerada dentro do início da puberdade, seria considerada uma idade normal para ter esses índices? Não. A menstruação que acontece antes dos dez anos de idade, nove, dez anos, também é considerada precoce.
Porque, geralmente, a menstruação só acontece dois anos depois de iniciar a puberdade. Se a gente pensa que a menina tem que iniciar em torno dos oito, essa menstruação, se ela começou aos oito, tem que acontecer lá pelos dez. Se acontece antes dos dez, precocidade.
Alguma coisa aconteceu que houve uma precocidade. Então, na menina, o primeiro sintoma, o primeiro sinal da puberdade seria a menstruação com o passar do tempo, não? Não é a menstruação. Na menina, é o broto mamário.
A menstruação só acontece dois anos depois. É começar mama embaixo da aréola, que a gente chama de broto mamário. É o primeiro sinal de puberdade na menina.
No menino, por isso que passa muito mais batido, é o aumento do volume testicular. Não é nem peniano, nem barba, nem voz grossa. É o aumento do volume testicular, que passa de dois e meio centímetros.
Imagina que mãe que vai notar isso na idade que a criança já está tomando banho sozinha. Muitas vezes, nove anos, uma criança de oito anos já está tomando banho sozinha. A mãe não nota.
A criança, às vezes, começa aquela puberdade precoce. Então, nos meninos, existe uma dificuldade diagnóstica maior do que na menina em relação ao broto mamário, que já é mais fácil de notar. Todo mundo nota.
Vai comprar sutiã, enfim. E essa questão até de setar de ao precoce acaba afetando também a questão da altura que a gente tinha citado? Com certeza. A puberdade precoce é uma causa de baixa estatura.
A criança, primeiro, ela acelera o crescimento. Fica mais alta que todo mundo. Então, seria uma investigação também.
Ela está mais alta que todo mundo. A puberdade precoce é uma causa de investigação da estatura mais alta, mas depois estaciona. Ela fica mais baixa, ela ou ele, do que ficaria se fosse tratado.
Ah, isso é legal, né? É pontual. Porque, às vezes, a ideia que a gente tem, eu falando como pessoa leiga da medicina, que quando a pessoa tem a puberdade mais rápido, vai crescer mais rápido e vai ter mais tempo de crescimento até parar de crescer. Não, é porque acelera, de fato, o crescimento.
Aquela criança cresce, fica mais alta do que todas. Toma forma adulta, né? A puberdade é tomar a forma adulta. Então, está todo mundo ali, seis, sete anos, sem hormônio nenhum.
Aquela criança exposta ao hormônio vai criar mama, ficar alta, vai ganhando forma adulta. Mas aí depois fecha as cartilagens de crescimento, como as pessoas chamam, mas são as epífises ósseas, os espacinhos para crescer, fecha mais precocemente também. E aí aquela criança para de crescer antes de todas as outras e fica mais baixa.
Agora, já seguindo aqui para a diabetes e colesterol, que quando a gente fala dessas duas palavras já vem relacionada no pensamento adulto, né? Que adulto costuma falar que está com diabetes, que está com colesterol. É muito difícil você ver alguém, um pai, uma mãe, falar que o filho tem diabetes e tem colesterol. Parece que a criança está mais evoluída do que deveria estar, né? Mas na verdade é muito pelo contrário, né? Tem muitas crianças que têm o problema do colesterol e da diabetes já desde cedo.
É importante também a gente diferenciar diabetes 1 e 2. Crianças têm os dois tipos? Sim. Crianças têm que fazer um rastreamento se tem colesterol alto. A grande diferença é que muito dificilmente a gente vai propor um tratamento medicamentoso para o colesterol da criança.
Existem situações que a gente propõe tratamento com remédio para o colesterol, mas geralmente é exceção. A maioria das vezes, mesmo estando um pouco alto, você vai só orientar hábitos saudáveis, atividade física, que é um tratamento também. Mas em relação ao diabetes, crianças têm geralmente o tipo 1. É o que é clássico, mas comum.
Que é um diabetes que a criança precisa usar insulina e ele é genético, totalmente. Ele é autoimune, é o próprio corpo que destrói a produção de insulina. Totalmente, não tem nada a ver com peso, não tem nada a ver com estilo de vida, não tem nada a ver com sedentarismo, nada.
Criança está lá, saudável, tinha uma predisposição genética e virou diabética tipo 1. Vai usar insulina totalmente para sempre, que é mais comum em crianças. Mas hoje em dia, com o aumento da obesidade infantil, crianças cada vez mais cedo, obesas, se alimentando mal, sedentárias, o diabetes tipo 2, que era o clássico do adulto, a gente falava diabetes tipo 2 acima de 40 anos, tem se visto às vezes em crianças, adolescentes cada vez mais. Crianças, ainda é um pouco mais raro, que o tipo 2 é o que é relacionado ao estilo de vida, à obesidade, ao sedentarismo.
O tipo 1 não é relacionado a isso. O tipo 2 é. E agora, como as crianças vêm obesas às vezes desde a primeira infância, a gente tem uma geração atual adulta que ela se tornou obesa depois de adulto. Tem lá seus riscos, sim.
Mas está vindo uma geração que ela vem obesa desde a infância. E aí essa criança, com talvez 17, 18 anos, 16, vai ter diabetes tipo 2. E aí a gente tem que fazer a diferença. Antigamente todos eram tipo 1, mas hoje em dia não.
Então, é claro que é mais comum o tipo 1 nas crianças, mas cada vez mais pelo sedentarismo, aos hábitos de obesidade, as crianças têm tido diabetes tipo 2 também. E na questão de tratamento, qual seria mais difícil ou considerada mais grave? Cada um tem seu aspecto, né? Porque o tipo 1, a criança não produz nada de insulina. E ela precisa aplicar a insulina em todos os momentos, em todas as refeições.
Às vezes utilizar aquelas bombas de infusão contínua de insulina. Não sei se vocês já viram, a criança fica com o aparelhinho infundindo insulina o tempo todo, para não ter que ficar se curando. Então, isso é um manejo difícil, delicado, para uma criança ficar com catéteres infundindo insulina, mas elas têm uma ótima qualidade de vida.
Existem muitos tratamentos muito modernos hoje em dia que ajudam bastante. Então, tem sua dificuldade. Sempre, até a criança com diabetes tipo 1 tem que ter um estilo de vida saudável para todo mundo.
E o tipo 2, muitas vezes elas não precisam de insulina, que facilita, mas por outro lado, precisa de mudança tão importante, a gente vê como é difícil o tratamento da obesidade. Então, elas têm que perder peso, têm que mudar hábitos, e isso também é muito difícil. E a família inteira tem que fazer isso também.
Então, cada um tem seu aspecto de dificuldade. Dificilmente uma criança que é visivelmente magra vai ter diabetes tipo 2. Sim, dificilmente. O diabetes tipo 2, por mais que tenha fatores genéticos, está totalmente associado também a estilo de vida, obesidade, sedentarismo.
Certo. Isso é legal, porque a gente escuta muito falar até para adultos, tipo 1, tipo 2, e aí as pessoas não sabem qual que é a diferença. Agora, hipotiroidismo congênito e hipotiroidismo.
Acredito que tem uma diferença entre os dois. Qual que é? O congênito tem vários tipos, enfim. Mas pensando no definitivo, que tem o transitório, a criança nasce sem a produção do hormônio da tireoide.
Olha a maravilha, recentemente foi adicionada a avaliação do hipotiroidismo congênito no teste do pezinho, no programa de triagem neonatal. Sabe aquele que faz o furinho no pezinho? Já avalia se existe a possibilidade da criança ter. Por isso que é muito importante, geralmente ele é feito do terceiro ao quinto dia.
E as mães já foram de alta, das suas enfermarias, enfim, de onde tiveram o filho. A mãe tem que voltar para fazer o teste do pezinho a maioria das vezes. Então, tem que ser feito.
Você faz a triagem de várias doenças, dentre elas, bem mais recente, o hipotiroidismo congênito. Então não precisa a criança ter sintoma. É muito importante falar que o sintoma do hipotiroidismo congênito é retardo mental, retardo déficit cognitivo.
Esse termo não se usa mais, mas a criança perde capacidade cognitiva e é irreversível se não tratado. Se tratado, vida normal, criança sem nenhuma alteração. Se não tratado, déficit cognitivo permanente.
É tão importante esse diagnóstico que foi incluído no problema de triagem neonatal. Então, só tem que fazer, né? Tem que fazer o teste do pezinho. Todas as mães são orientadas a levar seus filhos para fazer essa avaliação, para ver se tem, dentre outras doenças, o hipotiroidismo congênito.
Já o hipotiroidismo da criança mais velha, do adulto, é uma causa mais frequente, é de Hashimoto, que é o autoimune. Desde que colocaram iodo no sal, do nosso sal, nem todos os países têm iodo no sal de cozinha. Então a causa mais comum agora é o Hashimoto.
Antes era a falta de iodo. Como agora a gente tem iodo, ainda bem no sal. Não é essa a causa mais comum.
É uma doença que é autoimune e leva a deficiência, a destruição da tireoide. E o hipotiroidismo, tanto em criança quanto adulta, é a causa mais comum. Hoje é essa no Brasil.
E tem hipertiroidismo também nas crianças? Tem também. Que eu não encontrei na lista entre as mais procuradas, mas eu imagino que em todas as condições seja possível. É porque é bem menos comum.
Até no adulto é menos comum o hipertiroidismo do que o hipo. O hipo é super prevalente. Aí na criança, as doenças da tireoide, elas são mais frequentes em pessoas com o passar dos anos.
Então mais frequentes do que em criança, em pessoas mais velhas. E o hipo é bem mais frequente, que é o mau funcionamento da tireoide, que é o hiper. Que é o hiper funcionamento, o funcionamento excessivo da glândula.
O hipo é o funcionamento a menos e o hiper a mais. Então pode existir sim hipertiroidismo em criança, apesar de que é bem menos comum. E nesses casos, os tratamentos ocorrem da mesma forma como para os adultos ou tem alguma diferença? Inclusive a gente trouxe dois especialistas também que falaram bastante sobre tireoide.
A gente sempre cita para quem quiser acompanhar também. Um episódio um pouquinho mais antigo, mas que conversaram bastante sobre isso, para adultos. Então agora é importante a gente falar para as crianças.
O tratamento é muito semelhante, inclusive de nódulos também em crianças. Tem que ser abordado, tem que ser avaliado. Algumas particularidades, mas geralmente é muito parecido.
O tratamento do hipo, do hipertiroidismo em crianças, lembrando não muito pequenas, não bebês. Bebês também tem suas particularidades no tratamento. Desde bebê já tem esses problemas, meu Deus.
Imagina. Todos esses que a gente falou, já também pode... A obesidade nem tanto, não tem. Diabete pode aparecer em bebês bem pequenos em algumas situações, mas não é o mais comum de acontecer.
A idade de criança que a gente está citando para esses problemas começa a partir de qual idade? 4, 5 anos. Se a gente falar hipotiroidismo, geralmente aparece a partir dos 4, 5 anos. Até em questão de obesidade, em questão de estatura, começa a ser observado a partir de 4, 5 anos.
Sim, a criança depois dos dois anos de idade, geralmente ela entra ali no seu canal de crescimento e vai crescendo conforme ela deveria. Na endocrinologia, nos primeiros dois anos de vida e na barriga da mãe, o fator mais importante para o bebê crescer não é o hormônio do crescimento. Por isso que muitas vezes a criança nasce com o tamanho adequado, mas na evolução vai ficando pequena.
Então as causas do que faz o bebê crescer, o que faz a criança crescer são causas um pouquinho diferentes. Então por isso que o peso ao nascimento, a estatura ao nascimento pode influenciar na estatura, que a gente chama de pig, pequeno para a idade estacional, ou gig, grande para a idade estacional. Mas pode ser que essa criança entre num canal normal e ali fique.
A criança pode nascer pig, pequenininha e entrar no seu canal normal, fazer o que a gente chama de ketchup, entrar num canal de crescimento normal. Ou não, ela continuar para sempre naquele canal abaixo do normal e é uma indicação de hormônios do crescimento. Crianças que nasceram pequenas para a idade estacional e que não recuperaram a estatura ali até os dois anos de idade, tem indicação de hormônios do crescimento também.
Entendi. E todas essas condições que a gente estava falando até agora, quando o pediatra já faz o encaminhamento para o endócrino pediátrico, costuma ser então naquela faixa ali de quatro, cinco anos mesmo. Até então é de observação ali, né, para saber.
Provavelmente é. Porque provavelmente fica essa dúvida, né, será que... É, quando que eu devo... Muito bebezinho. Começar a me preocupar de fato. Agora, mitos e verdades, a gente costuma sempre deixar um pouquinho para o final, ainda não está tão no fim, mas eu acho que é importante, porque tem muitas dúvidas legais aqui que acho que já conseguem trazer algumas explicações de todos esses assuntos que a gente falou.
Existe remédio para fazer a criança crescer? Seria só o GH? Não, não é só o GH. Existe atualmente uma medicação que é via oral, o comprimido, que só pode ser dada para meninos, meninas não podem, que pode ajudar no crescimento de meninos. Então, existe essa... Mas o hormônio do crescimento é o mais clássico, é o mais utilizado.
Funciona quando bem indicado, leva um bom crescimento. Então, não é só o hormônio do crescimento. E a grande novidade é que agora o hormônio do crescimento é uma injeçãozinha, só picotânea, bem pequenininha, diária, que tem que ser dada à noite para a criança.
Imagina o pequeno caos. À noite, na hora de dormir, a criança tem que tomar o hormônio do crescimento. Aplicar uma injeçãozinha.
É pouco dolorosa, mas tem seu nível de dor. E agora saiu semanal. Com algumas indicações, não para todas as crianças, mas essa injeção, que era diária, pode ser aplicada semanalmente.
Existe essa possibilidade. É muito novo, mas existe. Então, traz um conforto muito grande para a família e para a criança.
Então, tem essas possibilidades. Mas, geralmente, é a injeçãozinha todo dia à noite. Que a criança toma, ou um comprimido que meninos podem tomar.
Cada caso tem sua indicação. Facilita a vida na hora da utilização. Se a mãe e o pai são baixos, o filho também será? Provavelmente.
Porque tem uma genética. Mas, às vezes, a criança pode herdar uma genética mais dos avós e ser um pouco mais alta. Então, pode haver ali um padrão de normalidade que a gente espera.
Lembrando que eu falei aqui, você falou só hormônio do crescimento para crescer. A baixa estatura tem outros casos. Por exemplo, a criança tem uma doença como asma.
E fica muitos dias descompensada da asma. Descompensa, passa mal. Se você tratar a asma, você melhora o crescimento da criança.
Se ela tem uma doença intestinal, uma doença celíaca, por exemplo, que é intolerância ao glúten, e a criança não vai crescer bem se ela não tratar. E você começa a tratar essa doença celíaca, ela sobe sem hormônio do crescimento. Então, também tem isso.
Se você tratar os fatores que estão atrapalhando o crescimento daquela criança, você leva ao aumento do crescimento. Eu falei só o hormônio, mas eu esqueci de falar esse detalhe. É muito importante tratar uma possível doença que está atrapalhando aquela criança crescer.
Também leva ao crescimento. E está aí a necessidade de um especialista para poder identificar, porque às vezes a pessoa acha que é só realmente uma condição da criança, que não tem como reverter nesse sentido só de fato um hormônio, algo mais invasivo. A alimentação interfere no crescimento? Com certeza absoluta.
Crianças mal nutridas não têm um bom crescimento. Desnutridas. E existe um grande mito aqui também, Letícia, que eu vou te falar.
As pessoas acham crianças que estão acima do peso por meses, elas ficam mais altas do que as outras. Vocês podem reparar, elas geralmente ficam mais altas, mas essa alta estatura não vai permanecer. Essas crianças acabam ficando depois mais baixas do que elas ficariam se elas não estivessem acima do peso.
Prejudica a estatura a longo prazo. No começo ela fica mais alta porque a obesidade produz hormônios que estimulam o crescimento, mas depois, por várias alterações, esses mesmos hormônios que estimularam o crescimento fazem com que aquela criança fique mais baixa do que o potencial dela, não atinge o maior potencial de estatura, porque estavam acima do peso. Então engana muito.
O pessoal acha que ela está grandona, está acima do peso, vai continuar? Muitas vezes não. Com certeza vai ficar mais baixa do que o que ficaria se não estivesse acima do peso. Não sabia que dava para diminuir depois.
Não, ela cai na curva. Ainda na fase de crescimento, ela está ali acima e depois ela cai na curva na hora que para de crescer. Então, por causa da obesidade.
É, diminuir nesse sentido, não é que a pessoa vai encolher. É, não um adulto vai encolher. Mas ainda na fase de crescimento, ela não cresce como deveria.
Sim. Natação ou basquete ajuda a criança a crescer? É um grande mito, né? Ah, coloca no basquete, coloca na natação que cresce. E aí a gente já faz o paralelo com o contrário.
Não coloca na ginástica artística. Era a minha próxima pergunta. Vamos falar do que cresce, então.
Qualquer esporte vai estimular o crescimento. A criança, ela vai crescer bem se ela fizer um esporte de maneira saudável. Inclusive, vai crescer melhor do que se ela não fizer.
O esporte, o impacto, ele ativa o crescimento. Então, não que a pessoa vai ficar muito mais alta do que o potencial genético dela. Porque, afinal, eu joguei basquete e vejamos que não houve um grande resultado.
Joguei muito tempo. Então, mas o que acontece é que geralmente as pessoas altas se destacam nesses esportes. E acabam ficando.
Por isso que parece que cresce. Mas não é a natação ou o basquete que vai fazer crescer qualquer esporte melhor o crescimento da criança. A criança precisa fazer, ter prática de atividade física, regular, intensa até.
As pessoas têm muito medo de, vai ficar muito intenso, vai atrapalhar. Não vai. Não vai fazer atividade física ali no futebol uma vez por dia, vai atrapalhar o crescimento.
Não, muito pelo contrário, vai estimular. Crianças têm que fazer e devem fazer atividade física. Agora, em relação à ginástica artística, que há também essa dúvida.
Inclusive, agora nas Olimpíadas, todo mundo comentava sobre a estatura de algumas atletas e comentavam sobre a baixa estatura, se tinha alguma coisa a ver com o esporte ou se foi nisso de ter facilitado e por isso que elas se destacaram. É um grande mito e todo mundo aceita isso como verdade. Não, não pode fazer ginástica que vai ficar baixinha.
Está totalmente errado. A atividade física, ela não vai prejudicar o crescimento jamais em nenhuma situação, inclusive musculação também. As pessoas, ah, criança não pode fazer musculação que vai atrapalhar.
Não atrapalha. É claro, uma criança de 5 anos pegando um peso, vai cair no pé dela, vai se machucar, vai quebrar, tortar um braço. Não pode fazer por isso, mas não porque vai atrapalhar o crescimento.
Se estiver bem supervisionado, pode. Agora, a questão da ginástica é o contrário. É a mesma coisa do basquete.
Seleciona as mais baixas. As pessoas mais altas não conseguem fazer aqueles movimentos com tanta... fazer aqueles giros. É uma maior dificuldade.
Então acaba que as mais baixas se destacam. Uma atividade física para prejudicar o crescimento da criança, tem que estar quase matando a criança. Tem que ser assim.
Tem que estar definhando. Tem que estar um nível de estresse físico e psíquico tão intenso que aí sim, o estresse físico e psíquico alteram o trabalho, o crescimento. Eu não sei a nível olímpico quanto essas atletas treinam.
Se de alguma forma, imagino que causa estresse físico e psíquico sim. Esses níveis de atleta de alta performance tem algum potencial de prejudicar levemente. Mas ninguém vai ficar baixinha porque fez ginástica artística.
Simplesmente, as mais baixinhas se destacam. Do mesmo jeito que no basquete, os mais altos se destacam. Esse é um corte que vai... olha, é importante isso daí.
Porque essa é a maior mentira, mito, né, que a gente acaba acreditando. Dormir é o segredo para crescer mais? Quando vai dar o hormônio do crescimento, a gente aplica à noite. Justamente porque o pico do hormônio do crescimento, ele acontece à noite.
Então, com certeza, não que existam assim, você vai induzir, fazer um estudo para provar isso, mas com certeza absoluta uma criança com baixa qualidade ou quantidade de sono, não só a quantidade, a criança tem que dormir horas, existem horas específicas para cada faixa etária, mas qualidade também. Às vezes a criança dorme aquela quantidade de horas, mas ela tem uma rinite tão grave, uma alergia tão grave, que ela se coça muito e não dorme bem. Ela ronca, ela tem adenoide e ninguém diagnosticou, então ela passa a noite inteira passando mal, com falta de ar, a criança ronca também.
Criança tem que ser investigada. E nesse caso, se você trata essa causa de obstrução das vias aéreas, a adenoide, como as pessoas falam, você melhora o potencial de crescimento, porque aquela criança dorme melhor. Então, às vezes, a criança não está crescendo porque ela não está dormindo bem, por vários motivos.
Então, quantidade e qualidade. E entra também em higiene do sono. Telas prejudicam o sono de qualidade, o sono reparador.
Então, esse pico do hormônio do crescimento que acontece no meio da noite, ele só vai acontecer se essa criança dormir quantidade e com qualidade adequada. A criança não pode dormir muito tarde, não pode ter esse atrapalho, um sono muito perturbado. Tem que ser um sono reparador e com horas também suficientes para que ela descanse e produza seus hormônios de maneira normal.
A gente está falando de dormir, a qualidade do sono. E nessa época de crescimento das crianças, dói? Já era a próxima pergunta. Existe muito essa dúvida.
Existe aquela dor do crescimento que ninguém explica muito bem, mas pode ter dores, principalmente no fim do dia, dos dois lados, nas pernas, aquela dor que não é tão intensa e que melhora depois. Lembrar que pode ser a famosa dor de crescimento. As crianças têm, muita gente já experimentou.
Mas se essa dor é só numa perna, sempre numa perna, muito intensa, não passa, muito frequente, a ir num especialista para avaliar. Porque pode ser alguma alteração óssea que não são aquelas dores do crescimento que está tudo normal, simplesmente existe sim essa definição e acontece, a gente vê na prática, mas não é muito intensa nas duas pernas, às vezes em uma, às vezes em outra. Mas não fica só em uma, só em um lugar, intensa.
Aí vale a pena procurar ajuda médica, se for dessa outra maneira. Inclusive a gente sempre escutava falar aquela dor no joelho, na hora que dá vontade de esticar. Eu lembro também, desde criança, a família falando, ah, está crescendo.
Pode, né? Pode ser. Crianças gordinhas não precisam se preocupar, pois quando crescer, emagrece. Muito pelo contrário, a gente viu que crianças obesas têm grande chance de se tornarem adultos obesos.
Então, tem que se preocupar sim, porque a tendência é que fique cada vez mais difícil de resolver. Não só pelos hábitos que ficam cada vez mais arraigados, mas com o excesso de peso também. Fica cada vez mais difícil de reverter quanto mais passa o tempo.
Disfunção na tireoide engorda? É outro mito, né? Claro, toda criança que está acima do peso, às vezes a gente faz uma avaliação da tireoide, porque o mau funcionamento da tireoide, para menos, pode levar a um pequeno ganho de peso, que numa criança pode acabar interferindo na alimentação, na disposição para se exercitar, e levando a um ganho de peso. Mas não é a causa mais frequente de obesidade. As pessoas querem chegar no consultório e falar, ah, eu estou obesa por causa da minha tireoide.
A maioria das vezes não é. São os hábitos, inclusive em crianças. Agora, esse é bem interessante, que todo mundo pergunta. A menina não cresce mais após a menarca? É um mito, né? É um mito, mas uma observação popular que faz sentido.
Porque a maior fase de crescimento, a maior aceleração do crescimento na menina, é logo antes da menarca, que é a primeira menstruação. Então, tem a impressão que, nossa, cresceu, cresceu, cresceu, menstruou e parou. Realmente, a maior aceleração do crescimento é logo antes da primeira menstruação, mas depois que menstrua, pode crescer ali por um ou dois anos, alguns centímetros, mas numa velocidade muito menor que nos anos anteriores à menarca.
Então, é por isso que tem essa impressão social. Mas cresce, sim, alguns centímetros após a menstruação. Poucos, né? Geralmente existe uma média, existe descrito até 7 centímetros, mas geralmente de 2 a 5 centímetros.
Ainda falando da primeira menstruação, os ciclos menstruais são irregulares depois da primeira menarca, né? Com certeza, nos primeiros anos após a menstruação, 2, 3 anos, é esperado que os ciclos sejam irregulares. E eu vejo também o erro meninas muito novas falando, ah, meu ciclo é irregular, será que é ovário policístico que dá o ciclo irregular? Meninas que acabaram de menstruar, por uma imaturidade do eixo que regula a menstruação, é esperado que os ciclos sejam irregulares. É natural e não é nenhuma doença, nenhum problema.
Tem uma aqui que não é direcionada a essas condições que a gente citou, mas acho importante também a gente esclarecer. Se a criança fica gripada toda hora, pode estar com problemas de imunidade? Pode sim, isso é fato, pode ser. Mas pode ser só ambiental, manejo do ambiente, alimentação inadequada, privação do sono, tudo isso faz com que a criança tenha um sistema imunológico mais frágil e acabe adoecendo mais.
Mas, de fato, se a criança adoece muito, com muita frequência, talvez valha a pena uma investigação de alguma imunodeficiência, alguma situação que leve a essas infecções recorrentes. Mas se você cuida de uma boa alimentação, uma boa qualidade de sono, uma criança saudável, ela adoece muito pouco. Faz o básico, alimentação saudável, sono de qualidade.
Lembrar também, psicossocial, a criança também adoece eventualmente por isso. Ela tem muita influência dessa questão do aporte psíquico, aporte emocional, suporte também emocional, faz com que a criança também se sinta. Ela precisa, como a gente falou já em alguns outros episódios, de todos os aspectos pra ter uma saúde plena.
Então, a criança que tem tudo isso preenchido, boa alimentação, bom sono, bom estado nutricional e de higiene, suas imunizações em dia, suas vacinas em dia, lava as mãos, tem esse aporte psíquico também, geralmente ela, se não tiver nenhuma doença, vai adoecer. Com que toda doença, a criança adoece. Não todo dia, mas numa frequência bem menor.
Legal. Como algumas doenças não existem mais, as crianças não precisam tomar vacina? Meu Deus, né? Não existe mais justamente por causa da vacina, né? Aí não toma vacina e volta a existir as doenças. Então, algumas doenças foram erradicadas por causa das vacinas.
Então, sim, vacinas são muito importantes, ainda bem que existem, né? Muitas medicações, eu falo, às vezes o paciente que precisa de insulina, fala, ah, eu não quero insulina. A insulina, assim, ah, eu não quero essa vacina, fazendo um paralelo. Eu falo, ainda bem que tem um mundo pré-vacina, era um mundo que as pessoas morriam.
Imagina, não vai a poliomielite, as pessoas ficavam com deficiência de andar, né? Se alguém, já conheceu alguém com polio? Tem ainda as pessoas adultas? Vê como afeta a vida da pessoa e pode ser prevenido tão facilmente. Então, quando existe um remédio, as pessoas têm medo, ah, não quero, por exemplo, a insulina. Foi inventada há 100 anos a insulina e salvou vidas.
Antes disso, a criança com diabetes tipo 1 era diagnóstico de morte, vai morrer em 5 dias. E agora tem insulina. Criança vive a vida inteira.
Então, veja por essa perspectiva. Quando a pessoa tem medo de uma vacina, fala, eu tenho medo de um mundo sem vacina. Que as pessoas tinham varil, tinha poliomielite, tudo quanto era cachumba, robéola, catapora, tudo quanto era doença, as pessoas tinham e morriam disso, né? Até catapora? Tudo, imagina.
Eu tive catapora. Agora tem vacinas, tem tantas vacinas, tem vacina para HPV, tem vacina para hepatites, que muitas de nós tivemos hepatite A, agora tem vacina para hepatite A. Então, é algo que faz muita diferença. Quando mais vacinas se descobrirem para outras doenças como HIV, como o malar, enfim, descobrirem mais vacinas que venham.
Porque vai ser muito bom. Doutora, agora para finalizar, tem um aqui que esse daí vai virar corte, tenho certeza. O contato com a sujeira pode ser saudável? Vitamina S, que as pessoas falam, porque é S de sujeira.
Então, assim, na verdade, higiene é muito importante para a manutenção da saúde. Então, crianças lavem as mãos, não comam com as mãos sujas, não comam comida do chão. Sim, essas orientações valem e são boas, são melhores do que o contrário.
Em ambientes de muito contato de pessoas, aeroportos, em lugares, bancos públicos, muita lavagem de mãos, vale a pena, isso previne doenças. Agora, esse oposto é o que quis dizer aquela criança que é criada sem contato nenhum com terra, com outras crianças. De fato, a criança que inova é exposta, o sistema imunológico dela está se formando.
Então, se ela é exposta a esses vírus, patógenos, e o corpo dela pode se fortalecer, é preparado para isso, é de onde veio essa ideia. Então, sim, a criança que brinca, que brinca na terra, que tem contato com outras crianças, ela acaba fortalecendo o sistema imunológico dela. Do que aquela que não, que ficaria isolada numa bolha.
O sistema imunológico dela não vai ter tido contato com nada, e quando ela cresce e tem contato com qualquer coisa, tem uma doença muito grave, que é a ideia da vacina. A vacina, você coloca o corpo em contato com aquele patógeno, aquele vírus, aquela bactéria, de uma forma leve, para que o corpo se proteja contra ele. Então, porque a ideia da sujeira, você expõe a criança de uma forma leve, para que o corpo ganhe resistência àqueles estressores do ambiente, àqueles patógenos do ambiente.
Então, de certa forma, sim, se a criança for criada numa bolha, ela vai ter o sistema imune frágil, muito frágil, mas não é pra deixar a criança comer com terra, no lixão, porque não, tá tudo bem, é vitamina S. Não. É o outro lado. Se previne doença lavando mão, sim.
Higienizando alimento, sim. Então, doenças muito básicas, com esses conceitos básicos. Então, higienize os alimentos, lavem as mãos, vale a pena.
Muito legal. Essa dúvida aí, com certeza, não é só essa, né? Várias outras é a questão de saber balancear, né? Tudo que a gente conversou. Exatamente.
Doutora, muito obrigada pela sua participação, como sempre, um papo muito esclarecedor aqui com você. Foi ótimo, mais uma vez. Vou pedir pra vocês também deixarem os comentários aqui no vídeo, do que vocês ficaram, se tiveram alguma dúvida relacionada a esse assunto, ou outra sugestão pra gente trazer aqui de novo, a doutora Lorena Amato, endocrinologista, sempre participa aqui no AbantoCast.
Vai ser muito legal com a sua sugestão também. Obrigada pela sua participação aqui conosco pra falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Conto com você no próximo episódio.
Tchau!
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.