# Sangue Grosso: O Que Realmente Significa e Quando É Perigoso? O vídeo do Dr. Amato, cirurgião vascular, esclarece o que realmente significa ter "sangue gross
Porque o termo esconde condições muito diferentes uma das outras. A segunda, as cinco causas reais que aparecem na minha prática clínica com o mecanismo de cada uma dentro do seu corpo. E a terceira e mais importante, como distinguir aquilo que dá para esperar de uma consulta de rotina daquilo que precisa de uma atenção urgente.
Aumentar a ingestão de água ao longo do dia. Pra maioria dos adultos, o alvo fica em torno de 30 a 40 ml por kg de peso corporal, ajustado pelo clima, óbvio, ao esforço físico e às condições de saúde, como problemas de coração ou r.
Anota lá nos comentários. Você vai se surpreender com a resposta das outras pessoas. Polissemia.
Sim, triglicerídeos e colesterol são medidos separadamente. Dá para ter o colesterol controlado com os triglicerídios muito elevados.
Muita gente olha o colesterol e esquece de conferir.
Dr.
Amato aqui.
E como cirurgião vascular já atendi pacientes convictos de que tinham sangue grosso e o que os exames de hiperviscosidade revelaram mudou o tratamento por completo.
Em alguns casos, o problema era real.
Tinha nome, tinha causa identificável e o diagnóstico correto permitiu tratar algo que poderia ter evoluído para uma trombose ou para um AVC.
Em outros, o problema era mais simples do que o medo fazia apecer.
E o alívio de saber disso, com certeza, e não ter suposição, já era em si parte do tratamento.
Então, nesse vídeo, eu vou te ensinar três coisas.
A primeira, o que é o sangue grosso de verdade? Porque o termo esconde condições muito diferentes uma das outras.
A segunda, as cinco causas reais que aparecem na minha prática clínica com o mecanismo de cada uma dentro do seu corpo.
E a terceira e mais importante, como distinguir aquilo que dá para esperar de uma consulta de rotina daquilo que precisa de uma atenção urgente.
Se você já se perguntou se o seu sangue é grosso, os próximos minutos vão te dar a resposta com critério clínico, não com suposição.
Então, primeiro vamos acertar o vocabulário.
Sangue não vira gelatina.
Isso é um mito que eu preciso desfazer logo aqui no no início.
O que as pessoas descrevem como sangue grosso corresponde, em linguagem médica, a dois fenômenos distintos.
O primeiro é a hiperviscosidade sanguínea, que é o aumento real da resistência ao fluxo dentro dos vasos.
E o segundo são os estados de hipercoagulabilidade, condições em que o sangue tem uma tendência maior de formar coágulos.
São coisas diferentes, com causas diferentes e tratamentos diferentes.
Então, a hiperviscosidade ela afeta como o sangue flui.
A hipercoagulabilidade afeta como o sangue coagula.
Um paciente pode ter um, pode ter outro ou pode ter os dois ao mesmo tempo.
E a confusão esses dois conceitos é justamente o que leva muita gente a se tratar de forma errada, às vezes tomando chás ou suplementos que não tm nenhum efeito real sobre o problema.
Então, pacientes me perguntam com frequência: "Doutor, posso tomar aspirina por conta própria para afinar o sangue?" A resposta é não, sem avaliação médica.
E já vou explicar o porque que isso pode ser perigoso dependendo da causa.
Então, vou apresentar cinco causas mais comuns de hiperviscosidade que chegam até mim, cada uma com os sinais que ela gera e com mecanismo biológico por trás.
Então, a causa mais comum e ao mesmo tempo a mais subestimada é a desidratação.
Quando volume de líquido no sangue cai, porque você bebe pouca água, transpira muito num dia quente ou passa horas sem se hidratar, acontece o seguinte: o plasma, que é a parte líquida do sangue, diminui.
Os glóbulos vermelhos continuam ali em número normal, mas agora ficam mais concentrados dentro de um volume menor.
O resultado é um sangue relativamente mais espesso e com maior resistência ao fluxo nos capilares.
Os sinais costumam ser difusos e fáceis de confundir com outras causas.
Então, dor de cabeça de início gradual, tontura leve, sensação [música] de cansaço sem motivação aparente, queda de rendimento físico e mental, urina escura.
Esse último é o sinal objetivo que o paciente pode observar em casa.
Uma observação que eu faço com frequência é muita gente acha que tá hidratada porque toma café o dia inteiro.
Café tem efeito diurético, ele não substitui a água e pode, dependendo do volume ingerido, até piorar a desidratação.
Então o que que você pode fazer? Aumentar a ingestão de água ao longo do dia.
Pra maioria dos adultos, o alvo fica em torno de 30 a 40 ml por kg de peso corporal, ajustado pelo clima, óbvio, ao esforço físico e às condições de saúde, como problemas de coração ou r.
Então, quero fazer uma pergunta rápida para você.
Quantos copos de água você tomou hoje? Até [música] agora? Anota lá nos comentários.
Você vai se surpreender com a resposta das outras pessoas.
Polissemia.
Essa é a causa menos conhecida, mas importante demais para pular.
Policitemia é o aumento do número de glóbulos vermelhos no sangue, o que eleva o hematócrito, que é a proporção entre essas células ocupam no volume total do sangue.
Quanto [música] mais células vermelhas, mais espesso, mais resistente ao fluxo o sangue fica.
Existem dois tipos: A policitemia primária, que é uma condição da medula óssea, que passa a produzir glóbulos vermelhos em excesso, sem uma causa externa, e a policitemia secundária, que é uma resposta do corpo a alguma situação que reduz o oxigênio disponível.
tabagismo crônico, apneia do sono não tratada, vida em altitude elevada ou doenças pulmonares.
O mecanismo é direto, com menos oxigênio disponível, o rim percebe isso, libera eritropoitina e aí a medula começa a produzir mais glóbulos vermelhos, o hematócrito sobe e a viscosidade aumenta.
Os sinais são mais pronunciados do que na desidratação.
O rosto fica avermelhado, cefaleia persistente, visão turva em episódios.
zumbido, tontura, sensação de cabeça pesada.
Em casos mais avançados, pode aparecer coceira intensa após banho quente, um sinal clínico bastante característico.
O diagnóstico é feito com hemograma, dosagem da eritropoitina sérica.
Não dá para diagnosticar nem descartar a policitemia sem exames.
Hipertrigliceridemia severa.
Essa é uma causa que surpreende muita gente.
Quando os triglicerídeos estão muito elevados, e aqui eu tô falando de valores acima de 500 ou 1000 mg/ dcl, não uma alteraçãozinha leve.
O excesso de gordura circulante no plasma aumenta a viscosidade no sangue de forma mensurável.
O mecanismo aqui é diferente das outras causas.
Não é aumento de células sólidas, mas alteração da composição do próprio plasma.
Pacientes com triglicerídeos muito elevados muitas vezes não tem sintomas até que algo mais grave aconteça, como uma pancreatite aguda que pode ser desencadeada por níveis extremamente altos de triglicerídeos.
Alguns relatam fadiga, indisposição geral e desconforto abdominal vago.
Por incrível que pareça, meu cão teve isso recentemente.
Pacientes me perguntam: "Doutor, mas meu colesterol tá bom? Posso ter esse problema? Sim, triglicerídeos e colesterol são medidos separadamente.
Dá para ter o colesterol controlado com os triglicerídios muito elevados.
E o que fazer? Os triglicerídeos elevados respondem bem a mudanças na alimentação, como redução de açúcares simples de farinhas refinadas e de álcool.
Em alguns casos exigem medicação.
Mas você sabe qual foi seu último resultado de triglicerídeos? Muita gente olha o colesterol e esquece de conferir.
Então comenta lá embaixo, você lembra do seu triglicerídeio ou nunca reparou nesse exame? E aqui a gente chega num território mais complexo que exige avaliação médica e especializada.
A hipercoagulabilidade não é exatamente a mesma coisa que hiperviscosidade, mas o resultado final é parecido.
O sangue tem uma tendência a formar coágulos, o que compromete o fluxo dos vasos.
O nome técnico para esse grupo de condições é trombofilias.
São doenças hereditárias ou adquiridas que deixam o sangue com uma tendência exagerada a coagular.
As hereditárias são transmitidas geneticamente.
Um exemplo bem documentado é a mutação do fator 5 de Liiden, em que uma alteração no gene de um fator de coagulação faz o sistema continuar ativado por mais tempo do que deveria.
As adquiridas surgem ao longo da vida.
Um exemplo é a síndrome antifosfolípide, em que o próprio sistema imune produz anticorpios que atacam proteínas envolvidas na coagulação e isso eleva de forma significativa o risco de trombose e em mulheres o risco de abortos de repetição.
Nos dois casos, o sangue não está mais espesso no sentido físico do termo, mas o sistema de coagulação fica em estado de ativação excessiva.
A pessoa pode ter mais trombose em vasos onde raramente acontece.
pode ter tromboses recorrentes ou pode ter um histórico familiar de eventos tromboos.
Então, sinais que devem levantar suspeita incluem trombose venosa profunda numa pessoa jovem sem causa aparente, trombose recorrente, aborto de repetição sem outra explicação e histórico familiar de trombose em parentes próximos.
O diagnóstico [música] é feito com painel específico de exames e o momento do pedido importa, porque algumas dosagens não podem ser feitas durante um evento agudo ou em uso de anticoagulantes.
Esse é um dos casos em que a automedicação com afinadores de sangue pode ser perigosa.
Existem tipos de trombofilias que em que certos anticoagulantes são contraindicados.
Não tente se automedicar.
O tabagismo age em múltipl na circulação e uma delas incide diretamente sobre a viscosidade sanguínea e o mecanismo é duplo.
O tabagismo crônico aumenta o fibrinogênio, uma proteína que participa da coagulação e que em concentrações elevadas aumenta a viscosidade do sangue.
E como a gente viu na causa dois, o tabagismo pode induzir a policitemia secundária pela redução crônica do oxigênio.
Além disso, o monóxido de carbono da fumaça se liga à hemoglobina no lugar do oxigênio, reduzindo a capacidade do sangue de entregar oxigênio aos tecidos, o que agrava ainda mais os sintomas de circulação comprometida.
Os sinais infumantes podem incluir então cansaço desproporcional ao esforço, dificuldade de cicatrização, claudicação, aquela dor nas pernas ao caminhar que melhora com a pausa e pés frios.
E o que fazer aqui é meio que óbvio, né? Parar de fumar.
Nenhuma medicação substitui parar de fumar.
Enquanto o cigarro continua, ele desfaz boa parte do que qualquer tratamento vascular tenta proteger.
E agora eu quero que você faça um teste rápido comigo.
Pega papel, caneta, conta nos dedos ou escreve lá no nos comentários.
Para cada sim, anote um ponto.
Então, você bebe de 2 L de água por dia na maioria dos [música] dias? Você tem dor de cabeça frequente ou tontura sem causa clara identificada? Você fuma atualmente ou fumou por mais de 5 anos no passado? Você já teve trombose ou tem familiar próximo com histórico de trombose? Você tem diagnóstico de triglicerídios elevados ou não faz exame de sangue há mais de um ano? Conta seus pontos.
Agora eu vou te dizer o que fazer com o resultado.
De zero a um ponto verde, baixo risco.
Seus fatores de risco identificáveis aqui são baixos.
Se você marcou um ponto, dependendo do de qual foi, costuma ser tranquilamente resolvível, com mudança de hábito, hidratação ou algo que vale a pena comentar com seu médico na próxima consulta.
Continua o acompanhamento regular, tá tudo bem.
De dois a três pontos, amarelo.
Atenção, é aqui que cai a maior parte das pessoas e é exatamente o momento de agir antes de virar um problema.
Vale agendar uma avaliação e pedir os exames adequados.
Então, hemograma completo, coagulograma básico, perfil lipídico, não é urgência, mas também não é algo para adiar por meses.
Quatro a cinco pontos, vermelho.
Com quatro ou mais fatores de risco simultâneos, a probabilidade de que algo esteja alterado nos exames é autossuficiente para justificar a avaliação em semanas, não meses.
Não porque necessariamente existe um problema grave, mas porque o sinal de alerta está claro bastante para não esperar.
Então comenta aqui embaixo quantos pontos você fez no teste.
Eu quero ler as respostas de vocês.
E essa também é uma forma de você acompanhar a sua própria evolução nos próximos vídeos.
Existe uma diferença importante entre agendar uma consulta e ir ao pronto socorro.
Agora, os sinais que indicam busca de atendimento imediato, não amanhã, hoje são formigamento ou fraqueza súbita num lado do corpo, assimetria facial, dificuldade de falar ou de entender.
Esses podem ser sinais de AVC, dor, inchaço e calor intenso numa perna, especialmente se vierem acompanhados de falta de ar.
Isso pode indicar trombose venosa profunda com embolia pulmonar, dor abdominal intensa e repetina numa pessoa com triglicerídeos elevados, [música] pode ser pancreatite.
Nesses casos, a avaliação médica não é opcional, é urgente.
No início desse vídeo, eu disse que já atendi pacientes convictos de que tinham sangue grosso e que o que os exames revelaram mudou o tratamento por completo.
Isso é verdade.
A hiperviscuidade sanguínea não é um conceito vago, é uma realidade clínica com causas específicas, com exames que a confirmam e com tratamento que funciona quando o diagnóstico é correto.
O que não funciona é tratar uma trombofilia com o chá ou tentar resolver uma policitemia afinando o sangue por conta própria, sem saber qual é a causa.
A gente tem hoje à disposição exames que identificam todas as cinco causas que eu falei aqui.
O que falta na maioria das vezes não é tecnologia, é saber que o problema existe e buscar a avaliação antes de um evento grave.
Se você chegou até aqui e reconheceu dois ou mais pontos no teste, não espera surgir um sintoma forte para agir, marca consulta, pede exame.
O corpo, na maioria das vezes, avisa antes e esse aviso tem prazo.
Se este vídeo te ajudou a entender a diferença entre os tipos de sangue grosso, se inscreve aqui no canal, dá like, ativa o sininho.
A gente publica conteúdo de cirurgia vascular e saúde cardiovascular toda semana, sempre com base em evidência clínica real.
E me conta nos comentários, você já ouviu diagnóstico de sangue grosso de algum médico ou esse foi sempre um termo que você usou no dia a dia sem saber exatamente o que significava? Eu quero ler a resposta de vocês.
E no próximo vídeo eu vou mostrar quais sinais nos pés podem indicar comprometimento circulatório antes mesmo de os exames se alterarem.
Porque no consultório de vascular os pés costumam contar a história do que está acontecendo nos vasos muito antes do diagn
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.