O Dr. Alexandre Amato lista nove equívocos frequentes após o diagnóstico de lipedema. O primeiro é acreditar que a doença inevitavelmente progride para o estági
As nossas células de gordura produzem hormônio. Elas são extremamente ativas no nosso corpo. Se a gente tira uma quantidade enorme de gordura da noite pro dia, vai ter um desbalanço enorme no seu corpo.
Porque eu tenho um playlist inteiro de vídeos sobre lipedema com informação confiável pra você. Filtre muito bem o que você está ouvindo nos grupos de lipedema ou o que você está ouvindo por aí mesmo de pessoas que se dizem especialistas no assunto.
Porque a queixa da estética ela não pode ficar em primeiro lugar. Tem que ser em primeiro lugar a mobilidade. Você tem que estar se movimentando bem.
Para bom martelo todo parafuso é prego. Se você tem um tratamento só igual para todo mundo, você vai encaixar todo mundo numa linha de produção e a melhor maneira de fazer isso é pular a consulta inicial já pedindo exames.
Não sei. Mas o tratamento vai ser o mesmo. Nem conheço o paciente, mas eu vou sempre oferecer o mesmo tratamento.
Olá, sou Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular do Instituto Amato e hoje vou voltar a falar de um assunto que eu adoro, que é o lipedema, trazendo aqui os 9 erros mais comuns logo após o diagnóstico de lipedema. Então, se você foi no médico, alguém falou que você tem lipedema ou você fez um auto-diagnóstico, então você acha que tem lipedema e aí vem os 9 erros mais comuns. O primeiro deles é acreditar que todo mundo vai chegar na fase final da doença. Então, na hora que você descobriu que tem lipedema, coloca lá no Google o lipedema, você vai ver várias imagens de classificação de varizes, estágio 1, 2, 3, 4, existem outras classificações também e aí todo mundo se atenta àquele final, aquele estágio pior de todos e fala, meu Deus do céu, eu vou chegar nesse estágio. Não é uma classificação evolutiva, ou seja, não quer dizer que todo mundo vai chegar no estágio final, só vai chegar no estágio final quem não faz o tratamento. E quando eu estou falando de tratamento, eu não estou falando de cirurgia, eu estou falando de tratamento, tanto tratamento conservador como cirurgia em alguns casos, mas muitas pessoas estão controladas da doença. Então, lipedema é uma doença super comum, 12% da população tem e não quer dizer que 12% das mulheres estão buscando ajuda desesperadas, porque estão controladas e vão ficar assim, não precisa se preocupar. A questão é, se você descobriu que tem lipedema e tem sintoma, você tem que descobrir como controlar a doença, isso sim, porque se não controlar, ela pode sim evoluir. O segundo erro mais comum é acreditar que o próximo passo é marcar a cirurgia. Agendar a cirurgia é a solução para o problema. A gente tem que entender que a lipospiração é apenas uma ferramenta no processo de tratamento do lipedema e que não se adequa a todo mundo. Muita gente que tem lipedema não precisa da cirurgia. A cirurgia pode ser feita, a gente opera, a gente é super a favor de fazer a cirurgia, mas não como um tratamento único ou muito menos definitivo, porque não vai ser. Eu já recebi paciente aqui que já foi operada cinco vezes por outros cirurgiões e queria a sexta cirurgia. Por quê? Porque ela acreditou que a cirurgia era a única solução. E além disso, a cirurgia lipospiração vai retirar um volume enorme de gordura. E a gordura é um tecido endócrino. O que isso quer dizer? As nossas células de gordura produzem hormônio. Elas são extremamente ativas no nosso corpo. Se a gente tira uma quantidade enorme de gordura da noite pro dia, vai ter um desbalanço enorme no seu corpo. Por isso que é necessário o tratamento conservador. O tratamento conservador antes é essencial pro sucesso de uma cirurgia. Veja o que está escrito na diretriz internacional publicada nos Estados Unidos sobre a cirurgia. A cirurgia só está indicada tendo feito o tratamento conservador. Pode ter tido êxito ou pode ter tido falha no tratamento conservador. Mas tem que ter feito o tratamento conservador. Não é o primeiro passo à cirurgia. O terceiro erro é entrar em pânico, desespero com o diagnóstico do lipedema. Na verdade, é pra ser reconfortante saber que tudo que você sentia tem uma explicação. Você continua sendo a mesma pessoa que era antes. O diagnóstico só vai abrir um leque de oportunidades. O diagnixo do lipedema vai deixar você agora conseguir melhorar esses sintomas que te incomodavam antes. Então não é pra entrar em desespero, não precisa entrar em desespero. Aproveite o diagnóstico a seu favor. O quarto erro é começar a acreditar em tudo que se ouve de lipedema. Então, pra isso, tem a bioindividualidade. Eu tenho um vídeo inteiro falando sobre bioindividualidade. Vou indicar aqui. Mas o que funciona pra uma pessoa não necessariamente vai funcionar pra outra pessoa. E também, muitas vezes, as pessoas estão querendo se aproveitar do marketing da palavra lipedema. Tem que tomar muito cuidado em quem está realmente sendo embasado na ciência e quem está oferecendo um tratamento adequado de quem está querendo tirar uma casquinha. Veja, a nossa primeira pesquisa científica que a gente publicou internacionalmente foi em 2019. E a pesquisa começou em 2017. Esse em 2017 foi quando a gente acreditou que tinha algo a acrescentar pra literatura internacional sobre o assunto lipedema. Então a gente começou lá atrás a fomentar esse assunto e trazer informação pro público em geral. Por que que eu falo isso? Porque eu tenho um playlist inteiro de vídeos sobre lipedema com informação confiável pra você. Filtre muito bem o que você está ouvindo nos grupos de lipedema ou o que você está ouvindo por aí mesmo de pessoas que se dizem especialistas no assunto. O quinto erro é acreditar que só com muito dinheiro você consegue resolver o lipedema. Esse assunto é tão importante que eu fiz também um vídeo inteiro sobre ele. Mas isso tudo deriva do fato de você acreditar que a cirurgia é necessária pra tratar o lipedema. Então a cirurgia é cara e o SUS não cobre. Sendo a cirurgia cara, a única solução é ter dinheiro pra resolver o lipedema e muito longe disso. A maior parte do tratamento é feita de forma conservadora. São mudanças de hábito de vida que não necessitam um centavo. Então você consegue melhorar muito a sua qualidade de vida sem a necessidade de gastar dinheiro. Mesmo os medicamentos que são passados em algum momento da doença, principalmente em uma fase pior de sintomas, eles são temporários, não são medicamentos pra vida toda. E mesmo quando a gente fala de cirurgia, por exemplo, aqui a gente tem um hospital dia. A gente faz o procedimento dentro do nosso hospital, de forma que a gente consegue oferecer até um tratamento cirúrgico num valor muito mais em conta. O sexto erro é não entender e separar as suas queixas. Então quando tem o diagnóstico do lipedema as queixas estão todas juntas. Muitas vezes a minha queixa é estética. A minha queixa tá lá na estética. Mas na verdade dentro daquele saco de estética tem dor, tem mobilidade, tem a sensação de peso, tem várias outras queixas que assim estão atreladas à estética. Mas na verdade elas são queixas separadas. O que quer dizer com isso? Porque a queixa da estética ela não pode ficar em primeiro lugar. Tem que ser em primeiro lugar a mobilidade. Você tem que estar se movimentando bem. Em segundo lugar vem os sintomas. Sintomas como dor, enchaço, essa dor e enchaço diminuem qualidade de vida. A gente tem que melhorar isso antes de pensar em estética. Em terceiro lugar vem a estética. Então o que é recorrente com as minhas pacientes é falar o seguinte. A estética perde o valor depois que a gente inicia o tratamento e melhora a mobilidade e sintoma. Não quer dizer que a estética não melhora. A estética melhora também. Mas quer dizer que você conseguiu separar os sintomas e entender de onde eles são derivados. Então a dor acontece quando eu faço isso. Então eu vou evitar a dor. Ah, o enchaço acontece quando eu faço isso. Evito o enchaço. Só isso já tem uma melhora de qualidade de vida enorme. E muitas vezes diminui aquela queixa estética inicial. O sétimo erro é fazer exame sem consultar com o médico. Ah, isso eu tenho visto muito frequentemente. Então alguém liga para marcar com o médico e a secretária já passa uma lista de exames que devem ser feitos. Isso é um erro tão grande, tão absurdo que eu posso gastar horas falando nisso. Mas eu vou ser bem objetivo. Os exames são subsidiários. Eles são exames para complementar o que foi visto no exame físico e na conversa da consulta que há na amnese. Então se você inverte a ordem ou você está fazendo um monte de exame desnecessário ou pior ainda, você está tentando colocar todo mundo no mesmo saco. O que quer dizer isso? Para bom martelo todo parafuso é prego. Se você tem um tratamento só igual para todo mundo, você vai encaixar todo mundo numa linha de produção e a melhor maneira de fazer isso é pular a consulta inicial já pedindo exames. Ah, mas precisa para esse paciente? Não sei. Mas o tratamento vai ser o mesmo. Nem conheço o paciente, mas eu vou sempre oferecer o mesmo tratamento. E por que que eu estou falando isso? Porque um dos exames que eu vejo frequentemente solicitados para o lipedema é a linfocintilografia. A linfocintilografia não é um exame para a lipedema. Ele é um exame que vai auxiliar no diagnóstico de linfedema, que é outra coisa. O linfedema é muito fácil de avaliar no exame físico. O cirurgião vascular é o especialista no sistema linfático e ele consegue avaliar em um minuto se o paciente tem ou não tem linfedema, sem a necessidade da linfocintilografia. Ah, mas puxa, eu gosto de fazer exame. Tudo bem, eu vou contar como é que é a linfocintilografia para você. Você vai injetar entre os dedos do pé, então uma agulha vai entrar dentro dos dedos do pé e injetar uma substância. Essa substância é radioativa. E aí você vai ficar esperando um tempão até entrar numa câmara de captação de exótopos. E essa câmara vai medir o quanto de radiação está sendo emitida por cada parte do seu corpo. Então veja, a linfocintilografia está sendo solicitada a torto e à direito e é um exame invasivo, um exame radioativo, doloroso, extremamente incômodo e que se o paciente é avaliado pelo especialista cirurgião vascular, não tem necessidade nenhuma. Então saiba que se o seu médico não está te avaliando antes de pedir exames, é porque o tratamento vai ser igual para todas. E com certeza o maior interesse não é no seu bem-estar ou na sua qualidade de vida. O oitavo erro é acreditar que o tratamento conservador é insustentável durante a vida. Na verdade, enquanto é um tratamento, pode parecer insustentável, mas isso com o passar do tempo acaba sendo uma aceitação e uma mudança de hábito de vida e deixa de ser um esforço, passa a ser uma escolha. Na medida que você faz algo e percebe que isso te traz um benefício, essa mudança vai ser uma escolha sua e não o médico que está pedindo ou ordenando algo do gênero. Então no final são pequenas coisas feitas diariamente, de uma forma automática, que mudam o resultado final. Então é perfeitamente sustentável durante a vida o tratamento conservador. E isso vale também para o nono erro, que é acreditar que a dieta é insustentável por muito tempo. Na medida que você é solicitado fazer uma dieta e que tem esse peso de uma dieta, pode realmente parecer. Mas à medida que você erra, escapa um pouquinho e percebe que comer alguma coisa que te faz mal ou que fez alguma coisa que não te fez bem, você vai acabar naturalmente optando por não fazer essas escolhas mais. E não vai ser mais uma dieta, vai ser uma escolha. Acaba sendo uma reeducação alimentar de uma forma muito natural. Passa a ser, então, uma escolha de vida e não uma obrigação. Gostou do nosso vídeo? Inscreva-se no nosso canal. Espera um pouquinho que eu vou colocar a indicação dos melhores vídeos para você seguir e até o próximo. Legendas pela comunidade de Amara.org
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.