O lipedema é uma condição inflamatória crônica que causa acúmulo doloroso de gordura em quadril e coxas. Seus sintomas, como dor, inchaço e sensibilidade, frequ
Para falar um pouco desse assunto, vamos conceituar um pouquinho o lipedema. O lipedema, ele é uma condição inflamatória crônica que é caracterizada pelo acúmulo de gordura na região de quadril e coxas.
Ela pode ter uma dificuldade maior em fazer atividade física.
Essa mulher, ela vai ganhando peso e o lipedema, ele pode estar muitas vezes associado com obesidade. E como o diagnóstico, ele ainda não é feito por muitos médicos, a mulher, ela fica sem um diagnóstico preciso e tratando o lipedema como se fosse uma obesidade e às vezes nem tratando.
Olá, meu nome é Juliana Amato, sou ginecologista aqui da Amato e hoje a gente vai conversar um pouquinho sobre a relação do lipedema com as doenças ginecológicas. Será que existe uma relação entre elas? Para falar um pouco desse assunto, vamos conceituar um pouquinho o lipedema. O lipedema, ele é uma condição inflamatória crônica que é caracterizada pelo acúmulo de gordura na região de quadril e coxas.
Mais especificamente, ele atinge as mulheres e está relacionado com o processo inflamatório dessa gordura. E os sintomas, eles são bem específicos, então está muito relacionado com dor nas pernas, com inchaço, com dificuldade até de tocar a própria perna, de colocar uma roupa e sentir uma sensação dolorosa nessa região e causa um aspecto de casca de laranja, que são realmente essas gordurinhas inflamadas que noduam. E o que isso vai interferir com a saúde ginecológica da mulher? A mulher sentindo todos esses sintomas de aumento de sensibilidade, de dor em peso nas pernas, de inchaço, de maior sensibilidade no toque, o que que pode acontecer? Ela pode ter uma dificuldade maior em fazer atividade física.
Por quê? Porque a perna dói, porque a perna incha, porque quando faz atividade física força mais a perna e aí a sensação de dor dela e desconforto aumenta muito. E muitas vezes, essas mulheres que têm lipedema, por ter uma concentração de gordura inflamada perto do joelho, elas são mais propensas a ter uma condição inflamatória no próprio joelho e podem até ter associado uma condromalácia patelar, que dói o joelho e também impede um pouquinho que ela faça exercícios, porque dói. E essa falta de exercício, essa dificuldade em fazer exercício, o que que vai acontecer? Essa mulher, ela vai ganhando peso e o lipedema, ele pode estar muitas vezes associado com obesidade.
E como o diagnóstico, ele ainda não é feito por muitos médicos, a mulher, ela fica sem um diagnóstico preciso e tratando o lipedema como se fosse uma obesidade e às vezes nem tratando. Muitas mulheres que vêm ao consultório, elas relatam que, para elas, elas sempre tiveram a conformação do corpo com mais quadril e mais perna. A maioria, algumas não, mas a maioria conta isso e elas acham isso normal, porque já remete a uma distribuição diferente do seu corpo.
Às vezes, a mãe tem essa distribuição também, às vezes uma tia, aonde elas são magrinhas na parte de cima, no troco, nessa parte do peito, dos braços, do rosto e elas têm essa, mais acúmulo de gordura nessa região, mais para baixo, abaixo da cintura. Então, se essas mulheres não conseguem fazer atividade física e ganham peso e associa-se com uma obesidade, a obesidade por si só causa inflamação no nosso corpo e o lipedema já é uma doença inflamatória. E, hoje em dia, a gente sabe muito que muitas das doenças, elas vêm da inflamação do nosso corpo.
Por exemplo, a endometriose. A endometriose, ela é uma doença inflamatória do endométrio, que é aquela camada que reveste o útero. Essa endometriose, ela também está associada com uma piora do lipedema e vice-versa.
Quando a mulher, ela tem o lipedema e a inflamação está aguda e ela já tem uma endometriose, ela vai ter maior propensão a piorar o seu quadro de endometriose e a endometriose por si só é um gatilho para a piora da inflamação do lipedema. Além disso, a obesidade, ela também está associada com o aumento da insulina e ela está associada com as síndromes metabólicas. Então, a mulher, ela tem uma propensão a desenvolver a síndrome dos ovários falicísticos.
Essa síndrome dos ovários falicísticos relacionada à obesidade, ela está relacionada ao aumento dos hormônios androgênios, dos hormônios masculinos, pela conversão da gordura em testosterona. E isso, nas mulheres que já têm uma condição de lipedema, também são gatilho para a inflamação crônica. Então, todas as doenças inflamatórias, a gente tem que pensar que elas podem estar envolvidas uma na outra.
Não que uma cause a outra, mas que elas em conjunto, elas pioram os sintomas de uma ou de outra. Outra condição que pode acontecer também são os problemas circulatórios. Os problemas circulatórios, eles podem estar associados com o lipedema porque essa paciente, ela vai ter um retorno venoso prejudicado pelo processo inflamatório.
Esse processo inflamatório e esse retorno venoso prejudicado pode estar associado também com o desenvolvimento de varizes pélvicas. Varizes pélvicas nada mais são do que a dilatação das veias na região pélvica. Essas veias, elas se tornam incompetentes, que elas têm problemas nas suas válvulas e se desenvolvem essas varizes nessa região e essa variz está associada com dor pélvica, cansaço, sensação de peso na região pélvica.
As doenças em si, elas não têm uma relação direta, mas uma pode contribuir para a piora da outra. Então, o que a gente tem que ter em mente é que o nosso corpo, ele funciona como um todo e não só órgãos individualizados e que sempre quando uma coisa não vai bem em um canto do nosso corpo, provavelmente ela vai estar dando algum problema em outra parte. Então, o processo inflamatório da endometriose, ela pode ser um gatilho para a piora do lipedema.
O lipedema, ele pode ser um gatilho para a piora de uma síndrome metabólica. Então, vamos cuidar da nossa saúde, prestar atenção no nosso corpo e não deixe de fazer seus exames e consultas periódicas no seu médico. A prevenção e o cuidado são muito importantes para a manutenção da nossa saúde e prevenção de doenças futuras.
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Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.