O episódio discute saúde mental “na vida real”, explorando como fatores sociais, pessoais e biológicos influenciam quadros como transtornos de personalidade (co
Eu acho que deve ter muito a ver com políticas de saúde pública. A gente vive uma crise hoje, não só econômica, política também, e eu vou além. Eu acho que a gente vive uma crise de valores que eu acho de uma forma ou de outra podem contribuir para as pessoas tarem mais ansiosas hoje.
Bom, como essas experiências de vida têm um impacto muito grande nesse sentido, e as experiências passam pela nossa interpretação e o comportamento que ela gera, e a interpretação que a gente tem do mundo passa pela nossa personalidade.
Bom, a atividade física é importantíssima, libera endorfina, endorfina regula sono, apetite, libido, melhora o humor, diminui a ansiedade. Então, a atividade física é muito importante, uma boa qualidade do sono.
A gente se acomoda no desconforto, muitas vezes, porque a mudança, ela demanda energia, e o nosso corpo, ele vem de um ancestral que não tinha nada a mão. Então, para ele, toda vez que ele tinha que fazer uma mudança, demandava energia, e ele não sabia se ele sobreviveu em vermelho o seguinte.
Como definir se a pessoa precisa de um tratamento mesmo ou não, como que funciona, os pilares do tratamento. A gente falou de transtornos de humor, transtornos de ansiedade, os psicóticos e de desenvolvimento.
Epiranga, mais uma vez, bem-vindo, Dr. Obrigado novamente. A gente já estava conversando aqui, inclusive, nos bastidores você me falou um dado que eu preciso começar citando que é que o Brasil é o país mais ansioso, Dr. De todos os países, de toda a lista, o que aparece no top 1, por que isso acontece? Tem alguma explicação? Eu acho que deve ter muito a ver com políticas de saúde pública. A gente vive uma crise hoje, não só econômica, política também, e eu vou além. Eu acho que a gente vive uma crise de valores que eu acho de uma forma ou de outra podem contribuir para as pessoas tarem mais ansiosas hoje. Na verdade, para as pessoas apresentarem transtornos emocionais e de comportamento no geral. E esse, pode chegar a esse tipo, a gente estava falando mal do século, que oficialmente, para literatura médica, eu não sei se eu posso definir assim, é a depressão. Fala-se, não oficialmente, mas fala-se sobre a depressão ser o mal do século, mas meu ponto de vista, eu entendo que o mal do século é corrupção. Explicando melhor o que eu estou querendo dizer com isso, a gente costuma pensar sobre corrupção em outros níveis, eu estou falando sobre corrupção de valores. Eu acho que, independente de haver uma predisposição endógena, que a gente dizia, é de dentro, genética, uma predisposição para desenvolver o quadro clínico, a gente tem experiências de vida, tem situações que a gente passa por elas, que contribuem para você desenvolver o quadro clínico. E fazer boas escolhas não garantem paz e felicidade. Fazer mais escolhas não garantir menos. Quando a gente faz escolhas que não tão fundamentadas em valores bem definidos, a gente vai ter uma tendência maior a fazer escolhas que não têm resultados ruins. Então, eu acho que uma coisa que não se trabalha tanto hoje é essa questão dos valores. Eu acho que isso é parte da prevenção para um paciente, para um futuro paciente, para que ele não venha a ser. Então, você trabalhar valores, trabalhar um convívio harmônico e família, trabalhar a busca por propósitos, trabalhar ambientes salutares, que a gente já tocou nesse assunto. Então, eu acho que o crescimento pessoal se dá em todos os níveis e a gente não pode deixar de entender que não é só profissional, não é só na comunidade, não é só na família, ele é universal. E isso demanda, eu entendo que a busca de valores é uma coisa importante, desse crescimento individual. Isso, doutor, essa questão dos valores não está muito ligada. A gente saiu um pouco dessa questão genética, que se alguém está de fato destinado a ter alguma condição, mas valores a gente também não tem como deixar de falar dessa parte da família, porque vem muito do de como a pessoa é criada, de como que a pessoa pode mudar isso. Como que é uma forma, não sei se eu estou sendo clara na minha pergunta, mas, por exemplo, quem não foi criado da forma que poderia evitar que uma condição aparecesse, a pessoa é capaz de fazer isso sozinha, como buscar isso? Bom, como essas experiências de vida têm um impacto muito grande nesse sentido, e as experiências passam pela nossa interpretação e o comportamento que ela gera, e a interpretação que a gente tem do mundo passa pela nossa personalidade. Então, assim, o ensino, as experiências, ela não é só dentro de casa. Fala-se um impacto quase sim muito semelhante entre os primeiros contatos na infância com os contatos dentro de casa. Então, eu acho que trabalhar, como eu estava falando, trabalhar os valores, principalmente na criança, nesse desenvolvimento da personalidade da criança, é importante. É entender o que é certo, o que é errado, o que é bom e o que é ruim nas escolhas que ela faz. De uma forma ou de outra, eu acho que isso acaba impactando a vida adulta, porque a personalidade, ela se fecha na vida adulta, mas ela se inicia na primeira infância. Sim, é porque a gente vê que realmente quem tem, talvez seja até polêmico, mas quem tem uma base mais consolidada, assim, desde criança em casa, já foi criada com esses valores mesmo, essa definição acaba sendo mais fácil, passar por esse processo. Vamos dizer que é um valor, é um fator a menos. Você pode ter sido criado no ambiente, muito salutário, em que você teve bons exemplos, mas se a genética for forte para desenvolver um quadro crime, desenvolver a mesma forma. Ou você ser muito suscetível à alteração hormonal, você ter um hipotiroidismo, uma alteração, o teu ciclo, você ter um transtorno disfórico pré-mensitual, que seja mais evidente no sentido de sintomas emocionais, uma alteração hormonal de qualquer natureza. Então, assim, como a gente falou, a sua matória de valores, de fatores, cada pessoa responde mais a um ou outro. E tem alguma forma de, por exemplo, você, independente do seu meio, do trabalho, relacionamento, como se blindar de tudo isso para evitar que essa alguma condição que a gente se tornou, que a gente vai falar de alguns agora também, que elas apareçam? Bom, a atividade física é importantíssima, libera endorfina, endorfina regula sono, apetite, libido, melhora o humor, diminui a ansiedade. Então, a atividade física é muito importante, uma boa qualidade do sono. Durante o sono, a gente tem, vamos dizer assim, a limpeza do vinchester. Você não é do tempo do vinchester, mas é a memória, o CPU, isso é limpo durante a noite, quando você tem uma boa noite de sono. Se alimentar bem, a limitação é essencial. Por exemplo, tem elementos que são ansiogênicos. Você toma muito café, chá preto, coca cola, cuidado na ingesta do açúcar. Então, se alimentar bem, dormir bem, hidratar bastante, fazer atividade física, eu diria que essas coisas são essenciais, mas você ter propósitos, eu acho muito importante, você ter uma mente ativa, leitura muito importante, você aprender coisas novas. Vamos dizer que é a musculação cerebral, é você estar aprendendo coisas novas. Sim, porque realmente, às vezes, a preocupação é usar a palavra musculação tão superficial na vida das pessoas, e realmente, às vezes, acaba deixando de lado isso. Mas por que você está fazendo tudo isso? Onde você quer chegar com todas essas, às vezes, até aquilo que está falando da ansiedade, essa angústia de ficar fazendo, de abraçar o mundo, fazer um milhão de coisas, mas onde isso vai? E aí fica esse, até eu tenho uma definição, uma frase que eu escutei recentemente, que fala, você está vivendo ou você está sobrevivendo? Sim. E também tem a questão de você viver esperando o final de semana, viver esperando a sexta-feira, viver esperando ali as férias, e você não gostar da sua rotina, né? A gente se acomoda no desconforto, muitas vezes, porque a mudança, ela demanda energia, e o nosso corpo, ele vem de um ancestral que não tinha nada a mão. Então, para ele, toda vez que ele tinha que fazer uma mudança, demandava energia, e ele não sabia se ele sobreviveu em vermelho o seguinte. Então, o corpo, ele tende a buscar estabilidade, porque tudo que demanda energia, que demanda mudança, demanda energia. Então, a gente, às vezes, se acomoda no desconforto. É, de fato. Agora, a gente ficou de citar, doutor, no último episódio a gente falou bastante sobre os transtornos, né? Então, até a citar de um para quem não acompanhou e vai ficar curiosa, a gente citou sobre o diagnóstico, né? Como definir se a pessoa precisa de um tratamento mesmo ou não, como que funciona, os pilares do tratamento. A gente falou de transtornos de humor, transtornos de ansiedade, os psicóticos e de desenvolvimento. Aí, ficou agora para a gente falar sobre o de personalidade, os de personalidade, porque são vários. Quais os mais comuns, mais interessantes para a gente citar? Bom, os transtornos de personalidade são os descritos, tanto no SID, quanto no DSM, que são duas classificações diferentes. O SID é mundial, o DSM é da Associação de Psiquiatria Americana. Eu acho mais interessante o DSM, ele divide em três grupos. O grupo A, que são dos excêntricos, os diferentes. A gente tem o tipo que é o esquizotípico, o esquizóide. Quer dar uma olhada? Ou se não quiser citar assim? É, talvez. Tá bom. Então, vamos voltar. O grupo A, volta no grupo A? Dá para faltar. O grupo A, os que são diferentes, são aqueles excêntricos, que têm divisões entre eles, o cabo nesse momento está colocando, mas são aquelas pessoas que têm uma personalidade que foge um pouco mais evidente ser excêntrica. O grupo B seria dos dramáticos, os emocionais, os erráticos. Então, o que a gente pode falar por aí, como é muito mais presente, vamos falar um pouco deles, o Podeline, o estreônico, o narcisista, o antisocial. E o grupo C, que são dos mais preocupados, medrosos, mais ansiosos. Aí a gente pode colocar o dependente, podemos colocar, por exemplo, o obsessivo compulsivo. Então, assim, é importante entender que eu cheguei a falar sobre transtorno de personalidade ser um diagnóstico aversivo. A pessoa não gosta muito de ouvir. A gente não está reduzindo a pessoa aquilo. A personalidade é uma pessoa que se lê uma de coisas. Ela pode ser berengolente, pode ser compaciva, ela pode ser paciente. Quando a gente entende que existe um transtorno, quando determinadas características são inflexíveis, elas são nucleares e, assim, muito intensas, muito expressivas e estão trazendo prejuízo. Se não, a gente pode dizer que são traços. Então, é porque uma pessoa é borderline, que ela não pode ser uma série de outras características e personalidade boas. Então, quando ela começa a sentir prejuízo na vida dela, biopicicoso social, é uma frase que eu estou sempre falando, que é básica para você buscar ajuda. Quando ela começa a ter prejuízo dela, ela vai buscar ajuda e vai se identificar do 4. E é muito comum a comorbidade. As personalidades, elas costumam caminhar juntas. Ela pode ter uma personalidade dependente e, ao mesmo de ser obsessiva compulsiva, ela ser obsessiva compulsiva e borderline estreônica. É muito comum a associação de transtornos de personalidade e com outros transtornos também. Um deprimido com borderline, um estreônico que é bipolar. Em doutor, você falou bastante agora sobre a dificuldade do paciente aceitar o diagnóstico. Como que funciona quando esses sintomas são muito fortes, o diálogo com o paciente no seu consultório? Você precisa de alguém da família para que ajude a pessoa, essa consulta costuma ser assim, um familiar junto, para que ele ajude ali no diagnóstico, da forma do tratamento. Como que funciona? Bom, eu como psiquiatra, isso foi muito da prática clínica de cada um. Eu gosto de trabalhar com a família. Eu atendo o paciente sozinho e peço a presença do familiar quando eu acho que há necessidade. Uma coisa é você estar vivendo no olho do furacão. O outro é o olhar do outro, principalmente do próximo, da pessoa mais próxima. A gente vive pelo olhar do outro. A gente existe pelo olhar do outro. Sobretudo hoje na sociedade que a gente vive da internet, você vê hoje, principalmente nos jovens, essa questão do reconhecimento, da aprovação nas postagens, nos likes. Então a gente vive muito pelo olhar do outro. E eu, para eu trabalhar, eu uso muito o familiar da pessoa próxima que me traz informações importantes também. E inclusive eu imagino que seja um diálogo difícil, como você falou, algumas pessoas não conseguem aceitar muito bem o diagnóstico. Sim, é porque elas se sentem julgadas, limitadas, elas não entendem que ali é por um olhar técnico, não é uma questão de julgamento. Obviamente eu tenho meus defeitos também. Então ali a gente não está buscando defeitos. Ali a gente está buscando características que são mais intensas e que podem estar trazendo prejuízos. Então, por exemplo, você pega um paciente que se transforma de personalidade mais presente que a gente vê aí, o Borderline. Você pega uma pessoa que é muito reativa, ela tem uma variação de humor, as frustrações muito intensa, ela é impossível. Então ela tem algumas características que começam a trazer um prejuízo para ela e você vai apontar, você tem que ter tato para apontar isso. Porque às vezes ela se sente julgada, ela fala que não tem você para dizer que eu sou assim. Você fala não, não estou colocando num. Você é muito mais que isso, mas isso está num ponto que está trazendo prejuízo para você na vida, não é pontualmente. Ao longo da vida. É bem interessante, o pessoal gosta de saber também sobre esses bastidores de cada profissão e a sua tem muita coisa interessante. Eu imagino que quem é próximo também é aqueles amigos que te encontram que tem outra profissão. Porque às vezes o médico sabe, mas assim que tem outra profissão fica, mas como que é isso, como que é aquilo? Não tem bastante isso também. E já teve alguma situação de algum paciente chegar a te agredir, chegar a te ameaçar, te colocar em risco assim dessa forma? Não, eu acho que uma primeira coisa que é importante quando você atende um paciente é você estabelecer um vínculo. E você buscar, principalmente em saúde mental, a gente busca muito isso. Que é não só empatia, mas a escuta livre de julgamento. Para a pessoa se sentir confortável quando ela passa com você para expressar o que ela precisa expressar. Às vezes eu brinco com paciente e eu falo, olha, se você quiser me falar que você queria estar com uma catão laranja, com um cavalo verde, com a melancia na cabeça, você pode me falar que eu não vou te julgar por isso. Você está aqui no ambiente seguro, sigiloso, você pode falar o que você tem vontade. Então, assim, eu não tive nenhuma situação dessa natureza. Que te venha assim, que te venha na cabeça, né? E tem, de fato, o Dr. Koch, quando começa o tratamento de ter uma piora para depois ter a melhora de fato, existe isso de mexer ali no vespeiro, né, igual o pessoal fala? Sim, alguns medicações na introdução, o paciente piora. Uma classe dos antidepressivos, que são os antidepressivos de ação dual, eles têm muita essa característica. Na introdução, o paciente, às vezes, você usa antidepressivo para contextualizar. O antidepressivo se usa para tratamento, tanto de humor quanto de ansiedade. Tratamento de ansiedade é antidepressivo. Ele tem ação ansiolítica. Seu lítica é de reduzir a ansiedade. Então, os antidepressivos de ação dual, eles têm essa característica. Na introdução, a pessoa, às vezes, tem uma piora de ansiedade. Ela fica mais agitada para dar ele e fazer o papel que se espera da droga. Entendi. E o tratamento é naqueles pilares que a gente citou. Inclusive, vale a pena a gente falar de novo, né? De personalidade é a mesma coisa, doutor. Eu tenho algum desafio, alguma pedra ali no caminho que você acha mais característico. Sim. Sim, porque eu entendo que, nos transformações de personalidade, o papel do médico é secundário. A não ser que o médico esteja fazendo a psicoterapia do paciente. O papel psicoterapico é essencial. O papel medicamentoso é secundário. Lembrando que a psicoterapia pode ser feita para um profissional médico ou psicólogo. Ou a quem procura terapia outra que não seja realizada por um profissional da saúde. Então, a terapia essencial para um quadro de personalidade, o medicamento a gente usa mais para as comorbidades ou para algumas manifestações, a gente abafa algumas manifestações do transtorno de personalidade. Não existe um remédio dirigido para transtorno de personalidade. Entendi. Não tem um remédio para a borderline, por exemplo? Não. Se eles produziam um termo que nem todo mundo entende e a ideia é falar com quem não entende na área, seria fenótipo. Fenótipo é como a apresentação. Sim. Genótipo é o que vem do gene. Fenótipo é como se apresenta. Algumas apresentações se assemelham muito ao outro quadro. Por exemplo, o borderline tem uma variação de humor que se assemelha a variação do bipolar. Só que o bipolar parece ser mais espontâneo e a do borderline ser mais reativa. A do borderline ser mais uma disforia, uma coisa emocional. A do bipolar, uma coisa mais endógena, genética. Mas os dois podem responder bem a um estabilizador de humor. O tratamento acaba sendo medicamento ou pelo menos parecido. Às vezes você usa medicamentos semelhantes. Agora você pode pegar, por exemplo, um estriônico, que é aquele tipo de personalidade que busca muita atenção. Que ele está deprimido. Você vai dar um antidepressivo. Um narcisista que busca admiração acima de tudo. E ele pode estar ansioso. E você vai dar um antidepressivo para a ansiedade dele. Eu já vi muitas pessoas falando sobre os narcisistas. Inclusive que médicos, imagina que seja até polêmico. Alguns falando que não existe o narcisismo. Sua opinião sobre isso. Já escutou alguém falando sobre isso? Não. Não, mas assim, não duvido que está a quem faça. Eu já vi. Mas até que a gente mude a identidade nosológica dele, ele não entre mais dentro dos critérios diagnósticos. Ele é um diagnóstico de trações de personalidade. Que é o narcisista. O que acontece é que é muito difícil você pegar um trações de personalidade puro. É muito comum a comorbidade. É muito difícil você pegar só o narcisista. Então, talvez o colega colocou assim. Talvez tenha colocado nesse sentido. Entendi. Unido ali. E na lista que a gente, para quem não sabe como funciona, antes de conversar, a gente fala dos bastidores ali. O que a gente vai citar, faz uma pesquisa sobre o tema. Nossa lista parece o Dependente Emocional na lista dos trações de personalidade. Mas que nível que esse trações de... Então, é Dependente Emocional, doutor. Ele está no grupo C, de diagnóstico, dos transtornos ansiosos. No primeiro momento, você pensa no Dependente, como sendo um transtorno de personalidade do grupo B, que eu estava falando que é dos instáveis, dos erráticos, dos mais emotivos. E do Dependência, uma coisa característica do Dependente é que ele é muito submisso. É aquela pessoa que não sabe dizer não. Que às vezes se propõe a fazer alguma coisa, às vezes até de risco pelo outro, porque ela não sabe dizer não. Assume alguma coisa que o outro não assumiria para poder proporcionar para o que ela precisa. Entendi. Os trações de personalidade, eles ficam mais evidentes quando se tem gatilhos. Quando se tem gatilhos, por exemplo. O Dependente. Se ele se sente na eminência de ser abandonado, ele pode flagrar isso com mais... Ficar só pode flagrar com mais força. Entendeu? O Narcissista. Se ele está numa situação social que ele acha que ele não está sendo valorizado, pode manifestar com mais intensidade. E por aí vai, por exemplo, daquele primeiro grupo que eu falei, o Grupo A, que tem o Esquisotípico, o Esquisóide, que são os excêntricos. Eles têm dificuldade de socializar. Então, às vezes, em uma situação em que eles têm que socializar mais, eles podem flagrar o quadro com mais evidência. Pode parecer mais aparente o quadro clínico. E tem ciclos também, fases, doutor, que aparecem na vida, independente de fatores externos, que aquilo vai acrescentar, mas voltar mais forte. É normal ter essa inconstância? Boa pergunta também. A transformação de personalidade, uma vez desenvolvida a personalidade, ela é constante. O que tem são gatilhos. Mas ela vai estar sempre presente. Nos gatilhos, voltar mais evidentes. Entendi. Que foram esses gatilhos que você falou, de cada um com a sua característica. E, doutor, o Borderline é um que a gente está, pelo menos na minha experiência das pessoas próximas, e começou a escutar mais recentemente. Tem algum motivo para isso, de ter tido esse... Não era algo que a gente escutava muito, né? O Borderline. E também aquele do... Até esqueci o nome agora, que fala... Não estava na nossa lista. De quando você está muito cansada do trabalho, que é uma doença... Bernalte. Bernalte. Mas aí a gente está fazendo totalmente Bernalte. De transformação de personalidade. Sim, sim. Mas eu achei muito legal. Eu acho que isso aí, essa pergunta, foi a melhor de todas até agora, porque? Porque é onde eu quero dar uma provocada. Uma provocada. Eu entendo que hoje a gente tem ouvido muito sobre Borderline, porque a personalidade ela se expressa na sua potencialidade, em períodos de maior pressão, em períodos em crises, em períodos em que a gente sente mais o peso do momento que a gente está vivendo. A gente percebe, se houve muito isso de colegas na saúde mental, tem acontecido mais problemas de saúde mental depois da pandemia? Não. Mas a gente percebe que os quadros estão vindo mais intensos, mais difíceis de tratamento, mais difícil de conduzir. E eu, do meu ponto de vista, acredito que é, sobretudo, por conta da personalidade. Eu acho que hoje a bola da vez é téia e TVH, mas eu acredito que a próxima bola da vez vão ser os trações de personalidade, porque a gente vem de períodos de crises, crise econômica, crise política, crise ecológica, ambiental, vamos dizer, crise ambiental, então é enchente no sul, deslizamento lá em Minas, a pandemia, então tudo o que a gente está vivendo hoje, eu acho que está contribuindo a possibilidade de guerras, a política internacional, então tudo isso eu acho que facilita a manifestação de um trações de personalidade. Eu acho que vai ser a próxima bola da vez, é a minha aposta. Entre você falou que facilita os transtornos de personalidade, mas porque especificamente o borderline? Um facilito desenvolvimento, facilita a gente a apresentação, fica mais evidente. O borderline é o que a gente costuma ver bastante dos transtornos de personalidade, é um que costuma ver bastante. Eu não trabalho muito com a questão de desenvolvimento, mas como ele é um quadro clínico, que ele não é um transtorno do desenvolvimento, mas ele é um quadro clínico nuclear, que tem genética também envolvida, mas existe uma questão da pré-expressão das experiências de vida que eu acho que estão muito associados. Olha, eu não sei dizer até que ponto a realidade que a gente vive hoje dentro de casa e fora contribui para o desenvolvimento dos transtornos de personalidade, sobretudo o borderline, que é o que a gente mais observa. Eu não acredito muito também no transtorno de personalidade isolado. Eu acho que ele sempre acaba vindo como comorbidade, mesmo entre as próprias personalidades. Mas com certeza o que a gente vive hoje está relacionado com o desenvolvimento, inclusive fugindo um pouco de personalidade, é o pé e o tdh. Eu não compacto toda a ideia hoje em dia, por exemplo, de quem pensa que a criação está relacionada ao desenvolvimento de um transtorno de déficit de atenção e peratividade. Mas eu acho que os hábitos de hoje contribuem de alguma forma para você desenvolver hoje uma criança, ela não está mais trabalho, porque existe um celular, um tablet para você entregar para uma criança se fechar no mundo dela. E o que é o autismo? É uma pessoa que se fecha no mundo dele. Eu não estou falando que só isso, que é determinante, mas que os tempos atuais estão contribuindo de alguma forma e eu acredito que sim. E do Borderline de novo, doutor, quais são realmente os sinais de alerta? A gente setou no outro, mas só para ficar bem, porque igual a gente fala, a gente escuta muito falar, mas, pelo menos na minha cabeça, não é muito definido o que de fato é o Borderline. É um termo que a gente está escutando bastante, mas a definição de fato muita gente não sabe. Assim como o Burnout não, você até citou, não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas foram dois termos que a gente começou a escutar bastante e às vezes não sabe de fato a definição na prática. Relacionamentos instáveis, são pessoas que parecem que precisam viver as emoções de maneira exuberante, tanto a boa quanto a ruim. A dificuldade de lidar com frustrações, é uma coisa que você percebe muito no Borderline, uma questão também é impossibilidade, é muito comum no Borderline, que mais que a gente poderia colocar do interessante para um Borderline, a questão do vazio existencial. E tudo isso de uma forma mais aguda como você citou, que chama atenção e afeta a vida daquela pessoa. Agora, você vê, a gente conversou sobre bastante coisas, em nenhum momento a gente conversou como são semelhantes, mas como tem coisas, porque como é difícil de diagnóstico, e como é uma assalatória, por isso que alguns diagnósticos demoram, para poder chegar. Porque você vai ver a dificuldade de socialização anterior, você vai ver de um transtorno de espectroautismo, dependendo do grau de transtorno de personalidade. Você vai ver características de transtorno de humor no bipolar, que às vezes você não chegou na bipolaridade, você está achando que só uma depressão, você dá só um antidepressivo, e ele pode subir e jogar lá para o polo eufórico, porque na verdade é um bipolar. Então tem algumas características no curso do transtorno, que fica mais identificável, nem sempre numa primeira consulta, numa segunda, às vezes leva tempo. E o tratamento medicamentos começa quando isso já está definido ou não? Tem uma forma de você aliviar o sintoma sem saber de fato, sem encravá-lo e o diagnóstico, como funciona? Porque, por exemplo, você falou que às vezes pode chegar até demorar um ano para a pessoa ter o diagnóstico cravado. Nesse ano ela não vai tomar nenhum medicamento, como funciona esse período de tratamento? Eu falei nisso, sobretudo, por exemplo, no autismo, ou em um TDAH bem avaliado, eu acho que se não é uma pessoa que trabalha só com isso, nem sempre é evidente. Então não todos demorem um ano, mas às vezes demora até um ano. Mas o TDAH até tem medicação específica para você trabalhar, mas o autismo não tem medicação específica. Então na verdade o que a gente vai acabar tratando? Aquilo que eu estava falando com você, o fenótipo. A forma que manifestam? Você vai tratar o fenótipo e ao longo do caminho você vai identificando. Agora tem alguns quadros clínicos que a gente tem que ter muito cuidado. Por exemplo, o que eu falei do transtorno de humor, se a identificação é bipolar ou depressivo, que é depressivo, você trata só com antidepressivo, eventualmente um acionítico associado. Pode associar outras drogas dependendo do grau que se manifesta. O bipolar a gente tem que usar a base do tratamento estabilizador de humor. Se não a gente corre risco, vamos dizer assim, que o humor da gente seria essa uma faixa de normalidade. Ele varia dentro dessa faixa pouquinho. Quando ele está deprimido, ele está lá embaixo. Quando ele está eufórico, ele está lá em cima. Se você só identifica o pólo lá embaixo e dá um antidepressivo, só isso jogar ele lá para cima. E ele entrar e você fazer uma hiatrogenia. Quer fazer o cara desenvolver um... desenvolver não, manifestar um quadro eufórico em função da droga que você introduziu. Nossa, tudo muito bem ali avaliado. Por isso que quando alguém tem diagnóstico e começa tomar medicamento, costuma ser uma avaliação, um controle ali de perto. Sim, sim. É isso importante. É, às vezes o paciente, ele já estendeu o tempo de consulta, o tempo entre as consultas, mas a gente precisa, principalmente quando um diagnóstico nem é incerto, ou quando não respondeu ainda o que se espera da medicação, a gente pantei mais próximo o paciente. Entendi. Para ter um controle maior. Agora, é evidente que eu gosto muito de trabalhar com terapeuta. Discutir com terapeuta, como se... Primeiro, porque eu entendo que ele tem um papel fundamental no tratamento. Segundo, que ele acaba sendo meus olhos. Sim. Porque ele está vendo semanalmente o paciente. É importante. Tem esse diálogo? Existe entre o psiquiatra e o... É para ter. É para ter. E vai do profissional. E as equipes costumam trabalhar juntas, doutora, ou não? Então, se você não tem uma equipe fechada, você se propõe a buscar o colega. Então, quando eu atendo um paciente, eu peço, primeiro, a permissão dele, para eu trocar uma ideia com o terapeuta dele. Se ele me der a permissão, daí eu peço contato, entro em contato, e converse com eles e coloco o meu ponto de vista, quero ouvir o deles, para a gente alinhar o tratamento. Porque se ele estiver entendendo de uma forma e eu, de outra, nós vamos trabalhar diferente. Sim. Legal. Essa união, esse diálogo. Doutora, agora eu vou usar um tempo para a gente falar um pouquinho sobre psico-dermatose. Primeiro, definição, que você defina o que é isso, como se manifesta, se é comum, enfim, do que a gente está falando para que fique bem clara, a gente está unindo duas especialidades. Falei aqui no início, mas para quem não acompanhou outro episódio, volta lá para ver, mas para destacar de novo, você acabou fazendo as duas especialidades, tanto a dermata como a psiquiatria. Sim. Então, os psico-dermatose são quadros dermatológicos relacionados a mente. Então, assim, primeiro de tudo, a gente tem que entender o seguinte, que as emoções, o estado emocional, ele vai ter influência em problemas de saúde por várias vias, principalmente via psico-neurimônia. Então, a gente percebe muito, por exemplo, doenças autoimônia, que o cara tem um quadro e, por exemplo, morre o pai e ele piora o quadro clínico, perde o emprego, piora o quadro clínico, fica com um quadro depressivo, ansioso, piora o quadro clínico dele, um vitiligo, por exemplo, a amália, fica com o corpo manchado em outras áreas, entendeu? Então, assim, existe uma relação entre saúde mental e saúde física, e na dermatologia a gente percebe muito isso. Tem alguns quadros que você vê quadros que têm manifestação dermatológica, como deu o exemplo, a vitiligo, psorias e lupus, que têm manifestações dermatológicas, e quando uma pessoa está com uma alteração emocional, você vê que impacta. E tem quadros que são primariamente, são psico-neurimatólogos primárias, vamos dizer assim. Então, por exemplo, tricote de humania, é um tipo, tricote de humania, a pessoa tem compulsão de tirar cabelo, pelo, ela pode ficar puxando o cabelo e mordendo, todo mundo já viu alguém que fazia isso, fica puxando a sombrancelha. Nossa, e fica bem... É um quadro compulsivo, ele está dentro dos transtornos somáticos, então, que pode ser um assunto para um novo encontro. Mas a tricote humania é uma manifestação. Tem um transtorno de esmorte corporal, que é quando uma pessoa, para dar extrema atenção para um defeito físico, ela hiperdimensiona esse defeito físico. Então, ela tem uma pintinha no nariz, ou ela teve acne, ela não se sente mais confortável socialmente em função dessa lesão. Então, é a cria do recente que você vê em um calor de 40 graus, ele chegar com um moletom preto de capuz na escola. Tem o delírio de parasitose, que é um quadro psicótico. A pessoa tem a percepção de que ele tem um bichinho andando por debaixo da pele. Muitas vezes, ele chega com um pedacinho da pele, e ele tira e fala, está vendo, está aqui, mostra, guardado assim, você vê que não tem nada ali, mas ele tem essa percepção. Ah, essa é bem diferente. E o que eu acho que é mais presente de todos, e esse tem até um caráter legal envolvido, eu acho que é o mais interessante, que é a dermatitisia de artefata e escoriação neurótica. A dermatitisia de artefata, é aí que o link da psiquiatria e dermatologia é interessante, porque as duas representam dermatologicamente a mesma coisa. A pessoa, ela provoca lesões, ou ela fica contocando imperfeições da pele, outras lesões, e aparece com lesões ulceradas em diferentes fases de cicatrização, com formatos bizarros, que você percebe que foi auto-infrigida, foi ela mesmo que fez. Mas tem uma diferencinha entre uma e outra, entre a dermatitisia de artefata e a escoriação neurótica. Na dermatitisia de artefata há intenção da lesão. A pessoa quer provocar a dor, seja por um estado emocional, em que se auto-mutilar traz algum alívio, seja porque estar com lesão chama tensão, e daí ela vai ter uma tensão que ela não está tendo de outra forma. E a escoriação neurótica não, ela já é mais um ato compulsivo, ansioso. Geralmente, da dermatitisia de artefata, ele não assume o ato em si. A escoriação neurótica, o cara coloca como incontrolável, como a tricote lomania, que é o que fica tendo a compulsão de puxar o cabelo. Ele tem uma compulsão que ele não consegue controlar de se cutucar. Então isso faz diferença no tratamento, porque um tem um caráter mais ansioso que a escoriação neurótica, o outro tem um caráter mais de instabilidade emocional, que é a dermatitisia de artefata. E por que tem um caráter até legal e importante nesse sentido? Porque existe uma coisa, já deve ter ouvido falar de Síndrome de Munchausen. Já escutei, mas não lembro o que é, também. É aquela pessoa que fica indo em hospital, falando que tem uma doença, fica procurando doença, e às vezes se auto-infringe de lesões, não aceita que não tem um diagnóstico e vai no outro, e não assume que é a própria que faz. E tem principalmente uma situação ainda mais crítica nesse sentido, que é quando provoca na criança, para se ter atenção, que se chama Síndrome de Moodle. Então a pessoa provoca na criança a lesão, para poder ter essa atenção, para poder ter essa ajuda de alguma forma. Então é um quadro que link das duas áreas. E é possível mesmo, Dr. Diz, desse outro nome que você citou, de quando a pessoa fica procurando uma doença, por exemplo, que acredita que tem qualquer nome mesmo? A Munchausen. Isso, era esse o nome, né? Munchausen. É, Munchausen. Nossa, é bem diferente, mas com certeza alguém conhece alguém, ou tem alguém na família que já passou por algo parecido. A pessoa procurar tanto e acreditar que tem, e realmente desenvolver aquilo que a pessoa acreditou? Não só ela, como até a gente chama Nifolia D, que é de francês, que é, Loucura 2, que é o outro que começa a acreditar, que tem as vezes até mostrar o mesmo, começar a ter as mesmas queixas. O outro que eu digo companheira, companheira é alguém da família, é próximo, né? Então a pessoa, ela tem a convicção, de que tem o quadro clínico. Beira é uma coisa psicótica, né? Sim. E aí pode chegar a desenvolver de fato aquilo que ela acredita que tem. Uma doença, não. Desenvolver uma doença de fato, não. Tá. Mas ela pode se provocar, né? Como eu falei, provocar lesão. Ah, entendi. Ela pode ter alguma consequência dentro disso que a gente tá falando, mas... Sim, sim. Se provocar lesão. Ela fala, eu tenho uma lesão aqui, que aparece, não sei o que, você fala, mas você identifica, tem alguns sinais pra você não ficar, que você percebe que aquela decisão é auto-infringida, e ela não assume. Não é que a lesão vai começar a aparecer, porque ela acredita que aparece. Ela se provoca, né? Entendi. E a forma de tratamento, eu sempre integrado também, a dermatologia com a partida, porque é muito difícil achar um médico como você, que tem os dois, né? Então... As duas formações, mas como funciona o tratamento nesse caso? Olha, nem sempre integrado. Então, nem... Tem muito dermatologista, que ele se sente mais confortável de atender, tem outros que não, então eu estava conversando sobre... Eu estava falando sobre o Téia, e o Tdh, meu adulto, que eu acho que ele é mais interessante, quando ele é conduzido por um colega, que seja subspecializado nessa área. É difícil ser encontrado dentro da dermatologia, que tem a disposição de trabalhar com isso. Mas, é... É mais bem conduzido com um profissional de saúde mental associado. Um psicólogo, um psiquiatra, né? Entendi. Legal. Agora, então, doutor, vamos para os mitos e verdades. Eu tenho certeza que vai ser bem... Tem bastante curiosidade aqui, é sempre muito legal quando a gente faz. Então, para quem também está chegando agora, a gente... Para quem já conhece, já está acostumado, mas a gente faz um quadro de mitos e verdades aqui, sempre no final do nosso episódio, para pegar aquelas dúvidas da internet, quando você faz uma pesquisa ali, dessa, aquela... O que as pessoas têm procurado, né? Os trend topics sobre determinados assuntos. Então, eu já fiz um compilado aqui de tudo isso que a gente conversou. Algumas coisas, eu imagino que a gente já tenha respondido, mas outras a gente vai poder esclarecer. Então, primeiro, doutor, tristeza é sempre sinal de depressão? Isso lá do outro episódio? Não. Tristeza da natureza humana. Luto é da natureza humana. Tristeza não é sinal que a gente fala patoginomônico. É o termo que a gente usa quando fala que é determinante. De uma determinada doença. A tristeza pode estar presente nem sempre tão aparente numa depressão. Às vezes, mais aparente numa depressão, o desânimo, a irritabilidade, a falta de vontade. Mas a tristeza é uma das características da depressão, mas não a determinade. Tá. A ansiedade é sempre ruim e precisa ser tratada? Então, é mito. Como a gente tinha falado, a ansiedade era importante. A ansiedade é a resposta ao estresse. Então, ela é importante para o ser humano. Nem sempre ela tem que ser tratada. Ela só é tratada quando ela está gerando um trastorno. Em geral, quando ela é constante. Aí sim, quando a pessoa desenvolve uma trastorno de ansiedade, a gente põe o tratamento. A gente precisa da ansiedade para mobilizar o comportamento. E eu acho muito interessante. Eu gosto de falar para os meus pacientes quando você não sabe uma coisa que escolha fazer, tenta simplificar a vida e pensar de maneira mais natural. Vida é movimento. Então, a gente tem que estar se movimentando. A ansiedade é geradora de movimento. Então, ela é importante para o ser humano. De uma... É certo a gente falar que de uma certa forma, de um certo grau, entre aspas, todo mundo tem ansiedade. Sim. Sim. Terceiro, o transtorno bipolar é só ter altos e baixos de humor? Legal, essa. O transtorno, sim. O transtorno afetivo bipolar, a principal característica é a variação de humor. É a principal característica. Mas eu usaria um... Eu iria além. Volto no que o podcast se propõe. Qualidade de vida. Sim. Então, é que estamos se movimentando. Sim. Então, é que estamos só ter a variação de humor. É ter uma variação de humor que provoca um prejuízo de qualidade de vida. Agora, a variação de humor pode cursar com alterações autonômicas. Por exemplo, você está deprimido e não quer sair da cama, não quer se alimentar. Você está num estado eufórico e daí você fica acelerado. Você não quer dormir. É diferente a insônia de uma pessoa ansiosa, que acorda cansada, e a insônia de uma euforia, que o cara não tem menos necessidade de sono. Ele acorda assim por hora. Entendeu? Então, tem outras manifestações que vão além da variação de humor. Quem tem esquizofrenia? Vivem um mundo de fantasias o tempo todo? Olha, depende do grau de como está sendo conduzido o quadroclínico do controle dos sintomas psicóticos. Tinha um documentário australiano, se eu não me engano, que foi feito por um esquizofrênico. E antes do término do documentário, o repórter, que era esquizofrênico, teve uma crise. E na crise, foi uma crise que não foi muito legal. Mas, num dado momento, ele vira para... Ele está entrevistando um esquizofrênico, que ele vira e fala, vocês não tem noção de ser esquizofrênico, é o maior barato. Ele fala dando risada. Como se as aducinações, os delívios que ele tinha, fossem experiências interessantes. Mas, em geral, são angustiantes. Não, são confortáveis. Tá? A gente costuma ter um quadro psicótico, mais congruentes com humor, mais relacionados com humor, dentro de um quadro, por exemplo, de transtorno afetivo bipolar. O cara pode estar tão depressivo que ele psicotisa, ou tão eufórico que ele psicotisa também. E, daí, o quadro psicótico tem mais relação com o estado que ele está. Por exemplo, num estado de euforia, que era um quadro psicótico, eu queria ouvir vozes que falam pra ele coisas depreciativas, coisas ruins. No esquizofrênico, em geral, o quadro psicótico é mais dissociado, não é tão congruente ao humor. Mas, em geral, não costuma ser prazeroso. Não tem jeito. Costuma ser alguma coisa mais angustiante, mas nem sempre. E a pessoa sabe, doutor, ela tem consciência que ela está vendo um... Então, é o que eu falei. Depende da condução do tratamento, do controle do quadro clínico. O que ficou muito emblemático pra as pessoas e aquilo não é o que a gente vê, em geral, na prática clínica. É o que se viu no mente brilhante. Que é o cara chegar num ponto que ele virava e perguntava pra pessoa do lado. Vem a conversar com a pessoa... O cara está conversando comigo mesmo, pra ver se não era uma vacinação. Mas isso não é o que a gente vê em geral. Só uma curiosidade não exatamente com a esquizofrenia, mas de todos os problemas de saúde representados em cinema e televisão, os transtornos mentais são os mais representados. Sim, nossa, é verdade. E o esquizofrênico, por exemplo, quando tem a crise, ele sabe que aqui, não sei se a melhor definir a pergunta, mas ele sabe que aquilo faz parte da crise, igual o repórter que teve ali. Ele sabia que aquilo faz parte da crise ou ele mistura, de fato, a realidade com o que ele está vendo. Até certo ponto é o que eu falei. Depende de como foi conduzido. Você é um paciente bem conduzido que já tem uma... Ah, entendi. Mas em geral, pra ele, aquilo não é uma medicinação, não é realidade. Se ele está achando que ele é napoleão, ele acha que ele é napoleão. Se ele está vendo ali sentado, o Papa, ele está vendo o Papa. Não é uma coisa que não é forte a realidade. Aquilo que a gente viu no filme é o que a gente vê normalmente. Entendi. Toque é apenas gostar de limpeza, reorganização. Esse é o que a gente mais vê, né? O transtorno obsessivo compulsivo, como a gente tinha falado, ele pode ter predomínio de rituais compulsivos. Ou semisto. Você falou sobre limpeza. Limpeza é uma das apresentações que chama bastante atenção da limpeza, né? Que é o mais falado, né? Ah, a pessoa tem toque de limpeza. É, não é incomum se ouvir uma pessoa com toque que ela começa a exigir que a pessoa está a entrar na casa, tem que vestir um separamento para entrar na casa, porque senão vai contaminar. Tem até uma série que mostra que eu lembro que isso me marcou muito, eu era adolescente, mas eu assisti essa série e mostrou casos de pessoas com toques graves. E aí as pessoas, um que, por exemplo, tinha que voltar no mesmo caminho, passar 40 vezes no mesmo ponto, o outro que quando estava no trabalho, dava tal hora, ele precisava lavar a mão em casa, não podia lavar a mão em outra pia. Foi legal se colocar isso, porque assim, a produção vai ser um toque, por exemplo, tem jogador que só entra no campo para jogar bola, entrando com pé direito, né? Dá aqueles pulinhos, dá dois pulinhos, sabe? E assim, não é exatamente o toque, ele tem que tomar um tempo expressivo da vida da pessoa fazendo aquela atividade, e tem que ser imperioso, se não fizer alguma coisa vai acontecer de mal, vai trazer uma angústia muito intensa. Então se ele não fizer alguma coisa, ele pode ter tanto uma crença de alguma coisa muito ruim que vai acontecer ou ele passar o dia desconfortável, em função de não fazer o ritual compulsivo. Tdh, é só em criança hiperativa? Não. Hiperatividade é uma das características do Tdh. As pessoas tendem a pensar que a hiperatividade é num paraqueto, mas as vezes, como eu falei, as vezes são maneirismos, se ficar provocando um barulho bater mexendo a mão, bater no pé, e o Tdh não é só de criança, ele é um transtorno de desenvolvimento. Então ele aparece na criança, mas ele pode estar presente no adulto. Pode ser diagnosticado depois, inclusive, nem sempre ele só na... Muitas vezes os adultos que estão sendo diagnosticados são porque não foram diagnosticados na infância. Autismo sempre significa falta de fala ou isolamento total? Não. Ele tem os níveis de autismo. O nível 1 de suporte ele... a interação com o mundo é maior. Você identifica mais pela dificuldade de socialização, principalmente. Então não é ausência de fala, o que mais você perguntou? Ausência de fala aí. A isolamento total? Não. Então como eu estava colocando, a interação de um nível 1 que a pessoa vive mais voltada para o mundo interno. Tem um aqui muito interessante, que é bem legal para a gente finalizar, doutor. Prevenção e saúde mental, é só evitar estresse? Não. Ou evitar estresse, ajuda a prevenir doenças mentais? Acho que a gente pode colocar dessa forma. Olha. O preço do lugar o sobe. A unha encrava. O namorado, namorada, briga. Evitar o estresse é da natureza da vida. É muito difícil a gente evitar absolutamente o estresse. Ele é da natureza da vida. O que a gente precisa cultivar são bons hábitos para prevenir doenças mentais. Então bons hábitos são essencial. Então a gente falou atividade física, lazer. Eu acho que finalizaria falando que a gente fala muito sobre ligação de corpimente. E eu usei uma hora um termo que você até achou curioso de eu falar musculação cerebral. Eu acho que a gente trabalhar musculatura física e cerebral estou falando de maneira figurativa musculatura cerebral é importante para prevenir. Então ler, aprender buscar propósitos se comprometer disciplinamente assim como o corpo. Você se comprometer com atividade física você ter o hábito de fazer atividade física. Então assim são coisas que ajudam muito. É evidente você estar num serviço que você não gosta e você é o provedor principal da família e você não está vendo uma luz do túnel para sair daquela empresa e você está se sentindo desconfortável lá dentro. Isso pode ser gerado de um quadro deprímido pode, se hoso pode pelo desconforto crônico. Lembra que eu falei que qualquer desconforto crônico pode facilitar o desenvolvimento do quadro. Mas às vezes em um processo psicoterapico você entende que você pode interpretar aquilo de uma maneira diferente que te gere menos desconforto. Às vezes você está interpretando nesse momento de uma maneira que te gera mais desconforto. Ou você não está vendo luz na fim do túnel mas dentro de um processo psicoterapico você pode buscar você começar a observar que existem outros caminhos. Então além do que eu estava falando sobre a musculatura cerebral ou a musculatura física eu acho que você o autoconhecimento e a psicoterapia, um desses processos eu acho que para quem, por exemplo tem, se sente confortável com filosofia ou tem uma espiritualidade que gosta de expressar eu acho que você buscar essas fontes de valores mas de maneira de se autoconhecer e se transformar é importante como uma forma de prevenir trastornos mentais. Sim, e esse é o recado que a gente falou desde o começo do outro episódio, reforçando para quem não viu, está muito legal unir junto com esse papo de hoje para que o recado seja transmitido da melhor forma possível para realmente levar à prevenção isso tudo que a gente está dizendo as melhores formas de diagnóstico, melhores formas de tratamento para que esse é o objetivo a gente até usou mais uma vez esse termo aqui, o objetivo e a abertura é sempre essa, qualidade de vida e não é só uma coisa específica que vai trazer isso. Sim, eu acho que hoje a interface do médico com o paciente no sentido de prevenir e de também dar uma melhor qualidade de vida para um paciente que já desenvolveu um quadro de saúde mental, está mais nesse sentido de rotina diária, de entendimento, psico-educação o que se pode se feito nesse sentido eu acho que hoje a gente nem entrou nesse assunto seria muito extenso hoje se trabalha muito mais uma questão de dentro da medicina de buscas de alternativa entendendo mais neurocircuitos neuroquímica envolvida com quadro clínico desenvolvimento de drogas de psicofarmacologia mais indicada para tratar aquele paciente mas eu acho que para o que a gente se propôs aqui para falar com o paciente sobre saúde mental eu acho que isso é o principal essas formas de tratamento também não é um episódio só sobre isso que você se torna agora que a gente pode traduzir também que é o nosso objetivo traduzir a linguagem para quem não é especificamente da área da medicina, ou é né que a gente pode falar com o médico que acompanha, vou deixar o espaço aberto então para quem gostou desse assunto que a gente sugeriu comenta aqui no vídeo para que a gente possa trazer de novo Dr. Marcos para conversar com a gente Dr. muito obrigada pela sua participação por toda a paciência que de explicar com cuidado todas as minhas dúvidas que também às vezes é a dúvida de quem está acompanhando vou deixar o espaço aberto para você também falar onde você prefere ser encontrado redes sociais, site endereço eu tenho no Instagram, Arroba Insta Psiquiatra e também o Paradinho mas nós vamos... se vocês entrarem, vamos... voltar a movimentar ele e pedir para todos também que entendam que esse foi o primeiro podcast então vamos ver se tiver outros encontros trazer mais mais informação nesse sentido foi muito legal mesmo de coração estou agradecendo pelo pessoal que vai acompanhar aqui que vai deixar os comentários a gente pede para você não deixar de curtir comentar e compartilhar que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas em qualidade de vida não lembro se eu falei antes, então você está de novo para quem já é mais antigo aqui já sabe para quem está chegando agora só quero fazer um agradecimento para o laboratório origem que é o patrocinador aqui do nosso AmatoQuest o laboratório origem é especializado em saúde intestinal que é onde tudo começa muito obrigada e até a próxima
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.