O Dr. Alexandre Amato alerta sobre os riscos da eletroestimulação muscular (popularmente chamada de "choquinho") como suposto substituto para exercícios físicos
É a destruição da fibra muscular, da célula muscular, com a entrada da mioglobina na corrente sanguínea. Essa mioglobina, em grandes quantidades, é capaz de diminuir ou destruir a função do rim, de forma que você entra em uma insuficiência renal, e isso é extremamente grave.
Existem dois tipos de contraindicação, a contraindicação relativa e a contraindicação absoluta.
A contraindicação relativa é aquela que, tudo bem, a gente sabe que tem que evitar, mas dependendo do caso, pode ser que dê para fazer o exercício com eletrochoque. Essas são contraindicações que a gente tem que levar em consideração, tem que ser discutido com um médico e avaliar caso a caso.
Qualquer que seja, mas principalmente uma dor nas costas. Imagina se for uma dissecção aguda de aorta e tá fazendo um eletrochoque, é uma catástrofe. Uma hérnia de disco ou algum problema na coluna também pode ser uma contraindicação.
Seria aquela contraindicação que é assim, se você tem, você não pode fazer e ponto final, não se discute. A questão é que muitas dessas contraindicações absolutas, não tem grandes estudos falando delas se pode ou não pode.
Olá, sou o Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular do Instituto Amato, e hoje esse vídeo é para você que tem preguiça e está indo atrás de exercício com choquinho, o famoso eletrochoque para substituir o exercício, a academia. Esses eletrochoques disparam uma energia que vai contrair a musculatura e, teoricamente, essa contração da musculatura vai desenvolver esse músculo e substituir um exercício físico. Mas tem algumas coisas que a gente precisa falar sobre esse assunto, já que está ficando na moda, e eu tenho recebido muitas pacientes aqui no consultório que são adeptas desse tipo de exercício.
Primeiro, eu queria deixar bem claro que na Alemanha é um exercício que está sendo regulado, e está sendo regulado não é à toa, é porque existem complicações. Essas complicações podem sim ser raras, mas elas são recorrentes, e se não tiver um meio de controlar isso aí, elas vão continuar acontecendo. Então, eu vou colocar aqui embaixo um artigo científico, então eu não estou falando nada aqui da minha cabeça, se você pensar diferente de mim, não tem problema nenhum, pode escrever lá embaixo no comentário, eu estou aqui para ler o que vocês estão escrevendo, mas saiba que não é a minha opinião, aqui eu estou colocando a opinião publicada por um grupo de cientistas e por um país que está preocupado com essas complicações.
A complicação mais grave que a gente se preocupa com esse tipo de eletrochoque é a rabdomiólise. O que é a rabdomiólise? É a destruição da fibra muscular, da célula muscular, com a entrada da mioglobina na corrente sanguínea. Essa mioglobina, em grandes quantidades, é capaz de diminuir ou destruir a função do rim, de forma que você entra em uma insuficiência renal, e isso é extremamente grave.
Então a rabdomiólise é extremamente grave, só que ela não vai acontecer tão frequentemente assim. Agora, tudo o que a gente busca nas contraindicações é evitar uma rabdomiólise e algumas outras lesões, como por exemplo, cardíaca. Então quais são as contraindicações para o eletrochoque? Existem dois tipos de contraindicação, a contraindicação relativa e a contraindicação absoluta.
Qual é a diferença dela? A contraindicação relativa é aquela que, tudo bem, a gente sabe que tem que evitar, mas dependendo do caso, pode ser que dê para fazer o exercício com eletrochoque. Essas são contraindicações que a gente tem que levar em consideração, tem que ser discutido com um médico e avaliar caso a caso. Quais são elas? Então, alguma dor aguda, uma dor nas costas aguda, pelo amor de Deus, não vão sair fazendo eletrochoque em alguém que tem uma dor aguda? Qualquer que seja, mas principalmente uma dor nas costas.
Imagina se for uma dissecção aguda de aorta e tá fazendo um eletrochoque, é uma catástrofe. Uma hérnia de disco ou algum problema na coluna também pode ser uma contraindicação. Você tá lá fazendo exercício e contraindo uma musculatura de uma forma que pode acabar piorando essa lesão.
É necessário passar em avaliação com o neurocirurgião. Alguma doença de órgãos internos, principalmente rim. Como eu disse, a rabidomiólise vai danificar o rim.
Então, se você já tem algum problema no rim, teve pedra no rim, teve uma nefrite, alguma coisa assim, você tem que se preocupar mais com o seu rim. As doenças cardiovasculares em geral, e aí entra na minha especialidade, as doenças cardiovasculares, as que acometem os vasos, artérias, veias, linfáticos. A gente tem que avaliar se vai ou não impactar negativamente esse exercício com eletrochoque.
Cinetose por movimento. São aquelas pessoas que no carro podem se sentir mareadas, podem se sentir nauseadas. Elas podem desencadear essa cinetose também pelo eletrochoque.
E aí não vale a pena passar mal por causa desse tipo de exercício. Pacientes que têm retenção de líquido, que têm inchaço. Ou seja, agora tá falando diretamente da minha especialidade.
Essa é uma contraindicação relativa para o eletrochoque. Então, se você tem inchaço, tem edema, é melhor conversar com seu cirurgião vascular antes de se propor a fazer esse tipo de exercício. Feridas abertas, úlceras, qualquer tipo de lesão, queimadura, eczema, que é aquela pele esfarelenta e que tá coçando.
Tudo isso pode acabar piorando com o uso dos choquinhos. E obviamente, se você usa algum tipo de medicação para alguma dessas causas que eu falei, você tá entrando nessa categoria de contraindicação relativa para fazer eletroestimulação. Agora eu vou falar as contraindicações absolutas.
Contraindicação absoluta, teoricamente, seria o quê? Seria aquela contraindicação que é assim, se você tem, você não pode fazer e ponto final, não se discute. A questão é que muitas dessas contraindicações absolutas, não tem grandes estudos falando delas se pode ou não pode. Então, até poderia ser discutível isso se você fizer em algum ambiente bem controlado, um ambiente com um médico do lado, em um ambiente de pesquisa, mas por não ter uma validação de que isso é seguro nessas doenças, é melhor não fazer.
Então essas contraindicações absolutas são elas, doenças agudas, doenças bacterianas, infecções e inflamações, isso não tem discussão nenhuma, isso já tá bem definido que é uma contraindicação absoluta e ninguém vai argumentar contra. Se você tiver algo que denota isso como uma febre, por exemplo, que sugere uma infecção, também não faz sentido ir atrás da eletroestimulação. Alguma cirurgia recente no local a ser eletroestimulado.
É melhor evitar a contração muscular exagerada e descontrolada numa região que acabou de ser mexida cirurgicamente, você pode acabar abrindo uma ferida sem necessidade. Outra, uma hérnia abdominal, uma hérnia inguinal, quando a gente contrai a musculatura, a gente acaba forçando, entrando às vezes até numa manobra de valsalva, que a gente força a barriga pra colocar pra fora o conteúdo e aí acaba formando ou piorando, abrindo mais uma hérnia. Então tem que evitar também.
Veja o que tá escrito lá no artigo, artério esclerose e doenças arteriais, ou seja, as doenças vasculares arteriais estão dentro da categoria de contraindicação absoluta. Então, puxa vida, se as doenças vasculares em geral e as arteriais estão dentro da absoluta, se você precisa de um cirurgião vascular, você já tem que pensar várias vezes antes de se propor a fazer a eletroestimulação. Assim como se você já fez algum tratamento vascular, ou seja, se você tem um stent ou se você tem um bypass, aquela cirurgia de ponte que tira sangue de um lugar e leva pra outro, tá aí dentro da categoria das contraindicações absolutas.
Pode até ser que futuramente, com maiores estudos, acabe sendo liberado, mas realmente precisa ter mais estudos, porque paciente vasculopata, paciente arteriopata, tem muitas implicações que têm que ser consideradas. E aí entra também a hipertensão, ou seja, quem tem pressão alta também tem que evitar isso, a eletroestimulação vai momentaneamente aumentar essa pressão, então pode não ser benéfico, pode acabar até sendo maléfico. Converse com seu cardiologista, converse também com seu cirurgião vascular.
Gestação, gravidez, aí é meio que óbvio, você não vai fazer o feto lá dentro começar a receber choque à toa, ninguém sabe o que vai acontecer com estímulos elétricos, mesmo que sejam superficiais, em uma gestante, e muito menos o que vai acontecer com o feto lá na frente, depois se nasce com alguma doença, algum problema de saúde, vai sempre ficar na consciência, será que foi por causa daquilo? Então numa gestação, nem pensa, não arrisca. Agora se você tem um marca passo, já tem um aparelhinho lá pra arrumar uma arritmia, o coração já não bate direito por causa de um problema elétrico, e você tem um marca passo lá pra tentar acertar isso, você não vai colocar mais um estímulo elétrico fora, por favor. A diabetes mellitus, ela tá nessa lista de contraindicações absolutas, mas ela tem que ser considerada, ela é uma doença muito ampla, tem várias facetas, tem a diabetes mais leve, tem uma diabetes que já tá super avançada, com um pé diabético, com um monte de complicação, e o exercício físico pode melhorar a resistência insulínica e a glicemia, então isso pode ser considerado, mas aí tem que ser junto com o seu médico, porque também tem poucos estudos, então pode ser que isso que eu tô falando hoje, daqui a pouco publicam um monte a respeito desse assunto e acaba mudando.
Então a diabetes, por favor, converse com o seu endocrinologista, converse com o seu cirurgião vascular, antes de sair fazendo a eletroestimulação. Agora se você tem tumor, câncer, alguma neoplasia, também não faz sentido arriscar a eletroestimulação, além de doenças dos neurônios, neuronais, por exemplo, até epilepsia, imagina se você vai fazer o choquinho e acaba desencadeando um evento epilético por causa disso, não faz sentido, então é uma contraindicação absoluta, assim como a hemofilia, que é aquela doença que não deixa coagular o sangue, tá lá na lista de doenças a serem consideradas contraindicação absoluta. E, obviamente, não vai fazer um negócio desse estando sob o uso de álcool, drogas ou algum narcótico, se for fazer tem que ser bem controlado, você tem que estar em plena consciência do que tá fazendo.
Agora, o que você pode fazer para aumentar a segurança, um guia para você conseguir fazer a eletroestimulação de uma forma segura? Na Alemanha esses centros são certificados e com profissionais certificados, então estamos aguardando aqui no Brasil uma certificação válida para todo mundo e reconhecida e que tenha todos os critérios de segurança, mas a gente pode ir atrás de empresas que sejam mais profissionais e que tenham os profissionais disponíveis para qualquer eventualidade. Antes da sua primeira tentativa de eletrochoque é importante uma anamnese, pelo menos um checklist com todos esses pontos e se você tiver um deles você vai ter que fazer uma avaliação médica para ter essa liberação. Então tenha essa avaliação, se o local que você vai fazer não se preocupa com isso, saiba que eles não são sérios o suficiente.
Como eu já disse, você pode estar fazendo, tá indo tudo certo, mas se você tiver uma doença aguda, tiver febre, infecção, inflamação, você para, você não vai fazer nesse período. Tome muito líquido antes de qualquer evento, porque antes e depois, como eu disse a rabdomiólise pode destruir o seu rim, então se a gente aumenta a hidratação, a gente dilui essa mioglobina no sangue, ela não fica tão concentrada e acaba lesando menos o rim. Então tomar bastante água antes, bastante água depois, pelo menos meio litro, se possível mais e tem que ser bem gradual a evolução desse eletrochoque, então pelo menos 10 semanas para chegar na sua intensidade máxima, o corpo tem que se adaptar a isso, se você colocar rápido demais, você vai ter lesão muscular e vai entrar em rabdomiólise.
No começo, não passar de jeito nenhum de um treino por semana e mesmo depois, quando já estiver com o corpo acostumado, o corpo tem que ter pelo menos 4 dias de descanso entre um treino e outro, tudo isso para evitar qualquer complicação, tudo isso porque o eletrochoque causa uma alta demanda metabólica, o corpo precisa de muita energia, o músculo vai contrair demais, então ele vai demandar uma energia muito grande, grandes grupos musculares vão ser recrutados e aí a gente tem que pensar nas doenças sistêmicas, não só numa questão local, então não adianta eu estou com um problema no braço, vou fazer só no outro, então a gente tem que pensar de uma forma sistêmica, as pessoas estão buscando o eletrochoque como substituto do exercício, tem que tomar muito cuidado que ele não é um substituto do exercício, ele tem demonstrado em alguns trabalhos que ele pode ter um resultado mais rápido, mais eficaz, mas ele não é de jeito nenhum um substituto do exercício, o exercício físico ele requer uma cognição, ele coloca o cérebro para funcionar também, a gente usa vários grupos musculares para manter o equilíbrio, enquanto uma contração feita por um choque, ele não está estimulando nenhum desses outros eventos que o exercício físico estimula, a gente não vai ter a própria percepção, que é entender o nosso corpo, a gente não vai ter um autoconhecimento, a gente não vai ter esse estímulo cerebral que pode evitar a progressão de doenças neurodegenerativas, então não é um substituto do exercício, isso tem que ficar muito claro e ele causa lesão de fibra muscular, e essa lesão de fibra muscular, isso não é teoria não, ele vai causar lesão de fibra muscular, e se causar lesão de fibra muscular demais, seu rim pode não aguentar, então não estou falando que não pode fazer, não é isso que eu estou falando, eu estou falando que se for fazer, faça com cautela e se ente dos riscos e benefícios, por isso que eu fiz esse vídeo. A grande diferença entre um exercício físico e o eletrochoque, é que o nosso corpo no exercício físico, ele vai colocar um limite, a gente não vai conseguir passar esse limite, quando a gente está fazendo um exercício físico e a gente exagera, a gente vai entrar em fadiga e o corpo para, você não vai conseguir progredir muito, e esse é o limite, então vai ter lesão muscular? Vai, mas é um pouco e é o quanto o nosso rim consegue filtrar, se a gente vai para o eletrochoque, o eletrochoque ele não está nem aí, se você está em fadiga ou não, ele vai continuar estimulando a musculatura, mesmo que ela esteja completamente fadigada, então vai entrar numa lesão de fibra muscular muito maior, e não vai ter esse limite que o próprio corpo impõe para a gente, então por isso que o eletrochoque, ele tem que primeiro ser muito bem assistido, você tem que ter consciência do que está acontecendo e saber dos seus riscos. Gostou desse vídeo? Inscreva-se no nosso canal, compartilhe com seus amigos e espera um pouquinho que eu vou colocar algumas sugestões aqui dos melhores vídeos do nosso canal para você seguir assistindo.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.