O tabagismo é o principal fator de risco para doenças arteriais, como a aterosclerose e a doença arterial periférica, sendo responsável por até 90% dos casos. É
Não dá para parar de ficar mais velho. Ou outras doenças, como pressão alta, a gente consegue tratar, controlar, mas eu não consigo remover. O cigarro a gente consegue remover.
A gente tem o aconselhamento. Então, até esse vídeo aqui faz parte do aconselhamento. Então, eu te aconselho a parar de fumar.
Esse é o recado, esse é o aconselhamento. A gente vai avisando desde o início. Não adianta chegar na fase final da doença e aí resolver que tem que parar de fumar.
25%, um em cada quatro para de fumar. Agora, quando a gente pega alguém que não tem ainda a doença com o sintoma, a gente consegue em torno de, com a orientação, com o esforço do paciente só, em torno de 10%, um em cada 10 que para de fumar.
Na medida que você faz isso várias vezes, isso pode acabar entrando na sua mente lentamente. Utilize os substitutos de nicotina. Lembre que a nicotina causa uma dependência química e, dependendo da quantidade da sua dependência, você vai precisar repor ela por um tempo, obviamente diminuindo, gradativamente.
Olá, sou o Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular do Instituto Amato e hoje vou falar sobre o tabagismo, sobre o ato de fumar e a má circulação. Tabagismo é o principal fator de risco para a doença arterial, para a aterosclerose, para a doença arterial periférica. 90% dos pacientes com doença arterial obstrutiva periférica, ou seja, aterosclerose, fumam. Tanto que, em algum momento da minha vida, eu parei de perguntar para o paciente se ele fumava ou não na consulta. Se ele veio com uma doença arterial obstrutiva periférica e eu já fiz o diagnóstico, eu já falo para ele parar de fumar antes mesmo de perguntar se ele fuma. Eu já sei, já estava fumando. Está tão ligada com a doença que é quase que instintivo. 75% dos casos de aterosclerose periférica são causados quase que exclusivamente pelo tabagismo. Então, eu posso falar que uma especialidade inteira da medicina existe por causa do cigarro. Então, a gente tem que levar isso muito a sério. Além do mais, o cigarro é o único fator de risco removível. Ou seja, a gente pode tirar completamente. Os outros fatores de risco a gente não tem que fazer. Então, a idade, por exemplo, o que eu posso fazer com a idade? Não dá para parar de ficar mais velho. Ou outras doenças, como pressão alta, a gente consegue tratar, controlar, mas eu não consigo remover. O cigarro a gente consegue remover. Então, a gente tem que levar a sério a importância do tabagismo na doença vascular. O cigarro tem mais de 4 mil componentes, muitos deles tóxicos. A nicotina que todo mundo fala é só um desses 4 mil. E o efeito da nicotina vai ser aumento da coagulação. Então, além do cigarro aumentar a inflamação, ele aumenta a coagulabilidade. Então, ele vai causar essas placas ateroscleróticas e vai aumentar a suscetibilidade delas a formar um trombo, entupir as artérias. Além da nicotina, outro que causa muito dano é o monóxido de carbono. O monóxido de carbono, ele vai ligar com a nossa hemoglobina de forma difícil de separar. Então, a gente tem que lembrar que vai ter a nicotina, vai ter o monóxido de carbono, mas vai ter quase 4 mil componentes outros tóxicos que vão piorar a sua saúde. E aí, quando a gente pensa em todos esses componentes, cada um deles vai atuar por uma via diferente. Então, vão causar inflamação e dano, mas vão causar lesão e inflamação, dano endotelial, vão causar também dano na matriz proteica, vão atrapalhar o metabolismo lipoproteico, vão danificar as plaquetas, e as plaquetas, quando elas são danificadas, a gente tem que esperar o nosso corpo fazer outra, vão aumentar o estresse oxidativo e vão aumentar a adesão de monóxidos, que são as nossas células de defesa, que é o início da aterosclerose. Isso que dá o start, aí começa a placa aterosclerótica. Então, a gente tem que fazer todos os nossos esforços para conseguir parar de fumar. Então, a gente tem que lembrar que o cigarro ele causa uma dependência psíquica e uma dependência química. E a gente tem que abordar esses dois lados da moeda para conseguir ter um resultado melhor. A dependência psíquica é aquela rotina. Toma o cafezinho, vou fumar um cigarro ou fumo o cigarro junto com uma roda de amigos. Então, é aquela necessidade do bem-estar. A dependidade química não, a dependência química é causada pela nicotina. Então, ao retirar a nicotina, começa a ter sinais de abstenção dessa droga. Ao parar de fumar, vai melhorar o risco cardiovascular. Isso a médio e longo prazo. Mas você já vai sentir o benefício rapidamente. Então, para o de fumar oito horas depois, já vai ter uma melhora dos níveis de oxigenação do seu corpo. Em dois dias, já está recuperando um olfato mais próximo da normalidade. Em dez meses, um ano, já vai diminuir a tosse, irritação e até mesmo a fadiga que o cigarro traz. Em oito semanas, já normaliza a viscosidade sanguínea. A gente vai ficar muito mais próximo do normal. Agora, para quem já tem a doença vascular periférica, já tem a aterosclerose, parar de fumar aumenta a sobrevida. Ou seja, os pacientes que param de fumar são aqueles que vão viver mais, vão viver melhor. Porque tem menos sintomas, tem menos complicações do tratamento da doença vascular. Resumindo, quem tem a doença vascular e para de fumar, vai ter um resultado melhor com o tratamento. Então, não adianta colocar a culpa no seu médico, no tratamento se você não fez a sua parte que é parar de fumar. E eu vou te ajudar nisso. Então, no tratório, o que a gente tem? A gente tem o aconselhamento. Então, até esse vídeo aqui faz parte do aconselhamento. Então, eu te aconselho a parar de fumar. Te olho para parar de fumar. Então, o profissional vai ter que te dar essa orientação. Eu lembro de um paciente que veio aqui no consultório e veio numa situação crítica, já, quase amputação. Aquela conversa chata que a gente nunca quer ter com ninguém. Tava ele, a esposa. Aí ele é superchateado, falando, puxa a vida. Ninguém falou disso para mim antes. A esposa deu uma cotovelada nele e falou assim, como não? A gente fala para você parar de fumar desde sempre e você não para, como que ninguém falou? Esse é o recado, esse é o aconselhamento. A gente vai avisando desde o início. Não adianta chegar na fase final da doença e aí resolver que tem que parar de fumar. Muito embora, quem chega nessas fases acaba parando de fumar, mas aí é na marra. Quem precisa fazer um tratamento vascular tem uma taxa de parar de fumar que vai de 30 a 50%. Mas por quê? Porque já recebeu a notícia que vai amputar uma perna, vai amputar um dedo. A ideia não é chegar nesse ponto. Quem já tem o diagnóstico de aterosclerose, já tem claudicação, já tem dor na perna e a gente fala que tem que parar de fumar, mas eles não estão em vias ainda de precisar de cirurgia? 25%, um em cada quatro para de fumar. Agora, quando a gente pega alguém que não tem ainda a doença com o sintoma, a gente consegue em torno de, com a orientação, com o esforço do paciente só, em torno de 10%, um em cada 10 que para de fumar. A ideia é a gente aumentar esse grupo, ou pelo menos te colocar nesse grupo dos 10%. Hoje em dia, existem muitos medicamentos para tentar ajudar no tratamento desse vício. Um grupo de medicamento é a própria nicotina para diminuir aquela dependência química. Então, a nicotina pode vir em adesivos, a nicotina pode vir em goma de mascar, de forma que você vai dar para o seu corpo um pouquinho dessa droga para que você não sinta a abstinência. Isso faz parte do tratamento. Existem algumas drogas e medicamentos que podem ser utilizados para diminuir a necessidade, essa vontade do cigarro. Eles ajudam em torno de 30%. E assim, eu acho que a gente tem que usar, tem que usar todos os recursos, porque o fumar é tão malefico que tudo que tiver à disposição a gente tem que usar. Nem que seja como empurrão inicial para que você não volte a fumar. Então, vamos lá, vou dar algumas dicas para quem está nessa fase de parar de fumar o que você pode fazer para aumentar sua chance de sucesso. Para quem é fumante leve ou moderado, pode ser possível parar de fumar abruptamente. Agora, quem é fumante pesado, aí é mais difícil, e você vai ter que fazer uma diminuição da quantidade de cigarros sequencialmente, de forma que você em algum momento pare de fumar, mas talvez você não consiga parar tudo de uma vez e talvez os sintomas da abstinência sejam tão grandes que você acaba desistindo de tentar outras vezes. Então, para quem é um leve fumante ou moderado fumante, é mais fácil parar abruptamente. Para quem vai parar de forma mais lenta, é só contar o número de cigarros que está fumando por dia e a cada dia que passa, fumar um cigarro a menos. Então, aí você vai, em pouco tempo, chegar ao zero. Outra dica é adiar ao máximo o primeiro cigarro do dia. Esse primeiro cigarro denota muito o vício. Então, se você aumenta o tempo que você fica sem a necessidade desse primeiro cigarro, você também diminui o tempo que você vai fumar depois. Obviamente, não vai fumar mais porque deixou de fumar o primeiro. Mas, a cada dia que passa, você tenta ficar 15 minutos, 30 minutos a mais sem fumar o primeiro cigarro. Fumar cigarro de baixo teor não resolve nenhum problema. Isso realmente pode até acabar aumentando o número de cigarros final que você acaba fumando. Então, isso não é solução para o problema. Tente preencher o horário que você mais fuma com algo saudável. Porque, se você estiver parado sem fazer nada, você vai acabar recorrendo ao cigarro. Então, procure fazer uma caminhada, procure fazer alguma coisa saudável nesse momento para preencher sua cabeça, preencher o vazio e não precisar do cigarro nesse momento. Elimine todos os gatilhos do cigarro. Isso, cada um vai ter que fazer uma avaliação própria porque esses gatilhos são diferentes para cada um. Então, o gatilho pode ser um cafezinho, o gatilho pode ser uma reunião com os amigos, o gatilho pode ser algum local, você vai para um local e precisa disso. Então, você tem que parar a pensar e identificar quais são os seus gatilhos e mudar um pouquinho a sua vida para que esse gatilho não exista mais. Então, eu ouço sempre aqui no Constitório que eu sou o fumante do bar. Na hora que eu bebo, eu fumo. É igual àquela piada. O cara que fala, eu não bebo muito. Mas, quando eu bebo um pouquinho, eu me transformo numa pessoa que essa, assim, bebe bastante. Então, a gente tem que tomar cuidado com esses gatilhos. Então, identifique esses gatilhos e tire. Se é o cafezinho, o mude o cafezinho, o mude de horário ou tome o cafezinho num local em que não pode fumar, transforme esse momento em uma situação mais difícil de acontecer. E transforme esse momento numa situação que não é confortável. Então, muitas vezes você pode estar num grupo de amigos, num bate-papo gostoso e esse é o gatilho para o cigarro. Então, o cigarro está inconscientemente ligado a essa reunião gostosa com os amigos. Transforme esse momento do cigarro numa situação incômoda, não numa situação agradável. E essa situação incômoda pode ser um local ruim, um local que você senta, um banco duro, sozinho. Tem que ser uma situação desagradável. É como se você estivesse de castigo para ir fumar. Fazendo isso algumas vezes, o seu cérebro não vai ter mais o reforço positivo, não vai ter a recompensa. Puxa, eu fui fumar e tive uma conversa gostosa com os meus amigos. Não, fui fumar e fiquei sentado numa cadeira dura, desconfortável, sozinho, isolado. Para que eu vou fazer isso de novo? Na medida que você faz isso várias vezes, isso pode acabar entrando na sua mente lentamente. Utilize os substitutos de nicotina. Lembre que a nicotina causa uma dependência química e, dependendo da quantidade da sua dependência, você vai precisar repor ela por um tempo, obviamente diminuindo, gradativamente. O médico pode te ajudar num protocolo de como fazer isso de forma segura. Busque ajuda, não tenha vergonha. Busque ajuda médica, peça ajuda para o seu médico. Ele vai ter ferramenta para te ajudar e, se ele não tiver, ele vai te indicar alguém que tem. Busque ajuda psicológica. Uma psicoterapia pode ajudar. Busque ajuda de quem quer que seja. Pode buscar ajuda do padre. Pode buscar ajuda de um hipnólogo, de quem quer que seja. Não fique sozinho nessa luta. Fique claro que o cigarro dá essa sensação de bem-estar momentâneo, mas acaba piorando o problema. Isso é fácil de racionalizar. Se a gente usa o nosso cérebro lógico, a gente fala, puxa a vida, é óbvio. Vou fumar o cigarro. Vou piorar a minha doença. Só que a moeda de troca da nicotina, a sensação de bem-estar, às vezes vence isso. Então, a gente tem que colocar o nosso cérebro lógico na frente. A gente tem que tentar racionalizar isso. Antes de fumar o cigarro, pense o porquê está fazendo isso. Pense nas suas razões para parar de fumar. Sua razão pode ser querer ver a formatura de um filho, pode ser querer ver o casamento de uma filha. A gente tem que usar esses objetivos maiores. Às vezes, não só parar de fumar, porque é o que o médico disse. Às vezes, isso não é forte o suficiente para te convencer, mas sabendo que o cigarro pode te matar e matar cedo, talvez você queira ver algum evento grande na sua família, queira ver seus netos crescerem, queira ver alguma coisa significativa na sua vida. Gostou do nosso vídeo? Inscreva-se no nosso canal. Compartilhe com seus amigos e espero um pouquinho que eu vou colocar o próximo que você vai assistir e vai gostar.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.