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Lipedema: CIRURGIA e Elegibilidade: AmatoCast Ep 35

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Lipedema: CIRURGIA e Elegibilidade: AmatoCast Ep 35

O lipedema é uma condição crônica, predominantemente feminina, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura nos membros, frequentemente associado a sintomas co

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Perguntas respondidas neste vídeo

Por que que agora está tão relevante esse assunto?

Bom, o lipedema é uma doença que ela é conhecida desde 1940, então realmente não é uma doença nova. O tratamento dela vem sendo descrito até mesmo antes da lipospiração, que hoje seria o padrão ouro cirúrgico, ela já tem descrições de outras cirurgias, com recepção, da gordura, tudo no século passado.

E acha que isso, o tratamento precisa acontecer por uma questão estética, porque isso acaba chamando a atenção?

Não, o tratamento não é estético, o tratamento do lipedema, antes de tudo eu não vejo o lipedema como uma doença, eu vejo como uma condição. A pessoa, a mulher, a gente fala mulher porque é uma condição relacionada, é muito relacionada ao sexo feminino por questões hormonais, pode ter homem, homem pode ter, mas é muito raro em homem e se tiver em homem é por conta de questões hormonais.

Isso realmente funciona dessa forma?

É assim, o lipedema na verdade é a gordura que está acumulada, que pode estar relacionada a questões hormonais ou um fator inflamatório local. Quando você aperta e fica marcado, pode ser um edema. Se esse edema estiver acometendo os pés, aí já não é lipedema, pode ser um edema.

Então depende para a pessoa ficar no sinal de alerta, citar com essa junção, essa combinação de fatores que você citou?

O lipedema, para saber se tem lipedema, ele realmente é um diagnóstico clínico. Não tem exame de sangue, não tem exame de imagem, que vai dar o diagnóstico de lipedema. O de sangue, na verdade, você vai buscar alterações que podem estar como diagnóstico diferencial, ou outras comorbidades que estão associadas.

E deve ser tratada também, não é?

Porque a paciente tem lipedema, ela não vai ser tratada da obesidade, não, são tratamentos conjuntos. Então para a pessoa saber se ela tem lipedema, o ideal é que passe com especialista, seja avaliada e geralmente o que a gente vai avaliar, se tem as características de deposição de gordura nas pernas, na coxa, no braço, qual que é esse padrão, se tem dos dois lados, se não tem, se tem os coxinhos de gordura, as vezes são bolas de gordura, e isso é um ponto embaixo do joelho, na parte de dentro do joelho.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato. E agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós estivemos aqui com a Dra. Lorena Amato, endocrinologista, para falar sobre o uso de hormônios e características secundárias. Foi um papo muito legal também com a intermediação do Dr. Fernando Amato, cirurgião plástico. E antes, estivemos aqui com a Dra. Priscila Beatriz, mastologista, para falar sobre doenças das mamas. Hoje nós voltamos aqui com a participação do Dr. Fernando Amato, cirurgião plástico. Para quem assistiu inclusive o último episódio, pegou a referência que por ele estar vivo depois do nosso último episódio, ele voltou aqui para participar com a gente e dessa vez vamos falar sobre o tratamento cirúrgico do lipedema. Mais uma vez, bem vindo, Dr. Amato. Muito obrigado. É um prazer falar sobre esse tema. Inclusive a gente está no mês de junho. E junho é o junho roxo, que é o mês dedicado à conscientização da população em relação ao lipedema. Para quem está chegando agora também não conhece o Dr. Fernando. Dr. Fernando Amato é médico cirurgião geral, cirurgião plástico e mestre pela Escola Paulista de Medicina e Universidade Federal de São Paulo. Também é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica. Além disso, é especialista em reconstrução mamária em tratamento do lipedema, que é justamente o que a gente vai falar hoje. Dr. Amato, é importante a gente citar o que de mais relevante as pessoas vão poder acompanhar nesse episódio, considerando que tem outros também episódios que a gente deixa na lista de reprodução que fala sobre o lipedema. Mas hoje a gente vai destacar esse tratamento cirúrgico. Bom, o lipedema é uma doença que no canal aqui está em alta, a gente fala muito sobre o lipedema e o tratamento cirúrgico faz parte do tratamento do lipedema. E é um tema muito importante para a conscientização das pacientes, principalmente as pacientes que buscam a cirurgia em primeiro lugar. Então o que eu queria abordar mesmo são quando os pacientes têm indicação de cirurgia, resgatar um pouco o que é o lipedema, quando que essas pacientes têm indicação de cirurgia e como que é essa cirurgia e como que é o pós-operatório e qual a importância da cirurgia, seja realizar ela ou não. E inclusive o dado é bastante alarmante, chega até a ser assustador para as mulheres que começaram a saber mais esse tema. E um ponto importante também, doutora, a gente destacar por que o lipedema começou a ser mais falado agora, porque a gente vê bastante, até na internet, muitos médicos falando sobre o assunto, mas não era um tema que pelo menos eu costumava acompanhar até dentro da reportagem do mundo jornalístico de ter esse destaque. Por que que agora está tão relevante esse assunto? Bom, o lipedema é uma doença que ela é conhecida desde 1940, então realmente não é uma doença nova. O tratamento dela vem sendo descrito até mesmo antes da lipospiração, que hoje seria o padrão ouro cirúrgico, ela já tem descrições de outras cirurgias, com recepção, da gordura, tudo no século passado. Mas se a gente for ver na internet, nos sites de pesquisa de artigos científicos, mais de 80% dos artigos foram publicados nos últimos 10 anos. Então assim, não é uma doença nova, não é uma condição nova, porém ela foi redescoberta nos últimos 10 anos. E por isso tem sido cada vez mais falado, as pessoas estão se identificando com essas pacientes. Tem pacientes que são públicas, influência, essa conectividade que a gente tem com o celular, com o computador, faz a gente acabar se encontrando e descobrindo essas doenças. E é uma doença que acomete mais de 10% da população. Tem trabalhos que mostram 10% e outros até 20% da população. E dependendo de como a gente cria de critério para a gente definir o que é lipedema ou não, esse número às vezes até aumenta. Então é uma doença muito frequente, é uma condição muito frequente. Então por isso que agora tem tido mais olhar para o lipedema. O lipedema não é que reapareceu, ele sempre existiu. Mas ninguém dava importância, não tinha aquelas mesmas queixas e hoje em dia se sabe que é uma condição diferente da obesidade, diferente do lipedema e que tem tratamento. E também muitas vezes é associada a algo estético, as pessoas falarem que o lipedema é ver até, como eu disse nas redes sociais, achar aquela gordura que fica localizada, entre aspas, nas partes inferiores, nas pernas, enfim. E acha que isso, o tratamento precisa acontecer por uma questão estética, porque isso acaba chamando a atenção? Não, o tratamento não é estético, o tratamento do lipedema, antes de tudo eu não vejo o lipedema como uma doença, eu vejo como uma condição. A pessoa, a mulher, a gente fala mulher porque é uma condição relacionada, é muito relacionada ao sexo feminino por questões hormonais, pode ter homem, homem pode ter, mas é muito raro em homem e se tiver em homem é por conta de questões hormonais. Então é uma condição muito frequente em mulheres e que é caracterizada pela disposição, a deposição de gordura normal nos membros, perna, coxa e braços. E pode estar associada a sintomas de dor, pequenos hematomas, quimosas, roxinhos, dor em peso, sensação de cansaço nas pernas. Então ela é multifatorial, é multi sintomática, tem vários sintomas que podem estar relacionadas. Mas o lipedema, a pessoa pode ter lipedema e viver muito bem. Inclusive tem artigos que mostram que as pacientes que têm lipedema nessa busca para uma qualidade de vida melhor, elas acabam tendo uma melhora na qualidade de vida mesmo, de fato, e riscos de doenças cardiovasculares diminuído, colesterol diminuído, então por mais que elas tenham a gordura localizada. Então a gordura localizada pode ser uma queixa. Se for só a queixa da gordura localizada, o tratamento cirúrgico é estético. Agora se a paciente tem queixas de sintomas de dor, de cansaço, de peso, de sensibilidade ao toque, roxidão, ou seja, são sintomas inflamatórios, então a paciente tem uma inflamação ali. Então nesses casos que ela tem uma inflamação, já o tratamento não vai ser estético, e talvez nem deve ser a cirurgia quando a paciente está sintomático. Importante então que haja essa combinação de sintomas para a pessoa saber se de fato tem o lipedema. Até viu um teste esses dias na internet que é bom a gente esclarecer porque muitas pessoas podem ter visto também que uma pessoa pegava a perna, apertava e aí via como ficava o formato. Se ficavam vários furinhos ali, era um sinal de alerta para lipedema. Isso realmente funciona dessa forma? É assim, o lipedema na verdade é a gordura que está acumulada, que pode estar relacionada a questões hormonais ou um fator inflamatório local. Quando você aperta e fica marcado, pode ser um edema. Se esse edema estiver acometendo os pés, aí já não é lipedema, pode ser um edema. Mas esse aspecto de casca de laranja está relacionado à inflamação crônica. Pode ter um edema local, o lipedema é gordura e edema, e assim foi descrita. Então essa gordura fica mais inchada para a gente ter um enchaço ortostático, às vezes piora no final do dia e às vezes a compressão e adrenagem infática melhoram. Então esse aspecto, você apertar e ter irregularidade de pele, pode sim ser lipedema, mas pode ser só celulite, ou vai depender muito de quem está realizando o teste. Então depende para a pessoa ficar no sinal de alerta, citar com essa junção, essa combinação de fatores que você citou? O lipedema, para saber se tem lipedema, ele realmente é um diagnóstico clínico. Não tem exame de sangue, não tem exame de imagem, que vai dar o diagnóstico de lipedema. O de sangue, na verdade, você vai buscar alterações que podem estar como diagnóstico diferencial, ou outras comorbidades que estão associadas. Então uma pessoa pode ter diabetes, pode ter pressão alta, pode ter doença da tiroides. Então tudo isso pode estar associado. Então a gente vê que as pacientes que têm lipedema, tem doenças da tireoide com hipotiroidismo, mas não está relacionado ao sintoma, é só um achado. A obesidade está muito relacionada aos pacientes com lipedema. E deve ser tratada também, não é? Porque a paciente tem lipedema, ela não vai ser tratada da obesidade, não, são tratamentos conjuntos. Então para a pessoa saber se ela tem lipedema, o ideal é que passe com especialista, seja avaliada e geralmente o que a gente vai avaliar, se tem as características de deposição de gordura nas pernas, na coxa, no braço, qual que é esse padrão, se tem dos dois lados, se não tem, se tem os coxinhos de gordura, as vezes são bolas de gordura, e isso é um ponto embaixo do joelho, na parte de dentro do joelho. Então isso é muito característico do lipedema. E quando a gente encosta sentidor, aumenta a chance de ser um lipedema que está em uma fase mais inflamatória. Eu gosto muito de falar que os pacientes que têm lipedema, que o lipedema é como se fosse um iceberg. A gente vê a gordura, a gente é o paciente que se queixa dos sintomas, mas tem uma série de outras coisas abaixo desse iceberg, que são os fatores de risco, obesidade, o lipedema, a parte genética, é uma doença que tem uma associação genética muito forte, então é comum a paciente com lipedema ter uma mãe, uma tia, um familiar, então é mais de 60% essa relação. Tem a questão hormonal, uso irregular de hormônios, reposição hormonal, às vezes de uma forma errada, ou mesmo fez algum tratamento com corticóide, teve uma internação prolongada, picos da menopausa, menopausa, puberdade, gravidez, então todas essas fases hormonais, ou esses outros fatores, podem ajudar a despertar o lipedema, então o lipedema não é uma doença, a característica seja só a gordura acumulada, de forma irregular, ele tem todos outros fatores que precisam ser investigados e cada paciente vai ter algo diferente, não necessariamente todo mundo é igual, não dá para fazer um diagnóstico igual para todo mundo, então não tem um exame ainda que fale, talvez os testes genéticos no futuro consigam falar quem tem chance de ter, mas não quem tem, e os exames de imagem, às vezes só comprovam que tem a gordura acumulada, coisa que pode ser vista no exame físico, e tem os que vêm o trajeto linfático, a linfocintilografia, que é feita na ressonância, eles podem ver se tem alguma falha nessa adrenagem linfática, que poderia estar relacionada ao lipedema, mas o próprio linfedema, a própria limfa, que é o líquido que é extravasado dos vasos linfáticos, ele pode estimular também a produção e o acúmulo de gordura, então pacientes que tem linfedema, que é só um lado inchado, que acomete os pés, ele também tem um acúmulo maior de gordura, então tem todos esses fatores, então é uma condição muito complexa, e eu vejo que é uma condição que pode ter a doença, que são aquelas pessoas que estão inflamadas e que tem dor e que tem sintomas, e aí sim o tratamento tem que ser multidisciplinar e não somente a cirurgia. E a gente fala bastante também usando o exemplo para explicar o lipedema, falando dos pés, das pernas, região inferior, mas tem um certo estágio que essa gordura da forma de lipedema pode também chegar aos braços e quando chega nesse nível, isso está relacionado a uma necessidade cirúrgica ou não, pode também ser tratado de uma forma clínica? Não, existe, a gente classifica o lipedema por estágio e por topográfico, o topográfico é onde ele está cometendo, então existe cinco tipos do topográfico e quatro tipos de estágios, mas geralmente é colo, coxa, pernas e braços e pode estar associado, não tem uma relação. O que tem relação, o que tem trabalhos que mostram, é que as pacientes que acometem o braço têm mais fatores de risco, geralmente essas pacientes têm mais obesidade associada. E a gente também vê pacientes que já fizeram um tratamento cirúrgico e que não fizeram um tratamento clínico ou não tiveram uma estabilização de peso, às vezes elas têm a recidiva em outros lugares e aí pode ser quem fez uma lipospiração na coxa, no colo, pode aparecer nas pernas, no braço, por isso que a gente acha muito importante falar do tratamento clínico e conservador em relação ao tratamento cirúrgico, porque eu vejo muitas pacientes buscando a cirurgia como uma única opção, não vou fazer cirurgia, não vou fazer esse tratamento clínico, eu quero fazer a cirurgia e resolver logo isso. Não, o lipedema é para sempre, é uma característica, a pessoa tem a característica, a célula dela, tem essa característica de depositar a gordura e ela tem a chance de que se algo esteja em desequilíbrio no corpo, a gordura avisar. Então eu vejo, às vezes, até como um sinal de alarme, a gordura, quando ela começa a doer, que ela está avisando para a paciente que algo não está certo e que ela precisa tratar. Então eu vejo que a liposutura pode ser uma alternativa, mas a paciente precisa estar consciente que o melhor momento dela descobre qual é a causa do lipedema dela, porque ela está sentindo dor, o que está despertando aqueles sintomas, enquanto ela está tendo sintomas. Então se ela tirar a gordura com uma liposutura, ela vai tirar realmente melhor a dor, uma dor que muitas vezes está relacionada a hipóxia, o excesso de gordura acaba circulando menos oxigênio e a pessoa tem dor de falta de oxigênio, é hipóxia. E essa dor de falta de oxgência também tem uma estimulação, uma inflamação local, e na hora que você faz uma liposutura, você tira essa sobrecarga e você tira os fatores inflamatórios locais. Mas o que sistêmico estava acontecendo? Será que ela estava com alguma disfunção hormonal em outra região do corpo? Então esse é o maior questionamento sobre o tratamento cirúrgico do lipedema. O que pode ter de repercussão nessa paciente? Então a gente pode afirmar que o lipedema não tem cura, e sim são opções de tratamento ali que podem ser momentâneas, digamos assim. Opções de tratamento que devem incluir mudança do estilo de vida. A melhora da alimentação não é só fazer uma dieta que a pessoa vai conseguir tratar o lipedema. Tem trabalhos mostrando melhora com dieta cetogênica, dieta do mediterrâneo, algumas modificações em relação a isso. Aliás, qualquer dieta pode ser benéfica para o lipedema porque elas acabam tendo restrição. Então elas podem emagrecer, mas o lipedema é uma gordura que não sai fácil com gordura. Não sai, não é tão simples. A pessoa emagrece, emagrece o rosto, emagrece o tórax, e a perna continua grande. Então ela tem uma demanda especial alimentar. Então não é só restringir, comer menos. Alguns alimentos são mais inflamatórios do que outros. Então existem essas dietas anti-inflamatórias, e aí você acaba diminuindo a inflamação. Essa é uma teoria que muitas vezes a gente vê pacientes que falam, nossa, eu suspendi esse alimento e parou de doer. Quando eu como esse alimento, eu fico pior na semana seguinte. A gente vê essa associação, mas não funciona para todo mundo. Não é a mesma dieta que vai funcionar para outra pessoa. Por isso que é tão difícil as pacientes se encontrarem. Outra coisa que é importante não é só dieta. É mudança do estilo de vida, a atividade física, dormir bem, manejo do estresse, o uso de drogas interpecuentes, os relacionamentos. Então tudo isso é interconectado. Quem não dorme bem, não come bem. Quem não dorme bem, não faz uma boa atividade física. Então tem um monte de associação que as pessoas acabam ignorando e querem ir para a cirurgia e vão continuar dormindo mal e comendo mal. Então elas vão continuar tendo o fator que piorou, que despertou o lipedema dela, apontando lá e ela pode desenvolver novamente os mesmos sintomas que ela tinha antes, talvez sem a gordura no local que ela se incomodava. Às vezes faz a lipoaspiração no colo e não volta a gordura no colo. Mas pode voltar no tornozelo. Volta no braço, pode voltar em outro lugar. Legal, legal não. É importante a gente destacar. É um conceito importante. Por que eu trouxe essa live? Por que esse tema é importante? Porque agora que se descobriu que as pessoas têm lipedema e que a lipoaspiração é um tratamento, muitos colegas cirurgiões plásticos estão se aventurando em fazer a cirurgia e começaram agora. Talvez eles não tenham tanto problema com a lipoaspiração em si, mas as pacientes vão ter o problema, porque elas não estão sendo orientadas a mudança e melhora do estilo de vida. Elas só estão sendo submetidas à cirurgia. A lipoaspiração é muito semelhante à outra lipoaspiração. Ela tem algumas características diferentes, mas isso por um cirurgião plástico é muito simples de adaptar, tem alguns detalhes, mas existem complicações. Não existe na literatura complicação de lipedema, porque eu procurei isso bastante mesmo, porque eu vi uma paciente que fez uma lipoaspiração com outro cirurgião plástico, na perna ficou com um buraco na perna e teve que fazer um enxerto de pele. E essa paciente me chamou muita atenção. Acabei revendo até todos os casos que eu tive e vou publicar esse resultado, porque a gente não teve nenhuma complicação de necrose de pele, a gente não teve nenhuma complicação de trombose, não tiveram nenhuma complicação de TEP, que é a tromboembolismo pulmonar. Tivemos um hematoma que a paciente teve, um hematoma e acabou evoluindo com uma infecção. Então, um caso, menos de 1%, tivemos seroma, que é formação de líquido, e isso foi importante ter uma relação com o peso do paciente, com os pacientes que estavam acima do peso, tiveram mais chance de ter esse seroma, mas foi a única complicação mesmo que a gente viu importante, quem é que fez o paciente vir mais vezes no consultório, que a gente acabou de tratar clinicamente, não precisa nem fazer uma outra cirurgia. Então, o lipedema pode ter riscos fazendo com pessoas que estão se aventurando. Porque o lipedema tem flacidez de pele, as pessoas estão usando essas tecnologias e a gente já falou sobre tecnologias aqui, e a gente está somando laser, ultrassom cirúrgico, vibrolipo, e usando argoplasma, renúvel, morfios, boritites, são um monte de tecnologia que pode machucar demais a pele e até evoluir para uma necrosa de pele. A gente está falando de complicação, de riscos, não tem como não citar o caso da Luana Andrade, a dançarina do SBT, até citar o nome do programa, mas acho que isso também é relevante, mas ela acabou fazendo uma cirurgia de lipedema, depois a família acabou esclarecendo, havia essa dúvida. Então, até onde eu sei, ela não estava fazendo uma cirurgia de lipedema, ela estava fazendo uma lipospiração, não fez lipospiração no corpo, nas pernas, e falaram que ela tinha lipedema. Bom, eu não conheço o caso pessoalmente, mas todo mundo que viu foto dela sabe que ela não tinha um excesso de gordura. Então, acho que existe algum exagero tanto da paciente de busca, pelo inalcançável, uma busca pelo inalcançável, e o lipedema não tem esse risco de morte. Então, nesse caso, ela teve uma embolia gordurosa. Então, eu não tenho acesso ao laudo de necrópsia dela. Mas até onde eu sei, tinha gordura em tudo quanto é lugar, porque teve uma embolia gordurosa. Lipospiração não causa embolia gordurosa. O que causa embolia gordurosa é o encherto de gordura. Ou seja, quando a gente injeta gordura para fazer uma liposcultura. E geralmente, eu acho que, já falei isso aqui em outras lives, é que na Flórida, se um paciente morre com embolia gordurosa, eles fazem a necrópsia. E se eles encontram gordura no músculo do bumbum, esse médico perde a licença dele de operar na Flórida. Porque a injeção de gordura no bumbum, o músculo do glúteo tem um vaso muito calibroso. Então, se o médico erra e injeta no vaso, pronto, é isso que vai acontecer. A paciente vai ao óbito. Então, é certo. Então, lá é proibido injetar gordura no músculo. Mas isso não é uma conduta padronizada em outras sociedades. É recomendável que não se faça injeção de gordura em músculo, no músculo glúteo. E hoje, com essas lipohaves, uma das condutas é injeção de gordura. Injeção de encheito de gordura muscular. Só que, realmente, onde é perigoso, é no glúteo, onde o vaso é muito mais calibroso e pode ter embolia gordurosa. Então, pelo que você chegou a ter acesso à informação do caso do ano? Isso, essa informação é nos bastidores. Então, eu não tenho acesso. Então, posso estar até errado. Se alguém quiser confrontar, me traga a necrópsia dela, que a gente pode confrontar. Mas até onde eu sei, ela foi ao óbito com morreu em sala, foi durante a lipospiração. Então, para isso acontecer, é só com uma embolia maciça. Então, e por trombose venosa, por TVP, geralmente acontece com 10 dias, 7 a 10 dias, que é um paciente taimóvel, uma pessoa tem muitos fatores de coagulação, tem uma doença grave, familiar, que poderia ter uma formação de trombo, e não é o caso dela. Então, ela teve isso. E falar que ela tem uma doença lipidema e eu não estou julgando se ela tinha ou não, às vezes facilita as pessoas a ver que não era futilidade, era um tratamento cirúrgico. Mas não, tratamento cirúrgico do lipidema, ele é seguro, não tem. A lipospiração em si é muito segura. Eu fiz uma revisão, que antes de ficarem fazendo essas injeções de gordura, o risco de morte é muito baixo em hiperspiração. Tanto é que as seguradoras, existem segurarias para cirurgia plástica, quem vai fazer cirurgia plástica pode fazer um seguro, e essas seguradoras, elas não cobram muito, porque o risco de acontecer é muito baixo. Ah, mas por que tem um monte de gente que a gente conhece? Porque muitas pessoas fazem a cirurgia e a porcentagem continua sendo muito baixa, comparado com o montante que é realizado. Mas é importante saber escolher um bom médico, um bom profissional, entender qual procedimento está sendo realizado. Em relação ao enxerto de gordura no bumbum, é importante falar desse risco, da embolia gordurosa. Eu falei até que era importante a gente citar o caso da Luana, porque assim que eu fui fazer as pesquisas de novo do lipedema, a primeira coisa que aparece é o caso da Luana, porque foi o mais recente, uma influência dura nova, como eu disse, 29 anos, e que depois a família veio a público falar que ela tinha essa questão e que estaria em tratamento para isso. Então, é importante esclarecer que ela não estaria com esse idiotô, o lipedema. Eu não estava fazendo um tratamento, ela estava fazendo uma lipospiração. Que nem eu falei, o tratamento não é a lipospiração, faz parte do tratamento. Então, quem mais estava fazendo o tratamento do lipedema? Então, as pessoas estão procurando errado a cirurgia. A cirurgia é ótima, adoro fazer, acho que melhora, tem seus benefícios, mas considerar que o tratamento do lipedema é somente a lipospiração, é um grande erro. E nesse caso, a paciente estava fazendo tratamento do lipedema? Não, ela estava fazendo uma liposuturação e ela estava justificando a liposuturação por conta do lipidema. Agora, o tratamento não é só a liposuturação, deveria ter alguém vendo a parte nutricional dela, poder ter um nutrógolo, poder ter um nutricionista, poder ter um endocrinologista. O cirurgião vascular acaba vendo muito o lipidema tratando porque confunde com as doenças venosas, as queixas dos pacientes são muito semelhantes. E o cirurgião plástico acaba fazendo o tratamento cirúrgico, mas ele é multidisciplinar, tem que ter várias pessoas fazendo parte desse tratamento, não somente a liposuturação. Então, no caso dela, eu acho que utilizaram o nome lipidema e isso prejudicou muitas pacientes que ficaram com medo. Tinha pacientes que estavam morrendo de medo da cirurgia. Usando o caso dela. Usando o caso dela e com justificativa mesmo. Estou com medo, não sei o que, então tudo bem, algumas se beneficiaram porque acabaram procurando o tratamento clínico, mas outras poderiam ter tido benefícios. E quais são os benefícios da cirurgia? Para quem está com dor e fez tratamento clínico, e não melhorou com o tratamento clínico, a lipospiração vai melhorar. Para pacientes que não conseguem andar, porque tem muita gordura entre as pernas e tem pacientes que não conseguem nem andar, tem até desvio na perna, por conta do lipedema, essas pacientes ajudam até a mobilidade dessas pacientes. Então, existem indicações claras que o paciente pode melhorar, mas ela tem que estar associada a algum outro tratamento, não pode ser somente a cirurgia. E como funciona a recuperação depois dessa cirurgia, doutor? A cirurgia do lipedema não é somente a lipospiração, pode ser a recepção de pele com lipospiração, a recepção de pele e gordura, que é a dermolipectomia, pode ser a recepção de nódulos. Então, algumas pacientes em estágios mais avançados acabam formando nódulos endurecidos. Geralmente, essas pacientes têm vários nódulos, então, cada caso tem que ser direcionado, mas a grande maioria faz a lipospiração. E a lipospiração é uma lipospiração tumescente, então a gente injeta muito líquido, esse líquido tem vaso constritor, ele contrae os vasos para sangrar menos e preservar esses vasos, e a gente aspira a gordura. Então, é uma cirurgia de duas horas, quando a gente acaba usando tecnologias, boritite, morpheus, ultrassom, a gente acaba demorando às vezes até quatro horas. A gente não trata aqui, a gente não trata mais de 40% de área corpórea, então cada perna tem 18, então a gente faz só, por exemplo, membros inferiores e fica só os membros inferiores. Então a gente não associa lipospiração no corpo inteiro por uma questão de segurança. Então existe até uma normativa do Conselho Federal de Medicina que não recomenda que pacientes que vão fazer lipospiração façam em áreas maiores que 40% do corpo e que aspire 5% do volume corpóreo em técnicas sem vaso constritor e técnicas secas e até 7% em técnicas com adrenalina. Então a gente vai até 7% do volume corpóreo. Então isso acaba ficando em torno de 5 litros por paciente e quer dizer que a paciente pode precisar de mais cirurgias. Então, às vezes a paciente precisa de duas, três cirurgias, às vezes fazer lipospiração e depois tirar a pele. Isso é muito difícil para as pacientes porque elas querem resolver tudo de uma vez só e não vão resolver tudo de uma vez só. Às vezes precisa fazer essas etapas por segurança. Então para elas é importante. E a recuperação no pós-operatório geralmente eu brinco com as pacientes que os primeiros dez dias são um pouquinho mais difíceis porque vaza pelos orifícios da lipospiração líquido. Então isso é um incômodo. A paciente às vezes fica com a perna toda roxa, fica com medo, fica inchado, precisa de drenagem enfática. O enchaço, ele é um enchaço um pouco diferente das outras lipospirações, ou seja, às vezes ele fica persistente. É um enchaço que às vezes dura dois, três meses e geralmente vai melhorando. Mas geralmente a paciente que está com enchaço com dois, três meses são pacientes que tinham um volume na perna muito grande. Então elas mesmo inchadas, elas falam, nossa, doutor, estou muito melhor. Então isso marca muito porque você vê a paciente inchada, já se sentindo muito melhor, porque já não sente aquele peso nas pernas, aquela dor em peso. Então isso muda muito para as pacientes. E é um benefício, né? Eu acho que se elas entenderem o que a lipedema é só uma condição dela, que ela tem a chance de saber quando ela está, que o corpo está em desequilíbrio, ela tratar esse desequilíbrio, faz uma cirurgia para melhora, melhora do contorno. É uma paciente que vai ter uma duração do resultado muito maior e ela vai estar tratando outras doenças futuras, inclusive alguns cânceres associados à obesidade. Um detalhe que as pacientes de estágio mais avançados, o três e o quatro, o três é quando já tem os coxinhos de gordura e o quatro é quando já tem comprometimento linfático. Essas pacientes têm doenças cardíacas, riscos, pressão alta, diabetes, aumentado, mais aumentado do que a população geral. Já que tem estágio um, essas pacientes têm até menos risco do que a população geral. Então, às vezes, até o lipedema pode ser uma condição que até protege essas pacientes de doenças cardiovasculares. Então, elas estão até protegidas, mas no momento que vai desandando o lipedema delas, elas podem até ter um risco maior. É importante também, porque às vezes quando a pessoa procura pela cirurgia, não só de lipedema, como outras também, quer saber se aquilo vai ser definitivo pelo resto da vida ou se tem chance daquele problema voltar. Então, pelo que eu entendi, mais essa questão de quando a pessoa tem orientação de fazer a cirurgia, de ter um controle melhor para conseguir ter essa qualidade de vida, digamos assim, o conjunto mais estabelecido e conseguir levar tudo mais equilibrado, seria isso? Exatamente. A conscientização do paciente sobre o que é o lipedema e esse autoconhecimento da paciente do que é o lipedema para ela é que são importantes. Então, como médico, a gente tem que ensinar o paciente sobre o que é o lipedema, o que a gente está vendo que está fazendo efeito na vida do paciente. Só que o paciente também vai ter que se enxergar, ver o que é o lipedema para ela. O que é o lipedema faz de diferença para ela. Então, esse autoconhecimento é muito importante para ela poder fazer uma cirurgia. Então, eu vejo que a cirurgia em um paciente que tem essa educação pré-cirúrgica faz muito mais sentido à paciente, tem muitos ganhos no pós-operatório. Então, as pacientes têm o pé no chão, elas entendem o resultado, elas entendem as etapas e muitas delas, às vezes, a gente fala que vai precisar de mais etapas cirúrgicas e elas não querem porque elas atingiram o objetivo delas. Então, tinha paciente minha que foi fazer uma cirurgia na Físio Lipedema, falei que ela ia precisar de um segundo tempo para tirar a pele. Quando a gente chegou lá, ela retornou e falou que vamos marcar para tirar a pele, não quero mais, vamos fazer o abdômen agora, mudou o foco, porque o volume era o problema para essa paciente. Então, a gente não pode padronizar uma cirurgia para todo mundo, um tratamento para todo mundo. Ele tem que ser individualizado, isso na medicina é muito importante, não existem protocolos que funcionem para todo mundo. O protocolo é só um direcionamento para o profissional que está iniciando, mas cada paciente tem uma demanda diferente, a gente tem que olhar para o paciente por inteiro. Não adianta olhar só, é gordura na perna, vamos tirar gordura, não. O lipedema é muito mais do que isso, e não é uma doença que se trata sozinho. Então, aqui a gente está num instituto que tem um monte de profissional que trata o lipedema. Então, tem o cirurgião vascular, tem endocrinologista, tem nutricionista, tem fisioterapeuta, tem equipe de enfermagem, tem todo mundo, faz parte em algum momento do tratamento. E o paciente assim, ele é melhor tratado, o paciente é tratado de forma completa. Então, não pode ser só gordura. Se for só gordura, a gente faz a lipospiração e pronto, próximo. Já vi um médico falando isso num congresso. Não, a gente tira gordura, faz o tratamento cirúrgico, melhora a dor e a gente orienta que ela precisa emagrecer e se ela não emagrece, o problema é dela. Não, a gente tem que fazer parte desse tratamento. A gente tem que orientar que não é só a cirurgia e tem que trazer o paciente para ter um benefício da cirurgia. Senão ela vai ter o benefício e depois ela vai ter uma recidiva. É justamente que a gente já citou em outros episódios. Essa combinação das especialidades é o diferencial para a pessoa atingir essa qualidade de vida, que é o conjunto que a gente fala desde no início aqui na abertura de todos os episódios. Que não é sobre ele estar fazendo episódios sobre cirurgias, sobre técnicas diferentes e sim o conjunto da qualidade de vida da pessoa. Importante também a gente tirar essa dúvida, doutor, quando a pessoa vai fazer o tratamento cirúrgico do lipidema, imagino que algumas pacientes queiram aproveitar para fazer já uma outra cirurgia estética. Isso pode ser combinado ou de forma nenhuma a cirurgia apenas do lipidema? O protocolo nosso aqui, como eu disse, o protocolo é só um padrão e a gente acaba individualizando cada caso. Mas a gente criou mesmo algumas regras internas para a gente não ter complicações. E dentro das regras era fugir de associações. Então eu já fiz abdômenoplastia e lipospiração numa paciente com lipedema. Foi uma cirurgia muito intensa, eu acho que muito agressiva para paciente, o pós-operatório muito mais difícil. Eu acho que a paciente teve mais riscos nessa cirurgia, não aconteceu nada, mas o risco foi maior. Então a gente procura não associar as cirurgias em lipidemas grandes, em grandes áreas, mas já coloquei próteses de mama, correção de cicatriz, a coma a gente tem muito vascular aqui, a gente acaba fazendo recepção de vasos, de valizes, mas nunca tratando safena. A gente entrou num consenso que a safena, o tratamento às vezes pode até confundir e a gente achar que a paciente está com uma tromboflebite e isso é quase uma trombose. Então poderia até complicar nosso tratamento no pós-operatório. Então a gente não faz, por exemplo, a safena, mas quando tem vasos que incomodam a paciente, a gente acaba tratando junto, isso é possível, uma combinação possível. A recepção de lipoma, de nódulos de lipedema, monte que a gente faz. Correções de cicatrizes e próteses de mama, acho que foram os que a gente mais associou. Mas existem, a gente tem marcado em breve uma lipo pequena de lipedema, mas com a paciente a gente vai acabar fazendo um esplante mamário e lipo inchertia das mamas. Então a gente não vai poder usar a gordura do lipedema e ainda vai ter que fazer uma lipoaspiração em outra região. Mas a gente tem algumas associações, mas a gente sempre tenta segmentar e ver o paciente, qual é a demanda dele e o que é mais importante. Sim, e a indicação cirúrgica também não tem ligação direta com a questão da idade da mulher. A partir de uma certa idade que ela precisa, se não os tratamentos clínicos não dão resultado, precisam mais recomendado a cirurgia. Isso é independente. Não, não, não. A gente já tem feito lipoaspiração em pacientes com mais de 65 anos, a gente tem bastante paciente com mais de 65 anos, então a idade não seria um fator ruim. A gente só muda a expectativa dessa paciente diferente de 40 anos e que é diferente da que tem 20 anos. E tem, a gente tem pacientes com lipedema em todas essas faixas etárias. A paciente com mais idade às vezes é uma questão mata mesmo de mobilidade. Às vezes vem doutor, isso acontece com vergonha de falar que querem fazer a lipoaspiração. Eu não queria fazer a lipoaspiração, mas se a única maneira de eu tirar essa gordura aqui, eu preciso andar, então é diferente. E tem pacientes também que têm mais de 65 anos que querem fazer a lipoaspiração, a gente tirar volume mesmo. E se elas tiverem com uma saúde controlada, não tiverem, por exemplo, não tem diabetes, ou se tem diabetes, está controlada, a tireoide está controlada, não fuma, por que não fazer? Se a gente vê que toda parte de saúde dela está em ordem, então não tem contraindicação. Então, o fator idade não é um problema. O problema são as doenças associadas, as comorbidades. E isso sim é algo que pode limitar muito a indicação cirúrgica. Tem alguma faixa etária que acaba sendo mais comum na incidência dos casos? Olha, a gente vê muito pós-menopausa. Ali entre os 50, 60 anos, é uma faixa etária que a gente tem aqui, mas pode ter um viés de uma interpretação errada por conta do público que a gente tem na clínica. E também é um público que procura mais assistência. Agora cada vez mais tem procurado pacientes entre 20 e 30 anos. Ou seja, são pacientes novas, sem prole, sem filhos. Então a gente está vendo isso também, pacientes mais novas. Então elas estão começando a se identificar mais. Eu acho que pode ter um fator de confusão de identificação. A vantagem que as pacientes que fazem diagnóstico precoce estão em estágios iniciais. Estágio 1 e 2, já as pacientes, já com uma acima dos 50 anos, infelizmente elas já estão no estágio 3. Então já acabam, ou estão no 2, 3. E elas falam, nossa, minha perna me incomoda desde a minha adolescência, sempre tive vergonha de ir na praia, sempre foi um problema. Já cheguei a fazer lipo por conta da gordura no colótimo, mesmo assim eu tinha gordura na perna, mas o médico não quis fazer porque falou que não podia fazer. Então não é que não podia e pode fazer. Inclusive, na literatura, nos primeiros artigos de lipoaspiração, tem gente que teve alguns cirurgiões plásticos muito famosos na lipoaspiração, que falam que não podia fazer na perna, mas ele em nenhum momento justificou o motivo da perna. Enquanto outros, na mesma momento da história, falavam que podia fazer. Então isso ficou um mito que não poderia fazer lipoaspiração nas pernas, e isso prejudicou essas pacientes com lipidema, porque muitas pacientes falam, as pacientes falam, nossa, eu já fiz duas lipoaspirações e ninguém quis fazer lipoaspiração na perna. Então sempre teve essa dificuldade. Então a história da lipoaspiração é meio... ela andou em paralelo com a história do lipedema, em alguns momentos elas se encontraram, em outros elas falaram a mesma coisa, mas elas não chegaram a falar os mesmos nomes. Tem artigo falando de lipoaspiração de contorno das pernas e não fala a palavra lipedema. Tem um artigo de 1990, a pessoa falando de todo tratamento de lipoaspiração nas pernas, da segurança e como que era feito, como que era o resultado, e não tem nada falando de lipedema no artigo. Então é uma doença que ela ficou meio que... andou em paralelo na história e meio que esquecida. E aí nos últimos 10, 15 anos ela veio à tona. Por isso que dá essa sensação que agora que tá sendo mais falado, né? Pois é, e algo que acomete mais de 10% da população. Então é muitas pessoas. Então provavelmente se for ver só as 10 melhores amigas, uma tem lipedema. E até uma vez que eu fui fazer um episódio aqui com o doutor Alexandre, que ele... No final, nos bastidores aqui, né? Eu falei assim, eu acho que isso é uma coisa... Então o que eu posso descartar pelos sintomas que a gente tava conversando? Aí ele falou, não, não é bem assim também. Eu teria que realmente... Eu tava de calça. Ele falou, eu teria que realmente avaliar. Não é só porque você tem um porte magro que a gente descarta a possibilidade de lipedema. Então isso é legal também, né? A gente dizer que a avaliação às vezes não é bem assim, né? Só o porte, essa pessoa aparenta ter um... Porque o que acontece é... Como eu disse que o lipedema é uma condição, então pode ser que você desenvolva os sinais e sintomas de um lipedema inflamatório. Tem as sintomas de dor. Então isso pode ser... Agora você não pode ter nenhum sintoma, mas pode ser que se você ganhe muito peso, se você tem uma alimentação irregular, um sono irregular, passa algum tratamento prolongado, os corticódeos e hormônios, pode ser que você desenvolva. Então é exatamente isso. Às vezes você não tá num momento, mas você também não tem queixa, então você não tem que se preocupar com isso. Se você não tem a queixa da gurgura, não tem queixa de sintomas, por que você vai atrás disso? Viva, né? Seja feliz. A não ser que você queira ter um diagnóstico de uma doença. Mas se você tem sintomas, você tem que buscar as causas, a causa. E se você tem a desproporção de gurgura, grandes chances de estar relacionado ao lipedema. E cuidar também, como alerta, pra não chegar a desenvolver, como você disse, que pode ser que num momento não tenha. E eles geralmente progridem em escada. As pessoas têm episódios de piora, aí ficam tranquilos, depois tem outro episódio, e assim a pessoa vai evoluindo. Uma doença que ela tem uma progressão em escada por episódios. Antes da gente ir agora pro mitos e verdades, doutor, pra passar aqui rapidinho, eu só queria tirar uma última dúvida, que eu imagino que seja a dúvida de muitas pessoas também. Em relação a essa parte do tratamento cirúrgico, quando a pessoa é identificada, depois da recuperação, algo acaba sendo limitador ali na vida da pessoa, como por exemplo a Crossfit, alguma coisa assim. Eu já vi muita gente questionando isso. Então, eu tenho uma paciente que tem lipedema e que ela faz muay thai. Então, ela tem queixa de dor nas pernas e acúmulo de gordura. E ela fica dando chute com a perna. Então, obviamente, ela tem uma dificuldade de controle das dores se ela tem um trauma local. Não é recomendado que a paciente que tenha dor nas pernas faça algum esporte que tenha trauma. Então, às vezes, até corrida na rua, ele tem aqueles pequenos impactos. Então, se for, não recomendaria até corrida, recomendaria uma caminhada. Então, exercícios na água é melhor, mas tem gente que não consegue. Agora, se a pessoa faz muay thai, tem prazer no muay thai e aquilo é importante pra ela, também não vou condenar o muay thai dela, só vou orientá-lo. Então, às vezes, ela pode até parar por contraprpria e com algum sentido. Então, o exercício físico é muito... ele é fundamental na saúde. Então, a gente não pode ficar condenando as atividades. O que a gente pode fazer é recomendar algumas que sejam melhores e entender como que aquela atividade física funciona na vida da pessoa. As vezes, uma vez por semana, às vezes é duas vezes, três vezes. Quanto que é importante? Então, a prática de exercício físico é muito importante pra essas pacientes. Agora, o impacto é questionável, né? Então, é isso que a gente tem que trabalhar pra essas pacientes na orientação. Isso mesmo, depois da cirurgia também. Ah, com certeza, ela tem o fator de... a gente não curou lipedema. A gente fez só uma parte do tratamento. O tratamento é eterno. A mudança e a melhora do estilo de vida, isso é pra sempre. Tá certo, bom. Então, agora, mitos e verdades, passando rapidinho aqui que a gente... Nossa, a equipe já avisou que o tempo tá curto, mas tem bastante coisa ainda pra gente discutir. Vamos lá. Lipedema é causado pelo excesso de peso? Não, mas o excesso de peso pode estar acometendo junto e a mesma causa do excesso de peso pode ser a causa do lipedema. Não é exclusivo do excesso de peso? Não é exclusivo. Então, o excesso de peso pode estar junto, é um fator de risco, é uma comorbidade associada e o tratamento dos dois é muito semelhante. Então, precisa tratar a obesidade para tratar o lipedema. Certo. Lipedema não é um problema estético. Isso a gente já tem? Não é um problema estético, é um problema social, importante, e que merece essa conversa. Dieta e atividade física são capazes de curar o lipedema? O lipedema não tem cura, eu vejo como uma condição e dieta e exercícios físicos são fundamentais no tratamento do lipedema. Mais parte do conjunto ainda? Isso. Lipedema tem relação com varízes? Existe uma associação, a gente vê muitos pacientes que têm lipedema ter varízes e a gente não sabe o que veio primeiro, porque às vezes as pacientes referem que já fizeram várias vezes cirurgias de varízes e ninguém fez o diagnóstico de lipedema, depois elas descobrem que tem lipedema. Então, a questão inflamatória do lipedema pode estar relacionada às varízes ou as varízes podem estar relacionadas à questão inflamatória do lipedema. Então, você não sabe quem despertou quem. Se o lipedema trouxe as varízes ou as varízes trouxeram o lipedema? Então, existe essa relação, uma relação importante, porém, a resposta ainda é incerta. Inclusive, tem um episódio só sobre varízes aqui, com o doutor Alexandre, se eu não me engano, né? Exatamente, exatamente. Então, para quem já tem interesse... Quem já não pode ver esse episódio, ele vai lá, vai dar opinião dele e acredito que seja nessa mesma linha. Sim, ele explica sobre o tratamento, também como funciona. Lipedema e celulite são o mesmo problema? A celulite é um nome... Existem dois tipos de celulite, que as pessoas falam que a celulite é aqueles ondulados que ficam na pele, principalmente na região da coxa, do bumbum, que são aquelas retrações do subcutâneo que ficam aquelas irregularidades. Mas também a celulite é a inflamação do subcutâneo, às vezes, numa infecção. Então, a pessoa pode ter uma celulite no olho. Então, a celulite no olho não está relacionada com o lipedema. A celulite é a inflamação do subcutâneo. E, no caso do lipedema, pode ter uma inflamação na gordura, que faz parte do subcutâneo, e a gordura tem, tanto abaixo da pele, hipoderme, ou na gordura mais profunda, que fica mais próximo do músculo. Então, a celulite, que as pessoas falam por irregularidade da pele, é um sinal muito encontrado nas pacientes com lipedema, mas não é, sinceramente, a paciente que tem celulite tem lipedema. Vai deixar um alerta, porque é difícil alguém que não veja uma celulite aqui ou ali. Pois é, o homem pode ter celulite, tem menos, mas ele não necessariamente vai ter lipedema. E a palavra celulite pode estar relacionada a outras inflamações e infecções no subcutâneo, e isso a gente vê em outras regiões do corpo. Às vezes, até é um trauma cirúrgico, a pessoa fez uma cirurgia no abdome, e ficou com uma celulite naquela região, que é uma inflamação da gordura. É difícil diagnosticar o lipedema? A gente até comentou sobre isso, né? Olha, eu acho o lipedema extremamente fácil de diagnosticar, principalmente porque não precisa de exame complementar, mas eu vejo que ele é extremamente difícil pela população médica. Os médicos não tiveram formação, não têm conhecimento e têm preconceito. Os médicos têm preconceito da paciente, fala que a paciente está obesa, fala que não tem nada, que é coisa da cabeça da paciente, fala que a paciente tem varices, então por isso que é importante a conscientização. Lipedema existe sim, e o lipedema precisa o mínimo de conhecimento para fazer o diagnóstico, e é claro, precisa discluir as outras causas, mas ignorar e falar que não é... É mais fácil você falar que é e você tratar como a pessoa ter o benefício de um tratamento clínico do lipedema, e agora, do que você falar que não é, e a pessoa ficar sofrendo com questões até sociais. Eu imagino que seja até difícil, né, doutor? Para a própria paciente, eu falo no termo feminino porque acaba sendo mais comum, mas para a própria paciente aceitar esse diagnóstico, sendo que não tem aquele exame, eu imagino que muitas pacientes ainda dependem daquele resultado escrito no papel, que é um exame que confirma, e não só na questão de uma avaliação clínica, tem isso? Não, mas a pessoa pode fazer exames que vão estar escritos, você pode fazer uma medida de ultrassom que fala que é sugestivo de lipedema, pode fazer ressonância e fala que é sugestivo de lipedema, pode fazer uma bipedência, pode ver que tem a desproporcionalidade de gordura nos membros, pode fazer uma densitometria corporal que também pode ver essa distribuição diferente da gordura, para falar o que você pode olhar e ver que a pessoa tem gordura nas pernas, então são exames que a pessoa vai estar fazendo só para complementar e confirmar o que você já fez, o diagnóstico visual. Agora a nossa última pergunta, o lipedema é uma doença rara? Se 10% não é raro, é extremamente frequente, e com certeza todo mundo que está assistindo conhece alguém com lipedema. Olha aí, todo mundo vai ficar olhando na praia, olha a perna ali, aquela tem lipedema, aquela tem lipedema. Depois que eu comecei a falar desse assunto, eu comecei a analisar, sabia? Eu realmente fiquei com esse olhar de que quero diagnosticar todo mundo, que é uma coisa clínica ali, já estou por dentro de todos os... Mas muitas pacientes se escondem, as pernas por vergonha, e isso também é algo que é importante dessas pacientes, esse desconforto e mostrar as próprias pernas. E algo que interfere tudo, não só... Às vezes as pacientes têm uma queixa nesses pacientes iniciais, que é fragilidade capilar. De repente elas aparecem com um roxinho, na perna e falam assim, mas eu não tive nenhum trauma, não bateu e ficou uma marcadinha ali. Você vê que tem tantos sintomas que estão relacionados, que a paciente não demora para chegar num profissional e descobrir que é lipedema. E é bom também a esclarecedor para as pessoas que ainda têm dúvida, que às vezes pensam que o tratamento também vai ser algo muito difícil. E algo que é importante falar é que o lipedema, o tratamento cirúrgico, eu falo que o tratamento cirúrgico não cura, ele tem as indicações claras, a paciente refratária é o tratamento clínico, a paciente que melhorou já e quer diminuir o volume, a paciente que tem dificuldade de andar, mobilizar por conta do excesso de gordura entre as pernas, mas o tratamento estético faz parte também, psicologicamente, socialmente. Então, a lipospiração, ela é muito bem-vinda, mas desde que o paciente tem a conscientização da doença, se a paciente tiver a conscientização da doença, ela vai poder manter o resultado. Não adianta fazer a lipospiração somente achando que está pulando etapas e está saindo em vantagem. Na verdade, se o paciente fizer a lipospiração no lipedema, sem fazer um tratamento clínico, ele vai ter uma desvantagem. Legal, e a gente deixa também aqui todos esses episódios que estão relacionados a isso. Então, para quem ainda tiver alguma dúvida, alguma sugestão também relacionada a esse assunto, pode deixar nos nossos comentários. Eu vou finalizar só com duas perguntas da nossa caixinha secreta, porque a gente espera esse momento, que é para quem também está chegando agora, é para conhecer os especialistas que participam aqui. Dr. Fernando é um dos mais conhecidos, vai, Dr. Fernando? Eu acho que ele está pulando, não pode ir... Esse aqui também não. Não quer responder o que tirou, não sortei, eu tenho que responder, Dr. Mas eu faço aqui... Eu quero até ver o que é. Uma série de TV, eu assisto Sheldon com a minha esposa. Ela comentou no último episódio. Eu assisto. Esporte, eu faço, faço também, esporte. Um olho aberto, atrofechado. Eu faço esporte. Eu faço com criança, subindo o que você falou. O que veio é sabor de pizza. Eu não como pizza mais, mas eu gosto muito de frango catupiri, mas eu não como mais. É que pizza a gente... Eu gosto de comer à noite, a noite não estava fazendo bem, então eu parei de comer pizza. Então é uma perda muito grande, mas eu gostava da... Mas foi para escolher um prato aí fora do... Eu não quero pizza de churrasco. Pior que tem pizza de churrasco. Pois é, perda de tempo, não dá. É, vai ter que ficar o final de semana, né? Exatamente. Obrigada novamente pela sua participação. Um papo muito esclarecedor aqui, Dr. Muito obrigado, eu que agradeço, até a próxima. Agradeço também a você pelo carinho da sua audiência e participação aqui conosco, conto com a sua participação no nosso próximo episódio. Tchau.

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