A síndroma da ativação mastocitária é uma condição considerada rara, mas potencialmente subdiagnosticada, podendo afetar uma parcela significativa da população
Esse vídeo é pra você. Eu sou Dr. Alexandre Amato, cirurgia vascular do Instituto Amato e hoje vou falar sobre a síndrome da ativação mastocitária.
Olá, você tem enchaço, coceira, vermelhidão, dor abdominal, rinite, espirro, um monte de sintoma diferente? Esse vídeo é pra você. Eu sou Dr. Alexandre Amato, cirurgia vascular do Instituto Amato e hoje vou falar sobre a síndrome da ativação mastocitária. Essa é uma doença considerada rara, mas só pela dificuldade no diagnóstico, porque a gente acredita que ela é muito mais frequente na população do que se imaginava antes. Tem trabalho que sugere até mesmo 17% da população com algum grau de síndrome da ativação mastocitária, porque também não é um problema que é ligado e desligado. Tem vários graus, leve, moderado, forte, então muitas pessoas andam por aí com sintomas leves de uma síndrome da ativação mastocitária e tá tudo bem. Então, as pessoas que têm os sintomas piores acabam chamando mais atenção, obviamente. Mas se a gente faz o diagnóstico, ou pelo menos se a gente tenha suspeita e acerta aqueles fatores importantes da nossa vida, a gente acaba tendo uma qualidade de vida muito melhor. Então, em primeiro lugar, deixa eu falar o que é o mastócito. O mastócito é uma célula presente na nossa função da imunidade. É um dos guardiões aí do nosso corpo. Só que ela é uma célula muito especial. Ela é uma célula que tem um monte de função, que ela tem um monte de receptor na sua camada externa, e ela secreta um monte de substância e ela recebe um monte de sinal, então ela acaba comunicando o sistema imune, pegando uma informação daqui, levando para outra célula, disparando um monte de transmissores de informação e a questão é que dentro dela tem bastante histamina, e a histamina é uma substância que gera uma inflamação local, vai trazer coceira, vai tramar vermelhão, e o mastócito está no nosso corpo inteiro, ele realmente faz parte do nosso tubo digestivo, tem na nossa pele, tem nas nossas mucosas, e ele está lá defendendo o nosso corpo. Ele é como se fosse um interruptor do liga e desliga do nosso sistema imune. E exatamente porque ele está distribuído pelo nosso corpo inteiro, nós podemos ter sintomas em qualquer parte do corpo, então se a gente tem uma ativação mastocitária, libera a histamina numa região da pele, você vai ter um vermelhão, vai ter uma coceira, afinal a histamina ela vai causar uma vaso dilatação local e vai trazer essa coceira também. E se você tem essa liberação de histamina no trato gastrointestinal, por exemplo, pode ter uma diarreia, pode ter até mesmo um sangramento, pode ter dor abdominal, em alguns casos pode ter até mesmo a constipação. E se tem essa liberação histamínica na região do pulmão, pode ter uma asma, pode ter uma rinite, pode ter secreção de catarro, pode ter um monte de coisa também. Os sintomas variam e normalmente essas pessoas acabam buscando vários especialistas diferentes exatamente porque o sintoma fica pulando de órgão em órgão, uma hora acontece no lugar, outra hora acontece em outro e aí fica parecendo que é uma pessoa que tem várias doenças quando na realidade é uma só. Então a sintoma da ativação mastocitária, ela ocorre quando há uma ativação dos mediadores dos mastócitos e eles degranulam, eles acabam, vamos dizer assim, abrindo e soltando as substâncias que tem dentro deles no tecido. A histamina é a maior quantidade que eles têm, mas também tem outras, tem heparina lá dentro, que é aquele anticoagulante, a heparina nossa, um anticoagulante natural nosso e também tem outros transmissores e citoquinas que vão desencadear vários eventos no nosso corpo. Como tudo é desencadeado por essa liberação da histamina, o antistamínico ele ajuda, só que veja, o antistamínico como uma classe de medicamentos, eles vão atuar depois que já aconteceu a degranulação do mastócito, depois que ele já rompeu e soltou a substância naquela região. Então o ideal seria a gente tratar antes disso acontecer para evitar a liberação da histamina que traz ali os sintomas incômodos, seria a coceira, anjoedema, todos aqueles lá que eu falei em órgãos diferentes. A síndrome da ativação mastocitária, ela pode ser primária, a primária é por exemplo a mastocitose, a mastocitose é sim uma doença rara, em que é muito difícil, diagnóstico e o mastócito fica ligado no turbo lá o tempo todo. Isso por uma alteração daquele receptor na camada externa dessa célula, então qualquer coisinha que relá naquele receptor já deixa ele ligado, é como se fosse um interruptor travado ali na parede, você não consegue desligar, o mastócito fica o tempo todo ligado e expondo as substâncias internas dele e desencadeando a inflamação cronicamente. A síndrome da ativação secundária ela acontece decorrente de algum outro evento, por exemplo, pode até ser por uma alergia que é IgE mediada, então vai lá o anticorpo IgE, dispara o mastócito, entra uma reação em cadeia e aí ocorre a síndrome da ativação mastocitária, mas também pode ser por uma intolerância alimentar, o que eu tenho visto bastante decorrente de um IgG, por causa da intolerância a determinados alimentos, mas também tem o idiopático que é o sem causa aparente. Agora imaginem, se existe a doença de um dos receptores na camada do mastócito, também tem doença de outros receptores, tem alteração de genética da própria estamina, tem alteração de outra célula que liga ou desliga o mastócito, então existem várias pequenas alterações que podem acabar disparando o mastócito, então quando a gente está falando de uma causa idiopática, na verdade, é que a gente não sabe exatamente o que está disparando aquele mastócito, mas que ele está sendo disparado, ele está em um mastócito que tem essa alteração, ele pode ficar muito sensível a qualquer coisa, então ele pode não gostar da temperatura alta ou temperatura baixa e só isso ser o suficiente para trazer os sintomas, então são aquelas pessoas que falam, mudou o tempo e eu senti isso, ficou mais frio e eu peguei um resfriado. Muitas vezes não é um resfriado, essa mudança de temperatura simplesmente disparou o mastócito, ele liberou a histamina, ficou inflamado no local, não tem nenhuma infecção ali, mas você tem todos os sintomas de um resfriado, afinal, os sintomas de um resfriado não ocorrem por causa da bactéria ou do vírus que está ali. Os sintomas, eles vêm por causa da nossa reação à bactéria e o vírus, então se a gente tem uma reação dessa, sem a bactéria ou vírus que seria na reação da ativação mastocitária, a gente tem todos os sintomas dessa gripe ou resfriado mesmo sem ter o agente causador. Eu sei que o assunto é complicado, eu queria saber a sua opinião sobre isso, escreve lá embaixo nos comentários para eu direcionar os próximos vídeos do canal, saber se eu estou pegando pesado aqui no assunto, se eu vou para algumas coisas mais leves ou não. Fazer o diagnóstico dessa síndrome não é tão fácil assim, não existe nenhum exame que você faz e pronto, está resolvido, existem alguns exames de laboratório que você pode chegar numa mastocitose ou em alguma causa primária ou secundária, mas essa idiopática, por definição, a gente não consegue rastrear, então a história clínica é muito importante e isso traz a necessidade de um bom clínico, um bom médico avaliando, conversando com você, tirando as minúcias da sua história para conseguir transformar isso em um diagnóstico preciso. Mas agora a sua pergunta é como conviver com isso no dia a dia, imagina, se for verdade aquilo que eu falei de 17% da população tem algo ou algum grau disso, tem muita gente andando por aí com o problema e nem sabe, então dá para ter uma vida completamente normal ou próxima do normal, agora existem as dicas que a gente pode passar para tentar facilitar esse processo, a primeira delas é tenha um plano de emergência, principalmente se você tem esse diagnóstico, saiba quais medicamentos você tem que andar na sua bolsa ou próximo de você para você tomar quando começar a ter o disparo da estamina, muitas vezes as pessoas percebem que isso vai acontecer, tem alguns sinais aí, os pródromos, um mal-estar que sugere que vai acontecer, por exemplo até mesmo antes de uma enxaqueca, antes de uma coceira ou uma pequena coceira que já sabe que vai virar aquela coceira grande, cada um tem a sua história, conta lá embaixo, escreve no comentário se você tem alguma reação alérgica, o que que você sente antes dela acontecer, isso seria muito legal. Conheça os seus gatilhos, essa é outra dica muito boa, passe a prestar atenção na sua qualidade de vida, nos seus hábitos e quais são os hábitos que acabaram desencadeando uma ou outra coisa, um ou outro sintoma, então você pode perceber que determinado alimento acaba desencadeando uma reação semelhante à síndrome da ativação mastocitária, pronto, simples, só parar com esse alimento, se você passa a anotar no diário os seus sintomas você consegue identificar isso, então fazer um diário dos sintomas pode ajudar você a identificar os padrões da doença no seu caso e ajudar no tratamento, infelizmente no Brasil não existe aquela caneta de epinefrina que ajudaria bastante nesses casos, então só para quem mora lá fora pode encontrar isso, mas aí tem que ser orientado pelo médico, e aí tem caneta de epinefrina onde você mora, me conta lá embaixo, comunique-se com o seu médico, mantenha um acompanhamento, isso é muito importante porque durante a vida os sintomas podem variar, as necessidades podem variar, o tratamento medicamentoso pode variar, então não é algo que você faz diagnóstico e desencana larga mão e não presta mais atenção nisso, é importante fazer um acompanhamento e todos os aspectos de vida saudáveis, todas aquelas rotinas saudáveis que eu vivo falando aqui ajudam a minimizar os sintomas, então exercício físico, uma alimentação bem balanceada, tudo isso faz parte do contexto de hábitos de vida saudáveis e outro gatilho que as pessoas não dão tanto valor, mas é o suficiente para degradar o mastócito, é o estresse, o estresse agudo, então meditação, yoga, exercício respiratório, tudo isso ajuda a controlar o estresse e evita aí que o mastócito fique nervosinho lá e acabe liberando sua estamina, então a gente tem que cuidar muito bem do mastócito, passar a mão aí na cabeça do mastócito, deixar o mastócito bem calminho ali para ele não disparar e liberar sua estamina e acabar ocasionando todos aqueles sintomas desagradáveis, e aí você acha que esse vídeo te ajudou, pode ajudar alguém que você conhece, então pega lá o link em caminha para essa pessoa, inscreva-se no nosso canal e fica aí que eu vou colocar o próximo melhor vídeo para você assistir.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.