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Dor Crônica: TODA Dor Tem Tratamento! | Ep. 58

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Dor Crônica: TODA Dor Tem Tratamento! | Ep. 58

A dor crônica, definida como aquela que persiste além de três meses, é abordada como uma doença por si só, e não apenas como um sintoma. O tratamento é sempre u

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Perguntas respondidas neste vídeo

Correto, a medicina da dor, ou os estudos da dor, eles vêm aumentando bastante nos últimos anos, mas ainda não é uma especialidade médica sedimentada, tal qual pediatria, anestesologia, é uma área de vaporização, tá?

Existe já a residência médica, não existe titulação de atuação em dor, mas você tem que ter uma especialidade prévia, não basta ser médico para poder prestar essa prova de atuação em dor, mas vem ganhando corpo, principalmente nos grandes centros no Brasil, então São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, mas de fato, ainda é muito novo e mesmo dentro do meio médico, poucos médicos de fato conhecem e sabem o que faz um especialista em dor.

Sim, e doutor, quando a pessoa está sentindo algo relacionado, a gente já vai falar o que de fato entra na medicia da dor, mas costumam procurar urologista, reumatologista, quando tem algo incômodo, algo persistente ali no corpo, mas qualquer especialidade pode ter esse direcionamento para dor agora, isso?

Pode, na verdade quem pode ter área de atuação em dor são algumas especialidades, então pediatra pode ter dor em população pediátrica, reumatologista, urologista como você disse, neuroclínico, neurocirurgião, e anestesista obviamente, mas por exemplo, um endócrino, não, aí já não entra dentro das especialidades que podem ter atuação em dor pela AMB, pelo título da Associação Médica Brasileira.

falar tratamento, não é nem tratamento, mas que tenta resolver o problema por conta própria?

Dificulta bastante, porque na verdade a dor muda com o tempo, porque a gente vai criando mecanismos de proteção contra a dor. Ao partir do momento que a dor que começou por um problema qualquer que seja se perpetua, o corpo vai tentando criar mecanismos para evitar aquela dor, para diminuir aquela dor, tanto físicos quanto psíquicos.

E, doutor, tem como uma dor crônica ser causada apenas por algo emocional, algo psicológico naquele paciente, ou tem uma relação de aumentar ou diminuir, mas que está ligada a alguma condição médica?

Existe os transtornos de estresse postraumático que cursam com eventos dolorosos, mas normalmente não é algo pura e simplesmente psicológico, algo acontece e aí sim a parte psicológica do paciente pode perpetuar dor, tanto por fatores conhecidos do paciente como não conhecidos, às vezes um mecanismo de recompensa, um medo de perder, um medo interno, às vezes subconsciente da pessoa de perder a atenção, o carinho dos familiares, etc.

Mas como que funciona no início do tratamento?

O tratamento é sempre clínico. Eu acho que vários médicos que passaram aqui já disseram que a clínica é sempre soberana. Então a gente sempre começa pelo tratamento clínico, a base.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais uma matoqueste pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve e qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais para falar sobre temas bastante interessantes. Um que foi embolização de tumores hepáticos. O nome parece difícil, mas o nosso especialista explicou tudo aqui para a gente e antes também nós trouxemos um outro médico especialista em falar como envelhecer bem, principalmente após os 50 anos mas também ele fala dicas para aquelas pessoas mais novas que já se preocupam com o futuro. Hoje nós também recebemos um convidado especial aqui no amatoqueste que é o médico anestesista. Para quem tem dúvida, eu já vou esclarecer aqui com ele que anestesista e anestesiologista. Acabei de tirar essa dúvida aqui nos batidores. É a mesma coisa. Carlos Lemos. Já vou apresentar o nosso convidado. O Dr. Carlos Lemos é médico anestesista formado em medicina pela Universidade Federal de São Paulo em 2008. Tem experiência no ramo de emergência, residência e anestesiologia pela Universidade Estadual de Campinas e tem atuação em dor. Bem-vindo, Dr. Olá, muito bom dia. Obrigado, é um prazer estar aqui com vocês. Primeira vez que a gente traz o Dr. Carlos aqui no amatoqueste. Pelo menos comigo é a primeira vez. Não sei, já participou alguma outra vez, Dr. Aqui? Eu tive uma gravação com o Dr. Fernando, que é o cirurgião plástico aqui da clínica, falando sobre anestesia e tentando desmistificar um pouquinho a anestesia, que hoje em dia ainda ocupa um lugar meio obscuro na cabeça da maior parte das pessoas. Exatamente. Só o nome já levou muita dúvida. Aqui como eu falei no início, tem gente que acha que está errado falar anestesista, anestesiologia, é a mesma coisa. É que na verdade anestesiologia é o estudo da anestesia. Então, em tese o anestesiologista é aquele que estuda anestesia, mas no Brasil não tem a menor diferença entre anestesiologista e anestesiólogo. É a mesma coisa. Tá esclarecido. E antes aquele destaque de sempre também rapidinho aqui pra vocês, que a gente tem uma novidade, que é um patrocínio aqui pra amatoqueste do Laboratório Origem, que é especializada em saúde intestinal, que é onde tudo cometa o foco de origem, a qualidade de vida e prevenção. Doutor, agora de fato vamos lá para o nosso assunto de hoje, para quem já está acompanhando aqui a legenda do episódio, já sabe que a gente vai falar da medicina da dor, que é um assunto ainda que não é muito comentado para ser sincero, e eu já te adianto também que sempre faço uma pesquisa aqui antes do nosso episódio, para saber o que eu posso perguntar para o nosso especialista e foi difícil achar alguns sages, algumas matérias sobre esse assunto. Ainda é algo que não é muito conhecido, né? Correto, a medicina da dor, ou os estudos da dor, eles vêm aumentando bastante nos últimos anos, mas ainda não é uma especialidade médica sedimentada, tal qual pediatria, anestesologia, é uma área de vaporização, tá? Existe já a residência médica, não existe titulação de atuação em dor, mas você tem que ter uma especialidade prévia, não basta ser médico para poder prestar essa prova de atuação em dor, mas vem ganhando corpo, principalmente nos grandes centros no Brasil, então São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, mas de fato, ainda é muito novo e mesmo dentro do meio médico, poucos médicos de fato conhecem e sabem o que faz um especialista em dor. Sim, e doutor, quando a pessoa está sentindo algo relacionado, a gente já vai falar o que de fato entra na medicia da dor, mas costumam procurar urologista, reumatologista, quando tem algo incômodo, algo persistente ali no corpo, mas qualquer especialidade pode ter esse direcionamento para dor agora, isso? Pode, na verdade quem pode ter área de atuação em dor são algumas especialidades, então pediatra pode ter dor em população pediátrica, reumatologista, urologista como você disse, neuroclínico, neurocirurgião, e anestesista obviamente, mas por exemplo, um endócrino, não, aí já não entra dentro das especialidades que podem ter atuação em dor pela AMB, pelo título da Associação Médica Brasileira. E desde sempre, até quando a gente é criança, a família costuma entender a dor como um problema específico ali, que está ligado a uma outra doença, ou um outro quadro clínico ali daquela pessoa, mas nem sempre é isso. Isso, é bem verdade que a dor aguda, aquela dor que se instalou por pouco tempo e em termos de livro, são as dores que duram até três meses. É um sinal de alerta, que algo não está bem, algo está errado. Quando a dor se perpetua para além de três meses ou seis meses, dependendo da referência que você pega, ela passa a ser denominada como dor crônica. A dor crônica é um problema por si só, e tem que ser tratado como tal. Ah, tudo bem, pode ser por conta de algum outro problema subjacente, pode, mas às vezes é a dor por ela mesma. A dor é a própria doença, por exemplo, a fibromialgia não tem, assim, uma disfunção orgânica que causa fibromialgia, ou é em chaqueca, por exemplo. A dor é a doença por si só, ou ela pode ser secundária a algum outro tratamento. Ela pode ser secundária a uma cirurgia e aí ficou com uma dor crônica, por exemplo. Enfim, as possibilidades são inúmeras e o médico da dor, junto com o médico especialista, caso seja necessário, eles vão trabalhar de uma forma cinérica e existe a medicina da dor e a intervenção em dor. São duas entidades diferentes no tratamento da dor. A atuação em dor, que é o tratamento clínico, medicamentos, fisioterápico e etc. E a intervenção em dor, que aí parte para os bloqueios, fenerização, rádio frequência, que são os procedimentos para a dor. E acontece muito, doutor, de chegar paciente no consultório que fala que já está muito tempo com aquela dor crônica que já entra nesse período mais longo e que começou a tomar um remédio por conta própria, porque viu na internet, porque a tia recomendou um chame lagroso e aí acha que é a solução. Esse é o mais comum. O mais comum do paciente, do consultório de dor, é esse. É o paciente que vários médicos já colocaram a mão, vários médicos já desistiram, já procurou pai de santo, a tia velha e aí o médico da dor é quase como a pedra da salvação, a última tentativa daquele paciente. E é algo que os médicos com a atuação em dor vêm tentando mudar paulatinamente, em criar uma cultura de medicina na dor, tanto nos médicos quanto nos pacientes. E isso acaba dificultando o tratamento da sua especialidade, para quem faz esse... falar tratamento, não é nem tratamento, mas que tenta resolver o problema por conta própria? Dificulta bastante, porque na verdade a dor muda com o tempo, porque a gente vai criando mecanismos de proteção contra a dor. Ao partir do momento que a dor que começou por um problema qualquer que seja se perpetua, o corpo vai tentando criar mecanismos para evitar aquela dor, para diminuir aquela dor, tanto físicos quanto psíquicos. Então aquela história de que a dor tem muito a ver com a cabeça é verdade, mas não é que é loucura, a dor vem da cabeça por um problema psiquiátrico, não. Uma parte da modulação da dor vem de uma área do cérebro chamado sistema límbico, que é a área das emoções. Então por isso que quando a pessoa está feliz, distraída, ela sente menos dor, e quando ela está triste, deprimida e etc, ela sente mais dor, porque na verdade essa área da emoção está muito ligada na modulação que o próprio corpo faz da dor. E aí quando a gente de fato recebe esse paciente, depois de meses, anos, sentindo dor, o nosso trabalho é muito maior, porque aí tem sim que envolver psicoterapia, a terapia comportamental, e é um trabalho de desconstrução muito maior a ser feito, é bem mais difícil. E, doutor, tem como uma dor crônica ser causada apenas por algo emocional, algo psicológico naquele paciente, ou tem uma relação de aumentar ou diminuir, mas que está ligada a alguma condição médica? Existe os transtornos de estresse postraumático que cursam com eventos dolorosos, mas normalmente não é algo pura e simplesmente psicológico, algo acontece e aí sim a parte psicológica do paciente pode perpetuar dor, tanto por fatores conhecidos do paciente como não conhecidos, às vezes um mecanismo de recompensa, um medo de perder, um medo interno, às vezes subconsciente da pessoa de perder a atenção, o carinho dos familiares, etc. Tudo isso pode influenciar assim na dor, na perpetuação e na intensidade da dor. Entendi. Doutora, a medicina da dor começa com esse tratamento para quem chega nessa situação no seu consultório, por exemplo, é de uma forma menos invasiva, porque as pessoas, eu acredito que quanto mais tempo tenta resolver um problema que consegue já pensar em medidas mais drásticas, uma cirurgia, já começa a pensar em algo que a pessoa não aguenta mais passar por aquela situação e tenta resolver como se tirar com a mão, que as pessoas dizem. Mas como que funciona no início do tratamento? O tratamento é sempre clínico. Eu acho que vários médicos que passaram aqui já disseram que a clínica é sempre soberana. Então a gente sempre começa pelo tratamento clínico, a base. Qualquer tratamento de dor começa com fisioterapia, fisioterapia e reabilitação, independente de qual seja a fonte da dor, e associado a isso a gente parte para o tratamento clínico. Então, principalmente, hábitos de vida saudável, atividade física, alimentação, medicamentos que fazem neuromodulação do andar, a gente começa por aí, tentando limpar um pouco a dor do paciente e, frequentemente, quando o paciente chega com a dor crônica, a gente nunca vai saber de imediato qual é o diagnóstico. A gente tem que ir limpando, tirando os fatores de confusão, vai testando o que funciona melhor e aí sim a gente pode mais para frente lançar a mão de procedimentos. E dificilmente o procedimento de tratamento de dor é inicialmente uma cirurgia. A dor crônica raramente é uma cirurgia. Começa com fisioterapia e tratamento clínico. Às vezes a gente pode usar a mão de bloqueios testes, que a gente usa tanto no tratamento quanto no auxílio diagnóstico. A gente precisa ter um diagnóstico preciso para fazer um tratamento mais preciso, mais focado. Doutor, e quais são as doenças, as dores mais relacionadas à medicina da dor? A gente já citou algumas, mas quais que numa lista mais extensa que você pode citar que realmente precisa desse direcionamento? Qualquer dor com mais de três meses precisa passar com o médico da dor. Qualquer dor que seja, dor de cabeça, dor no pescoço, dor nas costas, dor no ombro, dor na barriga, qualquer dor precisa. Qual é o paciente que mais é encaminhado para dor? O paciente que tem dor oncológica. O paciente que tem dor nas costas, dor lombar, dor na cervical, que normalmente já foi bastante mexido, frequentemente passou por cirurgia. A cirurgia pode até ter dado certo, mas continua uma evolução e volta a ter dor. E aí normalmente é aquele paciente que é mais difícil, que boa parte dos médicos evita, de ter, de manter ali na sua clientela e esse é o paciente que acaba chegando no médico da dor. A gente é bastante psicólogo também desses pacientes. É algo que muda demais a vida da pessoa, né? Muda a relação profissional, muda a relação familiar, a relação social. É um paciente que começa a perder os ciclos de convivência, amigos por causa da dor. É realmente uma condição bastante difícil de quem convive com a dor. E eu imagino que para quem está acompanhando aqui ou está sofrendo por algumas pessoas assim, ou tem alguém próximo para ter algum, ou se interessou também pelo assunto, tem como de fato o médico da dor proporcionar um alívio imediato para aquela pessoa, ou é um processo? É sempre um processo. Existem mecanismos, procedimentos em que a gente consegue aliviar a dor de imediato. Uma coisa que eu sempre friso é, nem todo a dor tem cura, mas todo a dor tem tratamento. A gente consegue diminuir o impacto da dor na vida dos pacientes e o objetivo é sempre devolver autonomia e qualidade de vida para os pacientes. Pode ser que a dor não passe, a gente nunca garante que a dor vai sumir, mas a gente garanta que a dor vai melhorar. Isso é importante destacar, porque normalmente em tudo as pessoas querem a cura, querem que fique 100% ali numa situação que já está sendo agustiante há tanto tempo, que você é no mínimo três meses, imagina. Se às vezes é um incômodo que a gente tem um dia, já atrapalha o dia, muda toda a rotina, imagina uma semana, um ano, alguém que já está a vida inteira passando por uma situação assim. Pois é, é realmente bastante difícil. Agora, outro fato que é fundamental frisar é que, diferente de várias outras especialidades, o paciente é fundamental, ele é o próprio remédio no tratamento dele, ou o próprio veneno. A gente depende muito do apoio do paciente, da vontade dele de efetivamente atuar no processo de tratamento. Porque só eu dar um remédio dificilmente vai resolver. É o paciente querer, o paciente fazer a fisioterapia, o paciente mudar os seus hábitos. E isso é o mais difícil, mudar a hábito é muito difícil. Só que uma vez que a gente consegue mudar o hábito, e como o nome mesmo fala, vira um hábito. Então ter vida saudável é um hábito: praticar atividade física, comer bem, dormir bem, fazer higiene do sono, evitar de usar celular à noite antes de dormir. Tudo isso são hábitos que levam a um conjunto de medidas que diminuem a chance de ter dor, ou em quem já tem dor, diminuem a intensidade da dor. Sim, e doutor, para ser encaminhado para o médico da dor, é sempre em conjunto com um outro especialista que já está tratando aquela condição. Porque muitas vezes a gente está falando também de idosos, por exemplo, que não tem alguém que acompanha. Às vezes até acontece, mas a gente não tem que só deixar no ramo da medicina particular, da medicina privada, e também pensar naqueles que ficam mais, não sei se essa palavra seria certa, a verdade é largados nesse sentido. Então como que o paciente pode chegar no médico da dor, se tem uma condição já diagnosticada anteriormente? O Sistema Único de Saúde, o SUS, ele já tem centro de tratamento de dor, principalmente nas grandes cidades, nas capitais, e virou uma política de saúde do SUS de expandir esse tratamento para a grande população no Brasil, que o SUS atende 70% a 75% da população. É muita gente. E é muita gente sentindo dor. Não é correto que só tenha esse tipo de tratamento em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, enfim, nas capitais. Mas ainda não é uma realidade, esse objetivo do SUS. Dentro dessa cadeia, fora das grandes cidades, o paciente, e infelizmente ele vai ter que se mexer para achar esse especialista. É pesquisar, tem serviços de ONGs, algumas organizações promovem mutirões de tratamento de dor, que realmente vão para o interior, mas tem que ter muita pesquisa. E o paciente tem que entender que ele não é obrigado a conviver com dor nenhum. Mas, por enquanto, ele não pode depender de um encaminhamento de um médico. Ele tem que procurar, ele tem que ir atrás, porque tem. Não é, está longe de ser o ideal, está longe de ser a quantidade necessária, mas tem. E ele pode fugir da cadeia. Ele não precisa esperar um encaminhamento. Ele pode fugir da cadeia, ele pode achar um mutirão, ele pode achar uma ONG, ou ele pode vir para uma capital, procurar um serviço com... Porque por mais que a gente tenha esses serviços, como o referenciamento ainda é muito pequeno, mesmo dentro das cidades, ainda é um serviço ocioso, paradoxalmente. Porque a gente tem demanda, a gente tem a população, mas não necessariamente ela chega até o médico especialista. Então, a gente tem os seus idades nesse serviço. Se o paciente chegar lá, ele vai ser atendido e, na contramão de boa parte da saúde pública, ele vai ser bem atendido. Sim, é porque é muito difícil, inclusive você não ter de dez pessoas ali, não ter pelo menos uma que reclama de uma dor persistente, que tem já há muito tempo. Tenho certeza que quem está acompanhando também já lembra de alguém que reclama sempre de uma mesma dor, de uma mesma dor. Com certeza. E não é só, por exemplo, 85 ou 90% da população sente dor nas costas. Pode não ser constante, mas é 90% da população. Então, todo mundo sente dor. Não é possível que a gente não tenha demanda para encher o serviço. Então, todo mundo conhece, todo mundo sente dor e tem que saber que esse serviço existe. E falar para os amigos, parentes, familiares que existe solução. Sim. Um ponto interessante que eu pensei agora que você disse bastante sobre esses três meses, que é uma margem para a pessoa ter um direcionamento para procurar ou não o especialista nesse sentido. Mas, aqueles três meses, a pessoa precisa sentir sempre, que eu digo assim, por exemplo, quase todos os dias desses três meses aquela dor específica, ou durante os três meses eu posso ficar ali duas, três semanas sem sentir, sinto de novo, e dentro desses três meses tem esses intervalos. Não precisa sentir diariamente, tá? Um exemplo muito prático disso, e aí eu vou conversar com as mulheres, é a dor perimenstrual, né? A desmenorreia. A mulher não sente a dor perimenstrual todos os dias do mês, né? Mas, se há algo cíclico que acontece sempre, e principalmente aqui é o ponto chave, tem um grande impacto na vida da pessoa, ela tem que procurar especialista. Então, por exemplo, aquela mulher que tem a dor perimenstrual, né? Que naquele período ela fica dois, três dias sem conseguir sair de casa, sofrendo de dor, com bolsa de água quente, água quente tomando remédios, etc. Ela tem que procurar especialista. Às vezes não é só o ginecologista que vai tratar, né? Pode ser um caso de endometriose, pode ser um caso de mioma, enfim. Há um diagnóstico, não é? A desmenorreia é um sintoma, há um diagnóstico. O ginecologista é o primeiro profissional a ver? É. É óbvio que sim. Essa é a área dele. Mas é só o ginecologista? Não. O médico da dor, ele vai também orientar em termos de dieta, em termos de atividade física, em termos de medicação, de reabilitação, de fisioterapia. Óbvio que eu não vou prescrever qual é a fisioterapia que o paciente tem que fazer. Aí é a área do fisioterapeuto. Então, eu brinco bastante que o médico da dor, ele é quase como se fosse o geriatra do idoso. Ele não substitui o cardiologista, ele não substitui o endócrino que cuida da diabetes, mas ele faz uma conexão entre as diversas especialidades que aquele paciente precisa e ele adequa a realidade de tratamento, né? E é factível, o que é o ideal, o que é o factível de cada um. E aí a gente organiza para funcionar da melhor maneira possível. Sim. E agora já entrando na parte também de tratamento, você chegou a citar alguns que podem ser utilizados dos clínicos e a gente até tinha conversado antes de começar a gravar sobre os tratamentos de intervencionistas. Até citei essa palavra uma vez aqui relacionada a tireoide, é um outro episódio que a gente falou de tratamentos intervencionistas nesse sentido para quem tem nódulos e tudo mais. Então, eu imagino até 100 mais ou menos o que significa, mas é importante a gente esclarecer para quem está acompanhando, doutor. Esses tratamentos clínicos, na prática, como que eles funcionam, o primeiro que é mais utilizado e para as pessoas entenderem mesmo como que é o dia a dia desse tratamento? Todo tratamento intervencionista é aquele em que o médico deixa de dar só remédio, só fisioterapia e etc. E ele passa a executar algum procedimento no paciente. Isso é intervenção. Os tratamentos intervencionistas em dor são vários. Então, aplicação de toxina botulínica para dor, que é algo que está realmente crescendo bastante, as infiltrações com ácido hialurônico, a medicina regenerativa, a infiltração de aspirados de medula óssea, mas tudo parte de um teste. Como é feito o teste? O teste a gente usa para um diagnóstico, o local preciso da fonte da dor, da fonte do problema, em que a gente pode, por exemplo, fazer um bloqueio teste. Então, a gente entra com uma agulha no lugar onde a gente acha que é a fonte do problema, que pode ser um músculo, pode ser um ligamento, pode ser uma articulação, pode ser um nervo. E aí a gente injeta anestésico local ali. Se a injeção do anestésico local que bloqueia a transmissão da dor naquela estrutura pequena, causa uma melhora de 60, 70% na dor do paciente, a gente tem um bloqueio teste positivo. Então, esse nó que a dor do paciente vem de fato dali. E aí a gente pode fazer, desde bloqueios seriados, que é uma intervenção em dor, com anestésico local, corticóide, enfim, outras substâncias, outros medicamentos, a gente pode fazer a rádiofrequência, que a rádiofrequência consiste numa agulha que vibra com a corrente elétrica, que esquenta o tecido ali em volta e destrói os nervinhos que deflagram aqueles impulsos dolorosos. E aí o paciente deixa de sentir a dor. Pode ser a rádiofrequência pulsada, que ela não chega a destruir o tecido, mas ela deixa o nervo meio bobo, meio sem funcionar direito, por um período variável de tempo, entre três a seis meses. E aí diminui a quantidade de remédios que o paciente toma. Existem outras intervenções chegando até o implante de neuromoduladores. Neuromoduladores é quando a gente implanta um eletrodo, que é ligado em um gerador, que tem um programa que ele fica mandando impulsos elétricos de acordo com um programa específico, e interrompe a linha de transmissão daquele neurônio. E aí os neuromoduladores podem ser implantados em nervos periféricos. Na coluna, na medula ou até mesmo o cérebro. Então existe uma escala evolutiva e esses são alguns dos exemplos de tratamento intervencionista para a dor. E cada paciente é um paciente, não é que o tratamento que funcionou para você vai funcionar para outra pessoa, eles são sempre direcionados, mas existe sim muito tratamento intervencionista, até, por exemplo, para a enxaqueca, com aplicação de botox. É isso que eu perguntei. Em alguns pontos da cabeça e do pescoço que realmente melhoram muito em enxaqueca, às vezes até faz muito sumo. Sim, e isso já é uma outra etapa, não é, Doutor, considerado um outro patamar ali para quando os tratamentos mais simples, os clínicos não deram certo. Correto. Então a gente tem algumas circunstâncias em que o tratamento intervencionista, ele é prescrito de uma forma mais precoce, que são, nos casos de dor, super intensa, nos casos refratários em que a gente já tentou o tratamento clínico, ou então em casos que são muito específicos. Quais casos muito específicos? Um paciente, por exemplo, que tenha um tumor de pâncreas, por exemplo. E aí desenvolve uma dor abdominal crônica, que independente do tratamento ou não do pâncreas, ou seja, entrou com dose de opioides de morfina, com adesivo de fentanyl, enfim, vários tratamentos, mas ele continua com dor, com dor muito forte. E ele tem efeito colateral por conta da medicação. E esses efeitos colaterais, às vezes, eles prejudicam a qualidade de vida do paciente, de uma forma até algumas vezes maior do que a dor em si. Então, você lança a mão desses procedimentos de uma forma mais precoce para diminuir efeito colateral da medicação, dose total de rameados que ele toma, e, de novo, da autonomia e qualidade de vida para o paciente. Sim, e a maioria desses tratamentos intervencionistas é tudo com sedação. A boa parte, tá? Os bloqueios testes normalmente são feitos sem sedação, porque a sedação, ela atrapalha um pouco o julgamento do paciente. Então, quando a gente quer saber se o nosso pensamento clínico diz que o diagnóstico é a dor daquele nervinho, se eu quero fazer um bloqueio daquele nervo para efetivamente confirmar o diagnóstico, eu preciso ter o paciente em pleno juízo. Então, nesses casos, a gente tenta fazer sem sedação. Mas fora isso, os tratamentos intervencionistas, de uma maneira geral, são feitos com sedação para conforto. O paciente não se mexe tanto durante o procedimento. Então, acaba sendo mais preciso, mais rápido, com menos complicação. Tem uma diferença que, inclusive, já é um spoiler que a gente vai dar no próximo episódio, entre sedação e anestesia, de fato, doutor. Tem. Na verdade, anestesia é um conceito. A sedação é um tipo de anestesia. E aí você tem a sedação, a anestesia geral, a ansioles e as anestesias regionais. Então, tudo é anestesia, mas elas são bem diferentes entre si. E o quanto anestesista que está fazendo a sedação ou anestesia precisa intervir no paciente para que ele mantenha ali as funções vitais dele, todos em ordem. Para o tratamento intervencionista dador, costuma precisar de anestesia geral, por exemplo? A anestesia geral são só esses tratamentos muito invasivos, tipo implante de neuromodulador na coluna, implante de neuromodulador cerebral. Aí, sim, aí precisa de anestesia geral. Os outros, no máximo, são sedação. A sedação, a gente vai entrar nesse conceito mais profundo no próximo episódio, mas a sedação, a pessoa não está consciente do que está acontecendo, não tem os movimentos, mas qual que é a diferença na parte mais prática da sedação para a anestesia geral? A sedação, ela tem níveis, então a sedação leve, ansioles e sedação leve, sedação moderada e sedação profunda. E aí o grau de atividade do paciente muda de uma para outra. Mas, essencialmente, o que diferencia a sedação da anestesia geral é a capacidade de manutenção e proteção da viaérea. Então, quando o paciente perde a capacidade de tussir, quando ele perde a capacidade de proteger a viaérea, ou seja, qual o risco dele regurgitar o conteúdo gástrico e aquilo entrar para o pulmão, ou quando ele perde o reflexo respiratório, o drive respiratório, aí é necessário, entrou na seara da anestesia geral. Até lá pode ser uma sedação. E algumas pessoas falam que, quando o paciente precisa de uma máscara laríngea, deixa de ser uma sedação? Não. Não deixa de ser uma sedação. Você só está garantindo perviência às vezes da viaérea. Então, existe uma transição um pouquinho nebulosa entre a sedação profunda e a anestesia geral, mas na sedação, essencialmente, o paciente pode sentir dor, apesar de não se lembrar, de não ter consciência, e o paciente pode se mexer. Ele continua com a capacidade de se mexer. Já a anestesia geral, não. A anestesia geral vai garantir anestesia e mobilidade inconsciência. Isso é o tripé da anestesia geral. Na sedação, apesar de poder sentir dor, a pessoa não está consciente do que está acontecendo, não vai lembrar de nada. Não, em uma sedação moderada profunda, não tem consciência do que está acontecendo. Então, ela não vai se recordar de nada. A sedação, para procedimentos mais dolorosos, invariavelmente requer uma anestesia local, uma anestesia regional, algo que, de fato, tira dor do paciente, porque senão ele vai se mexer. Sim. E tem alguma possibilidade desse tratamento intervencionista de ser, por exemplo, acho que quem já tirou o ciso, já pode ter feito por esse... Eu, por exemplo, fiz com o remédio. Acho que é a nome da marca, não tem problema a gente falar, mas eu tomei do hormoníde para tirar o ciso. Eu não lembro de absolutamente nada. Eu lembro de eu caminhando em direção à sala, de chegar a sentar e alguns flashes do consultório, e eu acordar, parece que eu retomei a consciência, quando eu já tinha tirado os quatro, não senti dor nenhum, foi super tranquilo. Então, no tratamento intervencionista acontece de ser, assim, também um remédio, por exemplo, só? Acontece. Normalmente a gente não faz um remédio só, porque o tratamento intervencionista ele é feito no centro cirúrgico. Então, invariavelmente, tem o médico intervencionista da dor, que está fazendo o procedimento, e um anestesista. Hoje em dia, um médico tem que fazer a acidação. Então, o anestesista não pode, é uma área de atuação médica. Então, no ambiente do centro cirúrgico, a gente usa drogas mais estáveis, e normalmente com uma duração menor, porque a gente consegue tatear melhor. Por exemplo, você foi tirar os quatro cizos, leva um tempo, tirar os quatro cizos. Às vezes, eu vou fazer um bloqueio que leva 10, 15 minutos. Aí, muito menos tempo. Eu não preciso manter o paciente sedado por uma hora. Aí, claro, fica aquele soninho gostoso, depois da acidação, mas ele não está mais sedado. Então, a gente tateia com drogas mais curtas, que a gente mantém em fusão contínuo, por exemplo, para o polfó. E aí, acabou o procedimento, desliga a acidação. Daí, cinco, dez minutos no máximo, o paciente já está acordado e, voltando a comer, andar, enfim. É assim. Isso dá anestesia muito legal. Se entra nesse assunto, a gente vai longe. Então, a gente vai falar mais especificamente no próximo episódio para quem tem curiosidade. E a gente já adianta também, não é, doutor? Que tem sempre aquele que as pessoas, às vezes, têm medo de fazer uma cirurgia, um procedimento, às vezes, que é necessário por medo da anestesia. Eu já vi muita gente falar que tem medo de uma consequência da anestesia, que toma algum remédio controlado, enfim. Eu já perdi as contas de quantas vezes os pacientes falaram para mim, nossa, doutor, mas eu tenho medo da anestesia e não da cirurgia. Eu falo, olha, eu tenho medo da cirurgia e não da anestesia, mas tudo bem. Hoje em dia, a anestesia, ela é a parte mais segura de qualquer procedimento cirúrgico. Qualquer procedimento cirúrgico, desde que observadas todas as circunstâncias que envolvem uma anestesia segura. Então, só dano mais uma espada, percam o medo da anestesia, escolham bem o seu cirurgião. Exatamente. Aí, no próximo, a gente explica quais são os tipos, porque esse assunto é muito interessante, é a vontade de começar a falar. Agora, a doutora do Voltando para o Tratamento Intervencionista, como que funciona a recuperação? A maioria deles é a vida normal para os pacientes? Depende muito de qual é o procedimento realizado, quanto mais invasivo o procedimento, maior o grau de cuidado, mas o objetivo é sempre devolver a vida ou normal, ou mais próxima do normal para o paciente. Então, a gente fala que realizou o procedimento, o Botox, por exemplo, a gente sabe que ele leva ali 10 a 14 dias para entrar no pico de ação do Botox. Então, a gente falou, a partir do pico de ação do Botox, fisioterapia, vida normal, e vamos correr para trás. O tratamento intervencionista dificilmente resolve sozinho. O paciente precisa participar, o fisioterapeuta precisa participar, e a medicação precisa também fazer sua parte. Mas, sim, a maior parte dos procedimentos saiu do consultório, saiu do centro cirúrgico. No dia seguinte, já é para retomar a vida e espera-se uma melhora considerável na dor do paciente e que dê função da autonomia para o paciente. Sim, era essa minha pergunta. A expectativa de resultado, porque todo mundo, claro, está buscando, procurando o resultado. Algumas vezes fica claro para o paciente que é um tratamento temporário que depois precisa fazer uma nutensão daquilo. Isso precisa ser muito bem explicado pelo médico e muito bem entendido pelo paciente. Resulcura e resultado são coisas diferentes. Óbvio, o resultado que a gente sempre busca é a cura. Mas, como eu já disse no começo, a gente não pode garantir que a dor do paciente vai desaparecer para todo sempre. Mas o resultado é uma melhora de pelo menos 60% na dor do paciente, daí para mais, e isso é o que a gente busca. E sim, o resultado é obtido pouco tempo depois do bloqueio associado a todo o resto do tratamento. E agora a gente não pode deixar de perguntar sobre a dor daquele procedimento, disso que a gente está falando. A pessoa já sente uma dor há muito tempo, já tem aquele incômodo. O procedimento intervencionista, costuma ser doloroso para essa pessoa? Não. Há algum grau de incômodo que pode sentir, dependendo do tipo de intervenção. Nas intervenções em que se injeta uma grande quantidade de substância, às vezes pode ficar um pouquinho dolorido, porque, apesar de você ter tratado aquele problema, você botou uns 20 ml de uma solução, então o corpo precisa de um tempo para se acomodar. Mas são ali dois, três dias de uma dor bem diferente e mais leve do que o que o paciente sentia, que normalmente o analgésico comum resolve. A de pirona, por exemplo, resolve e não é uma dor limitante nada do tipo. Mas é a dor de manipulação de procedimento. Ela é autolimitada, normalmente ela é fraca, uma dor pouco intensa e que se resolve em poucos dias. Eu imagino também que comparado com o benefício de ter aquele incômodo que é muito maior de tanto tempo, às vezes as pessoas até suportariam uma dor até maior para melhorar isso. Vários pacientes choram, porque é uma dor que vive há tanto tempo ali que o incômodo do procedimento em si, eles nem sabem. Eles falam, eu sei o que fez, eu senti aqui, tinha uma bola, um incômodo, alguma coisa assim, mas não tem mais a dor que eu senti. Nada paga o alívio. Então um paciente com uma dor no ombro que volta a pentear o cabelo, por exemplo, que estava meses, anos sem levantar o braço. É gratificante, é muito gratificante. Com certeza. É exatamente por isso que entra naquela questão psicológica que a gente falou. Imagina o sofrimento de alguém de ter algo da rotina limitado e achar que não tem volta, que não tem como resolver aquilo e ver aquela situação, uma esperança, uma luz do fim do túnel. Deve ter muita gente que está até animado que está acompanhando. Doutor, a gente tem um quadro aqui no AmatoCache, que é de mitos e verdades. Eu sempre procuro na internet que está sendo mais discutido relacionado a esse assunto, que fica no Trendy Topics do site, então eles fazem uma lista e eu separei alguns mitos e verdades que as pessoas estão mais perguntando. Claro que algumas dessas perguntas a gente já respondeu, mas é bom para a gente deixar claro e responder exatamente que as pessoas vão lá no Google e procuram a frase. Sabe aquele o doutor médico ali do Google? Sei, sei. Perfeito. Então vamos lá primeiro. Para curar a dor crônica, foque no tratamento das dores de forma isolada. Mito. Mito. Total mito. Pode comentar. O tratamento da dor é um tratamento sindrômico. Não existe tratamento isolado. Não existe tratamento da dor com um remédio milagroso. Ou com um remédio só. Então a gente trata a dor com um antidepressivo, anticonvulsivante, analgésico, procedimento. Não existe fisioterapia, psicoterapia. Então a dor nunca vem em uma só. Ela nunca vem em sozinha. Então não existe. É mito total, uma verdade absoluta. Tá bom. Mesmo que a dor crônica seja leve, é importante ser examinada por um médico? Verdade. Difícilmente a dor começa com uma dor forte, lancinante. Isso é bem verdade nas afecções agudas. Então uma dor de cabeça que nunca sentiu antes. Enfim, pode ser um derrame, um AVC e etc. Mas as outras dores crônicas, elas nunca começam, raramente começam de uma forma forte. Ela tem um início insidioso. É algo que doeu uma vez. Aí ficou um tempinho sem doer. Aí voltou a doer. Aí ficou um pouco mais constante. E aí vai aumentando. Então a dor, obviamente que a dor inicial, a gente a dor uma vez, se for uma dor leve, não preciso procurar. Se for uma dor leve, não preciso procurar um médico de imediato. Uma dor leve uma vez. Ok, agora um pouquinho. Espera um pouquinho e vê se ela passa. Toma um analgésico comum e vê como fica. Se ela começou a perpetuar, precisa procurar um médico. Descansar é geralmente a melhor cura para a dor? Aí é uma verdade, mas é um mito. E depende do que chama de descansar. Porque um dos pilares do tratamento da dor é a atividade física. Então você precisa ter atividade física. A nossa cabeça vive cansada no dia de hoje. Então a gente sempre cansa muito a cabeça. E hoje em dia, por conta da vida que a gente leva, a gente cansa muito pouco o corpo. E aí chega em casa louco para descansar a cabeça. Mas a gente precisa cansar o corpo para ter um sono reparador à noite e aí sim descansar corpo e cabeça. Então descansar é um dos tratamentos da dor, mas o descansar é dormir bem. Dormir à noite bem. Ou para quem trabalha à noite, dormir de manhã bem. Mas para isso a gente precisa se cansar, ter atividade física. E quem não faz atividade física vai ter uma liposubstituição do músculo. O que é isso? O músculo vai ser trocado lá no meio dele por gordura. Os vegetarianos me desculpem, mas sabe aquela carne vagil que é bem cheia de gordura no meio? Acontece exatamente aquilo com quem não pratica atividade física. Isso se chama sarcopenia. E sarcopenia dói. Então, às vezes o paciente vive cansado porque ele não tem músculo, então ele tem muita fadiga. Ele descansa, só que ele sente mais dor. Então, tudo é ali um equilíbrio. Então sim descansar ajudando o tratamento da dor, mas se cansar, fazer atividade física, também ajudando o tratamento da dor. Porque ele mito e verdade ao mesmo tempo. Exatamente. O aumento da dor é inevitável à medida que envelhecemos? Mito. O aumento da dor ele é evitável, mas ele é comum. O envelhecimento gera desgaste, o desgaste é gerador, mas como outros médicos já passaram aqui, se você tiver um envelhecimento saudável, hábitos de vida saudáveis, você vai retardar o seu processo de desgaste, você vai ter um envelhecimento mais saudável e com menos dor. Agora, a partir do momento em que você tem dor, a gente consegue tratar essa dor e às vezes bloquear a evolução, às vezes tratar a dor, ou lentificar a evolução, deixando o paciente com a vida mais confortável possível. Certo. Mesmo com um bom tratamento, a dor crônica pode não desaparecer? Verdade. Então, é aquilo que eu disse, a gente, todo a dor tem tratamento, nem todo a dor tem cura. Às vezes a gente consegue mesmo deixar a dor ali praticamente esquecida, de vez em quando a gente consegue curar a dor, mas normalmente o que a gente consegue é um alívio, bastante pronunciado, e que o paciente ganha a função, volta a fazer coisas que ele deixava de fazer antes, por medo da dor, ou pela dor em si, pela intensidade da dor. Se ignorar a dor, uma hora ela passa? Mas não dá nem para justificar, mito, mito. Quer tentar esquecer o problema, é varrepa de baixo do tapete, nunca é uma boa solução. Pode, inclusive, aumentar, né, doutor? Só existe um tipo de dor? Mito, total. Até porque a gente tem dor aguda, dor crônica. Aí você tem os três tipos de dor, a dor nossa receptiva, nossa receptiva, nossa plástica e neuropática. E aí depois que você categoriza, você vai para o diagnóstico etiológico, o que está causando aquela dor, então, total mito. Quanto antes tratar, antes ela passa? Verdade, verdade. Toda dor pode ser tratada com analgésicos e zentos de prescrição? Mito. Eu acho que toda dor ela precisa ter um tratamento prescrito por alguém, mesmo que não seja um remédio. E alguém capacitado para, né? Então, idealmente passar com um médico que vai prescrever um tratamento. Às vezes o tratamento pode ser só a fisioterapia e aí quem vai nortear o tratamento pode ser só a fisioterapeuta, o médico só em caminho ou, às vezes, o tratamento medicamentoso. Aí é 100% aeromédica. Esse daqui é bem legal. Abusar de analgésico ou anti-inflamatória pode piorar o quadro de dor? Verdade, verdade. Então, as pessoas que, por exemplo, sofrem de enxaqueca crônica, normalmente elas incorrem isso, e o abuso usa abusivos de analgésicos, né? E piora a dor. A dor se torna mais frequente por vários mecanismos adaptativos. E, frequentemente, o tratamento da dor causada pelo abuso de analgésicos é bastante difícil, porque envolve a retirada total do remédio que o paciente já está acostumado a tomar e que, para o paciente, melhora a dor dele. Então, fora o fato do paciente voltar a sentir dor, então, ele tem que voltar a sentir dor, para depois parar de sentir dor, você precisa fazer com que ele desapegue de um remédio que faz ele se sentir bem. Então, o tratamento é realmente bastante complicado e os pacientes não devem usar ou ter empenadamente analgésicos por conta própria. É, o antiinflamatório acostuma a ser bem comum, não só para a dor, mas às vezes sente aquele emcompo na garganta, qualquer coisa, eu falo até por conta própria, mas assim, será um alerta para todo mundo, porque a gente vê muito falar do risco de tomar estipos. Antiinflamatório, principalmente, muito além da dor crônica causada pelo uso de analgésicos, o antiinflamatório, ele causa lesão no rim, ele aumenta o risco de ulceragácer, que é um sangramento intestinal, alguns antiinflamatórios aumentam o risco de problemas cardiológicos, então, principalmente antiinflamatório, tem que tomar bastante cuidado. A frequência que é considerada um alerta, seria para quem toma, por exemplo, toda semana, ou não, para quem toma, por exemplo, uma vez cada dois meses já é um alerta também? Por exemplo, não é nem toda semana, mas isso é um paciente que faz uso de antiinflamatório todos os meses, ou a casa dois meses, ele está usando antiinflamatório demais. Antiinflamatório, a gente usa em situações pontuais por períodos curtos de tempo, três, cinco, sete dias, não passa disso, e aí cessa. Ah, mas a dor continua, se a dor continua, vai usar outra coisa que não é o antiinflamatório, porque o antiinflamatório mexe em uma estruturazinha chamada glomérulo, que fica lá no rim, e na artériazinha do glomérulo, e ele vasoconstringe essa artériazinha, o sangue deixa de chegar lá, e ele vai matando o rim por dentro. Então, o antiinflamatório, ele causa insuficiência renal, pacientes que viram os dialíticos por causa de uso de antiinflamatório. Isso é realmente preocupante, fica um alerta. Doutor, foi um papo super esclarecedor, a gente já falou que vai ter um próximo episódio aqui, que também tem um tema bastante interessante, que as pessoas costumam ter curiosidade, dúvida, está planejando uma cirurgia, enfim, vai ser muito legal. Então, eu já vou pedir para você também passar as suas redes sociais, como as pessoas conseguem te procurar, não sei se você tem Instagram, se quiser passar o seu Instagram, ou algum site que as pessoas podem tirar as dúvidas. É, o meu Instagram é www.doutor.canoslemos. Atendo no meu constório no Brooklyn, ou também em uma clínica chamada Increasing, que fica na Vila Mariana, que lá também é muito legal, porque é um centro integrado, que tem fisioterapia, enfim, várias especialidades. E, principalmente, no Instagram, eu sempre solto vídeos, informo a população e médicos também sobre a área de atuação em dor e anestesia, e vai ser um prazer atender a todos. Legal, muito obrigada pela sua participação. Eu quero agradecer. Eu quero agradecer. Foi muito legal, um papo muito proveitoso. Com certeza. Obrigada a você também pela sua participação aqui no AmatoCast. Não deixe de curtir, comentar, compartilhar, que é muito importante para o nosso engajamento. Pode enviar para quem você achar que tem interesse aqui no nosso assunto de hoje, e não deixe de mandar sugestões aqui, tanto para o Dr. Carlos, aqui nos comentários, algum tema que você se interessa pela especialidade dele a gente traz aqui no AmatoCast, ou também qualquer outra sugestão para a gente trazer de novo o nosso especialista. Muito obrigada e até a próxima.

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