# Resumo: Cirurgia no Lipedema — Quando Vai Além da Estética Este episódio do **Lipedema Talks** traz uma entrevista com a Dra. Ana Carolina Nada, cirurgiã plá
Olha, eh, eu sempre tive, acho que uma aptidão para isso, um desejo pela cirurgia, mais do que a medicina em si. a parte cirúrgica sempre foi encantadora para mim e eu não me desviei disso nem desde o primeiro ano de de medicina eu já tinha isso como meta e assim eu não me distanciei.
Eu adoro. Eu tenho como hobby o desenho, a pintura, eh eu tenho realmente a arte muito aflorada em mim. Então a cirurgia plástica, ela é uma união de duas coisas maravilhosas, que é ciência e arte.
Então assim, voltando um pouquinho para poder dizer como é que eu cheguei dentro do mundo do Lipedema, porque eu eu ouso dizer, eu brinco que eu entrei no mundo do Lipedema pela porta dos fundos, porque na verdade eu não entrei para tratar o Lipedema.
Que eu nunca vi falar." Quando eu olhei e atrelado ao nome, eu vi a foto, né, da descrição daquela paciente, eu falei: "Nossa, mas eu já operei muitas pacientes com isso, sem saber". >> [roncando] >> Naquele momento eu parei e fui estudar sobre essa patologia que no Brasil pouco se falava.
Então já é realmente uma técnica muito robusta. E dentro dessa desse caminho todo, eu percebi que eu podia aplicar essa técnica circunferiencial que eu já vinha estabelecendo, pensando num resultado estético, também podia ser aplicada para pacientes de lipedema.
Olá, meu nome é Letícia Miamoto, está no ar mais um episódio do Lipd Matalks e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui com a gente para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. O tema de hoje é casos complexos no Lipedema. Quando a cirurgia vai além da estética. A gente vai responder essa pergunta e também outras relacionadas a esse tema muito interessante. Antes de tudo, eu vou apresentar a nossa convidada especial de hoje, a nossa entrevistada, que é a Dra. Ana Carolina Nada, cirurgia plástica com atuação em contorno corporal e tratamento cirúrgico do Lipedema. Formada em medicina pela Faculdade de Medicina de Itajubá, com especialização em cirurgia plástica. Acompanha há anos a evolução das técnicas cirúrgicas voltadas para pacientes com lipedema, incluindo em casos mais avançados e complexos. Também é idealizadora da técnica de lipo circunferencial para o tratamento de lipedema. Bem-vinda mais uma vez, doutora. Obrigada pela honra de mais uma vez fazer parte desse evento, doutora, antes de tudo, então, queria saber um pouquinho diferente do ano passado que a gente foi direto pro pro tema. Importante a gente entender, né, quem que são vocês, os médicos que estão participando do congresso esse ano. Eh, você sempre quis ser médica, sempre teve essa essa vontade de ser cirurgia plástica, enfim, como que surgiu essa proximidade até com o Lipedema na sua vida? Já tinha um interesse ou foi ali no meio do caminho? Olha, eh, eu sempre tive, acho que uma aptidão para isso, um desejo pela cirurgia, mais do que a medicina em si. a parte cirúrgica sempre foi encantadora para mim e eu não me desviei disso nem desde o primeiro ano de de medicina eu já tinha isso como meta e assim eu não me distanciei. Depois que eu finalizei a minha formação em cirurgia geral, eu precisava escolher qual seria a minha especialização. E foi com o alento dos meus chefes da época, que viam em mim uma parte artística muito exuberante e que eu daria muito certo dentro dessa área da cirurgia plástica. E hoje eu não me vejo fazendo outra coisa, né? Eu adoro. Eu tenho como hobby o desenho, a pintura, eh eu tenho realmente a arte muito aflorada em mim. Então a cirurgia plástica, ela é uma união de duas coisas maravilhosas, que é ciência e arte. E aí dentro disso eu ainda descobri uma coisa que a que me fascinou ainda mais quando eu tive contato com lipema, vou contar para você mais ou menos como que isso aconteceu, eu pude ver a oportunidade de acrescentar mais uma mais uma variável dentro dessa lógica que a cirurgia do lipedema, ela une a cirurgia plástica, que já é arte e ciência com propósito, porque a gente ainda tem a chance de mudar de fato a vida dessa paciente. Então, a união disso tudo para mim é uma coisa que me tomou e que hoje 90% e com certeza da minha prática médica é voltada pro tratamento cirúrgico do Lipedema. >> Legal. E na abertura eu até falei um termo diferente aqui que nos bastidores estava sendo um travalínguas para mim. Como que funciona essa essa técnica que você é idealizador inclusive, né, >> ali pro circunferencial? Então assim, voltando um pouquinho para poder dizer como é que eu cheguei dentro do mundo do Lipedema, porque eu eu ouso dizer, eu brinco que eu entrei no mundo do Lipedema pela porta dos fundos, porque na verdade eu não entrei para tratar o Lipedema. Eu desde o começo da minha da minha prática cirúrgica em cirurgia plástica estética, eu tive uma predileção pela escultura dos copos grandes. Em algum momento ali da minha vida, eu operei algumas modelos muito importantes do mundo plusis. era um momento onde estava tendo assim eh eh o avanço muito grande desse movimento e eu fiquei muito conhecida dentro daquele meio e fui estabelecendo um protocolo para poder tratar aquelas mulheres grandes que nenhum cirurgião plástico queria colocar na mesa com critério e com segurança. Então, enquanto eu tava ali trabalhando com elas de uma maneira e conseguindo resultados muito bonitos, esteticamente falando, naqueles copos mais volumosos, eu me deparei com o nome Lipedema e eu levei um susto que eu falei: "Que doença é essa? Que eu nunca vi falar." Quando eu olhei e atrelado ao nome, eu vi a foto, né, da descrição daquela paciente, eu falei: "Nossa, mas eu já operei muitas pacientes com isso, sem saber". >> [roncando] >> Naquele momento eu parei e fui estudar sobre essa patologia que no Brasil pouco se falava. Eu fui para fora, fui pros pro para pro para um congresso que é eh um dos pioneiros que tratam esse esse assunto, aonde eu conheci o Amato, porque eram os dois únicos brasileiros eh dentro desse evento, era ele e eu, que é o o Fat Disorders Research. E desde aquele momento ali eu venho estudando, foi quando eu me deparei com o que é o lipedema, a dor da paciente do lipedema e a possibilidade de aplicar aquele protocolo que conseguia trazer beleza para aqueles corpos fora do padrão, que eu conseguia ver beleza fora daquele padrão imposto pela sociedade e ainda possível tratar uma patologia e melhorar a qualidade de vida, uma vez que tirando aquela gordura que a minha intenção era esculpista, esteticamente eu ainda também tava tirando uma gordura patológica e trazendo benefício sintomático de melhora de sintoma para essa paciente. Então, nesse nesse momento, eu me apaixonei pelo tema e aí eu caí de cabeça. Isso eh coincidiu com o boom do lipema no Brasil, né? Então, quer dizer, eu já tava trabalhando, eu já tinha ali uma experiência retrógrada muito grande, um followup de 15, eu tenho hoje um followup de resultados de cirúrgicos de paciente de 17 anos, né? Então já é realmente uma técnica muito robusta. E dentro dessa desse caminho todo, eu percebi que eu podia aplicar essa técnica circunferiencial que eu já vinha estabelecendo, pensando num resultado estético, também podia ser aplicada para pacientes de lipedema. Então essa técnica circunferencial, o que que é? é a visão do tratamento do membro de maneira 360, circunferencial, porque historicamente, tradicionalmente existe, existe até hoje, né, a gente tá tentando mudar esse estigma que a formação eh a formação tradicional do cirurgião plástico não inclui os membros, né? A gente vê durante a formação do residente de cirurgia plástica, a gente vê muito pouco sobre membros, né? Os braços e as pernas eles são esquecidos. A gente a gente tem dentro dos braços a braqueioplastia tradicional, que é aquela cirurgia com aquela cicatriz horrorosa, né, que ela é um desgosto pro cirurgião e para paciente. Então ninguém gosta, não gosta quem faz, não gosta quem recebe. Então que os cirurgiães plásticos não tm prazer em realizar, porque os resultados são muito muito pequenos, muito ruins. e as pernas que cabia ali ao cirurgião plástico, é tradicionalmente formado, o tratamento dos culotes, né, um pouco da face interna de coxa, mas a a parte de baixo que a gente entende do joelho para baixo e antebraço eram áreas não navegadas, né, que até hoje grande parte dos cirurgiões plásticos, mesmos os cirurgiões plásticos de mais eh eh de cabelo branco na cabeça e muito talentosa, ainda tem um receio muito grande de navegar por essas partes. Quando você fala do tratamento do lipedema, você não consegue beneficiar paciente se você excluir essas áreas, né? O lipedema, ele tem por premissa uma patologia que vai ter um depósito de gordura anormal e disforme e que inclui justamente essas áreas onde normalmente a gente não vê gordura, incluindo antebraço e incluindo a parte abaixo do joelho, que são as pernas. Então, o cirurgião que não tá habilitado a navegar com conforto, segurança e técnica nessas áreas, entende-se que por mais que ele consiga realizar bons resultados em culotes, faça interna ou braço, ele não vai eh eh atuar intensamente e ajudar de fato a paciente com lipidema. Respondi. >> Sim, sim, respondeu. >> Ainda mais, né? Ampliei. É legal. E doutora, como que a cirurgia passa a ser de fato uma necessidade, digamos assim, funcional? mesmo e e sai daquela parte estética. A gente sabe que a maioria são mulheres, né, que tem tem lipedema, foram diagnosticadas com lipedema, mas que a preocupação sempre inicial costuma ser estética. Quando que e assim, quando é algo só estético, vou mudar minha pergunta. Quando é algo só estético, ainda dá para fazer a cirurgia? >> Eu vou eu vou mudar um pouquinho a resposta. Quer ver? Ó, a pergunta interessante seria quando indicar a cirurgia, ou seja, indicar a cirurgia no momento tão anterior que ela ainda não tem os sintomas e as complicações do lipedema, mas a gente já percebe que existe ali uma um começo de uma disformia ou contraindicar quando os casos já são muito avançados. >> Isso também, >> né? Então assim, existe indicação pras duas pontas. Existe o momento ideal de se indicar a cirurgia. E para mim, o momento ideal de indicar a cirurgia é quando você pega uma paciente que já se conscientizou da patologia que ela tem. Isso é fundamental. Por quê? Porque o lipedema não se cura com a cânula. Então, se ela acreditar simplesmente nisso, a gente pede uma grande janela do que aquela paciente tem entendido que ela é portadora de uma patologia, que é uma patologia que ainda não tem cura e que cabe a ela evitar a progressão da doença. Então, quando você pega uma paciente que já entendeu que tem aquela patologia e a gente já consegue evidenciar nela a alteração do formato, essa é a paciente ideal para ser operada, né? O momento ideal. Não contraindico os outros, mas é o momento ideal. Por quê? Porque você já vai tá agindo inclusive profilaticamente. Quando você retira a gordura daquela região, é muito difícil que aquela gordura que você retirou retorne. Isso é um dogma de Isso é um é um é um é uma fala muito controversa dentro da cirurgia plástica, mas a gente sabe que a gordura que a gente tira ela não volta. A maior resposta para isso é que se a gente fizer um defeito como a lipa aspiração, não adianta você engordar, o defeito vai para sempre ficar lá. aquilo que retirou não volta. As células adjacentes continuam proliferando, continuam crescendo. Então, cabe a paciente do lipedema. Uma vez que a gente corrige o formato, a gente vai tirar aquelas células desforme de lá, mas outras vão restar, inclusive células delipedema. Cabe a ela fazer o controle não cirúrgico, que é o controle convencional, com a dieta, com a atividade física, estilo de vida, para que as outras células não se proliferem, tá? Então esse operar essa paciente nesse momento, ele tem ainda uma conotação estética, porque ela ainda não chegou no momento grave do sintoma, mas a gente tá tratando estético e funcionalmente, profilaticamente. A gente tá antecipando o problema funcional que a presença daquela gordura ali iria causar. Se a gente caminhar no tempo dessa paciente que não operou nesse momento aqui, protelou e depois vieram outros gatilhos de estilo de vida na vida dela, como eh a fase hormonal, a gestação ou um distúrbio psicológico aonde ela ganhou muito peso e ela tiver uma piora do quadro de lipedema dela, operar essa paciente, primeiro a gente precisa tirá-la do momento inflamatório intenso. Então, a gente precisa tratar funcionalmente essa paciente, trazê-la para um momento fisiológico melhor e operá-la. Aqui a gente vai tá tratando também as duas coisas. A gente vai tá tratando esteticamente o que o tempo danificou, né, que a progressão da doença danificou e os resultados estéticos são lindíssimos, tanto para braço quanto paraa perna e ainda profilamente impedindo a progressão exagerada daquela doença que ela já viu que que existe, que acontece. Mas tem também as pacientes que já estão nessa ponta que foi o diagnóstico tardio, que é o mais cruel ainda, né? Que aquela paciente que durante uma vida inteira brigou com aquele corpo porque é um corpo que não te obedece, né? Enquanto você não entende de fato que você é portadora de uma doença. Eu tenho pacientes que são atletas de alta performance. Se você eh se você relatar a a a dinâmica dela de uma semana, você faz um desenho de uma pessoa na na sua cabeça que é uma deusa maravilhosa, né? E aí quando você vê o corpo, você fala: "Não, não é possível". Então essa esse descompasso entre o estilo de vida que se tenta levar e o corpo que se tem no lipidema é muito cruel, né? Então é paciente são pacientes que fazem, por exemplo, 7 dias de academia, que se alimentam, não colocam uma coisa no prato sem pensar duas vezes, que estabelecem uma relação até patológica com a alimentação. E quando você olha o corpo, aquele corpo você fala: "Não, essa paciente assiste televisão com uma pipoca o dia inteiro". Essa paciente que demorou muito para fazer o diagnóstico, ela carregou durante a vida inteira silenciosamente uma dor muito grande, que é o a dor do julgamento alheio. Aí você, olha, você é tão bonita, por que que você não se cuida? você tinha que fazer uma dieta e a pessoa tá lá se matando, não tem mais o que ela que ela possa fazer. Essa paciente é uma paciente que precisa ser indicada a cirurgia para ela, porque coloque em risco ela falar assim: "Quer saber? Eu vou mais é comer, nada que eu faço funciona. E aí nesse momento ela pode realmente colocar o corpo dela numa ladeira abaixo para piora muito grande. Então a gente precisa, a cirurgia tem ali nesse momento questão estética fundamental que é de devolver para ela autoestima para que ela continue ali interessada e engajada na no tratamento conservador e entregar para ela o corpo que toda mulher merece ter, porque ela quer ser bonita. e as pacientes mais avançadas, que são os casos complexos, que são os casos que eu vou trazer aqui eh na aula amanhã, porque eu tenho visto que os casos muito complexos eles são casos cirurgicamente difíceis e me incomoda muito a normalização do mau resultado porque o caso é complexo. E a minha aula fala sobre isso. A gente não pode normalizar o mau resultado. Ah, mas é porque era muito difícil. Não são pacientes que você tem que ser sincera com ela, que o tratamento dela vai necessitar de passos distintos, não vai, a gente não vai resolver em um evento cirúrgico só, mas que a nossa a nossa meta é entregar para ela, sim, um braço bonito, né, e não melhorado. Então, a nossa meta é essa. E o que eu venho estabelecendo com o protocolo que eu venho aplicando é conseguir resultados realmente muito bonitos, né? a gente vai lapidar a expectativa daquela paciente, a gente vai ajudá-la por todas as frentes, né? A gente vai ajudar no tratamento conservador, na orientação da dieta, no entendimento de que se precisam passos e, principalmente ajudar os profissionais de agora a entenderem qual é o passo a passo correto para se conseguir o melhor resultado nos casos muito complexos. >> Uhum. E doutor, agora a gente já entrou nessa questão dos casos complexos, então vou pedir para que você explique o que o que caracteriza um caso complexo, né? O que que é na prática um caso complexo? Já falando do tratamento do lipedema, falando, vou falar cirurgicamente, né? O que que eu considero o caso complexo cirurgicamente? são aqueles casos mais evoluídos, mais avançados, que na maioria das vezes a gente tem uma paciente que durante uma grande parte da vida perdeu essa luta do lipema e acabou trazendo junto uma segunda patologia que é a obesidade. Então, que acaba complicando eh esteticamente, visualmente o caso, porque são volumosos e na maioria das vezes a gente tem o binômio para poder tratar. Que que é o binômio? O binômio a gente tem o grande volume deforme e em quantidade muito grande e a pele. A grande o grande erro, no meu ponto de vista, foi durante a maior parte do tempo tentar resolver com uma cirurgia só, uma cirurgia que que que tratasse tanto volume quanto excesso de pele. O que eu percebo e é o que eu vou trazer é que nessas pacientes a gente tem um índice muito menor de complicação e muito maior de bons resultados quando a gente dissocia os tratamentos. Primeiro a gente lida com volume. Isso é um uma é complicado pro cío geoplástico, porque à medida que você reduz o volume daqueles braços e pernas muito grandes, você vai precisar lidar com aquela pele redundante até que chegue o momento de você tirar a pele. Dá uma vontade muito grande de já tirar de uma vez, mas a gente entende hoje que a a o índice de complicação é muito grande quando a gente tenta fazer a reção, no mesmo tempo onde você lida com volume. Então a paciente tem que est preparada porque ela tem que o tempo todo lembrar que o resultado dessa cirurgia não é meu resultado final, ele é parte do processo, ele é parte do processo, porque ao final daquela cirurgia ela vai ter um um braço diminuído, mas com uma pele redundante. Essa pele vai se acomodar. Até a segunda cirurgia, a gente vai tratar de melhorar a acomodação da pele e vai agir com de maneira correta para poder diminuir essa pele redundante, para que essa segunda cirurgia seja mais facilmente executável. Quando a gente consegue esse caminhar, a gente tem aqui na frente uma cirurgia que já não é mais o braço complexo, ele já é um braço pra gente poder tirar a pele, que é a braqueoplastia, que é uma cirurgia que a grande maioria dos meus colegas tá super acostumada a fazer, porque faz parte da formação tradicional do cirurgião plástico, facilmente executável. Então a dificuldade estava entender o braço do lipedema aqui, que tem a junção dessas duas coisas e tentar jogar ela para cá para ser tratada só com a bracoplastia não funciona. A paciente de lipedema precisa primeiro ser tratado volume. Então a gente vai lidar com o volume através de uma grande lipoaspiração. E essa lipoaspiração, pelo tamanho que ela é, tem as os cuidados óbvios de lidar com uma paciente ali tão grande. Grande parte do segredo tá no no between, né, entre essas duas cirurgias. Como que você vai lidar com a pele redundante? Como que você vai guiar a pele pro local correto, como que você vai lidar com a com a ansiedade da paciente do próprio cirurgião ao longo desse processo. E depois a cirurgia que vai ser realizada retirada de pele é uma cirurgia bem mais simples, que tem um resultado muito bom e um um uma restabelecimento muito, só tem uma cicatriz para poder tratar. E aí a cicatriz vale, porque aí são grandes, mas são grandes em braços bonitos, diferente de uma cicatriz grande num braço que continua grande, que era o que a gente via, que é o que eu comecei a falar, normalização do mau resultado, porque era complexo. >> Uhum. Doutora, e no seu consultório dá para ver assim a diferença, imagina a autoestima, né, dessas pacientes e depois que passa todo esse processo, até ao longo do processo mesmo, daquela esperança da melhora, de ver ali os pontos sendo melhorados, de como um todo mesmo a vida daquela paciente sendo transformada. Eu acho que esse é o diferencial pra gente perguntar para você como cirurgia plástica, porque com por conta dessa especialidade, né, ligada a pacientes com lipema, tudo acaba sendo diferente. A gente tem a visão da cirurgia plástica a algo puramente estético, né, que eh acho que para quem não é médico que tá acompanhando a gente, assim que pensa em cirurgia plástica, já vem algo realmente 100% estético na cabeça, né? Aí é difícil a gente enxergar por esse lado que é da cirurgia plástica ligada ao lipedema, como é o seu caso. >> Mas você sabe que eu não consigo dissociar e nem quero. Eu acho que assim, peca o colega que pensa na cirurgia do lipedema simplesmente como reparador e funcional, porque é elas seguem sendo mulheres e elas seguem tendo direito de ficar bonita. Eu acho que e a assim o foco eh o topo da escada onde a gente o limite da onde a gente quer atingir tem que ser entregar para ela um corpo mais bonito que ela já teve na vida. O caminho que leva até lá é que é mais longo paraa paciente do liperema e que o cirurgião plástico tem que entender que é mais complexo de se atingir. Mas eu ainda não consigo desconectar. Eu eu ouso dizer que me preocupo mais com o que eu deixo do que com o que eu tiro e jogo fora. E quando a gente pensa numa cirurgia 100% reparadora, o que te importa é o quanto você conseguiu tirar. Para mim não interessa o quanto eu consegui tirar. Me interessa o que eu consegui deixar, como eu consegui deixar, como ficou esse resultado final. O meu foco é entregar para ela realmente beleza. Agora essa beleza conquistada vai ser as custas do quê? ainda de um benefício maior, que foi retirando de fato uma gordura doente, melhorando eh autonomia, melhorando. Eu tenho uma paciente que tinha um braço tão grande, eh, o caso dela vai est na aula, e ela me dizia o seguinte: "Doutora, quando eu caminho, eu tenho a sensação que eu tô levando dois baldes de água no meu braço, porque aquela gordura era pendular de tão grande. Então, a hora que ela parava, o braço ainda pendulava. Então, ela vivia o tempo todo com essa sensação pendular no corpo dela. Você imagina? Eu tirei 7 L. O benefício dela para fazer a rotina normal dela de levantar o braço para poder pegar alguma coisa no armário para secar o cabelo. Nós estamos com cabelo seco aqui para você poder fazer uma escova carregando um balde em cada cheio d'água em cada braço. Então hoje ela tem um braço lindo. Ela tá feliz da vida porque ela se vê mais bonita, mas ela também tá livre daquele desconforto inimaginável. Então é associação das duas coisas. Não consigo dissociar. É uma cirurgia de caráter repador, é, é uma cirurgia que atua no funcional, é, mas é uma cirurgia que a gente tem que ter foco e não esquecer que aquelas pacientes querem ser bonitas. E muita gente pensa em lipema também só nas pernas, né? E aí acaba trazendo esse seu lado eh dos braços, acaba sendo muito interessante. Os casos complexos acabam ficando mais ligados aos braços ou também incluem pode ser só na perna do >> Não, a complexidade acontece nos dois, né? Porque o lipedema ele dá a possibilidade de uma disformia muito grande, né? E essas disformias apresentam pro cirurgião plástico eh soluções muito complexas, né? Então, precisa se dissociar, tratar em partes, em múltiplas eh eventos cirúrgicos, tanto em braço quanto em perna. >> Tá bom? E pra gente finalizar, doutora, qual que é o primeiro passo para quem tá acompanhando a gente? eh passa por essa situação ou conhece alguém que que está passando, né? Enfim, eh qual que é o seu conselho para começar a pensar numa cirurgia plástica nesse sentido que a gente conversou agora? >> Eu acho que a informação é o segredo do sucesso, né? Lembra que eu comecei falando que a paciente com a indicação primordial paraa cirurgia tem que ser aquela que já entendeu que ela é portadora de uma patologia, né? Até para as pacientes que chegam no consultório com grau um de lipedema ou a gente hoje em dia tem o grau zero. O grau zero é quem? É a filha da mãe que tem lipedema e que é e não desenvolveu nela. Mas quando a gente olha o corpinho, a gente já consegue ver que tem ali mesmo para essas pacientes aonde a cirurgia vai ter uma conotação estética, a gente, eu já sento, já explico, já antecipo para ela. Não adianta você esquecer, você é portadora de uma patologia e para sempre na sua vida você vai ter que caminhar com essas restrições, né, que é a dieta adequada, atividade física, estilo de vida, aquilo tudo. Então eu acho que o passo inicial é informação. existem associações, porque a gente ainda sabe que eh vocês precisam se organizar como as pacientes em si para lutar pelos direitos de vocês, né, durantequilo que que pertence do tratamento de saúde em si. Eu acho que vocês precisam entender que, eh, junto com a grande informação que vem dentro da internet, a desinformação vem na mesma velocidade, no mesmo volume. Tomar muito cuidado com tudo que vocês veem, porque o lipedema, como tudo na vida, né, que que acontece um boom, torna-se um nicho de mercado. E para isso vocês precisam aumentar o seu crio de o critério de de avaliação muito grande, né? para não se ver de repente envolvida em curas milagrosas e tratamentos mágicos, porque infelizmente isso ainda não existe. Então, informação é o que te distancia do erro, te coloca mais perto da realidade e o que vai te proporcionar com certeza de melhores resultados, seja pro tratamento conservador, seja pro tratamento cirúrgico, seja para uma paciente que tá começando agora, né, para não desenvolver casos complexos e entender que até pros casos complexos ainda existe luz no fim do túnel e buscar para poder entender se seu caso é operável ou não. Perfeito, doutora. Muito obrigada. Vou deixar esse espaço. Se quiser passar algum site, rede social para quem tá acompanhando, se quiser te encontrar, como é que faz? Eu tenho eh o meu Instagram, onde eu coloco uma informação muito grande, ali, é mais voltado realmente para para membros superiores. Eh, então, quem quiser me acompanhar por lá, vai ser um prazer. Eu falo bastante com vocês. As minhas pacientes são super ativas, adoram eh aparecer por lá também. Eu vou colocar o Vai aparecer aí. É, a gente vai colocar então no link que aí quem quiser já direciona direto pra sua página. >> Muito bom. Tá bom. Obrigada, doutora. Parabéns pelo trabalho. Obrigada a você que acompanhou aqui até o final. Não deixe de assistir os nossos próximos episódios, de curtir, compartilhar e comentar, que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas. Muito obrigada [limpando a garganta] e até a próxima. Tchau.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.