A embolia pulmonar aguda é uma doença grave, frequentemente fatal, que ocorre quando um trombo formado nas veias (geralmente dos membros inferiores) se desprend
Então, a embolia pulmonar normalmente é desencadeada após uma trombose venosa. A pessoa tem uma trombose venosa, normalmente em membros inferiores, e aí esse trombo se desprende e vai entupir, como se fosse uma rolha, uma artéria pulmonar.
Significa basicamente que se o sangue fica parado muito tempo num vaso, ele tem a propensão de coagular mais. Mas também significa que se você tem uma lesão endotelial, ou seja, uma lesão, um trauma nessa parede do vaso, ele também vai acabar desencadeando a cascata da coagulação e formando um trombo.
Vai acontecer em cirurgias muito grandes, cirurgias de joelho, quadril, cirurgias que vão causar uma imobilidade prolongada, câncer, ou cirurgia para o câncer, ou a própria quimioterapia, que é o tratamento para o câncer.
Simples, porque quando ele vem negativo, a mensagem é essa, fica tranquilo que trombose não é. Então, quando ele vem negativo, ele é um exame muito útil para descartar uma doença grave e falar, olha, você não tem uma doença grave, segue sua vida.
Tem a profilaxia medicamentosa, que é o uso de drogas, de medicamentos que vão afinar o sangue, que vão diminuir a coagulabilidade, vão diminuir a propensão de formar coágulos e tem a profilaxia não medicamentosa.
Olá, sou o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular do Instituto Amato, e hoje vou falar sobre a embolia pulmonar, que é uma doença gravíssima. O que a gente pode fazer para prevenir? Então, a embolia pulmonar normalmente é desencadeada após uma trombose venosa. A pessoa tem uma trombose venosa, normalmente em membros inferiores, e aí esse trombo se desprende e vai entupir, como se fosse uma rolha, uma artéria pulmonar.
E essa artéria pulmonar é responsável por levar o sangue, que vai fazer a troca de oxigênio. A gente fica sem a troca de oxigênio nessa área do pulmão, ocorrendo aí a embolia pulmonar, e dependendo do tamanho dessa embolia pulmonar, pode levar ao óbito. Leva muito frequentemente ao óbito.
Então, a conversa de hoje é como evitar essa embolia pulmonar, resumindo, como evitar uma morte por um mal súbito, que é perfeitamente evitável. Então, para entender a embolia pulmonar, a gente tem que entender por que a trombose se forma. Então, existem três fatores principais que foram descritos por Virchow há muito tempo atrás.
Em primeiro lugar, a estase sanguínea. Em segundo lugar, a lesão endotelial. Em terceiro lugar, a alteração da crase sanguínea, ou seja, uma trombofilia.
O que isso significa? Significa basicamente que se o sangue fica parado muito tempo num vaso, ele tem a propensão de coagular mais. Mas também significa que se você tem uma lesão endotelial, ou seja, uma lesão, um trauma nessa parede do vaso, ele também vai acabar desencadeando a cascata da coagulação e formando um trombo. Mas também significa que quem tem uma doença do sangue, quem tem uma trombofilia, que eu já falei aqui em vídeo, que aumenta a probabilidade de ocorrer uma trombose, também fica mais sujeito à formação de trombo e, consequentemente, de uma embolia.
Então, sabendo disso, a gente consegue rastrear as principais causas de embolia. E se a gente sabe quais são as principais causas, os principais fatores de risco, a gente consegue identificar as pessoas que têm um risco elevado e tratar ou fazer a profilaxia para evitar que isso aconteça. Então, isso vai acontecer aonde? Vai acontecer em cirurgias muito grandes, cirurgias de joelho, quadril, cirurgias que vão causar uma imobilidade prolongada, câncer, ou cirurgia para o câncer, ou a própria quimioterapia, que é o tratamento para o câncer.
Tudo isso aumenta a probabilidade de ter uma trombose venosa. Então, as pessoas que estão numa situação dessa têm que ficar atentas a isso. As trombofilias, que são o aumento dessa probabilidade de ter uma coagulação maior.
Trombofilia tem várias doenças que entram aí, desde uma que é muito frequente, que é o fator 5 de Leiden, 5% da população tem uma forma mais branda dessa doença. Mas existem várias outras, como a proteína C, S e muitas outras trombofilias. Mas quando a gente fala de trombofilia, a gente está falando do aumento de probabilidade de trombose.
Então, a gente pode rastrear até grupos de pessoas que têm um aumento dessa probabilidade. Eu posso falar de macrogrupos, grupos maiores. Mulheres estão sujeitas a ter uma trombose mais frequentemente do que homens.
Para aqueles que têm um grupo sanguíneo tipo A, também tem um aumento de risco de trombose. Esse aumento é pequenininho, mas ele existe. A idade avançada, à medida que a gente vai ganhando, o nosso RG vai ficando baixo, vai ganhando anos de vida, aumenta o risco de trombose.
Uma gestação, a gravidez, a gravidez comprime a veia cava, tem um monte de hormônios circulando no sangue, tudo isso aumenta a probabilidade de uma trombose. O pós-parto também tem esse risco. A obesidade, a gente não consegue dizer muito bem se é a própria obesidade ou se é a imobilidade associada à obesidade, mas ela pode aumentar o risco de trombose.
Um trauma. Então, normalmente, os politraumas, alguém que sofreu um acidente de carro ou algum acidente grave, vai ter um risco maior do que um acidente pequenininho, lógico. Porque aí você começa a associar fatores.
Então, o trauma é muito grande, vai ter um período de imobilidade e esse período de imobilidade aumenta a estase. O uso de catéteres centrais, essas punções de veia muito profunda, isso pode aumentar o risco de trombose. E até mesmo o fato de ter varizes, veias varicosas nas pernas.
Mas aí eu não tô falando daquelas varizes estéticas pequenininhas, não. Eu tô falando de varizes descompensadas, varizes grandes, uma insuficiência venosa significativa. E isso pode, sim, aumentar o risco de uma trombose venosa.
Então, se você fez uma cirurgia ou está em vias de fazer uma cirurgia, saiba que o pós-operatório imediato é um momento crítico, que você tem que ficar bem atento aos sinais e sintomas de uma embolia pulmonar. Que são? Então, a falta de ar, uma dispineia, uma falta de ar súbita, uma dor no torácica, que pode ser aguda ou subaguda, ou seja, você pode ter abruptamente essa dor, ou pode ter uma dor meio arrastada por algumas horas. A hemoptise, que seria o escarro com sangue, também pode estar presente.
Existem alguns outros sintomas que podem ou não estar presentes, como uma febre, uma tosse, essa tosse pode até ser seca, uma palpitação, uma taquicardia, tudo isso pode estar relacionado a uma embolia. Então, se você tiver qualquer um desses sintomas, é bom você ir no hospital rápido, no pronto-socorro, embolia pulmonar, a gente trata no pronto-socorro. Se ela é identificada cedo, a gente consegue fazer o tratamento.
Agora vou falar do dedímero, que é um exame que a gente faz para ajudar no diagnóstico da trombose. Eu acho que vale a pena a gente conversar um pouquinho sobre o dedímero, porque depois da história do Covid, eles estão pedindo dedímero para tudo e eu estou recebendo pacientes que estão tratando o dedímero alto. A gente não trata exame, a gente tem que tratar o paciente e o dedímero tem uma característica muito peculiar.
Ele não é um exame que, quando deu positivo, quando ele está alto, ele não fala deu trombose. Quando ele está alto, ele fala mais ou menos o seguinte, trombose é um possível diagnóstico, dentre vários outros. Entre eles, um trauma, um problema, mesmo inflamação.
E o Covid é uma doença inflamatória. Então, o aumentar do dedímero não significa que você tem trombose ou que você tem embolia pulmonar. E aí, se a gente está falando de uma doença respiratória, como o Covid, e a pessoa vai estar com falta de ar e a gente vê um dedímero positivo, a falta de ar e o dedímero positivo não é o suficiente para a gente falar que tem uma embolia pulmonar ou que tem uma trombose.
O dedímero positivo significa, simplesmente, olha, pode ter uma trombose, mas eu não sei o que que é, investiga mais um pouco. Aí você pode estar perguntando, mas por que que a gente pede um exame desse que não dá um diagnóstico preciso? Simples, porque quando ele vem negativo, a mensagem é essa, fica tranquilo que trombose não é. Então, quando ele vem negativo, ele é um exame muito útil para descartar uma doença grave e falar, olha, você não tem uma doença grave, segue sua vida. Agora, quando ele vem positivo, ele não é o suficiente para dar o diagnóstico de uma trombose ou de uma embolia pulmonar.
Isso tem que ficar muito claro. Eu já recebi um monte de paciente aqui, desesperado, acompanhando um dedímero alto por semanas, meses depois de uma trombose, achando que tem alguma doença, mas, na verdade, pode ser, simplesmente, o processo inflamatório decorrente da síndrome pós-covid. Agora, sabendo que você está dentro de um grupo de risco, a gente tem que aumentar as medidas profiláticas.
A gente tem que fazer mais coisa para evitar que ocorra essa trombose, que essa rolha entupa o seu pulmão. E o que a gente pode fazer? Tem a profilaxia medicamentosa, que é o uso de drogas, de medicamentos que vão afinar o sangue, que vão diminuir a coagulabilidade, vão diminuir a propensão de formar coágulos e tem a profilaxia não medicamentosa. A profilaxia medicamentosa vai ficar na mão do médico, ele vai ter que prescrever para você, se for necessário.
Aqui, no nosso hospital dia, a gente tem um protocolo de avaliação de trombose venosa e de embolia pulmonar. Então, todos os pacientes que entram vão preencher esses critérios aqui, a gente vai ver quem vai precisar e quem não vai precisar da profilaxia. Esse é um método para a gente evitar uma embolia pulmonar, aumentando o nível de profilaxia para aqueles pacientes que têm um risco mais alto.
Esse é um método para aumentar a segurança do paciente que vai sofrer uma cirurgia. Mas a gente tem a profilaxia não medicamentosa também. O que que é isso? É a deambulação precoce, é voltar a se movimentar mais cedo, é elevar os pés da cama para melhorar o retorno venoso, é tomar bastante líquido, se hidratar bem, tomar bastante água mesmo para ficar com o sangue mais líquido, mais fluido.
Isso diminui a viscosidade sanguínea, isso também diminui a propensão a formar coágulos. Em alguns casos, pode ser necessário a elastocompressão, então a gente vai colocar a meia elástica para melhorar esse retorno venoso. Em alguns casos que a gente identifica que tem um risco maior ainda, pode ser necessário a bomba de compressão pneumática, que fica comprimindo a perna e bombeando esse sangue de volta para circulação.
Agora, se você já tem o diagnóstico de embolia pulmonar, ou se foi feito o diagnóstico de embolia pulmonar, a gente vai ter que tratar. A embolia pulmonar é uma doença grave, mas se a gente identifica cedo e trata cedo, a gente consegue evitar a complicação catastrófica. Essa complicação a gente evita então com o tratamento medicamentoso, seriam os anticoagulantes.
Existe o tratamento cirúrgico para alguns casos específicos em que essa rolha é muito grande, a gente precisa dissolver ou tirar essa rolha do pulmão. Então a gente vai entrar com um catéter lá dentro e dissolver essa essa rolha, ou com medicamento que faz ela se dissolver, ou mesmo de uma forma mecânica, como se fosse um rotorúter, ele vai arrancando e tirando essa essa rolha. Mas isso só pode ser feito em alguns hospitais, em alguns casos mais graves, não é para ser feito para todo mundo.
Tudo isso depende do tamanho dessa dessa rolha e do grau de complicação respiratória que está levando. Muitas vezes é necessário a internação, o paciente tem que ficar em observação médica, embora se for casos mais leves é possível fazer o tratamento em casa também. E em alguns casos em que ocorre essa embolia recorrente, pode ser necessário a colocação de um filtro de veia cava, que é um dispositivo que a coloca cirurgicamente dentro de uma veia e que vai acabar filtrando qualquer rolha que tenta passar por esse espaço.
Então o tratamento tem que ser individualizado para cada caso, tem que ser feito pelo médico especialista e tem que ser feito, pelo menos inicialmente, num hospital. Se você tem os fatores de risco para uma para uma trombose, para uma embolia pulmonar, por favor, converse com seu médico, por favor, vá num pronto-socorro. Não fique na dúvida, essa é uma das doenças que não dá para a gente esperar para ver o que vai acontecer.
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Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.