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Você Está Usando a Meia Elástica do Jeito Errado? | Ep. 71

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Você Está Usando a Meia Elástica do Jeito Errado? | Ep. 71

O episódio aborda o uso correto da meia elástica (elastocompressão), esclarecendo para quem ela é indicada, quais problemas realmente ajuda a prevenir ou tratar

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Perguntas respondidas neste vídeo

Vai ser um tema, inclusive, que é bastante curioso, né?

Que as pessoas vão poder ver as meias elásticas e a meia camusa. Tem um monte de coisa guardada aqui para tirar as dúvidas mais comuns. Legal.

O que você acha que a gente vai poder citar?

Bom, a gente vai falar quando usa, quando pode, quando não pode, como que usa, como que fica fácil, como que a gente vai fazer num lugar quente, como que vai fazer num lugar frio. Então, tem muita coisa para a gente abordar nesse episódio.

Alguma coisa vai ter, né?

Eu costumo brincar com as minhas pacientes que se eu colocar a minha lupa, eu encontro varizes em todo mundo, nem que seja pequenininha. Porque se a gente buscar, a gente acaba encontrando aquelas telenjectasias, as aranhas vasculares.

Quer dizer, as meias são utilizadas quando os problemas estão no sistema venoso, ou não?

Sistema venoso é linfático. No sistema arterial não pode usar meia. É contraindicado.

Pra venoso, o mais comum é varízes, insuficiência venosa, os vazinhos, né?

Isso é o mais comum do venoso. Agora, linfático tem o linfedema, que é super comum, e o lipedema, que a gente conversa bastante aqui no canal.

Transcrição completa do vídeo

Meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um Amatocast pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós conversamos sobre o mês da mulher, estivemos com dois especialistas, o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular, e também com a doutora Juliana Amato, médica ginecologista, para falar sobre esse tema. Antes também conversamos sobre os seis pilares da longevidade.

Hoje novamente nós recebemos o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular, só que dessa vez para falar sobre tudo que envolve o uso da meia elástica. Então vou apresentar aqui o nosso especialista, que para algumas pessoas já é bastante conhecido aqui no Amatocast. O professor doutor Alexandre Amato é médico e cirurgião vascular e endovascular do Instituto Amato.

O especialista é doutor em ciências pela Universidade de São Paulo, atualmente faz pesquisa científica em lipedema e é presidente da Associação Brasileira de Lipedema. Além disso, é autor de diversos livros sobre saúde. Mais uma vez, bem-vindo, doutor.

Muito obrigado, super feliz de estar aqui mais uma vez. Vai ser um tema, inclusive, que é bastante curioso, né? Que as pessoas vão poder ver as meias elásticas e a meia camusa. Tem um monte de coisa guardada aqui para tirar as dúvidas mais comuns.

Legal. O que as pessoas vão poder conferir? Porque às vezes não sabem exatamente para que pode ser usado, né? A meia elástica. O que você acha que a gente vai poder citar? Bom, a gente vai falar quando usa, quando pode, quando não pode, como que usa, como que fica fácil, como que a gente vai fazer num lugar quente, como que vai fazer num lugar frio.

Então, tem muita coisa para a gente abordar nesse episódio. Legal. E também desvendar os mitos e verdades do assunto, que no último episódio foi muito polêmico.

Esse aqui também tem bastante coisa interessante. Bom, então, para quem já acompanha sabe, mas para quem está chegando agora, a gente tem um patrocínio aqui para o Amato Cash, que é do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco da Origem é qualidade de vida e prevenção.

Bom, então agora já direto para o nosso tema do episódio de hoje. Já queria começar citando um dado aqui que eu peguei, que em 2019, cerca de 90% da população adulta tinha problemas no sistema venoso. É um número que assusta.

O que que são essas alterações no sistema venoso e elas são, de fato, perigosas ali para as pessoas? Pois é, né? A gente tem três sistemas vasculares, o arterial, o venoso e o linfático. Arterial são as artérias, aquelas que levam o sangue oxigenado para todos os tecidos do nosso corpo, órgãos e tudo mais. As veias são as responsáveis por trazer de volta para o coração o sangue já sem o oxigênio ou com menos oxigênio.

Os linfáticos, eles são responsáveis por tirar todas as toxinas que estão nos tecidos e drenar de volta jogando na circulação. Então, qualquer dano, qualquer problema nenhum desses três sistemas, a gente já pode falar que é um problema de circulação. Alguns deles podem se beneficiar da elástico compressão, do uso da meia elástica e outros não.

Então, quer dizer, se o número de 90% da população adulta já ter algum problema no sistema venoso, é praticamente impossível escapar de algum problema durante a vida. Então, você falou do 90% no sistema venoso. Alguma coisa vai ter, né? Eu costumo brincar com as minhas pacientes que se eu colocar a minha lupa, eu encontro varizes em todo mundo, nem que seja pequenininha.

Porque se a gente buscar, a gente acaba encontrando aquelas telenjectasias, as aranhas vasculares. Não quer dizer que todos eles têm uma fase avançada grave, não é isso. A questão é onde que a gente está traçando a linha do que é o normal, do que é a doença.

E quais são os mais comuns do sistema, só pra gente explicar porque está citando tanto do problema no sistema venoso, né? Quer dizer, as meias são utilizadas quando os problemas estão no sistema venoso, ou não? Sistema venoso é linfático. No sistema arterial não pode usar meia. É contraindicado.

Então, não é que se usar não vai acontecer nada. Não, não. Se usar meia elástica com problema arterial, você pode piorar o problema arterial.

Então, por isso que a meia elástica tem que ser indicada pelo médico. Porque a gente tem que separar quem tem doença arterial de quem tem doença linfática e venosa. Tá.

E os mais comuns, então, que entram pro uso da meia elástica? Pra venoso, o mais comum é varízes, insuficiência venosa, os vazinhos, né? Isso é o mais comum do venoso. Agora, linfático tem o linfedema, que é super comum, e o lipedema, que a gente conversa bastante aqui no canal. E o linfedema, já adiantando aqui o nosso próximo tópico, eu já vi que às vezes é utilizado, né? Mas pro lipedema pode ser pior.

Pro lipedema tem bastante coisa pra gente falar também, porque ele pode ser usado, é indicado, mas aqui no Brasil a gente tem algumas dificuldades pra chegar no tecido ideal, na meia ideal e na solução ideal por causa do calor. Tá. Então já explicando, pro linfedema costuma ser mais usado do que pro lipedema, ou não? Pro lipedema também? Difícil essa pergunta.

Mais usado? Eu vou falar diferente. É mais importante a elastocompressão no linfedema do que no lipedema. Muito embora nos guidelines internacionais de lipedema sempre colocam a elastocompressão como algo extremamente importante, o que eu vejo no dia a dia é que quando a gente resolve a inflamação, o sistema linfático no lipedema volta a funcionar, porque não tinha nenhum dano estrutural nos vasos linfáticos.

Então é mais importante a gente recuperar a homeostase, diminuir a inflamação, do que necessariamente usar a elastocompressão no lipedema. Mas se usar e encontrar aquela que se adequa à perna da mulher, vai ajudar. Tá.

E qual que é a diferença dos dois? Porque esse nome, o lipedema, as pessoas já estão, pra quem acompanha aqui já sabe mais do que ninguém, né? De como é, o que causa, enfim, como que pode tratar, mas qual que é a diferença de forma resumida do lipedema pro linfedema e como que age essa meia nas duas situações? O linfedema é acúmulo de líquido linfático nos membros inferiores, causando inchaço. O linfedema não dói. O lipedema, muito embora pareça acúmulo de líquido, na verdade é acúmulo de tecido gorduroso.

O líquido ele tá dentro da célula, não tá fora. E bastante inflamação, então ele é doloroso. Tem uma certa desproporção, né? Ambos, tanto o linfedema quanto o lipedema.

Só que o lipedema, ele é simétrico, ou seja, o lado esquerdo ele é igual ao direito. Enquanto no linfedema, o mais comum é ele ser assimétrico. Uma perna é maior do que a outra.

Tá. E essas meias, então, como que elas vão agir pra ajudar essas duas situações? A ideia da... quem bolou as meias elásticas foi um engenheiro que tinha insuficiência venosa e ele percebia que quando ele ficava dentro da piscina, ele não tinha sintoma. Então dentro da piscina tem a compressão, a pressão da água sendo exercida na pele.

E é interessante porque quando a gente tá de pé na piscina, a parte de baixo, a pressão é maior do que na parte de cima. Então é uma pressão graduada. Maior embaixo, menor em cima.

E aí ele falou, puxa vida, se eu me sinto tão bem na piscina, o que eu posso fazer pra ajudar as pessoas que têm o mesmo problema fora da piscina? E aí ele teve a ideia da elastocompressão, da meia elástica, onde a compressão embaixo é muito maior do que a compressão em cima. Então eu tenho várias aqui pra mostrar, essa aqui é um exemplo. Normalmente falam, a meia é muito feia, né? Hoje em dia tem de tudo quanto é cor, tudo quanto é modelo.

Então o elástico é bem forte, mas ele é mais forte embaixo do que em cima. Então faz essa compressão graduada, de forma que direciona o fluxo do sangue e da linfa de baixo pra cima, retornando pro coração. Já adiantando aqui o que eu ia perguntar, mas as pessoas, quem tá com o uso indicado, é usar realmente pra tudo ali na vida? A meia elástica pode ser usada pra profilaxia e pra tratamento.

Quando é profilaxia, prevenção do desenvolvimento de alguma doença, a gente começa a usar nos momentos mais críticos. Ou seja, vai ficar muito tempo de pé, vai viajar de avião, vai ficar sentado muito tempo, aí ela funcionaria. Agora, se você já tem a doença, aí é pra usar continuamente.

Coloca de manhã, tira a noite. Assim, até explicando a fisiologia de tudo isso, não faz sentido usar ela dormindo. Porque você tá com a perna pra cima, o sangue vai voltar, a linfa também.

Então eu não preciso da meia elástica, eu já respondo uma possível pergunta. A gente usa a meia elástica durante o dia. Essa aqui é uma meia com tecido mais escuro e mais fino.

Essa aqui, ó, tem várias aqui. Essa aqui é um tecido mais grosso. De vários tamanhos, né? Vários tamanhos.

Essa aqui é uma de alta compressão. Ó, interessante. Essa aqui tem a ponteira, né? Essa aqui aparece a pontinha do dedo do pé.

E quem vai definir qual que é exatamente a meia é o próprio médico. Sim, aí depende da doença e da fase da doença. Então, em fases iniciais de doença venosa, por exemplo, a gente pode usar uma meia de leve compressão.

Mas se tem uma úlcera, não vai conseguir usar uma dessa porque a meia vai ficar em cima da ferida. Então a gente tem que usar essas que são segmentos, né? Então tá aqui, eu posso colocar essa parte que é da panturrilha e depois a gente coloca a botinha por baixo. Aqui tá.

E até você citou o controle, às vezes as meias podem ser utilizadas na prevenção do desenvolvimento da doença. Mas pra quem não tem a doença já, pelo menos no início ali, se quiser usar como forma de prevenção pra ter o início mesmo da doença, serve? Serve. Ou é pra quem tem já alguma predisposição? Serve.

Ele vai meio assim, entre aspas, estacionar a doença. A doença não progride. Tá.

Mesmo que não tenha nenhum histórico nada, eu, por exemplo, poderia usar... Nunca usaria uma mais compressiva, de alta compressão. Pra quem não tem histórico, usar uma de leve compressão ou suave compressão é mais do que o suficiente. Todo mundo vai inchar, né? A gente tá aqui há duas horas sentado, conversando.

No final, nossa perna vai estar um pouquinho inchada. É normal. A questão é, se estiver usando uma meia elástica, vai ser menor esse inchaço.

O perfeito seria a gente colocar um despertador aqui, levantar, andar, contrair a musculatura. Mas em algumas situações a gente não consegue, né? E aí a meia elástica entra em jogo. Então, por exemplo, uma viagem de avião.

Meia elástica ajudaria bastante. Tá. Então, mesmo que a pessoa não tenha nada, uma pessoa jovem pode usar também.

Como forma de prevenção. Pode. O que o pessoal tem usado bastante é pra fazer exercício físico, né? Não tem nenhuma evidência de que haja uma melhora significativa.

Na percepção da recuperação pós exercício, parece que ajuda. Mas assim, são diferenças pequenas, né? Não precisa usar pra fazer exercício. Tá.

E nessas doenças que a gente tá citando, né? Todas as que são mais comuns pro uso das meias. O que também entra de prevenção, além do uso da meia? O que as pessoas podem fazer pra evitar ter esse tipo de problema? O básico bem feito que a gente vive falando. Mais uma vez, né? Exercício físico.

Exercício físico, alimentação, tomar bastante água. Por exemplo, eu tô falando do avião. Ah, vamos usar a meia elástica no avião.

Funciona? Funciona. Vai diminuir o inchaço. Diminui o risco de uma possível trombose.

Mas é fundamental? Bom, se a gente usar as outras técnicas pra gente diminuir o risco, talvez não. Porque o importante é tomar água, se movimentar no voo, né? Se você estiver usando a meia, talvez não precise fazer isso, mas é melhor fazer isso do que usar a meia. Sim.

Dosar ali, né? O que é mais fácil também. Exato. Entre usar uma meia e tomar água, por exemplo, né? Eu prefiro tomar água, né? Mas cada um vai ter o seu vício.

Sim. Pra gravidez também pode ser utilizado? Pra gravidez, né? É bastante utilizado, mas aí pra gravidez tem as meias próprias, que vem até aqui em cima, né? Que pega a barriga também. Eu não falei dos tamanhos das meias, né? Ela pode ser 3 quartos, 7 oitavos e meia calça.

3 quartos vai até o joelho, um pouquinho abaixo do joelho, 7 oitavos vai até a meia coxa e a meia calça que vem até o abdômen, né? Óbvio, a indicação do tamanho da meia depende do local da doença. Se a doença tá lá embaixo na perna, ou se a doença tá na coxa, ou se a doença pega a perna toda. Mas mesmo que a doença pegue a perna toda e você não consegue usar uma meia calça, 3 quartos já ajuda bastante, porque melhora a eficácia da musculatura da panturrilha.

Então, às vezes a gente não precisa chegar no perfeito, a gente usa o melhor que consegue usar. E mesmo assim tem algum benefício. E até o tecido influencia.

O tecido influencia bastante, né? Esse é um tecido bem grosso que eu tava mostrando. Aqui tem algumas com tecido bem fino. De várias cores, né? De várias cores, ó. As pessoas falam que é feio, mas ó, tem tudo quanto é cor.

E aqui tecido fino, aqui mais fino ainda. Então, essa variação de tecido é importante porque o nosso país é quente. É uma insanidade eu achar que eu prescrevo uma meia dessa aqui e todo mundo no Brasil todo vai conseguir usar.

Não dá. O tecido é bem grosso. Então, essas mais finas a gente acaba conseguindo que mais pessoas usem.

E se a pessoa não quer usar meia? Tem algum outro tipo de fazer? Porque o nome formal que a gente tava dizendo é elastocompressão, mas a gente não quis apresentar desse jeito porque eu mesmo, não sendo da área da medicina, nunca escutei falar. Então, tem alguma outra forma de fazer? Faixa elástica. Essa aqui especificamente é uma faixa inelástica.

É importante a gente separar a elastocompressão da compressão inelástica. Ambas funcionam, ambas vão melhorar o retorno venoso. Eu tenho meia inelástica também, meia elástica.

Eu tenho faixa inelástica e faixa elástica. Cada uma vai ser indicada em alguma situação, tá? Agora, óbvio, usar essas faixas é um pouquinho mais difícil do que a meia, porque eu preciso de alguém pra colocar, não é fácil. É, porque não vai ter um médico ali pra colocar.

Exato. A gente precisa treinar alguém da família, alguém que esteja disposto a fazer esse uso das faixas. Acaba sendo mais barato a faixa do que a meia? Ah, é um pouquinho mais barato, sim, só que ela dura menos.

Se a marca da meia for boa, ela acaba durando mais. E mesmo nas meias existem vários tecidos. Aí o mais importante é o tipo de malha.

Se é a malha circular ou se é a malha plana. Por exemplo, essa aqui dá pra ver melhor. Essa aqui é a malha circular.

Ela distende na forma circular do fio, só que ela não distende de cima a baixo. Então ela só tem a elasticidade pro lado, não tem a elasticidade pra cima. Uma malha que funciona bastante pra lipedema é a malha plana.

Só que a gente tem poucas opções no Brasil de malha plana. E quem tem lipedema muitas vezes tem as pernas disformes, que é difícil encontrar uma meia de prateleira que sirva direitinho nelas. Então, por mais que nos guidelines internacionais falem, olha, lipedema é melhor usar a malha plana sempre.

Sim, é, mas no nosso país quente, com poucas opções de malha plana, a gente às vezes fica sem alternativa. E aí, no caso do lipedema, a gente pode usar algumas roupas que têm elasticidade. Parece calça legging, né? É calça legging que tem uma certa compressão.

É pouco, não é muito, mas é o suficiente pra dar conforto. E essas meias são usadas também depois de cirurgias? Sim, pra profilaxia de trombose. Tem algumas coisas que assustam em cirurgia, em geral, e uma delas é a trombose.

Então, pra quem tem fatores de risco de trombose, o uso da meia elástica, e aí, no caso específico da cirurgia, normalmente é uma branquinha, ela tem a vantagem de evitar a formação de coágulos no pós-operatório. Mas essa é uma coisa interessante. A maior parte das pessoas que usam uma meia elástica pós-cirurgia, leva a meia pra casa, e aí depois guarda a meia pra usar depois em alguma eventualidade.

A meia de pós-operatório não serve. Só se operar de novo, a mesma coisa. Mas eu espero que não precise operar tão rápido, porque ela perde a elasticidade.

Em menos de seis meses, o elastano já não tem mais a mesma poder. É, e operado nesse período, né? É, eu prefiro que não precise operar. Mas o pessoal costuma comprar mesmo, né? Porque não tem como alugar, ou pegar emprestado.

Falando de aluguel, tem a bomba de compressão pneumática, que aí são aparelhos, acho que vale a pena a gente conversar disso em algum outro momento, mas são os aparelhos que insuflam, comprimindo a perna e bombeando o sangue pra cima. Esses são aparelhos caros e que tem algumas empresas que acabam disponibilizando por aluguel. Entendi, a pessoa usa em casa ali e dorme.

Exato. E a meia é bem diferente da cinta, né? Que às vezes as pessoas confundem também. Cinta é pra, normalmente, cirurgia estética, né? A cinta, ela não tem a compressão graduada.

É compressão, ponto. Meia elástica de compressão graduada é aquilo que eu falei. Ela aperta mais embaixo e menos em cima pra puxar o sangue pra cima.

Uma cinta, vamos supor uma cinta que pega o mesmo trajeto de uma meia calça, ela vai comprimir por igual tudo. Entendi. E eu escutei muito falar da cinta nos episódios com o doutor Fernando, né? Cirurgia plástica.

Cirurgia plástica, é. Usa bastante, porque aí tem que ter uma compressão por igual mesmo, né? Porque você quer que cicatrize tudo por igual. Sim. E pra que fique bem clara a sua recomendação de que, por exemplo, as doenças arteriais, né, não usa a meia de compressão, o que pode acontecer se a pessoa usassem uma recomendação achando que já tem algum benefício? Nossa, então vamos lá.

Esse assunto é importantíssimo, né? A artéria, como eu disse, leva o sangue oxigenado pros tecidos, né? E se eu coloco uma coisa apertando uma artéria, eu vou diminuir o aporte de sangue. Assim, se eu coloco numa pessoa que não tem problema arterial nenhum, isso não vai aparecer como algo importante. Mas pra alguém que já tem uma obstrução dessa artéria, já não tá chegando sangue, e depois eu coloco uma meia que aperta mais ainda, aí eu acabo desencadeando, muitas vezes, uma isquemia.

E isquemia é grave. Isquemia pode levar até à amputação. Então são casos graves.

Uma coisa que eu preciso falar também é que tem que tomar muito cuidado com os garrotes, né, que é a forma de colocação, e a meia tem que ficar esticadinha na pele. Não pode formar essas dobras. Se formar dobra, ela pode comprimir, causar machucado ali na pele, mas não só isso.

Eu já peguei até trombose por causa de garrote em meia elástica. Ou seja, eu tava usando a meia elástica pra prevenir a trombose, mas o mau uso da meia acabou levando à formação de trombose. Nossa, isso é muito grave mesmo, né? Porque eu, com idoso na família, imagino que idoso chega pra você, muitas vezes, sem ter a recomendação de um médico, compra a meia e acha que é importante usar, mas sem ter, de fato... Não sabe o que tem, né, às vezes, um tipo de doença.

Meia ou idoso, em geral, né? Obviamente, tô generalizando, né, não dá pra gente apontar que nem todo mundo é igual, mas a maior parte dos idosos tentam fugir de meia elástica, de tudo quanto é jeito, por causa da dificuldade de colocar. Eu trouxe aqui algumas formas aqui de mostrar como que coloca, mas o idoso, ele sofre por causa da posição, né? Tem que sentar, tem que se curvar, tem que fazer bastante força, principalmente uma meia de alta compressão, e eles não conseguem, então tentam uma, duas vezes, e aí acaba desistindo. Por outro lado, se realmente precisa usar a meia elástica, tem formas da gente ajudar e deixar mais fácil.

Entendi. Ah, é que eu usei como exemplo o meu avô, que já faleceu, mas toda vez que eu chegava lá na casa dele, ele tava sempre com uma meia assim até o joelho, aí eu falava, mas o que que é isso, né? Ele falava, ah, eu me sinto mais confortável, mas era uma meia bem apertada, não sei se chegava a ser assim, né, de fato de compressão, mas que ele gostava, se sentia bem. É, de usar.

Assim, até uma suave compressão, leve compressão, não tem problema nenhum, tá? Mesmo que tenha uma doença arterial, uma meia de suave compressão não vai conseguir causar uma isquemia. O problema são nas meias que aí precisam de receituário médico, que aí é de média e alta compressão. E essa dificuldade que você citou, que às vezes o idoso acaba desistindo, né, ou às vezes até a pessoa mais nova, né, que usa um dia e no outro dia não usa, quando tem a recomendação, o importante é que use sempre, né, pra ter o efeito ali que o médico não usou.

Normalmente no idoso a gente vai tá ou tratando uma doença, não é mais estética, né, a doença já tá instalada e aí a gente, pra evitar uma cirurgia, a gente tá usando a meia elástica. Então, se não usar, a doença vai continuar progredindo e aí vai precisar da cirurgia. Então, realmente, se foi indicado, é melhor fazer uma forcinha, mas eu acho que a melhor dica é, se tá tendo dificuldade de usar, alguma coisa tá errada e o médico tem que te ajudar, ele vai dar ferramentas pra facilitar isso pra você.

Eu tenho aqui vários colocadores de meia elástica. Ah, eu achei que isso era só pra guardar, no final é pra ajudar a colocar. É pra ajudar a colocar.

Então, esse aqui é um dos mais comuns. Deixa eu pegar uma meia aqui pra mostrar. Esse aqui, ó, a gente veste essa gaiola.

Ah, que ajuda. Nossa, eu queria um desse até pra meia normal, porque aquelas meias que fica na canela mesmo é mais difícil, né, de colocar. Olha que legal.

Aí, na hora de colocar... Só coloca o pé aí dentro e ele já sai pronto. Já vestiu. Nossa, isso aí ajuda demais mesmo.

É super fácil. Esse outro aqui também é super legal. Esse aqui, eu sei que a mentalidade... Nem todo mundo que tá assistindo o canal tem mentalidade pra levar a sério.

Esse aqui... Parece aqueles do... Eu já pensei naquele programa da Discovery Home & Health que mostra assim, ah, o tal fulano chegou no hospital falando que não sabe como isso daqui foi parar. Que tropeçou em casa. Mas esse aqui é muito legal, o princípio.

É um tórus isso aqui, né? Então a gente veste o tórus aqui. Isso também é de usar na perna? Então, é pra tentar colocar a meia elástica. Ah, tá.

Eu achava que isso era uma forma de ficar na perna mesmo. Não, eu preciso só que você segura aqui, que essa mesa não prende. Você vai precisar rosquear essa.

É aqui, eu só preciso passar aqui. Pronto. Aí a gente veste a meia.

Olha que legal. Então usa aquilo pra encaixar nesse... É. É tórus que chama? É um tórus. Tórus.

Aqui, super legal esse aqui. É bem molinho esse, né? É, não machuca. Sim.

Aí tem esse outro também que a gente veste. Tem um gel? Tem, tem um gel. Nossa, ele escorrega até.

Esse aqui a gente veste. Qual que é o mais comum desses? Essa gaiola aqui. Essa? Essa é mais simples, mais fácil de encontrar.

Agora, esse aqui eu já vi um monte de gente fazendo em casa com um tubo de PVC. Ah, entendi. O brasileiro adora fazer gambiarra.

Parece uma corda também, né? É, e aí você coloca e aí puxa pra vestir. É, esse aqui eu achei que parece mais fácil mesmo. Ainda mais pra fazer sozinho, né? Porque às vezes um precisa de ajuda pra encaixar e pra segurar.

Se o idoso também não tem muita força e estabilidade, esse aqui parece mais fácil de tirar. Isso vai ficar na frente. Na frente da câmera.

Vai. Tem mais algum pra mostrar? São esses, né? São esses. São esses três.

É. E até eu coloquei aqui alguns tópicos. Quando a gente fala de vantagem e benefício, né? Sobre algumas situações, doenças também específicas. Então, eu acho que é legal a gente comentar.

Pra quem tem alguma... Alguém na família, né? Ou a própria pessoa que tem essa condição. Pra derrame, é utilizado? Pra derrame, não. Não? Não.

Vai ser usado pra... No derrame, ele pode ficar mais imóvel, né? Tá. Também na profilaxia de uma trombose por causa dessa imobilidade devido ao derrame ou AVC. Tá.

Aí, sim. Mas não é diretamente por causa do derrame. Tá.

Varizes? Varizes, com certeza absoluta. Isso aí, desde o início das varizes até o final, é onde tem a melhor indicação, onde a elástico-compressão foi mais estudada no mundo inteiro, onde tem mais evidência de uso. E aí, seria pra prevenção e não como forma de tratar uma variz que já tá ali.

Não vai regredir. Nunca. Tá.

Isso é incapaz de fazer. Às vezes, algumas pessoas começam a usar a meia-elástica e falam Ah, eu não parei porque não funcionou. As veias continuam lá.

Nunca se propôs a fazer desaparecer, né? Então, tem que saber o limite de cada tratamento. A meia-elástica, ela consegue estacionar. Não vai progredir.

Tá. Flebite. É assim que fala, né? Flebite.

Inflamação das veias. Só pra explicar o que é, a gente já falou no outro episódio, mas só pra dar um resumindo. O que é e se é utilizado.

Flebite, tromboflebite. Antigamente tinha até flebotrombose, só pra complicar. Mas no final, todos eles são um problema inflamatório com ou sem coágulo dentro de uma veia superficial.

Sim, ele ajuda. Essa compressão ajuda, sim. Tá.

Úlceras venosas nas pernas. Sim, ajuda. Tem um nome formal aqui que, meu Deus do céu.

É ucus cru... Nossa, não sei nem se você já escutou falar. Usus cruris venosum. É em latim? Usus crurum venosum? É em latim isso? É em latim, é em latim.

Nossa, não escuto isso faz tempo. Mas ó, pra úlcera, a gente precisa ter algumas estratégias diferentes. Então, pra não ficar raspando e machucando a úlcera, uma das técnicas é usar a compressão inelástica.

E aí tem essa botinha em que a gente coloca por cima da ferida, protege a ferida, veste e colocando a pressão exata que a gente quer. Entendi. Então, pra cada fase da doença, a gente vai ter uma mais adequada.

As pessoas acham que é só ir lá na loja pedir me dar uma meia elástica. Aliás, outra dica, não comprem meia elástica nunca numa farmácia. Nunca! Porque na farmácia, ela tá lá na prateleira.

E você vai olhar, pegar e vai embora sem ter experimentado, sem ter medido. Porque na farmácia ninguém vai tá lá medindo sua panturrilha pra ver qual que é a melhor meia. Então, eu sugiro só comprar em casa especializada.

Casa de material médico, cirúrgico, ortopédico. Onde eles não só medem, como vão testar qual que é a melhor meia pra você ali na hora. Sim.

E o médico já passa ali na consulta o que deve ser comprado, né? É o médico que vai determinar, né? Sim, mas o médico ele não vai fazer a medida. Ah, tá. Porque como tem várias marcas no mercado, cada uma vai ter a sua tabela de medidas.

O médico, então, passa o tipo que precisa ser e eles medem. Eu preciso de uma meia de média com pressão. Não importa a marca.

Eu sei quais são as marcas boas, sei quais são as marcas ruins. Eu posso até direcionar o paciente para as melhores. Mas pode ficar dentro de algumas delas.

Não precisa ser exatamente aquela. Vai ter uma cujo tecido vai durar mais tempo. Tem outra que o tecido vai estragar mais rápido.

Eu já ouvi de uma aluna minha na faculdade e é uma coisa que me fez pensar bastante. Ela tinha uma doença que ela precisava usar sempre o tempo todo e não tinha o que discutir. E eu falando pra ela, poxa, mas compra a meia melhor, uma marca melhor.

Você tá usando uma muito porcaria. Aí ela falou, sabe professor, eu prefiro usar a porcaria porque no final do mês eu jogo fora e compro outra. Aí eu parei pra pensar, olha, até que tem um sentido o que ela tá falando.

Porque as pessoas vão lá, compram a meia mais cara que tem e depois quer ficar usando 2, 3 anos a meia. Ela não vai durar tudo isso, em 6 meses já perdeu o elastano. Então tem que medir ali, colocar na balança, às vezes uma marca um pouquinho mais barata.

Quanto que consegue pagar pra comprar, melhor marca que vai conseguir usar. E considerando a rotatividade da meia. Tem gente que compra uma meia só, e aí, não vai lavar a meia no chulé? E a preocupação estética, eu também fazendo a pesquisa aqui pro nosso episódio de hoje, eu vi que tem meias transparentes agora, né? Que o pessoal, as mulheres que querem... Cor da pele, né? É, cor da pele.

Não, na verdade não era cor da pele que tava aparecendo, era transparente. Transparente, não é essa aqui? Não, era uma mais realmente que fica do tom da própria pele da pessoa. Ah, essa eu preciso ver, não vieram falar comigo ainda.

Essa daí, então, que a estética vai ficar cada vez mais... Olha lá, vem patrocinar o canal. Inclusive eu ia falar isso, né? Se era um patrocinador aqui que veio já na... Tem meio do nosso antigo patrocinador. Mas agora não é mais patrocinador, então a gente não vai nem citar, né? Mas pode mandar mensagem aí, né? É só ver os episódios anteriores.

Tá bom, que aí o pessoal já procura. Agora, pernas cansadas e doloridas. Não é uma doença, mas pode ajudar.

Ah, sim, com certeza ajuda. Muitas vezes, pernas cansadas, pesadas, é uma interpretação diferente da dor. A via é a mesma, é um tipo de dor.

Só que não é uma dor forte o suficiente pra gente entender ela como dor, então a gente entende como um peso, um cansaço. Tá. Tratamento de trombose venosa profunda.

Ah, é importantíssimo o uso da meia elástica. Importantíssimo, tá? Não só pro tratamento agudo da trombose venosa profunda, como pra prevenção da síndrome pós-trombótica, que é a evolução natural de uma trombose venosa profunda. Então se você tem uma trombose, as pessoas entram em pânico, tá todo mundo preocupado ali naquele momento, na hora, de não evoluir pra uma embolia pulmonar.

Tá certo? Tem que ter medo disso e tem que tratar pra evitar isso. Só que não é o único problema. A gente tem que lembrar daqui a alguns anos o que vai acontecer com essa veia que tem o coágulo.

Então ela pode destruir essas válvulas e acabar evoluindo pra uma síndrome pós-trombótica, que pode evoluir pra varízes e pra úlcera venosa. Tá. Então não todos os casos que a gente citou que é usado só pra a doença não evoluir.

Alguns casos pode ser utilizado um tratamento mesmo, né? Sim, sim, sim. Pra regressão, no caso. Numa úlcera venosa, numa síndrome pós-trombótica, numa trombose venosa, ela faz parte do contexto do tratamento.

Tá, pra ficar bem claro, né? Linfedema tava aqui no tópico também que a gente acabou citando e a gravidez, os dois últimos. Linfedema é muito importante, o acúmulo do líquido. Eu só queria separar duas coisas.

Tem o linfedema onde tem a obstrução do linfático e tem o linfedema onde não tem obstrução do linfático. Esse que não tem obstrução do linfático, às vezes o uso pode ser temporário até a gente resolver o problema que tá causando isso. Agora, se tem obstrução do linfático, aí provavelmente o uso há de eterno.

Tá. Latim. De novo, o latim aqui.

E aí vai também naquela questão do que a pessoa vai fazer um plano, né? Pra manter aquela questão do tempo ali de uso, pra que não fique tão caro. Exato. Pra também não... Pra fazer... Você sabe, às vezes... Eu vou contar uma coisa que acontecia no ambulatório que eu fazia na faculdade.

Então, eu atendia junto com os alunos pessoas muito humildes e que tinham certa limitação do que podiam fazer ou não. E eu atendia muita úlcera venosa. E aí eu reunia todos os alunos e perguntava o que a gente pode fazer por esse paciente.

E aí, o legal é que os alunos, cada um falava uma coisa e a gente conseguia elencar umas 40 coisas que dava pra fazer, pra melhorar. Desde medicamento, uso de meia, exercício, um monte de coisa, né? Aí eu falava, puxa, se a gente conseguir fazer todas essas 40 coisas, é muito provável que a gente consiga resolver rápido. Mas vamos ser realistas.

Ninguém vai fazer essas 40 coisas. A gente vai ter que escolher o que mais vai dar resultado pra esse paciente. E, vamos lá, meia elástica tá na categoria dos top 3 que vão dar mais resultado na maior parte das doenças venosas e linfáticas.

O problema é o mais incômodo. Então se eu dou 40 coisas pro paciente fazer, ele vai escolher as 3 coisas mais fáceis. Concorda? Ele não vai escolher as 3 coisas mais difíceis e caras.

Então a gente tem que colocar prioridade. Em algumas situações, a meia é extremamente importante. Em outras, ela pode vir a ajudar, mas não entra como prioridade máxima.

Então, por exemplo, o lipedema. Ela pode vir a ajudar se a gente acertar a meia, mas não é a prioridade máxima. Agora, numa trombose venosa, numa úlcera venosa, ela vai entrar em prioridade máxima.

E é uma junção, né? Aquilo que a gente tava falando, nesses tópicos que você citou, às vezes que vocês elencaram ali 40 coisas e na rotina mesmo tem que ser realista, né? O que a pessoa vai poder fazer ou não. E até na forma de colocar, que a gente tava mostrando o que pode ajudar ou não. Ah, o idoso vai ter a paciência de colocar todo dia, né? Você viu o documentário do Brian Johnson, Não Morra? É legal.

É um cara bilionário que decidiu que não vai morrer. E ele gasta acho que 2 milhões de dólares por ano com esse objetivo de não morrer. Ele fez o concorrente do Paypal, que era o Venmo, vendeu e tá torrando dinheiro.

A questão é, nesse projeto de não morrer, ele decidiu que ele vai fazer tudo o que existe pra evitar a morte. Então ele passa o dia inteiro seguindo rotinas e protocolos. Ele não vive.

Ele passa o dia inteiro. Nessa de não morrer, ele não vive. Exato.

Nessa de não morrer, ele não vive. Então ele é programador, tudo ele fez lá o robozinho dele que fala, agora você levanta e vai no banheiro colocar a luz vermelha na cara. Agora você vai tomar não sei o quê.

Agora você vai fazer o exercício X. Agora você... Ele passa o dia inteiro obedecendo o que o robozinho dele manda ele fazer pra não morrer. Nessa de não morrer, ele não vive. Você falou o perfeito.

Então a gente tem que escolher as coisas que... Eu gosto daquela regra de Pareto. Os 20% que vão trazer os 80% de resultado. Em alguns casos, a meia elástica, elastocompressão, a compressão inelástica tá nesses 20% que vão trazer os 80% de resultado e a gente tem que fazer de tudo pra conseguir adaptar o paciente a usar.

Sim. Só uma dúvida que me veio na cabeça agora. O que a gente tava falando que você citou pros seus alunos.

Que você tentava trazer a realidade mesmo daquele paciente que normalmente tinha uma vida humilde. O SUS disponibiliza essas meias? Até minha última informação, não. Se alguém souber de alguma coisa diferente, me fala.

Mas eu acho que deveria. Porque isso aqui é tratamento. Isso aqui... Uma meia bem indicada num paciente pré-úlcera, por exemplo, economizaria rios de dinheiro até abrir a úlcera.

Então, por que não? Infelizmente, todo mundo quer apagar a fogueira. Ninguém quer evitar a fogueira. Teve o episódio aqui com o Salibe.

Exato. Vocês conversaram bastante. Gestão no Brasil.

Não existe. As pessoas tão preocupadas só com a reeleição. Não se vai fazer alguma coisa de boa ou não pra saúde.

Eu acabei de voltar do Congresso nos Estados Unidos de Lipedema. E tava lá um grupo de americanos e eles estavam discutindo. Estavam falando de onde moravam.

Eles gostam de morar em subúrbio. Uma tava conversando sobre o subúrbio dela que estava entrando em discussão se ia ou não permitir o subúrbio dela que o trem chegasse até lá. E a discussão é se o trem chegar vai aumentar a criminalidade.

Então, o pessoal da cidade não queria. Eu fiquei com uma inveja porque lá eles estão discutindo se vai ter ou não vai ter trem. Aqui, a gente não consegue o básico.

A gente não consegue discutir o tratamento simples que poderia ajudar tanta gente. Imagina discutir coisa mais avançada. Pergunta polêmica agora, inclusive, que me veio na cabeça dessa questão mais do que tá por trás da saúde.

Eu escutei. Foi uma pergunta que fizeram numa emissora de televisão para um convidado. Três tópicos que ele acreditava que ele realmente acredita na verdade daquilo, só que são coisas que não foram comprovadas.

E um dos tópicos que ele usou, agora você como médico vai poder falar mais, é que o governo, as farmacêuticas e as empresas e tudo mais, que eles têm a cura de muitos problemas, muitas doenças, só que eles preferem vender o tratamento porque é mais rentável para tantas pessoas ao invés de vender de fato a... Eu não duvido. Eu não duvido. Infelizmente, o problema é grande.

A medicina, ela evoluiu com a medicina baseada em evidências e tudo necessitando de números muito grandes para a gente comprovar alguma coisa. Então, vamos supor 10 mil casos para a gente provar que determinado medicamento funciona ou não funciona. Quem tem dinheiro para fazer isso? Somente a farmacêutica que vai vender esse medicamento.

Se eu tenho uma substância natural, que não tem nenhuma farmacêutica que vai ganhar dinheiro com isso e que resolve o mesmo problema, quem que vai investir numa pesquisa dessa? Tem pesquisa? Tem. Tem muitos médicos ou pesquisadores altruístas que vão lá e pesquisam. Só que eles fazem pesquisas menores.

Eles não vão ter dinheiro para fazer 10 mil pessoas. Eles vão fazer 100, 200. E aí, um trabalho desse, ele é desmerecido porque o N é pequeno, enquanto começam a dar muito valor para um trabalho de uma farmacêutica que tem um N estourado.

Mas, apesar disso, às vezes o N é estourado e tem uma maquiagem enorme nas estatísticas para tentar provar que esse remédio é melhor que o anterior. E às vezes nem é. A diferença é minúscula. Um exemplo, só pegando extremos e que eu já falei aqui algumas vezes.

Doença arterial. Pode ir fazer cirurgia, colocar estente. Uma cirurgia dessa vai custar 150 mil reais.

Só que se tomar água, também resolve. E aí? Quem que vai fazer a propaganda da água? Ninguém vai ganhar dinheiro com isso. Mas o estente, 150 mil reais, vai ter muita gente ganhando dinheiro atrás disso.

Onde vai ter o marketing pesado? Até o cara que está colocando o estente não consegue enxergar isso. Porque ele vive disso. Como que ele vai olhar para o lado oposto e achar que aquilo pode tirar o subsídio dele? Não vai.

E a pessoa quer uma coisa concreta ali. Como se o medicamento também parece uma coisa concreta. Você está tomando, você sabe que você está tomando, então você acha que aquilo está realmente vai fazer referência.

Aliás, seria até legal um episódio de teorias da conspiração na saúde. Exatamente. Já veio um tema agora.

Eu não sei o que a gente podia chamar para... Tem que ser o Salibe de novo. Talvez o Salibe, né? Não sei, vou pensar. Mas é um problema muito grande.

Então, aí depois uma saúde mais natural acaba sendo desmerecida porque não tem um investimento pesado. Mas quem que vai querer? Por exemplo, a cura da AIDS ou a cura de alguma doença crônica. É benefício para quem a cura? Só para quem tem, né? Só para quem tem.

Porque a farmacêutica vai dar um remedinho que depois toma duas vezes e depois não precisa tomar mais? Pelo amor de Deus, eles não vão querer isso. Só para fechar o ciclo, você falou se eu acredito que eles têm a cura e escondem? Eu não acho que eles tenham a cura mas eu tenho certeza que eles não colocam um centavo no desenvolvimento da cura. Tá, ficou bem claro.

Pode ser que não tenha investido para descobrir, mas que poderia ter descoberto. É isso, né? Um segundo passo seria assim, será que alguém não descobriu a cura e eles vão lá e compram a patente para esconder e continuar... Teorias da conspiração. Eu adorei essa sugestão de episódio.

Se você gostou, comenta aí que a gente vai trazer. E dê ideia de gente para participar. E de histórias também, que vocês já escutaram sobre a saúde, a medicina que pode entrar para a gente perguntar para os especialistas aqui se é verdade ou não.

Eu vou aproveitar e vou entrar no mitos e verdades então, porque aproveitando os últimos minutos aqui da nossa gravação. Bom, a meia elástica evita o surgimento de varizes? Evita. Ela põe uma pausa.

No momento em que está usando, vai aparecer menos, não é que não vai aparecer, mas vai aparecer menos do que apareceria se não estivesse usando. Tá. Porque aí costuma crescer de forma rápida, né? Se tem a genética, propensão para isso, o negócio vai rápido.

Aí coloca a meia elástica, vai um pouquinho mais devagar. Tá. Usar duas meias de compressão, uma sobre a outra, melhora o efeito? Essa é uma solução para as pessoas que têm dificuldade de colocar a meia.

Porque vai aumentar o grau de compressão. Então, se está colocando duas... Mas é mais difícil colocar duas do que colocar uma só? Colocar duas de leve compressão é mais fácil do que colocar uma de alta compressão. Então, pode ser uma alternativa.

E, aliás, um dos tipos de meia para úlcera elástica para úlcera é colocar duas meias elásticas. Uma mais leve, aí depois uma mais forte por cima. Nossa, eu achava que era o contrário, que assim ia ser mito.

Me surpreendi. O efeito das meias é de curta duração? É... Só enquanto está usando. Tirou, parou o efeito por completo.

A meia pode incomodar em um primeiro momento? Ah... Sim... Mas, assim, é para melhorar. Ó, eu vou dar uma dica. Se está usando a meia elástica e tira no final do dia a meia elástica e fala, nossa, graças a Deus eu tirei essa porcaria, tem alguma coisa errada.

É para tirar e falar, nossa, que alívio que eu estava usando essa meia elástica. Se você não pensou isso, é porque tem alguma coisa errada na sua meia. Isso é uma boa dica.

Um corte, né? Porque a gente já falou que se usado de forma errada pode ter um efeito ao contrário, né? Exato. Importante isso alerta. Grávidas não podem usar meias elásticas? Pode até ter meia própria para elas.

Só que tem que ser bem indicado. Tem muita gente que usa, às vezes, sem necessidade. Está usando só por modinha, ou porque acha que toda grávida tem que usar.

Não, tem que usar se tiver doença vascular, senão não precisa. Tá, a doutora Juliana pode falar também bastante. É preciso orientação médica para comprar as meias elásticas? A de suave, leve compressão, não.

Média e alta, sim. E é importante, não é para achar que é besteira, porque se você usar uma de média e alta compressão em um paciente que tem doença arterial, você pode causar isquemia. Posso colocar a meia em qualquer hora do dia? Poder pode, só que pode ser mais difícil colocar.

Imagina, se eu estou tentando prevenir o inchaço e a meia já é bem apertadinha, na hora que eu acordo e levanto, como a perna estava para cima, ela está esvaziada de inchaço. Fiquei de pé, o que vai acontecer? Vai começar a acumular líquido, vai aumentar o diâmetro das pernas, vai ficar mais difícil colocar a meia elástica. Então, por isso, a orientação de, se for usar depois, coloca a perna para cima, por uns 10 minutinhos, para esvaziar esse inchaço.

Não há métodos de prevenção para problemas circulatórios como varizes? Bom, eu acho que a meia elástica é o que tem de mais preventivo. É o mais próximo disso. Qualquer tipo de meia ajuda em problemas de circulação? Não.

Tanto que a circulação pode ter problema arterial, então a gente poderia até causar dano, se for mal utilizado, e não é qualquer meia, né? As pessoas estão usando muito essas meias de esporte, achando que vai fazer alguma diferença na circulação. Não vai. É até aquela que eu falei, que fica na canela, eu acho tão apertada para colocar que eu tinha a sensação que era meio de compressão, já aquilo que eu falava, gente, a hora que tira, tá a marca, sabe? Então, dá por lã, e você pode até causar um inchaço no pé.

Imagina, porque você comprime o sistema superficial, e aí você começa a acumular líquido no pé. Sim. Aquelas que eu tô citando até, não tem problema em citar a marca, porque é muito grande.

Nike, Adidas, que o pessoal usa mesmo para jogar tênis, sabe? Pra esporte, né? Que fica mais alto, assim. Aquela que costuma tirar e tá sempre aquela, fica na perna ali a marca, né? Então, elas não vão passar da leve compressão. Então, não tem problema, pode usar, né? Se você se sentir confortável, use.

Acho que o seu corpo avisa se tem alguma coisa errada. O duro é a gente ficar lutando contra. Sim.

Existem meias de compressão diferentes para homens e mulheres? Ah, e o modelo, né? Tem gente que vai usar essa aqui, tem gente que não vai usar essa aqui. É mais a estética? A estética. Eu já consegui fazer um homem usar a meia calça.

Ele tinha um problema que vinha até aqui em cima e ele não se dava bem com a meia coxa sete oitavos de jeito nenhum, ele não conseguia. E ele era um dos caras que realmente precisava usar. Então, eu acabei convencendo a usar a meia calça.

Pelo menos não fica escondido também, né? Dá pra usar a calça por cima, né? Homens não estão sujeitos a problemas circulatórios? Estão. Tanto quanto as mulheres. Eu acho que até mais.

O problema é que o homem se cuida menos do que as mulheres, né? A mulher vive sete anos a mais. Não importa o tipo de compressão das meias, todas têm o mesmo efeito. Isso a gente já explicou, né? A diferença.

O inverno faz com que surjam mais varizes. Não. O inverno pode dar mais sintoma, mas não faz surgir mais, não.

Não faz surgir. A questão é que o consultório do vascular pode acabar chegando mais paciente porque as pessoas querem tratar no inverno porque vai ser mais cômodo usar uma meia elástica depois. Não vai ficar mostrando tanta perna, né? Exato.

Mas hoje em dia tem muito tratamento que nem precisa da meia elástica depois. Então não faz sentido mais isso. Foi uma verdade no passado.

E aproveitando o gancho também, que a gente está na nossa última pergunta aqui de mitos e verdades, a gente tem um episódio só de varizes, né? Pra quem veio procurando saber relacionado a varizes, a gente vai deixar o link de varizes. Também tem de tudo, né? De tudo que a gente falou. Lipedema, teve um de lipedema, diferença de linfedema também.

E comentem aqui embaixo que assunto que vocês querem que a gente traga aqui no podcast. Exatamente. Essa sugestão aí das perguntas que a gente pode trazer da conspiração já foi uma ótima.

E sugestão de pessoas também, né? Isso também é legal. As propriedades da meia desaparecem após a lavagem? É a nossa última. Após a primeira lavagem, não.

Mas após várias lavagens, sim. E isso é importante porque as pessoas começam a usar a lava, usar a lava, usar a lava e aí a meia fica cômoda. Na verdade ela não ficou cômoda, ela perdeu elasticidade, ela já não tá mais funcionando.

Ah, eu acostumei, né? Agora tá bem melhor. Quanto tempo você tem sua meia? Dois anos. Ah, minha filha, lixo.

E além da questão da higiene também que a gente tava falando, né? Fica ali o dia inteiro suando com a meia, ou enfim, suja de alguma forma e não lavar, acaba saindo meia também. Pode dar outro problema ali na pele. Aí já vai trazer um dermatologista pra falar disso, né? É, com certeza.

Doutor, muito obrigada pelo episódio. Eu vou pedir pra você passar suas redes sociais também, que a gente pediu pra o pessoal comentar aqui no vídeo. Vocês podem deixar alguma sugestão, como ele disse, de tema ou também de convidado, mas se ficou alguma dúvida relacionada a esse tema específico do episódio de hoje pro pessoal te mandar nas suas redes sociais.

Eu tô no Instagram, arroba dr.alexandreamato e a minha rede social mais importante é essa aqui, é o YouTube. Tô aqui no canal sempre que possível. Exatamente.

Bom, então obrigada pela sua participação. Até o próximo episódio. Eu que te agradeço.

E eu vou pedir pra você também não deixar de curtir, comentar e compartilhar o nosso vídeo. Não deixa também de deixar a sua sugestão como a gente citou pros nossos próximos episódios, que é muito importante pra nossa divulgação e pra gente continuar trazendo os nossos especialistas. Muito obrigado.

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