**Resumo do episódio “Lipedema: O Grito Silencioso Que Está Acabando Com o Seu Corpo (Reverter Sem Cirurgia)”** No AmatoCast, a Dra. Letícia Miyamoto recebe o
Pois é, eu estou quase terminando um, estou fazendo, estou revendo, um sobre mastócitos agora.
Puxa, é muito legal, é muito legal. O mastócito é a nossa primeira célula da linha de defesa. É o nosso cão de guarda, é aquele que tem que latir quando o nosso corpo está sendo invadido por um vírus, bactéria, fungo ou alguma coisa assim.
Você começava a lembrar quando a gente fez um episódio do seu outro livro, você até citou, não sei direito, porque dá trabalho, dá muito... Demais. Para juntar com a clínica e com tudo.
Isso. Tem tudo. Então hoje eu preparei uma fara um pouquinho diferente aqui para a gente começar, porque de fato a gente falou bastante sobre lipedema que já não é uma toquete, como eu falei, tem que pegar as dúvidas de algumas pessoas.
Bom, acho que foi Benjamin Franklin que falou, se tivesse uma hora para resolver um problema, eu ia gastar 55 minutos planejando como fazer e os últimos cinco fazendo. Mas 30 segundos eu não tenho nem o tempo para pensar e planejar.
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos um convidado especial e conversamos duas vezes, foram dois episódios sobre mitos e verdades da saúde mental. Hoje nós recebemos o Dr. Alexandre Amato, cirurgia vascular, é um tema que a gente traz bastante aqui no AmatoCast, lipedema, mas hoje um pouquinho diferente, uma visão inédita sobre essa condição. Bem-vindo, Dr. Obrigado, olá, Letícia. Faz um tempinho. Faz, né? Que a gente já fala, não grava também. Qualquer assunto geral já fazia tempo que a gente gravava. Com certeza, com certeza. É sempre bom estar aqui de volta. Tentei pegar algumas dúvidas aqui, Dr. Inclusive, dos comentários que o pessoal manda porque sempre tem alguma coisa diferente do que a gente ainda não falou. Antes disso, para quem está, às vezes, começa a acompanhar a gente a partir desse episódio, vou apresentar um pouquinho aqui da sua carreira, do seu currículo para todo mundo entender melhor. O professor, Dr. Alexandre Amato, é médico e cirurgião vascular e endovascular do Instituto Amato. O especialista é doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo. Atualmente faz pesquisa científica em lipedema e é presidente da Associação Brasileira de Lipedema. Além disso, é autor de diversos livros sobre saúde. Aproveitando, Dr., como é que está essa parte dos livros? Estava querendo fazer mais alguns? Pois é, eu estou quase terminando um, estou fazendo, estou revendo, um sobre mastócitos agora. As pessoas devem olhar e falar assim, nossa, o que que um cirurgião tem a ver com mastócitos? E o que que é isso? Para quem não é da área aí, o que significa? Puxa, é muito legal, é muito legal. O mastócito é a nossa primeira célula da linha de defesa. É o nosso cão de guarda, é aquele que tem que latir quando o nosso corpo está sendo invadido por um vírus, bactéria, fungo ou alguma coisa assim. E é uma célula assim tão participante do nosso corpo, do nosso, em tudo, todos os nossos sistemas, que ela acaba interferindo em tudo, podendo dar sintoma, desde a cabeça até os pés. Mas, tanto que o título provisório, por enquanto, mas acho que está bem próximo do definitivo, é mastócitos descontrolados. Quando a gente perde o controle deles, a gente acaba tendo um monte de sintomas. E entre eles, o lipedema acaba sendo um dos sintomas. Essa é a razão pela qual eu entrei nesse assunto. Isso que eu ia perguntar, você tem relação... Bastante, bastante. Legal, até você estava em dúvida, né? Você começava a lembrar quando a gente fez um episódio do seu outro livro, você até citou, não sei direito, porque dá trabalho, dá muito... Demais. Para juntar com a clínica e com tudo. Então, é muita coisa para fazer. Demais. E tem o lipecurso também que a gente vai falar no episódio. Tem o lipocurso. A gente montou um curso online para todo mundo sobre lipidema, tanto para profissional de saúde, para as próprias mulheres que querem se entender. É um curso bem completo, está lá no lipecurso.com.br. É bem legal também. Legal, então serve para tanto médico como paciente. Isso é interessante. Isso é uma coisa que me pedem há muito tempo, porque a gente tinha o curso para médico. E como assim, muito aprofundado, a gente não deixava outros profissionais participarem, mas não quer dizer que eu não queria fazer, quer dizer que não dava, era restrito. Por limitação de espaço, de tempo e tudo mais. Mas a gente conseguiu juntar um tempo e montar um curso que agora abrange todo mundo. Sim, legal. E a gente já, Tess e tu aqui, vai ter um episódio só para explicar sobre o lipecurso, tirar todas as dúvidas. Acho que vai ser interessante também para quem tiver mais alguma questão. Mas a gente aproveita e deixa o link aqui. Ah, sim, é www.lipecurso.com.br, já está funcionando. Tá bom, aí lá também tem toda a explicação, não é? Isso. Tem tudo. Então hoje eu preparei uma fara um pouquinho diferente aqui para a gente começar, porque de fato a gente falou bastante sobre lipedema que já não é uma toquete, como eu falei, tem que pegar as dúvidas de algumas pessoas. A gente sempre também deixa uma playlist do assunto que a gente já trouxe aqui para se quiser acompanhar um ponto específico também, tem aqui embaixo do vídeo para vocês verem. Então eu queria fazer uma pergunta diferente hoje, doutor. Se você tivesse apenas 30 segundos, eu estava no banho quando eu pensei nisso, de convencer alguém, um médico cético que não acredita em lipedema, de que é uma condição importante a ser discutida, porque a gente já falou bastante disso, que começou, mas não é fama a palavra, mas começou de fato ter uma disseminação maior, acho que a gente pode definir assim, nos últimos anos. Mas eu acredito que ainda tem algum profissional, alguém que até vem na sua cabeça agora, claro, sem citar nomes, que não acredita ainda que essa condição exista, ou que tenha contra, por exemplo, a clínica, ou enfim. Como que você faz para convencer alguém? Bom, acho que foi Benjamin Franklin que falou, se tivesse uma hora para resolver um problema, eu ia gastar 55 minutos planejando como fazer e os últimos cinco fazendo. Mas 30 segundos eu não tenho nem o tempo para pensar e planejar. Mas vamos lá, o lipedema está aí todo dia, as mulheres têm um sintoma e na hora que a gente junta, os sintomas acabam chegando no lipedema. É extremamente prevalente e é diferente de obesidade. Isso está na literatura já desde 1940, ele só foi ignorado por muito tempo. Então, infelizmente, essas mulheres eram desacreditadas. Então, chegava para o médico, falava o que sentia, dor, peso, cansaço, enchaço nas pernas. O médico olhava e falava, não tenho, não concordo, acho que não é e tchau, problema seu. É uma inversão de valores. O problema é você que está comendo demais ou fazendo alguma coisa errada. Isso é uma transferência de responsabilidade. Agora, o lipedema começou a aparecer na hora que a gente fala, puxa, se ela tem esses sintomas, deixa eu tentar ajudar, deixa eu tentar entender melhor. E eu acho que a minha resposta é exatamente isso. Na hora que você começa a dar valor para o que as pacientes falam, é muito nítido o lipedema, é muito fácil de enxergar. Quem não acredita no lipedema, é simplesmente porque não dá valor ao que os pacientes estão falando. Acho que é isso. Passou um pouquinho, mas valeu. Foi importante concluir. Não foi fácil, aqui tarefa. A gente não programa nada, isso aqui é na lata. Como se fosse literalmente não ouviu o que falou, falou o que não falou, não deu tempo. Agora, doutor, quando chega a paciente no seu consultório, a gente já falou isso em um outro episódio, mas o seu objetivo é sempre trazer a parte clínica, nesse tratamento mais conservador, para, depois, em último caso, trazer na cirurgia. Cada vez menos eu acredito na cirurgia como uma solução para o lipedema. Eu vou explicar o lipedema de uma forma que eu nunca expliquei aqui hoje. Isso é inédito e é uma forma de entender melhor o lipedema. O lipedema é um calo. Imagina se eu fico aqui raspando no dorso da minha mão sem parar, vai formar um calo. E eu não gosto desse calo. Se eu tirar esse calo, o que vai acontecer? Ou vai formar um outro calo, ou vai abrir uma ferida? O que eu tenho que fazer, então? Eu tenho que parar essa agressão. Essa é minha mensagem. O lipedema é a resposta do corpo da mulher a uma agressão. Só que essa resposta, esse calo, esse lipedema, incomoda esteticamente. Traz um monte de sintoma. Traz peso, cansaço, enchaço, inflamação. E isso incomoda demais. Só que isso nada mais é do que um sintoma, de um reflexo de algo que está acontecendo no corpo da mulher. Então a simples retirada dessa gordura vai maquiar o problema, que seria exatamente a retirada de um calo. Você tira lá o calo, continua com a agressão. É o que eu falei. Abre ferida ou formar o calo novamente. É exatamente o que acontece com o lipedema se você tira gordura. Se você não tira agressão, não tira inflamação, o lipedema vai voltar, ou vai aparecer coisa pior. Então, por isso que cada vez menos eu enxergo a cirurgia como uma solução definitiva, como cura, ou como uma solução. No máximo, ela é uma ferramenta em algum momento do tratamento. Mas essa ferramenta só pode ser usada quando a agressão já parou, quando eu já não tenho mais essa contínua de dano no tecido à depósito da mulher. Sim, eu imagino que essa vez o paciente, a paciente que já vem com essa decisão da cirurgia, é porque nós, que não somos, eu me incluo na área da medicina, a gente acredita que a cirurgia, apesar de ser às vezes complicada, ali na recuperação e tudo mais, ela traz uma resposta rápida, porque você faz, é meio que tirar com a mão, você tira aquele problema, resolveu se recuperou da cirurgia, aquilo está feito, você não precisa mais preocupar com isso. Então, a sua explicação vai exatamente na contramão disso, que você pode até tirar em primeiro momento pelo que eu consegui traduzir. Só que se você não for na causa daquele problema, a questão vai voltar tudo que você resolveu na cirurgia e acaba retornando. Mas é que está, não resolveu na cirurgia. O problema é que é um iceberg. Agora vou explicar de uma outra forma, essa eu nunca expliquei antes, então talvez eu me enrola aqui um pouquinho. Mas é um iceberg, aquilo que aparece no topo do mar, aquele tantinho de iceberg, são sintomas, é o peso, o cansaço, o enchaço, talvez a estética, só que tem uma base enorme lá embaixo que ninguém está enxergando. Então, quando você vai lá e tenta resolver essa parte de cima e tira essa parte de cima, o que que acontece? O iceberg sobe e aparece uma ponta maior ainda. Então, eu entendo, eu juro que eu entendo por que as mulheres buscam a solução rápida, mas tem que ter um pouco de autoconsciência, tem que entender o próprio corpo antes de tomar uma decisão dessa. As pessoas são impetuosas, as pessoas tomam decisões sem pensar todo dia. Mas quando faz isso para o próprio corpo, não tem uma segunda chance. A cirurgia não tem uma segunda chance, porque se você faz o tratamento conservador, não dá certo, você pode tentar fazer outro tratamento conservador e talvez dê certo, ou continuar tentando até uma hora que dá certo. Se você faz a cirurgia e tira a gordura, não tem lá na frente, vamos botar essa gordura de volta. Tem uma outra forma de enxergar isso há muitos anos atrás, acho que 105 anos, talvez mais ou menos isso. Quando começou a cirurgia de tiroides. Então, o cirurgião que começou a cirurgia de tiroides, todo mundo olhou e falou assim, nossa, que maravilha resolver o problema. Só que aí ele percebeu depois que com os pacientes que ele estava tirando a tiroides, ele estava causando uma síndrome secundária, que era o hipotiroidismo. Você tirou um órgão, ele não está produzindo o hormônio, vai causar uma outra doença. Então, ele ganhou prêmio, um monte de coisa, causou uma doença. O tecido gorduroso, eu sei que as mulheres não gostam, eu sei que incomodam, mas ele não é um tecido inerte no corpo, ele não é uma coisa que está lá, porque não faz nada. Deus colocou isso aí para incomodar as mulheres. Não é isso, a natureza desenvolveu isso e ele tem uma função no nosso corpo. E o tecido gorduroso, por exemplo, produz um monte de hormônio. Um dos hormônios, só para dar um exemplo, é a leptina. Ah, mas e aí? Eu nunca ouvi falar da leptina. O que a leptinha serve? Bom, uma das coisas é para dar saciedade. Então, se você começa a produzir menos hormônio da saciedade, você vai comer mais. Então, você vai lá, faz uma lipo, tirando a gordura, achando que vai resolver o problema e vai ficar... Ah, depois fica fácil, só fechar a boca depois que fica fácil. Não, você fez a cirurgia e vai ficar mais difícil depois, porque você vai ter menos leptina para inibir a sua fome. Então, por isso que eu falei, a cirurgia não tem volta, você não vai colocar depois a gordura, tentando produzir mais leptina, porque não vai conseguir. Então, a gente tem que começar a enxergar os caminhos, todos os caminhos, antes de escolher um, que é tão definitivo e pontual como a cirurgia. E junto com essa parte aí de tentar explicar, em 30 segundos, acho que 30 segundos foi muito pouco mesmo, mas falar para eu convencer o médico, o médico que vai na contra mão do lipidema, eu também queria fazer a pergunta para direcionada para o paciente, uma explicação que você daria para o paciente que chega desesperado no seu consultório, a paciente que chega sem esperança. Pode ser em um minuto agora, vai aumentar um pouquinho. Esperança é a última que morre, isso com certeza absoluta. Eu enxergo o lipidema de uma forma completamente diferente hoje. Então, se a paciente chega toda chateada porque tem o lipidema, a primeira coisa que eu falo é, puxa, que bom que você tem lipidema. As pessoas me olham com uma cara de doido, como é que ele vai falar uma coisa dessa, mas na verdade, se não tivesse o lipidema, aquele dano, lembra do calo que eu estava falando, se não forma o calo, vai abrir ferida. Então, o dano está acontecendo no corpo, independente de ter ou não ter lipidema. Se tem o lipedema, vai formando quase que com uma carapá, tentando se proteger dessa agressão. Se não tem o lipedema, essa agressão vai aparecer como doenças mais graves, normalmente doenças autoimunes, doenças crônicas degenerativas. São pessoas que sofrem com várias coisas pontuais na saúde. A questão é que ninguém liga os pontos. A maior parte das mulheres com o lipedema tem lá alteração no joelho, tem alteração para dormir, tem alteração no hábito intestinal, tem alteração alimentar, tem alteração no sono, tem uma ótima sequência de alterações, mas para ela, naquele momento, a única coisa que incomoda é a estética da perna. Se a gente parar para pensar porque a estética da perna incomoda tanto, na verdade, é a inflamação na perna. Então, se você está fazendo a unha e faz uma inflamação na unha, você anda o dia inteiro comentando com todo mundo tal da inflamação da unha. No supermercado você comenta com caixa do supermercado. Caramba, está doendo aqui? A caixa não tem nada a ver com isso, mas por que você fala? Porque a inflamação, ela drena nossa atenção para aquele ponto. Não, tem alguma coisa errada ali, você tem que resolver. Então, essa é a capacidade da inflamação de desviar nossa atenção. Agora, imagina a sua perna inflamada o tempo todo, o dia inteiro continuamente. Você está o tempo todo olhando para a perna e comentando e incomodada e tudo. Mas isso é a parte estética? Até tem a estética, mas antes disso tem a inflamação. Se você não resolver a inflamação, você pode ter a perna mais bonita do mundo que você vai continuar incomodada com as pernas. Algumas pessoas acreditam que isso é uma questão psiquiátrica, de como se vê o próprio corpo. Na verdade, não, é uma questão inflamatória. Se está inflamado, está lá, vermelho, doendo, você não consegue definir o que você sente. Então, o problema está ali. Eu vejo duas ou três ruginhas, ou celulite, ou qualquer outra coisa, vou colocar a culpa no que estou vendo. E se é aquilo que estou vendo culpado, vamos arrancar fora porque eu não quero mais ver isso. E aí, muitas se surpreendem porque arrancam fora e aí percebe que a inflamação continua. Passei um minuto com certeza. Passou, mas tudo bem. Até eu esqueci do minuto. É muito difícil em um minuto, tá vendo? Quando a gente faz um ao vivo no jornal, que tem que ser um minuto só, olha a dificuldade que é resumir todas as informações, mas tudo bem, pelo menos foi isso. Isso porque o treino para falar, imagina quem não treina. Pois é, é difícil organizar as ideias e resumir tudo. É. Doutora Ida, da primeira vez que a gente conversou sobre Lipedema, aqui no Amatocast, tem alguma coisa na sua cabeça, no seu conhecimento que mudou, seu entendimento sobre Lipedema, alguma conclusão sua, algum direcionamento para os pacientes? Cada vez mais eu vejo Lipedema não como uma doença, mas como um sintoma. Então, por que isso? É um pouco filosófico, talvez até demais, mas por uma razão bem clara. Quando a gente dá um nome para uma doença, as pessoas já querem a solução para essa doença e param de tentar entender o próprio corpo. Elas se resignam ao azar. Ah, eu sou azarada de ter isso, então eu quero a pílula que trata isso, a cirurgia que trata isso, ou qualquer coisa que trata isso. Mas Lipedema não é um azar. Então, eu estou tentando inverter a lógica para Lipedema é uma sorte, em uma forma relativa. Mas se a gente para de olhar como uma doença e olha como um sintoma, eu até posso dar um remédio, alguma coisa para aliviar esse sintoma, mas eu não posso deixar de continuar pesquisando. Eu não posso fechar o prontuário e falar que ela tem Lipedema, ponto acabou e não é mais nada. Eu tenho que continuar investigando os gatilhos inflamatórios, o que levou a formar esse Lipedema. E isso só acontece se a gente transforma uma doença em um sintoma. Eu vou tentar explicar isso de uma outra forma. É uma dor de cabeça. Todo mundo já teve dor de cabeça na vida. Vai lá, toma um remédio, a dor de cabeça passa. Qual que era a doença? A dor de cabeça era a doença? É um sintoma. Você trata um sintoma. Todo mundo tem a noção disso. E se você toma o remédio, passa, está tudo bem, não tem mais nada, ok. Mas se você começa a fazer isso todo dia, calma aí, um problema está acontecendo. E aí você vai procurar o neurologista, ou quem quer que seja, tentar buscar a fonte do problema. Mas isso já está enraizado na cabeça das pessoas, porque dor de cabeça não é doença, dor de cabeça é sintoma. E agora, e se eu falo que o Lipedema então é um sintoma, as pessoas vão começar a falar, caramba, então não é só um azar. Eu posso estar envolvido nessa questão de estar acontecendo comigo. Eu tenho responsabilidade com isso também. Talvez eu melhore se eu mudar alguma coisa na minha vida. E a maior parte das pessoas sim, melhora. Só tem que descobrir o que. O que eu vejo é muita gente patinando, gastando uma energia imensa em muita coisa que não tem sentido, ou que não vai trazer benefício nenhum. E não faz aquilo lá que realmente faria diferença. O seu pareto, aqueles 20% que traíam 80% de resultado. E eu vou falar sério aqui. Virou mercado. Hoje, uma colega minha bem longe mandou uma foto mostrando o kit que estavam vendendo de tratamento do Lipedema com um monte de ampola. Tá aí, tratamento pronto. O que é isso? É a terceirização do problema. É o paciente que fala, ah, eu não quero ter nada a ver com isso. Eu pago para você resolver para mim. Com certeza, vai encontrar um monte de gente que fala que consegue. Só que não percebe que entra num ciclo vicioso que não tem fim. Porque vai lá, faz o primeiro procedimento e não gosta. Fala mal do médico, mas não volta lá, mas vai procurar outro que vai oferecer a mesma coisa. Mesma coisa com um nome diferente. E fica procurando tratamento estético, de tratamento estético e é uma vida toda se inflamando e sem encontrar uma solução. As pessoas que saem dessa corrida de ratos são aquelas que começam a olhar para dentro. E fala, puxa, qual que é meu papel nesse contexto todo? Não é possível. Se não é um azar, se não é uma sorte, não é uma doença, é um sintoma, o que que eu posso fazer para melhorar? Se eu te falar, você tem dor de cabeça porque você come chocolate. Tem gente que tem. Você pararia de comer chocolate? Ah, a dor de cabeça é tão forte que eu pararia. Ou, não, o gostante de chocolate que eu vou continuar sentindo dor de cabeça. Só que a pessoa que topou continuar a dor de cabeça não faz sentido ela continuar buscando outras razões ou continuar buscando outras explicações para aquilo lá. E eu lhe pedi a mesma coisa. Quando é um sintoma, a gente faz a correlação com alguma coisa, a responsabilidade está na mão de quem está vivendo naquele corpo. E depende da paciente, do paciente, para saber o que exatamente está causando o lipedema. Isso não é uma regra. Que é a história dos mastostos que eu comecei a falar no comecinho. Para mim, tanto que eu publiquei esse artigo, 61% pelo menos das mulheres com lipedema tem uma fonte alimentar nos gatilhos inflamatórios. Mas para uma pessoa pode ser um alimento e para outra pessoa pode ser um outro alimento. Sim, tem os mais frequentes, mas sim. Pode variar. Já peguei alimentos bem diferentes causando inflamação. É mais ou menos como uma alergia. Mais ou menos porque não é a mesma dinâmica ocorrendo no corpo, mas no final gera inflamação. Mas eu me perdi. Não, era essa a pergunta. Você tem algo... Ah, está falando dos mastostos. 60% é alimentar. Aí tinha aqueles 40% que eu não conseguia explicar. E aí eu só comecei a explicar na hora que me aprofundei no estudo dos mastostos. E é uma coisa... Apesar de ser uma célula que a gente conhece há muito tempo, a profundidade do que ela causa no nosso corpo, está começando a vir à tona agora. É muito legal. Essa era a minha próxima pergunta. Você tem alguma hipótese? Você tem algo no mundo do lipedema que pode mudar? Que pode revolucionar desde o diagnóstico até a causa, o tratamento, enfim. Tem uma coisa muito legal. Nossa, esse episódio tem um monte de coisa nova. Se buscar aqui o que eu falei, acho que eu não falei em nenhum outro local. Semestre passado aconteceu uma coisa que pode ser muito bom para muita gente. E não só com lipedema, mas com outras doenças também. Só que ninguém está atento ao que aconteceu. Então, eu vou falar aqui. Em 2020, duas mulheres ganharam o prêmio Nobel por causa disso. A tecnologia se chama CRISPR. É um método... A gente já tinha outros métodos antes, mas eram extremamente onerosos. E esse método tem um custo-benefício razoável. Então, dá para aprofundar a pesquisa nisso. É um método de mudança de gene. Então, se você tem uma doença em um gene só, esse CRISPR é uma proteína que foi tirada do sistema imunológico das bactérias. E ela vai lá e ela quebra o DNA naquele ponto e troca o gene. Imagina a grandiosidade disso. O semestre passado, uma criança que tinha uma doença que ia matar muito cedo, eles foram lá e trocaram esse gene dessa criança e doença resolvida. É tão custo-benefício aceitável que as pessoas estão brincando com essa tecnologia de fazer planta fosforecente, de fazer ratinho com colorido, porque você simplesmente consegue mudar o gene de qualquer coisa com essa tecnologia. Agora, imagina se a gente começa a estudar os genes que são responsáveis pelos... É porque todo mundo vai falar dos genes do lipedema. Não, são duas coisas que correm separadas, os genes do lipedema e os genes dos gatilhos inflamatórios. Ah, mas a gente está falando de lipedema aqui. Gente, o lipedema é o cálogo, o lipedema é um sintoma. É a ponta do iceberg. Muito embora eu me preocupe e trate o lipedema, eu estou olhando para o todo, para o geral. Imagina se a gente encontra os gatilhos inflamatórios que podem causar várias doenças e vários a gente já conhece. A gente vai lá e começa a trocar o gene dessas pessoas e elas não vão desenvolver essa doença no futuro. E aí, toparia fazer uma coisa dessa? E serve para qualquer coisa. Por exemplo, acontece e tem a probabilidade da pessoa ter o câncer, por exemplo. Sim, a Angelina Jolie foi que operou por causa do gene. Se não me engano, ela tem duas mutações. Eu não lembro dos detalhes do caso dela, não que ela não passou comigo, mas do que foi divulgado. Mas de qualquer forma, é isso, é um gene que ela poderia trocar. E isso tem uma proporção, assim, tem algum prazo para isso começar a ser aplicado? Já foi aplicado o semestre passado pela primeira vez. Primeira vez, mas, por exemplo, começar a trazer até para o consultório que vai. Então, vamos lá. Eu tenho a minha perspectiva disso. A gente está acompanhando uma evolução exponencial da inteligência artificial e da tecnologia. A gente não consegue acompanhar nossa mente. A gente não consegue acompanhar de uma forma linear a evolução. A gente enxerga como se fosse linear. Uma evolução exponencial é inconcebível para a gente. Mas o que se faz hoje era impensável há três meses atrás, do ponto de vista da inteligência artificial. Por que eu estou falando de inteligência artificial? Porque isso era um dos requisitos para a gente conseguir avançar bastante e rápido na tecnologia do CRISPR. Então, eu estimo que, em 5 a 7 anos, a gente já tem o CRISPR comercial para um monte de coisa e acessível a um custo razoável para a população em geral. Então, quando as pessoas me perguntam, ah, mas isso é para o resto da vida, hoje, até há pouco tempo atrás, falava, é, fazer o que agora eu falo, não, calma aí, você tem que viver mais uns 5, 6 anos, e repensa essa resposta. Sim, inclusive a inteligência artificial é o nosso próximo assunto da nossa gravação, não focado especificamente na medicina, mas de forma geral. E a inteligência artificial também deve mudar muita coisa, não só essa história que está falando, mas ligado ao IPD, mas deve ter muito avanço também. Ligado à saúde, em geral. Uma coisa que me deixava muito angustiado era a formação pífia dos médicos hoje em dia, naqueles explodiu a quantidade de faculdade por aí, e assim, não tem mais requisito, nem se você tropeçar na frente de algumas faculdades, você está inscrito, tem que até tomar cuidado que ele faz até um empréstimo no seu nome e você não percebe, você já está matriculado, né? E assim, na minha época, era selecionado, era extremamente difícil entrar na faculdade, então entrava aqueles que realmente conseguiam e que iam exercer da melhor forma possível. E hoje em dia não, hoje em dia qualquer um faz. Falar de médico, todo mundo gosta de falar mal de médico, é o alvo comum para... Aliás, isso é um assunto interessante para a gente falar também, mas a IA vai ajudar nisso, porque a gente vai ter a IA como um discurrinte do esterno na cabeça dos médicos, evitando que erros aconteçam, então isso vai facilitar bastante. Eu falei que é um assunto interessante para falar, porque você deve ter visto a notícia do Neurocirurgião, que comentou a morte do cara lá no Estados Unidos, do Kirk, e comemorando, né? Isso me faz... Isso me dá análise, um médico comemorando a morte de alguém. Na hora que a gente faz um compromisso com a vida, não importa a vida de quem, não importa em que situação. Eu lembro que quando eu atuava no Pronto Socorro, não vou falar nome, mas da periferia de São Paulo, chegavam um monte de gente de assalto, de criminoso, era assim, arrudo, toda noite tinha, tinha baleado. E assim, eu nem perguntava se era o bandido, se era o... O que ele fez, né? Eu tinha que fazer a minha parte, tinha que fazer a pessoa ficar bem. Isso não importa o que causou o evento, né? A gente não pode abrir mão dos nossos princípios por causa da opinião de uma pessoa, né? Tanto de um lado quanto de outro. Posso concordar ou discordar de uma pessoa? Eu não posso nunca mudar a minha conduta por causa da opinião dela. A gente tem que ser extremamente rígido nesse ponto, né? E aí vem essa abertura de faculdade para tudo quanto é lado e qualquer um entrando, onde vai estar essa rigidez, essa formação, essa ética, né? Acho que isso com certeza dá um episódio só para a gente falar sobre até essa questão de como funciona a emergência, quando chega alguém que chega até escoltado pelos policiais, como que é a conduta. Acho que o tema do episódio poderia trazer a visão do médico, um título assim, trazer a visão do médico sobre a profissão, saber algo mais pessoal mesmo. Alguém que seja trabalhando atualmente na emergência, né? É muito legal. Eu tenho uma vontade imensa de ser um dia médico de emergência, seria só para ser médico de emergência, porque acho que essa adrenalina está em mim, né? Você sabe que tem um gene chamado geniconte. O geniconte é o gene guerreiro. Você mostrou rapidinho o seu exame genético, eu não olhei esse, então não posso falar. Esse daí saiu, sai naquele exame? Você sai naquele exame. O geniconte é o seguinte, ele tem os dois extremos. É, conversa comigo é eclético. A gente acaba falando de várias coisas. Mas um lado é o GG, é o guerreiro, o outro lado é o AA, que é o preocupado, e no meio tem o GA, que são os equilibrados. Quem gosta disso que você está falando, gosta não, acho que gosta não é a palavra certa, mas quem prospera nisso são os GG, Conte GG. São pessoas que têm uma quebra da dopamina muito rápidas, mas na prática isso... O Conte, ele monta 70% da nossa personalidade, então são as pessoas que prosperam no caos. São as pessoas que vivem... É assim, pode estar caindo um helicóptero do lado, eu estou fazendo o que precisa ser feito. Mas essas pessoas não conseguem fazer o oposto. O oposto, se você tem essa gene, você vai responder. Não consegue fazer uma aula de pintura de 6 horas. Não, eu não sei, jamais. E me dá... Nossa, só de pensar, eu me dá angústia. Eu realmente tenho, tenho certeza, preciso confirmar... Esse é o Conte GG. O Conte AA, que é o gene preocupado, são pessoas extremamente preocupadas, preocupada com tudo. Ah, vou fazer isso, não vou... muita preocupação envolvida. Elas quebram um pouco a dopamina, então tem um excesso de dopamina no cérebro, são pessoas mais fáceis de ficarem felizes, mas elas são muito preocupadas, mas elas conseguem manter a atenção em coisas assim, por horas a fio, coisa que o GG não consegue de jeito nenhum. São os extremos opostos. O duro é quando o gosto não está batendo com a genética. São as pessoas que gostam do ambiente, de um pronto-socorro, por exemplo, mas não tem a genética para acompanhar isso, então fica lutando contra a própria natureza. Com o flexo? A minha genética, eu estou no meio, eu não sou nenhum, nenhum outro, eu tenho um equilíbrio, tanto que eu já fiz de tudo, já tive na vida do caos, já tive na vida do pacato, tento achar algo... E a emergência não brilhou seus olhos? Demais, mas acaba com o meu corpo. Eu não consigo prosperar nessa adversidade, eu preciso de um pouco de ordem. Entendi. E o lipedema que acabou brilhando seus olhos de verdade, que ganhou um reparação, seus olhos, tudo. Exato, a minha dopamina está aí, em descobrir coisas novas. Legal, já dá para ver nessa conversa, que a gente acaba mudando o foco do tema. Mas é, ontem estava tendendo a paciente, com o lipedema, paciente já antiga, se ela me vê, ela vai saber que é ela. Aí no meio da consulta, a gente começa a falar de informática, e depois do software que a gente está fazendo, eu sei o quê, ela falou, não acredito, mas eu quero fazer a mesma coisa, então vamos lá, vamos fazer... Eu falei, não acredito que estou falando disso na consulta. Como é isso que você pensa? Para parar nessa parte da conversa. E a gente começou a falar, que deu aqui, de falar... Normalmente é o TDAH, você puxa um fio, aí vem outro, aí vem outro, no final... Não lembra nem como começou. É síndrome da Wikipedia, uma coisa assim, é um termo... aquele cara que entra na Wikipedia e fica clicando no link, lendo de... a guerra civil, no final ele está vendo elefante na África. Acho que eu tenho isso também. Porque é de fato, tem aqueles, como é que fala, hiperlink, hiperlink. Aí você clica em outro, clica em outro. Mas você sabe que tem até campeonato disso? Olha lá, é o TDAH, é já mudando de assunto. Eles dão dois termos para você, por exemplo, isso que eu acabei de falar, guerra civil e elefante na África, e aí eles fazem o campeonato para ver quem consegue correlacionar os dois termos com menos links. Então, todo mundo parte do mesmo lugar para você chegar no elefante... Com quanto você chega naquele termo? Legal, acho que também eu pensei em outro tema, que é de super dotados. Legal também a gente falar. Isso é legal. Você falou dessa competição, eu lembrei do soletrando que tem até agora das crianças. Porque são crianças, gente, assustadoras, que fazem contas enormes de, demora 10 segundos para dar um resultado, parece uma máquina. É o Raymond, né? Esse daí é muito legal também, notar essas duas ideias. Manda aí aqui para a gente também, se durar dessa conversa, que a gente foi mudando aqui de foco, se vocês lembraram de alguma coisa, o que vocês querem ver aqui. Doutor, vou agradecer a sua participação no nosso próximo episódio. Então, a gente vai falar especificamente sobre o Lipe Curso, um pouquinho mais sobre o Lipe Dema também, vai tentar trazer o Doutor Daniel Bernitte, né, para conversar com a gente. Isso. E a gente deixa os links aqui para quem quiser acompanhar. Obrigado. Combinadíssimo, obrigado. Até a próxima. Também vou aproveitar e agradecer o nosso patrocinador aqui do AmatoCache, para quem já acompanha bastante tempo, sabe? Para quem está chegando agora. Só para vocês saberem um pouquinho que a gente tem a colaboração aqui do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco do origem, a qualidade de vida e prevenção. Música Muito obrigada a você que acompanhou aqui até o final e até a próxima. Não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas em qualidade de vida. Obrigada mais uma vez. Até a próxima.
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