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Dor nas PERNAS: AmatoCast Ep 32

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Dor nas PERNAS: AmatoCast Ep 32

Dor nas pernas é um sintoma comum com múltiplas causas, sendo as de origem vascular, neurológica e ortopédica as mais frequentes. O Dr. Alexandre Amato destaca

Capítulos

Perguntas respondidas neste vídeo

O que a gente pode já adiantar para o nosso público?

Tem muitas causas de dor nas pernas, um sintoma super comum na população em geral. E muitas dessas causas vêm de origem circulatória, então eu acho que como cirurgião vascular eu tenho muito a acrescentar.

Como que a gente pode definir de fato uma dor na perna?

Dor na perna, quando a gente fala dor parece uma coisa simples, mas dor tem várias características. Pode ser uma dor em queimação, pode ser uma dor em pontada, mas outras dores não são tão facilmente caracterizadas.

Por que que eu estou falando que é uma dor?

Porque as vias nervosas são as mesmas. Então é o aviso do corpo que tem alguma coisa errada acontecendo ali, que a gente tem que identificar e tirar esse fator causal. Então existem algumas dores bem características de problema circulatório.

Isso é uma dor, quando há um problema vascular, mas nas pernas especificamente, na região da coxa, da panturrilha, ou não?

Pode ser que tenha esse desconforto também no tornozelo, também no pé, ao literalmente caminhar no movimento. Você falou em dor irradiada. Dor irradiada é o seguinte, quando a gente tem a compressão de um nervo, normalmente não é naquele ponto em que a gente vai sentir a dor, a gente sente a distância.

Eu estava tentando arranjar, desculpa, para colocar o lipedema que pauta, né?

O lipedema também é uma causa de dor nas pernas, muito importante.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais uma matoqueste pelo canal do Instituto Amato. Agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios, estive aqui com o Dr. Antônio Rao, radiologista intervencionista e com o Dr. Erivel Tuvoupe, cirurgião de cabeça e pescoço, para falarmos sobre doenças da tireoide, diagnósticos e tratamentos. Hoje, nós estamos aqui com o Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular para tratarmos sobridores nas pernas. O professor doutor Alexandre Amato é médico e cirurgião vascular e endovascular do Instituto Amato. O especialista é doutor em ciências pela Universidade de São Paulo, atualmente faz pesquisa científica em lipedema e é presidente da Associação Brasileira de Lipedema. Além disso, é doutor de diversos livros sobre saúde. Mais uma vez, bem-vindo aqui no AmatoCast, doutor. Obrigado, Letícia. Obrigado pelo convite. Bom, então a gente já começa de uma forma um pouco diferente, desde os nossos últimos episódios. Então eu queria saber de você o que a gente pode já prever sobre esse tema, sobre dores nas pernas, sem dar muito spoiler. O que a gente pode já adiantar para o nosso público? Tem muitas causas de dor nas pernas, um sintoma super comum na população em geral. E muitas dessas causas vêm de origem circulatória, então eu acho que como cirurgião vascular eu tenho muito a acrescentar. Com certeza. Bom, então agora vamos já direto para os nossos destaques do episódio. Queria começar a entender o que é de fato uma dor na perna, porque eu tenho certeza que quem está nos acompanhando até a gente já sentiu algum conforto na perna, às vezes está muito tempo na mesma posição, sentiu uma dor, um desconforto, não sabe se aquilo é normal, se faz parte de algum tipo de doença, deve realmente ficar preocupado. Então quais são esses sinais de alerta? Como que a gente pode definir de fato uma dor na perna? Dor na perna, quando a gente fala dor parece uma coisa simples, mas dor tem várias características. Pode ser uma dor em queimação, pode ser uma dor em pontada, mas outras dores não são tão facilmente caracterizadas. Por exemplo, aquela sensação de peso no final do dia, aquilo também é uma dor. É que as pessoas podem acabar nomeando de uma forma diferente. Então esse incômodo, esse mal estar na perna também pode ser uma dor. Por que que eu estou falando que é uma dor? Porque as vias nervosas são as mesmas. Então é o aviso do corpo que tem alguma coisa errada acontecendo ali, que a gente tem que identificar e tirar esse fator causal. Então existem algumas dores bem características de problema circulatório. A primeira delas se chama-se claudicação, claudicação intermitente. Claudicar no dicionário está escrito como mancar, mas para a gente é um pouquinho diferente. É aquela pessoa que anda e ela tem que parar por causa da dor na perna. E ela espera um pouquinho, melhora a dor e volta a caminhar. Essa é a claudicação intermitente. É a dor mais característica de um problema vascular. As pessoas são tão facilmente identificáveis que ela consegue até falar quantos metros ela caminha e ela fala se ela está melhorando ou piorando por causa dessa quantidade de metros. Então se está diminuindo, ela está piorando. Se está aumentando, ela está melhorando. Uma outra é a claudicação venosa. Essa claudicação venosa é essa sensação de peso, cansaço mais típico no final do dia. Isso é bem característico de um problema nas vias. E tem a claudicação neurológica também, que é quando tem uma compressão de um nervo. E normalmente é um problema na coluna, um problema neurológico que vai desencadear essa dor. Essas são as mais características. Existem outros tipos de dores, obviamente. Doutora, essas dores podem também ter picos que ela aparece para essa pessoa. Por exemplo, uma semana, muitos episódios, três, quatro vezes na semana, a pessoa percebeu essa dor. Mas às vezes uma semana pode sumir ou não. Quando tem um sinal de alerta, a pessoa vai perceber isso todos os dias, esse desconforto. Essa intermitência está mais correlacionada às causas não vasculares. As causas vasculares têm uma certa recorrência nessa dor. Então a dor arterial, por exemplo, que é quando tem a obstrução de uma artéria, não está chegando sangue oxigenado lá. Então toda vez que ela se movimentar, toda vez que fizer o exercício, toda vez que o músculo demandar oxigênio, não vai chegar oxigênio suficiente, vai acabar causando a dor. Na dor venosa, ela vai piorando conforme o passado do dia. Obviamente, se fica mais tempo de pé, mais tempo parado, sem contrair a musculatura e bombiar o sangue de volta para cima, também vai ter dor. Agora, a neurológica pode ter momentos em que piora e em que melhora, por causa da posição, por causa de como está naquela semana. Então essa intermitência está mais correlacionada com as causas neurológicas. Agora, um fator de alerta é quando não tinha nada e começou a ter uma dor, uma dor aguda, uma dor que é uma novidade para o corpo. Puxa, vamos investigar, entre os sistemas vasculares, tem o sistema arterial, tem o sistema venoso e tem o sistema linfático. O sistema linfático não costuma trazer dor, mas se tem dor, por exemplo, é uma infecção, uma erisipela. Isso é um sinal de alerta gravíssimo, tem que tratar. No sistema venoso, aquela claudicação venosa que vai piorando durante o passado das horas do dia, se muda de uma semana para outra, muda alguma coisa está acontecendo. Mesma coisa com o arterial, tinha aquela dor, caminhava 100 metros, de repente passou para 10 metros, alguma coisa aconteceu de piora e a gente tem que investigar. Quando a gente fala dessa dor ao caminhar, por exemplo, a gente sabe que às vezes acabei irradiando para o tornozelo, para o pé. Isso é uma dor, quando há um problema vascular, mas nas pernas especificamente, na região da coxa, da panturrilha, ou não? Pode ser que tenha esse desconforto também no tornozelo, também no pé, ao literalmente caminhar no movimento. Você falou em dor irradiada. Dor irradiada é o seguinte, quando a gente tem a compressão de um nervo, normalmente não é naquele ponto em que a gente vai sentir a dor, a gente sente a distância. Então a dor siática é um bom exemplo disso. Pode ter uma hérnia de disco, uma compressão desse nervo, a pessoa vai sentir todo o trajeto da perna, todo o trajeto do nervo siático, vai sentir o incômodo. Mas o problema não é ali, o problema é exatamente onde o nervo está sendo comprimido lá mais próximo da coluna. Isso que é a dor irradiada. Agora, obviamente, a gente tem problemas orthopédicos também, tem problemas de articulação que podem desencadear a dor localmente. Então acho que é isso que a gente tem que entender e diferenciar. Se o problema é ali, que está acontecendo, que o nosso cérebro interpreta como a dor sendo ali, mas é o nervo que está levando essa informação para o cérebro. E se tem um problema no trajeto desse nervo, às vezes o problema não está lá, está no trajeto do nervo. Em relação aos sintomas, a gente fala muito do desconforto incidador, que já é um sinal de alerta, que claro, a pessoa não tem como não perceber esse desconforto ao caminhar ao longo do dia. Mas fazendo uma breve pesquisa também sobre esse tema, há outros sintomas, inclusive que nós trouxemos aqui em outros episódios como, por exemplo, varízes, que podem ser até o lipedema. Lipedema. Pode ser o sinal para a pessoa já levar essa questão de ter uma doença vascular ali na região das pernas, doutor? Sem dúvida, né? Eu estava tentando arranjar, desculpa, para colocar o lipedema que pauta, né? O lipedema também é uma causa de dor nas pernas, muito importante. E o que a gente tem que fazer é estabelecer o nexo causal, né? Porque às vezes o problema está ali, mas ele não é a causa da dor. Vou dar um exemplo. Então, a pessoa que tem uma veia varicosa na perna e sente dor na perna. É assim, mas sempre essa veia vai ser a causa da dor? Não, às vezes tem um outro problema lá que não é tão aparente assim e que pode estar trazendo a dor na perna. Então, uma pessoa que tem a veia varicosa grandona e tem um lipedema não tão aparente e tem dor na perna, o que está doendo? É a veia ou é o lipedema? Estabelecer esse nexo causal é muito importante, porque às vezes você sai tirando uma veia que não era a causa e vai continuar sentindo a dor. Então, a gente tem que identificar muito bem isso. Como fazer? Estabelecendo aí numa conversa com o médico, todos os critérios da dor. Ela está aparecendo desde que acordou, é só no final do dia. É uma dor que vai, vem durante a vida ou que tem piora quando está subindo uma ladeira ou quando está descendo uma escada. Aí a gente consegue ir rastriando qual que é a origem da dor. E às vezes, obviamente, se tem os dois problemas, pode ser um pouquinho de cada um. Que seja um tratamento, às vezes, que ande junto ali, né? É, o que me deixa muito incomodado e com medo, é que as pessoas são muito rápidas em estabelecer o diagnóstico e a causa e sair tratando às vezes o que não é a razão da dor. Então, a gente tem que tomar muito cuidado com isso, que é o fechamento precoce. Ah, tem varízes, então a dor é óbvio que é por causa das varízes, então vamos arrancar fora as varízes e ponto final. Sim, faz tudo isso e aí depois continua sentindo dor. A gente tem que ir com calma e às vezes usar, por exemplo, nesse exemplo, usar um pouquinho de meia elástica, aí você consegue perceber se melhora ou não da dor. A meia elástica vai melhorar a dor de origem venosa. Se era uma dor neurológica, pode usar quanto quiser de meia elástica, que não vai melhorar nada. Então, se você tem as veias, sente a dor, usa a meia elástica e melhora com a meia elástica, ótimo! Se você fizer a cirurgia e tirar as varízes, vai melhorar também. Agora, se você tem a dor na perna, tem as varízes, usa a meia elástica e não melhora da dor, fazer a cirurgia talvez não vá trazer uma melhora também. Então, a gente tem que ter essa paciência para estabelecer esse nexo causal. Está em importância do diagnóstico, então, de ter essa questão exatamente da palavra. Dá paciência para saber exatamente o caminho do melhor tratamento. Exatamente. E procurar sempre o especialista. Eu sei que dor na perna é um pouquinho complicado, porque eu já falei de problema neurológico, falei de problema vascular. Tem o lipidema também, que é terra de ninguém. As pessoas não sabem quem procurar para ajudar. E aí, a gente começa a abrir um leque de especialidades, o orthopedista. Quem procurar tem dor na perna? Quem procurar? Parece que quando a pessoa está sentindo incômodo, vai no Google, vai procurar dor na perna e aparece aquela lista de milhares de pessoas. Exatamente. A gente pode fazer algo muito grave até alguns dias. Desde câncer, que também causa dor na perna, mas é mais raro até unir encravada, que também vai causar algum tipo de dor. A internet aparece, você tem cinco dias de vida quando você está sentindo uma dor ali. É isso aí. Normalmente, o que acontece é o seguinte, se você busca algum desses especialistas que lida com dor na perna, eles vão saber rastriar a origem e se não for de competência deles, eles acabam encaminhando para o especialista. Mas, na dúvida, se quiser começar com o clínico geral, ele já tem uma boa condição de eliminar as causas que não são e acabar encaminhando para o especialista mais adequado. Quando tem mudança na cor da região da perna, doutor, isso já indica algum problema vascular mais específico? A dermatitiocre, aquela mancha amarelo-escura, é ocre. Ela denota insuficiência venosa. Normalmente, é um ponto mais avançado na doença. Quem tem isso, normalmente, já passou pelas fases mais estéticas e tudo mais e acabou piorando. Então, sim, essas manchas, normalmente, sugerem um problema vascular. E é engraçado, porque ver mancha na pele é um problema dermatológico. Mas não é um problema venoso, insuficiência venosa. Até quando a pessoa acaba batendo em algum lugar e percebe que fica um roxo muito maior, muito mais fácil, isso também tem alguma relação com a questão vascular? Essa fragilidade capilar, ela é bem mais frequente no lipidema, principalmente naquele lipidema que está super inflamado. São as pessoas que, às vezes, nem lembram que esbarraram ou começam a parecer roxo do nada na perna. Isso aí é a fragilidade capilar de um lipidema super inflamado e dói. Dói, porque se o lipidema está inflamado, já está trazendo a dor. Normalmente, não é o próprio hematoma que está doendo, é a perna inteira, porque ela vai estar por inteiro inflamada. Mas, quando tem o hematoma também, aquele sangue fora do vaso também causa uma inflamação ao redor. Eu preciso falar de algumas outras dores que são importantes também. Não posso deixar de falar aqui que é a trombose e a tromboflebit superficial. A trombose pode ser tanto arterial quanto venosa. Normalmente, é a formação de um coágulo que vai obstruir o vaso e não vai passar sangue arterial, ou não vai retornar sangue venoso. E a tromboflebit superficial, que é uma trombose especificamente numa veia superficial, que causa uma inflamação ao redor e uma dor naquele trajeto da veia. Na tromboflebit superficial, pode ter um cordão endurecido, como se fosse um barbante esticado, endurecido, vermelho, que você encosta e dói. Agora, na trombose venosa profunda, a gente não consegue sentir essa veia, porque a veia é bem mais profunda, mas como causa um processo inflamatório ao redor, também traz dor. A trombose venosa profunda é uma situação bem crítica, porque corre o risco daquele trombo se desprender e entupir uma artéria pulmonar, que aí é embolia pulmonar. É algo bem grave. Normalmente, eles vêm associados a dor com o enchaço e na tromboflebit superficial, também tem aquele enchaço superficial além do vermelhão. E assim, tem que identificar cedo, tratar cedo para evitar uma complicação grave. E algumas dessas questões, alguns desses diagnósticos, vêm acompanhados do formegamento, da dormência, que também acaba sendo bem comum, né? Quando é uma dor de origem neurológica, sim. Pode ter a compressão de negro. Na questão da trombose, é bem comum, mas a questão é, normalmente pode ocorrer também pacientes mais idosos, que também tem uma certa compressão do nervo, né? Tem a meralgia paraestésica também, que é a compressão do nervo da região mais na frente aqui e acaba causando uma área de formigamento, sabe? Lembra aquele papel contact que a gente passa em volta do livro? Então parece que tem um papel daquele grudado na nossa pele, né? Isso é a parestesia. Para algumas pessoas, pode ser como se fosse um monte de formiguinha andando na perna, então formigamento. Pode ser sensação de calor, frio, uma alteração no toque. Normalmente, quando tem isso, tem dano neurológico. Isso é um... A gente pode dizer que é uma situação mais grave quando tem algo neurológico do que... É difícil comparar, né? Um dano neurológico como uma questão vascular. Não sei se fica claro, mas, por exemplo, se a pessoa que está nos acompanhando já identifica sinais que podem estar ligadas à questão neurológica, o tratamento seria mais difícil? Acho que essa é a pergunta. É que eu vou sempre achar mais fácil o tratamento vascular, porque eu sou vascular, então aí é um pouco difícil. Eu falar isso porque na hora que o neurológista ou o neurocirurgião vê um problema neurológico, provavelmente ele deve olhar e falar assim, É mais fácil tratar isso do que um problema vascular, né? Mas eu acho que o que é importante alertar aqui é o seguinte, que normalmente nessas paristesias, nesse formigamento, a sensação é a seguinte, todo mundo não, a maior parte das pessoas vai descrever da seguinte forma. Não está chegando sangue na minha perna. Essa é a sensação e 90% das vezes o problema está no nervo e não é o sangue que não está chegando. Então é muito, muito, muito comum para a gente chegar para mim e o problema não ser de origem vascular, simplesmente porque o nosso corpo, ele não sabe dizer, ah, é nervo ou ah, é arterial. A gente tem uma sensação lá e essa sensação, normalmente na mentalidade de todo mundo, faltou sangue, faltou sangue. Sempre que a gente sente um formigamento, a pessoa já, ah, deixa eu levantar para ir sangue aqui na nossa perna. É, é exatamente isso que eu estou falando. Agora, com o mídia social, o celular, todas as pessoas acho que ficam mais tempo na privada do que antigamente, né? Eu vi um meme na internet esses dias, a pessoa estava o texto falando assim, ensinando o meu marido a andar de novo depois de duas horas no banheiro, né? Mas, na verdade, isso aí ficou sentado muito tempo, comprimindo o nervo e aí causa essa parestesia. Então pode pegar qualquer um que fica sentado numa posição incômoda por muito tempo, para sentir esse formigamento. Não é que não está chegando sangue, sangue está chegando, porque se não tivesse, a perna estava roxa e fria, né? Mas a sensação é essa. É, é difícil diferenciar, mas esse meme realmente já tem muitos, né, que falam, ah, quando meu marido esquece que tem esposa, né? Eu vou depois de dias encontrar com ele de novo, que ele está ali no banheiro. E agora a câmbra, doutor? Isso também é muito comum, né? Tem alguma ligação com esses problemas, com essas dores nas pernas, até com algo mais grave, como a gente sentou da trombose? Então a câmbra é um sintoma que, primeiro, quando alguém chega para mim falando de câmbra, eu tenho que definir muito bem o que é câmbra, ou entender o que a pessoa está querendo dizer quando ela fala câmbra, porque para algumas pessoas elas falam, ah, câmbra, mas na verdade estão querendo falar uma dor forte. Mas a definição médica de câmbra é aquela contração muscular forte e que desencadeia dor e que você não consegue controlar. Então algumas pessoas acham que estão tendo câmbra, mas na verdade estão tendo uma dor forte só. E a câmbra, ela pode ser resultado de muita coisa, desde a alteração hidroeletrolítica, os metabólitos do corpo, que acabam desencadeando essa contração, num lipidema inflamado, pode ter câmbra também, mas normalmente é o estímulo para a contração da musculatura de forma anômala. Então não é frequentemente um sintoma essencialmente vascular, mas pode acontecer numa doença venosa, pode acontecer numa doença arterial também. E quando as pessoas dizem que quando você sente aquela dor aguda da câmbra, acho que todo mundo que está acompanhando, uma vez na vida já sentiu, ou várias. E até quando a gente é menor, alguém fala, ah, estica, precisa puxar para melhorar. Realmente essa é a recomendação, ou, dependendo do caso, isso acaba piorando? Essa é uma dica muito boa, acho que para evitar câmbra, e eu tenho uma dica que funciona e que é muito boa, que é o alongamento. Fazer o alongamento, ele previne câmbra e ele pode ajudar a acessar uma câmbra, mas com cautela, não vai exagerar. E no momento que dá aquele pico da dor da câmbra, fazer o movimento ao contrário de onde a dor dá, não acaba doendo mais. Então, no momento da dor, é melhor até fazer uma massagem. E para evitar a câmbra, aí fazer o alongamento. Então, primeiro que tem que investigar, se está tendo câmbra recorrentemente, pô, passa no médico, vamos identificar o que está acontecendo. Mas para evitar, para ter algumas noites de sono mais tranquilos, faz um alongamento antes, isso já ajuda bastante. E no momento que acontecer, fazer uma massagem leve, não tão forte assim, pode ajudar. A gente citou bastante, até você já entende a questão de Trombóz, que estava na minha lista aqui também para a gente citar das causas mais comuns relacionadas às dores nas pernas, mas também há uma lista de causas menos comuns que inclui até tumores. Qual tem algum sinal de alerta aqui para a pessoa essa diferenciação, ou não isso só com o exame? Como funciona esse diagnóstico de problemas mais graves relacionados às dores nas pernas? Então, tumor na perna é incomum, tá? Isso é uma coisa boa. Tanto que eu lembro que um dos primeiros tumores na perna que eu identifiquei, até transformei em um artigo científico, publiquei, um sarcoma, é um troço extremamente raro. Mas quando é um tumor, tem que ter um nódulo, tem que ter algo crescendo. Acontece que existem outras coisas que crescem e que não são tumores. Por exemplo, um lipoma pode crescer e é só gordura, não vai malignizar. Uma ingua, que é um ganglio inchado por uma infecção, também pode aparecer um nódulo e não são tumores. Mas se tem alguma bolotinha crescendo, pelo amor de Deus, procura um médico que é melhor errar para mais do que errar para menos. Na cautela, eu quero dizer. Em questão de doença mais rara, mais difícil de ser diagnosticada, seria os tumores. Tem algo além que a gente pode citar, doutor, dessas causas nas didores, nas pernas, ou a gente já citou as causas mais comuns, a gente já citou, que varizes do lipidema também, que pode estar relacionado, até problema neurológico, mas os menos comuns. Os menos comuns eu estou tentando lembrar aqui, porque como eles são incomuns, eu acho que o mais incomum que eu peguei foi Leia Milsarcoma e o Linfangioma. O Linfangioma é um tumor dos vasos linfáticos. Esse é o mais incomum de todos, mas puxa a vida. Na minha vida foram dois casos, então acho que ninguém precisa se preocupar com isso. E o camido é o mesmo ali do diagnóstico e excusão, a gente já havia citado que esse caminho do diagnóstico é muito importante para realmente entender o que está acontecendo e fazer melhor tratamento. Sim, eu acho que a preocupação de todo mundo tem que ser no diagnóstico correto e tomar cuidado com esses diagnósticos precoces e fechamento precoce. Então, a via, a veia, a varicosa lá, é certeza absoluta que é ela que está causando a dor. Às vezes não, às vezes pode ter um problema no joelho, às vezes pode ter uma lesão articular, às vezes pode ter uma lesão neurológica. E a veia está lá só porque ela está lá, calhou de estar lá naquele momento. Então, tomar muito cuidado com estabelecer essas conexões muito rapidamente. E sempre que possível, fazer um tratamento menos invasivo antes para tentar identificar se aquilo lá é realmente a causa ou não. Porque veja, as pessoas entendem errado o tratamento não invasivo. Eu vou falar de varices que é mais fácil eu explicar, mas tem lá as varices. E aí tem dois tratamentos. Se é um tratamento conservador e tem o tratamento cirúrgico. Aí faz o tratamento conservador não melhora. Aí na cabeça das pessoas passa o seguinte, ah, então eu vou fazer a cirurgia para melhorar. Mas para mim é exatamente o oposto. Quer dizer, se fez o tratamento conservador e não melhorou, provavelmente a origem da dor não está nas varices. É outra coisa, tenho que investigar outra causa. E não passar direto para a cirurgia, só porque o tratamento conservador não funcionou. A falha no tratamento conservador estava em estabelecer quem realmente estava causando a dor. Era as varices ou era, sei lá, um lipidema. Só que, 99% das pessoas vão falar assim, ah, falhou a meia elástica, vou para a cirurgia, porque agora vai dar certo. Aí opera, tudo bem, fica sem veia, fica bonito, não resolve a parte estética. Mas às vezes não resolve a causa inicial que era a dor. Importante a gente citar essas opções de tratamento, até sobre esses problemas que a gente já citou, o que é mais indicado para cada caso. Só tirar mais uma dúvida, que fazendo essa pesquisa do diagnóstico, eu encontrei uma reportagem que diz, pode ser a dúvida de alguém também, sobre dores nas pernas relacionadas à Covid-19. A reportagem dizia que quem teve por muito tempo Covid, mais de uma vez costuma ter, ou já apresentou alguns pacientes que foram usados como exemplo, nessa exemplos na reportagem, tiveram esse problema. Tem alguma relação de fato à doença em si, ou seria a questão da pessoa ficar ali acamada? Por isso que teve as dúvidas? Pois é, eu tenho um vídeo no nosso canal, que eu fiz sobre o Covid-19 e dor na perna. Tem relação, sim, aumentou bastante. Eu tenho as minhas suspeitas. Eu acho que é uma baita de uma doença inflamatória, e principalmente para aquelas que têm lipedema, você desencadeia a inflamação e começa a doer bastante. Aí isso acaba aumentando a estatística de quantas pessoas têm dor na perna depois do Covid. Ainda falta muita investigação, mas também é uma doença que aumentou risco de trombose, então pode ser a dor por causa da trombose também. Então está assim relacionado com o Covid-19 com dor na perna, isso não tem dúvida nenhuma. Algo que também faz parte da processo de diagnóstico, para saber se a pessoa já teve, quantas vezes teve? Sim, eu tive, quando tive Covid, eu tive bastante dor na perna. E depois melhorou sozinho? Passou. É assim, quando a gente sente na pele, a gente começa a acreditar em algumas coisas que às vezes não acreditavam antes. É, realmente. Agora, em questão de tratamento, a gente sabe que quando a pessoa também começa a sentir esse desconforto, não é algo que priva alguma atividade ou até a rotina, algo do dia a dia, costuma pensar já em gelo, ou de bolsa de compressão quente, enfim, qualquer tipo de tratamento caseiro do que a pessoa tem em casa. Isso pode ser uma forma de ajudar, ou deve ter uma atenção em relação a isso, dependendo do tipo de problema. Isso pode piorar, colocar gelo, uma compressa quente, enfim, como funciona a questão do tratamento? Ok, então compressa a morna e compressa a fria. Eu vou falar o princípio básico delas, a gente tem vídeo aqui no canal sobre cada uma, mas compressa a morna causa vasodilatação, então aumenta o diâmetro do vaso, de forma a chegar mais sangue no local, e tem um efeito anti-inflamatório. A compressa fria, ela vai causar a vasoconstrição, ou seja, os vasos eles fecham de tamanho e diminuem a quantidade de sangue que chega, e causam a analgesia, que é a diminuição do dor no local. Isso não é inócuo, ou seja, isso causa efeito real na circulação. Imagina se tem uma dor de origem arterial, que obstruiu a artéria, não está chegando sangue no final, e aí a pessoa vai lá e coloca gelo, vai causar mais vasoconstrição ainda. Então corre-se o risco de causar um dano. Então é muito importante o diagnóstico antes de começar a fazer alguma coisa desse tipo. Porque realmente ele vai ter um efeito funcional na circulação. Pode fazer parte, por exemplo, de um direcionamento, de uma orientação médica, usar ou não o gelo, mas isso faz parte, literalmente, da orientação. Precisa passar pelo dia a dia. Exatamente, muito importante. Tem o frostbite, que é a dor pelo congelamento. Isso é muito frequente em quem vai escalar e malar, ou fica muito tempo na neve. Eu estou falando de extremo, porque é sempre mais fácil explicar com extremo, mas a vasoconstrição é tão grande que pode ter necrose. Tem história, relato, tem até um vídeo que eu rodou na internet recentemente da pessoa que perdeu todos os dedos da mão por causa de uma lesão pelo frio. Então tem que tomar muito cuidado. Eu vejo também, compressa fria. As pessoas fazem alguma lesão na ponta do dedo e vão lá e colocam o gelo... A ponta do dedo não é para colocar gelo, porque a vasoconstrição é grande. Você pode acabar causando uma lesão. O gelo você pode colocar em uma área mais central. Agora, compressa a morna, o dano não é tão grande assim, vai causar uma vasodilatação e a diminuição da inflamação. O máximo que pode acontecer é não ajudar em nada. Mas tomar muito cuidado com o gelo. Doutor, e você sendo cirurgião vascular, a gente não pode deixar de falar sobre tratamento cirúrgico. Então eu queria que você tivesse uma breve explicação também sobre a questão tanto do tratamento conservador, como funciona, qual é o direcionamento em relação a isso, e o tratamento cirúrgico. Quando, de fato, é necessário, como funciona essa questão cirúrgica, a recuperação? Vou falar da doença venosa, que é a mais comum, que acomete em 80% dos casos. O tratamento conservador está ligado com o uso de compressão, com o exercício físico, melhorar a musculatura da panturrilha para melhorar o retorno venoso, hidratação. Esse é o tratamento conservador. Ajuda, ajuda, funciona, funciona. Só que o dia que parar de fazer, a doença continua a progredir, e os sintomas voltam. O tratamento cirúrgico consiste na retirada dessas veias que estão doentes. Então você meio que elimina o problema naquele momento. Só que essa pessoa pode ter a doença de forma genética e pode apresentar mais lá na frente, na vida, outras veias doentes. Então, quem tem, por exemplo, uma veia varicosa, grande, opera, tira essa veia, talvez não precise usar uma meia elástica continuamente. Talvez para evitar a progressão da doença em alguns momentos. Agora, quem não faz a cirurgia, vai ter que usar todos os dias, senão vai sentir os sintomas. É assim que funciona. Até determinado ponto da doença venosa, a pessoa pode escolher. Então, está numa fase mais inicial. A gente pode só observar, a gente pode fazer só o tratamento conservador. Quem quer operar também pode operar. Mas à medida que a doença vai progredindo e ficando mais grave, por exemplo, aquilo que a gente comentou, das manchas na perna, isso já é um avanço na classificação da doença. Aí, eu, como cirurgião, vou ser um pouco mais incisivo na necessidade de operar. Porque o efeito da cirurgia é muito maior do que do tratamento conservador, nesses casos. E como funciona a cirurgia em si? A gente não consegue restabelecer uma veia doente. Então, na hora que as válvulas pararam de funcionar, acabou. Não tem como recuperar. O bom do sistema venoso é que a gente tem muita veia. Então, a gente pode tirar aquela veia que está doente e, às vezes, ao redor que ainda estão funcionantes, elas estabelecem ali uma malha venosa que é o suficiente para aquele membro, para aquela área. Então, a gente pode ir tirando as veias que estão doentes sem maiores problemas. Isso no sistema venoso superficial. Quando a gente está falando do sistema venoso profundo, a gente não tem essa malha venosa tão grande, e a gente tem que manter o que a gente tem. Então, dá para tirar com segurança. E a recuperação é considerada simples? A pessoa volta às atividades já rapidamente? Obviamente, isso depende da técnica que é utilizada. Aqui no Brasil, ainda tem muita gente fazendo aquela cirurgia tradicional, antiga, de striping, que é o arrancamento da veia safena. E aí, a recuperação é bem mais lenta. Mas, assim, já está bem estabelecido na literatura mundial que as termoblações têm uma recuperação muito melhor. Então, quais são as termoblações? Então, laser e radiofrequência. Eu já faço laser há mais de 15 anos, e para mim é a rotina. Eu não faço mais striping há muito tempo. Então, são cirurgias em que você opera com anestesia local, excedação. E aí, no dia seguinte, já a vida normal. Já dá para fazer muita coisa. Obviamente, com um pouquinho de restrição, mas a movimentação é importante na recuperação. Entendi. E como parte de prevenção? Até você citou ter sempre uma atividade ali, até para evitar a câmbra que a gente citou antes, mas tem algo além disso em questão de até alimentação, um modo de vida que a gente pode citar para evitar qualquer tipo de problema no futuro? A gente volta para aquilo que é o mais importante, que ninguém dá tanta bola, que são os hábitos de vida. Dos hábitos de vida que mais causam um impacto positivo, eu acho que eu colocaria em primeiro lugar de todos aquelas pessoas que fumam parar de fumar. Esse é o ponto crucial. Não tenho que discutir, estar mais do que provado, só para ter uma ideia, o tabagismo aumenta em sete vezes o risco de claudicação intermitente. É muita coisa. Então, eu colocaria em primeiro lugar isso. Em segundo lugar, eu colocaria o exercício físico, manter-se fazendo exercício físico, melhorar tudo, não só a musculatura, que eu já falei que bombei o sangue de volta para cima, mas vai manter você num peso adequado, de forma que não vai ter outros problemas de coluna ou de compressão de nervo, e só traz benefício. Eu estou ainda para descobrir algo que exercício físico não ajuda, porque realmente é fundamental. E de alimentação? Eu posso falar de forma mais genérica, uma alimentação adequada e saudável de forma a não entrar numa obesidade, por exemplo. Aí tem vários tipos de dieta, tudo. Acho que a dieta, aquela para não errar, sabe? Se você quiser começar hoje uma que tem mais chance de dar certo, é a dieta mediterrânea. Então, essa que tem mais estudo, que tem mais benefício comprovado, pode não ser perfeita para todo mundo, mas é que tem mais chance de dar certo. Falando que num podcast e as pessoas ouvindo, sem saber nada do outro lado, a mediterrânea é a que tem mais chance de dar certo. A gente, até para quem tem mais interesse em saber da dieta, a gente trouxe a doutora Lorena Amato, que é endocrinologista, e ela comentou sobre dietas saudáveis. Esse é o tema do episódio para quem quiser procurar. Ela fala bastante sobre a dieta mediterrânea. Inclusive, se eu não me engano, foi também a melhor indicação. É aquela que não tem erro. As pessoas ficam... É muito legal o mundo em que a gente vive hoje, que tem muita informação disponível. Você pode aprender tudo sobre qualquer assunto em qualquer momento. Só que essa hiperdisponibilidade de informação atrapalha a gente a escolher o que é o melhor para a gente. Vou dar um exemplo. Antigamente, eu ia na farmácia e comprava shampoo. Era fácil, eu conseguia fazer. Hoje eu peço para a minha esposa comprar, porque eu chego lá e tenho um muro com 75 tipos diferentes de shampoo. E a minha sensação é sempre que eu estou comprando errado. E eu não gosto dessa sensação. Agora imagina com dieta, é a mesma coisa. A pessoa está lá assistindo o podcast, está lá na mídia social, rodando Instagram. E aí aparece 25 tipos de dieta diferentes. Ou ela vai tentar fazer as 25 tipos ao mesmo tempo. E aí só vai sobrar uma coisa para comer, que é gelo. Não dá certo. Ou ela vai ficar nessa paralisia que eu fico no shampoo. E agora, o que eu faço? Ela não faz nada. Só que em vez de estar no shampoo, na farmácia, ela vai estar no mercado, na prateleira. Exatamente. Será que isso é saudável ou não? Então, um bando de gente falando que carne faz mal. Aí do outro lado tem um bando de gente falando que carne faz bem. E aí eu vou para uma cetogênica, para uma carnívora, ou eu vou para um vegano vegetariano. Quem que está certo? Naquela linha dos memes que a gente falou do vaso sanitário, do marido, também tem um que fala, eu estou lá no mercado e vou comprar uma cenoura. Aí vai morder a cenoura, vê na internet, fala, a cenoura faz mal por tal motivo. Aí ela tira a cenoura da boca. Aí ela pega outra coisa, aí vai colocar na boca, vê. Ah, não sei o que faz mal por outro tal motivo. Aí ela tira também. Ela começa a ficar sem opção ali, né? Exatamente. Então, eu acho assim, sabe aquele shampoo 2 em 1? Sim. É a dieta mediterrânea. É aquele que faz o que tem que fazer. Cumpre a proposta. Define o básico, né? Exato. Bom, então agora, doutor, a gente, no nosso último episódio que a gente fez juntos, eu já tinha feito mitos e verdades. Acho que o pessoal gostou bastante, né? Uma forma de dar uma descontraída e tirar aquelas dúvidas que todo mundo tem. Então, eu fiz mitos e verdades, separei uma lista aqui, não só sobre dores nas pernas de forma específica, mas como problemas vasculares de forma geral, que foi o que eu mais encontrei em relação a essas dúvidas. Então, vamos para o primeiro, que é problemas vasculares nas pernas. São uma parte inevitável do envelhecimento? Putz, que pergunta! Já coloquei logo na parede, então. Eu acho que sim. Eu acho não. Sim. Só tenho uma forma de você evitar o envelhecimento. Que é morrendo antes. Porque assim, durante o envelhecimento, vai acontecer o endurecimento da parede arterial. Isso é inevitável. Vai acontecer para todo mundo. A pergunta é, se vai acontecer cedo ou se vai acontecer tarde? Se você vai morrer antes de ter esses problemas? Ou não? Se você for uma pessoa super saudável, ontem eu estava lendo um artigo sobre uma pessoa que tem 108 anos e ainda faz exercício e mora sozinho, sabe? Uma história bem legal. Só que aí mostra o outro lado. Essa pessoa também fuma e também faz um monte de coisa errada. Ganhou na loteria do gene. Não é uma coisa que dá para replicar em outras pessoas. E aí as doenças vão aparecer mais tarde. Mas se ele viver mais, com certeza absoluta, doença arterial vai aparecer. Faz parte do processo. Faz parte do processo. A famosa frase. O próximo, então. Varices são apenas um problema estético? Ah, isso é simples. A gente tem que martelar sempre. Varices é uma doença que tem um aspecto estético. E aí tem muita gente oferecendo tratamento da parte estética das varices e esquece que é uma doença. E aí você fica... Óbvio que eu estou fazendo uma analogia, mas você fica passando uma maquiagem no problema e aí o problema vai se desenvolvendo e piorando. Antes de pensar na estética, você tem que pensar na doença. E depois que a doença está controlada, aí a gente consegue melhorar a estética. Costuma ser ao contrário, né? O pessoal se preocupa com a estética. Exato. E isso indica quem que você vai procurar. Se você procura um esteticista, hoje todo mundo está oferecendo o pacotinho básico do tratamento de varices. Se você vai atrás da beleza, você esquece a doença e aí depois começa a aparecer com tromboflebit, com trombose, com uma insuciência venosa grave lá na frente, porque não tratou a doença. Então o especialista é o cirurgião vascular sem sombra de dúvidas. Perfeito. Próximo. Apenas mulheres desenvolvem problemas vasculares nas pernas? De jeito nenhum, mas é bem interessante isso aí, porque o homem, ele vem arrastado pela mulher no consultório. Ele não quer vir. Então normalmente ele chega numa fase mais avançada da doença. O homem tem a perna peluda e muitas vezes ele não está preocupado com aquelas fases iniciais da estética. Então, ou não está preocupado, ou a perna peluda esconde aquelas veíinhas pequenininhas, aquelas aranhas vasculares que incomodam tanto as mulheres. Então ele vai progredindo na doença e normalmente ele chega no estágio em que já é cirúrgico, não tem muito o que discutir. E se depender dele, ele ia ficar em casa e não ia no médico. Porque os sintomas da doença venosa nele, em todo mundo, né, aparecem lentamente. Então aquela dor nas pernas, aquele peso no cansaço, no final do dia que eu comentei, ele não aparece da noite pro dia, ele vai aumentando aos poucos. E ele trabalhou bastante, ele chega no final do dia com a perna pesada, ele fala, isso aqui é normal, isso aqui é reflexo do meu dia produtivo. E aí eu pergunto, você tem dor? Ele fala, não, aí a gente opera, aí quando ele volta na consulta, ele fala, nossa, doutor, eu tinha dor e não sabia. Porque ele foi se acostumando com aquilo. Acha que faz parte de novo do processo. Agora o próximo, a gente até comentou, mas é bom a gente esclarecer, porque é uma pergunta comum. Não há como prevenir problemas vasculares nas pernas, a gente já falou algumas formas que devem ser aplicadas na vida, normalmente a mesma fala é aplicada em todos os episódios, quando eu pergunto sobre formas de prevenção, atividade física, boa alimentação, faz parte da lista. Então tem como melhorar essa situação, mas se a pessoa tiver... Eu vou colocar uma mais que a gente não falou. Então para não ficar repetido, vou colocar uma mais, hidratação. Hidratação, também está sempre acostumada já na lista. Porque assim, é incrível como as pessoas estão desidratadas hoje em dia, inacreditável. Posso falar por mim, é difícil, a minha água está aqui intacta ainda, vou até tomar depois dessa. Mas se a pessoa, então, tiver esse modo de vida bem equilibrado, fazer atividade física, isso pode deixar com que ela tenha algum problema vascular ou não. Se ela já tiver, por exemplo, alguma genética para desenvolver, independente do estilo de vida, ela vai desenvolver alguma doença. Agora vou falar mais de uma opinião pessoal, porque não tem muito trabalho mostrando isso, mas é o que eu vejo. As pessoas que têm a genética para isso, elas precisam de um outro gatilho. E esse gatilho para mim, é a inflamação nas pernas. Tem a genética, e tem uma inflamação crônica nas pernas, que pode ser de um lipedema, ou que pode ser de alguma outra razão. Vai ter mais dano na parede dessas veias, e, consequentemente, vai ter mais aparecimento de vazinhos. Então, são aquelas pessoas que fazem aplicação do vazinho. E aí, depois de alguns meses, tem que fazer de novo, fica enxugando o gelo, porque não tira o problema principal, que é a inflamação. E tem a genética, que a gente não consegue mudar. Agora, para o outro lado, a gente também tem a epigenética. Então, a epigenética é o seguinte. Eu tenho um dos piores genes para a obesidade que existe. Agora, eu não estou obeso no momento. Por quê? Porque estou aproveitando os outros genes bons que eu tenho, e estou fazendo a minha parte para que isso não se sobressaia. A pessoa pode ter a genética para as varizes, só que aí, ela vai ter que fazer mais de tudo isso que a gente está conversando, para ter menos danos nas veias. Para equilibrar essa questão. Diferente daquele que eu falei de 108 anos, que fuma e esse cara tirou na loteria. Ele deve ter todos os genes acertadinhos para a longevidade, independente se está fazendo tudo errado ou não. Mas isso é raríssimo, isso não é o comum. Próximo, então. Remédios caseiros como água quente e sal, lá vem. Todo mundo já vem com esses remédios de internet. Podem curar problemas vasculares? A salmoura. Eu já pensei um milhão de vezes em fazer um vídeo inteiro sobre salmoura. É sério. Porque ela tem alguns pontos bons, só que tem muito pouco trabalho na literatura. Na hora que eu vou pesquisar, é muito fraco, não tem evidência. E aí eu fico, será que vale a pena fazer um vídeo inteiro ou não? Pessoal, se vocês querem, escrevam lá embaixo no comentário que eu trago para vocês. Mas esses remédios caseiros, até quando é chá, tem chá para tudo. Chá que cura qualquer problema na vida. Se você procurar na internet, chá para na na na, chá para não sei o que lá. Sempre tem um chá que resolve. Vocês dão até de... Caseiro mesmo, no tratamento caseiro. Vamos falar dos chás. É interessante. Chá eu tenho o vídeo inteiro falando disso. Mas a questão é... Chá do quê? Essa é a primeira coisa. Eu lembro que, quando eu era recém-formado, eu atendi uma senhora que tinha diabetes. Aí eu perguntei, mas como é que você trata? Ela falou, com chá de insulina. Eu falei, o que é esse chá de insulina? É um cipó que nasce lá na minha casa. Eu sempre fui super curioso. Preguntei para ela, mas é gostoso isso aí? Ah, é amargo demais. Tanto que eu tenho que pôr um monte de açúcar. Então, diabética. Mas vamos lá. O problema do chá. Vamos supor que tenha uma planta boa e que traz um efeito bom e existe. Na hora que você faz um chá, você não consegue definir a concentração dele. Você não consegue definir o quanto você está tomando. Então, será que a quantidade que você está tomando é o suficiente ou não para ter o efeito desejado? Existe muito chá bom. A questão é o quanto que a gente está colocando lá. E tem os chás que têm vários efeitos, entre eles, bons e ruins. Imagina que, quando a gente toma um remédio, a gente tem uma substância só lá. Quando a gente pega uma planta, tritura e coloca num chá, não tem uma substância só. Tem centenas de milhares de substâncias diferentes lá. Às vezes, algumas substâncias boas vão trazer um benefício, mas também tem substâncias ruins que podem trazer um malefício. E aí, o equilíbrio. Qual é a concentração que está lá? É o suficiente para ter esse equilíbrio ou não? Eu tenho muito receio de indicar chás e tratamentos como algo definitivo, porque muitas vezes eles são usados com base no sintoma e não no diagnóstico da doença. Então, é o chá para enchaço. Mas o enchaço veio por causa do quê? Um problema no coração, um problema no rim, um lipidema, um problema no linfático. O chá não vai tratar todos esses problemas. Então, o diagnóstico é fundamental. Importante. Agora, o último mito ou verdade é se eu não sentir dores nas pernas, aqui fala até pés e tornozelas, mas vamos falar das pernas, elas estão saudáveis. Isso é verdade? Se não tiver dor, desconforto, a gente pode descartar qualquer problema? É, que pergunta. Porque a ausência de dor não quer dizer que está 100% saudável, alguma coisa pode estar acontecendo, mas eu também não quero sair alertando todo mundo para entrar todo mundo em pânico. Normalmente, a ausência de dor não sugere um problema. Agora, uma doença arterial no início, ela também não traz sintoma nenhum. Então, a gente tem que usar mais informação do que só a ausência de dor. Entre elas, os fatores de risco que a gente falou, a maior parte deles aqui, idade. Por isso que fazer um check-up periódico é válido. Ótimo. Agora, a nossa última parte, que eu sei que muita gente também espera por esse momento aqui, que é a nossa caixinha de perguntas. Dr. Fernando já atualizou aqui as perguntas. Parece que parece alguma diferente. Vou pegar a primeira, aí a próxima, você... Ah, então, para quem está chegando agora, para quem não viu nos episódios anteriores, a gente já faz mais ou menos há uns cinco episódios, a gente tira perguntas para conhecer melhor os especialistas, perguntas da vida, que não tem a ver com o tema. Então, a primeira, cerveja ou vinho? Vinho? Não tenho dúvida nenhuma. Nossa, isso mudou rápido. Eu gostava muito de cerveja, até eu descobri a minha intolerância, a sevada. E por mais que eu tente, eu não consigo. Então, sou o cara do vinho. Não tenho dúvida, não teve nem... nem hesitou, que é pegar aqui o próximo. Um pouco difícil de... E aí, mais vinho, tem reserva atról, tem um monte de desculpa para usar. De vez em quando, ali, uma vez na semana, pelo menos... Vamos lá para o próximo. Vamos lá, cachorro-gato, também não tenho dúvida nenhuma, é cachorro. Acabou de chegar um cachorro novo em casa, agora um... é um pastor belga Malinoá, aí eu descobri uma palavra que eu não conhecia para cachorro, que é drive, você já ouviu falar... cachorro que tem drive alto? Não, essa é nova. Você compra um cachorro, vem três dentro. É inacreditável a energia. Ele está muito atentado? Nossa, é impressionante. Você pega o cachorro para tirar de dentro de casa, aí eu jogo ele longe, o tempo de eu jogar ele, fechar a porta, ele já está dentro de novo. Eu não tenho velocidade. É Zara. E você tem filho, né? Tenho dois. Aí eles que pediram um cachorro, ou foi ideia do casal? Não, a gente tem que ter sempre um cachorro de segurança. Especificamente, era um cachorro de segurança, mas a gente tem... cada um tem o seu cachorro lá em casa, então é uma festa de cachorro. Ah, não é o primeiro da casa, então? Não, não, não. Vocês têm quanto? Nossa Senhora, ele vai ter energia para brincar, pelo menos, porque um faz companhia para o outro. A gente está com um velhinho ranzinza lá. Tem de todos os estilos, então. Tem, tem um monte. O mais senhorzinho vai se irritar com esse tipo de energia todo. Bom, agora a cidade natal. Legal, essa. Cidade natal? Eu sou daqui de São Paulo, nasci em São Paulo, criado aqui. Morei um tempo fora, fiz a faculdade em Sorocaba, na cidade católica lá. E morei em Milão, trabalhei um ano em Milão, mas eu sou nascido, criado, sou paulista de tudo quanto é forma. Ah, que legal, essa daí eu não sabia. Todo mundo, né? Todos os seus irmãos? Sim. Porque também para quem já acompanha um tempo, a gente sabe que vem muitos amatos, né? Aqui a gente está sempre apresentando um amato, então legal saber disso. Mas eles também passaram um tempo fora, cada um em um local diferente, e a gente traz a experiência de outras cidades também. Com certeza, muito importante. Doutor, queria agradecer mais uma vez pela sua participação aqui conosco, e te convidar para os próximos episódios, até se vocês tiverem alguma sugestão, comenta aqui para a gente. Que a gente traz novamente, Doutor Alexandre? Sugestão de assunto, né? A gente adora responder dúvidas nos comentários. Às vezes a gente não está lá respondendo pessoalmente para cada um, mas a gente está lendo e tira ideias para outros episódios, né? Obrigado pelo convite. Obrigada a você. A gente também deixou seus redes sociais para quem tiver mais interesse no trabalho do Doutor Alexandre. Pode acompanhar aqui no início. A gente colocou também imagens das redes sociais, e também a gente vai deixar aqui na legenda nos comentários. Muito obrigada, Doutor. Obrigada a você pela sua participação aqui conosco, e conto com a sua presença no nosso próximo episódio. Até a próxima.

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