O Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular, explica a necessidade de suspender certos medicamentos e suplementos antes de cirurgias eletivas para evitar complica
A minha especialidade, cirurgia vascular, a gente tá acostumado a operar o paciente em vigência da anticoagulação. Muitas vezes, no meio da cirurgia, a gente pede para anticoagular o paciente. Então isso é normal para a gente, e em outras especialidades isso não é tão normal.
O anticoagulante é aquele medicamento que a gente passa para aquele paciente que não pode coagular, ou que está em tratamento de uma trombose, ou de alguma questão cardíaca. São medicamentos bem definidos.
Nesses casos a gente tem que esperar toda a produção de novas plaquetas do corpo que vai levar entre 7 a 14 dias, 10 dias mais ou menos. Nesses 10 dias o corpo consegue jogar fora toda aquela plaqueta que está inibida e produzir novas plaquetas.
O mais comum que todo mundo conhece é a aspirina, por exemplo. A aspirina tem um efeito antiagregante plaquetário bem potente dependendo da dose. Mas alguns fitoterápicos também têm um efeito antiagregante plaquetário.
São os anti-inflamatórios comuns. Tem ibuprofeno, tem o diclofenaco. Esses têm um tempo de ação curto, então é só parar na véspera e já tá tudo bem.
Olá, sou o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular do Instituto Amato, e se você marcou uma cirurgia, esse é o vídeo muito importante para você, porque eu vou falar quais são os medicamentos e suplementos que você vai ter que suspender antes da cirurgia. Eu tô falando aqui do ponto de vista vascular e da anestesia, mas com certeza vale para maior parte das outras especialidades também. Levando em consideração que tem cirurgia pequena, tem cirurgia média, tem cirurgia grande.
As cirurgias pequenas, pode não ser necessário grandes mudanças no medicamento e cirurgias grandes, aí a gente vai ser muito mais rígido com relação a isso. E também tem que levar em consideração a especialidade, né? A minha especialidade, cirurgia vascular, a gente tá acostumado a operar o paciente em vigência da anticoagulação. Muitas vezes, no meio da cirurgia, a gente pede para anticoagular o paciente.
Então isso é normal para a gente, e em outras especialidades isso não é tão normal. Então eles podem ser mais criteriosos com a necessidade da anticoagulação. Mas eu vou falar disso também, pode ficar tranquilo.
Lembrando sempre que se você tiver alguma dúvida, pergunte para o seu médico. É importante saber o que ele considera mais importante para a cirurgia dele. Eu sei que a cirurgia plástica, ela vai ser extremamente rigorosa com muitos outros pequenos medicamentos e algumas cirurgias menores pode não ser tão importante assim.
Então sempre converse com o seu médico antes. Então o primeiro grupo de medicamentos que a gente tem que pensar são os medicamentos que vão aumentar o risco de sangramento numa cirurgia. Quais são eles? Os anticoagulantes, os antiagregantes plaquetários e alguns fitoterápicos e outros medicamentos que podem ter um efeito antiagregante também.
Então o que é o anticoagulante? O anticoagulante é aquele medicamento que a gente passa para aquele paciente que não pode coagular, ou que está em tratamento de uma trombose, ou de alguma questão cardíaca. São medicamentos bem definidos. Quando o paciente passa, ele fala estou passando um medicamento para afinar seu sangue, para você não coagular.
Tem vários no mercado, desde os anticoagulantes que são mais antigos, que são os anti vitamina K. Então tem o Marevan, tem o Kumarina e os novos anticoagulantes que aí são específicos para algum fator de coagulação. Então eu tenho o Xarelto, Pradaxa e outros. Esses medicamentos eles diminuem drasticamente a coagulação do paciente e dependendo da cirurgia que for feita, não podem ser tomados.
Eles vão atrapalhar então esse sangramento. Ele pode acontecer no momento da cirurgia, onde o médico está operando lá, mas dependendo da anestesia pode atrapalhar também. Então se for fazer uma hacke anestesia, a agulha pode acabar sangrando lá naquela região e isso pode danificar algum nervo.
Então o anestesista vai evitar se alguém estiver tomando um anticoagulante. Agora os antiagregantes plaquetários, eles também afinam o sangue, mas eles funcionam de forma diferente. Os antiagregantes plaquetários, eles inibem a plaqueta e não a cascata de coagulação.
Ele vai atuar naquele ponto só que é a agregação plaquetária. Essa agregação plaquetária, eles inibem normalmente destruindo a capacidade da plaqueta de agregar. E não é só tirar esse antiagregante plaquetário que a plaqueta volta a funcionar.
A plaqueta ela já está inibida. Então o que acontece? Nesses casos a gente tem que esperar toda a produção de novas plaquetas do corpo que vai levar entre 7 a 14 dias, 10 dias mais ou menos. Nesses 10 dias o corpo consegue jogar fora toda aquela plaqueta que está inibida e produzir novas plaquetas.
Então por isso que não adianta parar com o antiagregante plaquetário na véspera da cirurgia. Tem que parar pelo menos uma semana antes. Quais são os antiagregantes plaquetários? O mais comum que todo mundo conhece é a aspirina, por exemplo.
A aspirina tem um efeito antiagregante plaquetário bem potente dependendo da dose. Mas alguns fitoterápicos também têm um efeito antiagregante plaquetário. Por exemplo o gincobiloba tem um efeito antiagregante plaquetário.
A grande parte dos fitoterápicos que falam que vão melhorar a circulação de alguma forma vão ter algum efeito antiagregante plaquetário. A curcumina, por exemplo, apesar de ser uma excelente antioxidante que diminui a inflamação crônica, também tem um efeito antiagregante plaquetário. Assim como o alho, mas aí não é o alho que você está comendo na alimentação, que é pouquinho, tempero.
Tem pessoas que repõem alho, tomam um suplemento de alho. O alho em grande quantidade também tem um efeito antiagregante plaquetário. Aí tem várias ervas como a valeriana, cava-cava, erva de São João, arnica também.
Todos esses têm esse efeito de diminuir a capacidade de coagulação do sangue. Mas eu sei que a maioria das pessoas acabam encarando esses fitoterápicos como tratamentos naturais e que não causariam nenhum malefício. Mas eles têm, sim, efeitos no nosso corpo.
Por isso, sempre fale para o seu médico, para o seu cirurgião, para o anestesista, não só os medicamentos que você está tomando, mas também todos esses fitoterápicos e medicamentos naturais. A macunha também pode influenciar nesse aspecto, mas ela tem um outro lado também. Ela vai atuar nos receptores canabinoides e pode mudar a quantidade de anestésico que é necessário durante uma cirurgia.
E aí eu tô falando não só da droga como também do medicamento, que aí é o canabidiol e seus derivados. Todos eles vão atuar nesses receptores mudando a dose necessária do anestésico. Então você tem que conversar bem com o seu anestesista e, se possível, parar o uso com o tempo de antecedência.
Alguns anti-inflamatórios não hormonais também aumentam esse tempo de sangramento. Quais são os anti-inflamatórios não esteroidais? São os anti-inflamatórios comuns. Tem ibuprofeno, tem o diclofenaco.
Esses têm um tempo de ação curto, então é só parar na véspera e já tá tudo bem. Agora tem alguns outros anti-inflamatórios que têm uma ação mais prolongada, como por exemplo o celecoxib ou o nalproxeno, que aí é melhor já parar o uso 2, 3 dias antes do procedimento. Agora tem outros que têm uma ação mais prolongada ainda, como o piroxicam, por exemplo.
Aí é bom parar com um bom tempo de antecedência, pelo menos 10 dias antes. Agora quais são os medicamentos que a gente tem que suspender? Porque eles podem interagir com os medicamentos usados durante a anestesia. Então eu já falei da maconha, do canabidiol.
Agora tem também os antidepressivos inibidores da monoaminooxidase. É um grupo inteiro de medicamentos chamado Imau. Esses são medicamentos mais restritos, exatamente por causa das suas grandes interações com tudo.
Eles interagem com um monte de coisa, inclusive com o queijo. A gente acabou diminuindo o uso na prática médica e suponho que se você está tomando um, você sabe que está tomando um. Agora tem os medicamentos que a gente tem que suspender por outra razão, que é o risco de broncoaspiração.
O que é a broncoaspiração? Broncoaspiração é quando o paciente vomita e aí ele respira o próprio vômito. E aí esse vômito, que é rico em uma substância ácida, acaba danificando o pulmão, causando uma pneumonia e muitas vezes essa pneumonia é gravíssima. Então a broncoaspiração, principalmente numa cirurgia eletiva, é uma coisa muito temida, muito temida mesmo.
E quais são os medicamentos que podem aumentar o risco de uma broncoaspiração? São os inibidores do GLP-1. GLP-1 é aquele hormônio que a gente come bastante. Então comer uma feijoada o estômago aumenta e a gente produz o GLP-1.
Os análogos do GLP-1 são os medicamentos que vão simular isso. Então quais são eles? Tem vários no mercado hoje em dia. Tem o Saxenda, tem o Victosa, tem o Ozempic, tem o Trulicite.
Eles são medicamentos excelentes para o que eles se propõem a fazer, mas eles diminuem a velocidade de esvaziamento gástrico. Então é muito importante suspendê-los antes de uma cirurgia. Agora, ah, e se eu tiver usando um medicamento desse e tiver uma cirurgia de urgência, não vai dar para operar? Lógico que dá.
Existem técnicas para a gente minimizar esse risco de uma broncoaspiração. Agora não faz sentido você correr esse risco numa cirurgia eletiva. Sabendo que vai operar, suspende o uso com pelo menos 10 dias de antecedência.
Algumas estatinas e medicamentos para tratar colesterol é melhor suspender no dia da cirurgia e enquanto tiver internado. Eles podem diminuir um pouquinho essa capacidade do corpo de formar coágulo. Não é tão significativo, mas como são medicamentos que funcionam a longo prazo com uso crônico, a retirada desse medicamento não vai interferir muito no tratamento ou na prevenção da doença que ele se propõe a fazer.
É melhor diminuir a complicação e tirar esses medicamentos para o colesterol nesse momento. Agora, tem um grupo de medicamentos que a gente pode suspender para facilitar a vida do anestesista e facilitar o controle pós-operatório e intra-operatório do paciente. Então são os medicamentos para diabetes.
Puxa vida, minha diabetes está tão bem controlada com esse medicamento aqui e você está pedindo para suspender? Sim! Porque quando entra numa cirurgia, a maneira mais fácil de controlar a glicemia, controlar o açúcar no sangue do paciente é com a medida, a gente vai acabar medindo a quantidade de açúcar no sangue e a insulina. Então por isso não tem a necessidade de usar outros medicamentos vioral ou outros medicamentos para tentar manter aquela estabilidade. Aí você pode pensar, mas calma aí, estava tão bem controlado, por que eu não vou deixar esse controle durante a cirurgia? Porque a cirurgia muda, a cirurgia é uma agressão ao corpo e o corpo vai ter uma resposta a essa agressão e essa resposta vai alterar a produção de insulina e de açúcar, de forma que é melhor que o anestesista fique com esse controle injetando a insulina conforme necessário, do que você use um medicamento que estava funcionando bem para quando você não estava tendo agressão no seu corpo.
Então suspenda esse medicamento no dia da cirurgia. Lembrando novamente, se tiver qualquer dúvida, converse com o seu médico. Gostou desse vídeo? Inscreva-se no nosso canal, compartilhe com seus amigos.
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Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.