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Vídeo 04 Ovo e colesterol

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Vídeo 04 Ovo e colesterol

# Ovo e Colesterol: O Que a Ciência Realmente Diz O vídeo do Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular, aborda uma das dúvidas mais comuns no consultório: o ovo

Perguntas respondidas neste vídeo

Mas por que isso acontece?

A maior parte do colesterol que circula no meu no seu sangue não vem da comida, ela é fabricada pelo seu próprio fígado todos os dias. E o fígado tem um mecanismo de ajuste. Quando chega mais colesterol pela alimentação, na maioria das pessoas, ele diminui [música] a própria produção.

E o que realmente acontece dentro da artéria?

A placa se forma quando partículas de LDL em excesso entram na parede do vaso, ficam presas ali, oxidam e acendem uma inflamação. Com os anos, isso vira uma placa de gordura e cálcio. O que decide a velocidade desse processo é quanto LDL circula, por quanto tempo e o que está agredindo a parede ao mesmo tempo.

E os pacientes me perguntam: "Então, doutor, quantos ovos eu posso comer"?

Para uma pessoa saudável, um ovo por dia é a quantidade mais bem estudada e nesses estudos não aumentou o risco cardiovascular. Acima disso, os dados de longo prazo são mais escassos. Então, não quer dizer que faz mal, quer dizer que a gente sabe menos.

Você já se perguntou se o ovo caipira é melhor?

A diferença nutricional para um ovo de granja existe, mas costuma ser muito pequena e depende muito da alimentação da galinha. Existem ovos enriquecidos com ômega 3 que tem mais dessa gordura boa. Não é obrigatório.

E aí, o ovo inflama?

Nos estudos que mediram marcadores de inflamação no sangue de pessoas comendo ovo com frequência, na maioria deles esses marcadores não subiram. O que inflama de verdade é o conjunto, é o excesso de açúcar, farinha branca, ultraprocessado, óleo reaproveitado.

Transcrição completa do vídeo

Um ovo por dia não entope as suas artérias.
Essa é a conclusão de um estudo publicado no BMJ, uma das revistas médicas mais respeitadas [música] do mundo, que acompanhou mais de 200.000 pessoas por até 32 anos.
Quem comia pelo menos um ovo por dia não teve mais infarto nem mais AVC do que quem quase nunca comia ovo.
Eu sou Dr.
Alexandre Amato, cirurgião vascular e passo boa parte da semana olhando artérias por dentro, no ultrassom, na sala de cirurgia.
E a pergunta sobre [música] comida que eu mais escuto no consultório é essa: "Doutor, eu posso comer ovo?" Hoje você vai sair desse vídeo sabendo o que acontece com o colesterol do ovo dentro do corpo, as três situações em que o ovo merece cuidado de verdade, o jeito de preparar que transforma um alimento inocente num problema para as artérias e, para quem tem varizes, inchaço ou lipedema, se o ovo inflama e o que ele faz pelas suas [música] pernas.
E para quem tem pressão alta, se o ovo atrapalha.
O ovo ganhou fama de vilão por causa da gema, que tem perto de 190 mg de colesterol, mais da metade do que as recomendações antigas permitiam para um dia inteiro.
O raciocínio era simples: colesterol no prato vira placa na artéria.
Só que o corpo humano não funciona como uma conta de somar.
Mas por que isso acontece? A maior parte do colesterol que circula no meu no seu sangue não vem da comida, ela é fabricada pelo seu próprio fígado todos os dias.
E o fígado tem um mecanismo de ajuste.
Quando chega mais colesterol pela alimentação, na maioria das pessoas, ele diminui [música] a própria produção.
É por isso que, nos estudos controlados, comer ovo costuma mexer pouco no LDL, o colesterol ruim, da maioria das pessoas.
Se esse tipo de explicação te ajuda, se inscreve aqui no canal porque toda semana tem ciência nova sobre a sua circulação.
O que mexe mais com LDL são outras coisas: [música] a gordura saturada em excesso, a gordura trans dos ultra processados, o peso, o sedentarismo e, principalmente, a genética.
Um ovo inteiro tem pouca gordura saturada, perto de 1,5 g.
Um pedaço de linguiça frita tem várias vezes isso.
Foi com base nesse conjunto de evidências que as diretrizes alimentares dos [música] Estados Unidos, na edição de 2015, deixaram de fixar o limite diário de colesterol na comida.
Não porque o colesterol deixou de importar, mas porque o colesterol do [música] prato se mostrou um alvo menos importante do que se imaginava.
E o que realmente acontece dentro da artéria? A placa se forma quando partículas de LDL em excesso entram na parede do vaso, ficam presas ali, oxidam e acendem uma inflamação.
Com os anos, isso vira uma placa de gordura e cálcio.
O que decide a velocidade desse processo é quanto LDL circula, por quanto tempo e o que está agredindo a parede ao mesmo tempo.
Pressão alta, cigarro, glicose alta.
Para a maioria das pessoas, o ovo é um personagem pequeno nessa história.
Agora tem um detalhe que quase ninguém conta quando diz que o ovo foi absolvido.
Nesses mesmos estudos, apareceram grupos de pessoas em que o ovo não se comportou tão bem e você pode estar num desses grupos.
A primeira são diabetes tipo 2.
Então, em algumas pesquisas, pessoas com diabetes que comiam muitos ovos tiveram mais doença cardiovascular do que as que comiam poucos.
Isso não aparece em todos os estudos e não é consenso, mas é um sinal que se repete o bastante para merecer atenção.
Se você tem diabetes, o número de ovos na semana é uma conversa para ter com seu médico olhando seus exames.
Segundo, colesterol muito alto de família ou quem já tem doença instalada.
Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que o LDL fica muito alto desde jovem, frequentemente acima de 190.
E existem as pessoas que já tiveram infarto ou AVC, colocaram um ou tem placa confirmada nas artérias.
Nesses casos, cada fonte de colesterol e de gordura saturada conta mais e o plano alimentar precisa ser individualizado.
E na terceira, os hiper-respondedores.
Os estudos estimam que uma em cada quatro pessoas têm o LDL subindo bem mais quando comem colesterol.
[música] Não dá para saber quem é pela aparência, mas dá para descobrir de um jeito simples.
Você faz o exame de colesterol com a sua alimentação de sempre.
Depois, combinando com seu médico, muda a quantidade de ovos por quatro a [música] seis semanas e repete o exame.
Se o LDL mudou de forma importante, o seu corpo [música] responde ao colesterol da comida.
Aí sim, vale a pena ajustar.
E os pacientes me perguntam: "Então, doutor, quantos ovos eu posso comer"? Para uma pessoa saudável, um ovo por dia é a quantidade mais bem estudada e nesses estudos não aumentou o risco cardiovascular.
Acima disso, os dados de longo prazo são mais escassos.
Então, não quer dizer que faz mal, quer dizer que a gente sabe menos.
Então, se você come três, quatro por dia, vale a pena olhar os seus exames com mais atenção.
Um detalhe desse grande estudo do BMJ, que eu acho revelador: as pessoas que comiam mais ovos também comiam mais carne vermelha processada.
Ovos com bacon, eram mais pesadas e usavam menos remédio para colesterol.
Ou seja, o ovo vinha acompanhado.
Quando os pesquisadores descontaram o efeito da companhia, o ovo sozinho não aumentou o risco.
E é exatamente isso que eu vejo na vida real.
O ovo raramente vem sozinho.
Ele vem frito na manteiga ou na banha, acompanhado de bacon, linguiça, queijo amarelo, pão branco.
Esse prato inteiro, repetido todo dia, pesa muito mais nas suas artérias do que o ovo sozinho.
Isso responde quem tem pressão alta.
O ovo em si mexe pouquíssimo na pressão.
O que pesa é o sal do bacon, da linguiça e do queijo que vem junto.
Se você tem pressão alta, veja também o meu vídeo sobre como medir a pressão do jeito certo em casa.
Então, se você quer comer ovo sem preocupação, a regra prática é cuidar do preparo e da companhia.
Ovo cozido, pochê ou mexido em fogo baixo com um fio de azeite, omelete com legumes, espinafre, tomate, cebola.
Evita fritar no óleo que já foi usado várias vezes, porque o óleo reaproveitado forma compostos oxidados que você não vai querer na sua circulação.
E troque o bacon e a linguiça por uma fruta, uma fatia de pão integral ou no almoço por uma porção de feijão.
Me conta aqui embaixo nos comentários quantos ovos você come por semana e como você costuma preparar.
Eu leio os comentários e isso me ajuda a entender o que vocês querem nos próximos vídeos.
Muitos pacientes me perguntam: "É melhor comer só a clara?" Para quem tá na situação de cuidado que eu falei, às vezes o médico orienta reduzir as gemas e a clara é uma ótima fonte de proteína.
Mas para a maioria das pessoas, jogar a gema fora é jogar fora a parte mais nutritiva do ovo.
É na gema que fica a colina, importante cérebro, a luteína que protege os olhos e boa parte das vitaminas.
Você já se perguntou se o ovo caipira é melhor? A diferença nutricional para um ovo de granja existe, mas costuma ser muito pequena e depende muito da alimentação da galinha.
Existem ovos enriquecidos com ômega 3 que tem mais dessa gordura boa.
Não é obrigatório.
O que faz diferença de verdade é a quantidade e a companhia no prato.
E aqui vai um dado que me surpreendeu.
Na análise do BMJ, que somou estudos com mais de 1 milhão e 700 mil pessoas, é muita gente, os pesquisadores olharam as regiões separadamente.
Nos Estados Unidos e na Europa, um ovo por dia foi neutro para o coração.
Nos estudos feitos na Ásia, quem comia ovo teve até um pouco menos de doença cardiovascular.
Uma explicação plausível é de novo a companhia.
Por lá, o ovo costuma entrar num prato com arroz, legume e peixe, não com bacon e linguiça.
Lembrando que o problema não é a carne vermelha, é a carne processada.
É uma associação, lógica, não é uma prova, mas ela reforça a mesma lição.
E agora a pergunta que eu mais recebo de quem tem varizes, inchaço ou lipedema.
E aí, o ovo inflama? Nos estudos que mediram marcadores de inflamação no sangue de pessoas comendo ovo com frequência, na maioria deles esses marcadores não subiram.
O que inflama de verdade é o conjunto, é o excesso de açúcar, farinha branca, ultraprocessado, óleo reaproveitado.
Então, para quem tem lipedema ou pernas inchadas, o ovo pode entrar tranquilamente num prato anti-inflamatório com legumes e verduras, desde que também não tenham leaky gut, assim do lado da permeabilidade intestinal associada.
E tem um motivo para eu, como cirurgião vascular, gostar do ovo.
Depois dos 50, o corpo perde músculo com facilidade e músculo não é vaidade, é a panturrilha que bombeia o sangue das pernas de volta para o coração e ajuda a desinchar as pernas no fim do dia.
É o músculo que consome a glicose e protege as artérias da glicose alta.
O ovo é uma das proteínas mais baratas, mais completas e mais fáceis de preparar que existem.
Para muita gente mais velha que come pouca proteína, dois ovos no café da manhã dentro de um prato equilibrado pode ajudar mais do que atrapalhar.
Isso vale, é claro, para quem não está nas três situações de cuidado.
Então, voltando à pergunta do começo, um ovo por dia entope suas artérias? Para maioria das pessoas, não.
O que entope as artérias é o LDL alto por anos, a pressão sem controle, o cigarro, a glicose alta e o prato inteiro que acompanha o ovo.
Se você tem diabetes, colesterol muito alto de família ou já tem doença nas artérias, converse com seu médico sobre a quantidade.
E a tarefa que eu te deixo aqui para hoje, olha para o que acompanha o seu ovo.
Se for bacon, linguiça, pão branco todos os dias, é aí que está o problema, não no ovo.
E se você não faz o exame de colesterol há mais de um ano, é bom agendar esse exame para mais próximo possível.
Se esse vídeo te ajudou, inscreva-se aqui no canal, dê o seu like, ative o sininho e isso me ajuda muito a continuar trazendo o que a ciência mostra de verdade sobre a sua circulação.
E lembre do estudo do começo, mais de 200.000 pessoas acompanhadas por até 32 anos e quem comia um ovo por dia não teve mais infarto nem mais AVC.
O que pesa nas artérias é o que vem junto com o ovo.
Se você quer continuar cuidando da sua circulação, dá uma olhada nos outros vídeos aqui do canal.
Cuida das suas artérias.
Até a próxima.

Consulte um especialista

Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.