O episódio discute como a inteligência artificial (IA) e a telemedicina estão mudando a prática médica — e por que a ideia de “diagnóstico em um clique” pode se
Vamos anualmente formando mais médicos que não tem uma só noção sobre o que é telemedicina e vão improvisar tudo, vão fazer tudo no quebra galho, então vai virar um telequebra galho, o que é péssimo para a população.
Que todos os hospitais que tenham residência médica obriguem a terem uma formação mínima. Mas mais do que isso, todas as residências multiprofissionais também deveriam ter.
Se nós não formarmos os profissionais mais jovens que se diz que já são nativos digitais para usar de forma correta a tecnologia, eles usarão de forma banal e causarão hiatrogenias, prejuízos aos pacientes.
Me explica. Porque é o seguinte, a saúde digital não é uma nova saúde. Saúde digital são recursos digitais aplicados em saúde.
Casa das pessoas. Casa das pessoas terem muito cuidado e o acompanhamento e qualidade. Isso se chama saúde conectada.
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um Amatocast pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós estivemos aqui com um convidado especial, o doutor Xiaowen, que conversou bastante com a gente sobre telemedicina, inteligência artificial na medicina e antes também nós recebemos aqui uma convidada especial, a Larissa Topper uma influenciadora bastante conhecida também sobre o universo feminino e tudo o que envolve, ela falou até um pouco sobre o relato dela de lipedema, essa questão do tratamento, saúde mental feminina, como que foi a experiência pessoal dela. Hoje novamente a gente recebe um convidado especial que vocês, para quem veio do último episódio, mas para quem está chegando agora também já vai saber sobre tudo o que a gente, qual é o tema de hoje, vai ficar curioso, tenho certeza, para ver também o nosso episódio anterior, que um está relacionado ao outro.
Então é uma continuidade aqui da conversa com o doutor Xiaowen. Novamente eu vou apresentar o currículo do nosso especialista de hoje e já vou dar as boas-vindas para ele. O doutor Xiaowen é formado pela Faculdade de Medicina da USP, chefe da disciplina de telemedicina.
É presidente da Associação Brasileira de Telemedicina e Telesaúde, professor associado da USP com doutorado em informática médica e livre docência em telemedicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Líder do grupo de pesquisa USP em telemedicina, educação digital e saúde conectada. Além disso, coordenou projetos, participou de comissões e recebeu dezenas de prêmios e homenagens.
Mais uma vez, bem-vindo, doutor. Ana Letícia, muito bom estar com você novamente. No último episódio a gente conversou para recapitular um pouquinho sobre a sua experiência na medicina, como que foi a escolha, como que foi essa sua proximidade com a telemedicina, enfim, qual que é a sua realidade hoje no mercado de trabalho.
Até queria falar mais um pouquinho hoje, para ficar bem claro, hoje o senhor fica mais focado nessa questão mesmo que é o nosso tema que a gente conversou sobre como que a telemedicina é aplicada, da diferença para o paciente, enfim, tudo mais. Só que hoje é um pouquinho mais ligado nesse episódio sobre a questão médica, olhando mais para o lado médico, mas ainda assim para paciente, para os leigos como eu, então é um assunto muito interessante, porque eu já quero começar, inclusive sabendo do doutor, como que é para o senhor estar na sala de aula hoje. Hoje o senhor é mais focado nessa questão.
Bom, na sala de aula, aí você está querendo me perguntar, graduação, residência, pós-graduação, congressos ou especialistas, na verdade eu atuo em todas. Um dos pontos, por exemplo, é a graduação, nós estamos quase formando 50 mil novos médicos ao ano, temos quase 390 cursos de medicina, eu só conheço 20 que tem curso de telemedicina. E o que isso está acontecendo? Vamos anualmente formando mais médicos que não tem uma só noção sobre o que é telemedicina e vão improvisar tudo, vão fazer tudo no quebra galho, então vai virar um telequebra galho, o que é péssimo para a população.
E aí se enfia que nós dentro desse ponto, no momento que as diretrizes curriculares do MEC recomendam isso, nós temos que fazer uma força tarefa de incorporar que pelo menos 50% dos cursos médicos ensinem telemedicina e tecnologias digitais. Isso é fundamental dentro de uma estratégia de saúde para o país orientado para 2035. Residentes, o ano passado nós conseguimos, via o Hospital das Clínicas, onde eu também dou aula, que a Comissão Nacional de Residência Médica concordasse conosco em tornar a matéria obrigatória para os médicos R1.
Então, o que nós esperamos? Que todos os hospitais que tenham residência médica obriguem a terem uma formação mínima. Mas mais do que isso, todas as residências multiprofissionais também deveriam ter. E por que eu insisto muito na educação? Se nós não formarmos os profissionais mais jovens que se diz que já são nativos digitais para usar de forma correta a tecnologia, eles usarão de forma banal e causarão hiatrogenias, prejuízos aos pacientes.
A educação é a melhor forma de consertar esse processo, além da questão da população geral. Então, aqui eu falo que a telemedicina tem que ser olhada como a melhor alternativa para construir a medicina do futuro. Assim como a telesaúde para a saúde do futuro.
E você deu no meu currículo uma coisa, e aí você pode perguntar, Mas, João, por que? Você é líder do grupo de pesquisa USP em telemedicina, educação digital e saúde conectada? Sim. E as pessoas perguntam, por que saúde conectada? Me explica. Porque é o seguinte, a saúde digital não é uma nova saúde.
Saúde digital são recursos digitais aplicados em saúde. E quando você pega núcleos de saúde digital dentro da saúde, isso se torna saúde conectada. Que é a saúde sem distância, é uma saúde híbrida, é uma saúde mais próxima.
Até 2030 é inviável, inclusive, que todo o sistema de saúde seja baseado em hospitais e consultórios. Não vai ser viável, não dá para construir tantos hospitais. Então, como será a política? Casa das pessoas.
Casa das pessoas terem muito cuidado e o acompanhamento e qualidade. Isso se chama saúde conectada. Isso se chama saúde distribuída.
E aí toda nova geração tem que pensar nisso. Educação digital. Algumas pessoas estão me perguntando, por que educação digital? Ué, não viram o último decreto presidencial em relação ao EAD? Porque o modelo EAD exagerou e ele não consegue formar bem.
Aí eu chego. E quem diz que eu preciso do chamado educação à distância? Porque não é uma educação digital apoiando a educação como um todo. Então, tem que tomar muito cuidado que as terminologias que nós usamos precisam ser precisas para conduzir o processo.
Então, dentro dessa tua pergunta, já respondi que é a formação, a educação na graduação, residência, para a população e também para eventos como uma área de motivação. Depois nós temos que trabalhar em incentivar gestores para que eles saibam como utilizar a chamada saúde digital para melhorar a eficiência do sistema de saúde, seja no sistema público ou seja em saúde suplementar. Os gestores, muitos gestores não sabem.
Eles ouvem, mas podem implantar de forma errada ou outras coisas. E aí eu digo assim, as minhas atividades não são só de educação. Eu faço curadoria, técnico científico para startups.
Para dizer, olha, se você quer ser um bom startup, seja um empreendedor estruturante. Não faça por empolgação. Muitos fazem por empolgação.
Então, eu considero que o futuro para construir um bom ecossistema terá que ser em educação e terá que ser em uma curadoria técnica estratégica para gestores e startup para construir um novo modelo de saúde. Então, aí sim nós teremos uma saúde do futuro. Legal.
E doutor, essa questão antes, na verdade, deixa eu só agradecer aqui um patrocínio do Laboratório Origem. Para quem já acompanha bastante tempo o Amatocast já sabe, mas para quem está chegando agora, para quem está acompanhando, eu agradeço a sua audiência, mas também quero agradecer o Laboratório Origem, que é especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco da origem é qualidade de vida e prevenção.
Doutor, em questão do que a gente está falando dos cursos, então para que fique bem claro, no curso, aquele curso normal, básico ali, os seis anos da medicina, ele não é obrigatório para que esteja na grade curricular ali até a medicina, só na residência, é isso? Na verdade, não é obrigatório em nada ainda. Nem na residência? Nem na residência. Nós é que estamos tornando obrigatório e de reprovação.
O que acontece, somente a partir desse ano, que as diretrizes curriculares do MEC vão recomendar que os cursos de medicina incorporem como matéria obrigatória e dediquem 10% do tempo para isso. Recomendar ainda, não é aquela... Isso, então é uma fase estruturante. Na residência não é obrigatório também.
O que nós fizemos é ser obrigatório no Hospital das Clínicas, que é o maior serviço do SUS do país para servir como modelo. Todos deveriam adotar, então nós estamos na fase de indução e aceleração da transformação como um todo. E doutor, a gente terminou o último episódio falando sobre desafio, então já comecei esse daqui com uma pergunta polêmica sobre essa questão no curso, se é de fato obrigatório ou não.
O senhor disse que não, que ainda é considerado recomendado, que isso está caminhando cada vez mais. Mas doutor, como o senhor avalia essa questão da muleta também que alguns profissionais podem acabar utilizando na inteligência artificial, no sentido de acabar deixando de se aprimorar? Claro que tem os dois lados. Alguns médicos, algumas pessoas que estão em formação vão pensar, não, eu preciso, igual a gente estava falando no último episódio, eu preciso ser o melhor que eu posso ser justamente para ser mais do que o robô ali, a inteligência artificial, enfim, mais do que qualquer coisa para realmente não ser substituído nesse sentido.
Isso para toda a profissão, não só para a medicina, mas também tem um lado que as pessoas podem acabar, ao invés de se dedicar de fato nos estudos como era antes, que eu sei que a medicina precisa se dedicar demais nessa parte, na teoria de tudo antes de ir para a parte prática, e das pessoas acabarem usando a inteligência artificial para deixar de saber a teoria básica das coisas. Como o senhor avalia isso? Bom, a primeira coisa que para que uma pessoa seja médica tem que conhecer o fundamento da medicina, esse é um ponto. Mas para garantir, só tem um jeito, a variação contínua, a variação de competências contínuas, uma parte pode ser feita à distância, mas a outra parte tem que ser habilidades presenciais.
Aí sim você tem como garantir de que ele não está usando exclusivamente a inteligência artificial. E deixa eu só te falar uma coisa, em breve, em 2030, possivelmente nós vamos ter que usar inteligência artificial mesmo. Você sabe por quê? A questão da duplicação da quantidade de informação em saúde.
Hoje está em torno de talvez um ano. Tudo está indicando que talvez em poucos anos ele vai ser duplicado a cada 90 dias. Você não consegue a cada 90 dias assimilar os 90.
Então a inteligência artificial será um filtro para você escolher o que é pertinente, relevante para sua tomada de decisão. E aí você fez uma concieção excelente. Se ele sabe o que é o fundamento imprescindível para poder analisar as respostas para tomar decisões boas.
Só tem um jeito. Simulador de situação e avaliação das competências. Então eu acho que no mundo da inteligência artificial nós temos que criar um sistema de avaliação contínua das habilidades profissionais para que não gere maleficência.
Sim, e a gente comentou também no último episódio, acho que a gente pode se aprofundar um pouco agora na questão de quando tem um erro, um erro médico ou na verdade um erro no diagnóstico não necessariamente do profissional, mas na questão da inteligência artificial, de quem vai ser a responsabilidade. Isso que o senhor até citou como um desafio. E como que isso funciona hoje, por exemplo? De que forma os médicos podem se prevenir nesse sentido? Até que ponto que eles vão usar a inteligência artificial, envolvendo também a telemedicina, num diagnóstico, num tratamento, qual que é o limite ali entre o erro do que acontece com a pessoa? A primeira coisa que eu acho que os médicos vão ser desafiados e pena a população.
A população vai perguntar para o chefe de GPT, vai perguntar para o copaio, tudo sobre o problema dele e ele vai desafiar o médico. E aí que vem. O médico é capaz de contextualizar, é capaz de mostrar que aquilo tem vários fatores que precisam ser considerados.
Você sabe que eu fiz uma brincadeira com o chefe de GPT, duas brincadeiras. A primeira, de quem é a responsabilidade se existe um erro usando suas informações? Olha, naturalmente eu sou apenas um algoritmo e eu faço o melhor possível, posso errar e a responsabilidade já é por princípio do profissional. Isso dito por algoritmo.
E o segundo veio de algo do ano passado, que era de uma criança que tinha uma síndrome rara e a mãe procurou 17 médicos durante 3 anos e não tinha feito o diagnóstico, aí pôs no chefe de GPT e o chefe de GPT deu o nome do diagnóstico e a mídia disse chefe de GPT faz o diagnóstico de uma doença rara que 17 médicos não conseguiam fazer em 3 anos e todo mundo começou a endeusar o chefe de GPT. Eu como um professor que queria desafiar o chefe de GPT aí eu falei, inteligência artificial é apenas um Waze da saúde. Ele me deu uma resposta.
Não, não, não, não, você está errado. Waze é apenas um sistema de mapa, você está depreciando a inteligência artificial e eu faço o diagnóstico, eu faço proposta de tratamento, um monte de coisa. Aí eu fiz a segunda resposta, a afirmação para ele.
Inteligência artificial não faz diagnóstico autônomo de nada, ele ajuda o médico a fazer o diagnóstico, portanto um Waze da saúde. O generativo entendeu, ele disse, desculpe, desculpe a minha falha. Você tem razão, a inteligência artificial não faz diagnóstico sozinho, ele ajuda.
Portanto, a sua afirmação que ele é um Waze da saúde é totalmente compatível. Por que eu fiz isso? Se eu não tivesse a minha opinião, eu ia dizer não, e eu fiz até a pergunta, mas o IA me respondeu que não é mesmo. Isto é o futuro de um ser humano, ter opinião, forçar as situações para gerar uma resposta, para dizer se é satisfatório ou não.
Isso é importante para dizer, IA na saúde é um Waze da saúde. Ele te ajuda, inclusive, a construir raciocínio, mas ele não tem um processo autônomo. Então, eu acho que é importante nós tomarmos esse cuidado, mas esse ensino tem que ser da educação.
Só voltando, o paciente vai fazer muitas dessas perguntas e vai desafiar o médico. Então, eu acho que nós vamos ter que ter um equilíbrio. O equilíbrio de que o médico tem que mostrar para o paciente que ele está muito bem preparado para explicar e explicar o que é contextualização, senão as coisas não vão funcionar.
Porque tem o risco dos médicos, não só médicos, mas qualquer outra profissão, acabar ficando dependente dessa inteligência artificial. O chat GPT, inclusive, a gente às vezes acaba falando, vou usar só de vez em quando, aí começa a usar mais. Quando vai ver, já não consegue trabalhar mais sem o chat GPT em alguma função específica, seja no trabalho ou seja em qualquer outra coisa.
Então, tem esse risco de acabar criando uma certa dependência. Vai ser uma questão de facilidade, comodidade. Eu acho que hoje, eu vou te fazer uma analogia.
Máquina de calcular. Ele ficou cômodo. Então, se você usa uma máquina de calcular, porque você quer ir rápido, você não quer conferir.
Mas a máquina de calcular não é tão bom quanto uma planilha quando você vai fazer algo complexo. Uma planilha simples não é tão bom quanto uma planilha programada. O que eu estou querendo dizer é o seguinte, nós temos que elevar o nosso patamar.
Sim, para as pessoas que só querem conforto normal, eles podem ficar dependentes de um chat GPT ou equivalente. Mas para quem quer avançar, tecnologia desse tipo é a melhor fonte para desenvolver a capacidade de raciocínio. Legal.
E em questão da rotina, da rotina dos profissionais, a inteligência artificial mudou muito também desde a rotina dos estudos até a rotina na prática mesmo, pelo que o senhor vê ali, seja em consultório, hospital, enfim, até nos dispositivos que são usados nos aplicativos. Então, eu acho que nós temos que separar. Inteligência artificial não é apenas GPT ou chat GPT.
Inteligência artificial, por exemplo, o teu smartwatch, o Apple Watch, é inteligência artificial porque consegue detectar arritmia. Então, Samsung também, por exemplo. Inteligência artificial pode estar em aparelho de ultrassom, porque pode falar para o médico, você não está no ângulo certo, você não está com a pressão certa.
Eu posso ter uma inteligência artificial em sistema de mapeamento de pintas na pele, porque uma pessoa mais clara que não passa, por exemplo, fotoprotetor e se expõe muito ao sol, e pode conseguir ter pintas, eu tenho que tomar cuidado para ver se tem alguma malignização. Eu faço uma foto e uso a inteligência artificial para mapear, identificar quais que tiveram alguma mudança e eu vou lá e faço um exame melhor. Isso tudo é inteligência artificial.
Então, eu só queria esclarecer para a população que não é só o generativo, ele ficou popular, mas inteligência artificial tem até o robô aspirador. Ele tem inteligência artificial. Então, o que é inteligência artificial? É um tipo de software que se auto-adapta a partir das novas informações que ele tem.
Todo software que tem isso, que fica flexível, nós chamamos de inteligência artificial. Então, não existe um ser supremo. O segundo, o generativo apenas uma categoria de inteligência artificial que pode interagir com você em forma de um diálogo.
Só isso. Agora, esses podem melhorar. Exemplo, tem GPT treinado com revista científica.
O shared GPT não é. Ele é treinado com informações de internet aberta. É toda uma questão de royalties. O médico tem que saber o que ele vai usar.
Por exemplo, eu vou fazer uma cirurgia. Provavelmente, eu não vou usar um estilete para cortar ninguém, exceto um caso de emergência. Eu vou usar um bisturi.
Então, veja que talvez o shared GPT seja um estilete. Ele faz o corte, mas não para a minha função. Para a minha função, eu tenho que ter um estilete.
Então, eu vou usar um GPT treinado com revistas científicas e evidências científicas. E aí, vocês vão ver que no futuro nós vamos ter várias categorias. E aí, nós fazemos a escolha da instrumentação mais correta.
Então, vamos ter isso. E aí, sim, pela inteligência artificial, nós vamos começar a monitorar a habilidade também dos médicos. A qualidade deles.
Então, de um lado, pode ter defasagem. Mas, de outro lado, nós passamos a ter recursos para gerenciar melhor a qualidade. E tem alguns aplicativos, como se fosse o shared GPT, mas só da área da medicina? Só da saúde? Já.
Já tem uns cinco ou seis, pelo menos, que é dedicado para essa finalidade. Que são de revista científica. Mas deixa eu te contar uma coisa.
O que você acha que significou DeepSeq? O que aconteceu em janeiro? O que significou DeepSeq dentro da realidade dos GPTs? Primeiro, é que o DeepSeq é um GPT chinês. Mas, por que fiz esse abalo? Porque ele diz que para treinar o DeepSeq, eles usaram um décimo do dinheiro que o OpenAI disse que ele usou para treinar o shared GPT. E aí começaram a perguntar.
Isso é porque é mais eficiente? Ou é porque o OpenAI sempre nos enganou superinflando o gasto dele para poder aumentar o preço? Esse é o primeiro ponto que ficou em dúvida. E o segundo, o DeepSeq transformou em código aberto. Sabe o que isso significa? Você pode baixar, colocar no seu computador, treinar com seus dados, ele fica um GPT pessoal.
Então ele mudou. E às vezes eu falo, você sabe que no mundo da educação tem um Moodle. Aí eu falei, é, o DeepSeq agora criou o mundo do IA.
Eu lembro do Moodle. Então, porque aí o que acontece? Você pode comprar o seu equipamento, faz um download do DeepSeq, instala, treina com seus dados, ele virou, aí deixa eu também quebrar um raciocínio. Vamos desconstruir a palavra inteligência artificial e dar o nome de inteligência digital ou inteligência colaborativa, talvez isso fosse melhor.
Eu pego o algoritmo, treino com os dados colaborativos da minha equipe e ele me repete de uma forma eficiente. O que nós chamamos de inteligência artificial, na verdade, é uma inteligência colaborativa. Se você olha o shared GPT, ele é inteligente? Não, ele é a colaboração de todas as informações que as pessoas produziram.
E aí que nós chegamos a um ponto. Provavelmente nós vamos ter inteligências artificiais hospitalares, cada um separado, e os pacientes vão usar a inteligência artificial da instituição para complementar as condutas. Esse é o futuro que vai acontecer, vamos dizer, olhando para 2030, isso vai se popularizar.
E a gente estava falando, inclusive, no último, também até nos bastidores, sobre qual vai ser a mudança na prática para 2030, que se for ver, é daqui cinco anos, ou menos até, porque a gente já está na metade, mais ou menos na metade, até o episódio IAUAR, já vai ser junho, já vai estar praticamente um pouquinho antes da metade. Então falta realmente muito pouco para tudo isso mudar, para essa mudança. Então, em 2030, você fez uma pergunta sobre celular.
Alguns dizem que o celular vai morrer. Como vai morrer? E o que vai vir no lugar? Provavelmente um óculo inteligente. O Orion, que a meta está querendo lançar, que a lente é Ray-Ban, ele já tem câmera, ele já estaria incorporado o sistema de realidade aumentada e combinada, sistema vocal, reconhece a tua voz, você dá ordem vocal.
Então você ficar digitando, talvez não seja, e você vai ter um bracelete de controle do óculo. Me exiba isso, me exiba isso. E se você esquecer o nome de alguém, você olha e pesquisa.
Olha, 2030 em diante, talvez seja a integração de óculos inteligentes conectado com teu smartphone, e a tua interação com teu smartphone já não é nessa forma. Você já pensou que isso vai se transformar na educação, na emergência, na área médica, entre outros? Então, como você disse, temos quatro anos e meio para nos familiarizarmos com isso e sabermos incorporar de forma eficiente. Agora eu quero ver a gente assistir esse episódio daqui, esses quatro anos e meio, mais ou menos, daqui cinco anos, para ver, olha aí o que a gente conversou, porque até a gente estava falando também nos bastidores, o Amatocast e também os vídeos, não só o quadro passou a chamar Amatocast, não faz tanto tempo, eu apresento há uns dois anos, mas a família Amato já faz postagens no canal há muito tempo.
Então, se a gente pegar os primeiros vídeos ali, é surpreendente, algumas coisas que são citadas como mudou. E agora esse papo que a gente está tendo hoje, se a gente gravar, vai para o arquivo confidencial que a gente está conversando. Então, agora eu vou... Doutor, tem um quadro que a gente gosta de fazer aqui no Amatocast que se chama Mitos e Verdades.
Então, antes da gente começar a gravar, eu uso aqui sempre de roteiro para alguns tópicos, e eu separei algumas perguntas que as pessoas fizeram nas redes sociais, no Google, enfim, aquele Trend Topics, sobre esse assunto de hoje que é a telemedicina e a inteligência artificial na medicina. Então, o que está sendo mais procurado sobre esse tema, e eu queria já esclarecer com o senhor aqui, mitos e verdades sobre esse assunto. Primeiro... Só posso contar uma coisa? Claro.
Eu conheço a família Amato quando nós estávamos trabalhando com Apple IIe. Nossa! Então, você está do exame, eu estou desse. Apple IIe, eu já conhecia, ele já usava uma parte da informática.
Já? É, então, é porque realmente, não estou nem falando isso de marketing nem nada, mas realmente tem muita dessa tecnologia lá. Eu vejo que tem muita coisa nova que eles já estão usando na clínica, e não é marketing. Então, primeiro, a telemedicina é só uma videochamada? Ele é falso, é mito.
É justamente o que a gente estava falando, né? Alguns aqui a gente até citou, mas alguns pode até comentar, explicar, comentar, dar sua opinião. Da videochamada tem essa opinião, né, das pessoas de... Ah, posso comentar? Pode, com certeza. Ah, que bom.
Essa da videochamada, as pessoas têm essa ideia que... Tem até um nome de um lugar que eu não vou citar, porque não tem ligação direta aqui com a MatoCast, mas que as pessoas, quando falam de telemedicina, já ligam diretamente, eu tenho certeza que o senhor sabe de que eu estou falando. As pessoas ligam diretamente a essa empresa, que faz videochamada nas consultas. Então, tem essa visão que a telemedicina está ligada só àquela videochamada ali que acontece muito rápido, a receita vem de forma digital, e é só isso.
Bom, isso é uma superficialização da telemedicina, tá? A telemedicina pode ser feita uma videointeração e um videoraciocínio investigativo, mas a telemedicina, de acordo com o seu propósito, pode se chamar teleconsulta, telemonitoramento, teleconsultoria, teleinterconsulta, entre outros. Por quê? A videochamada que usa é apenas a interação online. O que você precisa dizer é para qual propósito.
E se eu faço uma videointeração usando dispositivos wearables, estou te acompanhando, que eu saiba como está a sua frequência cardíaca, sua pressão arterial, sua temperatura. Então, não é só a videochamada, isso está errado. A outra, na definição do Conselho Federal de Medicina, a telemedicina pode ser em formato síncrona, exemplo, videointeração, ou assíncrona, que aí eu disse, laudos, por que eu não posso? Laudos de exame, ou eu posso ter fotos que eu estou analisando de alguma lesão, e eu vou emitir parecer.
Então, existe no formato assíncrono. Aí você vai perguntar, mas quando que o assíncrono é importante? Local com baixa banda de transmissão. Eu posso fazer em forma de laudo, em forma de sistemas de perícias e cor do tipo, e eu faço ajuda do mesmo jeito.
Então, não é só videochamada. Certo. Inteligência artificial, pode substituir médicos no futuro? Essa daí estava com certeza, não era nem top 5, top 2, das perguntas mais digitadas.
Bom, eu vou olhar. Nos próximos 10 anos, é pouco provável que se diga que vai substituir. Nos próximos 10 anos, ele se torna um aliado fortíssimo para formar os hipermédicos, que agora sabem acelerar e fazer as coisas com muito mais precisão, e vão poder evidenciar as pesquisas científicas mais recentes.
Depois dos 10 anos, eu acredito que vai ocorrer uma parte da medicina que é baseada em protocolos bem definidos, e vai ser automatizado para fazer o engajamento do paciente. E o médico tem que partir para um outro patamar, de um outro desafio, que é aumentar a abrangência que você vai fazer de cobertura. Então, uma transformação.
Nos próximos 10 anos, eu não acredito na possibilidade de substituição. Eu acredito na aceleração, e vai ser assim. Médico que não se adaptar, aí sim vai ser substituído, porque os médicos se adaptam.
Então, esse é um recado para não ficar naquela zona de conforto, para dizer, eu não vou ser nunca substituído. Não, o médico que souber usar, vai substituir você, porque ele vai aumentar muito mais a capacidade produtiva dele. Certo.
3. Telemedicina compromete a qualidade do atendimento? Telemedicina banalizado vai comprometer a qualidade do atendimento, assim como atendimento presencial de 5 minutos, que também compromete. É igual. Então, é só ver, tudo que é banalizado, compromete.
Tudo que é feito de uma forma visando ao benefício, não. Agora, qual é o grande poder da telemedicina? Linha de cuidado. A nossa finalidade com a telemedicina é criar uma linha de cuidado em relação às pessoas.
Esse é o grande diferencial. E eu vou dizer mais uma coisa. Se você vem para o meu consultório, você vem para a minha realidade.
Eu não sei como é a tua casa. Eu não sei como é o teu estilo de vida. Quando eu faço uma teleconsulta com você na sua casa, eu entendo o seu ambiente, eu posso, inclusive, alterar ou adequar a minha prescrição, porque eu disse, agora conheci o teu ambiente.
Será que isso não é humanizar? Então, tudo isso é só para dizer, quando é um bom médico, ele aumenta a eficiência. Quando é um médico que mercantiliza ou superficializa, a telemedicina pode realmente pionar tanto quanto um atendimento de cinco minutos numa consulta presencial. Com certeza.
A responsabilidade sempre será da inteligência artificial se algo der errado? Não. A responsabilidade é sempre do profissional, obrigatoriamente, porque a inteligência artificial não acerta 100% e tem falha. A própria inteligência artificial sabe que é isso, mas mesmo a ciência tem falha.
Se você quiser descobrir todos os mecanismos do COVID, não vai dar, porque nós não chegamos àquele ponto. Então, vai ter falha. A responsabilidade é do profissional para saber se a resposta dada está pertinente ao contexto, se é relevante ou se deve confrontar com uma outra resposta.
O bom profissional faz como isso. Você sabe o que é o significado de medicina, médico? Qual? Saber o melhor caminho. Esse é o significado.
Então, por que saber o melhor caminho? Eu estudei. Você confia em mim. Eu estou decidindo o melhor caminho por você.
Então, uma recomendação para todos os médicos, não esqueçam nunca dessa palavra, dessa expressão. Você sabe o melhor caminho porque alguém confiou em você. E aí, sim, você vai dizer.
E serve ou não serve? Não serve? Descarta. Vamos partir para outro. Legal.
Telemedicina não é permitida no Brasil? A telemedicina está autorizada no território nacional pela resolução 2314 de abril de 2022. Então, ele está autorizado em termo ético. E a telemedicina, no âmbito telesaúde, está autorizado pela lei federal 14.510 de 27 de dezembro de 2022, onde reconhece a modalidade telesaúde no SUS.
Então, por lei, está autorizado. E por ética, está autorizado. Ótimo.
Inteligência artificial, pode melhorar a comunicação com o paciente? Aí, com certeza. Eu acho que o uso da inteligência artificial para mudar o estilo de comunicação, para transformar os termos técnicos num linguajar cultural mais acessível, segundo a faixa etária e as características sociais, é de valor muito grande. Mas, naturalmente, tem que partir de um princípio.
Quando ele faz a conversão, ele pode errar. Depois da conversão, é obrigação do médico, ou de quem conhece o assunto, revisar se houve uma troca errada. Mas, eu diria que ele vai simplificar quase 95% do trabalho da conversão.
Só grandes hospitais podem usar a inteligência artificial? Hoje, não. Hoje, eu diria que a inteligência artificial vai assim. O generativo já está popular.
Está popularizado. Os algoritmos de inteligência artificial, eles também já estão fornecidos para hospitais menores. Aí, você vai dizer, como? Exemplo.
Inteligência artificial para monitoramento de risco de sépsis em UTI. Inteligência artificial? Inteligência artificial para UTI conectada. Então, hoje, a tecnologia está avançando, tornando o valor menor.
Ele vai ser incorporado sempre dentro dos recursos. Eu vou dar um exemplo. Carro.
Hoje, tem carro com I.A. Que se diz, abra teto sonar, fecha teto sonar. E já é o nosso dia a dia. A mesma coisa, ele vai ocorrer dentro dos hospitais.
Legal. Agora, um aplicativo, como um chat GPT, pode diagnosticar melhor do que o médico? Não. Isso depende também, né? Ele não vai diagnosticar.
Ele vai minerar os dados, levantando as possibilidades, permitindo que o médico faça a próxima pergunta para refinar melhor. E assim, constrói um raciocínio. Você sabe que eu vou te dar um exemplo que você vai, pode concordar ou não concordar, mas eu digo, para você jogar um tênis em campo, você precisa de dois jogadores.
Mas se você quiser jogar tênis, sozinho, você vai no squash. Você joga contra uma parede. Aí eu digo, você sabe o que é bom o chat GPT? Squash mental.
Você está com uma dúvida. Você coloca. Aí você diz, não, adiciona isso, adiciona isso.
Agora, vamos cruzar isso. Então, ele pode acelerar a capacidade do médico de fazer um diagnóstico com o menor erro e buscando na internet as últimas atualizações. Isso ele permite.
Mas se ele faz o diagnóstico sozinho, é problemático, porque o paciente não vai saber fazer um prompt bom. Você sabe que hoje existe a chamada engenharia de prompt, que é quando você sai fazer perguntas adequadas para que ele responda de forma correta. E você não tem a contextualização.
Não é simplesmente fazer uma pergunta. Eu preciso ver vários fatores das suas condições do dia a dia, do que eu estou observando. Então, o chat GPT fazer o diagnóstico por si só, não.
Agora, o chat GPT acelerar o médico na rapidez do processo de investigação e vasculhar atualidades de dados para que ele tome decisões boas, isso sim. Legal. Agora, esse daqui eu quero muito saber.
É possível operar à distância usando telemedicina? Sim. E cuidado, tá? Naturalmente, quando lançou o 5G, um dos grandes pontos é chamado cirurgião por telerobótica. E por que o 5G ele estava olhando para a telerobótica? Por causa da menor latência, né? Ele tem que ter uma latência muito baixa, de milissegundos, porque se eu faço um corte e ele sangra, e é uma má artéria, se ele me demorar um segundo, antes que eu tome alguma providência, o sangue já inundou o campo.
Então, para fazer uma cirurgia robótica, telecirurgia robótica, ele tem que ser com baixa latência. Esse é o principal ponto. O problema é que a maioria dos 5G nossos, é um 5G, digamos, mais ou menos.
É um tipo de 4G remendado, nós ainda não temos tanto 5G nativo. Mas você fez a pergunta, é possível? Sim. A partir do 5G nativo, é possível.
E quais são as cirurgias que se fazem hoje? Exemplo, uma cirurgia que tem sido feita, não ainda pra mim, mas já está sendo feita, é o cateterismo. Você vai dizer, mas por que cateterismo? Porque cateterismo é, na verdade, um acesso pra região cardíaca, porque a pessoa tem hemogênio, tem uma trombose, ele é um catete. Então, o movimento do robô é mais pra frente, pra trás, mudando ângulo e giro.
Isso torna muito mais fácil. Ele não tem outros movimentos. E todas as telecirurgias robóticas, obrigatoriamente, tem que ter um cirurgião equivalente no local, pra caso aconteça algum problema.
Isso nós já definimos, inclusive, na resolução de telemedicina 2314, a categoria de telecirurgia robótica. Já olhando pra isso, mas hoje, um exemplo é o cateterismo dentro desse processo. E já na medicina, nós temos, inclusive, uma resolução própria de telecirurgia robótica.
À medida que as bandas de comunicação se tornam melhores, sem flutuação, à medida que nós vamos avançar com óculos e realidade aumentada, isso vai se tornando cada vez mais prático. Possivelmente, biópsias vão começar a poderem ser nem utilizadas. Talvez algumas cirurgias, o fital homológico, por exemplo, de laser pra correção de miopia, eu acho que isso só precisa ser parametrizado e nós temos que garantir, acima de tudo, a segurança do paciente e nós temos que ter os cuidados.
Se falhar, quem vai intervir? Uma vez parametrizado, eu acho que isso vai já avançar, mas hoje você já pode pensar no cateterismo. Essa da miopia eu já achei tão moderna, eu fiz faz pouco tempo, até um ano mais ou menos, eu já achei bem moderna. Praticamente a máquina faz todo o serviço.
Isso, exatamente. Aí você tem uma supervisão, então tudo que a máquina consegue ir avançando, então você se torna um supervisor. E aí a cirurgia robótica, telecirurgia robótica se torna compatível e é a finalidade, é aumentar o acesso.
Bom, a próxima. Se eu usar inteligência artificial no atendimento, estou violando o sigilo médico? Aí vai depender qual a inteligência artificial que você está usando, porque alguns até partem do princípio. Se você expor dados do paciente, exemplo, um chat GPT, alguns dizem que você está violando porque você está colocando dentro de um algoritmo dados sensíveis.
Então, de uma forma ou de outra, vai ter que tomar cuidado. Se você vai usar para construir o raciocínio, não identifique. Agora, o melhor é que no futuro, é que eu falei, pode ser que as instituições vão criar a sua unidade de IA a partir do tipo do DeepSeek, que é um open source, um algoritmo semelhante ao do chat GPT.
Aí não seria mais violação de sigilo. Agora, tudo tem que ser feito de uma forma aberta. Se o médico vai usar, ele também tem que dizer, olha, eu uso aqui o IA para refinar a minha medida de investigação.
E o paciente diz, tá bom, que bom. Eu acho que muitos pacientes gostariam. Ele ainda checa.
Então, eu acho que tudo tem que ter uma autorização, tem que ser falado de uma forma aberta. Usar IA baseada em revista científica. E se for alimentar, não identificar paciente, mas apenas use os dados e descreva o que você deseja que ele faça de levantamento.
Então, são prudências. Tá certo. Agora, essa é interessante, doutor.
Inteligência artificial pode prever se uma pessoa vai ter um infarto antes dos sintomas? Esse antes dos sintomas é importante, né? Isso. Isso se chama IA preditivo. Tecnicamente, sim.
Assim como tecnicamente, eu posso predizer se uma determinada mancha que você tem pode virar câncer. Então, eu vou te dar um exemplo. Teve uma pesquisadora de inteligência artificial na Unicamp que em vez de treinar o algoritmo, com foto do tumor de câncer de pele, sabe o que ela fez? Pintou de preto a lesão, deixando a borda da pele para a IA aprender.
Moral da história. A IA ficou aprendendo aquelas bordas de transição e no fim ela ficou como preditivo. Então, ela consegue acertar em até 87% para dizer que esta lesão pode evoluir para câncer.
Isso é o preditivo. Então, se eu falar do infarto, sim. Porque é uma série de fatores.
Não é nem só de sintoma. Alterações metabólicas, comportamento, o teu estilo comportamental de vida, o teu peso, tudo. Então, você pode juntar tudo isso e ele pode predizer como uma curva de tendência.
Então, é possível fazer a preditividade. Não quer dizer que vai acertar 100%, mas ele permite fazer uma intervenção antecipada. E ele também pode usar parâmetros laboratoriais juntamente com isso, assim como fatores genéticos.
Você vê o teu sequenciamento genético. Então, ele analisa o sequenciamento genético, exames laboratoriais e outros exames e o teu comportamento e estilo de vida e diz, você pode ter. Então, é possível, sim.
Muito legal. Agora, eu vou finalizar com uma, doutor, que essa daqui até eu quero saber da minha profissão. Porque, olha, a gente estava falando aqui nos bastidores de plantão e a pergunta é, as máquinas vão fazer plantão no lugar dos médicos? Será que um dia a gente vai chegar na emergência e vai ter só uma máquina ali para, pelo menos, fazer alguma etapa desse atendimento? Bom, tudo vai depender da nossa capacidade de padronizar os processos, mas sempre haverá algum médico.
Sempre. O que pode é que as máquinas expandam a capacidade médica. Eu vou dar um exemplo.
A Autonatina, que você com certeza não conhece, porque você é muito jovem. Não conheço. É um trabalho cooperado da Ford, com a Volkswagen, em São Bernardo.
Eles tinham 25 mil funcionários para produção de carro. Você imaginaria hoje alguma indústria automobilística com 25 mil trabalhadores? Não sei. Hoje, o que você tem? Oitocentos.
Seiscentos. E você tem um monte de robô trabalhando. Mas você tem um supervisor.
Humano, controlando a qualidade e vendo esse processo. Então, eu diria que pode acontecer que, no futuro, vários processos sejam semi-automatizados, mas você sempre tem a parte humana fazendo essa gestão. Então, a inteligência artificial vira uma lupa de amplificação de capacidade de trabalho.
Isso eu acho que pode. E mesmo que tenha, você tem que ter fator de contingência. Se falhar.
Se não tiver energia. E aí? Como que faz? Hoje, eu faço parte do Conselho Regional de Medicina da cidade de São Paulo, e se discute. Tá bom, você tem um pontuário em nuvem.
E se acaba a energia? Se acaba a conexão? Como você faz com o seu paciente? Então, tem que criar um sistema de contingência. Você tem que ter um servidor que tenha sistema funcional a tal ponto que você tem os dados mínimos e depois que restabelecer, você ressincroniza. Então, aqui eu estou querendo dizer isto é uma evolução de processos.
Então, só para dizer, a automatização com IA dependerá da nossa capacidade de inovar processos com segurança. E essa com segurança é pensando na capacidade da beneficência, e a diminuição do risco de malefícios. E aí sim, esse meio termo é que nós vamos conseguir, talvez, automatizar.
Ou seja, médico, só para descontrair agora, não vai se livrar do plantão, eu não vou me livrar do plantão na televisão, no jornalismo, e o plantão vai continuar na vida desses, pelo menos dessas profissões, né doutor? Talvez sim, talvez os plantões sejam feitos porque você gosta, não na sobrecarga direta, e talvez você tenha assistentes digitais para te ajudar no plantão, tornando o seu plantão uma experiência mais agradável. Mais tranquilo, né? Exatamente. Então, acho que olha, doutor, de verdade, de coração, te agradeço demais pela participação aqui nesses dois episódios.
Para quem só assistiu esse, a gente está deixando o link do outro também, do primeiro, porque a conversa é praticamente uma emenda na outra, né doutor? E acho que o recado foi muito bem dado, que a inteligência artificial ainda, claro, a gente vai ver muitos avanços, daqui cinco anos a gente vai assistir de novo esses episódios, né, para ver tudo o que mudou, mas também, de uma certa forma, consegue elevar o nível da medicina, né, a gente está falando do Brasil, mas no mundo de forma geral, e é isso que a gente espera, né, que apesar de todas as evoluções, além de uma preocupação que existe, a gente viu aqui nas perguntas mais digitadas aqui, né, nos Trend Topics, que tem uma certa preocupação, né, às vezes as pessoas não entendem muito bem o que é inteligência artificial, mas eu acho que foi muito bem esclarecido, muito bem também explicado sobre como que isso muda na prática, né, tanto dos médicos como dos pacientes. Então, para quem ficou com alguma dúvida, doutor, antes da gente finalizar de fato, eu vou pedir só para o senhor, se tiver alguma leitura, algum curso que o senhor indique para quem quer se aprofundar mais nesse assunto, seja paciente ou seja médico, né, especialista da área, o que o senhor indica? Qual o caminho que o senhor acha que as pessoas podem seguir aí para saber um pouco mais desse tema? Olha, eu só peço que tenham cuidado com esses minicursos que tem no YouTube, porque às vezes não falam as coisas certas. Eu acho que tem que ser de instituições sérias, tá, na Faculdade de Medicina da USP eu tenho o meu curso de pós-graduação de Técnica de Medicina para quem faz doutorado, mestrado ou como aluno especial, e o HC também tem, e eu coordeno o MBA de Saúde Digital de Técnica de Medicina de Logística e Técnica de Saúde Integrada, né.
Então, eu acho que assim, procurem de instituições sérias. Então, Einstein, Sírio-Libanês, UNIFESP, várias universidades que oferecem, mas tomem cuidado com esses cursos gerais que fazem muitas promessas. E eu só queria encerrar com um pensamento, se o senhor me permite.
Claro, com certeza. Dentro dos dois episódios que nós conversamos, eu vou dar uma mensagem. O importante não é ser integralmente digital, isso está errado.
Aí vem, então, o que é que precisa ser? Inteligentemente digital, inteligentemente inovador em processos, acima de tudo, inteligentemente humano, inteligentemente eficiente. No mundo do avanço tecnológico, nós somos praticamente conduzidos em achar que tudo tem que ser integralmente tecnológico e digital. E ninguém lembra que nós temos que ser inteligentemente humano, acima de tudo, inteligentemente eficiente na cadeia de processo.
E aí, sim, nós conduzimos para fazer algo de qualidade. Com certeza. Doutor, como te encontrar também, para quem chegou aqui até o final, como que as pessoas podem, quem quer saber mais sobre os seus cursos, sobre a sua carreira, sobre o seu histórico aí na profissão, tem o site que a gente já deixou o link? Isso, talvez a forma mais fácil é pelo meu e-mail, chao, C-H-A-O, arroba, USP, ponto, B-R, ou pela minha página pessoal, que é chao, ponto, UEM, que é o meu último nome, arroba, quer dizer, chao, ponto, UEM, ponto, MED, ponto, B-R.
E nesse site eu tenho os links do meu Facebook, Instagram e LinkedIn. Tá certo, então. A gente vai deixar todos os links principais aqui, para quem tem esse objetivo de procurar, por algum motivo, queira tirar alguma dúvida específica, por outro assunto também.
E, claro, deixe o seu comentário para a gente trazer aqui novamente o doutor Chao, seja especificamente da telemedicina ou qualquer outro assunto que seja ligado às suas especialidades. Doutor, muito obrigada pela sua participação. Para mim foi uma grande honra.
Obrigada. Muito obrigada também a você que chegou até aqui o final. A gente tem um outro episódio com o doutor Chao, não deixe de conferir.
Se ficou alguma dúvida, pode deixar aqui nos comentários. E não deixe de curtir, comentar e também compartilhar, que é muito importante para o nosso engajamento, para que a gente continue trazendo especialistas da área da saúde, de tudo o que envolve qualidade de vida. Muito obrigada.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.