A endocrinologista Lorena Amato define a obesidade como uma doença crônica diagnosticada pelo índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 30, podendo inclui
Então, para iniciar, doutora, eu queria que a gente desse um panorama sobre o que é obesidade. Porque as pessoas costumam também confundir o sobrepeso, os quilinhos a mais, com, de fato, a obesidade.
Crônica de longo prazo e de difícil controle. É definida pelo índice de massa corporal, que é um cálculo que nós fazemos de forma populacional. É fácil, acessível e prático e real na maioria das pessoas.
A gente tem previsões alarmantes da prevalência de obesidade na população, inclusive na população infantil. Números que mais da metade da população tem excesso de peso, obesidade só aumentando ano após ano.
Por exemplo, aquela pessoa a gente percebe nitidamente que é uma pessoa que pode se encaixar, se fizer esse índice de massa corporal, que vai se enquadrar na obesidade.
A gente fala em obesidade, o critério é clássico. É índice de massa corporal maior do que 30. É claro que a gente tem essas variações na análise clínica que o médico pode fazer.
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato. Agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós estivemos aqui com o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular, inclusive foram episódios especiais do mês de conscientização do lipedema e nós conversamos com ele sobre tudo o que envolve a doença.
Hoje nós estamos aqui com a doutora Lorena Amato, endocrinologista, para falar sobre medicamentos para obesidade, inclusive medicamentos que são famosos, que viralizaram nas redes sociais e tem inclusive casos que viralizaram na mídia de até grupos criminosos que roubam esses medicamentos nas farmácias porque são medicamentos de alto custo, ficaram muito famosos e daqui a pouco a gente fala de tudo isso. Bom, a doutora Lorena Amato é médica endocrinologista do Instituto Amato, graduada pela Universidade de São Paulo e doutora pela USP. Além disso, é membro da Sociedade Brasileira e Americana de Endocrinologia e professora de pós-graduação.
Mais uma vez, bem-vinda doutora. Obrigada. Então, como eu até dei um spoiler já aqui, que a gente pretende falar duas em pique, já vou adiantar qual que é esse remédio que viralizou muito nas redes sociais.
Eu, inclusive, como repórter faço casos quase que diariamente ou pelo menos semanalmente de grupos criminosos que roubam esses medicamentos de farmácias porque ficou muito famoso, são medicamentos caros, eles conseguem revender. Então, eu queria, da sua parte, um spoiler do que a gente pode esperar desse episódio para as pessoas já se prepararem. Vai ser muito interessante, com certeza, porque a gente vai falar não só dessas medicações que as pessoas já conhecem, mas de novas medicações também e de mitos.
Mitos associados a essas medicações, tanta coisa envolvida, tanta polêmica envolvida com essas medicações. Então, vai ter tudo isso aqui. Legal! Inclusive, com o surgimento, mais especificamente, do Ozempic, que viralizou muito, as pessoas ficaram nessa dúvida, né? Quando que realmente o medicamento é necessário para o tratamento da obesidade ou para só uma perda de peso? Então, acho que isso é também legal a gente esclarecer, né? Como que esses medicamentos devem ser indicados? Qual que é o momento certo? Então, para iniciar, doutora, eu queria que a gente desse um panorama sobre o que é obesidade.
Porque as pessoas costumam também confundir o sobrepeso, os quilinhos a mais, com, de fato, a obesidade. Então, como que a gente pode definir a obesidade e como que é feito esse diagnóstico? A obesidade, ela é uma doença crônica, né? Crônica de longo prazo e de difícil controle. É definida pelo índice de massa corporal, que é um cálculo que nós fazemos de forma populacional.
É fácil, acessível e prático e real na maioria das pessoas. Algumas pessoas falam, ah, mas se você tiver muita massa muscular, for um alterofilista, esse critério do IMC para a obesidade não é válido. Mas é a exceção da exceção.
Para a população, o IMC é válido para configurar, definir a obesidade. E o IMC maior ou igual a 30, que é o peso sobre a altura ao quadrado, esse índice de massa corporal, define a obesidade. É claro que existem outras situações como a obesidade visceral.
A pessoa que, às vezes, não chega nesse 30 do IMC, mas que tem uma circunferência abdominal, uma medida do abdômen muito grande, o que faz com que a gente saiba que tem muita gordura ali, o que configura uma obesidade visceral. Então, isso também pode ser um diagnóstico de obesidade visceral. É um problema de saúde pública, né? A gente tem previsões alarmantes da prevalência de obesidade na população, inclusive na população infantil.
Números que mais da metade da população tem excesso de peso, obesidade só aumentando ano após ano. E uma dúvida que é importante a gente esclarecer, a obesidade é sempre visível? Por exemplo, aquela pessoa a gente percebe nitidamente que é uma pessoa que pode se encaixar, se fizer esse índice de massa corporal, que vai se enquadrar na obesidade. Ou não? Pode uma pessoa até visivelmente magra, mas que quando olha essa gordura visceral, ela pode se enquadrar numa obesidade? A gente fala em obesidade, o critério é clássico.
É índice de massa corporal maior do que 30. É claro que a gente tem essas variações na análise clínica que o médico pode fazer. Uma pessoa que não está com IMC, como eu falei, lá acima de 30, mas que tem essa circunferência abdominal aumentada quando a gente vai examinar.
Mas, classicamente, a definição de obesidade é pelo IMC. Índice de massa corporal maior ou igual a 30. Então, às vezes, a pessoa visivelmente pode até parecer um pouco mais magra, mas quando faz o exame pode ser que esteja mais... Que tem excesso de gordura, com certeza.
Já tem o sobrepeso, antes da obesidade a gente tem o sobrepeso, que não é uma situação normal, é um passo antes. Ninguém dorme eutrófico com peso normal e de repente já tem critério de obesidade, que inclusive é dividido em grau 1, grau 2 e grau 3. Quanto maior esse IMC, mais grave é. E tem até a superobesidade, que é quando esse IMC passa de 50 e é motivo de matérias, programas de televisão, enfim. São situações que não são a regra.
A regra são pessoas com IMC ali de 30, 35, obesidade grau 1, grau 2. Essas superobesidades também não são a maioria, são uma exceção. O importante, então, é quando a pessoa está com esse sobrepeso, já é diagnosticada, fazer um controle para que não chegue no nível de obesidade. E a obesidade seria algo crônico, algo genético? Tem como uma pessoa que é diagnosticada com sobrepeso evitar que chegue na obesidade? Isso é possível? Com certeza.
Eu achei fantástico, Letícia, algo que eu vi recentemente num congresso de obesidade, falando sobre a origem da obesidade. Todo mundo fica culpando o indivíduo, né? Ah, tá, o indivíduo comeu demais. Sim, existe um fator do hábito, né? Existe o sedentarismo e a má alimentação, fato.
Mas a genética está muito relacionada à obesidade, fatores genéticos. E eu ouvi a frase que eu ouvi, que eu achei bem diferente, faz as pessoas pensarem, é que a pessoa, ela é obesa porque ela comeu demais ou ela come demais porque ela é obesa? Será que é a obesidade que não faz ela ter tanto de fome? E a gente sabe que um pouco sim. Tá, pra se tornar obesa, inicialmente, ela teve hábitos ruins.
Mas depois que ela já está numa situação de obesidade, existem mecanismos pra barrar essa obesidade que não ficam bem compensados, que ficam atrapalhados, inflamados, e faz com que a pessoa continue girando essa roda pra aumentar o peso. Então, descompensa. É como se ele comesse pra sustentar aquela obesidade.
Vira, inverte os parâmetros. Então, é um conceito que a gente tem que começar a parar pra pensar. Depois que a pessoa já está na situação de obesidade, pra ela sair, é muito difícil.
E aí que entram os medicamentos. Exatamente. É o nosso foco, né? Falar sobre as formas de controlar, então, quando a pessoa já é diagnosticada com obesidade, que uma observação muito importante que você até citou já, que o percentual no Brasil é realmente surpreendente, né? A última pesquisa que eu encontrei na internet, que foi da Vigitel 2023, Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis, é gigante o nome, em tempos de pandemia.
Não sei também se você já deu uma olhada nisso. Mostraram que a prevalência da obesidade no Brasil foi de 22,8% no primeiro trimestre de 2023, contra 21,7% no mesmo período de 2022. Então, o número antes já era alto.
Em 2023 foi maior ainda. E aí mostra até quais regiões do Brasil tiveram mais e menos, mas também chama a atenção que cada vez mais os números aumentam pra crianças e adolescentes, né? Com certeza. Existe previsão pra em 2035, metade das crianças estarem com excesso de peso.
Aí inclui sobrepeso também, não só obesidade. Se a gente pegar sobrepeso, esses números ficam ainda mais altos. Esse 20% é com obesidade.
Enquanto mais cedo também começa já com esse excesso de peso, a tendência é que ao longo do tempo, se não tiver um controle, a pessoa vire uma obesa, né? Com certeza. A criança obesa tem muito mais chance de ser um adulto obeso. Bom, então em questão das medicações, até é importante a gente esclarecer, porque quando uma pessoa é diagnosticada com obesidade, ou isso influencia demais até na autoestima, né? Daquela pessoa.
A gente vê muitas pessoas fazendo a cirurgia de redução de estômago. Então, qual que é a diferença? Quando que é indicado a cirurgia de redução de estômago pra algo até de saúde, não só questão estética, mas ou quando os medicamentos, primeiro deve ser utilizado o medicamento pra depois chegar na cirurgia ou não? Isso é diferente? Na teoria, a gente fala que a pessoa tem que ter um tratamento medicamentoso sem eficácia para ir para a cirurgia, né? Então, primeiro a pessoa tem que ter tentado com o médico, né? Não tentado sozinha, porque isso não é considerado uma tentativa real. Atribuir as tentativas de perda de peso ao que a pessoa faz sem ajuda médica, isso não é incluído como uma tentativa, porque a gente sabe que vai fracassar.
A grande maioria das pessoas fracassa e não é por conta delas, é porque o mecanismo da obesidade precisa de intervenção médica, medicamentosa. Então, se você fez uma intervenção medicamentosa e não teve a perda de peso desejada, você pode indicar a cirurgia bariátrica e tá indicado para obesos com complicações ou para pessoas com obesidade grau 2, que é raro não ter complicação, né? Mas só de ter obesidade grau 2, já estaria indicada a cirurgia bariátrica, lembrando com a falha do tratamento clínico, com a falha do tratamento medicamentoso. Isso é muito importante, porque tem muitas pessoas que fazem a cirurgia bariátrica, até mais novas, né? Eu tive contato com pessoas que fizeram até, com 18, sei lá, 20 anos, fizeram a cirurgia, e pelo que eu acompanhei, não teve essa tentativa antes, né? Dos medicamentos, do modo de vida ali, porque até é importante também a gente citar que o modo de vida acaba sendo mais difícil, né? A mudança ali da rotina, e se não for unido com o medicamento, nesse caso.
Com certeza. Um quarto dos pacientes pós-bariátrica, 10 anos após, reganham peso. E por que isso? Porque não modificaram hábitos.
Então, nem o tratamento com medicação, e nem o tratamento cirúrgico, se a pessoa não mudar hábitos, sedentarismo e alimentação, basicamente, ela vai voltar para aquela situação de obesidade, ela já tem genética para aquilo. Então, essa conscientização tem que ser feita, nenhum tratamento é definitivo. É para sempre, é um tratamento crônico, né? Você está com obesidade controlada, esse é o conceito que a gente usa agora.
Se você fez a bariátrica e emagreceu, você está com obesidade controlada. Você está numa situação que você não está com a doença naquele momento, mas você tem toda a genética para se tornar um obeso novamente se você voltar com os velhos hábitos. Então, com certeza, medicamentos, cirurgia é essencial, mas os hábitos também é a base do tratamento.
E o que é mais difícil também, a gente vê, né? O pessoal vai aplicar na vida, ainda mais na correria, né? E, doutora, quais são esses medicamentos mais utilizados hoje no Brasil que a gente pode citar, que são os mais comuns, né? Até as primeiras tentativas ali na clínicas, né? É, hoje em dia existem algumas medicações liberadas para o tratamento da obesidade no Brasil. A gente fala que é off-label, off-label é fora de bula. Medicamento que imbula não é para a obesidade, mas a gente usa para o tratamento da obesidade.
O Ozempic, famoso, ele se enquadra nisso. Ele é off-label para o tratamento da obesidade. Se você for pegar a bula dele e ler, não tá lá falando que a indicação dele é para a obesidade, é para diabetes.
Mas, atualmente, a mesma medicação, a semaglutida, o mesmo princípio ativo do Ozempic, já está liberado no Brasil, nos Estados Unidos também, pelo F. James, no Brasil, já está liberada, inclusive vai ser comercializado em breve, né? Porque da liberação para a comercialização existe um passo, né, para ser dado, que é para a obesidade, a semaglutida para a obesidade. O nome aí é o IGOVE. IGOVE é a medicação que vai ser o mesmo Ozempic, mas imbula para a obesidade.
Então, existe esse medicamento. Existe a velha Cibutramina, né, boa e velha, que ela funciona, ela é eficaz, ela tem sua indicação, o preço é acessível. Então, não é liberada nos Estados Unidos, em vários países da Europa, mas aqui no Brasil é liberada a Cibutramina.
Então, a gente pode utilizar para o tratamento da obesidade. Orlistate, antigamente chamava Xenical. Então, muita gente conhece pelo nome antigo, mas o Orlistate é liberado para a obesidade.
Existe Contrave também, que é uma medicação que é uma associação de duas medicações para o tratamento da obesidade. Então, Contrave também é uma medicação utilizada. E existem os Off-Label, né? Existem outras medicações, portanto, em torno da compulsão alimentar, que a gente pode utilizar também, que ajuda no paciente que tem obesidade.
E medicamentos Off-Label como antidepressivos. Existem alguns antidepressivos que a gente pode utilizar para ajudar no tratamento da obesidade, mesmo eles não sendo em bula para o tratamento da obesidade. Antidepressivo, antiepiléptico, né? Também a gente pode acabar lançando mão.
O Ozempic também teve uma polêmica muito grande em cima desse medicamento, porque ele pode ser comprado sem a indicação médica, né? Sem a receita. E esses outros, eles precisam de receita, porque algumas pessoas tentam controlar sozinhas, né? Essa questão da obesidade, às vezes, pode acabar piorando a situação, enfim. Como que é feita essa escolha? Todos esses outros precisam de receita? É, com certeza.
Eu acabei também nem citando a Liraglutida, que é o antigo Saxenda ou Victosa, que também é para a obesidade. O Victosa em bula para o diabetes e a Liraglutida e o Saxenda para a obesidade. Mas todos, pelo menos, estavam de vermelha.
Então, precisariam de prescrição médica. É que na prática a gente vê que as pessoas conseguem comprar sem prescrição, o que é um erro, né? Porque se fosse só a medicação, se não precisasse de uma avaliação médica... Porque a obesidade não é só uma medicação para perder peso. Não é um remédio para emagrecer.
Não é simplesmente isso. É todas as 200 doenças associadas à obesidade que a gente avalia quando a gente faz uma consulta e passa um medicamento para ajudar na perda de peso. Todos os 13 tipos de cânceres que estão associados à obesidade, que a gente também está de olho, está acompanhando, está avaliando.
Avaliando perda de massa magra, mudança de hábitos. Então, não é simplesmente emagrecer. É tratar a obesidade como uma doença crônica, complexa, multidisciplinar e para o tratamento para sempre.
Então, por isso que muitas vezes essas pessoas que compram sem receita, sem acompanhamento médico, têm um tratamento ineficaz. Perdem peso, mas reganham. E aí a culpa fica do remédio.
Ah, o remédio faz perder, ganhar peso, rebote, sanfona. E a questão não é o remédio. A questão é a forma como foi utilizado.
Então, vale o alerta principalmente para o Ozempic, né? Que é comprado assim, muito mais fácil, né? Sem a receita. E é um medicamento também que ficou famoso na internet. Então, é isso que pega.
As pessoas veem aqueles antes e depois, que chamam a atenção. Como eu disse, né? Comprar sem receita, ali fácil. Quer dizer, fácil entre aspas, porque é um medicamento caro, né? A gente tem que destacar isso, que não é qualquer pessoa que tenha a condição de pagar, acho que chega a ser mil reais, né? Uma caneta que chama, né? Mas bom, já vou para uma polêmica, que eu acho que muita gente vem nas suas redes sociais, vem na consulta até perguntando, doutora, é a favor ou contra esse famoso Ozempic? Eu já ouvi muitos pacientes falarem, você é a favor ou contra o Ozempic? Como que eu poderia ser contra um medicamento que mudou a história da obesidade? Que mudou o tratamento de uma doença tão difícil que é a obesidade, né? A gente ouve falar agora nos tempos áureos do tratamento da obesidade, que a gente tem medicamentos eficazes.
E a gente sabe, pacientes que são obesos, que assistem aqui aos vídeos, o quanto é difícil tratar. Então, quando surge uma medicação potente para ajudar esses pacientes, que não é simplesmente mudar hábitos, não é simplesmente força de vontade, não é disso que se trata. Existe um problema, uma doença crônica que tem que ser tratada com medicamento.
Então surge um medicamento maravilhoso para ser utilizado para o tratamento dessa doença de difícil controle, com promessas e efetividade na perda de peso. E não só isso, né? A semaglutina mostrou benefício cardiovascular, proteção de infarto e AVC, independente da perda de peso. Então tem estudo já melhorando o benefício cardiovascular, melhorando células que produzem insulina no corpo.
Então é um remédio muito bom, quando utilizado com orientação médica, quando utilizado no contexto ideal do tratamento da obesidade. Então não é um remédio para emagrecer, é um remédio para tratar a obesidade, que é muito mais complexo que só um excesso de peso. E isso vale para aquelas pessoas, porque também nas redes sociais a gente vê muita gente usando, dá para ver que a pessoa é magra, né, esteticamente ali também, e quer potencializar o efeito da academia.
Então nesse caso, quando a pessoa não é diagnosticada com obesidade, com aquele índice de massa corporal que a gente citou, nesse caso é difícil que seja indicado para utilizar o Ozempic, por exemplo. Sim, com certeza, é um erro muito grande. São comportamentos de privação, uma pessoa que pode até desenvolver uma anorexia, você tem que ficar de olho num paciente que quer usar uma medicação para ficar, às vezes, com a magreza, para se estabelecer, se submeter a padrões estéticos sociais.
Então isso tem que ter uma avaliação psíquica, inclusive, porque é muito complexo. Uma pessoa que está usando uma medicação e acaba, ou o medicamento ganha má fama, porque essas pessoas podem passar mal. A pessoa usa o Ozempic e fica 5 dias sem comer.
Sabe, isso não é fisiológico, isso não é social, isso não vai ser mantido a longo prazo. Então assim, qual é o objetivo da pessoa? Teria que ser feita uma avaliação, se tivesse um paciente desse chegando a mim, uma avaliação psicológica de transtorno desmórfico corporal. Se a pessoa está se olhando e achando que tem algo errado, sendo que ela está saudável, não está acima do peso e ela quer tomar uma medicação, não só cara, mas com efeitos colaterais.
Tudo tem efeito colateral, tudo tem seu preço, seu preço físico também. Para emagrecer, em um emagrecimento que ela não precisa, tem que ser avaliado a questão da relação com a autoimagem, a questão psíquica. Eu acho que esse é o grande problema atual, que o remédio ganha má fama, aí quem precisa fica com a má fama do remédio, com medo de utilizar e quem não precisa está aí acabando com as medicações da farmácia, que às vezes desabastece, fica em falta.
Devido a esse uso abusivo, muito além do que se deveria. Sim, a necessidade é alta, tem muita gente acima do peso? Tem, mas tem muita gente que não precisaria usar, utilizando. Tem até farmácia, doutora, que quando eu fui fazer reportagem para falar dos casos de crimes, pessoas que furtam, roubam esses medicamentos nas farmácias, de proprietários que disseram que não vão mais comprar, porque está sendo assaltado quase que semanalmente, esse tipo de remédio.
Eles deixam já numa geladeira separada ali, com cadeado e tudo mais, mas às vezes os criminosos chegam armados e o foco é sempre esses remédios. No jornal eu não posso nem citar o nome do Ozempic, para não ficar fazendo essa propaganda, digamos, né? Mas assim, eles falam que está ficando cada vez mais difícil ter esses medicamentos de alto custo, aí acaba ficando em falta para quem realmente precisa, né? Exato, até porque também trata diabetes, né? Diabetes é a indicação do Ozempic, é a primeira indicação, a gente sabe que tem o Igove, que é o mesmo que o Ozempic, que vai chegar para o peso, o Ozempic pode ser utilizado off-label para o peso, mas tem diabéticos que precisam da medicação, para controlar a glicemia, enfim, obesos crônicos que também precisam. E se tem alguém roubando para revender, é porque tem quem compre sem receita, porque essa revenda não é uma revenda com receita, com certeza, e tem quem compra a preços mais baixos sabendo que não é o preço de mercado.
Então, é um problema muito sério. Um mercado ali da internet, aquele mercado meio obscuro, né? E quem está fazendo essa compra dessa maneira, aí você vai pensar, será que essa pessoa está buscando saúde? Com certeza não, né? Porque já não está num ambiente saudável. Então, aí como é que a gente vai falar de um medicamento para tratar, melhorar a saúde das pessoas, se o uso já começa incorreto, já começa num meio que não é de promoção de saúde? Sim, é que o médico não vai indicar a pessoa procurar num site ali meio com cara de clandestino e cara de ilegal, né? É, é ali que está mais barato, não.
De jeito nenhum. Exatamente. E doutora, como que esses medicamentos agem assim na prática? Porque a gente escuta falar, principalmente, eu dou o exemplo do Ozempic, porque é o que mais viralizou, mas a gente pode trazer esses outros que você citou também, na prática.
Porque as pessoas dizem que perdem fome, né? Que uma das sensações é aquela perda de apetite, que às vezes nem consegue comer. Então, é mais nessa questão da perda de apetite ou não também? São questões metabológicas ali que... É, quase nenhuma medicação para o tratamento da obesidade leva ao aumento do metabolismo. Não é essa forma do gasto calórico.
Não é assim que a pessoa perde peso. Ela perde peso por meio da inibição do apetite que esses medicamentos levam. Tá, aumenta um pouco o apetite ou o metabolismo, uma medicação ou outra, mas não é a base do emagrecimento.
Essas medicações levam ao emagrecimento por déficit calórico. A pessoa acaba ingerindo menos alimento. E aí, emagrece, né? Que é a causa da obesidade.
Só que o mecanismo desse déficit calórico são vários. O mais famoso, que é o Ozempic, por exemplo, mas que tem também... A gente tem o Saxenda, que é uma medicação aprovada para a obesidade, que é a Liraglutida, que é uma canetinha também de uso diário. Foi o primeiro, assim, não foi o primeiro análogo do GLP-1, mas o primeiro que se popularizou.
Já tinham outros, porque são medicações que são análogos do GLP-1. GLP-1 é uma molécula que a gente produz, mas que quando a gente está com obesidade, nosso corpo é como se ficasse insensível à ação dessa molécula. A gente vai lá, dá uma dose extra por fora, com a canetinha do análogo de GLP-1, e a pessoa consegue sair da situação de obesidade.
O que esse GLP-1 faz? Até no sistema nervoso central, faz com que a pessoa tenha preferências alimentares melhores, tenha necessidade, se sinta saciado mais rapidamente. A pessoa come pouco e já fala, não, já estou satisfeita. Muitos pacientes falam, ah, eu comia três pedaços de pizza e parece que aquela vontade de continuar comendo não passava.
Agora, com o uso da medicação, ela come um e já está satisfeita, o que deveria ser o funcionamento normal, como se trouxesse a pessoa para o funcionamento normal, para que ela possa perder peso e depois seu corpo voltar a funcionar mais próximo do que seria esse padrão. Fica mais fácil mudar hábitos. Uma coisa é falar, não, come um e pronto, come um pedaço de pizza e pronto, se amarra para não comer mais.
E a gente sabe que não é fácil. Então, a medicação faz com que você tenha essa falta de vontade, essa mudança, não vê uma coisa muito gordurosa, não tem vontade. A maioria trabalha nesse aspecto, de diminuição do apetite.
A sibutramina, o contrave, que é uma associação de um bupropiona com naltrexona, todos trabalham na questão do apetite, diminuindo o aporte de calorias. Então, você come menos, no final das contas, ingere menos calorias e com o tempo isso vai levar a perda de peso. Isso é muito difícil de controlar, sim, porque até para quem não é diagnosticado com obesidade, até para a gente, é muito difícil, você começa a comer uma pizza, parar no primeiro pedaço, abre uma caixa de Beezer, então, e parar no, sei lá, segundo, terceiro.
Mas isso tem explicações fisiológicas, que existe uma combinação que a indústria alimentícia faz, por isso que sempre que a gente está falando de obesidade, a gente fala para correr de alimentos industrializados, que é uma combinação que a pessoa não tem saciedade. Então, por isso que às vezes você come um biscoitinho feito em casa, você come um, dois e já não tem interesse. Agora um bis, esses industrializados, vocês tomem um bis, ou outro industrializado, um pacotinho desses salgadinhos, você não consegue parar.
Por quê? Porque foi feito para isso. Foi feito para você não se sentir saciado, para você comer, comer, comer e inibir. A gente tem mecanismos de saciedade, nosso corpo tem uma sinalização.
A gente está comendo, por que eu sei que eu tenho que parar de comer? Porque o corpo sinaliza para o sistema nervoso central, para o cérebro. E por que no obeso essa sinalização está defeituosa? Está insensível. Ele perde a sensibilidade.
E esses alimentos mais perigosos, industrializados, eles têm essa capacidade de inflamar essas vias, de fazer com que a gente perca essa sensibilidade. Então, não é só disciplina, tá? Você pode ser ultra disciplinado e parar. Mas não é bem só isso, porque o nosso organismo está falando que não é para a gente parar.
Vai virando uma bola de neve. Vai virando uma bola de neve. Quanto mais você come, mais inflamado você fica e mais vontade você tem, mais fome.
Em vez de falar, não, para. Você já atingiu um limite de peso. Você não precisa mais comer, não.
Você vai querendo mais e mais e mais e vai alimentando essa obesidade. Que foi a frase que o estudioso lá no Congresso falou que me deixou intrigada. Aí você começa a comer porque está obeso e não obeso porque está comendo.
Entendeu? A obesidade alimenta. Exatamente. Alimenta esse comportamento.
Você continuar cada vez mais, cada vez mais. Então, por isso que os alimentos industrializados eles estão aí fora do que a gente tem no planejamento de saúde, né? Porque eles têm essa capacidade de inibir essa nossa resposta natural que já está prejudicada no obeso. Os medicamentos que fazem esse controle, então, já que dá essa sensação de saciedade, esse controle da vontade de não parar de comer das pessoas, eles podem ser utilizados por qualquer um que seja diagnosticado com obesidade ou tem algumas contraindicações dependendo de alguma doença, enfim, relacionada, né? Alguns dos medicamentos têm contraindicações, né? Cibutramino, abupropiona.
Toda medicação tem suas contraindicações. É claro que esses análogos de GLP-1 se mostraram muito seguros em muitas situações e por isso também se popularizou o tanto. Análogos de GLP-1 são Saxenda, Ozempic, Victose, enfim, IGOV que vai chegar.
Mas tem, todo medicamento tem suas contraindicações. Uns mais, outros menos. Que só o médico pode avaliar na consulta.
E aí que vai ser essa escolha, qual que é o melhor ali entre as opções? Com certeza. Nos protocolos de obesidade, nenhum fala assim, começa com Ozempic. Ah, não, você tem obesidade ou Ozempic? Não, cada pessoa vai começar com a medicação.
Cada pessoa tem um perfil. E é o bom médico que trata a obesidade que vai conseguir avaliar isso. Qual vai ser o remédio ideal para cada um? Por isso que as pessoas que saem comprando medicamento para emagrecer, elas têm o objetivo de emagrecer.
Elas não tratam a obesidade, elas somente emagrecem, né? Mas o objetivo não é só emagrecer, é tratar a obesidade, que é muito mais complexo. Por isso que a melhor indicação acaba sendo com o endocrinologista, para entender esse contexto ali da pessoa. Com certeza, né? O endocrinologista que trata, é o médico que estuda e trata a obesidade e avalia todas as comorbidades associadas, né? Que não é só o excesso de peso.
É importante também destacar, né? Porque muitas pessoas têm um quadro ou começam a ter alguns sintomas, alguns sinais, não sabe qual especialidade realmente é a direcionada, né? Para isso, né? E doutora, agora sobre... Você citou um medicamento que está para chegar, né? A gente até falou, acho que é segundo semestre de 2024? É, agosto. Agosto. Tá quase.
Previsão, né? E o que a gente pode esperar? O que tem de novidade em relação a isso? Deve mudar esse panorama dos medicamentos? Dá até de valor, de escolha? É, valor ainda não, né? Porque tem uma patente aí que ainda não vai mudar muita coisa, mas com certeza a longo prazo, né? Medicações que hoje são baratas já foram muito caras, como a Cibutramina, por exemplo. No passado ela era cara, que hoje ela é a barata. Então a tendência de toda a medicação que chega no mercado é depois com o tempo baratear.
Mas ainda precisam de anos aí para isso acontecer. Mas esse que a gente chama de tempos áureos do tratamento medicamentoso da obesidade é essas medicações. Desde que vieram esses análogos de LP1, Saxenda, que era aplicação todo dia, o antigo Victosa, que ainda está disponível.
Antigo, assim, está no mercado e é eficaz, né? Então você tinha que aplicar todo dia. Aí veio esse semanal, que é a Semaglutida, que é o Ozempic, e agora vai vir a Semaglutida para a obesidade, que é o IGOV. E aí cada vez mais foram estudando e lançando novas moléculas, né? A indústria farmacêutica está brilhando nesse momento fazendo moléculas que tratam a obesidade de forma eficaz.
Então tem também em perspectiva da Tirzepatida, o famoso Monjaro, que muitas pessoas, na mesma loucura de emagrecer somente, já estão comprando, apesar de ainda não estar disponível para venda no Brasil, mas as pessoas compram, compram por aí no Brasil, alguns trazem dos Estados Unidos, que tem uma perda de peso quase de 30% do peso corporal. E a gente vê, comprando essas pessoas que não precisam perder 30% do peso corporal, as pessoas que têm esse transforme de esmófago corporal. Vai ser um outro problema, né? O Monjaro, nos Estados Unidos, desabasteceu também por essa compra desenfreada.
As pessoas compraram, compraram e acabou na farmácia. Não tinha mais. Então, assim, isso é um problema que estão enfrentando em vários lugares.
Em Monjaro, tem muita gente falando já. As pessoas chegam no consultório e falam, você já prescreve Monjaro? Fala, mas não tem a venda no Brasil, como é que eu prescrevo? Só se for para os Estados Unidos, aí lá, né? Mas tem muita gente usando. Já nesse desespero, nesse modismo, já está na boca do povo, e isso é muito ruim, porque banaliza o tratamento da obesidade.
Tem pessoas que não precisam do Monjaro, tem pessoas que não precisam do Ozempic, precisam tratar uma compulsão alimentar, uma depressão, uma outra coisa. Então, essas medicações já estão aí sendo faladas. E o Monjaro, inclusive, é para diabetes e tem o mesmo, o Monjaro para obesidade, chama Zep Bound, que já está liberado nos Estados Unidos.
Aqui, ainda liberou só o Monjaro, aí até chegar o Zep Bound, aí já vai, já é uma outra conversa. O Ozempic, a gente pode esperar aí. É o próximo Ozempic.
Também é semanal, mas com uma potência muito maior. Quando o Ozempic é uma molécula só, são duas moléculas. É um GIP e um GLP-1.
Esse GLP-1 que eu falei, que tem no Ozempic, a tirzepatida, que é o Monjaro, o Zep Bound, eles são duas moléculas. Então, a perda de peso é bem maior. Então, tem uma potência muito grande, que é a hora que se fala em comparação com a perda de peso da cirurgia bariátrica.
Então, esses medicamentos são fantásticos. Com a medicação, você tem a mesma perda de peso da cirurgia bariátrica. Isso é muito fantástico.
Por isso que está todo mundo doido já atrás da medicação. E são, tem o Monjaro, muitas pessoas já conhecem, muitos pacientes já me perguntaram. Tem muita gente usando, desnecessariamente, nessas compras aí, que não se sabe, nessas importações, porque não é nada oficial.
A medicação você até pode importar para uso pessoal, existe toda uma questão legal de fiscalização. Mas para revenda, não está disponível. Então, como é que estão revendendo? É algo assim, avaliar.
A principal novidade seria da potência do medicamento, que não tem nenhum que se compara à cirurgia bariátrica agora. E agora esse, bem, esse que chegará, o Monjaro. Não é disponível no Brasil, não.
Não, disponível no Brasil, não. Mas tem muita gente que nem precisa dessa potência toda e já está querendo essa medicação. E aí você já vê como as pessoas encaram a questão do peso.
Eles não encaram como uma modificação do estilo de vida, encaram como emagrecimento rápido. Que é chegar naquele perfil rápido. E estilo de vida não se muda rapidamente.
Então, eu até vejo, para que essa pressa? A pessoa que está nessa pressa, ela não está pensando em modificação do estilo de vida, ela não está pensando em saúde no final das contas, que é o que a gente devia buscar. E a gente, como médico, é isso que a gente quer propor para os pacientes. Todas as especialidades da medicina, no final das contas, especialidades, a gente quer promover saúde.
Até as estéticas, saúde física, saúde mental, e emagrecimento rápido com medicamentos não indicados. Quando não indicados, não é saúde. Então, maravilhoso.
Sou super a favor de todos esses medicamentos. Acho ótimo que eles existam, mas tem que ter um acompanhamento médico. E doutora, a questão da receita, que também é muito polêmica, que a gente citou, mas que é importante também destacar.
Você acha que deveria ter um controle maior desses medicamentos? Porque os que são indicados para diabetes, eles acabam sendo vendidos sem receita, pelo que eu entendi. É isso? Então, como que poderia ter um controle maior em relação a isso? Até o medicamento de diabetes poderia ser necessário receita para ter esse controle maior? Com certeza. Eu acho que todo medicamento, na verdade, é o que se diz, né? Deveria ser vendido com receita.
Tá lá a tarja vermelha, venda com prescrição médica. Por que não se cumpre? Eu já não sei, mas com certeza deveria ser. E aí as pessoas falam, nossa, mas esse rigor, e se o paciente for diabético não conseguiu passar em consulta? Tem consulta online.
Os antidepressivos e os antipsicóticos de pacientes que têm esquizofrenia, só são vendidos com receita. Aí você pode falar, mas se não conseguir passar com médico, mas aí vai vender sem receita, ele vai ter uma crise de psicose, mas mesmo assim é com receita. Então, o diabetes deveria ser encarado da mesma forma, e eu até acredito que uma glicemia alta não seja tão grave quanto um surto psicótico.
Então, teoricamente, é com receita, porque se vende sem. E quem compra sem, eu não sei qual o objetivo também de quem compra sem. Como eu falei, não está procurando saúde, porque não está procurando só emagrecer.
Provavelmente não está tendo esse acompanhamento médico, a indicação é algo que ou viu na internet, ou que quer associar aos efeitos da academia, né? E é a hora que tem o rebote. Aí fala que a medicação leva o rebote. Ai, eu os empique, eu emagreço, emagreço e engordo de novo, a culpa é do remédio.
Ou então fui parar no hospital passando mal com essa medicação. Não teve uma boa orientação. Eu falo que, coincidência ou não, nenhum paciente meu foi parar no hospital, que segue comigo usando essas medicações.
Porque a gente sabe quando aumentar, quando diminuir, quando retirar, quando manejar qualquer sintoma. Essas pessoas que fazem um uso irregular, ou enfim, eventualmente sozinhos, aí passam mal, não sabem como aplicam, emagrecem, reganham peso. E aí, inclusive, nesse congresso recente de obesidade que teve aqui em São Paulo, Internacional de Obesidade, falou o quão prejudicial é o efeito sanfona.
Assim, é quase que é melhor você ficar acima do peso do que você ficar emagrecendo e voltando. Cada emagrecida e voltada para o peso, você perde massa muscular, você cai em metabolismo, você tem um estudo tentando mostrar até aumento de risco cardiovascular. Então, é prejudicial você ficar perdendo e engordando, né? Então, você tem que fazer um planejamento de perda de peso com mudança de hábitos e não ficar nesse vai e vem, ainda mais utilizando medicamento.
Nossa, o efeito sanfona, a gente escuta muito falar, né? Não só associado aos medicamentos, mas na vida. Muita gente fala, né? Nossa, eu vivo no efeito sanfona. E às vezes até visível, né? Três meses eu fico, eu emagreço muito, três meses engordo muito.
Então, fica nesse... Isso é porque está tratando o peso e não a obesidade. A obesidade é mais complexa do que só emagrecer. Não é só perder peso na balança.
Não é só isso. Porque isso, uso remédio, sem receita, você consegue. Mas aí, reganha.
Não tratou de fato. E ainda continuando nessas polêmicas, né? Que a gente vê também na internet. Eu fiz recentemente uma reportagem que fala sobre o imposto de importação, né? Que não tinha até 50 dólares, né? E para as compras exteriores, agora vai ter 20%, né? Nessas compras de até 50 dólares.
E acima de 50 dólares, 60%. Se eu não me engano. Eu acredito que era isso mesmo.
E para medicamento, é o único que não vai ter esse imposto de importação. Isso acaba facilitando as compras no exterior? As compras são mais fáceis lá? Há um risco em relação a isso? Tem que ter um acompanhamento médico, né? Essas pessoas que fazem essas compras de medicamento, como se fosse um produto, né? Que tem acontecido, como utilizando sem receita, é o começo de dar errado, né? Então, se você tem um médico que te prescreveu, você tem indicação e você vai atrás de importar um produto, aí que bom, né? Que ótima notícia. Se a gente pode utilizar tudo que tem disponível, que bom.
Mas quando a gente está fazendo, né? Falando desse auto-manejo de pessoas comprando pela internet ou comprando em clínicas que muitas vezes nem passam com o médico ou então passam e fazem uma indicação, sem falar por quê, né? Por que precisa do Monjaro? Por que precisa do Ozempic? Quantos por cento aquela pessoa precisa perder de peso? Então, isso tem que ser avaliado para que realmente a obesidade seja tratada de maneira séria e eficaz. E como que esses medicamentos costumam ser administrados, né? A pessoa, quando a questão... Normalmente é caneta para todos ou que a aplicação, para quem não sabe como funciona, é como se fosse uma agulhinha, né? Que coloca na barriga mesmo ou não, normalmente é medicamento oral. Como funciona? Esses mais novos são injetáveis semanal, mas esse que eu falei mais antigo, liraglutido, saxenda, era diário.
Injeçãozinha diária que a pessoa auto-aplica porque é uma injeção de 4 milímetros, subcutânea, como se fosse insulina. E a pessoa consegue aplicar sozinha. Existe oral também.
Existe a semaglutido oral, que ainda para a liberação para a obesidade também vai chegar, porque também leva a perda de peso. Existe a medicação para tomar, né? Então, falando dessas mais famosas, né? Que é o Ozempic oral, existe. Não é o mesmo nome, mas existe a semaglutido oral.
Mas também existem outros medicamentos via oral, como Contravesibutramina, Orlistate. Então, existe outra gama de medicamentos que podem ser via oral. Então, injetáveis ou oral.
E tem diferença entre algum que é mais eficaz, que a pessoa pode ter um controle melhor, utilizar de uma maneira mais correta? Porque tem gente que morre de agonia, né? De pegar pra ali. E normalmente é na barriga, né? É, mas uma vez por semana, né? É, menos mal. Menos mal.
Depende de cada caso, né? Tem caso que melhora muito se tiver uma compulsão alimentar, se tiver uma depressão associada. Mas geralmente a potência na perda de peso desses injetáveis é um pouco maior quando a gente olha, não olha um paciente com suas particularidades, olha um grupo de pacientes. A potência na perda de peso é maior dos injetáveis, geralmente.
E a caneta, inclusive, é controlada por aqueles cliques, né? Se eu não me engano. É, não, mas tem a dose. E cliques, essa história de contar cliques é mais um modismo das... Era os empíricos.
É, porque tem lá miligrama, né? Tem lá, o medicamento é sério, a indústria é séria, a empresa produziu o medicamento, como eu falei, ótimo, né? Tem lá, 0,5 miligrama, 0,25, 0,1 miligrama, e a pessoa começa a contar o clique da caneta. Aí vem e fala, tô usando clique. Eu falo, não sei quanto que é clique, eu sei miligrama.
Eu sou médica, eu sei miligrama, unidade, posologia. Não é um clique de caneta. Então, assim, acaba que como os pacientes falam, atualmente eu já sei também falar a linguagem deles, eu sei quantos cliques é quantos miligramas, mas a gente fala em miligrama, né? Então, aplica um clique, isso aí é das modas das redes sociais, porque o negócio de contar clique, o remédio ele é semanal, aí tem gente que aplica diário, aplica... Cada um tá fazendo de um jeito, mas existem as recomendações, né? Enfim.
E as consequências ali, acho que não é nem exatamente essa palavra, né? Mas quando as pessoas têm a indicação, tá ali acompanhando com o médico, muita gente fala sobre até a questão de enjoo com o Ozempic. Todos os remédios que são direcionados para a obesidade dão esse efeito colateral, lembrei o nome, já fugido. Não, não, nem todos.
A sibutamina dá outro efeito colateral, a bupropiona dá outro efeito colateral, o orlistate dá outro efeito. Essa análise é típica desses análogos de LP1, que entra o Victosa, Saxenda, que é a Liraglutida, Saxenda para a obesidade, Semaglutida, que é o Ozempic e o IGOV, e a Tirezepatida, que é o Monjari e o ZepBound. Existe medicamento que ainda nem lançou, isso aí já tá em estudos, mas que promete perda de peso com ganho de massa muscular.
Você perde peso e ganha massa muscular. Então, ainda não tem até isso sendo... Nossa, queria ouvir esse daí, vai a loucura agora. Pronto, né? Já quero comprar, onde que tá? Pelo amor de Deus.
Ainda não tá comercializando, mas tem medicações, moléculas em estudo com essa potência, porque o grande problema da perda de peso é que também perde massa muscular. Aí o metabolismo cai um pouco, por isso que é tão difícil manter. E quando você tem uma promessa de manutenção de massa muscular, que é por isso que é tão importante fazer atividade física durante a perda de peso, para que essa perda de massa muscular não seja tão intensa, quando você tem uma medicação que pode manejar um pouco isso, você tem muitos benefícios, né pessoal? Isso seria muito bom.
E os efeitos colaterais não quer dizer que aquele medicamento tá errado ou que precisa ser trocado, isso faz parte do processo? Depende de quais. Tem efeitos colaterais que a medicação tem que ser suspensa. E aí cada paciente tem que ser avaliado.
Então, por isso que tem que ter um médico junto, né? Não dá pra se automedicar com essas medicações, porque não vai saber manejar os efeitos colaterais. Quando que é suficiente para suspender, reduzir dose, ou continuar. Porque pela beleza, por essa questão estética, o pessoal aguenta de tudo, né? Eu já vi muita gente também usando o Ozempic que não tinha indicação médica, né? Que viu que era um remédio famoso, falou, ah, preciso, quero tentar emagrecer mais, ir mais rápido na academia, e ficava passando mal o dia inteiro, não conseguia fazer nada, então isso já é considerado um sinal de alerta, até pra quem tem a recomendação.
Com certeza, a pessoa passa mal o dia inteiro e não consegue mais nem ir na academia, né? Fazer a atividade física que queria. Então, qual que é o sentido, né? Eu já vou entrar até no... tava dando uma olhada aqui pra gente calcular o tempo, mas no mitos e verdades, porque eu acho que dá pra gente explorar também alguns assuntos que estavam sendo mais procurados na internet. Eu sempre procuro trend tops ali pra gente esclarecer.
Então, vamos lá pro primeiro. A obesidade é uma escolha, já que basta fazer exercícios e comer pouco para evitá-la. A gente já até falou um pouco sobre isso.
Já sabe bem que não é, né? É uma doença crônica, com fundo genético, com ambiente... com certeza favorece um ambiente de sedentarismo e alimentação inadequada, mas acreditar que é falta de força de vontade e a pessoa vai conseguir sozinha tratar essa doença, só posterga o tratamento de pessoas que precisam e faz com que elas se sintam ainda mais culpadas. Ela fala, nossa, inclusive tem estudos que mostram que o paciente demora a procurar ajuda médica justamente por isso, porque ela acha que é responsabilidade unicamente dela de emagrecer. Então, ela tá lá, pra que que eu vou lá ao médico se é eu que tenho que tomar vergonha na cara? E não é bem verdade, né? É por isso que precisa de ajuda médica, sim.
Não é uma escolha, né? É uma condição. Tem até bastante programa que fala da questão do governo ter que ser mais envolvido com isso, né? Porque quando dizem da responsabilidade não ser só da pessoa que tem que ter um controle maior, até questão estadual, né? Exatamente. E eu faço um paralelo em questão da campanha de tabagismo.
Só funcionou quando entrou campanhas governamentais. Se falasse assim pra pessoa, ah, para de fumar. Força de vontade.
Ia dar certo? Não ia. Precisou ter campanhas, movimentações governamentais. Então, é por isso que a gente fala que é tão importante, pelo menos na infância, né? A questão da merenda escolar, questão da cesta básica, de incluir alimentos in natura, né? Medidas governamentais pra baratear os produtos naturais e taxar.
Isso é um problema muito sério. Os produtos industrializados que levam obesidade com alto teor de sódio e açúcar, né? Isso dificultaria que as pessoas tivessem acesso e, de fato, talvez trouxesse alguma mudança nos hábitos. Então, na verdade, como é uma epidemia, deveria ter medidas governamentais, sim.
E como que a obesidade, inclusive, já aproveitando o gancho, é tratada no SUS? As pessoas conseguem ter esse atendimento? Porque, às vezes, também há esse certo preconceito, né? Pra quem depende do Sistema Único de Saúde e fala, ah, eu vou procurar os hospitais, as clínicas públicas, eu não vou ter esse apoio. Ou vão entender que a obesidade é tão importante como se é tratada em uma clínica particular, por exemplo. Depende de onde você está.
Tem muitos centros públicos sérios que tratam obesidade. O Hospital das Clínicas mesmo tem um centro de obesidade fantástico, com os melhores profissionais do país, talvez, que tratam obesidade em pacientes pelo SUS. No entanto, a questão de medicação é bem limitada.
Essas medicações mais caras não estão disponíveis. Na Inglaterra, não sei se você viu a notícia, que eles liberaram por dois anos o tratamento com monjaro, pra pessoas obesas, gratuitamente. Com monjaro, que é essa medicação que nem chegou aqui.
Então, aqui a gente tem, por via pública e nem em todos os lugares, a sibutramina. Que tem o seu papel, né? Das que são para obesidade. On label, né? Embula.
Enfim, é bem limitado o tratamento. Mas, lembrando que é tratado como doença mesmo, né? Reconhecida. E que, apesar de ter alguns medicamentos que não são liberados, o tratamento, de alguma forma, precisa ser feito.
Mesmo em um sistema de saúde. E é bem feito, como eu falei. Então, procure assistência, porque, geralmente, endocrinologistas são treinados, deveriam ser.
A gente sabe que outras especialidades médicas, nem sempre, mas as pessoas da endocrinologia já são bem conscientes de tratar esses pacientes com respeito. Então, inclusive, tem uma campanha da ABESO, que é a Associação Brasileira para a Dedicada à Obesidade, que é eu trato a obesidade com respeito. Que é tratar esses pacientes das formas como a gente deve tratar.
É claro que o medicamento é importante, mas ele não vai deixar de ser tratado, e com muito respeito, se ele procurar ajuda médica, mesmo que pelo SUS. Sim. E agora, a obesidade é uma doença crônica e não tem cura? É. De fato, a gente não fala de obesidade curada, a gente fala de obesidade controlada.
Então, a doença crônica, sim, de longo prazo, como o diabetes. A gente fala de reversibilidade, a pessoa reverteu, mas falar, não, nunca mais vai ter obesidade, a gente não pode falar. Tanto é que, mesmo pós-bariátrica, alguns pacientes reganham peso e se tornam obesos novamente.
Que é o que a gente falou, né, da volta na mudança de estilo de vida, né? Exatamente. Que é o que é o mais eficaz ali pro controle. Essa que é a palavra, controle e não cura.
Exatamente. A obesidade tem relação com hábitos ruins de alimentação? Com certeza. Tem fatores genéticos, tem um peso muito grande da genética, mas tem hábitos alimentares e de estilo de vida ruins.
Má qualidade do sono, ambiente muito estressante, alimentação inadequada e sedentarismo, né? Os ambientes ali, o ambiente pesando pra que aquela pessoa se torne obesa e escolhas ruins alimentares e de ausência de atividade física. Muito importante a gente também destacar, achei legal isso dos exemplos, né, da má qualidade de sono e do estresse excessivo. Então isso são fatores que podem influenciar e muito ali, né? Com certeza absoluta.
Só a inversão do ciclo sono-vigília, mesmo que você compense as horas. Não, eu durmo as mesmas horas de dia e de noite. Já aumenta o apetite.
Isso já está estabelecido. Então, ah, não, eu durmo, fico acordado de noite e durmo de dia. Mesmo que sejam as mesmas horas.
Você tem um comportamento alimentar pior. Você tem uma preferência maior por doces, por essa privação, por essa mudança do ciclo circadiano natural. Então, é claro, às vezes tem pessoas que precisam trabalhar à noite, repórteres, médicas, policiais, várias profissões as pessoas têm que trabalhar à noite, né? Mas a gente pelo menos tem essa consciência que a pessoa tem que estar ainda mais de olho nos outros aspectos porque com certeza está associada a uma mudança do padrão alimentar para pior.
É uma sugestão até de um próximo tema que a gente tinha comentado de falar só sobre isso, de rotina, de como encaixar certinho, como não ser prejudicado em questão de hora de sono, horário de sono. Então quando a pessoa, só para a gente poder adiantar também, tem essa mudança, não é naquele horário de sono comum, que as pessoas costumam fazer, isso pode influenciar diretamente nesse ganho de peso, mas ao mesmo tempo, se a pessoa puder controlar de alguma forma o tempo ali de sono, até com a gente tinha citado de tomar algo que possa complementar, fazer aquele ciclo que a gente tinha comentado. Isso ajuda? Com certeza ajuda, mas o mais fisiológico é dormir de noite e ficar acordado de dia e nas horas adequadas.
Esse seria o ideal. Quem não consegue, maneja o restante, alimentação mais saudável possível, atividade física, tentar colocar quantidade de horas, já que a hora não está adequada, mas pelo menos que durma uma quantidade de horas mínimas para ter um repouso. A maioria das pessoas precisam de 7 a 8 horas por dia.
A minoria que precisa de um pouco menos. Então, pelo menos compensar os outros fatores quando não é possível dormir na hora mais fisiológica. Isso vale realmente para... Tenho certeza que muita gente está se identificando, eu inclusive.
Vou marcar minha consulta. Uma dieta restritiva é tiro e queda para combater a obesidade. Não, não é só isso.
Existem outros fatores associados como a gente falou. Qualidade do sono, estresse, apneia do sono. Se a pessoa tem apneia do sono, tem que corrigir.
Transtorno da compulsão alimentar. Às vezes, se a pessoa tem compulsão alimentar e você faz uma dieta muito restritiva, isso pode piorar. Então, tem que avaliar todo o contexto.
Não é simplesmente que coma pouco e pronto. Isso também, quando a pessoa percebe que não está contente. Até ela mesmo esteticamente, com o corpo, já começa a falar, não vou comer isso, não vou comer aquilo.
Não posso comer mais nada de doce. Isso parece que a pessoa fica pior. Dá aquela sensação de tristeza também, que a pessoa não está podendo comer nada que ela gosta.
Chega final de semana, não posso comer. Quando a gente... Existe um conceito muito conhecido que quando a gente se priva muito de algo, a gente acaba pensando muito naquilo. Quando a gente quer muito evitar ou alcançar.
A gente quer, por exemplo, até em outras situações. Você quer comprar um carro X, depois você só começa a ver aquele carro na rua. O que aconteceu? Só tem aquele carro na rua.
Isso acontece com comida também. Não posso comer doce, não posso comer doce. É só doce, doce, doce que aparece.
A gente tem que saber manejar. Saber equilibrar tudo. É claro, não dá para falar todos os sims que a gente quer.
Tem que ter uma restrição também. Vou deixar meu corpo me guiar. Toda vez que eu quiser comer doce, eu vou comer.
Também não vai dar certo. Mas tem que ter um equilíbrio. As dietas, inclusive, cada vez mais tem esse equilíbrio.
É incluso até diariamente. Às vezes um docinho aqui, outro ali. É tão importante isso que você falou.
Eu fiz até um curso também, que a gente pode até deixar o link aqui na descrição, que no final fala sobre emagrecimento, mas no final das contas é estilo de vida. Por isso que eu falei emagrecimento definitivo. Porque, na verdade, para você emagrecer de forma definitiva, você tem que ter uma mudança bem estruturada do estilo de vida.
Você tem que aprender a equilibrar todos esses pratos aí. Você tem que ter uma vida social, sim, mas também não dá para sair e comer todo dia à noite. Tem que ter qualidade do sono.
Se eu não durmo de dia, eu equilibro os outros parâmetros. Então, essa questão do estilo de vida, ela é tão importante que me inspirou a fazer uma série de vídeos, falando que eu dou para os meus pacientes, relacionados a isso. A mudança de estilo de vida para, de fato, tratar a obesidade.
Se fosse só medicamento, eu não precisava estar fazendo esse curso, a gente não precisava estar falando aqui uma hora disso. Toma medicamento e pronto, resolveu. Não é só isso.
Tem muita conversa, dá para ficar, tem um congresso que fica quatro dias inteiro. Tem a Obesity Week todo ano nos Estados Unidos, que é uma semana para falar sobre obesidade. Se fosse só falar use o Zempik, tchau.
Não precisava de uma semana de aulas. Eu vi os vídeos, até esqueci de comentar com você. Recomendo muito.
A gente tem que deixar o link, porque realmente é muito legal. Vou aproveitar e lembrar o pessoal da nossa equipe aqui da edição de deixar. As mulheres têm mais obesidade do que os homens, porque comem muito doce.
Não, não é uma verdade. A mulher tem mais gordura acumulada, isso é fato. Desde a puberdade, a distribuição de gordura corporal, os níveis de testosterona menor fazem com que a mulher tenha uma composição com um percentual maior de gordura, sim.
Mulheres engravidam, que é um fator que pode piorar a obesidade. Tem a questão da menopausa, que também está associada a ganho de peso. Então, tem toda essa questão relacionada, essa questão social com a mulher.
Mas falar que é porque ela come mais doce e fica mais obesa, não necessariamente. Já vi homem que come muito mais doce. Exato.
Cadê que eu me perdi? Chás e cápsulas de produtos naturais são uma boa estratégia contra a obesidade? Não. Pode acalmar, ter um efeito diurético, sai um pouquinho do inchaço, mas um tratamento sério para a obesidade é com medicamento e mudança de chão de vida. Na internet tem chá pra tudo, né? Tem muito.
Até pra ressuscitar alguém que morreu. Sério? Pra você ver, né? É chá bizarro. Lembre-se da mente vó, né? Que costuma... Você fala, tô com tal coisa.
Não, tem meu chazinho aqui que eu vou te... Resolver se não tá roubando Ozempic nas farmácias. É roubar os chás. A obesidade leva a um maior risco de infarto e outras doenças.
De fato. Como eu falei, 200 doenças associadas à obesidade. Dentre elas, risco cardiovascular, infarto e AVC, que é o que as pessoas morrem, né? As pessoas morrem disso.
Diabetes, hipertensão e 13 tipos de cânceres. É só entrar no Instituto Nacional do Câncer, no Inca, aqui no Brasil, que tá lá. Cânceres associados à obesidade.
Aparece 13 já associados à obesidade. Ainda tem os que são hipóteses. É muito bom a gente ir finalizando com isso, né? Porque já leva aquilo que não é uma questão estética, né? É muito mais uma questão de saúde, até pro futuro da pessoa, né? Ao longo prazo, do que só uma questão, ah, eu não tô me sentindo bem com o corpo.
Que, claro, é muito importante a pessoa se sentir bem, né? Porque... Com certeza. Eu sou super a favor da medicina estética. Eu falei isso já milhares de vezes.
Mas a questão não é só essa. E aí eu falo muito... Por isso que é importante a gente divulgar, por isso que a gente tá fazendo esse trabalho aqui. Você como repórter, eu como médica, a gente divulgar essas informações porque a pessoa, às vezes, ah, eu tenho medo de usar anticoncepcional porque eu vou ter câncer de mama.
E a pessoa tá com obesidade. Eu falo, olha, o principal fator de risco pro câncer de mama não é o uso do anticoncepcional, é a obesidade. Então, se você tá com medo do remédio, você devia estar com medo de outra coisa.
Então, é isso que as pessoas têm que saber. Eu faço um trabalho chamado Telenordeste com telemedicina com pacientes do SUS e eles vêm com nódulos na tireoide muito preocupados, né? E eu falo, tá fazendo atividade física? Eles ficam assustados. Eu falo, mas o que que importa? Eu tô com nódulo na tireoide.
Eu falo, porque a obesidade tá associada a outros cânceres muito piores que o de tireoide. Inclusive, é o de tireoide se você entrar lá no Instituto Nacional do Câncer. Então, estilo de vida é a base da saúde, da longevidade.
Ou as pessoas começam a encarar isso e não é o caminho mais curto. É o caminho de dia após dia. Não dá pra acordar e falar, pronto, agora sou ou saudável, durmo bem, faço exercício, como bem, não.
Mas um passo de cada vez. Se propor, a cada dia, mudar alguma coisa pra melhorar o estilo de vida. Porque a gente não quer só viver mais, a gente quer viver melhor.
Então, pra isso, inclusive pacientes obesos, e quando a gente vê obesidade infantil, isso me preocupa ainda mais. Então, essas crianças vão viver muito mal quando tiver com 30, 40 anos se elas continuarem no estilo de vida que muitas crianças estão atualmente. E adultos já estão vivenciando essa má qualidade de vida por causa da obesidade.
E pra concluir esse tema, doutora, você citou um ponto que é muito importante a gente falar, a gente até foi bem agora no final, né, que você disse, mas que as pessoas se cobram muito, né, também. Às vezes falam, nossa, quero ter um estilo de vida melhor. E aí faz até uma lista, eu já fiz isso também, uma lista de metas ali que quer cumprir.
Tomar tanto de água por dia, fazer tanto de exercício, comer mais saudável e aí não consegue cumprir, porque é muita meta pra quem tinha um estilo de vida muito diferente e se sente frustrado, né. E aí fica essa bola de neve de, nossa, não consigo, porque todo mundo consegue, eu não. Vou dar uma dica de ouro aqui pra finalizar.
Pode fazer a lista com 30 itens? Pode, mas se propõe fazer dois. Dois, faz dois. Os dois primeiros.
Mata aqueles dois, resolveu ali? Aí vai pros dois segundos. Não se propõe fazer 30 de uma vez, que só vai levar a frustração e você não vai fazer. Então, você pode ter um projeto grande, mas o projeto grande, como é que você sobe uma escadaria? Com o primeiro degrau.
Então, se quiser pular de uma vez, não vai conseguir. Então, coloque isso em mente, porque a gente começa a aceitar melhor e a gente começa a conseguir, e isso estimula. Então, na lista, escolhe dois pra começar.
Isso vale pra tudo na vida, né? Não só pro estilo de vida, de alimentação, mas como tudo, né? De repente, nascer de novo. Não dá. Bota o pé no chão e se propõe a menos que você vai conseguir, um passo de cada vez, que você vai atingindo suas metas.
E vai ficando feliz e vai propondo novas metas. Tem gente que fala, nunca mais vou reclamar. Aí reclama uma vez e fala, vixe.
Já vou reclamar logo de tudo. Já fiz aí na voz. Vivo um dia de cada vez.
Que aí consegue a longo prazo, pelo menos, ter uma evolução melhor. Eu só pego perguntas peculiares. Não, eu acho que o doutor Fernando colocou cada vez umas mais tensas aqui de responder.
Já foram várias. A gente não tem o padrocínio da marca, mas está sempre com a mesma questão. Vamos envelopar a caixinha.
Não foi nada combinado. É de perto do cortante que a gente pode se machucar. Dá até o medo.
Do que vai ter aí. Posso mentir na pergunta que está aqui. Cachorro ou gato? Desculpa quem gosta de gato, mas cachorro.
Cachorro. A gente tem o Luck. O Luck não está obeso.
Apesar dele ser sedentário. E a gente controla a alimentação. Não dá muito petisco, porque tem muito cachorro obeso.
Eu adotei um cachorrinho, depois eu te mostro. E você tem quantos anos? Ele tem dois aninhos. Mas ele está no limite de sobrepeso, porque está fazendo pouca atividade física.
A gente restringiu a alimentação e está indo bem. Qual que é a raça dele? É Border Collie. Vou te mostrar aqui nos bastidores.
Essa foi uma surpresa. Eu sabia que você tinha um Border. Vou mostrar.
Vou pegar uma aqui. Vamos ver o que é. Não é nada combinado. Aqui dentro tem muitas perguntas.
Vamos ver. Um lugar para visitar. Agora eu que respondo? Para você.
Vamos pensar em um também. Enfim, pensar no Brasil. Tenho muita vontade para a Amazônia.
Para Pantanal, para Bonito. Falei três já. Um lugar já foi três no Brasil.
Para fora tem mais. A Amazônia seria o seu primeiro? Meu filho morre de vontade de ir. Nossa, sério? Que diferente criança falar que quer ir para a Amazônia.
Exatamente, quero ir para a Amazônia. Eu gosto de lugares diferentes. Eu ia citar alguns países que tem muita gente na internet que fala que é meio estranho, que é muito diferente da nossa cultura, como a Índia.
Eu gosto de países que não são clichês. Mas da lista dos clichês, se for falar de um país internacional, ou de outro país, eu gosto da Itália. Queria conhecer a Itália.
Toda viagem é uma delícia. Enfim. Começa a falar uma lista inteira.
Não para nunca. Quer pegar a última? Inclusive, para quem nunca viu a gente fazendo isso, a gente faz as perguntas para se aproximar dos especialistas que estão sempre aqui. Contar um pouquinho da vida deles.
Quem está assistindo, para os espectadores se sentirem mais. Qual o seu hobby? Olha só. Atualmente, eu tenho um hobby novo, complexo.
Que é balé. Comecei depois de velha. As pessoas podem começar depois de velha.
Todo mundo veio de criancinha. A pior da sala. Mas me dedico.
Ou seja, não pretendo. Falei para minha professora, será que um dia eu vou dançar desse jeito? Mandei um vídeo. Ela falou, curta a jornada.
Falou desse jeito para mim. Vou falar para os pacientes. Aproveita cada benefício da mudança do estilo de vida.
E não fica pensando lá no final, vou ter aquele peso lá. Curta a jornada. É mais interessante do que ficar pensando só no objetivo final.
Virou até uma frase de efeito. A sua filha faz balé também com você? Faz. É separado.
Ela é pequenininha. É algo que eu sempre tive vontade, mas como eu sempre fui uma criança gordinha. Sério? Olha, mais uma curiosidade de graça aí.
Eu era uma criança gordinha, então eu não era muito bem aceita. E isso me constrangia. Eu nunca gostei de balé.
Eu gostava, mas eu não me sentia apta a fazer. E aí depois de mais velha, eu falei, quer saber? Estou nem aí. Você não tem o biotipo, você não tem o alongamento.
Ninguém imaginaria que você foi uma criança gordinha. Fui. Obezinha.
Quando a gente vê... Como é que fala? A genética não é favorável. É muito estilo de vida. Que ótimo.
O exemplo está aqui com a gente. Doutora, obrigada pela sua participação. Foi um papo muito legal, leve.
A gente conseguiu esclarecer. E vamos deixar o aviso para o pessoal que tiver alguma dúvida, comentar, sugestão de próximos temas, que a doutora Lorena está sempre aqui com a gente. Obrigada, doutora.
Eu que agradeço. Foi ótimo. Obrigada também a você pela sua participação aqui conosco.
Como eu já citei, deixe sua sugestão de comentário aqui de temas para a gente trazer a doutora Lorena novamente também. Outros temas que vocês tiveram, que ligaram aí quando a gente estava conversando sobre os medicamentos para diabetes, a gente sempre dá uma olhada nas sugestões e trazemos os especialistas. Obrigada e até a próxima.
Tchau.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.