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Submundo da ENDOCRINOLOGIA: AmatoCast Ep 9

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Submundo da ENDOCRINOLOGIA: AmatoCast Ep 9

O episódio aborda o uso indiscriminado e polêmico de substâncias para fins estéticos, focando em dois temas principais. Primeiro, discute o medicamento Ozempic

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Perguntas respondidas neste vídeo

Isso existe, ou não, é de uma forma geral do corpo inteiro?

É do corpo inteiro, inclusive o Ozempic tem uma maior perda da gordura visceral, que é aquela que está dentro da barriga, ou seja, não é a localizada. Os estudos mostram que ele traz uma porcentagem bem maior de perda de gordura visceral.

Como que a gente pode explicar?

Claro, desculpa, para as pessoas, de uma forma mais geral. Ele inibe o apetite centralmente, existem centros no sistema nervoso central, no cérebro, reguladores do apetite, o hipotálamo, ele age lá, inibindo o apetite, fazendo com que a pessoa tenha menos vontade de comer.

Dá para a gente dizer, então, por exemplo, que esse medicamento foi desenvolvido como forma de tratamento para diabetes, como forma de lidar com o paciente que tem esse problema, mas que acabou sendo um efeito colateral, digamos assim, essa perda de gordura?

Sim, viu-se que os pacientes perdiam gordura, o que para o diabético é excelente, e aí fez-se um trabalho especificamente para avaliar a questão da obesidade, e viu um sucesso muito grande em quem tinha somente obesidade, mesmo sem diabetes, então também perdiu muito peso, o que é um benefício para esses pacientes obesos, e aí teve liberação em bula, primeiro pelo FDA nos Estados Unidos, depois a Canvisa acabou seguindo também pelos mesmos estudos, liberando a medicação somente para obesidade.

Quais são os principais perigos que a gente pode dizer desse medicamento?

O grande problema é o uso sem um bom acompanhamento médico, porque você acaba lidando com situações, hoje em dia com esse apelo ao corpo, ao culto, ao corpo, as pessoas acham que é uma solução fácil, como você falou, gordura localizada, imagina uma pessoa que não tem excesso de peso, transtornos alimentares, mulheres com transtornos de alta imagem, anorexia, eventualmente bulimia, isso pode ser usado como abuso nessas medicações, e também o uso sem orientação médica, a pessoa pode ter os efeitos colaterais, tem vários casos de pacientes que foram parados no pronto-socorro, vomitando, passando mal, por um mau acompanhamento, não usaram com bom acompanhamento, nenhum paciente meu eu já vi acontecer uma complicação, todos, ah, você tem um pouco de náuseas, a gente sabe manejar, sabe como progredir a dose, e o pior, né, é ganhar o peso totalmente, então a pessoa usa sem indicação, usa sem ajuda médica, e aí fica aquela eterna efeito sanfona, tendo efeito colateral, enfim, o que é muito ruim pra saúde.

Fernando no último episódio, sobre o perigo desses antes e depois, né, que são publicados ali por clínicas, mas também é muito publicado por pacientes, né, acabam postando ali um diário de tratamento, digamos assim, né, muitas pessoas viralizaram nas redes sociais, especificamente com o Ozempic, mostrando passo a passo, e as pessoas, claro, né, ficaram ali surpresas, né, com o resultado, chamou a atenção de muita gente, inclusive eu vi uma publicação que foi feita pelo Elon Musk, né, que ele chegou a uma pessoa ali que participava de um evento com ele, perguntou porque, como ele tinha emagrecido de uma forma tão rápida, e ele chegou a falar nessa apresentação que emagreceu 13,6 kg enquanto tomava o medicamento, então isso fez também, o Google até falou que depois dessa fala, a busca pelo Ozempic aumentou demais nas redes sociais, então tá muito relacionado a essa fama que o medicamento tomou, né, essa proporção de uma forma muito grande, e você chegou a citar, doutora, que é comprado sem receita, então isso é um perigo agora também, né, que as pessoas estão procurando de uma forma, às vezes sem passar minimamente com o médico?

A fiscalização deveria ser muito maior, em teoria precisa de receita, mas a gente vê que na prática não é isso que acontece, as pessoas adquirem sem receita, então é uma medicação muito potente e muito eficaz, com poucos efeitos colaterais, vê, como eu falei, náusea, e se bem acompanhado, em geral, efeitos colaterais mínimos, então é uma medicação muito boa, mas quando usada com acompanhamento, as pessoas esquecem de falar que além da medicação teve uma mudança de estilo de vida muito sustentada, com certeza dieta, atividade física, mudança de hábitos, a medicação sozinha não vai fazer muita coisa, né, inclusive você não vai conseguir sustentar essa perda de peso se você não mudar hábitos, então fica tudo parecendo que é só um medicamento e não é, né, a perda de peso, o processo de perda é algo muito complexo, né, que deve envolver um médico, endocrinologista de preferência pra ajudar esses pacientes.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e a partir de agora vou ajudar a conduzir o AmatoCast sempre com muita alegria e, claro, responsabilidade. Continuo contando com a participação e audiência de vocês para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. No último episódio, conversei com o doutor Fernando Amato, falamos bastante sobre o submundo da estética, e hoje conto com a presença da doutora Lorena Amato, endocrinologista, que vai conversar também um pouquinho com a gente sobre agora o submundo da endocrinologia, então mais focada em questão de hormônio, também polêmicas que viralizaram na internet.

Muito obrigada pela sua presença, doutora. Eu que agradeço. Vamos lá.

Bom, vou aos destaques aqui do nosso episódio agora. Vamos falar um pouquinho sobre o Zenpeak, que é um certo e-mail que viralizou na internet como forma das pessoas que querem emagrecer rapidamente procuram essa opção. Também vamos falar do chip da beleza, que oferece uma fórmula, digamos, milagrosa para vários pontos que as mulheres costumam procurar em questão de estética, mas não falam sobre os perigos por trás desse chip da beleza, do que está por trás realmente desse procedimento, digamos assim.

E também vamos falar sobre a questão de hormônios, mais focado aí em testosterona. Bom, doutora, vou começar então sobre essa questão do Zenpeak, que é uma canetinha mágica, digamos assim. Está sendo muito recomendado não só por médicos em si, como também foi uma conversa que eu tive com o doutor Fernando, que às vezes biomédicos, pessoas que não são de fato ali preparadas para falarem sobre um medicamento, um certo procedimento, mas que está sendo muito recomendado às pessoas.

É um medicamento que é recomendado para quem tem diabetes, mas que está sendo utilizado para quem busca emagrecer de uma forma considerada milagrosa, uma forma rápida. Sim, essas medicações vieram aí com uma superpotência na perda de peso, realmente elas levam a uma grande perda de peso, mas estão sendo vendidas, inclusive se compra sem receita médica. Os pacientes falam, não, eu consegui comprar novamente, alguém ficou sabendo que eu estava usando e comprou sem receita, infelizmente isso acontece.

Ele já tem liberação no Brasil, pela Anvisa, para o uso em obesidade. Não chegou a medicação com o nome em bula, vai ser o nome o IGOVE, mas já tem liberação para o uso em obesidade, algo relativamente novo, mas já tem. Mas sim, a princípio foi usado somente para diabetes, então é uma medicação que pode ser usada para o tratamento da obesidade, mas não deveria ser usada dessa forma tão banalizada.

Inclusive, assim, se tem essa orientação em outros países também para essa questão da obesidade, como você disse, isso já está sendo tratado aqui agora no Brasil, mas ainda assim é utilizado por pessoas que os médicos dizem, tem uma gordura localizada ali, até falar de um caso próximo, que foi o meu caso, foi recomendado por uma médica mesmo, que eu passei recentemente, e disse que é uma forma de tirar a gordura localizada. Isso existe, ou não, é de uma forma geral do corpo inteiro? É do corpo inteiro, inclusive o Ozempic tem uma maior perda da gordura visceral, que é aquela que está dentro da barriga, ou seja, não é a localizada. Os estudos mostram que ele traz uma porcentagem bem maior de perda de gordura visceral.

A localizada é a subcutânea, é aquela que está ali na coxa, na barriga, não dentro ali do abdômen. Então, o Ozempic tem até mais potência para essa perda visceral. Então, para uma pessoa que tem uma gordura localizada e nem tem sobrepeso, definitivamente não está recomendado.

E como que funciona essa perda de peso? Onde que esse medicamento age? Como que a gente pode explicar? Claro, desculpa, para as pessoas, de uma forma mais geral. Ele inibe o apetite centralmente, existem centros no sistema nervoso central, no cérebro, reguladores do apetite, o hipotálamo, ele age lá, inibindo o apetite, fazendo com que a pessoa tenha menos vontade de comer. Muda um pouco a preferência alimentar, para pessoas que comem muita gordura, como fica um pouco nauseada, acaba tendo uma preferência por alimentos um pouco menos gordurosos, que seriam mais saudáveis.

E também diminui o esvaziamento gástrico, fazendo com que a comida fique mais tempo no estômago, então é até vinculado a um efeito colateral, que é a náusea, porque a comida fica um tempão ali digerindo, a pessoa demora mais para querer comer novamente, fica um pouco nauseada e acaba, bem simplificadamente, esses são os efeitos da medicação. Dá para a gente dizer, então, por exemplo, que esse medicamento foi desenvolvido como forma de tratamento para diabetes, como forma de lidar com o paciente que tem esse problema, mas que acabou sendo um efeito colateral, digamos assim, essa perda de gordura? Sim, viu-se que os pacientes perdiam gordura, o que para o diabético é excelente, e aí fez-se um trabalho especificamente para avaliar a questão da obesidade, e viu um sucesso muito grande em quem tinha somente obesidade, mesmo sem diabetes, então também perdiu muito peso, o que é um benefício para esses pacientes obesos, e aí teve liberação em bula, primeiro pelo FDA nos Estados Unidos, depois a Canvisa acabou seguindo também pelos mesmos estudos, liberando a medicação somente para obesidade. Quais são os principais perigos que a gente pode dizer desse medicamento? O grande problema é o uso sem um bom acompanhamento médico, porque você acaba lidando com situações, hoje em dia com esse apelo ao corpo, ao culto, ao corpo, as pessoas acham que é uma solução fácil, como você falou, gordura localizada, imagina uma pessoa que não tem excesso de peso, transtornos alimentares, mulheres com transtornos de alta imagem, anorexia, eventualmente bulimia, isso pode ser usado como abuso nessas medicações, e também o uso sem orientação médica, a pessoa pode ter os efeitos colaterais, tem vários casos de pacientes que foram parados no pronto-socorro, vomitando, passando mal, por um mau acompanhamento, não usaram com bom acompanhamento, nenhum paciente meu eu já vi acontecer uma complicação, todos, ah, você tem um pouco de náuseas, a gente sabe manejar, sabe como progredir a dose, e o pior, né, é ganhar o peso totalmente, então a pessoa usa sem indicação, usa sem ajuda médica, e aí fica aquela eterna efeito sanfona, tendo efeito colateral, enfim, o que é muito ruim pra saúde.

A gente também viu em alguns sites, né, que muitas pessoas começaram a reclamar da perda de gordura na face mesmo, né, de perceber ali um certo envelhecimento de uma forma muito rápida, que estavam utilizando o Ozempic, isso vai naquela parte que você falou, encaixa perfeitamente na perda generalizada de gordura do corpo inteiro. Sim, né, o Ozempic Face, né, eles falaram bastante por causa disso, as pessoas em geral são obesas, então tem bastante gordura no corpo como um todo, e quando emagrecem, tem essa queda, né, a gordura também tem esse efeito de preenchimento no rosto, deixar o rosto mais cheinho quando a pessoa emagrece bastante, isso também aconteceria no paciente pós-bariátrica, aconteceria em qualquer situação de perda de peso rápida, né, e acentuada, então a pessoa perde gordura e acaba ficando com o rosto um pouco mais caído, um pouco mais flácido, e seria uma consequência, né, as pessoas têm buscado agora ajuda estética em consequência dessa perda de gordura facial. Muitas pessoas, inclusive, usam o Ozempic e postam antes e depois nas redes sociais, né, como uma fórmula ali milagrosa, isso chama bastante atenção, foi um ponto que a gente conversou com o Dr. Fernando no último episódio, sobre o perigo desses antes e depois, né, que são publicados ali por clínicas, mas também é muito publicado por pacientes, né, acabam postando ali um diário de tratamento, digamos assim, né, muitas pessoas viralizaram nas redes sociais, especificamente com o Ozempic, mostrando passo a passo, e as pessoas, claro, né, ficaram ali surpresas, né, com o resultado, chamou a atenção de muita gente, inclusive eu vi uma publicação que foi feita pelo Elon Musk, né, que ele chegou a uma pessoa ali que participava de um evento com ele, perguntou porque, como ele tinha emagrecido de uma forma tão rápida, e ele chegou a falar nessa apresentação que emagreceu 13,6 kg enquanto tomava o medicamento, então isso fez também, o Google até falou que depois dessa fala, a busca pelo Ozempic aumentou demais nas redes sociais, então tá muito relacionado a essa fama que o medicamento tomou, né, essa proporção de uma forma muito grande, e você chegou a citar, doutora, que é comprado sem receita, então isso é um perigo agora também, né, que as pessoas estão procurando de uma forma, às vezes sem passar minimamente com o médico? A fiscalização deveria ser muito maior, em teoria precisa de receita, mas a gente vê que na prática não é isso que acontece, as pessoas adquirem sem receita, então é uma medicação muito potente e muito eficaz, com poucos efeitos colaterais, vê, como eu falei, náusea, e se bem acompanhado, em geral, efeitos colaterais mínimos, então é uma medicação muito boa, mas quando usada com acompanhamento, as pessoas esquecem de falar que além da medicação teve uma mudança de estilo de vida muito sustentada, com certeza dieta, atividade física, mudança de hábitos, a medicação sozinha não vai fazer muita coisa, né, inclusive você não vai conseguir sustentar essa perda de peso se você não mudar hábitos, então fica tudo parecendo que é só um medicamento e não é, né, a perda de peso, o processo de perda é algo muito complexo, né, que deve envolver um médico, endocrinologista de preferência pra ajudar esses pacientes.

Agora um ponto ainda mais polêmico relacionado ao Ozempic. O órgão regulador de medicamentos da Europa já disse que está investigando o Ozempic por conta de pensamentos suicidas, que poderia ter, o órgão já identificou em alguns pacientes. Doutora, o que a gente pode dizer sobre isso? No Brasil eu vi que a Anvisa, procurei também saber sobre isso, a Anvisa ainda não identificou nenhuma situação relacionada a isso, mas pode estar de fato relacionado aí, existe já uma investigação por trás disso? Eu já acho super interessante a gente colocar que muitas vezes os medicamentos usados pra tratar a obesidade tem sempre um caráter assim, um pouco, tudo que acontece é muito enfatizado, né, toda medicação relativamente nova que tá no mercado ficam se observando efeitos na prática.

Então, isso ainda não é uma associação bem confirmada, notaram uma discreta associação, mas não é um efeito causal, porque muitos pacientes que tratam obesidade, muitas vezes eles tem transtornos psiquiátricos também, então pode ter fator de confundimento aí, de confusão, né, pra você achar que é só por causa da obesidade ou é a medicação, então não tá nada certo, mas como é um remédio pra obesidade, aí eu já chamo atenção também pra questão do preconceito do tratamento medicamentoso da obesidade. Já colocam um alarte, tá vendo? Tomando remédio pra emagrecer, olha aí, olha o que que dá, até pensamento suicida, a mídia pega muito pesado nos efeitos colaterais das medicações pro tratamento da obesidade, como se passasse um pouco por algo que tem a ver com preconceito em relação a obesidade em si. Todos os endocrinologistas acharam precipitada essa associação, porque pessoas que tem uma doença grave que tá associada a diversas outras doenças que é a obesidade, ficam com medo de se tratar por causa de reportagens que não estão confirmadas como essa.

Mas, enfim, é o que temos e a gente tem que trabalhar pra tentar reforçar que vale sim a pena com bom acompanhamento usar medicações como o Ozempic pra tratar a obesidade, mas com bom acompanhamento. Com certeza, porque essa questão da receita é principalmente o que chama mais atenção, né? Essa compra que pode ser feita sem, de fato, uma orientação médica, que é perigosa. Ver antes e depois da internet, ficar ali, chamar atenção mesmo dessas pessoas que ficam atraídas por aquele momento ali de falar, ah, não, tô buscando uma estética, e puramente estética, né? Não procurar a saúde de fato, porque pelo que a gente pode resumir então desse medicamento, é que ele é de fato utilizado, já tá, essa questão da obesidade também já tá sendo tratada no Brasil, mas que tudo isso por conta da saúde, não puramente por estética, né? Que as pessoas devem procurar essa opção.

Exatamente. É um tratamento bom, eficaz, mas que tem que ser feito quando bem indicado com acompanhamento médico. Tá certo.

Agora, algo que também viralizou e muito na internet, mas muitas pessoas ainda não sabem do que se trata, é o chip da beleza. A ex-Big Brother, né, a Fly, que é bastante conhecida depois que saiu lá do, da casa, né? Ela postou antes e depois, utilizando o método, e também fez com que ficasse mais conhecida ainda. O que que é isso na verdade, doutora? O que que é o chip da beleza? São implantes hormonais, né, colocados no subcutâneo, abaixo da pele, um pouquinho profundo, de forma que você não sente se você passar a mão, e ali tem hormônios.

A questão é, né, são vários hormônios, hoje em dia o chip da beleza ganhou fama com um hormônio sintético chamado gestrinona, que tem ação que é inclusive considerada anabolizante, né? Então, se você é um atleta e tem uso de gestrinona, é considerado anabolizante. Então, tem efeito de ganho de massa muscular, né? O que todos nós conhecemos em relação aos efeitos anabolizantes. Então, ficou aí a fama não, mas esse é a gestrinona, é só como se fosse algo mais tranquilo, na verdade é um hormônio sintético que está sendo colocado no corpo pela via de um implante, que chamam de chip, né? Então, se você estivesse injetando com injeção ou tomando vioral, claro que tem suas repercussões, cada uma das formas, você estaria, da mesma forma, tomando testosterona.

Então, ganhou um nome bonito pra algo que a gente sabe, é anabolizantes ganham massa magra, a pessoa fica musculosa, todo mundo sabe, né? Então, começaram a divulgar o uso desse hormônio sintético com potencial anabolizante, que é a gestrinona, para mulheres que queriam ganhar massa magra. E associada a boa alimentação e treino, realmente elas ganharam, e por isso que ganhou a fama de ser da beleza. No entanto, a gente está falando de um uso de hormônios que, pra fins estéticos, que é totalmente proscrito, não recomendado pela sociedade de endocrinologia e também pela sociedade de ginecologia obstetrícia, que também regula o uso da gestrinona, porque também é usada pra tratamento de endometriose em algumas situações.

Isso aí já é da área da ginecologia, mas eles também proscrevem, não recomendam o uso da gestrinona em implantes hormonais. Então, virou essa moda, e a gente sabe que hoje em dia não é tão da beleza assim, né? E a gente consegue perceber também nas redes sociais, nessas publicações que mais uma vez viralizaram com essas técnicas que são milagrosas, mostram ali resultados surpreendentes, que chamam realmente a atenção das pessoas no mundo da internet, no submundo, se é o que a gente pode dizer dessa forma, que também tinha um resultado positivo em questão de cabelo, de pele, de rejuvenescimento. Existe realmente uma ligação do chip da beleza? Ou não, seria algo realmente hormonal ali na questão mais de ser utilizado como forma de potencializar a academia, por exemplo, os resultados da academia? Isso não tem fundamento, inclusive piora muito a pele, como todo androgênio, é porque a pessoa já sai do implante, lá do médico do implante, com a receita da esotretinoína, que é o rocutan, que melhora a pele, a pessoa já sai com o pacote, então ela era uma pessoa saudável, que buscava ter beleza, mais beleza, e sai com o pacote de medicamentos, já pra tratar os efeitos colaterais, a tendência é que haja queda de cabelo, acne, piora da oleosidade da pele, então assim, realmente, mas aí a pessoa já sai com medicamentos pra evitar isso, então já tá com implante, já tá com uma série de medicamentos, e era uma pessoa saudável, somente ter um corpo mais bonito, então existe a medicina estética, eu sempre falo isso, não é a endocrinologia.

Inclusive, até saindo um pouquinho, mas prometo que vai ser uma pergunta só, pra gente não atrasar muito aqui o nosso assunto, mas a questão do rocutan, que foi algo que tá sendo muito também utilizado, né, que vai na mesma linha aí de Chip da Beleza, de Ozempic, acabou viralizando também muitos resultados, que eram mostrados ali de forma satisfatória pras pessoas que tinham problema de pele, mas que é utilizado pra quem quer tratar problema de oleosidade, cabelo muito oleoso, que começa a procurar os médicos em relação a isso, mas é um medicamento que precisa ter um acompanhamento, e os efeitos colaterais são perigosos. Mas aí a gente trata de uma situação na dermatologia, que a pessoa tem um problema de saúde, um problema de acne excessiva, que traz um comprometimento estético, né, pro indivíduo, vai lá e busca tratamento, se trata, e em outra situação, que a pessoa busca um tratamento estético, alguém coloca um implante que gera acne, gera o problema e depois trata. Então é um pouco diferente quando a pessoa tem um problema e busca somente o tratamento com o dermatologista, com um bom segmento, ok, a medicação que ela vai usar, agora quando ela foi tratar a beleza e saiu pior, e aí tem que tomar o rocutan porque usou um tratamento que fez ela ter um problema que ela não tinha antes, aí a gente tá virando assim, tratando as consequências de um tratamento que a pessoa nem esse problema tinha antes, desse tipo da beleza.

Então realmente, se a pessoa já tem um problema com acne, ok, fazer o tratamento dermatológico que for necessário, rocutan é uma boa medicação quando bem acompanhado também, né, os dermatologistas sabem, mas você colocar um implante, uma pessoa que é saudável e já saiu com a prescrição pra prevenir um efeito colateral de algo que nem é recomendado pelas sociedades, né, aí é a confusão da confusão, né. Com certeza. Existe também uma certa preocupação em relação ao a esses materiais, é que a gente pode dizer assim, né, no caso da gestrinona que não é produzida no Brasil, pelo que eu vi, né, pela indústria brasileira, mas que existe uma preocupação do setor das pessoas que procuram formas alternativas, por exemplo, manipular esse ingrediente, é assim que a gente pode dizer? Sim, essa é a substância.

Substância, exatamente, e isso acaba sendo uma forma mais um valor mais baixo que as pessoas procuram, que muitas vezes é o que também a gente falou no primeiro episódio aí do submundo, né, que envolve a estética, a endocrinologia, o submundo da internet, que as pessoas buscam valores mais baratos, opções mais fáceis, resultados mais rápidos e que às vezes procuram fazer de forma já individual. O que que a gente pode dizer sobre essas formas aí de manipulação dessas substâncias? É que a gente não sabe a questão, a supervisão não é a mesma do que das indústrias que tem lá sua produção indústria farmacêutica, então a supervisão não é a mesma, então não se sabe ao certo o quanto tem da substância. Muitas vezes, quando falam que colocaram gestrinona, eu vejo muitas mulheres com testosterona junto, né, algumas sabem, outras não sabem, entendeu? Tem muito mais coisa ali que não se sabe, é manipulada, a fiscalização é mais falha.

Existe fiscalização? Claro que existe, mas não é como nas indústrias farmacêuticas, então realmente você passa ainda por mais um problema, né, então seria mais um complicador da questão dos implantes hormonais, do tipo da beleza. Os médicos podem ali indicar uma certa manipulação em relação a isso? Pode, manipulação não é errado, você pode fazer manipulação de alguns medicamentos, mas como eu falei, fica mais falha a questão do controle da substância, da quantidade de substância que tem ali, se tem somente aquilo, se tem tudo aquilo que você tá pagando por, né, às vezes também tem menos, enfim, tem todo um viés aí de você não ter o controle tão adequado da substância quando ela é manipulada. Agora um pouquinho sobre a testosterona, né, que vai nessa questão aí da academia, do cuidado com o corpo, muitas vezes procuram, muitas pessoas procuram como forma de potencializar os efeitos desses exercícios físicos.

Realmente, pode ser utilizado dessa forma, acompanhamento médico, algo que já tá ligado também a essa questão aí estética? Os hormônios para fins estéticos não devem ser usados, eu sempre falo para os pacientes, a medicina estética existe, é maravilhosa, tá muito bem estabelecida, dermatologia e cirurgia plástica, eles fazem maravilhas, não é a endocrinologia, hormônios para fins estéticos você prejudica a sua saúde e aí não faz sentido, né, nós somos antes de tudo médicos, né, então a gente quer ver a pessoa com saúde, não adianta ela tá lá bonita, forte, o que quer que seja se não tiver com saúde, uma hora essa beleza o preço vai ser muito caro, então é por isso que os hormônios não são recomendados para fins estéticos, porque a consequência para a saúde, ela chega e aí a gente não vai adoecer alguém para que ela fique mais bonita, não faz menor sentido, né, e aí num primeiro momento parece que sim, fica todo mundo forte, você negar que anabolizantes deixam as pessoas fortes, com menos gordura, você tá negando, óbvio, é só olhar nas academias, né, as pessoas estão fortes, né. Os resultados são visíveis. São visíveis, por que tanta gente vai atrás? Porque vê que tá funcionando naquele aspecto estético, mas quando você ultrapassa a sua saúde para obter estética, é a hora que você tem que pensar que a pessoa tem um transtorno dismórfico corporal, um transtorno psíquico, porque ela tá abrindo mão da saúde para ter um benefício estético, e aí essa pessoa precisaria de ajuda, né, não é recomendado, o assunto seria até muito mais profundo a gente começar a observar o que que tá acontecendo, que essa pessoa tá abrindo mão da saúde conscientemente, porque estamos falando sobre isso, tem muita gente que fala sobre os malefícios da saúde desses usos de anabolizantes, e a pessoa mesmo assim vai lá e faz uso para ter um benefício estético temporário.

A testosterona, o anabolizante já é utilizado há muito tempo, né, já ali desde sempre em questão de academia, né, já são formas de potencializar esses efeitos dos exercícios físicos, mas que tem esses perigos aí a longo prazo, né, que vai na mesma direção que você falou dessa questão de ser utilizado numa forma de saúde, quando que é utilizado realmente na questão de melhorar a saúde do paciente? A testosterona pra homens, né, tem um benefício fantástico quando os homens têm deficiência, até relativa, às vezes com a idade, ou doenças como a obesidade, por exemplo, em homens jovens, pode levar a queda da testosterona, e aí você pode usar a testosterona, deve inclusive, nessas situações, pra melhorar disposição, libido, massa óssea, massa muscular, nesses homens. Em mulheres, a testosterona tá indicada em uma situação, por consensos mundiais, né, que falam do uso de testosterona em mulheres que não são homens trans, né, a gente não tá falando de transsexuais, porque aí tem seus usos de testosterona, pessoas que querem fazer uma mudança de sexo. Em mulheres que não são homens trans, você só pode usar a testosterona no transtorno do desejo sexual hipoativo, que seria baixa libido.

Né, uma situação, numa dose feminina bem baixa, que também, quando bem indicado, pode ser recomendada, mas não é, não vai deixar ninguém forte, não vai deixar ninguém muito musculoso, são doses bem baixas, e que tem que ser olhado com muita cautela, por isso, a ajuda de um médico nessas situações. Existem muitos efeitos colaterais, né, caso não seja usado nessas situações específicas aí de cuidado com a saúde, né, possibilidade de doença, o que que a gente pode dizer que a longo prazo, se a pessoa realmente insistir nessa questão da estética, né, que até, inclusive, o Conselho Federal de Medicina proibiu a prescrição pro fim puramente estético, que até você tinha citado, que não é recomendado, mas existe uma proibição também relacionado a isso, né, então deveria ter um controle maior, mas vamos falar primeiro da questão de efeitos colaterais, o que as pessoas esperam? São vários, e o grande problema é que muitos são a longo prazo, e aí a pessoa não vê tanto, ela não vê ali imediatamente, ela só vê os benefícios, no caso de um homem usando anabolizante, só vê ficando forte, mas tem vários efeitos a longo prazo, a gente pode falar atrofia testicular, até definitiva, de forma que a pessoa precise pra sempre ficar usando aquele hormônio, porque o testículo dele não produz mais, né, levando a infertilidade, por exemplo, a grande preocupação é o risco cardiovascular também, o maior risco, talvez, de aumentar eventos cardiovasculares, infarto, AVC, existe uma possibilidade disso, efeitos mais imediatos, tromboses, relacionados a esse excesso de hormônio masculino no corpo, que leva o que a gente chama de polistemia, que pode levar a trombose, esses eventos cardiovasculares, e efeitos no sistema nervoso central também já tá bem descrito, em relação a agressividade, irritabilidade, e até não tem nenhum estudo ainda, mas existe a possibilidade de dependência psíquica, a pessoa tá sempre acostumada com aquele nível alto de testosterona, e quando ela volta pro nível normal, que todos os homens têm, ela acha que tá pouco, ela acha que tá fraco, ela se sente mal, ele se sente mal com baixa libido, por quê? Porque se acostumou com aqueles níveis altos, então uma certa dependência psíquica, isso também é bem notado, apesar de que faltam ainda trabalhos pra caracterizar melhor isso aí. Mas, poderíamos aqui falar um dia inteiro dos efeitos colaterais, mas as coisas mais importantes são esses.

Que muitas pessoas nem tem a dimensão, né, de quantos efeitos tem, porque, por ser uma coisa normalizada mesmo, que foi o que eu falei, né, que já é utilizada há muito tempo, como forma de potencializar aí os resultados dos exercícios físicos, mas que também vai, eu acredito que vai na mesma direção do Ozempic, no sentido de precisar ter uma, um controle maior em relação à venda, porque eu percebo que é vendido de forma, até em academia a gente consegue encontrar esses anabolizantes, essa questão de testosterona, né, então, o que eu percebo é que o principal ponto em relação a tentar cuidar mais da saúde dessas pessoas, é talvez ter um controle maior dessa venda. Com certeza, e essa venda underground aí que eles falam, às vezes é de uso veterinário, às vezes é de medicação que vem sem o menor controle do que que tem ali, então, eu vejo que se banaliza muito, porque uma pessoa ou outra usa por um curto período e não acontece nada, mas no que acontece, o problema é muito feio, o problema é muito grave, então você não sabe se vai ser com você, eu acho que é por isso que também banalizam o uso e não tem tanto medo, porque todo mundo conhece alguém que usou e não aconteceu nada, sim, mas é porque os que acontecem em geral não estão ali na academia pra contar, né, e o uso em mulheres, né, aí pior ainda, porque você usar testosterona de níveis masculinos em mulher, é só quando que não quer fazer a transição de sexo, não é um transexual, você tá colocando características masculinas numa mulher, na mulher então os efeitos são ainda mais acentuados. Bom, a gente já vai encaminhando pra finalização agora, mas antes de tudo quero falar também de um assunto pra gente finalizar, um assunto muito polêmico, que em março a Anvisa determinou a apreensão e a proibição também da comercialização e distribuição das unidades falsificadas, então assim, a doutora já falou de algumas questões que são relacionadas aos perigos aí, tanto da testosterona, um trava-línguas, né, testosterona, como também do Ozempic, enfim, de todos esses medicamentos que são utilizados como forma pra fim estético, mas que já foram muitas vezes proibidos, né, na questão da testosterona pra esse fim único de corporal, ali, facial dessa preocupação das pessoas com o corpo mais especificamente, mas a Anvisa, voltando agora pro que aconteceu em março, proibiu as unidades dos medicamentos decadurabolin e durateston, aí ó, mais difícil ainda, que pode estar relacionada a uma questão financeira, então existe essa questão da falsificação justamente pras pessoas além de estarem ali aceitando os riscos desses medicamentos, dessas opções, também procuram formas ainda mais baratas em relação a isso, doutora, então acaba sendo um risco duplo? Com certeza, falsificada aí que não tem controle mesmo, o que que tem ali dentro, né, o que que vai causar? Será que é pra uso veterinário? Será que o que que tem ali nisso que tá sendo vendido que não tem fiscalização? É um problema ainda maior.

É um assunto bastante, tem muita coisa pra falar disso, né, muita coisa que viralizou já há muito tempo, né, que a gente citou aí, o Zempic, já a questão do medicamento que é utilizado pra acne, mas que também pode ser usado pra oleosidade, né, então é muita coisa pra falar realmente, a gente vai ter que finalizar por aqui, nosso tempo tá curto, mas a gente já também já tá organizando a questão dos comentários, das dúvidas de vocês, então continuem mandando e assim que a gente tiver já tudo organizado vocês vão poder interagir com a gente pra falar sobre as principais dúvidas em relação a esses assuntos. No último episódio, como eu disse no início, conversamos com o doutor Fernando Amato, que trouxe essas questões estéticas, agora com a doutora Lorena, que trouxe essa questão da endocrinologia, e no próximo episódio a gente volta. Se por acaso tiver mais dúvidas em relação a esse assunto, se vocês gostaram desse tema, comente no nosso vídeo pra gente trazer mais temas relacionados ao submundo da internet, tudo que envolve essa questão estética, de cirurgia plástica, questão corporal, questão facial, tem muita coisa pra falar sobre isso.

Mais uma vez, meu nome é Letícia Miyamoto, muito obrigada pela sua audiência, pela sua participação, e conto com você no nosso próximo episódio. Obrigada pela sua participação, doutora. Eu agradeço.

Tchau, até mais.

Consulte um especialista

Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.