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Lipedema: A Doença Invisível que Afeta Milhões de Mulheres

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Lipedema: A Doença Invisível que Afeta Milhões de Mulheres

Lipedema é uma doença crônica, inflamatória e evolutiva, que afeta principalmente mulheres, caracterizada pela deposição anormal e simétrica de gordura nos memb

Capítulos

Perguntas respondidas neste vídeo

O que eu quero dizer com isso?

Que nos últimos cinco anos a gente publicou mais trabalho científico do que todas as décadas anteriores. Então tem muita coisa nova, muita gente séria no mundo, estudando esse assunto para trazer uma solução para você.

Ou acha que a obesidade está nas pernas?

Escreve lá embaixo nos comentários que eu quero saber. Mas para essa pessoa você vai pegar esse link lá em cima e já em caminha para ela entender o que está acontecendo, porque nesse vídeo eu vou falar dos aspectos gerais do lipedema.

Então como que esse problema aparece?

Aparece com a deposição de gordura em membros inferiores, pode acontecer em membros superiores também. A grande maioria das vezes de forma simétrica, então na perna direita vai ser parecida com a perna esquerda, pode ser um pouquinho mais, um pouquinho menos, mas normalmente é parecido.

Então, o que isso quer dizer?

Quer dizer que tem muita gente que é portadora do lipidema e tem poucos sintomas porque a doença está controlada, porque tem hábitos de vida saudável, porque tirou o gatilho inflamatório, porque está fazendo tudo certinho.

Então, quer saber?

Larguei, vou comer bem e vou deixar de fazer exercício. E aí, vem a obesidade em cima do problema do lipedema. Algumas pessoas ainda acham que lipedema e obesidade é a mesma coisa.

Transcrição completa do vídeo

Olá, sou Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular do Instituto Amato e, considerando o mês de conscientização do lipedema, o junho lipedema, eu vou falar aqui sobre o lipedema que é uma doença invisível que afeta 12 milhões de mulheres no Brasil e muitas nem sabem que isso está acontecendo. Eu já fiz vários vídeos aqui sobre o lipedema no canal, mas eu estou lembrando que eles já são bem antigos, porque eu falo desse assunto há muito tempo. E acho que vale a pena a gente atualizar com novos conceitos, tendo em vista que a maior parte das publicações do lipedema foram publicados nos últimos cinco anos. O que eu quero dizer com isso? Que nos últimos cinco anos a gente publicou mais trabalho científico do que todas as décadas anteriores. Então tem muita coisa nova, muita gente séria no mundo, estudando esse assunto para trazer uma solução para você. Você acha que tem lipedema? Conhece alguém que tem lipedema? Que tem problema de pernas grossas? Ou acha que a obesidade está nas pernas? Escreve lá embaixo nos comentários que eu quero saber. Mas para essa pessoa você vai pegar esse link lá em cima e já em caminha para ela entender o que está acontecendo, porque nesse vídeo eu vou falar dos aspectos gerais do lipedema. O lipedema é então uma doença da gordura nas pernas, mas não é tão simples assim. É uma doença em que ocorre uma mudança do metabolismo de forma geral no corpo inteiro. E essa deposição de gordura nas pernas acaba sendo uma resposta do seu corpo a um outro problema metabólico muito maior que a inflamação crônica de baixo grau. Mas o que aparece é a deposição da gordura. Então muitas pessoas acabam acreditando que o problema é a gordura. Não, a deposição de gordura é consequência do problema que é a inflamação. Então como que esse problema aparece? Aparece com a deposição de gordura em membros inferiores, pode acontecer em membros superiores também. A grande maioria das vezes de forma simétrica, então na perna direita vai ser parecida com a perna esquerda, pode ser um pouquinho mais, um pouquinho menos, mas normalmente é parecido. Essa gordura fica inflamada, então vai ter uma sensação de dor, peso, cansaço, formação de roxos nas pernas muito frequentemente, aqueles roxos que aparecem sem você saber da onde. A sensação de inchaço é muito importante. Muitas vezes as mulheres que têm o lipidema falam que tem retenção de líquido nas pernas. E essa retenção de líquido na verdade é a inflamação que dá essa sensação. O lipidema é uma doença crônica evolutiva, mas quando você olha aquela imagem dos estágios do lipidema, não quer dizer que todo mundo que tem lipidema vai chegar no estágio final, mas que quem está no estágio final passou pelos estágios anteriores. Aliás, o estágio final é uma situação rara, onde tem o lipidema associado ao linfedema, que aí sim é a retenção de líquido no espaço extra celular. Agora, se não houver o tratamento conservador, se não houver o controle dessa inflamação no corpo da mulher, haverá sim uma progressão dessa doença para as fases posteriores. Eu tenho orgulho de dizer que nós fizemos o primeiro trabalho de prevalência do lipidema no Brasil, e nós chegamos ao número de 12,3% de mulheres com sinais de lipidema no Brasil. Isso dá mais de 12 milhões de mulheres, é muita gente. Mas não tem tanta gente assim buscando tratamento ou preocupada ou com sintomas tão grandes que está buscando ajuda. Então, o que isso quer dizer? Quer dizer que tem muita gente que é portadora do lipidema e tem poucos sintomas porque a doença está controlada, porque tem hábitos de vida saudável, porque tirou o gatilho inflamatório, porque está fazendo tudo certinho. E tem uma pequena parcela que está assim, com sintomas bem elevados, e essas estão buscando ativamente ajuda, e muitas vezes buscando em vários médicos diferentes, e ninguém acaba dando diagnóstico porque é uma doença subdiagnosticada. Por quê? Porque não é ensinada nas faculdades de medicina. Então, como as queixas ocorrem em membros inferiores, e o cirurgião vascular é considerado o pernólogo, o cara que resolve o enchaço na perna, muitas vezes essas mulheres estão buscando ajuda no cirurgião vascular. Mas como elas frequentemente também têm varízes, as varízes são facilmente vistas, o cirurgião vascular pode olhar as varízes e acabar colocando a culpa do enchaço nas varízes, pode acabar tratando varízes e depois não tem uma melhora significativa do enchaço. Essa é a história frequente. Pode não ser a sua, me conta lá embaixo qual que é a sua história, como que você chegou no lipedema, eu quero saber, mas é uma história realmente super comum. O lipedema é causado por uma questão genética. Como é uma doença muito frequente, acredita-se que não seja apenas um gene, mas sim poligênica, são vários genes, então você herda esse problema de alguém e da sua família, pode ser do pai ou da mãe, o pai obviamente não vai apresentar o lipedema, mas alguma mulher da família dele pode ter. Mas é uma doença extremamente relacionada com os hormônios também. Então o gatilho inicial, o momento em que aparecem os primeiros sintomas, pode ser a puberdade, pode ser uma gestação ou pode ser a menopausa, quando tem grandes variações hormonais no corpo da mulher. O estrogênio está assim correlacionado com o aparecimento dos sintomas no lipedema, mas não é o único gatilho. Existem outros gatilhos, como alguns medicamentos, como algumas crises inflamatórias por outras doenças, algumas doenças autoinmunes e até mesmo pela alimentação. Então eu já falei os sintomas do lipedema, eu queria lembrar também da sensibilidade na pele, então algumas falam que não tem dor, mas tem uma dor ou uma sensibilidade ao apertar. Eu já ouvi aqui no consultório desde que, ah, quando o gato sobe no colo, dói, a pata do gato dói, ou quando o marido encosta, dói, ou quando um filho senta no colo, dói. Essas são relatos reais e frequentes aqui no consultório. Mas outro relato habitual é a queixa estética da aparência da pele. Então muitas reclamam da chamada celulite. Ah, eu tenho bastante celulite, na verdade, nela celulite é a inflamação que está acontecendo. Acontece a inflamação e tem uma retração dessa gordura por uma questão inflamatória. E muitas vezes saem buscando tratamento estético e a maior parte dos tratamentos estéticos acabam aumentando a inflamação porque ao aumentar a inflamação a gordura fica tensa. E nessa tensão, nessa inflamação da gordura, essa gordura nunca melhora, só piora. Você não consegue perder uma gordura inflamada e não consegue ganhar massa muscular. O lipidema, dependendo da localização e que acontece, por exemplo, na face medial das coxas, na parte de dentro das pernas, do joelho, pode limitar bastante a movimentação, pode dificultar fazer exercício físico, pode dificultar uma caminhada, pode dificultar subir uma escada. Principalmente nas fases mais avançadas da doença, tem um impacto muito grande na qualidade de vida. Só que não só isso, como eu já disse, tem os aspectos psicológicos relacionados ao lipidema. Tem ansiedade, estresse e tem o viés anti-obesidade. Então, a nossa sociedade tende a criar uma problematização em cima da obesidade, sendo que o lipidema não é uma obesidade, é uma gordura diferente. A gordura da obesidade é a gordura visceral. É a gordura que inflama, que traz as doenças crônicas, como diabetes, Alzheimer, hipertensão, DRAMI, AVC, aterosclerose. Essa é a gordura visceral. A gordura do lipidema não, é uma gordura que te protege de tudo isso. É uma gordura que diminui o risco cardiovascular. Só que, embora diminua o risco cardiovascular, as pessoas podem olhar e acabar classificando da mesma forma. É a obesidade. E aí, o que eu acabei de mencionar, o viés anti-obesidade, a pessoa tem dificuldade de encontrar algum médico que ajude, porque todo mundo vai falar, é obesidade e a culpa é sua. Longe disso é um problema metabólico e que precisa de ajuda para resolver. Então, tem a discriminação, tem uma falta de compreensão do problema, tem a questão da culpa. Então, se você acha que é uma obesidade e acaba apontando o dedo e fala assim, isso aqui é culpa sua, porque você comeu demais. Mas, da verdade, muitas nem comem demais, alguma assim. E aí, tem a obesidade associada. Mas, às vezes, não comem demais e está, assim, constantemente inflamada. O problema é a inflamação. E aí, o corpo entra numa situação de proteção, estou inflamado, tenho que armazenar energia para a guerra que está por vir. E aí, você não consegue perder essa gordura se não sabe o que está acontecendo. Simplesmente apontar o dedo e falar, você está comendo ou escondido, ou está fazendo alguma coisa que não está me falando. Se não resolve o problema, a gente tem que entender o que está acontecendo para realmente ajudar o paciente. E muitas vezes, quem tem lipedema já fez várias tentativas de tratar obesidade e percebeu que isso não funciona para o lipedema. Então, fez dieta, fez um monte de exercício físico. E aí, vê que as amigas, fazendo isso, perdem peso, ficam bem. Aí, tenta de novo, vê que tem uma dificuldade enorme de perder o volume nas pernas. E aí, um dia desiste. Fala, puxa a vida, mas eu gosto de comer, não gosto de fazer exercício físico. Quando eu faço, não tenho resposta. Então, quer saber? Larguei, vou comer bem e vou deixar de fazer exercício. E aí, vem a obesidade em cima do problema do lipedema. Algumas pessoas ainda acham que lipedema e obesidade é a mesma coisa. Mas obesidade não dói, obesidade não tem dor nas pernas, obesidade não tem chasso, obesidade não tem roxo nas pernas. São problemas claramente diferentes. E o diagnóstico no lipedema também é um problema. Tem orgulho de dizer que a gente também fez o primeiro protocolo do mundo do diagnóstico do lipedema pelo ultrassom. Isso está publicado, já é usado no mundo inteiro. Apesar disso, o ultrassom não é obrigatório para se fazer o diagnóstico do lipedema, porque o diagnóstico é clínico. É na conversa, é na anaminésia e no exame físico. Entendendo o problema do paciente, a gente consegue fazer o diagnóstico. É importante avaliar a perna, palpar, sentir para ver se tem uma depressão quando aperta ou não, se tem dor ou não, a consistência da pele. Muitas pacientes com lipedema têm a pele mais macia. E aí, você já sentiu alguma diferença na consistência da sua pele? Escreve lá embaixo no comentário que eu quero saber. Mas o problema também é o desconhecimento da maior parte dos médicos. Se eles não sabem que existe o problema, não tem como fazer o diagnóstico. Como não é ensinado nas faculdades, só vai saber aquele que por alguma razão foi estudar o assunto fora do currículo. Então é muito frequente mulheres que pulam de médico em médico. Tem um paciente que já foi em três cirurgiões vasculares e outros médicos de outras especialidades e nenhum mencionou a possibilidade da existência do lipedema. Essa, por um acaso, foi ela mesma que fez, fez o auto diagnóstico. Então o auto diagnóstico é uma possibilidade. Existe um questionário padronizado que a gente também criou, vou colocar o link lá embaixo se você quiser responder, que vai te dar a probabilidade de você ter o lipedema. Não pode fechar o diagnóstico, quem fecha o diagnóstico é um médico, mas pode indicar se você tem uma alta probabilidade ou uma baixa probabilidade. Com relação ao tratamento do lipedema, deixa eu explicar uma coisa sobre tratamentos em geral na medicina. Quando tem uma doença e essa doença tem um tratamento só, é porque esse tratamento funciona e resolve todos os casos. Quando uma doença tem um monte de tratamento disponível, é porque nenhum deles é perfeito e ou nenhum deles vai sempre indicado para todos os casos, ou cada caso vai melhorar com um tratamento diferente. O lipedema tem um monte de tratamento disponível, mas eu considero que o tratamento é um só, o tratamento é uma associação de vários procedimentos e terapias. Vocês podem até ver alguns vídeos antigos, meus que eu separava o tratamento em tratamento clínico conservador e tratamento cirúrgico. Hoje eu não faço mais isso, afinal o lipedema evoluiu bastante. O tratamento cirúrgico é apenas uma ferramenta dentro do tratamento. E o tratamento envolve cuidado à inflamação. E o que existe de disponível? Tem a fisioterapia com drenagem linfática manual, tem a elástica com pressão, muito difícil usar a meio elástica, tem as calças mais adequadas, eu posso colocar lá embaixo um link se interessar, uma dieta adequada, o rastreamento do gatilho inflamatório. O tratamento médico desse gatilho inflamatório, o exercício físico adequado que gera desinflamação. E quando tudo estiver controlado e realmente ainda achar que precisa de uma cirurgia, aí sim a cirurgia pode vir como uma cereja no bolo. São raríssimos os casos onde a cirurgia tem que ser feita no início, mas aí é porque tem uma impossibilidade de movimentação. O lipedema está bloqueando a movimentação. Vou dar um exemplo. Tive uma paciente que tinha duas bolas no meio da coxa e ela não conseguia andar ou fazer exercício porque as bolas acabavam batendo e doendo. Então a gente teve que fazer a cirurgia para ela voltar a fazer exercício físico e caminhada. Essa paciente, eu imaginei que ela fosse voltar para depois fazer o tratamento estético do lipedema, fazer uma cirurgia não só para recuperar a mobilidade, mas ela acabou voltando para fazer a cirurgia estética das varizes, que era o que realmente incomodava ela. Então só para ver que depois que a gente tirou o problema lipedema da frente, ela ficou contente com o resultado estético da gordura e aí quis fazer o tratamento das varizes. Então como o lipedema é uma doença subdiagnosticada, poucas pessoas sabem sobre isso, recentemente os poucos que acabam publicando sobre isso são autoproclamados, especialistas no assunto desde a semana passada. A gente tem que divulgar informação de qualidade, informação embasada em trabalho científico, informação densa sobre o lipedema, tudo isso para conscientizar, não só o público leigo, mas conscientizar também os médicos e os profissionais da saúde. Então faça a sua parte, pega o link lá em cima, encaminha para aquele familiar que é um profissional da saúde, encaminha para aquela conhecida que também pode ter um lipedema. Vamos divulgar essa informação para que todo mundo entenda que o lipedema existe, é super frequente e pode ser uma sombra aí na vida de muitas mulheres. Fiquem tranquilos que o lipedema não é uma pena de morte, não é uma catástrofe, o lipedema é perfeitamente contornável, controlável, dá para ter uma qualidade de vida muito boa. A maior parte das mulheres com o lipedema e que não tem outras comorbidades significativas, vão viver muito bem, vão viver bastante em quantidade de vida, vão provavelmente enterrar todos a sua volta, porque a gordura do lipedema é uma gordura que diminui o risco cardiovascular e, estatisticamente falando, as doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo. Então, para todas as guerreiras do lipedema, todas que estão lutando para melhorar o seu sintoma, saiba que eu tenho muito vídeo e informação aqui sobre como atingir esse objetivo, assista a nosso playlist sobre o lipedema e inscreva-se no nosso canal lá embaixo que a gente sempre está soltando vídeos novos para melhorar a qualidade de vida sua e da sua família. Aproveita, clica no sininho e fica aí que eu vou colocar o próximo melhor vídeo para você assistir.

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