O depoimento aborda a necessidade de uma mudança fundamental na percepção do lipedema, enfatizando que a condição deve ser compreendida como um problema de saúd
Não, calma, não pode. Você tem que ver primeiro. Então, tem todo esse processo e eu acho que mulher, quando envolve muito autoestima, ego, vaidade, pega na gente.
A gente sente vergonha, a gente fica. Então, acho que a conscientização tem que vir da gente mesmo para poder mostrar para as pessoas que não é só estético. Esquece.
O primeiro ponto de conscientização que nós mesmos pacientes temos que ter é esquecer a estética. Esquecer completamente a questão estética e visual. O lipedema, acho que é muito mais além do que isso. A conscientização da mulher de que ela tem um problema, ela tem uma condição de saúde que tem que ser tratada, mas isso não pode interferir tanto na autoestima, no ego. É porque eu digo isso. Eu percebo muito nas outras pacientes que eu já tive contato que a ideia toda do tratamento se foca muito na cirurgia. Vamos fazer cirurgia, vamos fazer um alípo. Pronto, sumiu o meu lipedema. E não é assim. O lipedema não é uma gordura que te incomoda que você vai na esteticista, massagei e sai. É uma condição. Para a disposição genética, onde você pode ter inflamação ao longo da vida, durante uma gravidez, durante a menopausa, outras ações hormonais, enfim. Então, acho que a conscientização das próprias pacientes seria parar um pouco, entender a doença, mudar a própria consciência e propagar isso para as pessoas. Porque acaba que nós mesmos que somos pacientes de lipedema, passamos uma ideia errada para outras pessoas. Mas você emagreceu e melhorou. Não é que melhorou. É que eu perdi junto gordura, que era normal, enfim, e assim vai. Mas você tem que mudar a consciência, a alimentação, a noção do seu próprio corpo, seus limites. Então, uma paciente de lipedema, eu quero fazer musculação pesada? Não, calma, não pode. Você tem que ver primeiro. Então, tem todo esse processo e eu acho que mulher, quando envolve muito autoestima, ego, vaidade, pega na gente. Pega e eu falo porque eu passei por isso diversas vezes. Eu já me senti constrangida diversas vezes. Para você ter ideia na escola, falava que eu tinha perna de elefante. Então, eu já sofri bullying, já ouvi um monte de besteira, professor de academia me falando que eu tinha uma coxa embaixo da outra. Então, é ruim, sabe? A gente sente vergonha, a gente fica. Então, acho que a conscientização tem que vir da gente mesmo para poder mostrar para as pessoas que não é só estético. Esquece. Ah, estou gordinha. Esquece, cara. Vai cuidar, vai mudar a cabeça e aí sim você começa a ter uma outra. A estética é consequência, puramente consequência.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.