O lipedema está diretamente relacionado à inflamação, que piora seus sintomas e promove a progressão da doença. O estilo de vida moderno, com suas facilidades,
Olá, sou o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular do Instituto Amato, e hoje vou falar sobre o estilo de vida no lipedema, continuando o junho lipedema, mês de conscientização do lipedema. Lembrando que eu trouxe o primeiro post do mês de conscientização do lipedema lá atrás, acho que foi em 2016, 2017, faz bastante tempo que a gente trabalha com isso. E hoje, então, vou falar sobre o estilo de vida e o impacto no lipedema.
Então é muito claro hoje em dia que o lipedema está diretamente relacionado à inflamação. Então a inflamação piora os sintomas do lipedema e faz a sua progressão. E todas essas facilidades da vida moderna que permitiram que a gente chegasse aonde a gente chegou, com uma população exorbitante, com qualidade de vida, com muitas facilidades e confortos, trouxe também muita inflamação.
Boa parte de tudo que a gente tem no mundo moderno acaba gerando inflamação no nosso corpo de alguma forma. Por exemplo, a gente pode falar que a dieta ou a produção de alimentos foi o que permitiu que a população explodisse. Obviamente a gente precisava de comida para alimentar tanta gente no mundo.
O problema é que para fazer isso houve uma mudança da agricultura, houve a formação de alimentos modificados geneticamente, houve a escolha, seleção de alimentos que teriam mais potencial energético para conseguir suportar essa demanda aumentada no mundo. Só que tudo isso acabou levando a alimentos industrializados. Por exemplo, a gente acaba comendo a mesma planta de trigo todos os dias.
Se você come na padaria, se você come uma bolacha industrializada, se você come em algum restaurante chique, o trigo vai ser o mesmo, é a mesma planta clonada, o mesmo gen, não tem modificação nenhuma. Então todas essas coisas vão se somando para ter um desvio, para uma tendência inflamatória na alimentação. São alimentos mais inflamatórios, mais açúcares, mais gorduras saturadas, gorduras trans, tem uma diminuição do consumo de frutas e verduras e um custo mais elevado para os alimentos mais saudáveis.
Então se você vai atrás de um alimento orgânico, um alimento que não tem toda essa modificação genética com agrotóxico e tudo mais, você vai acabar pagando mais caro, muitas vezes fica proibitivo. Então a tendência da sociedade do ponto de vista alimentar é ir para uma alimentação mais inflamatória. E aí tem o sedentarismo, eu lembro quando era criança que para abrir a janela do carro tinha que fazer a força para girar a manivela.
Hoje em dia nem isso as pessoas fazem, tem o controle remoto, tem portão elétrico, tem tudo isso. As pessoas trabalham na maior parte das vezes sentadas, sem se movimentar e isso acaba gerando um sedentarismo prolongado e o sedentarismo ele é inflamatório, porque o que gera substâncias anti-inflamatórias no nosso corpo é o exercício físico. Então como há uma diminuição do exercício físico, as pessoas caminham menos, é mais fácil pegar um Uber e vai para o trabalho, pega o carro e para no estacionamento.
Acaba caminhando menos, acaba precisando menos do uso da musculatura e acaba não tendo a produção dessas substâncias anti-inflamatórias. Aí vem o estresse crônico, o estresse que a gente pode conseguir no trabalho, no dia-a-dia. Aqui na cidade grande, a gente está em São Paulo, estou no meio do maior cruzamento de São Paulo, Rebouças com a Avenida Brasil.
Tem bastante carro passando aqui, as vezes tem manifestação, tem a poluição sonora, tem buzina, tem a poluição ambiental, tem o ar com todos esses tóxicos de carro, de indústrias. Todo esse dia-a-dia da urbanização acaba diminuindo o tempo para o relaxamento. Mas a mídia social, então pega o Instagram, pega qualquer Facebook, qualquer TikTok da vida, tudo isso vai estar drenando o tempo da sua vida que você poderia estar descansando, fazendo um exercício, fazendo alguma coisa boa para sua saúde.
O único que eu permito assistir é o canal aqui do Instituto Amato no YouTube. Então já aproveita, vai lá embaixo, clica no inscreva-se e também no sininho para receber as notificações dos vídeos. Afinal, a gente só está falando aqui de como melhorar a sua vida e a vida da sua família.
O cigarro, o tabagismo também é uma fonte de inflamação. O Brasil não é dos países que mais fumam na face da terra, mas é um problema que a gente tem que levar em consideração. E tudo isso acaba levando também a um ciclo errado do sono.
A gente tem que ter o ritmo circadiano funcionando bem, a hora de dormir, a hora de acordar. Eu tenho um vídeo inteiro falando de higiene do sono, do que é importante para dormir bem e da relação disso com a inflamação, mas eu vou dar uma dica prática aqui, rápida. A gente tem que ter um alarme para ir dormir.
É mais importante do que o alarme para acordar. Não adianta ficar forçando a barra, ficar acordado até madrugada e depois acordar cedo. Se você destruiu o seu ritmo circadiano, você vai ter que reconstruir ele aos poucos, não vai ser da noite para o dia.
E o lipedema é uma doença crônica. É uma doença que você pode operar e retirar a gordura do seu corpo não vai retirar o problema, não vai retirar a inflamação. Você vai ter que mudar estilo de vida, vai ter que melhorar os aspectos que estão te inflamando no seu dia a dia.
Quando faz a cirurgia e retira a gordura do lipedema, você retirou o seu marcador de inflamação. Você não vai mais saber quando está inflamada ou não. É aquele negócio, quando tem a gordura do lipedema e sente a piora da dor ou inchaço, quer dizer que algo está piorando no seu estilo de vida, você tem que melhorar.
Agora se você operou e tirou esse marcador, você vai ter que usar outros critérios. Você não vai ficar sabendo tão facilmente quando o seu corpo está inflamado, mas não vai diminuir a necessidade de você mudar o seu estilo de vida. Você vai continuar tendo que fazer exercício físico, melhorar a dieta e ter uma atenção constante em todos esses aspectos do dia a dia.
Independente de ter operado ou não o lipedema, por ser uma doença crônica, é uma luta constante contra os fatores inflamatórios. Então eu queria lembrar que a única forma que a gente tem de produzir alguma substância anti-inflamatória no nosso corpo é com exercício físico. Para quem tem lipedema, o exercício físico é fundamental.
Ele é crucial para manter a inflamação baixa. Só que tem a quantidade de exercício que você pode fazer para isso. Ele tem que ficar dentro do moderado.
Você não pode nem exagerar para mais e nem exagerar para menos. Por isso é importante que seja diário uma quantidade. Ninguém está querendo formar aqui um atleta olímpico.
A gente quer produzir a substância anti-inflamatória para ficar bem. Eu falo bastante sobre isso no livro aqui no método de exercícios para o lipedema. Só para ver, um livro desse tamanho aqui o assunto não é tão simples assim.
Tem muitos aspectos que a gente tem que levar em consideração. Principalmente a fase em que cada uma se encontra, o gatilho inflamatório de cada uma. Isso tem que ser tratado e tem que ser acompanhado pelo seu médico, pelo seu cirurgião vascular.
Além disso, o controle da inflamação na alimentação. Eu também falo disso na dieta anti-inflamatória. A dieta anti-inflamatória, o mais importante é você tirar aquele alimento que pode estar te inflamando.
O mais comum deles é o trigo, glúten, leite. Tem outros, mas isso é individual. Tem gente que não tem problema nenhum com glúten e pode ter com algum outro alimento.
Eu vejo muita gente por aí publicando a carne vermelha como um alimento inflamatório. Longe disso, não sei de onde tiraram essa informação. A carne pode ser inflamatória para algumas pessoas e posso te falar que é um grupo pequeno de pessoas.
A grande maioria não tem problema com a carne vermelha. Então você já percebeu que isso é muito individual de cada um. Por isso é importante o diagnóstico correto do lipedema.
É importante o acompanhamento correto e é importante que ao operar o lipedema, você tenha a consciência de que você perdeu o seu marcador de inflamação. Você não vai mais saber quando que você está inflamada ou não. E essa inflamação vai continuar no seu corpo, gerando sintomas em outros órgãos e muitas vezes trazendo doenças piores a médio e longo prazo.
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Fica aí que eu vou colocar o próximo melhor vídeo para você assistir.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.