Varizes e microvarizes ("vazinhos") são manifestações da mesma doença venosa, diferenciando-se basicamente pelo tamanho dos vasos afetados. O principal fator pa
Seja bem-vindo. Muito obrigado, muito prazer, estou muito feliz de ter sido convidado aqui conversar sobre esse assunto que é muito importante. O prazer é nosso, obrigada pela atenção.
Pergunta difícil logo de cara. Bom, a doença venosa ela atua em diversos tamanhos, os vazinhos são as veias menores, mais finas, com menos de 3 milímetros e seriam caracterizadas aí como os vazinhos dilatados e as varizes seriam os vasos maiores do que 3 milímetros, mas ambos fazem parte da mesma doença, então no consultório chegarem falando, ah doutor eu não tenho varizes, tenho vazinhos, mas é a mesma coisa, são tamanhos diferentes de vasos, só isso, a doença é a mesma e o tratamento pode ser diferente, mas a doença é a mesma.
A doença venosa ela tem uma característica muito interessante, que ela é uma doença de uma progressão muito lenta e benigna, então ninguém vai morrer de varizes, isso não acontece. O que não pode é ignorar a existência da doença, então é muito comum a pessoa ver um vaso, uma veia varicosa e pensa assim, ah, problema pequeno, deixa lá pra frente, vai empurrando, empurrando, empurrando e com o tempo isso que era um probleminha pequeno no começo, pode ser um problema maior ou mais difícil para resolver também no futuro.
Pode, varizes, primeiro que trazem sintomas.
O inchaço normalmente ocorre mais para o final do dia, dependendo da gravidade da doença, pode começar mais cedo e a dor é uma sensação de cansaço, peso, muitas vezes as pessoas não conseguem nem caracterizar como dor e como é uma doença de evolução muito lenta, como eu disse, as pessoas imaginam que, poxa, trabalhei o dia inteiro, tô chegando em casa com a perna pesada, isso é normal, mas não, não é, isso pode ser um sintoma da doença venosa.
Olá, está começando mais um programa Análise Direta, com mais um assunto importante para debater hoje e você pode participar enviando as suas perguntas através do facebook.com barra programa Análise Direta, nós transmitimos diretamente aqui dos estúdios de São Paulo para o Brasil inteiro e mais 55 países, hoje vamos falar dos terríveis vazinhos e varizes que surgem principalmente nas pernas, o principal fator determinante para o surgimento desse problema é a predisposição genética, em algum momento da vida eles podem ou até devem aparecer, mas a boa notícia é que esse surgimento pode ser retardado com bons hábitos de vida, afinal quando você tira os sapatos no fim do dia as suas pernas ficam com marcas das meias. O meu convidado de hoje é o cirurgião vascular doutor Alexandre Amato, tudo bem? Seja bem-vindo. Muito obrigado, muito prazer, estou muito feliz de ter sido convidado aqui conversar sobre esse assunto que é muito importante.
O prazer é nosso, obrigada pela atenção. Qual é a diferença entre vazinhos e varizes? Pergunta difícil logo de cara. Bom, a doença venosa ela atua em diversos tamanhos, os vazinhos são as veias menores, mais finas, com menos de 3 milímetros e seriam caracterizadas aí como os vazinhos dilatados e as varizes seriam os vasos maiores do que 3 milímetros, mas ambos fazem parte da mesma doença, então no consultório chegarem falando, ah doutor eu não tenho varizes, tenho vazinhos, mas é a mesma coisa, são tamanhos diferentes de vasos, só isso, a doença é a mesma e o tratamento pode ser diferente, mas a doença é a mesma.
E precisa do tratamento, né? É perigoso a pessoa deixar pra lá e não tratar? A doença venosa ela tem uma característica muito interessante, que ela é uma doença de uma progressão muito lenta e benigna, então ninguém vai morrer de varizes, isso não acontece. O que não pode é ignorar a existência da doença, então é muito comum a pessoa ver um vaso, uma veia varicosa e pensa assim, ah, problema pequeno, deixa lá pra frente, vai empurrando, empurrando, empurrando e com o tempo isso que era um probleminha pequeno no começo, pode ser um problema maior ou mais difícil para resolver também no futuro. Então, o importante é não ignorar a doença, ela deve ser tratada, tem vários tratamentos, mas a gente pode consultar sobre isso, mas não ignorar a existência desses vazinhos.
Pode trazer algum outro tipo de complicação, se a pessoa deixar pra depois? Pode, varizes, primeiro que trazem sintomas. Então, os sintomas das doenças venosas são principalmente inchaço e dor, tá? O inchaço normalmente ocorre mais para o final do dia, dependendo da gravidade da doença, pode começar mais cedo e a dor é uma sensação de cansaço, peso, muitas vezes as pessoas não conseguem nem caracterizar como dor e como é uma doença de evolução muito lenta, como eu disse, as pessoas imaginam que, poxa, trabalhei o dia inteiro, tô chegando em casa com a perna pesada, isso é normal, mas não, não é, isso pode ser um sintoma da doença venosa. Quais são os cuidados que a pessoa deve tomar para evitar o aparecimento da doença venosa? Bom, como você mesmo já disse, o principal é uma característica genética das varizes primárias, varizes secundárias é secundária a alguma doença, não vamos entrar nesse aspecto da doença, que é um pouquinho mais complicado, vamos falar das varizes primárias, são mais prevalentes, mais comum e acho que o que pode ser evitado.
Então, tendo a doença genética, a gente não consegue mudar, não existe terapia gênica, não tem como mudar o DNA da pessoa para evitar o problema no futuro. O que a gente pode fazer é evitar os fatores de agravo, os fatores predisponentes. Então, primeiro, alimentação saudável para não ganhar peso, pois a obesidade é um dos fatores de risco importante.
Tendo a genética, pode-se fazer a prevenção com o uso de meia elástica, obviamente indicado pelo seu médico e exercício físico, exercício físico é essencial. A musculatura da panturrilha, quando ela contrai, ela bombeia o sangue para cima. Então, se a gente tem uma musculatura boa, atuante, bombeando o sangue de volta para o coração, a gente consegue evitar os sintomas venosos e muitas vezes até atrasa um pouquinho o aparecimento da doença.
Então, evitar ganho de peso, uso da meia elástica se tiver algum problema e exercício físico, são os principais. Qual é o exercício físico que é mais apropriado para evitar que a pessoa tenha avarice? Eu gosto muito de indicar os exercícios que não têm impacto. Então, porque chega-se no meu consultório com queixa de dor na perna e se eu passo um exercício que tem muito impacto, eu posso trocar uma dor por outra.
Então, começa a bater o pé no chão, começa a ter dor no joelho, resolve o problema da dor das varizes, mas passa a ter dor no joelho por alguma outra razão. Então, o que eu gosto de sugerir mesmo são os exercícios na água, hidroginástica, natação, são exercícios saudáveis que não têm um impacto grande e que ajudam a fortalecer a musculatura. Mas, obviamente, os outros exercícios também ajudam, não é que não deve fazer.
Se caminha e tem um bom hábito, mantenha. Ficar com as pernas para cima ajuda ou isso é mito? Ficar com as pernas para cima é uma excelente maneira de facilitar o retorno venoso. A gravidade ajuda a retornar o sangue para o coração.
Então, diminui sintomas. Quem tem doença e coloca a perna para cima ela sente um alívio dos sintomas. Mas e fazer isso, por exemplo, todo dia para evitar ter varizes, adianta ou é mito? Teoricamente, pode ajudar, mas teria que ficar muito tempo com a perna para cima para ter um efeito.
Se fosse focar em alguma coisa, o exercício físico, eu acredito que tem um efeito benéfico maior do que só ficar com a perna para cima. Musculação também ajuda? Musculação, bom, lógico. Fortalecer os grupos musculares das pernas.
E a questão da alimentação é só por causa mesmo do ganho de peso, né? Não existe nenhum alimento que piora as varizes ou que melhora. Então, não tem nenhum alimento milagroso ou um alimento infernal, vamos dizer assim. O que a gente tem que focar é manter um peso saudável, nem muito magro, nem muito gordo, nem grandes variações, alimentar-se saudavelmente.
Isso eu estou falando de varizes, obviamente, tem outras doenças vasculares que se beneficiam de algumas dietas mais específicas. Por exemplo, a aterosclerose, evitando alimento muito gorduroso e tudo mais. Então, quando a gente fala só de varizes é não perder, não ganhar peso.
A viagem de avião, né? A gente ouve falar aí de gente que tem problemas no avião, teve gente até que já morreu por causa disso. E aí foram ver, era por causa das varizes que a pessoa tinha. O que aconteceu? É a trombose venosa profunda evoluindo para uma embolia pulmonar.
Como eu disse logo no começo, varizes não matam, né? Trombose venosa profunda também difícil, mas a embolia pulmonar, que é uma complicação disso tudo e é uma sequência, pode sim matar. Então, viagem de avião, principalmente as viagens prolongadas, né? Eu não estou falando aqui de viagem de uma hora, duas horas, estou falando de viagens mais longas. Quando a gente fica muito tempo sentado, parado, a musculatura não está bombeando o sangue para cima.
Então, há uma estase venosa, esse sangue fica represado com um risco maior de formar coágulos, que seriam, então, a trombose venosa profunda. Mas é bem interessante essa pergunta de avião, porque é muito difícil a gente fazer um trabalho científico avaliando todo mundo que entra no avião e se vai ter ou não vai ter trombose. Imagina algum cientista maluco falando, olha, vou colocar todo mundo no avião, quando a gente chegar em uma viagem, depois de 14 horas, a gente vai fazer uma fila aqui e vão fazer exame em todo mundo para ver se um teve trombose ou não.
É impossível. Então, a gente usa estratégias diferentes de pesquisa para chegar nessa conclusão. Tem um trabalho muito interessante que eu gosto de citar, que mostrou que quem tinha trombose e tinha viajado de avião, estava sentado na janelinha.
Então, é bem curioso isso. Então, ele fez o caminho inverso. Ele procurou as pessoas que tinham trombose, procuraram o serviço de saúde e o que aconteceu com essas pessoas? Estava no avião? Ótimo.
Onde você estava sentado? Quem estava no corredor não tinha trombose. Quem tinha trombose estava sentado na janelinha. É assim, sugere-se, a gente não pode falar com certeza absoluta, que é porque quem está sentado na janelinha se movimenta menos.
Tem o receio de levantar, ir no banheiro, andar no corredor e acaba se movimentando menos e o risco acaba sendo maior. Eu, por prevenção, sempre pego o corredor, mas existem alternativas. Engraçado, eu sempre sentei na janela.
Eu voei sempre na janelinha. Ainda bem que tem alguém que senta na janela, porque senão vai ter barulho. Mas o uso da meia elástica pode fazer a mesma coisa.
Então, uma meia elástica de leve compressão, para quem não tem doença, é o suficiente para comprimir o sistema venoso superficial e facilitar esse retorno venoso, diminuindo não só a chance de ter uma trombose venosa no avião, como também do inchaço. Quem nunca tirou o sapato no avião, viajou e quando vai colocar o sapato no final, o sapato não entra. É, aconteceu comigo já, numa viagem longa que eu fiz.
É muito frequente. Eu fui colocar e falei, meu Deus, como está inchado. Meu pé estava enorme.
Antigamente, quando tinha algum espaço maior no avião, a gente ainda tentava colocar a perna para cima, mas agora a classe foi diminuindo, diminuindo, diminuindo, você não consegue colocar a perna para cima de jeito nenhum. Muito apertado, né? Pois é. Mas funciona se, por exemplo, a pessoa se movimentar sentada mesmo, botar a perna às vezes. Ajuda, fazer esse movimento aqui com os pés de contração da musculatura, com certeza ajuda.
E procurar sempre dar uma levantadinha, né? Esse é o ideal, esse é o ideal. Caminha, vai e volta no corredor, a cada uma hora, dá uma andadinha aí de cinco, dez minutos, é o suficiente para manter a bomba periférica, o coração periférico, que é a panturrilha, funcionando e diminuindo os sintomas. Isso vale para quem também não tem doença venosa, é uma pergunta genérica para todo mundo.
Tá, então até mesmo quem nunca tenha tido problema com isso, é recomendável que use uma meia? Ou pelo menos se movimente mais no avião, isso com certeza absoluta. E isso em viagens mais longas, né? Mais prolongadas, pelo menos de quatro, cinco horas para cima, a gente começa a se preocupar. Agora, tem um cuidado específico na hora da escolha das meias? Porque tem gente que vai, compra, não sabe qual é o tamanho ideal, né? Que deve usar.
Se tem que usar compressão média, né? Tem fraca, média e forte, né? Essa pergunta é importantíssima e pega num ponto crucial da doença em si. Então, eu vou falar, sem falar marca nenhuma de meia, de uma forma genérica e que vale para todas. Então, meia elástica existe de várias compressões, a gente separa normalmente em três grupos, que é leve, média e alta compressão.
Média e alta compressão são meias de indicação médica. Teoricamente, não é para conseguir comprar uma meia dessas sem uma receita, porque elas possuem contraindicação e tem que ser avaliada se o paciente tem ou não essa contraindicação para usar a meia. Meias de leve compressão, não, não tem essa obrigação, mas tem um porém muito grande aí.
Existem diversas marcas no mercado e existem diversas pernas no mundo. Então, existem pernas com panturrilha larga, canela fina, o contrário, canela larga, panturrilha mais fina e o princípio básico da meia elástica é uma compressão graduada. Então, ela comprimindo mais embaixo e menos em cima.
Se a gente usa uma meia genérica, que teoricamente serviria em toda perna, e um paciente com uma perna diferente do outro vai ter uma atuação diferente. Como que funciona isso? Então, para comprar uma meia elástica, a sua perna tem que ser medida. Então, tem que se usar uma fita métrica e medir a circunferência da panturrilha, do tornozelo, no mínimo, e procurar a meia que se adapta à sua perna.
Então, comprar uma meia, ir na farmácia, pegar uma meia da estante, porque é tamanho PMOG, é certeza absoluta que vai estar usando uma meia que não é adequada no seu caso. Então, quem usa uma meia não adequada, pode acontecer de tudo, desde não funcionar para nada, até, eu já vi até caso de trombose, por causa de uso de meia inadequada. Nossa, gente.
Ela forma um garrote, aperta demais da conta e o sangue não... Em vez de ajudar, piora. Exatamente. Então, eu não sugiro comprar em farmácia.
Em casas de materiais médicos cirúrgicos, normalmente, obviamente, eu estou generalizando aqui. O vendedor sabe medir a perna e ele vai usar uma tabelinha da marca da meia para identificar qual que é a meia que serve para aquela perna. Então, esse negócio é tão importante que já existe a evolução que é o paciente entra num equipamento, um scanner 3D, que escaneia a sua perna e aí vai se procurar uma meia que serve para esse modelo de perna e se não tiver, ele imprime uma impressora 3D e vai imprimir a meia para essa pessoa.
Então, é o avanço. Mas isso só em lojas específicas. Muito, muito, muito específicas.
Eu acabo recomendando esse tipo de meia só para quem tem uma perna muito fora do usual, porque quem tem uma perna mais comum é mais fácil encontrar meia no mercado. Ok. Eu vou fazer uma pequena pausa agora para o intervalo, mas já já a gente volta falando mais sobre varizes.
Não saia daí. Estamos de volta com o programa Análise Direta, transmitindo para o Brasil inteiro e mais 55 países. Hoje, nós estamos falando sobre varizes e vazinhos com o Dr. Alexandre Amato, que é cirurgião vascular.
A gente conversou aí sobre várias questões aí no primeiro bloco, né? E eu ia perguntar da gravidez, mas tive que encerrar o bloco. Vamos conversar um pouquinho sobre a gravidez? Ela pode provocar as varizes, os vazinhos? Bom, a gravidez é um fator de piora importantíssimo, mas também tem quem engravida e não tem nada de varizes. Por quê? Porque a genética continua sendo um fator importante.
Então, se a pessoa não tem o fator genético, a probabilidade de ter varizes por causa da gravidez é pequena. Agora, quem tem a doença venosa, quem tem a genética e engravida, a gravidez vai ser um fator de piora muito, muito, muito importante. Então, por quê? Bom, a gravidez, em primeiro lugar, altera a questão hormonal da mulher, assim, abruptamente e com doses muito grandes de hormônio.
E o hormônio feminino, ele atua diretamente na parede do vaso e nas válvulas que fazem o retorno venoso, danificando essas válvulas. Então, existe o fator hormonal da gravidez para a piora das varizes. Mas também tem o aumento da barriga e a compressão das veias, isso também vai diminuir o retorno venoso, que piora as varizes.
Também, útero grande, bebê lá dentro, bebê precisa de sangue e vai haver uma competição de sangue entre a região pélvica da mulher e o útero e o bebê. E essa competição também vai haver um roubo desse fluxo pelo sistema uterino, também é um fator de piora. Nossa, tem muitos fatores.
Muitos fatores. A mulher também, quando está grávida, ela caminha de forma diferente. Não sei se já percebeu, mas a mulher, ela muda a maneira de pisar.
Essa maneira de pisar também muda a dinâmica da musculatura da panturrilha, diminuindo o retorno venoso. Então, a gente soma vários fatores e a gravidez acaba sendo um problema grande para quem tem varizes. Mas, pelo amor de Deus, não deixem de engravidar por causa de medo de varizes.
Não é isso que eu estou falando, é só prevenir. Com meias. Existem meias adequadas para a mulher grávida.
Então, no início da gravidez são meias mais simples, depois tem as meias próprias para quem já está com a barriga. Ah, eu usei. Ela tem, não sei se ainda é assim, mas ela é mais larga na barriga.
Isso, se adaptou bem ao uso? Super bem, melhorou bastante. Diminui o inchaço e diminui a retenção venosa. Isso é muito importante.
A barriga e o útero acabam comprimindo a veia cava. Então, tanto que uma das orientações para a mulher grávida é não deitar virada para a direita, deitar sempre virada para a esquerda para o útero não cair em cima da veia cava e melhorar o retorno venoso. Mas aí tem várias dicas, levantar o pé da cama, usar meia elástica, fazer exercício físico, a grávida pode e deve fazer, óbvio que com acompanhamento adequado.
Eu lembro que quando eu tive que usar essas meias na gravidez, tinha que colocar as pernas para cima antes de colocar as meias. Ainda é assim ou as meias mudaram a tecnologia? Sim e não. Eu acredito que há um desconhecimento e um excesso de zelo com o uso da meia elástica.
Então, a meia é mais fácil de colocar com a perna desinchada. Então, se você coloca a meia logo depois que acorda, a sua perna está desinchada, não tem que ficar com a perna para cima. Ah, eu levantei, caminhei bastante, fiz minhas atividades, só depois vou colocar a meia? Aí é bom ficar um pouquinho com a perna para cima, diminuir um pouquinho esse inchaço e depois colocar a meia.
Mas isso tudo depende do grau da gravidade da doença. Quem tem uma doença muito grave, que incha muito rápido, é uma coisa. Quem tem uma doença mais leve, outra coisa.
E quem não tem doença e que usa a meia elástica? Porque também existe isso. Aí são os fatores, a falta de movimentação. A pessoa quando usa para a prevenção, ela não vai ficar com a perna inchada.
Então, não tem toda essa necessidade de ficar tanto tempo com a perna para cima. Então, vamos pensar assim, professor que fica muito tempo de pé, segurança, cirurgião também fica muito tempo de pé. Eu sou professor e cirurgião, tenho que usar.
Então, fica muito tempo de pé, a gente não ativa a musculatura, vai ter esse represamento ou retenção venosa, vai ter inchaço. Mesmo para quem não tem a doença. Então, esse é um paciente classe zero, ou seja, sem doença nenhuma, mas com sintomas da doença, com dor e inchaço.
Típico de quem tem doença venosa, mas sem a doença venosa. Esse é um paciente que se beneficiaria do uso profilático da meia elástica, mesmo não tendo doença. Óbvio, isso tem que ser avaliado caso a caso e converse com seu médico para avaliar se é necessário ou não.
Ah, é sempre bom conversar com o médico antes. Sempre porque meia elástica tem contraindicação. Quem tem uma doença arterial periférica, por exemplo, não pode usar a meia elástica.
Então, não pode sair comprando, né? Principalmente as mais apertadas. A gente pode até ser um pouquinho liberal com o uso da leve compressão, mas média e alta, pelo amor de Deus, não façam isso. Muito perigoso, né? Tem umas meias elásticas que são 3 quartos, não? Tem.
Isso é indicado ou não? De novo vai depender de paciente para paciente, mas eu penso da seguinte maneira. A doença está na perna toda, é indicado o uso de 7 oitavos ou meia calça, mas a musculatura da panturrilha continua sendo o principal sistema de bombeamento venoso. Então, se a gente consegue melhorar pelo menos a panturrilha, já tem um benefício para o paciente, mesmo se a doença dele é na perna toda.
Então, se eu não consigo fazer o paciente usar uma de 7 oitavos, mas eu consigo uma de 3 quartos, pode não ser o perfeito, pode não ser o ideal, mas já vai ajudar. Sabe aquela história do ótimo é o inimigo do bom? Às vezes a gente fica buscando a perfeição e não alcança nada. Verdade.
Melhor fazer uma coisa boa do que nada. Exatamente, exatamente. E aí a pessoa fica pensando, ah não, tem que usar a meia inteira.
E aí acaba que não usa, deixa no armário pendurada a meia elástica, isso é muito frequente. O paciente compra a meia, usa duas, três vezes, não se adapta ao uso. É incômodo, né? Principalmente se a meia estiver mal adaptada, mal indicada e tem marca boas e ruins.
Então, diferença de tecido, tudo, então teste antes. Então, é muito frequente o paciente compra, deixa no armário e não volta. Às vezes por vergonha até de falar para o médico, ah, doutor, eu não conseguia usar a meia.
Se você assume isso para o médico e passa um problema para mim, passa a ser um problema que eu tenho que resolver. Melhor, né? E aí vamos nos adaptar. Uma meia de 3 quartos pode ser útil em determinados casos.
Pode não ser 100%, mas poxa, se a gente ajuda 70% já é alguma coisa. Verdade. Tem as 7 oitavas e aquela inteira também, né? A meia calça, a meia calça também.
Essa é mais difícil. É, e ela incomoda, né? É. Que era a que eu usava quando eu estava grávida. Ela incomodava bastante.
O verão ou o inverno? Qual é a época que, se isso existe, né? Existe época em que piora a situação de quem tem? É interessante a relação da doença venosa com o verão e com o inverno. Então, por vários motivos. Quem tem varizes quer ficar com a perna bonita para o verão, né? E quem tem varizes e quer operar, quer operar no inverno, porque vai ter que usar a meia elástica, a meia elástica é quente e não quer fazer isso no verão.
Então, primeiro que isso é um mito, tá? Dá para operar varizes em qualquer momento do ano ou tratar em qualquer momento do ano. Não precisa se preocupar com isso. É só porque a meia é quente.
É, porque a meia é quente, mas as meias atuais, elas estão com tecido tão fino, tão fino, que não tem razão para essa ser a limitação, tá? Agora, o verão, as pessoas costumam buscar mais o tratamento no verão, porque começou a usar shortinho, começou a mostrar mais as pernas, começou a ver mais a veia e aí começa a procurar o médico, né? Então, e também o inchaço. O inchaço aumenta no verão por causa do calor, retenção de líquido, tudo. E, às vezes, faz essa associação.
Ah, estou inchando por causa das varizes, mas é só no verão. Às vezes, não é só isso que está inchando. Pode ser distúrbio hormonal, quantidade de líquido que está tomando, várias outras razões.
Então, primeiro, tem muito dessa conexão de verão e inverno, mas a maior parte é nítido. Não precisa se preocupar com isso. O tratamento pode ser feito em qualquer momento.
Mas, no verão, a gente sente um pouquinho mais de cansaço, né? Nas pernas. É por causa da retenção de líquido? Retenção de líquido, o calor, né? A gente acaba gastando um pouquinho mais de energia. Tem vários fatores que influenciam.
O carregamento de peso, né? Muito peso, peso excessivo, pode acarretar um problema? Ou a pessoa tem que ter a genética para piorar isso? A genética tem que estar lá. Tem muita gente que carrega muito peso e não tem problema nenhum. Se não tiver a genética, essa pessoa não vai ter problema nenhum.
Mas fazer força aumenta a pressão venosa. A gente faz uma manobra chamada manobra de valsalva. Quando a gente comprime a barriga, a gente faz essa manobra de valsalva e aumenta a pressão no sistema venoso.
Para quem não tem doença, isso aí não causa nada. Mas para quem tem, pode ajudar ou favorecer um rompimento de uma válvula, que seria, então, um início, um desencadear da doença venosa. O homem ou a mulher? Existe isso também? Puxa! Quem tem mais tendência a ter? Essa pergunta, assim, todo mundo deve estar ouvindo, falando, óbvio que ele vai falar que é mulher, né? Mas não é tão simples assim.
Primeiro, todos os trabalhos para avaliar se foi homem ou mulher que procurou o médico, imagina que tem um viés aí da própria pesquisa. Quem procura mais o médico por causa de varízes? A mulher, sem dúvida nenhuma, porque ela já está preocupada com a estética antes da doença aparecer mais grave. O homem vai procurar quando o negócio já está catastrófico, né? Quando está doendo muito.
Exatamente, isso é natural. Então, se a gente faz uma pesquisa científica, eu abro uma mesinha aqui e falo que venha todo mundo. Quem vai vir? Vai vir mais mulher.
Agora, será que não tem um monte de homem em casa que não veio porque ele também não está preocupado com os pequenos vazinhos, perna peluda, não enxerga, não vê e não está nem aí? Então, o certo para a gente responder essa pergunta seria pegar um grupo de pessoas. Então, pegar um estádio cheio, num show, né? Não pode ser futebol, senão é mais homem também, né? Num show que tem homem e mulher e vamos examinar todo mundo e ver se a proporção é igual. Alguns trabalhos que foram feitos nesse sentido, que não chegaram em números muito grandes, mostraram que não tinha uma diferença muito grande entre homem e mulher.
Apesar disso, eu queria lembrar que os hormônios femininos são fatores de piora para a doença venosa. Então, eu não respondi nem sim nem não, dei uma volta inteira para falar que homem e mulher pode ser acometido pela doença. É, mas esses hormônios femininos, eles sempre acarretam um monte de... Não reclame dos hormônios femininos, porque eles estão ajudando também a prevenir as doenças do coração e doenças ateroscleróticas, as doenças arteriais.
A mulher tem muito menos do que o homem, porque os hormônios estão protegendo. Então, tem o lado bom e o lado ruim da moeda. Verdade.
As pílulas podem acarretar um problema? Podem, mas não é para sair parando de tomar pílula, porque a gravidez também pode. É, pois é. Tem que colocar na balança o custo-benefício. Se a pessoa não tem a genética para isso, não tem que se preocupar tanto.
Então, converse sempre com o seu ginecologista, seu vascular, que ele vai avaliar caso a caso para ver se é necessário parar com a pílula ou não. Ok, eu vou te chamar ao intervalo mais uma vez. Daqui a pouco a gente volta falando mais sobre varizes.
Até já. Estamos de volta com o programa Análise Direta. Hoje nós estamos falando sobre varizes.
Eu estou conversando com o Dr. Alexandre Amato, que é cirurgião vascular. Vamos falar um pouquinho sobre o tratamento? Vamos, mas só um pouquinho, porque tem bastante coisa. Pois é, eu fiquei sabendo agora pela minha produtora que a gente tem 10 minutinhos finais, então a gente fala assim generalizado e depois a gente te convida a voltar para falar mais sobre o tratamento.
Maravilha. Como é feito o tratamento hoje? Quais são as formas que existem que a pessoa pode fazer? Então, vamos lá. Doença venosa tem várias classes, desde a mais simples, onde é a estética, onde mais incomoda o paciente, até as fases mais graves, onde a úlcera venosa, feridas.
Então, existe um tratamento para cada fase. Eu vou falar das fases mais comuns e mais frequentes, são as fases iniciais da doença. E mesmo assim, ainda tem vários tratamentos.
E acredito que a grande dúvida e a validade aqui dessa entrevista é ouvir de todas essas técnicas e saber da existência delas para conversar com o seu médico. Então, em primeiro lugar, a gente tem que saber que varízes é uma doença benigna de evolução lenta e que tem vários tratamentos. O grande segredo está em saber qual que é o tratamento adequado para cada caso, para cada pessoa.
Então, se uma pessoa tem determinada varízes e outra tem o mesmo grau de lesão, mas são pessoas diferentes e com expectativas diferentes, o tratamento pode ser completamente diferente, mesmo a veia sendo igual. Então, a expectativa também é importante. Entra dentro da expectativa, se a pessoa tem um desejo estético, se a pessoa quer, não quer, pode ou não pode entrar no centro cirúrgico, se ela quer buscar as técnicas minimamente invasivas, se existem técnicas que são cobertas pelo convênio, que não são cobertas, existem técnicas caras, existem técnicas mais baratas.
E a gente entender todo o contexto do paciente ajuda a encontrar o melhor tratamento. Mas, assim, os tratamentos têm aquela aplicação, né? Então, vamos lá. Que se faz, que deve ser bem doloridinha.
Não costuma ser a maior reclamação das minhas pacientes, não costuma ser dor. Existem técnicas para a gente diminuir a dor da aplicação. Então, a analgesia pelo frio é uma delas.
Então, a gente solta um jato de ar muito gelado a menos 30 graus e isso faz a pessoa sentir frio, mas não dor. É bem interessante. Mas eu costumo dividir os tratamentos em três grupos.
Então, o tratamento clínico, o tratamento cirúrgico e o tratamento minimamente invasivo ou as escleroterapias. Então, o tratamento clínico da doença venosa consiste principalmente no uso da meia elástica. Está cheio de medicamento no mercado.
Esses medicamentos, eles são bons para sintoma. Então, como se fosse um remédio para dor de cabeça. Você trata lá o sintoma, mas não resolve a causa.
A meia elástica atua um pouquinho diferente, atuando na causa, mas ela não regride a doença. Então, a gente não pode usar a meia elástica e achar que a veia vai desaparecer porque usou a meia elástica. Não.
Mas a gente estaciona a doença no tempo, ela não progride. Os tratamentos cirúrgicos. Então, existem vários, desde a microcirurgia, que são pequenos furinhos em que a gente retira essas veias, até cirurgia grande, como a safenectomia, em que a veia safena é retirada da perna.
Se ela estiver doente, ela não está fazendo benefício nenhum, ela pode ser retirada. No método tradicional, são cortes cirúrgicos, a gente tira essa veia através desses cortes cirúrgicos, mas tem as cirurgias menos invasivas. Então, o uso do laser ou da radiofrequência, em que a gente faz um pequeno furinho, atravessa com uma fibra ótica, queima essa veia, essa veia se fecha e ela é reabsorvida com o tempo, é muito menos invasiva e a recuperação acaba sendo mais rápida.
E quando a gente fala das técnicas, as escleroterapias, então, isso é debatido em tudo quanto é lugar, a espuma. Então, a espuma como tratamento milagroso para doença venosa. Eu nunca ouvi falar disso.
Não? Não. Então, a espuma é muito utilizada nos países mais frios, Europa, principalmente, é um tratamento muito bom, funciona. Então, você injeta essa espuma de uma substância chamada polidocanol, essa espuma vai causar uma tromboflebite naquela veia.
Então, é uma trombose numa veia controlada, do jeito que eu quero, e isso, com o tempo, faz a veia fibrosar e fechar. Bom, mas tem as suas complicações também, tem seus benefícios e seus riscos. Então, para quem busca estética, eu não acredito que seja uma técnica muito adequada.
Tem um risco muito alto de manchar a pele. Não que as outras técnicas não tenham, também tem, mas a gente tenta minimizar isso. Então, a espuma para as fases mais avançadas da doença, onde já tem mancha, já tem úlcera, pode ser bem indicado.
Então, para as fases mais iniciais, talvez não, mas para quem não quer o centro cirúrgico, ou quer fugir das outras técnicas, talvez seja adequado. Então, por isso que tem que conversar muito bem com o cirurgião vascular. E a conversa não tem que ser só, ah, eu tenho essa doença, essa veia desse tipo, e a única opção é essa.
Não, eu tenho esse tipo de doença, tenho esse tipo de veia, e eu tenho essa expectativa. Eu gostaria de, ou fugir do centro cirúrgico, ou gostaria de, não tenho problema em fazer várias sessões. Então, isso tem que ser conversado.
Dentro dessas técnicas de escleroterapia, tem a radiofrequência, o laser transdérmico também, todos eles aplicados sem a cirurgia, com a capacidade de diminuir ou fechar até essas veias superficiais. Óbvio, de novo, depende do tamanho da veia, depende do paciente, depende do tipo de pele. São muitas variáveis que têm que ser avaliadas para indicar um tratamento correto.
Para quem está no comecinho da doença, que tem apenas alguns vazinhos e deseja fazer por causa da estética, que é o caso de muitas mulheres, o laser é a melhor saída? O laser é uma boa alternativa, mas não é a única. Então, laser, escleroterapia, aplicação, glicose, crioglicose e várias outras substâncias, a termocoagulação, todas elas têm vantagens e desvantagens. Eu acredito que se a gente usa o lado bom de cada técnica, a gente consegue um resultado melhor.
Então, quando a gente usa uma mescla de todas as técnicas, então eu acerto a melhor técnica para aquele vaso, eu posso ter um resultado melhor. Por quê? O laser não é perfeito para todo tipo de veia, assim como a glicose não é perfeito para todo tipo de veia. Ah, é? Ah, não sabia disso também.
O tempo de tratamento varia muito? Muito, muito, muito. Varia da resposta do paciente ao tratamento. Isso a gente começa a ter uma ideia depois da primeira, segunda sessão.
Tem paciente que vai muito bem e tem paciente que é um pouquinho mais refratário ao tratamento. E aí a gente precisa ser, às vezes, um pouquinho mais invasivo. Tem algum problema fazer essa cirurgia da retirada da safena? Porque antes se dizia muito que não era recomendável, porque se o paciente tiver depois algum problema no coração, isso pode ser prejudicial, porque ele não vai ter a safena, né? Isso é mito ou verdade? Isso era mais verdade antigamente e não virou mito, mas ficou um pouquinho mais longe da nossa realidade, porque antigamente não existia outro tratamento para as doenças cardíacas.
Era ponte de safena e ponto final. Se não tivesse a safena, a gente ia ter que dar um jeito. Existem alternativas, mas hoje a cirurgia cardíaca está sendo tratada muito com estente.
Então, cirurgias menos invasivas que não precisam da safena. Esse é um lado da história. O outro lado da história é nós temos quatro safenas, duas em cada perna.
Então, quando a gente trata uma, eu ainda tenho outras três. Então, eu tenho um backup ali, eu tenho uma segurança. Entendi.
Quando a pessoa tem que fazer a cirurgia um pouco mais invasiva, qual é o tempo de tratamento? Quanto tempo ela tem que ficar ainda fazendo a manutenção em casa? Quanto tempo ela vai demorar? Depende da técnica. A cirurgia tradicional, a recuperação costuma ser em torno de 15 dias. Algumas pessoas, isso acaba se prolongando até um mês.
As cirurgias menos invasivas, como laser, radiofrequência, a recuperação é muito mais rápida. Então, como não tem grandes cortes, como tem muito menos hematomas, a recuperação é mais rápida e gira em torno de uma semana. Mas, de novo, depende de paciente para paciente.
Tem paciente que em poucos dias já tinha retornado à atividade normal. Ok, eu queria que você deixasse uma dica final para quem está assistindo a gente. Se quiser passar o seu contato no Facebook ou no site, onde as pessoas possam fazer perguntas também.
Quem tiver alguma dúvida sobre o assunto, pode passar. Nosso site é www.amato.com.br e o da especialidade é www.vascular.pro Podem mandar perguntas que a gente responde sem problema nenhum. E a minha dica, se eu for resumir tudo em uma dica só, mantenha-se ativo, faça exercício físico, não fique parado, ative a musculatura, principalmente de membros inferiores e exercícios físicos com menos impacto, melhor.
Acho que é uma dica que vale genericamente para todo mundo. Ok, muito obrigada. Então, te agradeço muito pela presença e pela entrevista.
Eu te agradeço. E está convidado a retornar para a gente falar mais. Maravilha.
Ok? E você que está em casa, obrigada também pela audiência. E você não se esqueça de entrar na nossa página, facebook.com.br Programa Análise Direta. Você pode lá assistir esta edição, outras edições do programa, você pode também mandar perguntas para nós, que quando a gente trouxer o entrevistado aqui de novo, a gente vai responder essas perguntas para vocês.
E agora vocês podem também participar de uma promoção. É só você entrar na nossa página, curtir, compartilhar e não se esqueça de clicar no botão Quero Participar. Você vai concorrer em um sorteio que vai ser feito, que vai ser de um kit de livros e CDs de entrevistados que estiveram aqui no programa.
Ok? Então, um beijo e até a próxima. Tchau, tchau.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.