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Estresse Causa Câncer? Mastologista Revela a Resposta REAL! | Ep. 101

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Estresse Causa Câncer? Mastologista Revela a Resposta REAL! | Ep. 101

O episódio aborda a dúvida comum “estresse causa câncer?” no contexto do câncer de mama, com explicações da mastologista e ginecologista Dra. Priscila Beatriz.

Perguntas respondidas neste vídeo

A gente estava conversando nos bastidores que acho que essa é a terceira vez, né?

É que eu me lembre a terceira, acho que >> terceira participação. E aí a última inclusive foi de estética íntima, né, que a gente conversou bastante sobre o assunto. A gente costuma deixar, vou deixar também aqui uma playlist dos outros episódios que você participou, né, os links para quem quiser acompanhar.

Doutora, agora eh, como que foi também?

Eu já queria entender um pouquinho mais sobre, acho que é da última vez a gente não tinha falado sobre isso.

Você já queria ser médica antes?

Já tinha essa vontade, já era aquela criança que falava pros pais que queria viver com aquele estetoscópio de brincadeira, é, de brinquedo. Eu, desde que eu me entendo por gente, eu falava que queria ser médica.

Fiz, fiz cursinho e passei na UNIFESP, né?

Era um sonho passar lá na Universidade Federal, tudo. E entrei na faculdade sem ter ideia de que especialidade fazer.

Na faculdade a gente tem as ligas que são eh grupos de estudo pra gente poder ter contato com as especialidades, porque o começo da faculdade a gente não tem contato com especialidade, são as matérias básicas, né?

E eu fui, eu fiz liga de reumatologia, então assim, eu pensei em fazer reumatologia, psiquiatria e uma coisa que eu falava quando eu entrei na faculdade que eu não faria era ginecologia. Falou assim: "Ah, não, ginecologia eu não quero fazer.

Transcrição completa do vídeo

[ música ] [ música ] [ música ] [ música ] >> [ música ] [ música ] [ música ] [ música ] [ música ] >> [ música ] [ música ] [ música ] [ música ] [ música ] >> [ música ] [ música ] [ música ] [ música ] [ música ] >> [ música ] [ música ] [ música ] [ música ] [ música ] >> [ música ] [ música ] [ música ] [ música ] [ música ] >> Olá, meu nome é Letícia Miamoto, está no ar mais um Amatocash pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais. O último, o último, mais especificamente, foi sobre medicina física, fisiatria. Antes também nós conversamos, recebemos aqui uma outra convidada para falar sobre o tratamento estético de varizes e microvarizes em pacientes com lipedema. Hoje, novamente, nós recebemos uma convidada especial, a Dra. Priscila Beatriz, que é mastologista e também ginecologista, para falar sobre o tema que vocês tanto pedem aqui pra gente, que é câncer de mama. A gente vai, já conversou outras vezes aqui também no Amatocast sobre isso, mas hoje de uma forma diferente. Então, antes de dar as boas-vindas aqui novamente pra Dra. Priscila Beatriz, eu vou apresentar um pouquinho do currículo dela para quem tá chegando agora, ainda não conhece a Dra. Priscila para poder conhecê-la melhor. Então, vamos lá. A Dra. Priscila Beatriz Silvério é médica ginecologista e mastologista formada pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. A UNIFESP é certificada em reconstrução mamária pela Sociedade Brasileira de Mastologia e tem título de especialista em ginecologista em ginecologia e obstetrícia pela Febrasgo e também de mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia. Além disso, também é parceira e atende aqui no Instituto Amato. Mais uma vez bem-vinda, doutora. Obrigada mais uma vez. Obrigada pelo convite. É sempre um prazer participar aqui do podcast. Já tem uma parceria aí com a Amato já de muitos anos. >> Já conhece também como funciona aqui, né, o Amatocast. A gente estava conversando nos bastidores que acho que essa é a terceira vez, né? É que eu me lembre a terceira, acho que >> terceira participação. E aí a última inclusive foi de estética íntima, né, que a gente conversou bastante sobre o assunto. A gente costuma deixar, vou deixar também aqui uma playlist dos outros episódios que você participou, né, os links para quem quiser acompanhar. São assuntos bem legais, né, bem interessantes. Eu lembro que foi um papo super legal. Doutora, agora eh, como que foi também? Eu já queria entender um pouquinho mais sobre, acho que é da última vez a gente não tinha falado sobre isso. Como que foi a escolha da sua especialidade, né, da medicina? Você já queria ser médica antes? Já tinha essa vontade, já era aquela criança que falava pros pais que queria viver com aquele estetoscópio de brincadeira, é, de brinquedo. Eu, desde que eu me entendo por gente, eu falava que queria ser médica. Não sei de onde surgiu, não tenho médicos na família, sou a primeira e a única por enquanto. E minha mãe fala que desde pequenininha eu falava que queria ser médica, queria ser médica. E aí, né, o sonho foi realmente crescendo. E eu lembro quando eu tava ali terminando o ensino fundamental, né, que antes era até a oitava série, né, na minha época, que eu fui fazer um teste vocacional, porque eu fiquei querendo fazer medicina, mas eu tinha medo, né, porque poxa, é difícil, tal. Aí fui fazer o teste deu medicina mesmo. Aí eu falei: "Não, é isso mesmo, vamos à luta, né?" >> E aí, né? Fiz, fiz cursinho e passei na UNIFESP, né? Era um sonho passar lá na Universidade Federal, tudo. E entrei na faculdade sem ter ideia de que especialidade fazer. Falei, vamos, vamos conhecendo, né? E eu pensei de fazer de tudo que você possa imaginar, né? Na faculdade a gente tem as ligas que são eh grupos de estudo pra gente poder ter contato com as especialidades, porque o começo da faculdade a gente não tem contato com especialidade, são as matérias básicas, né? E eu fui, eu fiz liga de reumatologia, então assim, eu pensei em fazer reumatologia, psiquiatria e uma coisa que eu falava quando eu entrei na faculdade que eu não faria era ginecologia. Falou assim: "Ah, não, ginecologia eu não quero fazer. Ah, tinha nojo, essas coisas". Mas aí quando eu comecei a ter contato com a especialidade, eu gostei. E até o final do assim, a gente presta prova de residência quando termina a faculdade, mas tem que fazer a inscrição no final do sexto ano. E até o final eu não sabia o que eu ia prestar. Eu tava em, eu queria alguma especialidade que fosse clínico-cirúrgica, então que eu pudesse atender pacientes, mas também operar. E eu fiquei entre ginecologia obstetrícia, considerei uma época otorrinolaringologia, mas já logo descartei. >> E dermatologia, que todo mundo fala também que faz um pouco dos dois, não os olhos. >> Nunca pensei não. E é é e é interessante, né? Porque muita mulher, né, quer fazer dermatologia, mas assim, nunca pensei em fazer dermatologia, porque assim, a dermatologia que a gente vê na faculdade é dermatologia é patológica, né? É doença de pele, não é? Os os as estéticas, né? Os tratamentos estéticos. Então, dermatologia nunca esteve na minha lista, mas cirurgia plástica sim. Então, até o finalzinho, eu fiquei entre prestar cirurgia geral. >> Uhum. >> Para depois fazer plástica ou fazer ginecologia obstetrícia. >> E aí, no fim das contas resolvi fazer ginecologia obstetrícia já pensando em fazer mastologia. Então, fui, prestei a prova, aí fiz são 3 anos de ginecologia obstetrícia e aí ao final dos 3 anos prestei outra prova de residência, né? Porque a mastologia é uma outra especialidade. >> E aí para você fazer mastologia tem que ou ter feito cirurgia geral ou ginecologia obstetrícia. >> Aí prestei a prova e fui fazer mastologia. E foi assim. E aí assim, né, a gente vai mudando, né? Sabe aquela história que fala assim: "Ai, médico não para de estudar nunca". É verdade. Então assim, se você pensa em fazer medicina, é verdade, a gente não para de estudar, >> porque a gente tá sempre querendo aprender uma coisa nova e mesmo às vezes chega um paciente com uma queixa que você não se lembra, faz tempo que não vê, vai estudar. >> Uhum. >> E aí eu fui fazer mastologia, eh, porque era uma especialidade que eu sabia que eu poderia trabalhar fazendo ultrassom, fazendo biópsia, fazendo cirurgia. E uma época da minha vida, eu até pensei que eu seria só mastologista, não ia mais fazer ginecologia obstetrícia, >> mas assim, fui mudando também sobre isso. E hoje, assim, eu gosto muito de ser as duas coisas. Eh, não sou mais obstetra, então já fiz muitos partos na vida, mas não faço mais. Então, hoje eu atuo mesmo com ginecologia e com mastologia. Faço cirurgias de mama, câncer de mama, reconstrução de mama, que foi uma outra coisa que eu fui estudar depois. Uhum. >> Faço a parte de estética ginecológica, né? Estética íntima. Então essa é um resumo aí da minha trajetória, né? >> E legal que mudou da água pro vinho, né? Que você falou que não tinha tanto interesse assim, na verdade não tinha nenhum interesse, né, em ginecologia na faculdade e depois acabou escolhendo para seguir a vida. Se hoje não fosse para ser ginecologista nem mastologista, tivesse que escolher uma outra agora, qual que você >> agora >> escolheria? >> A dermatologia. >> É >> dermatologia ou cirurgia plástica. Eu gosto muito de cirurgia plástica também, assim, era uma coisa que eu tinha vontade de fazer. E até eu falo, né, esse fato de eu ter ido eh navegar por essas águas agora de mexer um pouco com essa parte da estética íntima, acho que tem um pouco a ver com esse com esse meu eh não desejo, mas de gostar dessa parte da também da da estética, né? >> Então, e aí eu fui agregando assim a essa essas conhecimentos, >> um pouco de cada coisa, né? E assim, o a ginecologia é uma especialidade que a gente acaba sendo clínica geral da paciente, >> né? Então assim, eu já atendo consultório há 11 anos e eu tenho pacientes que estão comigo há 11 anos. Então eu fui acompanhando a trajetória delas, né? Tenho pacientes que começaram comigo, tavam ali e tendo filho e hoje já estão na transição menopausal. Então a gente eh vai acompanhando ao longo da vida né? >> Acontece aquilo às vezes, né? com o envelhecimento de levar a própria filha da da paciente que teve, vai levar a filha dela para você para passar na sua consulta né? >> Sim, tem isso também. >> É, é muito louco. E doutora, hoje a sua rotina então é mais em consultório. >> Sim, mesmo. >> Mais consultório. Eh, eu ainda atendo em um hospital onde eu faço as cirurgias de mão, mas a maior maior parte do meu tempo é mesmo o consultório. >> Ah, tá, entendi. Legal. Eh, então, antes da gente começar, na verdade, eu vou eu vou falar isso no final porque eu precisava citar aqui, agradecer o nosso patrocinador, mas já vamos direto pro nosso tema, porque eu tenho um assunto muito legal. Eu tinha visto um vídeo na internet, a gente já tá, o pessoal já tá vendo aí no título, né? A gente vai falar de câncer de mama, um assunto que a gente já trouxe aqui algumas vezes também em outras abordagens da Motocast, mas acho que hoje é importante a gente a gente citar sobre algo que tem repercutido também na internet. Um vídeo que eu vi esses últimos dias fala sobre fatores que causam o câncer. Muitas pessoas que estão acompanhando o vídeo ou às vezes tem alguém na família que tem o câncer ou às vezes a própria pessoa recebeu um diagnóstico, né? Tem o câncer, enfim, por algum motivo tá aqui assistindo e tem essa curiosidade de saber o que causa, o que é verdade, o que é mentira sobre esse assunto tão sério, né? Que preocupa tanta gente mesmo, às vezes que não têm famílias que não tem ninguém com câncer tem essa preocupação de um dia ter, porque acaba virando que você é difícil não conhecer ninguém, né, que tenha ou que ser próximo, infelizmente, de alguém que >> tenha sido diagnosticado. E esse vídeo, doutora, fala sobre fatores mais assim diferentes que podem causar, como, por exemplo, um pico de estresse. uma uma mãe que perdeu um filho, eh, teve ali esse estresse muito grande e depois de 2 anos teve o diagnóstico de um câncer no útero, por exemplo, que tem uma ligação ali com essa questão do filho, né? Enfim, o vídeo polêmico fala sobre isso, que o câncer está diretamente relacionado a emoções, enfim, fatores ali da vida da pessoa e esse câncer vai se manifestar >> em alguma parte do corpo que seja ligado a esse acontecimento da vida da pessoa. >> Isso existe, >> é polêmico, né? É, é um tema polêmico. Eh, a gente não tem estudo científico que consiga provar isso, essa relação cause efeito, né? Tive um desgosto, isso causou o meu câncer, tá? Eh, falando especificamente sobre câncer de mama, né? Mas assim, antes um pouquinho, o que que é o câncer? Câncer é um mesmo nome para milhões de doenças diferentes, mas um câncer, em linhas gerais, é uma proliferação anormal. Então, o nosso corpo tá em constante eh proliferação celular. Então, a gente tá fazendo célula o tempo todo. Eh, pode acontecer em algum momento dessa proliferação ela se tornar anômala. Então, uma célula que ela se reproduziu e ela tá errada, o nosso corpo tem mecanismos para fazer aquela aquela divisão celular parar, mas a gente pode perder isso ao longo do tempo e essa proliferação continuar. Então, o câncer é um crescimento anormal aí do corpo. Eh, falando sobre câncer de mama, o câncer de mama é uma doença multifatorial, então não existe uma causa assim, ó. Por exemplo, tem alguns cânceres de pulmão que são, ó, a pessoa fuma, aumenta o risco dessa desse câncer de pulmão. O câncer de mama não é assim. Então, a gente tem vários fatores, né, que podem aumentar o risco para câncer de mama. Fatores não modificáveis e fatores modificáveis. Não modificáveis são coisas que são do nosso organismo. Então, por exemplo, a idade com que você começa a menstruar, a idade com que você vai entrar na menopausa, se você tem alguma mutação genética, isso eu não tenho como modificar. E a gente tem os fatores modificáveis, que são os hábitos, então alimentação, é atividade física, né? E aí a depois a gente pode esmiuçar isso um pouco mais. Mas aonde que entraria aí o stress, né? Pensando que é o câncer é uma proliferação anormal de células. Quando a gente tem um pico de estresse, é, uma tristeza muito grande, a gente acaba tendo uma queda da nossa imunidade. Então isso, alguém que já teria uma predisposição até câncer, pode fazer com que esse essas células que poderiam começar a se dividir erroneamente, elas consigam fazer isso, tá? Então, é, pode ter relação, sim, pensando nisso, numa queda de imunidade e aí o nosso corpo perde esses mecanismos de evitar que essas células anômalas se reproduzam, tá? Mas assim, é, e assim, isso, OK, né? Mas ah, porque foi o filho que morreu vai ter câncer no útero ou porque, sei lá, o marido que fumava morreu, vai ter câncer no pulmão. Isso aí assim, não vejo evidência científica e eu já acho que é mais >> mais viajante assim, mas eu preciso ver esse vídeo, eu não vi. >> É, eu vou eu vou te mandar na nas redes sociais, porque ele fala de várias coisas. Claro que tem outros fatores que falava ali no vídeo que já são mais comentados, como por exemplo alimentação, né? né? Às vezes a pessoa não sabe que tem uma intolerância ali muito forte. Até falava do gluten nesse nesse vídeo, né? E aí a pessoa passou a vida inteira consumindo muito glúten e isso poderia dar falava isso falaria falava nessa no ali, né? Na pode pode ajudar >> sim, porque são são várias coisas, né? Então, por exemplo, pensando que a pessoa tem uma intolerância ao glúten que ela não sabe. E o glúten, ele, para quem tem a intolerância, ele ele é inflamatório pro organismo. Então, você tá vivendo constantemente inflamado. Então, isso poderia contribuir pro para um câncer, sim, mas falar que a causa é só essa, não dá pra gente falar isso. >> Uhum. A pessoa pode passar, por exemplo, a vida toda, >> eh, tendo essa predisposição para isso, mas faz o, sei lá, consome o glúten, mas o todo o restante da vida não leva ao diagnóstico, a diagnóstico não, né? A ao surgimento do câncer surgimento. Sim. Porque, por exemplo, eh, hoje mesmo eu atendi uma paciente que ela fez uma, ela tinha uma lesão na mama, a gente operou, era uma lesão suspeita para câncer, fez biópsia, veio o benigno, fizemos uma cirurgia, tiramos a lesão, veio o benigno, mas veio um benigno que mostra que ela tem um risco um pouco aumentado de câncer de mama. Aí o que eu expliquei para ela, você tem essa lesão, a gente tirou essa lesão que aumentou um pouquinho o teu risco de câncer de mama. Como que você pode reduzir o teu risco? Com os hábitos. Então, evitando a obesidade. A obesidade é um grande fator de risco para câncer de mama. Então, a obesidade, eh, a gordura periférica, ela é convertida em hormônio. Então, quem evita obesidade, quem tem uma alimentação é rica em legumes, verduras, é pobre em alimentos ultraprocessados, em gorduras saturadas, é, quem tem uma alimentação assim, reduz seu risco de câncer de mama. Não fumar reduz risco de câncer de mama. Não beber bebida alcoólica reduz risco de câncer de mama e todo o contrário aumenta. Então beber muito vai aumentar. É, você vai colocando tijolinhos ali no seu risco de câncer de mama. >> Uhum. E a ginecologia, assim no consultório tem alguns fatores também que podem já servir como um alerta mesmo, que já adianta um diagnóstico, por exemplo, alguns sintomas, algo que possa ser identificado, já que ah, isso leva a gente acreditar que possa existir um diagnóstico de um câncer mesmo. Mas você diz pensando no risco ou algum sinal que eu posso prever que de ter um diagnóstico futuro de já ter o diagnóstico ser confirmado caso faça um exame, mas no consultório ou em casa mesmo pessoa já poder identificar algum sinal tirando o exame do de toque, né, que é isso todo mundo conhece, todo mundo comenta. Aliás, acho que é legal também a gente reforçar como funciona, né, e quando de quanto em quanto tempo deve ser feito é para a partir de qual idade é exame. >> Vamos lá. É, auto exame da mama. É, ele é recomendado como uma forma de autoconhecimento. Não sei se você já reparou que nos últimos anos não tem se falado tanto de auto exame de mama. >> É, então eu também não >> você percebeu isso, né? Isso é proposital porque antigamente se falava muito autoexame, autoexame, autoexame. Isso levava as pessoas a pensarem que, ó, se eu faço o meu autoexame, tá tudo bem, tá tudo certo, eu não preciso fazer nenhum exame a mais. Hum. Então hoje o que que é recomendado? Fazer o autoexame como uma forma de autoconhecimento. Então eu me examino e sei como minha mama é. Se eventualmente tiver alguma pequena mudança, eu vou perceber, tá? Então qual que é a recomendação? Que as mulheres façam auto exame da mama a partir do momento que elas começam a ter mama, né? Pode ser, >> sei lá, a partir dos 15, 20 anos, não tem uma regra quando começar, né? porque não tem uma contraindicação a fazer. Eh, não fazer, fazer isso após a menstruação, né? Então, por exemplo, combina assim, ó, cinco dias depois da menstruação, todo mês eu vou fazer o auto exame, tá? Por que não fazer antes da menstruação? Porque no período pré-menstrual a gente tem eh um predomínio da do hormônio progesterona. E isso faz com que a nossa mama fique eh mais inchada, às vezes até com formação de pseudonódulos, que são nódulos que não são nódulos verdadeiros, então uma mama mais dolorosa. Então, examinar perto da menstruação não é uma boa. Então, é melhor ser após a menstruação. Para quem não menstrua, né, tá menopausada ou usa algum contraceptivo continuamente, marca um dia lá, sei lá, todo dia 10 eu vou me examinar, né? E como fazer isso? Pode ser em pé, pode ser deitada, né? Coloca uma mão atrás da cabeça e vem com a outra, né? Eu ensino a dedilhar, vir com a mão da periferia pro centro da mama, faz na volta toda da mama, examina a axila também, né? Mas é examinar mais profundo, né? Que os as línguas os linfonódos podem dentar mais profundamente. E do outro lado a mesma coisa. Ah, e antes de palpar, observar, né? O bom é olhar no espelho, olha, põe o braço para cima, vê se nesse movimento tem alguma deformidade na mama, se a pele tá igual dos dois lados. Então o exame primeiro começa com a inspeção, que a gente olhar e depois a palpação, >> tá? >> Tá legal. E agora sinal de alerta, isso não é algo que a pessoa possa vir a ter, né? No caso de uma paciente que já tenha câncer, não descobriu que tem câncer, existe algum sinal além desse do exame ali do auto-exame que pode levar um alerta? Alerta. Bom, assim, sinais e sintomas de câncer de mama, né? Nódulo palpável. Então, assim, palpou um nódulo, tá diferente, procura o mastologista, tá? Lembrando que a maior parte dos nódulos não é câncer, mas se palpou um nódulo, nódulo mais endurecido, pouco móvel, é um nódulo que é mais suspeito para câncer, tá? Alteração de pele, então que nem eu falei que a inspeção faz parte do auto-exame, né? Então, às vezes, ó, eh, um lado tá afundado de uma mama ou a pele tá eh rugosa com aspecto de casca de laranja, isso pode ser um sinal de câncer de mama. Um mamilo que inverteu, então sempre teve os dois mamilos e do nada um só ficou para dentro. Isso pode ser um sinal de câncer de mama. Saída de líquido pelo mamilo, né? O tipo de líquido que preocupa a gente é o líquido que sai espontaneamente, cor de sangue ou transparente, tá? Então são esses os sinais e sintomas que chamam mais atenção, assim que é importante procurar um cirurgião vascular. >> Uhum. E como que é para você, doutora, dar diretamente, tendo que dar às vezes esse diagnóstico, né, para algumas mulheres. Eu imagino que, claro, que a gente tá falando que o câncer de qualquer lugar, qualquer parte do corpo que a pessoa receba esse diagnóstico, tem uma preocupação muito grande sobre como que vai ser o processo, como que vai ser a nova vida da pessoa, né, o que que ela vai ter que fazer, o que que é algo muito novo, né, para quem realmente nunca teve, enfim, é um é um desespero mesmo ali às vezes no no início. Mas para as mulheres, câncer de mama também envolve uma parte estética, né, das mulheres são vaidosas, envolve >> diretamente a autoestima dessas mulheres. Como que para você é, como que funciona essa conversa? Como que você se preparou para isso? Porque agora já tem anos de profissão, né? Mas no início era difícil para você lidar com isso. >> Sim, assim, eu acho que é ser médico como um todo é bem desafiador, né? É, pensando nessa questão psicológica do de envolver-se com o paciente, né? Então, a gente vai aprendendo ao longo da vida, né? Isso assim, eu fui aprendendo ao longo da minha carreira a ter empatia, então, a me entregar ali pra minha paciente, né? Acolhê-la, né? Realmente essa hora de dar um diagnóstico de câncer de mão é muito difícil. É, então estar ali pela minha paciente, mas não carregar isso para minha casa, porque também se eu ficar eh indo para casa e pensando no problema de cada paciente, isso é ruim para mim também, né? Então, é, eu acho que é a arte de acolher, >> mas de não carregar isso para dentro de mim. >> E assim, como fazer essa comunicação desse diagnóstico? Isso varia de paciente para paciente, porque eu tenho que sentir como a paciente tá esperando aquilo, né? Então, eh, geralmente quando a paciente chega com resultado de biópsia para mim, eu pergunto: "O que que a senhora espera que veio desse resultado?" Tem umas que falam assim: "Ah, doutora, ah, eu acho que é alguma coisa, né? Tem paciente que já tá esperando, tem outras que elas estão em completa negação. Então eu tenho que saber o jeito de passar esse esse diagnóstico, né, >> e o jeito de explicar os tratamentos, né? Eh, então o que eu gosto de frisar muito pras minhas pacientes é que assim, eh, câncer de mama, primeiro que câncer é um nome para milhares de doenças diferentes, diferentes. Então, ter um diagnóstico de câncer não é um diagnóstico de morte. >> Sim, >> né? Câncer de mama é uma das doenças mais estudadas do mundo, porque é o câncer que mais dá em mulher. Então é uma doença que ela é curável e mesmo em casos que não são curáveis, a gente tem controle. Então a gente tem casos de câncer de mama, que às vezes tem metástase, né, que é já ter doença em outros órgãos, que as mulheres vivem muitos anos, elas vivem como uma doença crônica, né? Em quem tem pressão alta, diabetes, não tem cura. A pessoa toma um remédio e vai vivendo a vida. Então mesmo para esses casos de câncer de mama mais avançados, tem uma sobrevida grande. Então o que eu gosto de filizar não é não se apegue ao diagnóstico, se apegue que é uma doença tratável e curável e que é isso que a gente vai perseguir, né? Mas é um não é fácil, né? Mesmo depois de tantos anos, >> cada paciente é uma nova paciente, né? >> Cada paciente é uma nova paciente, né? E assim, eu tenho pacientes jovens, né? né? A gente tem visto cada vez mais mulheres muito jovens terem câncer de mama. Então, e isso é uma coisa que é para mim é mais difícil quando eu pego mulheres jovens ou da minha idade, né? Eu eu tô com 42, então assim, eu já tenho muitas pacientes que t a minha idade mais ou menos com câncer de mama. Então é é algo que que me toca mais, né? >> Uhum. >> Mas é um é isso, cada paciente é única, né? >> É, é uma e é uma vida nova ali, né? que você tá tendo que dar essa notícia, é uma vida que vai passar por isso, né, de uma forma diferente. Enfim, sim. >> Eh, da pergunta sobre a idade, né? O câncer de mama, a mesma coisa. Independente, na verdade é determinante, né? Se a a mulher é mais nova, um diagnóstico de câncer de mama pode ser mais agressivo, justamente por conta da idade. >> Sim. O que a gente acaba vendo é isso, eh, mulheres mais jovens acabam tendo tumores mais agressivos que crescem mais rápido do que mulheres mais idosas, que acabam tendo, é mais frequente ter tumores que crescem mais devagar. Tanto que assim, o que eu costumo explicar, né, é muito comum no consultório o paciente chegar com o nódulo e birrades 3, que é um nódulo provavelmente benigno que a gente acompanha. Então, se paciente jovem com nódulo que parece benigno, vou fazer pedir para fazer ultrassom em seis meses, tá tudo igual, a gente repete em seis meses de novo. E aí o que eu gosto de falar é assim: "Olha, eh, você voltou agora, o nódulo tá igualzinho, tava se meses." Então isso me deixa muito tranquila, porque um, se fosse um câncer de mama, numa mulher jovem, ele não ia ficar quietinho, né? Lembra que eu falei que o câncer é uma proliferação? é alguma coisa que tá crescendo. E pensando numa mulher jovem, um câncer de mama não ia ficar quietinho em seis meses. Ele muito provavelmente ou teria crescido ou teria mudado a a o seu formato, >> tá? E em questão de aí você falou bastante sobre essa parte de do tratamento, né, que não precisa desse desespero porque muitas vezes os cânceres quando é câncer, né, tirando a parte do nódulo, quando é câncer pode ser tratável e a vida daquela pessoa, daquela mulher pode ser até, não sei se normal seria a palavra, mas na da forma mais eh que se aproxima do normal, ele vai do que ela tá do que ela tá acostumada. Fatores de risco, quais que são os mais preocupantes para uma mulher que é diagnosticada com o câncer de mama? >> Olha, eh, tamanho. Então, assim, usualmente tumor maior é um tumor que eh a gente vai reduzindo a nossa chance de cura, né? Então, eu quero diagnosticar tumores bem pequenininhos, tumores menores que dois menores que 2 cm, que não sejam palpáveis. Quanto menor ele for, maior maiores as chances dele ter cura tá? >> O tamanho influencia. >> Então, o tamanho influencia eh o fato dele ter ido para outro lugar ou não, né? Então, quando eu tenho o tumor que tá só na mama, é melhor do que o tumor que foi para a axila, que tem alguma coisa na axila, tá? Um tumor que tem metástase, que tá em outro órgão, já é um tumor que é mais avançado. Então, eh, o tamanho, o quanto que para se ele foi para outro lugar ou não, o tipo. Então, quando a gente faz a biópsia, a gente faz lá biópsia, pede uma coisa chamada anátomo patológico, que é o nome do tumor, então carcinoma mamário invasivo. E a gente pede uma outra análise que chama imunoistoquímica, que são algumas alguns marcadores que vão me mostrar melhor as características daquele tumor. Falo para as pacientes que é como se fosse o sobrenome do tumor. Então a gente pede receptor hormonal, a gente pede um outro marcador que chama K67, que ele é uma porcentagem, ele vai me mostrar o qual é o grau de proliferação daquele tumor. Então tumor que tem um grau de proliferação mais baixo, ele é melhor do que um que tem um grau de proliferação mais alto. Tem um outro marcador chamado R2 que a gente olha, se ele dá, se ele dá negativo, é melhor do que ele dar positivo. Porém, hoje em dia a gente tem um tratamento que é uma terapia alvo, que a gente fala. Então, o tumor que tem esse receptor que chama R2, eu tenho uma medicação que encaixa no receptor e trata isso. Então isso mudou o prognóstico da mulher que tem um tumor H2. Então, eh, a gente tem, eh, todas essas coisas que vão influenciar, né, se é um tumor mais ou menos agressivo, se tem maior ou menor chance de cura. >> Uhum. E anticoncepcional, de fato, é um fator que pode aumentar ali a probabilidade daquela mulher desenvolver um câncer? >> Sim, o uso de anticoncepcional por tempo prolongado, maior do que 10 anos, ele aumenta um pouco o risco de câncer de humano, tá? Mais ou menos 20%. Então não é que a mulher tem 20% de chance do risco basal dela aumenta em mais 20%. Então é um aumento pequeno por tempo prolongado e que esse risco ele cai de novo quando eu retiro. Então se ela tomou anticoncepcional 15 anos, ela aumentou um pouco o risco dela. Eu tirei anticoncepcional, o risco dela vai caindo de novo e volta ao risco basal dela. >> Hum. Ah, então entendi. Então não é algo ali que fica marcado pra vida, fica não, >> tá? E no caso da paciente, tem uma uma outra doença junto com o diagnóstico e aí acontece o diagnóstico do câncer de mama. Isso faz com que o tratamento seja mais difícil no sentido: "Ah, ela tem uma diabetes, vai." E aí teve o diagnóstimo de câncer de mama, as duas doenças juntas são mais perigosas? >> Não, isso não. O que acontece, né? é a mulher que tem alguma outra doença em conjunto, por exemplo, tem uma uma diabetes, tem uma hipertensão, tem alguma doença que cai a imunidade, ela às vezes pode ter mais efeitos colaterais durante o tratamento. Então, por exemplo, quando a gente faz a quimioterapia, que é um um dos tratamentos para câncer de mama, a quimioterapia ela reduz a imunidade. Então, às vezes pode, quem tem a diabetes, descontrolar a diabetes. Então, às vezes a gente precisa espaçar um pouco mais entre uma sessão e outra, né? Então, às vezes, essas pacientes que têm já outras comorbidades, a gente precisa ter um acompanhamento um pouquinho mais de perto, né? E ter ali o endócrino trabalhando junto com a gente. >> Uhum. É, acaba sendo também num diagnóstico, a gente tá falando bastante especificamente do câncer de mama, mas cânceres de forma geral, né? uma equipe multi >> multidisciplinar >> disciplinar, é que vai que vai agir ali, né, na naquela naquela paciente para >> que o bem-estar mesmo seja maior, né, da da paciente que que recebeu esse esse diagnóstico. Teve uma pergunta também que veio na minha cabeça que a gente estava falando sobre como que é, né, essa para você falar sobre isso, ter receber essa, ver essa notícia ali no exame e passar pr pra paciente. Além do auto exame e dos alertas no consultório, o diagnóstico é confirmado com ultrassom. Que mais que que que pode? >> O que confirma o diagnóstico é biópsia, >> tá? >> Então assim, às vezes tem paciente que chega com um exame e fala assim: "Ai, eu fiz esse exame aqui e deu que é câncer". Vou, pera aí. Exame de imagem é exame de imagem não vai me falar que é câncer, ele vai me falar se é algo suspeito ou não, >> tá? Então vamos vamos inventar uma história aqui. Vamos supor, a paciente chegou para mim no consultório, doutora, eu vim fazer meus exames de rotina, aí eu pedi uma mamografia e ultrassom para ela. Aí veio uma alteração, veio um nódulo no ultrassom, um nódulo BIRADS 4, tá? O que que é BIRADS? BIRADS é a classificação dos exames de mama, tá? Então mamografia, ultrassom, ressonância, qualquer exames desses que a gente fizer, no final vai vir essa classificação. Essa classificação, ela dá pra gente a ideia, a ideia do risco dos achados daquele exame serem câncer de mama. Então, quando eu falo que um BIRADS, ele vai de zero até seis, >> tá? Sendo o BIRRAD zero um exame inconclusivo, preciso de mais exames para concluir. BIRAD 1 é um exame negativo, sem achados. BIRRADO do é um exame com achados benignos que não tem risco de câncer de mama. BIRRADAS três são achados provavelmente benignos, que tem um risco baixo de câncer de mama, menos que 2%. Então, usualmente BIRRADAS 3 a gente acompanha, BIRRADAS 4 já são achados suspeitos para câncer. Então, eh, o risco de câncer do BIRAD 4, eu brinco que é um balaio de gato porque varia de 2 a 95%. Hum. >> Então, quando eu tenho BIRRAD 4, usualmente a gente faz biópsia, >> tá? >> BIRAD são achados muito suspeitos para câncer de mama, risco de câncer maior que 95%. E BIRRAD 6 é um é são achados que são câncer de mama. Então, o paciente que já sabe que tem câncer de mama e fez um exame e vem lá o BIRAD. >> Então vamos lá. Paciente chegou, >> doutora, vim fazer exame de rotina, mamografia, ultrassom, veio lá um nódulo ultrassom, BIRRAD 4, suspeito para câncer. Eh, ou vamos supor birrad 5, que é muito suspeito. Aí sim, eu não posso virar para ele e falar assim: "A senhora tem câncer?" >> Não, eu preciso de um de um anátomo patológico que é a biópsia. Então ela vai lá, faz a biópsia, pedir a biópsia para ela, por exemplo, uma core biópsia, que é uma biópsia com agulha grossa, então ela vai no laboratório. Eh, eu até eu faço no consultório também. Às vezes o paciente chega e fala: "Você, você faz?" Fácil, já resolvemos no consultório. O médico acha o nódulo com ultrassom, faz uma anestesia local, um cortezinho, tira uns pedacinhos do nódulo e manda para a análise. E aí veio lá pro câncer de mama. Tá bom? Qual que é o tipo? Ah, tem receptor de hormônio, não tem, tal. Vamos pôr um tumor que tem receptor de hormônio. Grau de proliferação baixo, tumor pequenininho, 0,9 cm. Qual a indicação? Cirurgia. Aí a gente vai agenda a cirurgia para essa paciente. Oou, tudo que a gente opera, a gente tira, vai pra biópsia de novo. Aí vê lá, confirmou, olha, era mesmo um tumor de 09, é esse tumor mesmo. Aí ela vai ser encaminhada pro oncologista. O oncologista vai avaliar: "Olha, esse tipo de tumor aqui não precisa fazer quimioterapia, então a gente vai fazer a radioterapia e depois vai tomar um antihormônio em casa". Então, eu falei mil coisas aqui, mas para resumir, eh, quando eu dou um diagnóstico para paciente, eu explico: "Olha, essa, o seu tratamento vai ser multidisciplinar". Então, você vai ter um oncologista que vai te acompanhar, o oncologista, o radioterapeuta. Então, a gente vai trabalhar em conjunto, >> tá? Então, dependendo se é um tumor pequenininho, às vezes ela eu já vou e opero a paciente. Se é um tumor já maior ou é um tumor daqueles que se replica muito rápido, às vezes a gente vai começar o tratamento pela quimioterapia, reduz o tamanho do tumor para depois operar. Então são várias as modalidades de tratamento para o câncer humano, é cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormônio-terapia, terapias alvo, é imunoterapia. Então são várias modalidades, nem todas as pacientes vão fazer todas elas, mas aí a gente vai, dependendo ali qual é o tumor, qual é o tipo, a gente vai vendo quais tratamentos e a ordem, que a ordem pode variar também. >> Uhum. E às vezes muitas das dúvidas também giram em torno de como funciona esse processo, no sentido de dor. Lá atrás, quando você falou do dos do primeiro passo ali, né, da mamografia, por exemplo, já existe esse, não sei esse mito, mas eu ainda nunca fiz. Mas pela pela questão da dor, né? Muitas mulheres que falam que morrem de medo de fazer a mamografia já pensando na dor e depois continuando o processo. Se de fato tem alguma suspeita ou às vezes até o diagnóstico confirmado, imagino que muito gira em torno também do medo, né, da expectativa das pacientes sobre como isso funciona. Então agora a minha pergunta é disso, né, a mamografia de fato, como que funciona ali, as mulheres que já estão há muito tempo sem fazer, né? Quais são as dicas? E quando precisa de fato de uma biópsia, por exemplo, qual o que que realmente precisa ser, quais são as expectativas mais realistas ali do desse momento? >> Eh, bom, mamografia, você falou que você nunca fez, né? Então, o que que eu falo pras minhas pacientes que vão fazer mamografia a primeira vez? Fala assim: "Olha, vai comprimir tua mama, tá?" Ah, é legal? Não, legal é tomar sol na praia, né? Mas assim, eu falo, vá de mente aberta, né? Não vá, porque assim, às vezes a tua mãe fala: "Nossa, dói muito?" A tua tia fala, "Tua vizinha". E aí você chega lá e é tranquilo para você. Então assim, comprime a mama é um pouquinho incômodo. É, eu já fiz. Eh, não, não achei que foi uma dor absurda, é muito rápido, porque você vai lá, aperta assim, aperta assim, acabou. É, são segundos, né? Então é bem rápido, não é porque a tua mãe, a tua vizinha sentiram dor que você vai sentir, porque a percepção de dor é variável. Então, primeiro, vá sem preconceitos, né? Esses dias mesmo eu atendi uma paciente que ela falou assim: "Nossa, ela falou: 'Ah, doutor estreia na na mamografia'". Falei: "E aí, como é que foi?" Eu fal: "Ah, eu achei tranquilo. Minha mãe falava tanto que doía e eu achei tranquilo para mim". >> Uhum. >> Então, vai variar. Eh, evita marcar perto da menstruação. Lembra que eu falei? Não se examina perto da menstruação, que a mama fique inchada, dolorida, também não vai >> fazer um negócio que vai apertar tua mama perto da menstruação. Então marca para depois da menstruação, tá? Eu acho que é bem tranquilo, que é suportável. >> Mamas menores tendem a doer mais porque tem que puxar mais. Mamas maiores tende a ser um pouco mais confortável. Eh, biópsia, qual a expectativa da biópsia? A biópsia ela é feita com anestesia, tá? recentemente, né, outubro rosa, eu participei de um outro programa que chegou lá uma uma sobrevivente do câncer de mã me contou que fez uma biópsia a sangue frio, sem anestesia. Eu falei: "Menina, do céu". Eu falei: "Que absurdo isso frio na perna aqui." >> Não, pois é. E aí eu falei no, eu falei: "Ó, gente, você que tá assistindo, isso não é o normal, tá? É para fazer anestesia". Então assim, não é para doer a biópsia, a anestesia incomoda porque é um queima uma queimação que nem anestesia de dentista, mas a bióps em si não é para doer, tá? Então assim, eh vão ter algumas coisas que vão ser um pouco chatinhas aí ao longo do do caminho, né? Mas eu acho que é tranquilo assim. >> E aí você diz que isso pode ser feito no consultório, né? Desde que o médico já tenha todo toda a preparação para para isso. >> Sim. A biópsia ela é feita ambulatorialmente, então a pessoa vai lá no laboratório ou no consultório, como eu falei, a preparação é feita o ultrassom, faz uma limpeza, anestesia local, um cortezinho pequenininho e vem com a agulha de biópsia, né, um aparelho que ela é uma agulha que desliza uma na outra e tira alguns pedacinhos. Então isso dá para fazer no consultório, desde que tenha, é isso, tem que ter o preparo, né? Tem que ter a máquina de ultrassom, tem que ter os aparelhos, o anestésico, mas pode ser feito ou em consultório ou em laboratório, né? Às vezes tem mulher que pergunta: "Ah, mas tem que ficar internada?" Não, faz e vai para casa, né? Dá para trabalhar depois? Até dá, mas a gente pede para não fazer esforço, não carregar peso. Então, é, a gente costuma dar atestado para fazer a biópsia e fica em casa no, pelo menos no dia, às vezes no dia seguinte também para evitar algum sangramento. >> Ah, entendi. Tá. E agora o papel da mastologia também é falando um pouco da parte de da reconstrução, né? Como que acontece isso? O processo ali que a, como a gente citou também, às vezes a preocupação das mulheres, claro, depois do, ah, tá tudo bem, não tem nenhum risco ali maior, né? Eh, sobre a questão estética. Então, é que quando que é o melhor momento para se preocupar de fato com isso, >> tá? Eh, assim, o o câncer de mama ele impacta muito nessa questão da da identidade feminina, né, da da autoimagem. Eh, e assim, hoje a gente, graças a Deus, eh, as mulheres que têm câncer de mama tem direito à reconstrução, tanto da mama doente quanto da outra mama, né? Isso tanto pelo SUS, quanto pelos planos de saúde. Então, isso é um é um direito. Eh, a gente tenta hoje em dia associar já a fazer tudo junto. Então, ó, eu vou precisar fazer uma cirurgia, vai tirar um pedaço, né? Vai fazer uma quadrantectomia, por exemplo, que é tirar o nódulo com um pouquinho de margem. Se a gente operar sua mama doente, eu vou causar uma assimetria. Então, a gente já tenta operar outra para deixar as duas semelhantes, tá? Então, quando possível, o momento ideal é na hora que já faz a cirurgia para tratar o câncer de mama. Tem mulheres que às vezes não dá para fazer, às vezes é uma doença que é muito avançada. Eh, o fato de eu fazer a cirurgia reconstrutiva acaba prolongando tempo cirúrgico. Então, às vezes é uma mulher que tem muitas comorbidades, que nem se falar assim, ah, ela diabética, pertence, é muito idosa, então às vezes, se eu for prolongar muito tempo cirúrgico, eu falo: "Não, vamos tratar primeiro o câncer e depois a gente vê a questão da reconstrução". Mas o que a gente tem tentado fazer é já aliar isso e já na hora do tratamento já faz a reconstrução. Isso é até uma maneira de eh melhorar eh como que eu posso explicar assim eh melhorar a percepção dessa desse momento de cirurgia, né? Uhum. >> Ao invés de pensar, poxa, é só é uma mutilação, eu eu estou tratando uma doença, eu tô tratando uma doença, mas eu tô fazendo também aquela mamoplastia que eu tinha vontade de fazer, né? A reconstrução de mama, o objetivo não é puramente estético, né? né? Então é diferente de fazer uma redução de mama porque o por estética, mas assim a gente consegue deixar um resultado satisfatório para a paciente. Então acho que é uma é uma maneira de eh reduzir essa esse sentimento ruim por conta do diagnóstico né? >> É, já é possível aproveitar então ali o o momento, né? >> Sim, sim. E assim, eh não só a cirurgi lá na hora, como depois. Então assim, às vezes a paciente operou do câncer de mama e aí daqui a 2, tr anos deu problema na prótese ou ó, tá ai doutora, eu achei que tá uma diferente da outra, dá pra gente melhorar? Dá. O convênio cobre isso também, mesmo as cirurgias subsequentes que sejam eh que possa ser necessário fazer. >> Uhum. Reconstrução também o convênio costuma cobrir, >> sim. >> Ligada ao câncer, ao câncer de mama. >> Sim. ligado ao câncer de mama e até mesmo em casos de lesões benignas, mas que causem deformidade. Então, às vezes a mulher tem um nódulo que é benigno, mas é um nódulo enorme. Eu operei uma paciente recente que ela tinha um nódulo de 8 cm. >> Era um nódulo benigno, mas assim, tava deformando a mama. E se a gente não fizesse a reconstrução ia ficar muito diferente uma da outra. A gente solicitou o convênio, autorizou. Eles geralmente eles tentam não, né? Tentam falar: "Ah, não, não precisa". Mas assim, a gente tem eh documentos ali da AN que falam que a paciente, quem tem câncer e quem tem lesão de mama que cause deformidade tem direito à reconstrução mamária. >> Então a gente faz lá os relatórios e a paciente consegue. Faz parte dessa preocupação também, né, doutora? Eu imagino a parte da vida sexual dessas pacientes. E eu imagino que às vezes até com a médica ou o médico, né, o ginecologista ou a ginecologista tem às vezes um certo bloqueio também de falar sobre isso, né, da tem um certo um medo, sei lá, aquelas aquele sentimento de bloqueio mesmo para tocar nesse assunto. Mas também é importante eh falar que influencia, né, durante esse tratamento aí do câncer de mama. >> Sim, sim. Eh, assim, eh, essa fase do tratamento é é complicada porque tem essa questão, né, de, olha, estou com uma questão na mama, vou operar, não sei como vai ficar. Eh, por conta aí, né, de preocupação com o tratamento, com a doença, muitas vezes a mulher não tem nem vontade de de ter relação, né? Então, eh, isso impacta sim. E uma coisa que impacta, né, no pós-tratamento para câncer de mama é que muitas mulheres elas vão precisar fazer um bloqueio hormonal. Então, as que t aí eh os tumores que têm receptores hormonais, a gente vai usar antihormônios. Então, às vezes, a mulher jovem, eu vou induzir uma menopausa nessa mulher de 30 e poucos anos para tratar o câncer de mama e eu induzindo menopausa nela, eu vou causar sintomas de menopausa, dentre os quais ressecamento vaginal. Uhum. >> Então isso às vezes pode impactar sim na vida sexual. Eh, então é uma coisa que a gente tem que est atento, né? tanto nós mastologistas como ginecologistas, eh, para não deixar a mulher só procurar ajuda quando ela já tá assim, nossa, tá terrível, não tem tá não tem nem como começar, né, uma relação. Então, é importante a gente já ir pensando nisso para não deixar deteriorar tanto a situação, >> chegar nesse nível, né? >> Exatamente. >> Uhum. E justamente falando nisso de chegar no nível, né, de o que deve ser feito, eu já queria antes da gente ir para aquele quadro Mitos e Verdades, que esse daí a gente já tinha feito aqui, né, na nossa, é, o clássico já da nossa última participação já, já teve >> e eu separei temas bem legais aqui, né, é, frases bem interessantes, dúvidas comuns, >> mas também outras mais curiosas. Antes eu queria só te perguntar sobre o que mudou, né? O que que você sente que tem evoluído nessa questão tanto de tratamento como também de prevenção? a gente fala bastante sobre isso. Foi um tema que eh ficou um pouco de lado nessa questão do auto exame ali. A gente já explicou, né, o motivo você explicou aqui, mas o que mais tem evoluído nessa questão de que tanto as pacientes tenham mais informação sobre isso, como na forma de tratamento mesmo, de ser mais moderno, enfim, de ser algo menos invasivo, talvez, não sei seja essa palavra, na vida dessas pacientes. Acho que uma coisa que é teve muita mudança nos últimos anos é a questão de estilo de vida, falar sobre estilo de vida, principalmente atividade física. Esses dias eu atendi uma paciente, ela falou assim: "Poxa, doutora, agora todo médico que a gente vai fica falando: 'Ai, você tá fazendo atividade física?' Eu falei assim: 'É, e vai continuar sendo assim'. E eu mesmo, eu mudei muito a minha consulta. Talvez assim, a paciente que passou comigo há vários anos, eu não comentei sobre atividade física com ela. A paciente que passa comigo hoje, eu vou falar sobre atividade física, perguntar se ela faz, se ela não faz, eu vou estimular a fazer, né? Então, é, e em congressos a gente tem tido aulas falando sobre isso, os benefícios de se fazer atividade física, no sentido da gente reduzir risco de câncer de mama, reduzir risco de recidiva. Então, na mulher que já teve câncer, se eu fizer com que ela faça atividade física, ela evita a obesidade, eu reduzo a chance do câncer voltar nela. Então, eh, o quanto que a gente tem cada vez falado mais e as pessoas têm se conscientizado que a atividade física não é escolha, ela tem que fazer parte do nosso dia a dia, né? Assim como a gente toma banho, escova o dente, come, a gente tem que fazer atividade física. Então, isso é uma coisa importante. Eh, em relação ao tratamento, eh, a gente tem cada vez mais tido, eh, tratamentos bem direcionados, né? Então, as imunoterapias, eu vejo se assim, ó, aquela paciente tem esse receptor aqui, então eu posso fazer um tratamento contra esse receptor. Então, essas terapiás alvo têm sido cada vez mais eh tem evoluído cada vez mais. estão pego, ó, paciente tem uma mutação do BRCA1, então eu posso utilizar essa medicação porque vai dar certo para ela, melhor do que para quem não tem mutação. Então a gente tem cada vez mais direcionado o tratamento para aquela paciente. Eh, uma outra coisa que tem evoluído, mas isso ainda em terreno de estudo, mas que eu acho que é o futuro, é realmente reduzir o as cirurgias. Então, tratamentos como eh crio, a a crioablação, então que é congelar a área tumoral. Então, invés de eu fazer uma cirurgia, eu vou lá com uma sonda e congelo aquilo lá, eu evito que a paciente faça uma cirurgia, eh, a ressecão de tumores por agulhas de biópsia. Então, acho que tratamentos cada vez eh menos invasivos, isso é o futuro. A gente até brinca, né, que no futuro talvez a gente vai perder o nosso emprego de cirurgião, né, mas isso é um futuro muito longo, mas as as estudos já estão sendo realizados nesse sentido. >> Sim. E agora, inclusive, eu falei que essa era a última pergunta, mas me veio uma que eu preciso fazer, >> que é polêmica. Inclusive, foi um assunto que a gente conversou aqui, o Dra. Alexandre, em uma das últimas gravações até a gente colocou um vídeo de bastidor aqui que a gente tava nem gravando oficialmente, mas a gente começou a conversar e acabou indo ao ar esse vídeo que ele achou tão bom >> que ele soltou o vídeo aqui na A gente vai deixar o link também. >> Doutora, você acha que já existe ou que um dia vá de fato vira à tona a cura para esse tipo de câncer ou para todos os tipos de cânceres? >> Para todos. Eu acho que não. A uma cura para todos não, porque eh os mecanismos eles são diferentes, mesmo dentro, considerando câncer de mama, eh é o mesmo nome para muitas doenças diversas. Então assim, eu acho que uma cura, eu acho que não. Eh, eu acho que o que pode acontecer é a gente conseguir diagnosticar cada vez antes e aí fazer esses tratamentos minimamente invasivos, que aí eu vou eh causar menos dano, né, menos efeito colateral para aquelas pacientes. Mas assim, >> um uma cura assim, ah, a cura pro câncer de todo >> Eu eu não acredito. >> É, >> o Alexandre acredita? >> Então, ficou polêmico, né? falou [risadas] bastante sobre essa questão. A minha pergunta justamente era: será para você então não existe algo que já tenha sido desenvolvido, por exemplo, que a indústria esteja segurando justamente por conta dos remédios que eles não querem deixar de vender algo pensando mais no lucro para você não existe ainda. >> Você você diz de já terem descoberto e não tá não divulgarem para continuar ganhando dinheiro com o tratamento. >> É para você isso é teoria da conspiração. Eu eu nunca tinha parado para pensar nisso, mas eu acho, eu não sou muito das teorias da conspiração, não >> é? A gente estava conversando inclusive para trazer para colocar quatro pessoas aqui, talvez duas desse lado e duas desse, para duas pessoas que acreditam que são fiéis na na teoria que de fato existe já e que a indústria só não soltou pela questão financeira. É. e duas pessoas que falam que não que que não existe ou que nunca vai existir. Então aí já fica >> esse episódio. Eu quero muito participar e fazer porque vai ser muito legal de polêmicas. >> Então agora vamos finalizar, doutora, com mitos e verdades. Alguns aqui a gente já acabou citando durante a nossa conversa. Eu vou falar dos mais interessantes, mas já começo com muito legal. Só mulheres acima dos 40 anos podem ter câncer de mama. Mito ou verdade? Exatamente. Mito. Mito total. Assim, a gente tem visto cada vez mais um aumento no câncer de mama em mulheres mais jovens. >> Você falou inclusive que te surpreende, né, das das Então você pega 30 e poucos anos, eh, 20 e poucos. Então, eh, a gente vai precisar mudar a maneira de rastrear, né? Porque hoje a gente recomenda a mamografia anual a partir dos 40 anos pra população geral, né? e começar antes em mulheres que t histórico de câncer de mama em mulheres jovens na família. >> Então, como que eu vou rastrear essas mulheres mais jovens, né? Então, isso é algo que >> que tá sendo >> pode mudar, >> pode mudar sim. >> Essa essa próxima aqui é uma curiosidade, com certeza vai chamar atenção. Homens também podem ter câncer de mama? >> Podem, podem, é raro, tá? Então, eh, câncer de mama em homem é 1% de todos os casos de câncer de mama. Então, para cada 99 mulheres com câncer de mama tem um homem. É bem raro. Eh, a faixa etária é mais avançada em relação à mulher. Então, mulher, o pico de incidência, câncer de mama é 53 anos, homem é 63, é mais acima dos 60. Eh, nódulo palpável, assim, homem não precisa fazer mamografia anual, tá? Mas perceber um nódulo palpável. né, mais endurecido, principalmente de um lado só, homem de mais idade, acima de 40, é importante procurar uma sologista, né? Às vezes eles acabam, né, negligenciando, né, porque homem, né, assim, eu estou sendo generalista, mas homem em linhas gerais eles só vão no médico quando não morrendo, entre a vida e a morte. >> Sim. >> O auto exame substitui a mamografia? Não, não, isso aí é é como eu falei lá, né anteriormente >> por isso que deixaram de falar tanto >> isso. Assim, a mamografia ela ainda é o exame, é o único exame que a gente tem estudo científico que comprova que reduz mortalidade para câncer de mama, tá? Em cerca de 30%. Por qu com a mamografia eu identifico lesões antes delas serem clinicamente palpáveis. Quando eu palpo um nódulo, quer dizer que ele já tem mais de 1 cm, 1,5. E na na mamografia eu consigo ver lesões de milímetros. Então, eh, não substitui. O fato de você não ter algo palpável é legal, mas se você tem mais de 40 anos, você precisa fazer a mamografia anualmente. >> Hum. Certo? Quem não tem histórico familiar não corre risco. Também é outro mito clássico. Somente 10 a 15% dos cânceres de mama estão relacionados à mutação genética, tá? Ou seja, 85% é eu brinco que é o raio que caiu, é alguém que foi sorteado ali. Esse daqui também é um que chama muita atenção, de curiosidade mesmo. Sutia apertado pode causar câncer de mama >> também é mito. >> Pelo amor de Deus, isso daí eu fiquei com medo. >> Sim. Não, mas já que tinha assim umas teorias que o o s tinha apertado, poderia pressionar os vasos linfáticos, tal. Mas assim, um mito, >> mito, >> tá? Amamentar reduz o risco de câncer de mama. >> Esse é verdade. >> É, >> é. Eh, não só amamentar, na verdade, ter uma gestação que chegue até o final é fator protetor para câncer de mama. >> Hum. Que legal. Por quê? A nossa mama só termina a sua, o seu desenvolvimento quando a gente chega no final de uma gestação. Então, a mama de uma mulher que não que não teve gravidez e não amamentou, ela é mais imatura do que a mama de uma mulher que teve gravidez. E uma eh uma mama mais imatura tem mais chance de ter erro na divisão celular do que uma mama madura, >> tá? Então, eh, essa é verdade. >> Nossa, essa é uma curiosidade mesmo, né? Já tem vários cortes aqui. A reposição hormonal na menopausa sempre causa câncer? >> Não, não. Isso. Inclusive ontem saiu uma notícia fresquinha que o FDA retirou da lista dos medicamentos, né, dos hormônios para reposição hormonal a tarja preta, porque eles tinham tarja preta falando que tinha risco aumentado para câncer de mama. Só que isso aconteceu por quê? Lá em 2002 saiu um estudo chamado WHI, que era um estudo sobre reposição hormonal, que mostrou um aumento de risco de câncer de mama. Tanto que o estudo foi interrompido. Só que o estudo era cheio de vieses. O tipo de hormônio usado era muito diferente, era hormônio derivado de urina de égua prenha. Eh, hoje em dia a reposição hormonal que a gente faz é com hormônio bioidêntico ou isomolecular, que são hormônios semelhantes aos que a gente produz, tá? Então, assim, eh, depois que reanalisou, quando saiu esse estudo, foi um escândalo, assim, aí todo mundo parou de prescrever, não pode, o hormônio da câncer, só que depois quando reavaliou-se, viu que ele tava cheio de vies, viu que eh a reposição hormonal até protegia do câncer de mama. Então, hoje a gente tem visto um um movimento de desconstrução disso de que o hormônio é ruim. O hormônio ele a reposição hormonal ela protege a mulher contra uma série de coisas, né? Protege massa neuronal, protege osso, protege músculo, reduz risco cardiovascular. Então, pensando em câncer de mama, eh, isso é mito. >> Tá certo? Doutora? Muito obrigada pela sua participação aqui no Amatocast mais uma vez. Como sempre, foi um papo muito interessante. Eu já vou deixar o espaço aberto porque sempre acaba surgindo uma dúvida ou outra. O tempo passa muito rápido, a gente não consegue falar tudo que a gente poderia, né? Mas a gente trouxe aqui os principais tópicos. Então vou deixar o espaço para pro pessoal comentar aqui no nosso vídeo para que a gente traga de novo você para falar sobre ou mastologia ou ginecologia, mas também vou deixar o espaço para você passar suas redes sociais, algum site que você prefira para quem queira marcar uma consulta ou enfim te procurar para acompanhar as suas postagens ou tirar uma dúvida mesmo sobre algum assunto que a gente trouxe. Pode falar qual que é. Bom, meu meu Instagram é o @dappriscilabeeatriz, tudo junto. Eh, agradeço mais uma vez o convite. É sempre muito gostoso. A gente nem vê a hora passar, na hora que vai falar: "Nossa, já passou uma hora, né? A gente um assunto vai puxando o outro". >> Eh, eu acho que é sempre importante a gente falar sobre câncer de mama, né? É o câncer que mais dá em mulheres e é uma doença que é curável. Quanto antes a gente fizer o diagnóstico, maiores são as chances de cura. Então, não perca a oportunidade de fazer um diagnóstico precoce, né? Não tenha medo de fazer um exame. Tenha medo de ter uma doença crescendo e você não saber que ela existe. Então, você que tem mais de 40 anos, faça mamografia anual, né? Perceber alguma coisa de diferente nas mamas, procure uma mastologista. Eh, cuidar-se é um ato de amor. >> Muito obrigada mais uma vez, doutora, e até a próxima, que a gente já tem um assunto aqui que a gente já falou para ser de próxima gravação, né? Obrigada mais uma vez. >> Obrigada. >> Já quero também agradecer aqui o nosso patrocinador da Matocast. Para quem já acompanha sabe, para quem tá chegando agora, a gente tem o patrocinador que é do laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco de Origem é qualidade de vida e prevenção. [música] [música] [música] Muito obrigada a você que acompanhou aqui até o final. Não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas em saúde de forma geral. Muito obrigada e até a pró.

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