O episódio aborda a segurança da anestesia moderna, desmistificando o medo histórico associado ao procedimento. O especialista, Dr. Carlos Lemos, explica que, a
A anestesia, a palavra anestesia significa não sentir, não só não sentir dor, como não sentir. Quando você fala, o membro está anestesiado, ele está dormente, o paciente de si mesmo não sente, pode ou não movimentar, mas ele não sente.
Para o anestesista avaliar, ser um paciente que possivelmente vai ser difícil de intubar ou não, porque aí nas anestesias gerais normalmente a intubação ela é necessária. Então se vai ser um paciente que pode ser difícil de intubar e aí ele precisa tomar os devidos cuidados de artifícios para pacientes que têm intubação difícil, se é um paciente que tem risco aumentado de sangramento histórico, de sangamento na família, se é um paciente que tem alguma disfunção orgânica, um problema renal ou um problema hepático, se ele tem problema cardíaco, problema respiratório.
O paciente entrou no centro cirúrgico, ele é responsabilidade do anestesista. Aí fez a cirurgia, o paciente foi para a sala de recuperação na anestesia, ainda dentro do centro cirúrgico, ele ainda é responsabilidade da anestesista.
Então vai desde estrutura hospitalar, então você precisa fazer o procedimento num ambiente que tenha uma estrutura adequada à avaliação adequada do paciente, então o risco cai sobre maneira, agora o risco que a população tem medo é o tal do choque anafilático.
Ou falar, eu tenho a energia de pirona, eu tenho a energia abesetacil, então o paciente que tem a energia, a gente já sabe, a gente evita aquelas medicações, na vida a gente evita todo o custo, medicações que o paciente sabe, ainda a mente tem a energia, porque a reação alérgica, quanto mais vezes você exposto aquele agente alergênico, mais grave vai se tornando a sua reação alérgica, porque o corpo começa a produzir mais, não é bem o de corpo, mas começa a reconhecer aquela substância de uma forma mais intensa e liberar mais substância para combater, mais proteínas para combater aquela substância.
Ameletícia, minha morte, está no ar mais um Amatacache pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve e qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos aqui convidados especiais no último para falar sobre medicina da dor e antes sobre embolização de tumores hepáticos. Como eu falei, o nome parece difícil, mas tem uma explicação bastante esclarecedora do nosso especialista. Hoje de novo nós vamos trazer aqui um convidado especial que é o Dr. Carlos Lemos, que é médico anestesista. Desta vez nós vamos conversar sobre a segurança do ato anestésico. Também parece um nome um pouco mais difícil, mas é bem simples. A gente vai falar sobre tudo que envolve anestesia, dúvidas que as pessoas têm, esse mito que as pessoas às vezes tem medo de fazer algum procedimento também por conta da anestesia. Aqui nos bastidores a gente estava falando bastante sobre isso e hoje eu vou apresentar o nosso especialista de hoje. O Dr. Carlos Lemos é médico anestesista formado em medicina pela Universidade Federal de São Paulo em 2008, tem experiência no ramo de emergência, residência e anestesia pela Universidade Estadual de Campinas e tem atuação em dor. Mais uma vez bem vindo, doutor. Bom dia, bom dia, é um prazer estar aqui de novo conversando com vocês. E a gente como estava antes aqui, nos bastidores da nossa gravação, as pessoas costumam ter muito medo da anestesia, tem vários mitos aí que a gente vai falar no episódio. Pois é, uma parte desse medo ele é justificado pelo passado. O princípio da anestesia realmente lá atrás, a anestesia de fato matava pessoas. E os cirurgiões existiam que ser muito rápidos justamente por causa disso, porque senão o paciente morrer da anestesia. Isso eu estou falando 40, 50, 60 anos atrás. Hoje em dia, não, isso de fato não é verdade, nem se aproxima da verdade, na verdade em qualquer cirurgia da menos complexa, a mais complexa, a anestesia ela é a parte mais segura de qualquer procedimento cirúrgico, desde que observados os passos que devem ser tomados para a realização de uma anestesia segura. E aí sim, entra a diferença. Então, o anestesista conheceu o paciente com tempo hábil antes da cirurgia, uma boa consulta de avaliação pré-anestésica, os exames, as avaliações, o histórico do paciente, tudo isso leva a um procedimento seguro. Quando você pula etapas, quem metapas não executa, as etapas devidamente, aí sim, aí você começa a correr riscos. Sim, a gente vai falar de todos aqui. Só um dia estar aqui uma frase para vocês que agora a gente tem uma novidade que é o patrocínio do AmatoCache, do laboratório Origem, que é especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco do Origem é qualidade de vida e prevenção. Doutora, agora vamos lá já começar nesse assunto que eu mesmo já acho super interessante, tenho várias dúvidas, eu tenho certeza que é a dúvida da maioria também. A anestesia de fato é qual que é o conceito da anestesia, para apenas para o paciente não sentir dor, por que que a anestesia precisa ser aplicada em alguns procedimentos? A anestesia, a palavra anestesia significa não sentir, não só não sentir dor, como não sentir. Quando você fala, o membro está anestesiado, ele está dormente, o paciente de si mesmo não sente, pode ou não movimentar, mas ele não sente. Hoje em dia a anestesia como conceito, ela é muito mais ampla, ela vai muito além de fazer o paciente não sentir dor. Ao contrário do que muitos pensam, quem é responsável pela vida do paciente durante uma cirurgia, não é o cirurgião, é o anestesista. Então é o anestesista que fica de olho nos batimentos cardíacos do paciente, na pressão arterial do paciente, na oxigenação do paciente, nas cirurgias mais complexas, é o anestista que cole exames de sangue ali no laboratório, para saber se o paciente está bem, se ele não está bem, o que precisa ser feito em matéria de drogas, de oxigenação, de ventilação do paciente. Enfim, quem mantém o paciente vivo e na melhor condição para o cirurgião executar a cirurgia é o anestesista. Então o anestesista ele é um profissional intensivo que cuida da vida do paciente durante a cirurgia. Doutor, você falou sobre esse pré, esse processo pré-cirúrgico, pré algum procedimento que é muito necessário para o anestesista entender esse processo ali com quem ele vai ter esse contato, acontece muitas vezes das pessoas terem esse primeiro contato com a anestesista na hora da cirurgia, que o paciente está deitado ali já na cirurgia, o anestesista com a folhinha já aconteceu com muitas pessoas, tem certeza que alguém vai pegar referência. Isso é normal? Isso ainda é o normal, mas não é o ideal. Então eu no meu consultório, fora atender pacientes com dor, eu atendo pacientes em pré-operatório, principalmente pacientes complexos, mas não somente. Então você tem o paciente que pode ser complexo, a cirurgia que pode ser complexa, mas invariavelmente o ideal é que todo paciente passe como anestesista, com o tempo abriu antes da cirurgia, para quê? Para o anestesista avaliar, ser um paciente que possivelmente vai ser difícil de intubar ou não, porque aí nas anestesias gerais normalmente a intubação ela é necessária. Então se vai ser um paciente que pode ser difícil de intubar e aí ele precisa tomar os devidos cuidados de artifícios para pacientes que têm intubação difícil, se é um paciente que tem risco aumentado de sangramento histórico, de sangamento na família, se é um paciente que tem alguma disfunção orgânica, um problema renal ou um problema hepático, se ele tem problema cardíaco, problema respiratório. E aí quando a gente tem tempo para fazer isso, a gente tem tempo para planejar a anestesia. A anestesia não é uma receita de bolo, não é uma dose de anestesia, a anestesia é um ato contínuo. Então a anestesista é sempre o primeiro a chegar, e é sempre o último a ir embora. O paciente deixa de ser responsabilidade do anestesista a partir do momento em que o anestesista devolve ele para unidade de internação. Então o que é isso? O paciente entrou no centro cirúrgico, ele é responsabilidade do anestesista. Aí fez a cirurgia, o paciente foi para a sala de recuperação na anestesia, ainda dentro do centro cirúrgico, ele ainda é responsabilidade da anestesista. O paciente foi para a enfermaria, aí ele é responsabilidade do hospital, do anestesista e do cirurgião. Foi para casa, aí realmente o anestista já não tem mais a responsabilidade, porque já acabou o ato anestésico e as suas consequências. Mas o anestesista é o primeiro a chegar e o último a ir embora. Ou deixa de ser responsabilidade do anestesista quando ele entrar um paciente para o TI, por exemplo. Aí sim deixa de ser responsabilidade do anestesista. Então o anestesista tem que conhecer o paciente, tem que conhecer o cirurgião e tem que conhecer o procedimento que vai ser realizado. Por isso que acaba sendo estranho a situação de chegar ali no momento e enquanto o paciente está deitado ali já na marca pegar a ficha e as pessoas usam como exemplo. Isso é um hábito que vende muito tempo atrás. Na residência médica ainda é assim, em alguns serviços ou alguns já estão mudando, mas o cirurgião também precisa mudar a cultura dele. O cirurgião idealmente ele tem que ter o anestesista ou o grupo de anestesistas que o atende e ele precisa criar essa cultura de falar para o paciente, você precisa passar com o anestesista para a gente avaliar. E frequentemente o paciente passa com um cardiologista, passa com um pneumologista que não precisaria, dependendo do paciente e às vezes só passar com a anestesista já resolveria. Outros pacientes não, outros pacientes precisam passar com o cardiologista, precisam passar com o pneumologista para deixar o paciente na melhor condição possível para operar, mas precisa criar essa cultura da consulta, da avaliação preanestésica feita com o tempo hábil porque isso reduz significativamente os riscos relacionados à anestesia que hoje em dia já são baixos. Sim, e a gente comentou bastante sobre a segurança do ato anestésico, você diz que hoje é muito difícil de acontecer alguma situação nesse sentido, mas claro que como várias pessoas já citam, que também seja para esse tipo de situação, do ato anestésico de fato que é o título aqui do nosso episódio, nada é 100% livre de risco na vida, seja na área médica ou não, até qualquer coisa que você vá fazer na vida tem algum, alguma porcentagem de risco na parte da anestesia, esse risco está relacionado aqui, doutor? Está relacionado a cada área de intervenção, então o primeiro risco que é um risco grande, muito temido pelo anestesista, é as complicações de viaé, então é o paciente que faz um aringo espasmo ou um bronco espasmo, ou seja, contraia viaé, e aí você não consegue ventilar o paciente, é um paciente que o anestesista não identificou que poderia ser uma entubação difícil e descobre na hora que é uma entubação difícil e não consegue entubar o paciente, isso é o que efetivamente mata pessoas por conta da anestesia unicamente falando, né? Mas a incidência disso é muito, muito, muito pequena, desde que o anestesista tem avaliado o paciente direito, e além disso, aqui em São Paulo, principalmente, a maior parte dos hospitais tem ali uma maleta, um carrinho de viaé difícil de emergência, que tem vários dispositivos para possibilitar a obtenção de uma viaé segura para ventilar o paciente, né? Então vai desde estrutura hospitalar, então você precisa fazer o procedimento num ambiente que tenha uma estrutura adequada à avaliação adequada do paciente, então o risco cai sobre maneira, agora o risco que a população tem medo é o tal do choque anafilático. Isso, já tava aqui no meu então a gente tem que diferenciar reação alérgica, anafilaxia e choque anafilático. Reação alérgica, normalmente o paciente já sabe que tem, né? Ou falar, eu tenho a energia de pirona, eu tenho a energia abesetacil, então o paciente que tem a energia, a gente já sabe, a gente evita aquelas medicações, na vida a gente evita todo o custo, medicações que o paciente sabe, ainda a mente tem a energia, porque a reação alérgica, quanto mais vezes você exposto aquele agente alergênico, mais grave vai se tornando a sua reação alérgica, porque o corpo começa a produzir mais, não é bem o de corpo, mas começa a reconhecer aquela substância de uma forma mais intensa e liberar mais substância para combater, mais proteínas para combater aquela substância. E aí anafilaxia é uma liberação maciça de IgE que é uma proteína alérgica do corpo. E anafilaxia ela não tem tanta coisa a ver com o choque anafilático, o choque anafilático é uma reação brutal do organismo a uma substância e ela é imprevisível, só que ela é muito menos frequente do que é noticiada na TV e ela é muito, muito, muito, muito menos frequente do que as pessoas acham. Eu tenho já, nossa, elas é 13 anos já na anestesia. Eu comecei a fazer as contas. Eu nunca vi, nunca vi, ouvi falar, sabe, o homem? Então, eu ouvi falar, eu sei que existe, não estou falando que é mito, nada disso. Mas isso é causado por conta da reação alérgica também? Não, não. É algo do nada? É algo do nada, tá? A gente sempre, na avaliação para anestesias, que a gente pergunta, né? História, familiar, de problema com anestesia e etc, mas ela é imprevisível. E o que acontece? O corpo ele toma contato com uma substância, ele desenvolve uma reação brutal, que a pressão do paciente despenca, despenca. E difícil, as drogas que normalmente a gente usa para aumentar a pressão não fazem efeito, a única droga que faz efeito é adrenalina, tá? Mas como eu disse, apesar dela ser imprevisível, a incidência disso é baixíssima, errisória. A taxa de complicação, né, anestésica, o lato senso que vai desde quebrar um dente na intubação, né? A taxa de complicação é de uma para duas mil anestesias. As taxas de complicação graves já é da ordem de uma para duzentas mil anestesias. E a taxa de complicação grave com o desfecho final de óbito é de mais de um para dois milhões, né? O que acontece? Normalmente, o que é noticiado na TV e que dizem que foi relacionado à anestesia não é relacionado à anestisia por si. É relacionado à não observância a um dos procedimentos de segurança. Então, estrutura hospitalar, procedimentos que foram feitos que não deveriam ter sido feitos, mas na imensa maioria das vezes é estrutura hospitalar, né? E uma não avaliação adequada do paciente. E o choque anafilático, Dr. Caso, tem a pessoa sem prever o médico, sem prever, acontece. Isso é o que você viu ali no momento com a estrutura correta? É reversível. É reversível. É uma uma afecção preocupante, né? Que tem o seu índice de letalidade que não é baixo, mas é reversível. É reversível. Hoje em dia, a gente tem algumas reglamentações relacionadas à anestesia que não é muito, né? A taxa de complicação e a principal delas é o anestesista responsável por uma única anestesia, um único paciente de cada vez. Então, até não muito tempo atrás, na cidade de São Paulo, uma anestesia, uma anestesista, fazia várias anestesias ao mesmo tempo. Duas, três, quatro, né? Então, eram pacientes concomitantes. E, infelizmente, o anestesista não estava apressando atenção, né? 100% do tempo. Há todos os pacientes. Ou a anestesista sai da sala, vai tomar café, vai ao banheiro, vai passear, vai conversar. Isso aconteceu antes. Hoje em dia não pode. É o tempo inteiro ali na sala. É o tempo inteiro dentro da sala. O anestesista fica lá, no cantinho dele dentro da sala, sem sair, sem fazer nada. As pessoas costumam ter medo também de acordar no meio da anestesia, né, doutor? Imagino que muita gente chega pra você na consulta e fala, mas isso é acordar no meio. Isso acontecia, por que que acontecia? Aí tem risco de acontecer? Acontecia. Acontecia e não era pouco. Porque antigamente usava-se principalmente gás, né, pra manter o paciente dormindo. E o gás, ele causava uma queda muito grande da pressão do paciente. E, às vezes, em alguns pacientes, tinham um descolamento. A queda da pressão, a gente entende que é um nível anestésico. Então, quanto mais baixa a pressão, mais alto o nível anestésico. Então, a gente acabava diminuindo um pouquinho a concentração de gás que tá dando, pra pressão e subir pra um nível mais seguro. Mas alguns pacientes, eles tinham um descolamento entre nível de consciência e pressão causado pelo gás. Ou seja, a pressão dele mais do que ele dormia. Hoje, o gás anestésico ele ainda é usado por alguns anestesistas. Eu, particularmente, não gosto, mas ele é um anestésico bom de utilizado. Mas a maior parte dos anestesistas hoje, nos hospitais que têm estrutura, eles usam uma droga venosa pra manter o paciente dormindo, que é o propofol. E uma droga venosa pra manter o paciente sendo, que é o opioide, pode ser o hemifentanil, enfim, qualquer que seja. E aí, a gente consegue balancear entre o quão dormindo tá o paciente e o quão sentindo dor tá o paciente. Além disso, surgiram os novos monitores de consciência, que é o popular BIS. E agora existem outros, tipo CONOX, enfim. Que é um mini-eletroencephalograma, uma tira que a gente cola na testa do paciente, que vai tendo a quantidade de impulsos elétricos e a característica desses impulsicos elétricos cerebrais. Isso é convertido num número, e esse número diz se o paciente tá mais acordado ou mais dormindo. É claro que existem outros dados, só esse dado não garante que o paciente tá dormindo ou não. Mas, hoje em dia, o índice de consciência intraoperatório é baixíssimo. E o índice de consciência que o paciente efetivamente se lembra da cirurgia, que acontecia bastante no passado hoje em dia, não acontece mais. Coisa do passado, graças a Deus. São até as dúvidas mais convus que realmente precisa, as pessoas ainda falam muito, né, como se fosse algo frequente que acontece. E um que a gente tinha citado aqui nos bastidores também, questão do índio. As pessoas têm muito medo de como vai voltar da cirurgia, não só do índio, mas de qualquer outra consequência. Então, queria que você comentasse um pouco sobre o que que só acontece, se depende de fato da técnica utilizada pelo anestesista, da quantidade utilizada por aquele anestesista e se, de fato, existe o risco de alguma consequência mais grave nesse sentido no momento que a pessoa retorna da anestesia. O Injou, pôs anestésico, pôs operatório, ele pode acontecer. Ele varia em função de sensibilidade pessoal, né, as drogas anestésicas utilizadas, sobretudo os opióides e os gases anestésicos. Então, por isso que eu não gosto tanto de usar o gás, porque ele tem uma correlação aumentada com nausas e vômitos no pós-operatório. A cirurgia em si, então, cirurgia ocular da mais nausa, cirurgia de ouvido da mais nausa, cirurgia laparoscópica, né, que é pela via laparoscópica que é por vídeo, né, por câmera dentro da barriga, pode dar mais nausa, cirurgia do abdômen superior, então de vesículas, estólagos, dão mais nausa. E aí você pega uma avaliação pré-anestésica bem feita, então o paciente fala, olha, eu já fiz uma cirurgia e eu tive muita nausa no pós-operatório. Você avalia o paciente e fala, não, ele vai passar por uma cirurgia de ouvido da mais nausa. O anestésio é isso, ele tem que lançar mão de drogas que causam menos nausa, ou seja, uma menor quantidade de opióide, então você utiliza recursos para diminuir o consumo de opióide, anestesia regional, analgesia multimodal, você usa a menor quantidade de uma maior, uma menor dose de uma maior quantidade de drogas, né, você diversifica as drogas que você usa para diminuir a nausa, sem prejudicar a analgesia do paciente, e você lança a mão de mais anti-eméticos, então você tem drogas que cortam o vômen, de categorias diferentes, então, por exemplo, vamos supor que você fosse passar por uma cirurgia que eu fosse seu anestesista, e você me disse, ah, doutor Carlos, eu tive muita nausa no pós-operatório, eu não vou só fazer um remédio para evitar a nausa e vômen. Vou fazer dois, três, quatro, né, então eu posso usar o plasio, o sofran, o digesan, o dramim, tudo isso junto, né, para evitar que você tenha a nausa, e a nausa, e os vômen, ela pode trazer repercussão? Pode, dependendo da cirurgia, né, então, uma paciente que tenha feito uma cirurgia de face, uma senhora que fez uma histerectomia, aquela cirurgia aqui, daquela esticadinha, né, o esforço causado pelo vômento pode romper vasos, reabrir vasos que foram cautelizados durante a cirurgia e fazer um hematoma. O hematoma prejudica a cicatrização, o hematoma pode aumentar o risco de infecção. Ah, o paciente que fez uma cirurgia de hérnia, que botou uma tela, o esforço do vômento pode romper o ponto ali, que segura aquela tela, e aí causar uma recidiva, né, um retorno da hérnia no futuro, pode. Agora, nenhuma complicação grave relacionada às nausas e vômenes a no seu mal-estar e essas complicações do pós-operatório. E alguma outra complicação, doutor, que não esteja relacionada à nausas e vômenos? Eu já escutei pessoas falando também, acho que isso é de sejam mitos, mas é melhor a gente esclarecer, né, sobre movimentos nas pernas, por exemplo, que as pessoas tinham medo de voltar da anestesia sem movimento, enfim, nesse nível. O AHA, que é a anestesia, que é uma das anestesias, né, a anestesia regional, ela temporariamente bloqueia a movimentação das pernas, de acordo com a dose, enfim, o nível que você faz. Mas isso é temporário, né, volta a mexer. Porque não dificilmente existe uma complicação relacionada à anestesia regional, né, do neuroeixo, então, tanto a AHA, que conta a peridural, que é quando lés a um vaso e aquilo lá cria um hematoma que comprime a medula e aí o paciente tem que passar por uma cirurgia de urgência de descompressão. Mas isso, o paciente tem que ter um problema prévia. E a gente está falando de casos raríssimos, né, voltando a dizer. Mais raro do que o choque anafilático, tá? Então, o que acontece? Se o paciente tem uma coagulopatia prévia ou desenvolvida durante a cirurgia e, de novo, isso é muito raro, tá? A ponta da agulha pode lesar um vaso que gera um sangramento que cumprime a medula. Mesmo assim, isso tem tratamento, né? Se identificado e direitinho tem tratamento. Mas isso é muito raro. O paciente tem que ter um problema prévio. Então, um paciente que já tenha hemofilia, que tenha uma coagulopatia prévia de nascência ou adquirida. Então, por exemplo, paciente que pegou dengue, hemorragica. É uma coagulopatia adquirida, né? A anestesia, isso nunca vai fazer uma heart anestesia. É um paciente que tem a dengue, né? Porque caiu a plaqueta, ou seja, é um paciente de risco aumentado de sangramento. Então, ele não vai fazer. É um paciente que vai fazer uma cesária, por exemplo, uma gestante que desenvolveu uma síndrome HELLP, que eles chamam, né? Que cai em as plaquetas e o paciente tem coagulopatia por conta disso, que é uma afecção também rara da gravidez. Normalmente, na cesária, a gente faz a anestesia geral. Nesse caso, nunca o anestesista vai fazer a anestesia geral, vai fazer a anestesia geral, né? Porque o paciente não vai ver o filho nascer, mas em compensação depois ela vai andar e ver o filho nascer. Então, dificilmente vai acontecer algo desse tipo. O risco existe, existe. Mas, de novo, se não observadas as etapas da segurança. Coisas mais simples como dor de cabeça persistente depois da anestesia, isso costuma acontecer mais frequente? Isso é mais frequente, tá? Existem cephaléias distintas, né? Existe o paciente que volta da anestesia geral com dor de cabeça, que normalmente é uma cephaléia mediada pelos opióides, né? Que tem tratamento e é um tratamento simples e que resolve rápido. E existe a dor de cabeça por conta da anestesia regional ou da pele dural, tá? Que é a cephaléia pós-punção ou que na maioria das vezes o tratamento é simples com remédio e hidratação. Eventualmente precisa de algum tipo de intervenção, né? A principal intervenção é o que a gente chama de blood patch ou tampão sanguíneo, em que o paciente ou o médico anestesista acolhe sangue da v do paciente, vai onde, no buraquinho onde foi feito a anestesia, entra com uma outra agulha e joga sangue ali. O sangue cala um tampão, né? E uma das teorias aceitas é que ele impede que continue vazando o líquor por ali e resolve a dor de cabeça, né? Mas essa dor de cabeça ela pode acontecer, mas normalmente não tem problemas maiores do que a simples dor de cabeça. Sim, agora uma última dúvida, porque o nosso, inclusive a chamada do episódio é segurança da anestesia, né? Já vi muitas pessoas, inclusive quando mandar a sugestão do tema, perguntaram relacionado a medicamentos controlados, né? A anestesia com medicamentos controlados. Muitas pessoas, inclusive próximas, já escutei falar que tem medo de fazer uma cirurgia por conta da anestesia, sabe que vai precisar da anestesia? Toma o medicamento controlado, tem medo de que a condição que faz a pessoa tomar esse medicamento controlado, piore muito depois da anestesia. Isso de fato, por exemplo, depressão, doutor, citando algo específico, né? Quem toma medicamento todos os dias. Isso pode de fato acontecer? Não, tá. O que acontece é o seguinte. A anestesia mexe com neurotransmissores, né? Então, o paciente pode ter uma intensificação do quadro depressivo após operatório, ela não porque ela parou de tomar o remédio, do mesmo jeito que ela teria, por exemplo, se ela tivesse sem beber dado, tá? Porque mexe com neurotransmissores, com receptores específicos no cérebro e... mas isso é uma condição transitória de curta duração, tá? Na verdade, você tem algumas classes de medicamento que não são controlados, que precisam ser observados se precisa suspender ou não antes da cirurgia. Então, remédios para diabetes, normalmente precisa. Remédios para pressão, normalmente não pode interromper o uso. Remédios para a intimia, normalmente não pode interromper o uso. E remédios para depressão, para epilepsia, remédios controlados, os tarjapretas, normalmente não precisa suspender. Alguns sim, os inibidores da monoamina oxidase e etc. Mas normalmente você só suspende um, dois, três dias no caso dos antidepressivos, etc., no caso dos antidiabéticos também, para evitar complicações durante a anestesia e evitar alterações no efeito dos anestésicos. E depois, passou a anestesia e volta a tomar, tá? Os únicos remédios que aí sim eu queria frisar por isso que a gente é na parte de segurança do paciente, são os antidiabéticos que hoje em dia são usados para emagrecer. Então, vou falar os nomes comerciais mais fáceis do que o princípio ativo. A gente falou mais já aqui. Sacenda, Ozenpique, Victosa, Ribelsus, Oigov, Monjauro. Esses remédios não é que eles interferem na anestesia em si. Um dos mecanismos de ação desses remédios é o que guardo no esvazimento gástrico. E aí, o que acontece? O paciente que usa esse remédio, se ele não interromper no período necessário que varia de dois, um, dois, até vinte e um dias antes da anestesia, o jejum do paciente não vale, ou seja, ele vai chegar para a cirurgia com estômago cheio. E aí, qual é o problema do estômago cheio? Na hora que a gente induz a cirurgia do paciente ou a sedação, tem um relaxamento da válvula que mantém tudo que está no estômago parado no estômago. Na hora que relaxa, que o paciente está deitado, aquilo volta e pode entrar dentro do pulmão do paciente. Então, não é que esses remédios vão interagir com a anestesia. Não. O paciente vai chegar com estômago cheio e com estômago cheio, salvo uma condição de emergência, eu não posso anestesiar o paciente, porque senão eu vou estar imprimindo um risco muito maior para o paciente do que aquela condição que motivou a cirurgia. Isso vale um corte inclusive aqui para nosso episódio, porque está sendo muito comum, doutor, as pessoas utilizarem essas canetinhas, a maioria caneta, como se fosse algo muito simples. Vários outros especialistas já falaram aqui sobre esses medicamentos que podem ser muito úteis, mas que, como sempre, com a condição médica, então essa parte da anestesia ninguém nunca tinha citado muito importante. Muito importante, ainda mais pelo uso indiscriminado. E ainda mais que no Brasil o que envolve dinheiro envolve golpe. Então, tem vários desses remédios que têm sido falsificados, trocados por outros remédios. Então, tem sim que tomar muito cuidado com o uso indiscriminado. É que sob a orientação que eu compro, do direitinho, na farmácia, desconfia de preços muito abaixo do mercado. E principalmente, quando vai fazer uma cirurgia, não esqueça de falar para o seu médico e para o seu anestesista que faz usar essa medicação. Eu já suspendi quase uma centena de cirurgias por causa do uso desse remédio e não tem meio termo, não tem negócio. Se está usando remédio e não suspendeu com o tempo hábito necessário, a cirurgia vai ser suspensa. Importante. Agora, a gente não pode deixar de citar os tipos, os principais tipos de anestesia. No outro episódio a gente já tinha passado mais ou menos entre essa diferença, o que é anestesia geral, o que é sedação, mas acho que muitas pessoas que vieram procurar o episódio também estão esperando para ver como é definida cada tipo de anestesia. De forma mais geral, doutor, anestesia geral que é a mais utilizada? A anestesia geral é a mais utilizada, que a anestesia geral compreende que o paciente não vai ter consciência, não vai se mexer e não vai sentir dor. Então garante, inconsciência, anestesia. E quando o paciente tem isso, frequentemente ele perde o drive respiratório, ou seja, ele não sente a necessidade de respirar, então alguém precisa fazer ele respirar a força. Então ele é conectado num carrinho de ventilação. Pode ser pela intubação, ou outra queal, nas outra queal ou pela máscara larinx, que a diferença é que a máscara larinx ela para na garganta e não entra pela anestesia, mas a máscara larinx para procedimentos de curta duração. Uma, uma hora e meia no máximo. E a intubação não, a intubação aí pode ficar até por dias. Isso é a anestesia geral. A sedação ela vai, deja ansioles em que o paciente continua acordado, mas calmo. Existe a sedação consciente de que o paciente está acordado, calmo e responsivo, mas se você não tuca, não chama, ele acaba cochilando. Aí você tem a sedação leve, que o paciente está dormindo, mas qualquer estímulo doloroso ele vai acordar e reage. Existe a sedação moderada, em que um estímulo doloroso um pouco ele mexe, que a gente chama de localizador, então se você enfiar uma agulha, um bisturino no braço do paciente, ele vai retirar o braço, mas ele não pode não ter consciência disso. E a sedação profunda, que o paciente ele faz menção, né, da dor, se você cutuca, corta, ele até se mas ele definitivamente não vai lembrar. E a a sedação ela é relegada para procedimentos que praticamente não doem ou procedimentos que doem sob alguma outra técnica anestésica. Então, a anestesia local, a anestesia regional e o que que é a anestesia regional? A anestesia regional eu injeto anestésico ou num tronco nervoso, por exemplo, aqui no pescoço passa o plexo braquial, que enerva o braço. Eu posso fazer uma sedação, pegar o ultrassom, identificar o plexo braquial, entrar com uma agulinha ali, que praticamente não dói, jogo anestésico ali, interrompa a transmissão daqueles nervos, ou seja, ou seja, não pode de fato operar, amputar o braço do paciente e o paciente não vai sentir. E é, ele só precisa de uma sedação ou marra que anestesia, que vai amortecer tudo daqui da barriga para baixo e a sedação. Então, a gente já falou de sedação, anestesia regional e anestesia geral, que são os três tipos de anestesia. Regional e local, a mesma coisa? A regional ela é maior do que a local, a local é quando a anestesia está em filtro, ou o cirurgião, infiltra anestésico ali na pele, numa região delimitada. E aí aquela região pode ser cortada ou operada porque ali não vai sentir nada, é algo pequeno. Então, vai fazer uma cirurgia de túnel do carpo, ou anestesia pode fazer só uma sedação, o cirurgião infiltra ali e aí ele pode fazer um cortezinho e abrir o túnel do carpo e pronto acabou. Aqui na anestesia local, vai tirar a cinta, são coisas pequenas. A anestesia regional ele pega segmentos corporais. Então, o braço inteiro, o braço para frente do cotovelo, o punho inteiro com as mãos, as pernas, essas são as anestesias regionais. Sim. E, doutor, qual é a diferença entre essas anestesias quando de fato um especialista, um médico anestesista para fazer e quando pode ser utilizado por outro especialista? Como, por exemplo, essa local que é um cirurgião que pode ir ali, algo simples, resolver por conta própria, sozinho no consultório mesmo. A anestesia local pode ser feita virtualmente por qualquer um, qualquer médico ou dentista. O dentista pode fazer a anestesia local dos segmentos que ele for mexer ali na região orofacial do paciente ou a partir do momento que envolve consciência, ou seja, sedação, anestesia geral, aí idealmente um anestesista, não é? Precisa estar lá, mas são sempre médicos. Porque um médico vai executar o procedimento e um outro médico vai ficar responsável pelo paciente de maneira geral durante aquele período em que ele tiver a consciência reduzida. Idealmente um anestesista, mas não necessariamente. As anestesias regionais, então, hacke anestesia, pere-dural e os segmentares, aí é um anestesista. Obrigada a vocês que tem que fazer. Agora que a gente discute muito aqui, já faz um tempo que a gente não cita, mas várias vezes a gente já citou sobre os não médicos que fazem procedimentos anestésicos, que fazem, às vezes nem são anestesistas, que se apresentam, a gente teve um caso de repercussão, nossa, que é o Pílin de Fenol, que deu o que falar na época, que teve uma discussão que precisava de fato da anestesia, que não teve, que é a pessoa que se apresentou como anestesista, nem era anestesista e a pessoa teve uma complicação ali no momento e no momento de desespero o profissional, se é que a gente pode dizer assim, oferecer um copo d'água para aquele homem para que ele melhorasse do sintoma que ele estava dizendo, chamaram o Samu e ele não, acho que você deve ter visto, né, esse caso. É o resumo para quem não acompanha, mas acho que muita gente deve ter, a maioria deve ter visto. E aí chamaram o Samu, mas não foi o suficiente e ele entrou em óbito. Então, doutor, acaba sendo comum, né, pessoas não especialistas utilizarem esse tipo de... Exatamente. E o que acontece? A segurança anestésica hoje em dia é tão grande que as pessoas se sentem confortáveis, as pessoas perdem o medo por ignorância. Então, o que acontece? Todo anestésico local, então, Lidocaina, Hipovacaina, Bupivacaina, Mepivacaina, que são os anestésicos que o cirujão ou anestesista injeta. Todos eles são cardiotóxicos. Todos eles podem induzir parada cardíaca, parada respiratória. Então, todos eles têm dose teto, dose limite, dose de segurança, que é uma dose que, virtualmente, nenhum paciente vai ter qualquer tipo de problema relacionado àquele anestésico local naquela quantidade. Só que é uma dose muito segura, né? Obviamente, é uma dose de segurança, ela tem que ser segura para 99% da população. E na maioria das vezes, se você extrapolar essa dose de segurança, não acontece nada com o paciente. Na maioria das vezes. Às vezes, acontece. Então, tem pacientes que são submetidos a procedimentos estéticos, que o profissional que está fazendo o procedimento estético, aplicando anestésia local, vai lá, o procedimento. Aí, o passa mais ou menos a duração daquela anestesia local, mas não é que o remédio deixou de circular. Não, ele só parou de agir ali, ele ganhou a circulação. Então, o anestésico ele é retirado daquele lugar, ele ganha a circulação, aí ele é metabolizado, aí ele é eliminado. Então, antes dele ser eliminado, ele está na corrente sanguínea. Aí, o paciente voltou a sentir, aí vai lá o médico ou o profissional, injeta mais anestésico. Aí, continuou o procedimento. Ou, ele passa para uma outra área, e aí vai fazer um outro procedimento numa outra área e vai somando a dose, e vai somando a dose, e vai somando a dose até que tem uma parada cardíaca. E aí, só no que a vez, o profissional acha que o paciente teve um choque anafilático. Não, ele teve uma dose tóxica de um anestésico local que levou uma parada cardíaca. Isso vale até para a pomada, doutor? Vale até para a pomada, porque o profissional passou uma pomada com anestésico. No rosto, aquilo entra na pele, embaixo da pele tem os vasos sanguíneos, aquilo é absorvido pela corrente sanguínea, levado e metabolizado. Não é que ele é destruído ali, que ele perde, não, ele é captado e metabolizado. Então, se você, por exemplo, você tem anestésicos tópicos que são muito potentes, que às vezes tatuador usa, esteticista usa. É isso que você está, porque às vezes é aquela, essa boca que está todo mundo colocando, aquele brown lamination lá, que deixa, isso aí acho que não usa agulha, mas sabe, você usa no rosto assim, eu já vi vários, eu ser mulher, a gente sempre está cada vez mais famosa esses procedimentos e normalmente é com pomada. E é muito comum ser esteticista que faz, passa mil vezes a ver a pomada, passa a ver, passa de novo, passa de novo. É, passa mil vezes, às vezes passa em áreas extensas. Ah, vai fazer, eu nem sei se usa, por exemplo, vai fazer a crio lipólise, que, acreditei, o que doa. Aí vai, vai fazendo a barriga inteira, no dorso, no culote, no bumbum, passa a pomada anestésica no corpo inteiro. Imagina a quantidade de pomada nessa área de pele grande, o quanto de anestésico é absorvido numa velocidade rápida e que ganha corrente sanguínea. O risco de acontecer é altíssimo. Então, você pode lançar mão das pomadas, mas saiba quanto você pode usar daquilo, né? E trabalhe sempre dentro da margem de segurança, seja dose de segurança. É, isso é bem específico, porque às vezes as pessoas vão nos esteticistas, igual, essa pessoa não sabe qual que é a margem de segurança ou a pessoa usa por conta própria, porque eu, por exemplo, sem semétrica, ou quanto pode usar ou não, né? E aí passa o efeito, você quer usar de novo, então o recomendado é que seja algo ali rápido, doutor, e que caso não faça efeito, que vá uma outra vez para refazer, se precisar. Exatamente. Os anestésicos tópicos, eles têm uma característica que eles são bastante difusíveis, né? Então, eles são bem absorvidos pela pele. Consequentemente, a duração deles é menor, né? Porque se ele é muito difusível, se ele atravessa barreiras muito fácil, a dura, ele segue um gradiente de concentração, ele vai do mais concentrado, para o menos concentrado, então ele acaba desgotando muito rápido, né? Naquele lugar que você passou. Enquanto maior a potência, menor a duração. Então acaba que é necessário passar várias vezes, e nem sempre isso é possível, então tem que tomar muito cuidado. Doutor, agora sobre a anestesia peridural e a hialidiana, que essas também a gente falou bastante no local já, a hialidiana é muito conhecida para cesária, né? Isso. Mas para qual mais também, qual o procedimento que costuma ser utilizado? Nossa, uma infinidade, tá? Porque qual que é a diferença da peridural para a haquidiana? As duas são feitas nas costas, tá? A diferença é onde para a ponta da agulha, né? Então imagina que aqui está a medula, né? Aqui está a pele das costas do paciente, a agulha ela vem entrando de fora para dentro, a haquidiana ela de fato entra no canal medular onde tem o licor, né? Então você injeta o anestésico ali, ele se difunde, ele banha a medula por si só, né? A peridural, ela para um pouquinho antes, num espaço que ele é criado, é um espaço peridural. Ele existe, na verdade o espaço em si ele não existe, ele é um espaço entre duas estruturas, né? Então a dura mater, né? E o ligamento amarelo, que é o ligamento que passa ali entre os corpos vertebrais. Na hora que o anestesista, né? Com a técnica adequada, identifica quem entrou nesse espaço, ele começa a injetar anestésico ali, ele cria, ele abre esse espaço com anestésico e aí ele banha as raízes que já saíram da medula, saíram do espaço epidural, né? E aí, ó, elas funcionam basicamente do mesmo jeito. Elas são quase equivalentes e uma cirurgia que eu faço com a epidural anestesia eu consigo fazer com a peridural também. Elas, né? Algumas diferenças, né? Em termos de qualidade anestésica, etc. Mas é essencialmente o espaço onde é injetado. E as complicações são basicamente as mesmas, né? Então a dor de cabeça, aquele risco ínfimo que eu falei de sangramento e etc. Mas hoje em dia, nas cirurgias longas, a gente tem usado tanto a epidural anestesia quanto a peridural como uma estratégia de diminuição da quantidade de opioid que a gente usa. Então a gente joga ali uma dose pequenininha de morfina, porque vai estar direto na medula, né? E diminui a quantidade de opioid que a gente precisa usar pela corrente sanguínea, pela via venosa. Então a gente tem menos efeito colateral. Mas a gente pode usar a hiperanestesia ou a peridural para partos, para cesária, para a cirurgia de varízes, para a estrictomia, que é a retirada do útero, para a correção de prolápsos vaginal nas mulheres, para a reconstrução do paciente que fez vasectomia, do homem que fez vasectomia, para a reconstrução para ele voltar a ter filho, para a própria vasectomia, para a cirurgia de hélio umbilical, hélio enginal, que é feito por via aberta e não por vídeo, pode ser feita a hiperanestesia. Cirurgias abdominais abertas, a hiperanestesia é uma ótima técnica anestésica. E nessas duas o paciente fica consciente a todo momento? Ele pode ficar consciente ou pode ser feito a acedação ou uma anestesia geral combinada. Não tem a obrigação de estar ali acordado conversando? Tem alguma dessas técnicas que precisa estar conversando o tempo inteiro com o paciente? Tem. Na verdade não que o paciente precisa conversar, mas por exemplo o paciente que sofreu um acidente e está com estômago cheio, então ele não está em jejum e ele precisa operar a perna. Eu posso fazer uma hibianestesia, porque eu não vou mexer na consciência dele, eu não vou mexer na capacidade dele de respirar, de proteger a via aérea, mas eu vou garantir a anestesia dele naquela perna. Nesse caso eu não posso fazer acedação, porque ele está com estômago cheio. A hibianestesia é uma técnica super bem indicada, porque se eu precisar lançar a mão da anestesia geral eu preciso observar, fazer uma técnica que minimize o risco do paciente voltar esse alimento que dá no estômago e entrar pela traqueia. Isso acontece muito em emergência, né? Em emergência. Porque a gente até, lendo seu currículo, você trabalhou em emergência, né? A gente tem que trazer um episódio só para falar de emergência, isso é muito legal. Emergência, na verdade inicialmente eu queria trabalhar só com emergência, mas é bastante difícil trabalhar só com emergência por várias questões, não só da dificuldade de trabalho, né? Tudo que envolve, como a especialidade, etc. Mas é um assunto extenso e ainda gosto muito. Antes de fazer jornalismo, inclusive, eu estudava para medicina e eu queria ser médica de emergência. Imagino que tem assunto para a gente falar mais de um episódio, inclusive, né? Ah, tem, tem. Diz. Doutora, então agora você está aqui umidos e verdades no último episódio, você já viu como funciona, é o que a gente fala para quem está acompanhando a partir desse episódio agora. São trend topics, o que as pessoas mais procuram na internet, que vão lá no Google pesquisar sobre o assunto que a gente está falando agora, alguns acabam repetindo, né? Algum que a gente já falou, mas às vezes tem uma explicação complementar. A anestesia provoca a chofea na filática, é a primeira pergunta que as pessoas fazem. Pode, pode causar, então é verdade, mas é raro, muito raro. E a gente já explicou porque, como acontece, né? É, é. A anestesia causa paralisia? Pode causar paralisia temporária, não permanente. Ela, ela é intencional, não é? Então pode, mas uma sequela paralítica só se for uma, uma complicação da cirurgia, que pode ser da cirurgia, ou da anestesia, por exemplo, uma anestesia regional vai fazer um bloqueio regional, uma anestesia regional que a gente já conversou, aí faz sem ultrassom, por exemplo, e aí ele transfixa o nervo, que nervo o braço com a agulha, aí ele pode causar a paralisia daquele braço, ou uma paralisa dolorosa, a dor crônica, enfim. Mas aí é uma complicação que acontece com pessoas incautas ou algo irresponsável. É que não, um pessoal já fica com medo, né? A anestesia causa dor de cabeça? Sim, verdade. A anestesia dá enjô? Sim, verdade. A gente passou na pele, né, que a gente tava falando aqui dos bastidores. É, eu e você, sentimos isso. Nós dois passamos por situações assim. A anestesia dá tontura? Isso a gente não tinha falado ainda. Verdade, verdade. A anest é mexe bastante com o sistema vestibular coclear e com o cerebelo. Então ela dá tontura. Mas normalmente ela é autodimitada, principalmente no começo, não tanto no fim. E o que dá tontura depois quando volta da anestesia, na verdade, é uma outra coisa. Porque quando a gente, ou seja, deve ter ficado um tempo deitado ou sentado, e quando levantou, deu aquela tontura, né? Isso é porque às vezes leva um tempinho entre a gente levantar, ou seja, o cérebro editava nessa altura em relação ao solo, as pernas, e aí de repente você passa para essa altura. Então leva um tempo entre o coração, perceber que ele precisa bombear com mais força e maior frequência, e dos vasos das pernas criarem um tono maior para o sangue chegar mais rápido no coração. Quando a gente passa por uma anestesia, esse tempo que às vezes todo mundo já sentiu, já é insuficiente, fica mais lentificado ainda. Então por isso que a gente sempre fala, ou toda anestesia pode fazer tudo, mas devagarinho. Vai levantar da cama, fica sentado, pouquinho, espera, respira. Aí apoia o pé no chão, levanta, apoiado, né? Fica um tempinho ali, parado, está tudo bem, começa a andar devagarinho, sempre perto da parede, porque se der a tontura, se apoia, né? Preferencialmente com a ajuda de alguém, mas nesses casos que tem uns pacientes rebeldes que querem fazer tudo sozinho, faz dessa forma que pode ter, e é uma condição passageira, ele passa rápido, que é só até o coração entender que ele precisa bombear com mais força que passa. Uma dúvida já, aproveitando essa questão da tontura aqui, por exemplo, sofre de vertigem, por exemplo, que toma remédio para isso. Não pode fazer uma cirurgia com anestesia, tem que ter que tratar? Pode, pode. Idealmente, depende da frequência que ele sente vertigem. Se é uma vertigem frequente, ele já tem que vir em tratamento. E ele tem um risco aumentado de tontura e náuseas e vômitos na pós-operatória. Então a anestesia também vai ter que tomar providências para fazer uma anestesia que minimiza esses efeitos para aquele paciente. Mas ele pode fazer uma cirurgia sem problema. Tá. Posso ficar com a amnésia temporária após um procedimento como endoscopia? Verdade. Eita, por que isso acontece? É, na verdade, uma das drogas que as pessoas usam é o midazolâm ou o diazepâm, em que ele causa uma amnésia anterógrada. Às vezes você esquece coisas que aconteceram antes até do anestesista fazer aquela medicação. E o que acontece é porque tanto os efeitos do diazepínico, dos midazolâm, diazepâm, do hormonide, etc. Quanto para o porfó, eles causam uma dificuldade na sedimentação da memória. Então você tem a experiência a que o lá passa pela amida, ela chega no hipocampo e etc. Sendo bem específico, mas rápido. E aí dali ele sedimenta a memória. Essa transição não ocorre direito em vigência dos sedativos, mas é por um período curto de tempo. Então assim, desde que eu fiz a minha cirurgia, eu nunca mais gravei as coisas diferentes. Não, aí algum outro problema vai investigar. Mas ali naquele ambiente, 10, 15, 20 minutos antes da cirurgia, ou 20, 30, 40 minutos depois da cirurgia, isso é verdade. E às vezes, dependendo do que o anestesista faça de droga, o paciente fica sonolento por mais tempo, por mais horas. Então várias pessoas já relataram que às vezes acordaram de noite, conversaram com alguém, voltaram a dormir e não lembram de nada disso. Pode acontecer isso também no pós anestésico, mas dura ali no máximo poucas horas. Depois quando a pessoa retoma a rotina, isso não deve continuar acontecendo. E uma coisa para a gente finalizar, doutor, que é muito engraçado aqueles vídeos que viralizaram na internet de pessoas que foram fazer algum tipo de procedimento, tomar anestesia e voltar ao ser declarando para o médico, e depois escutaram o vídeo e falaram, meu Deus, o que que eu falei? Não acredito, começou a falar um monte de coisa da vida, e é o familiar gravando, isso costuma acontecer também. Acontece, depende muito do que o anestesista use de droga. Enquanto está usando o propofol, especificamente não, o paciente dorme, ele apaga, ele não fala nada, não conversa, isso falando de sedação. Quando ele usa benzodiazepinos, isso acontece com mais frequência. E aí funciona exatamente igual ao álcool. Exatamente, desinibem, todos no sistema gaba lá no cérebro, então é exatamente igual. Então, todo mundo já viu o bêbado emotivo, que chora, o bêbado que ama todo mundo, o bêbado que fica rico, que é pagar tudo para todo mundo. Eu raramente ativo amigos que ficaram desse bêbado rico, infelizmente. E pior é que fala a verdade, não é nem quem inventa a coisa, é que na hora libera tudo. Fala a verdade, normalmente são verdades, mas fiquem tranquilos, o anestesista não fala nada para ninguém. Começa a fazer um monte de confissão, tem gente que tem medo, dá só a anestiais com medo do que vai confessar ali na hora. Tem, e assim, o anestesista não fala nada para ninguém, nós somos padres, revela nada que foi dito no confessionário ali. E normalmente a gente deixa para mandar o paciente para o quarto de volta, depois que ele já saiu dessa fase, que não dura muito tempo, tá? Endura ali alguns minutos, meia hora, uma hora mais. O contato com os familiares é só quando já passou esse... Exatamente, para evitar qualquer tipo de repercussão. É muito legal. Doutor, muito obrigada pela sua participação. O próximo episódio eu já vou sugerir aqui para o pessoal da Mato, que é justamente isso da emergência, que eu achei muito legal, e a gente também já deixa a dica para quem quiser comentar qualquer outra sugestão aqui para o nosso especialista, para vocês já deixarem aqui no nosso vídeo para a gente trazer de novo. Então, Doutor, passa as suas redes sociais, por favor, para quem quiser tirar alguma dúvida. Muito obrigado, mais uma vez foi um prazer estar aqui com você, a gente desmistificando um pouco da anestesia e da atuação em dor. O meu Instagram é aroba.doutor.carnoslemos, pode me seguir que eu compartilho informações sobre anestesia, medicina da dor, anestesia para cirurgia robótica, que também eu faço bastante, é muito legal, está tudo lá, atendo no meu constório, lá no Instituto Paulista de Cirurgia Robótica, e também na Increasing, que é uma clínica mais específica para atuação em dor, e só anestesia está aqui na Mato também, então por aqui é sempre fácil de me encontrar também. Um prazer estar aqui com vocês de novo. Muito obrigada. Até a próxima, Doutor. Até a próxima. Muito obrigada também a você pela sua participação aqui no AmatoCache, não deixe de curtir, comentar, compartilhar, e sugerir também temas que a gente pode trazer ao Doutor Carlos, ou outros especialistas aqui no vídeo, que a gente está sempre atualizando toda a Samora Tempo.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.