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Histamina em Excesso: O “Gatilho Frouxo” do Seu Corpo | Ep. 104

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Histamina em Excesso: O “Gatilho Frouxo” do Seu Corpo | Ep. 104

# Histamina em Excesso: A Síndrome de Ativação Mastocitária (SAM) O episódio 104 do canal Instituto Amato traz o Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular e pesq

Perguntas respondidas neste vídeo

A sigla também já é um pouquinho mais conhecida, mas ainda assim é um nome diferente, né?

Por que que ainda não é tão...

É algo novo, assim, para a medicina também?

É novo. Foi descrito recentemente, não tem muito tempo. Então, tanto que ainda não é todo mundo que acredita na existência.

Então, quando a gente fala de síndrome da ativação mastositária, a gente pode estar falando de uma determinada alteração genética, outra determinada alteração genética, mas que todas vão culminar com o quê?

Com a ativação mastositária, que a gente vai falar aqui, para ficar tranquilo que esse é o assunto legal. Tá. E tem bastante gente no seu consultório, que eu falei no início que alguns médicos, até se tem o seu nome como exemplo, tem uma relação mais próxima com a síndrome.

Eu precisei escrever, eu precisei, porque a primeira coisa que passa na cabeça de todo mundo é, caramba, que que um cirurgião vascular está falando dessa síndrome, né?

Não tem nada a ver, não é cirúrgico, mas foi por uma razão muito, muito específica.

Eu atendo muito paciente com lipidema, né?

Lipidema, quem abrir o canal, vai ver que é o carro-chefe do que eu falo aqui. E por muitos anos, eu conseguia resolver a grande maioria dos casos de lipidema, mas tinha uma pequena parcela de pacientes que eu não conseguia resolver, e eu não conseguia entender o porquê.

Transcrição completa do vídeo

Wiki们 Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCache pelo canal do Instituto Amato. E agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais, falamos sobre cuidados com a tireoide e antes sobre cálculos renais. Hoje nós recebemos o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular, para falar de um tema um pouco diferente, já vou falar a sigla, que são, a gente estava conversando um pouco nos bastidores sobre a síndrome de ativação mastocitária. Para quem não é da área da medicina, é um nome bem diferente, mas a gente já vai explicar o que é, como funciona, diagnóstico, tratamento, tudo sobre a SAN, que para alguns médicos, como para o doutor Alexandre, já é mais do dia a dia dele. Antes de eu dar as boas-vindas aqui novamente para o doutor Alexandre, já vou apresentar um pouquinho mais do currículo dele para quem está chegando agora, para que você possa conhecê-lo melhor. O professor doutor Alexandre Amato é médico e cirurgião vascular e endovascular do Instituto Amato. O especialista é doutor em ciências pela Universidade de São Paulo, atualmente faz pesquisa científica em Lipe-Dema e é presidente da Associação Brasileira de Lipe-Dema. Além disso, é autor de diversos livros sobre saúde. Bem-vindo mais uma vez, doutor. Obrigado, Letícia. Obrigado. Vamos falar de mais um assunto que eu adoro. Então, eu estava falando isso no início, que é um nome um pouco diferente para quem não é da área da medicina. Eu, por exemplo, nunca tinha escutado falar, mas a pessoa pode nunca ter visto, pode ter alguma relação aí. É considerado, pode falar que é uma doença síndrome, doutor. É a mesma coisa falar, síndrome. Síndrome é quando tem vários sintomas associados. Vários... Interessante é a síndrome da ativa sem associação. Vários órgãos acometidos também. Então, quando tem vários, aí é uma síndrome. Quando é uma coisa só, não, aí seria uma doença. Tá. A sigla também já é um pouquinho mais conhecida, mas ainda assim é um nome diferente, né? Por que que ainda não é tão... É algo novo, assim, para a medicina também? É novo. Foi descrito recentemente, não tem muito tempo. Então, tanto que ainda não é todo mundo que acredita na existência. E... Na verdade, foi a associação de várias teorias e ideias que culminou na síndrome da ativação mastositária. É o nome que abrange... É o nome guarda a chuva, que pega várias pequenas síndromes embaixo, né? Então, quando a gente fala de síndrome da ativação mastositária, a gente pode estar falando de uma determinada alteração genética, outra determinada alteração genética, mas que todas vão culminar com o quê? Com a ativação mastositária, que a gente vai falar aqui, para ficar tranquilo que esse é o assunto legal. Tá. E tem bastante gente no seu consultório, que eu falei no início que alguns médicos, até se tem o seu nome como exemplo, tem uma relação mais próxima com a síndrome. É por que que surgiu... Você escreveu um livro sobre esse tema agora, queria que você cantasse... Eu precisei escrever, eu precisei, porque a primeira coisa que passa na cabeça de todo mundo é, caramba, que que um cirurgião vascular está falando dessa síndrome, né? Não tem nada a ver, não é cirúrgico, mas foi por uma razão muito, muito específica. Eu atendo muito paciente com lipidema, né? Lipidema, quem abrir o canal, vai ver que é o carro-chefe do que eu falo aqui. E por muitos anos, eu conseguia resolver a grande maioria dos casos de lipidema, mas tinha uma pequena parcela de pacientes que eu não conseguia resolver, e eu não conseguia entender o porquê. E aí eu fui num congresso nos Estados Unidos de lipidema, tem uns oito, sete, oito anos atrás, alguma coisa assim, e eu vi uma aula sobre síndrome da ativação mastocitária e caiu a ficha. Eu falei, caramba, todos esses casos que eu não estou conseguindo resolver é que provavelmente têm associado essa síndrome. E aí eu mergulhei em estudar esse assunto. E realmente tem tudo a ver. Quando a gente começa a resolver esses casos de síndrome da ativação mastocitária, o lipidema melhora. Só que não é quem tem lipidema, que tem que ter lipidema para ter a síndrome da ativação mastocitária. Todo mundo pode ter. É que quem tem lipidema, essa síndrome pode aparecer como sintomas do lipidema também. Então, todo mundo pode carregar essa síndrome, não só mulheres. Não só quem tem lipidema. Não só quem tem lipidema. A questão é como que ela vai se apresentar. E esse foi seu último livro, inclusive, né? Meu último livro. Acabou de sair, está aqui, uns mastócitos descontrolados. Acho que vai ficar claro daqui a pouco o porquê do título. E como que foi o preparo desse livro? Eu lembro que, no último de lipedema, você falou que estava em dúvida se ia fazer um outro. Já faz um tempo que a gente gravou aquele, né? Foi, foi. E aí acabou decidindo fazer esse livro. Eu joguei tudo no lixo. Não, deixa eu fazer de novo. Tem que ser disruptivo. Não pode ser mais do mesmo, né? Esse aqui, eu acho que foi um pouquinho diferente. Esse aqui, eu estava buscando como aprender sobre a síndrome da ativação mastocitária. E aí eu li tudo que tem lá fora. Li todos os artigos, li os livros, encontrei livros bons em inglês. E não tem nada em português. Nada. Simplesmente zero. Primeiro, caramba, um assunto tão prevalente e não tem nada em português. O povo precisa saber. As pessoas precisam dos leigos, mas os médicos também. Então, preciso facilitar o acesso à informação. E aí eu aproveitei o NIL útil, é agradável. Porque eu ia ter que estudar, porque eu queria estudar. E eu gosto de estudar colocando ordem nas coisas que eu vou encontrando. Principalmente essas coisas muito bagunçadas. Eu vou colocando ordem, fica mais fácil entender. Então, eu lembro, né? Estudar pra mim era colocar, fazer resumo, colocar as coisas em ordem. Fiquei mais velho, agora eu coloco em ordem e vir um livro. E essa, inclusive, então, é o primeiro livro sobre esse assunto? Primeiro livro sobre esse assunto em português. Sendo de ativação as tuas histórias, sim. Não tem mais nada sobre isso. E aí eu fiz o livro pensando em todo mundo. Tanto público leigo quanto médico. Então, a primeira parte fala tudo da maneira que o leigo consegue entender e as coisas muito mais técnicas e chatas eu coloco no finalzinho. Já está bem, Dr. Já está lá no site da Clube de Autores e tem também na Amazon. A gente pode deixar o link aqui. Então, quem se interessar no final, a gente agora vai falar o que de fato é a síndrome. E aí, no final, a gente já deixa o link pra quem tiver algum interesse. Dr. Então, acho que a gente pode começar pelo básico falando dos mastócitos, que é o título, o nome, tanto do livro como do episódio. Pra pros médicos, é algo um pouco óbvio, digamos assim, que até eu pesquisando, eu vi aqui células de defesa, é o significado, mas pra quem não é a área da medicina, eu acho que não tem essa conclusão tão nítida na cabeça o que são mastócitos, como eles agem. Então, eu queria essa explicação pra começar. Então, vamos lá. Quando a gente tá falando de mastócitos, a gente tá falando de sistema de defesa. E todo mundo nasce com dois sistemas de defesa. O sistema inato e o sistema adquirido. O sistema inato é aquele que vai funcionar independente de qualquer coisa. Ele é meio que genérico, ele funciona pra tudo. Ele não é extremamente eficaz em resolver todos os problemas, mas ele tá lá, é o primeiro guerreiro. O sistema adquirido, todo mundo conhece pelo nome de anticorpo. Então, leva um tempo pro corpo desenvolver um anticorpo pra determinado vírus ou bactéria. Então, você tem que adquirir essa imunidade. Então, é um processo diferente. Então, a gente tá falando do sistema inato, é aquele primeiro, é a primeira linha de defesa. Aí tem várias células que fazem parte desse contexto. Cada uma sendo um soldado diferente com uma função diferente. E o mastó-cito tá lá, é uma dessas células e é uma das células mais interessantes. Porque ela tem um papel meio que geral. Ele faz um pouco de tudo e é a primeira linha de defesa. Ele é o cara que vai avisar todo o restante de que estamos sendo invadidos. Por exemplo, por um fungo, por uma bactéria, por um vírus, qualquer coisa que esteja no lugar errado, ele vai lá e dispara um aviso falando pro resto do corpo. Opa, tem alguma coisa errada aqui. Quando uma pessoa fica doente também. Ele foi o primeiro. Você chama gripe qualquer? O primeiro foi ele. A primeira coisa, quando você entra num quarto com ar condicionado e sente a garganta arranhar, foi ele que deu o primeiro sinal. Então, ele é uma célula que tem um monte de vesículas, de bolinhas dentro dela. E ela armazena várias substâncias diferentes. Tem mais de 200 substâncias diferentes documentadas. Pra fins do que a gente vai fazer aqui, o livro, a principal delas é a histamina. Então, a histamina é a substância que vai ligar a nossa inflamação. Então, o que acontece? Entrou um vírus, uma bactéria no nosso corpo, o primeiro mastócito que encontra um vírus, uma bactéria, fala, opa, tenho que avisar que tem um problema aqui. O que ele faz? Ele degranula, ele abre e solta essa vesícula que tem histamina. E aí a histamina, nesse local, o nosso corpo encontra a histamina e fala, opa, eu tenho que inflamar. Então, porque a inflamação é a nossa primeira reação a qualquer coisa pra tentar nos proteger. A inflamação aguda, ela é boa. A inflamação aguta é o que nos protege. Quando a gente faz um corte, a primeira coisa que vai acontecer lá pra tentar cicatrizar essa inflamação, o que não pode é virar uma inflamação crônica, aquela que não desliga nunca. Então, o mastócito disparou, liberou a histamina, avisou aquela região ali que tem que inflamar. O próximo mastócito que tá um pouquinho distante sente essa histamina, fala, opa, acho que tem um problema aqui. Tenho que liberar mais e avisar a todo mundo. Então, vira uma reação em cascata, uma reação em cadeia, vários mastócitos liberando a histamina, a gente inflama uma área circunscrita ali daquela região e aí a inflamação, que é o nosso sistema imune inato, começa a lidar, é a primeira guerra contra o tal do vírus, bactéria ou fungo. Então, ele é bom. Ele é o cara que tá lá avisando todo mundo que a gente tem que ligar o nosso sistema imune. A gente tem que ter mastócito, a gente tem que ter um mastócito funcionando, a gente tem que ter o nosso sistema imune funcionando, porque se não tivesse, a gente ia ter que viver em uma bolha, porque a gente não ia lidar com nenhum vírus ou bactéria. Eles iam proliferar e dominar o nosso corpo e a gente morria. A questão é, tem gente que nasceu com um mastócito, que é um pastor alemão, e aí ele late quando tem que latir, ele late na hora que precisa e tem gente que nasceu com um mastócito, que é o Lulu da Pomerânia da minha filha. Foi uma boa comparação. E que late por qualquer coisa. Então, aí quem tem esse mastócito, o Lulu da Pomerânia, ele começa a disparar a histamina para qualquer sinal. Então, por exemplo, uma mudança de cheiro, uma mudança de clima. Eu tenho uma paciente que veio ontem, provavelmente ela vai ver esse episódio. Ela é uma das pacientes mais dedicadas que eu tenho com síndrome da ativação mastositária. E ela virou e falou assim, sabe uma coisa que dispara? Hoje eu estou um pouquinho pior, porque choveu demais. Então, não era para disparar a liberação de histamina. Nosso corpo não precisa de inflamação para lidar com a chuva, para lidar com o ar condicionado, ou para lidar com uma mudança de cheiro, quando você entra numa perfumaria, por exemplo. A questão é que se o mastócito libera histamina, nosso corpo não vai pensar duas vezes, ele vai começar a fazer a inflamação. E aí começa a ter sintoma. A questão é, o mastócito está no nosso corpo inteiro. Ele está no nosso cérebro, ele está nas nossas vias respiratórias, no nosso trato gastrointestinal. Ele está na pele. Então, aonde ele estiver, ele vai causar a inflamação daquele órgão. Então, por exemplo, alguém que tem o Lulu da Pomerânia, nervosinho lá, entra numa perfumaria, primeira coisa que vai sentir é o nariz trancar. Caramba, o que que aconteceu? Peguei um vírus? Não, é um Lulu da Pomerânia liberando histamina, porque sentiu um cheiro diferente, e aí isso causou uma inflamação nas vias aéreas. Até aí, tudo bem. Quem tem isso um pouquinho, de vez em quando, ou de vez em nunca, isso não incomoda. O problema é quando o Lulu da Pomerânia está lá, full time, ligado no turbo, e ligando para qualquer coisa. Exatamente. Então, por exemplo, se você come alguma coisa que não deveria causar uma intolerância, ou uma inflamação, mas o seu mastócito entendeu que aquilo é uma agressão para o seu corpo. O que ele vai fazer? Libera a histamina lá no intestino. Para quem tem a síndrome da ativação mastocitária, isso pode virar uma diarreia, um piriri, ou um intestino preso, porque a inflamação pode levar os dois extremos, alteração de hábito intestinal. Mas algumas pessoas podem ter também uma baita de menchaqueca, uma dor de cabeça, outras podem ter uma otite, mas também é muito frequente quem tem uma inflamação da pele. Eu li uma... Eu não sei o quanto é verdade isso, porque eu vi de manhã no Instagram, e a gente tem que tomar muito cuidado com as coisas que aparecem no Instagram, mas eu vi uma pessoa, a historinha de uma pessoa que tinha vitiligo, que se separou da mulher e o vitiligo desapareceu. Estão colocando a culpa na mulher. Provavelmente, o que na relação, como eu falei, poderia ser estresse pelo relacionamento. Ou algo que a mulher usava? Ou algo que a mulher usava. Tem muita coisa, como eu disse, eu peguei uma história pela metade, estou tentando extrair alguma coisa dali, mas com certeza absoluta estava envolvido os mastócitos nisso, porque o mastócito liberava histamina, ele causa a inflamação, e depois a inflamação vai desencadear um monte de coisa, inclusive doenças autoimunes. Doutor, qual é a diferença, você deu um exemplo muito comum de alguém que entra numa perfumaria e tem um nariz tranca. Todo mundo que está acompanhando já passou por isso, ou conhece alguém que passa. Qual é a diferença de uma alergia comum, algo que não é considerado de fato a síndrome, para síndrome de fato? Até que ponto? É uma alergia simples, algo pontual, para ser a síndrome, precisa ser algo frequente, ou algo que o sintoma é mais forte. O que diferencia? Para falar uma alergia, tem que ser mediado por anticorpo, então a gente entra naquele outro sistema imune que é o adquirido. Alergia amendoim, alergia alguma coisa, você tem que se expor a isso para o corpo entender que é uma agressão, ele vai criar o anticorpo, e na próxima vez que você se expõe esse produto, o corpo produz um monte de anticorpo, e desencadeia a alergia. A síndrome da ativação nas suas histórias acontece antes do anticorpo existir, pelo sistema inato. Então, isso é uma coisa que atrapalha demais, porque são pessoas, por exemplo, que podem disparar, eu estou usando esse exemplo da perfumaria, porque é comum mesmo, mas talvez não seja o melhor de todos, a gente continua nesse exemplo e depois passa para outra. Mas a pessoa entra numa perfumaria e tem a síndrome da ativação nas suas histórias, libera-se da mina, inflama tudo. Aí outro dia ela vai e não sente nada. E aí ela fica com uma baita de uma dúvida, caramba, eu tenho ou não tenho um problema com perfumaria? É a mesma coisa com alimento, às vezes ela come uma coisa que sente super mal, aí outro dia ela come sem perceber e não sente nada. Então, isso não é mediado anticorpo, porque se fosse mediado anticorpo, sempre iria disparar tudo. Agora, o mastócito, eu gosto dessa ideia do cachorro, porque, ou de algum outro animal, um gato, alguma coisa assim, porque ele fica meio oriçado dependendo de algumas situações. Então, ele fica mais sensível. Por exemplo, se você está numa fase muito estressante da sua vida com um monte de coisa acontecendo, tem que fazer uma viagem longa, alguma coisa assim, isso deixa seu mastócito mais sensível. E aí você precisa de um gatilho menor para disparar a liberação da histamina diferente da alergia, que não vai importar se está ou não estressado. Isso vai acontecer a liberação da formação dos anticorpos. Entendi. E o sintoma em síntoma não vai ser determinante se o sintoma vai ser mais forte ou não. Porque pode ser uma alergia comum e o sintoma acaba sendo mais forte do que da síndrome. Pode. E a síndrome pode ser extremamente grave, extremamente fraquinho também. Que aí é... diferente de gravidez, não existe meio grávida, né? Ou está grávida ou não está grávida? Ninguém tem dúvida, pode perder a gravidez, mas estava grávida, estava. A síndrome da ativação mastocitária tem graus, né? Então tem aquela levinha, aquela moderada, aquela forte, aquela super forte. Aquela levinha, boa parte da ativação tem. É que o negócio que entrou, um dia entrou num quarto com ar-condicionado frio, trancou tudo, liberou a histamina. Foi uma reação mastocitária. Talvez naquele momento a gente poderia chamar de uma síndrome da ativação mastocitária, mas não é algo que está incomodando, que está atrapalhando a vida. Então não tem que fazer nada, boa parte de um evento anual, fica um dia de cama, está tudo bem, toca a vida e não fica nem sabendo. O problema é quando começa a aumentar a gravidade dos sintomas e aí começa a atrapalhar a vida. Ninguém sabe a prevalência da síndrome da ativação mastocitária na população, mas a maior que eu já via é de 18% da população, de 18%. Imagina, um em cada cinco, muita gente. Só que contando os casos leves também. Então não quer dizer que um em cada cinco está sendo internado por causa disso. Aliás, falando internado, isso é uma coisa interessante. A maior parte das pessoas que têm síndrome da ativação mastocitária tem alguns, principalmente dessas que têm um pouquinho mais grave. São pessoas que já foram internadas por causa disso, com algum sintoma e aí vai lá, roda um monte de exame e não encontra nada. Vai embora para casa sem diagnóstico nenhum. Caramba, o que que aconteceu? Será que não pode ser uma inflamação devido a uma síndrome da ativação mastocitária? Porque explicaria isso. E aí o conhecimento dessa síndrome dá paz para essas pessoas, principalmente pessoas que acabam indo parar no pronto-socorro mais frequentemente. O que fala? Puxa, caramba, é só mais uma crise. Deixa eu ficar tranquilo não estou enfartando, não estou tendo um AVC. É simplesmente mais uma crise. Deixa eu acalmar, tratar isso aqui e fica tudo bem. E quais são os sintomas mais graves? Doutor, pode chegar um paciente morrer mesmo por conta desse quando tem níveis muito... Aí entra no extremo, né? E aí são pessoas que têm que andar com aquela epipém. Epipém é um problema que não tem no Brasil. E é uma coisa que eu acho que deveria ter. Aquelas canetas de adrenalina para quem tem crises muito graves. Tem gente que acaba disparando mastócito por exemplo, com um esporte com corrida, que é um exemplo quem corre e aí começa a coçar depois da corrida. Isso é uma liberação da histamina pelos mastócitos. Isso entra na classificação da síndrome da ativação mastocitária. Se for só uma coceira na perna tá tudo bem, não vai matar ninguém. Mas se isso é progressivo e vai tendo sintomas mais graves, pode virar até edema de glótia. Então essa é uma pessoa que teria que andar teoricamente com uma ampola de adrenalina. Mas como não tem no Brasil isso não é uma coisa fácil. Eu não sei a solução perfeita pra isso. Tem uma paciente que, aliás, veio essa semana médica que tem a epipém, mas ela trouxe de fora. E aí, seria uma emergência ali, né? A pessoa usa uma epipém e seria uma injeção? É igual a essas canetinhas de emagrecimento, só que com adrenalina. Tomando muito cuidado, né? Então essa semana da adrenalina mal utilizada é perigosa. Aliás, é por causa disso que não vende no Brasil. Pode ser que uma hora comece a vender? Você acha que isso... O problema é do mercado, né? A porcentagem das pessoas que têm que comprar é muito pequenininha. A margem de lucro acaba sendo menor. Qual empresa vai ter interesse em fazer todo o processo de liberação, pagar por tudo isso pra depois uma parcela super pequenininha comprar? Se começar a ser mais comum assim falar mais, pode ser... Talvez. Eu espero. Eu realmente espero. Por um lado, eu espero, pro outro lado a gente vai criar um outro problema que é conscientizar as pessoas do uso do uso correto. Mas a evolução é... Sim. É por aí. E, doutor, quando a gente fala de sintomas mais comuns, depende, isso é relativo, por exemplo, se for uma... A síndrome que estiver causando essa síndrome, fora a questão da perfumaria lá que a gente está falando de algum... algum cheiro, né? O doura ali específico ou, sei lá, um alimento. Isso muda os sintomas... Ah, muda, né? É porque aí é a área do nosso corpo que está se expondo ao... ao agente, né? Então, se a gente está respirando um cheiro, vai ser trato respiratório. Se a gente estando em alguma coisa, pode ser uma dermatite, alguma coisa na... na pele. Se a gente comeu, vai ser no trato gastrointestinal. Mas o interessante é que síndrome da ativação mastocitária, um dos critérios para a gente conseguir falar que é isso, tem que ter acometimento de mais de um órgão. Então, se só acontece dermatite, não provavelmente não é isso. Tem que estar acontecendo também em outro... outras partes do corpo, mesmo que seja em outro momento, também tem que ter sintoma. Se não, não é. Tá. E de alimento também, que eu acho que é muito comum, né? As pessoas podem estar pensando é muito comum confundir também com intolerância alimentar, né? Ah, nossa, isso aí é uma... é uma mistura enorme que as pessoas fazem, né? O que é a alergia, o que é intolerância. Até porque quando a gente fala intolerância, aí vai ser o que? Mediado pela IGE, mediado pela IGG eu acho que nem a comunidade científica tá bem... tá na mesma página nesse assunto. Que existe, existe, né? Intolerância, alergia e tudo mais. A questão é como que a gente vai classificar cada uma. Por exemplo, na... Na intolerância ao gluten, né? Tem vários graus de intolerância ao gluten. Tem o grau maior que a doença celíaca e tem os graus menores. São pessoas que não se sentem tão bem com o gluten, mas toleram, conseguem viver. Cada um vai ter uma... uma tolerância do mastosto ao gluten. Então, quem é celíaco pode ser menos do que 20 partes por milhão. É menos do que um granzinho de arroz numa piscina, né? Quem tem uma tolerância um pouquinho maior, aguentaria um pouquinho mais. Então, isso realmente varia de pessoa pra pessoa. Eu acho que eu não tenho uma forma fácil de falar, olha, se é determinado sintoma em tolerância, se é determinado sintoma é uma... é uma alergia. Eu não consigo entender isso. Entendi. A pessoa pode ser intolerante, acho que é assim, fica mais claro. A pessoa pode ser intolerante e pode não ter a síndrome que a gente está falando. Pode. Ou pode ter a síndrome e não ser intolerante. Então, de novo, a síndrome ela precisa cometer mais de um órgão. Então, ela pode ser intolerante, ter só o estufamento comem, fica estufada. E só isso, mais nada. Nunca mais... nunca teve uma enxaqueca, nunca teve uma dermatite nunca teve um... nenhum outro sintoma por causa disso. Aí não seria síndrome. Aí não seria síndrome. E é só a intolerância. Só que aí depende do seu nível de critério. Quanto que a gente é rigoroso. Porque se eu começo a espremer a pessoa eu acho um evento de enxaqueca mesmo que seja menos frequente, a gente acaba encontrando. Difícil, essa pergunta é difícil. É, essa é. Acho que já leva também para a minha próxima pergunta. Como funciona o diagnóstico da síndrome? Se há algo, doutor, só clínico, você tem um exame específico que pode testar positivo, negativo para síndrome. Enfim, como funciona esse diagnóstico já que a gente também está falando que até muitos profissionais não falam hoje ainda da síndrome, né? Então, às vezes fica na falta de conhecimento, enfim. Para quem está com essa dúvida, como pode ser feito a confirmação? Pois é, né? O PD mantinha o mesmo problema de não conseguir fazer o diagnóstico. Agora consegue. Ficou mais fácil. Acho que quando a gente começa a estudar, começa a divulgar a mais gente interessada as coisas vão aparecendo e na síndrome da ativação mastositária é mais ou menos isso. Existem exames. Só que todos os exames são uma porcaria. Ou são uma porcaria, ou são invasivos demais. Por exemplo, uma das formas de fazer o diagnóstico, é, tudo bem. Você tem sintoma gastrointestinal? Então, vamos fazer uma endoscopia ou uma colonoscopia. Vamos tirar um pedacinho do tecido que tiver bem vermelho lá. Vamos colocar na lâmina e contar quantos mastócitos tem. E com uma coloração especial, não é? Qualquer uma. Tem que avisar antes o cara tem que estar preparado para fazer isso. Bom, tem a probabilidade do cara entrar com a colônia e com a endoscopia e não achar a área vermelha. Ou o cara pega de uma área que não está tão vermelha assim. Porque tinha uma outra que estava mais longe, ele não conseguiu pegar, então ele pegou essa mais perto e não tem a quantidade de mastócitos. Aí vai para o laboratório, o cara não tem o corante, que é um corante diferente. Ou ele tem o corante e coloca lá, mas ele não tem muita paciência porque ele tem que ver um monte de outros casos que são mais fáceis e rápidos. Aí ele faz uma ou duas lâminas, vê lá, não encontra nenhum mastócito. Ah, tchau. Só que na verdade, tinha que ver vários. Ele não tem tempo para isso. Então, tem muito falso negativo. Você faz o exame. Tem todas as características de... Tem pena... cor de pato, tem pena de pato, tem bico de pato, tem pé de pato, tem tudo de pato. Mas eu não consigo o exame falando que é o tal do pato. Então, aí ele não dá um laudo positivo e às vezes isso atrapalha porque muito embora clinicamente o paciente pareça que tem essa síndrome, aí vem com um exame falando que não encontrou, não tem. Aí o paciente vai para casa falando, ah, então eu não tenho síndrome da ativação. Não, é isso que o exame falou. O exame falou que ele não conseguiu provar que você tem. Mas não que ele provou que você não tenha. A ausência da prova não é a prova da ausência. Então, esse é o exame invasivo. A gente pode fazer também uma biópsia da medula óssea. Vai lá, faz a biópsia, tira o conteúdo lá, faz o... leva para a lâmina. A gente invasiva o doloroso para depois não encontrar o tal do mastócito. E ficar assim o diagnóstico, por mais que seja um critério reconhecido, eu acho invasivo demais a gente sair fazendo isso. Então, vamos falar dos exames não invasivos. Então, tem exame de sangue. E pode usar atriptase ou outros marcadores. Como eu disse dentro do mastócito, tem várias substâncias. Uma delas a gente pode medir isso. Só que a atriptase é fugaz. Na hora que ela é liberada ela rapidamente desintegra e some. Então, você tem uma crise. Eu teria que falar assim. Então, você tem a crise agora, você desce, vai no laboratório agora, colhe o exame agora, porque você tem seis horas, ou menos, para esse sangue chegar na máquina que faz a medida. Não é chegar no laboratório. Você tem que chegar antes para tirar o sangue, o cara tem que sair correndo, levar na máquina, porque normalmente essas máquinas não estão em todos os laboratórios, estão em centrais, o motor boy tem que pegar, sair correndo, levar. A probabilidade da positivo é baixíssima. A gente até pede, mas não espera que venha positivo. O dia que vier, a gente vai acreditar, mas eu não posso colocar isso como um critério de positividade. Então, a gente acaba usando a amnese, a conversa clínica e o exame físico. E de novo, a gente cai na mesma coisa que caía lá no lipidema. O pessoal não confia no taco, não confia no exame físico, não confia na conversa. Se eu não tenho a confiança nisso, é mais fácil fingir que não existe. Esse é o problema. Eu falando do lado dos pacientes, é muito comum a gente querer ver algo escrito, não basta só o médico. Mas eu sou cirurgião, eu preciso ver, eu preciso ver. O papel escrito positivo, como se fosse um exame de sangue de outros, colesterol alto, que apareceria o número de tanto a tanto é considerado alto. Eu falando do lado dos pacientes, eu acho que é um pouco disso. A gente está acostumado, desde pequeno, a ter algo ali que mostra nitidamente. Então, aí entra aquele negócio que a medicina não é uma ciência exata. Um mesmo valor de um exame para você pode ser normal para mim, pode ser alterado. Veja, até a diferença de tamanho. A quantidade de ferro para mim é diferente da quantidade de ferro normal para você. Esse número poderia ser mesmo que fosse normal para você, poderia ser alterado para mim. Então, é muito difícil a gente sair achando regras gerais que funcionam para todo mundo. Sim, agora até uma pergunta curiosa que me veio na cabeça. Você falou que alguns dos exames, ou são muito invasivos, dos exemplos que você deu, ou são muito ruins, por cariaio da palavra que você usou. Você já chegou a receber alguma, isso é uma curiosidade, alguma proposta, você está no nome claro, mas alguma proposta para divulgar nas suas redes sociais ou até para indicar os pacientes daqui tanto para o lipidema como para a síndrome de algo que prometia muito, mas que você percebeu que era picaretagem para os pacientes. É comum receber esse tipo de proposta? É muito legal você perguntar isso, que até alerta todo mundo estão usando a minha imagem para vender produto por aí. Nossa, é inteligência artificial, acho que eu vivo. Estão fazendo deepfake, deepface é alguma coisa. Que eles pegam a sua imagem após pela inteligência artificial, e me colocaram vendendo o produto. Então, volta em meia, alguém manda mensagem para mim, perguntando se o produto é real ou não. É uma picaretagem sem tamanho, é até grosseiro a forma como eles fazem. Com a evolução rápida da IA, vai sendo refinada com o tempo. Eu tenho medo disso. Mas não, não chegam em mim para vender isso. Acho que eu acabo meio que afastando esse tipo de pessoal de alguma forma. E agora aconteceu você chegou a conseguir tirar? Já entrou com algum... Falei com a advogada e aí ela vai atrás do usuário, vai atrás de CNPJ, mas é tudo não existente. É tudo empresa que é fantasma, nome fantasma, na hora que cai um, eles colocam o outro no ar. É impressionante. Que bizarro. E deve ser um susto, você está ali, ou recebe de alguém, ele está rodando na internet, fala eu não falei isso. Foi bastante as primeiras vezes. Hoje em dia eu respiro fundo e falo, a gente mora no Brasil e é o que fazem, é o que eu posso fazer. O que eu posso fazer é estar aqui alertando vocês que não tem nada de produto que eu esteja vendendo. Você não divulga produto nas redes sociais, eu já cheguei a perceber. Doutor, e agora tratamento. A gente falou de diagnósticos, sintomas. Tratamento, seria evitar o contato se for um alimento, evitar o contato e encontrar seus gatilhos. Eu falo que o tratamento é fazer carinho no mastosto. Porque ele fica orissado, em situações mais críticas, ele vai disparar mais facilmente. Ah, eu tenho outra analogia boa. Você reporta investigativa e com certeza você já viu alguém falando do gatilho frouxo. O cara que não era só encostei o dedo, saia tirando por nada. O mastosto é isso, é um gatilho frouxo. É um gatilho que tem que existir, porque senão não teria inflamação importante pra gente, mas que dispara em situações que não era pra disparar. Então, se a gente encontra esses gatilhos, dá pra ter uma vida muito, muito tranquila e contornar boa parte dos sintomas da síndrome da ativação mastocitária. Não existe um remédio que a pessoa possa tomar alguma forma de prevenção nesse sentido que vai parar de ter, pode continuar a ter no contato que não vai ter. Então, tem, tem vários. E essa é a pior notícia que alguém pode ter. Em medicina, se você encontra qualquer coisa que tem vários tratamentos, não é legal. Porque quando tem um tratamento, é porque aquele tratamento funciona e ninguém teve que procurar outro. Quando tem vários tratamentos, é porque nenhum deles é perfeito. Então, ele tem que ficar buscando qual que é o mais adequado. Então, existe a possibilidade de tomar algo? Tem vários medicamentos, estabilizadores de mastócitos, tem até em muro biológicos, formas de inibir o mastócito. Tem várias formas de controlar isso. Queria que testar no paciente. Como eu disse lá atrás, é um... o síndrome da ativação mastocítica é um nome guarda-chuva para várias pequenas síndromes. Se eu não consigo fazer o diagnóstico do guarda-chuva inteiro, imagina saber cada uma lá embaixo. Tem um tratamento mais adequado, mas muitas vezes a gente não consegue afunilar a ponto de chegar até ele. Alguns, sim. Alguns são bem típicos, bem fáceis de identificar. Por exemplo, quem tem a intolerância e mastia, que não produza diamino oxidase, são pacientes, por exemplo, que vão ter sintoma quando tomam vinho tinto, mas não vai ter tanto sintoma quando toma vinho branco. Tem pequenas dicas assim que acabam direcionando a gente para um sub-tipo ou outro. Tá. E, doutor, qual é o problema mais grave de ignorar essa síndrome, achar que é ali... ah, consigo conviver. A gente até falou uma vez aqui nas suas redes sociais também, você chegou a postar, de quem tem a intolerância a algum tipo de alimento e fala, ah, tudo bem, eu prefiro ter ali a diarreia, enfim, ficar com a barriga estufada, mas eu não quero deixar de comer porque existe algo nesse sentido que ao longo prazo, se você ignorar a síndrome... Eu acho que o pior problema da síndro me, da ignorância da síndrome, é o sofrimento não só físico, mas o sofrimento psicológico. Eu vou explicar o porquê. São pessoas que têm várias sintomas diferentes e ficam pulando de médico em médico, de especialidade em especialidade. Uma hora está tratando com gastro, outra, com otologista, outra, está tratando com pneumo e fica pulando de médico em médico. Cada hora um médico dá um remédio que é um antiinflamatório da especialidade dele, aí ele melhora, aí a inflamação aparece de outra forma, ele vai pro outro médico, aí ele melhora, aí ele pula e fica dando volta e não tem fim. E aí são pessoas que se sentem extremamente doentes. São pessoas que sofrem porque, puxa, eu vou no pronto-socorro, ninguém encontra nada, eu tenho isso e o médico não acredita porque quando chega lá, não tem mais, eu tenho dor e ninguém acredita que eu tenho dor, eu tenho e por aí vai. Então, esse sofrimento psicológico de não entender o que está acontecendo de ser constantemente abafado à sua opinião, você não tem nada, você é poliqueixoso, você é reclamão ou qualquer coisa assim, na verdade são queixas reais. Só que, quando chega no médico, provavelmente eu já está diminuindo e não consegue, é quando leva o carro no mecânico e para de fazer o barulho. Então, essas pessoas sofrem muito por causa disso, mas quando tem o conhecimento, se ela sabe que, puxa, é uma crise mastostária, deixa eu dar um, dois dias aqui e isso vai passar, deixa eu ver como é que fica fica mais fácil a vida. Então, normalmente, quem tem sina da ativação mastocitária, tem uma vida tão longeva quanto se não tivesse. Não é algo que vai mudar a expectativa de vida, mas muda a qualidade de vida durante esse o período que está vivo, né? Ou sofrendo muito pensando nisso, achando que é um problemão, ou põe um ponto final nisso, entende, sabe o que tem que fazer, toma a medida da situação e passa a se controlar, né? Eu acho que esse é um dos aspectos mais significativos. E prevalência, doutor, é mais mulher, mais homem, ou não tem regra para isso? Não tem regra para isso. E é interessante contar uma coisa que aí vai entender até porque que não tem uma regra para isso. Eu gosto de estudar a evolução das doenças, né? Por que que a sina da ativação mastocitária existe? Tem que ter uma razão, porque se ela fosse só ruim, teria sido eliminada da população seleção natural. É um troço que faz mal. Vamos deixar esses não procriarem, digo naturalmente, não seleção natural. Vai procriar só quem não tem. Mas 18% da população tem algum grau disso? Então calma aí, tem que ter alguma vantagem. Nós somos reflexo de todas as cicatrizes imunológicas de nossos antepassados. O que eu quero dizer com isso? Lá atrás, e não pensa no covid não, covid vai atrapalhar a cabeça de todo mundo porque tinha médico e vacina, tem um monte de coisa. Pensa na época da peste negra, peste bubônica. Quem você acha que sobreviveu a essas grandes epidemias? Quem tinha um lulu da pomerânia que latia antes de ter a infecção? Ou quem tinha um pastor alemão cansado e que começava a latir só depois da invasão? Era melhor quem tinha um lulu? Então isso começou a ser a seleção natural. Quem tinha um sistema imune mais ativo sobreviveu mais as grandes epidemias e foram várias grandes epidemias que foram selecionando as pessoas que realmente tinham esse gatilho frouxo. A questão é, esse gatilho frouxo chegou na gente com alguns sintomas. Que é isso. Então a gente tem que aprender a controlar isso. E de novo, se era uma coisa que veio dos nossos antepassados, sobreviveram igual. Homem e mulher. E desde criança pode ter? Pode ser que seja mais difícil identificar. Talvez a minha dificuldade seja pediatra, mas eu acho mais difícil. É engraçado que eu sou cirurgião vascular e comecei a atender lipidema, que já não tinha com a minha área e disso eu comecei a estudar um monte de síndrome da ativação mastositária. E aí a gente vai lá, ajuda paciente. Onde vai parar isso, doutor, no próximo livro? Aí a gente ajuda paciente e aí ela fala não, você tem que ajudar meu filho. Eu falo, puxa não é a minha área, mas eu vou fazer o meu melhor. Eu não tenho medo de estudar, não. Mas entenda que eu não sou pediatra. Eu tenho uma certa dificuldade de fazer esse diagnóstico numa criança. Eu não arriscaria. E é mais raro também, eu imagino os pais procurarem para os filhos crianças. Porque naquela linha que a gente estava falando, acha que é outra coisa. Acaba falando que ele é muito doentinho, ele fica resfriado sempre. Caramba, fica resfriado sempre mesmo? Às vezes esse ah, ele é muito doentinho. Na verdade é o exato oposto. Ele é o que tem muito sintoma mas ele fica menos doente. Eu vou tentar explicar isso. Porque veja, você tem sintomas o que traz não é a bactéria que traz sintomas. Se você for tiver uma infecção agora você não vai ter sintoma nenhum. O que vai trazer o sintoma é a inflamação. É a sua reação a bactéria que traz o sintoma. Então quem vive numa bolha porque não tem um sistema imune funcionante são as pessoas que não tem febre, não tem nada disso, depois vai ver a bactéria já comeu quase tudo lá. Porque não tem resposta imune. Então o que a gente sente como entre aspas doença é o sintoma. Ah, eu tenho muita febre. Ah, eu tenho muita dor. Porque eu fico muito doente. Às vezes é o exato oposto. Essa pessoa é a que tem muita reação imunológica, tem o gatilho frouxo, está liberando muita histamina, está inflamando antes, então ele tem bastante sintoma. Só que ele não chegou a ter infecção. Ele não tem a doença. São pessoas, por exemplo, ah, eu tenho muita dor de garganta mas não tenho febre. Calma aí, como não tem febre, alguma coisa está estranha. Entendi, não está de fato ali com aquela doença que seria a infecção na garganta mas chegou a ter... Só que ela se sente doente. Tá. E, doutor, tem cura a síndrome? Cura não, mas tem controle. Tem controle. Na grande maioria dos casos se não houver controle, há pelo menos uma amenização dos sintomas. Dá pra melhorar. É. Eu acho que nos dois minutos queria já trazer os mitos e verdades que tem bastante coisa interessante. Acho que a gente comentou quase tudo aqui mas a gente pode até adaptar pra já veio uma pergunta aqui que eu... Sabe uma das razões que eu queria fazer esse episódio? Porque eu tenho um vídeo de dois ou três anos atrás aqui no canal sobre síndrome da ativação mastocitária e que eu fiz despretencialzadamente um assunto que eu achava interessante sobre o assunto e as pessoas continuam caindo lá e tá desatualizado. Isso que a gente perguntasse. O que você falou naquele vídeo ainda é o que você acredita hoje? Não tá errado, mas tem muito mais coisa. Legal. A gente pode aproveitar e colocar. Tá ainda no canal? Tá. Tá aqui no canal. Legal. Então, agora mitos e verdades, doutor, primeiro, san é apenas alergia? Não, não é apenas alergia. Isso aí é... É diferente. Os exames normais descartam a síndrome? Não, nenhum exame normal. Por isso são pessoas que vão para o pronto-socorro e fazem uma bateria de exames. Exame normal seria o quê? De sangue? É, acho que essa pergunta seria uma generalização, né? Mas nem os exames mais aprofundados conseguem imagina o exame normal. Seria aquele da... Indoscopia, né? Que tira a linha. Indoscopia ou da triptase de fazer, que leva um tempo. E a indoscopia vai dar análise também, né, de quem... que a gente tava comentando. Vai dar análise de quem tá fazendo. Depende da... do patologista, do cara que tá colocando a câmera e a biópsia, depende do tempo também. É... nossa, tem tanta variável. Operador dependente. Operador dependente. Sam pode causar sintomas diferentes em cada pessoa? Ah, esse é... essa é a maior característica da Sam. A maior característica. O que pra uma pessoa é uma dermatite, pra outra pessoa é uma enxaqueca, pra outra pessoa parece uma sistite que... que não para de... não cessa com nada. Parece uma... por exemplo, uma candidíase recorrente, parece... pode aparecer de várias formas. Inclusive, esses são diferentes os sintomas, né? Candidíase pode ser também ligado a... Então, olha que interessante. Eu usei a palavra candidíase, que foi errado. Candidíase vem da candida que é um fungo. Sim. O sintoma da candidíase. Os sintomas da candidíase. Eu falei sistite, que seria o correto, mas é que todo mundo conhece como candidíase e eu falei candidíase. Tá. É uma doença rara? Não. Então, aí depende... eu vou completar o que eu falei antes, né? Eu dei um número de 18% da população, esse é o maior que eu já vi, mas tem trabalho falando que tem 18% da população. Então, seria ou ultra raro, ou super freqüente. Entendi. Caramba, quem tá certo? Eu colocaria isso. Como um grau, assim. Ultra raro é o grave. Quem deveria ter adrenalina? Exato. Estresse emocional. Pode desencadear crises? Ah, pode. Eu tenho uma paciente que tava super controladinha, brigou com o marido, ele tava tudo bem, no dia seguinte foi um gatilho idiota, um gatilho pequeno, eu não lembro o que que era, mas era um gatilho super pequeno, coisa de ar-condicionado. Ela teve uma crise em mastositária, assim, absurdo, foi parar no pronto-socorro, foi pra UTI, ficou dois dias na UTI, rodaram tudo quanto é exame, não encontraram nada, ela foi pra casa sem diagnóstica. Crise em mastositária, não tem... estresse da briga com o marido. E aí o estresse foi a única causa ali, não teve nada... É a analogia do copo, né? A gente tem uma capacidade de lidar com a inflamação, todo mundo tem, é um copo. A gente vai colocando a inflamação lá dentro, durante o dia, uma hora transborda. Tem gente que nasceu com copo pequeno, tem gente que nasceu com copo grandão. Quem tem síndrome da ativação mastositária nasceu com copo pequenininho. Tem que colocar menos coisa inflamatória no dia. Entendi. Então seria o estresse em si, o estresse causou, né? É algo que entrou ali no copo, piorou ali. Dieta tem impacto direto nos sintomas? Com certeza. Só pra complicar, nem entrei nesse mérito, mas vou falar, tem alimento que tem estamina, tem alimento que faz a gente produzir estamina. E pior de tudo é que esses alimentos são saudáveis em geral. Quando a gente tá falando, vou dar alguns exemplos só pra... Nossa, acho que vou atrapalhar todo mundo agora. Normalmente a gente separa o que é saudável, é saudável de uma forma super branco no preto, não tem dúvida nenhuma. Pois é, e se eu te falar que tomate tem histamina, tem gelo, tem histamina, que banana tem histamina, que... E são alimentos que teoricamente são saudáveis, mas pra quem tem um dos sub tipos da intolerância à histamina, pode não tolerar esses alimentos. Nossa, é difícil, hein? Pra quem tá tentando encontrar um caminho realmente essa daí foi pra... Por isso tem um livro! Porque eu me perdi aqui. Quem tem sã? Sempre tem urticaria ou vermelhidão? É super frequente, muito frequente mesmo. É um dos sinais mais comuns. Tem um negócio chamado também... É... Nossa, fugiu a palavra. Mas que a gente passa o dedo aqui, consegue escrever o nosso nome na... Dermografia. E a gente escreve o nome. Super frequente. Não precisa ter, mas é super frequente. Sã é psicológica? De jeito nenhum. Pode dar alguns problemas, né? Mas você sabe que, quando eu era estudante de medicina, tinha uma brincadeira que era o Advanced Life PT Support. Tem o ATLS, tem o BLS, tem todos os sérios, aí tinha o Advanced Life PT Support. Um monte de brincadeira com as pessoas que chegam no pronto-socorro, entre aspas, tendo PT. Né? Aí eu lembrei disso quando eu estava escrevendo o livro e fui procurar e rever. Hoje eu acho que aquelas pessoas que estavam sendo caracterizadas como como pitizentas ou qualquer coisa do... poliqueixosas ou qualquer coisa desse tipo, na verdade, deviam estar tendo crise mastostária. Então... Olha que absurdo, né? A gente caracterizava um grupo inteiro que não tem nada. Isso aí é besteira sua. Na verdade, tem. É que a gente era incapaz de identificar ou nomear isso. Agora, esse último é para fechar com chave de ouro. São pode ser confundido com dezenas sim. E normalmente essa é a vida de quem tem sã. Carregam uns dez diagnósticos diferentes. Ah, eu tenho gastrite, diverticulite, limites, sinusite, otite, esofagite e por aí vai. E no final, a pessoa acha que realmente tem tudo isso. Que ela tirou na loteria das doenças. Estava lá no céu, entrou na fila de pegar doença vinte vezes. E na verdade, é uma coisa só que explica tudo. No final, o it é inflamação. É uma alerta para aquela famosa hipocondriaca que o pessoal chama. É óbvio, também existe. O hipocondriaco também existe. Mas eu acho que boa parte do que a gente classificava como hipocondriaco deveria ter a síndrome da ativação mastocitária. E para quem quer saber um pouquinho mais aqui, o site aqui, novamente, dois sites, não é, doutor? Amazon? Amazon e clube de autores. Para quem estiver interessado, o livro é grande, olha, levando um pouquinho aqui para mostrar. O livro é grande, tem bastante coisa. Mas tem imagem, tem a parte técnica, tem histórias. E é legal que não é só para médico. Não, para todo mundo. Para paciente também consegue entender. E tem a parte também, para quem quer se aprofundar um pouquinho mais no tema. Você viu um spoiler já de próximo livro, doutor? Nossa, eu estou pensando o que vai ser o meu próximo alvo. Não sabe ainda. Não, tem algumas ideias aqui em mente. Vai deixar para o ano que vem. Ah. Eu sou um procrastinador e hierarquicon. Mas foi rápido esse. Eu escrevo um livro quando tem alguma outra coisa super importante para fazer. Aí você fala, essa vai ser minha prioridade agora. Aí eu mudo a prioridade e esse daí foi rápido até, porque da última vez que a gente conversou. Quanto tempo foi para escrever esse daí? Nossa, eu estava bem empolgado. Acho que foi um mês e meio, dois meses para escrever o núcleo. Depois tem a parte mais lenta, fazer imagem, colocar tudo bonitinho. Mas aí tem a equipe que ajuda. A equipe sou eu. Aí coloca os créditos ali e a edição. Eu sou meio maníaco de fazer do meu jeito. Nossa, se eu passo para alguém fazer e depois volta, eu vou refazer e mudar. Vai dar trabalho dobrado. Legal, muito obrigada pela sua participação. Então a gente está deixando aqui todos os links. E para quem tiver alguma dúvida, suas redes sociais também, que você sempre posta bastante coisa, sempre dos assuntos mais atualizados, quer passar o perfil aqui? Doutor.alexandreamato. Eu me comprometo a fazer um videozinho de cada capítulo nos próximos dias. Quem quiser assistir, estarei lá. Combinado. Doutor, até a próxima. Vai ter um episódio muito legal, inclusive, que a gente vai lançar aqui com a Doutora Juliana, já dando um spoiler do nosso próximo episódio. Sem falar o título, mas que vai ser muito legal para essa época de final de ano. Até a próxima, Doutor. A gente vai dar um agradecimento aqui para o laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco do Origem é qualidade de vida e prevenção. Muito obrigada a você que acompanhou até o final do nosso episódio. Não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas. Obrigada.

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