💬 Canal WhatsApp

Lipedema Talks #12 · Reposição Hormonal e Lipedema: existe relação?

Mais sobre este vídeo

Lipedema Talks #12 · Reposição Hormonal e Lipedema: existe relação?

# Reposição Hormonal e Lipedema: Existe Relação? O episódio 12 do **Lipedema Talks** aborda a relação entre reposição hormonal e lipedema, com a endocrinologis

Capítulos

Perguntas respondidas neste vídeo

Já quero então começar entendendo como que foi a escolha dessa especialidade na sua vida, como que surgiu a relação com o lipedema, você já se interessava pelo assunto ou foi de surpresa?

>> É, acho que eu flutuei sobre em todas as áreas da medicina e quando eu passei pela endócrino, eu falei: "Nossa, a gente olha o corpo de forma completa". É, não só o lipedema, mas hormônios, glândulas e eu falei: "Não, é aqui que eu vou ficar para a gente poder olhar de uma forma mais integral o corpo da mulher e dos pacientes".

>> É, eu eu fico no hospital, mas eu acho que a área de endócrino é uma área muito mais de consultório mesmo, né?

Que a gente vai ter esse acompanhamento.

É, a gente tem algumas emergências?

Tem, mas é uma quantidade muito pequena. Então a gente acaba focando nesse acompanhamento a longo prazo, orientação das mulheres, principalmente na perimenopausa e menopausa. >> Legal.

Como que a gente pode definir então >> [roncando] >> a causa?

>> Então, Letícia tá falando em endócrino, eu falo que todas as doenças, a maior parte, elas são multifatoriais. Então, quando a gente fala do lipedema, também, ele existe uma questão genética, existe uma questão hormonal, de estilo de vida, de receptores hormonais.

Por exemplo, aquela mulher quando chegou até lipedema quando está um pouco mais velha, mas ela já tinha quando era adolescente, ela não conseguiu identificar ou pode surgir ao longo da vida?

>> Ela pode surgir, mas muitas vezes é uma fase inicial, ou seja, esses receptores, essas células de gordura sem inflamação, elas tão ali.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um episódio do Lipedema Talks e mais uma vez agradeço o carinho da sua audiência e participação aqui com a gente para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida.
Nosso episódio de hoje é sobre reposição hormonal e lipedema.
Existe relação? A gente vai responder essa pergunta e antes de tudo, eu vou apresentar nossa especialista, a nossa convidada especial de hoje, que é a doutora Ana Priscila Soggia, médica endocrinologista com atuação no Hospital Sírio-Libanês e no Centro Terapêutico Acta Livre em São Paulo.
Atua no acompanhamento hormonal e metabólico de mulheres em diferentes fases da vida.
Bem-vinda, doutora.
>> Obrigada, Letícia.
É um prazer estar aqui para a gente conversar sobre esse tema que é tão importante e frequente na população brasileira e que muitas mulheres nem sabem que tem esse diagnóstico.
>> Com certeza.
Já quero então começar entendendo como que foi a escolha dessa especialidade na sua vida, como que surgiu a relação com o lipedema, você já se interessava pelo assunto ou foi de surpresa? >> É, acho que eu flutuei sobre em todas as áreas da medicina e quando eu passei pela endócrino, eu falei: "Nossa, a gente olha o corpo de forma completa".
É, não só o lipedema, mas hormônios, glândulas e eu falei: "Não, é aqui que eu vou ficar para a gente poder olhar de uma forma mais integral o corpo da mulher e dos pacientes".
>> Legal.
E hoje a sua rotina, eu vi aqui que você atende no hospital, no centro terapêutico também.
Então acaba tendo dois lados aí da do dia a dia.
>> É, eu eu fico no hospital, mas eu acho que a área de endócrino é uma área muito mais de consultório mesmo, né? Que a gente vai ter esse acompanhamento.
É, a gente tem algumas emergências? Tem, mas é uma quantidade muito pequena.
Então a gente acaba focando nesse acompanhamento a longo prazo, orientação das mulheres, principalmente na perimenopausa e menopausa.
>> Legal.
Bom, então já respondendo a nossa pergunta aqui do tema do episódio, afinal, né? Qual que é a relação dos hormônios com o lipedema? É algo genético? É algo só da pessoa? Relacionado aí a uma algum problema na nos hormônios mesmo? Como que a gente pode definir então >> [roncando] >> a causa? >> Então, Letícia tá falando em endócrino, eu falo que todas as doenças, a maior parte, elas são multifatoriais.
Então, quando a gente fala do lipedema, também, ele existe uma questão genética, existe uma questão hormonal, de estilo de vida, de receptores hormonais.
É um conjunto de fatores que acontece naquele espaço do adipócito, do tecido gorduroso, fazendo com que a gente tenha muito mais inflamação, muito mais dor, muito mais fibrose e os sintomas que essas mulheres vão ter ao longo do da da sua jornada.
>> Tá.
E tem fases, então, que do do momento ali da vida daquela mulher que a gente pode falar que o lipedema pode tá melhor ou pior e que pode manifestar, de fato.
Por exemplo, aquela mulher quando chegou até lipedema quando está um pouco mais velha, mas ela já tinha quando era adolescente, ela não conseguiu identificar ou pode surgir ao longo da vida? >> Ela pode surgir, mas muitas vezes é uma fase inicial, ou seja, esses receptores, essas células de gordura sem inflamação, elas tão ali.
Tem um componente genético importante, né? Essa mudança de receptores que a gente tem nas células de gordura.
Mas em algum momento, quando a gente tem essa oscilação e a gente tem uma mudança hormonal, como na adolescência, na gestação ou durante a perimenopausa e menopausa, essa intensidade de mudança de produção hormonal também intensifica esses sintomas e piora o quadro clínico.
>> Então, entendi.
Então, a gente pode falar que na nessa fase aí da da menopausa mesmo é onde acaba sendo mais fácil também identificar? Acaba sendo mais fácil diferenciar, né? Daquilo que é normal.
>> gente fazer o diagnóstico, né? Porque quando a gente vai falar de lipedema, a gente tem vários estágios.
Então, muitas mulheres têm, porque a gente viu, a gente tem alguns estudos da da população brasileira mostrando que a gente tem quase 12% das mulheres, a gente tá falando quase em 8 milhões de mulheres.
E nem todas elas sabem que têm esse diagnóstico, até porque essa manifestação é em intensidades diferentes.
Então, uma intensidade mais leve, a gente confunde muito com o que é lipedema ou com o que é gordura.
Lógico que num estágio mais avançado, aquilo, além de causar um incômodo e levá-la a procurar um médico, é é muito mais fácil a gente fazer o diagnóstico clínico.
Mas eu acho que respondendo a sua pergunta, durante a perimenopausa e menopausa, a gente tem uma intensificação desse quadro clínico que muitas vezes faz essa mulher procurar o médico e fazer um diagnóstico.
>> Uhum.
E quais hormônios que estão relacionados, que tem mais impacto nessa nesse nosso >> principal é o estradiol.
A gente sabe que nas mulheres com lipedema a gente tem uma mudança, a gente tem dois tipos de receptores de estradiol, o receptor alfa e o receptor beta.
E nas mulheres com lipedema a quantidade de receptores beta nas células de gordura essa é muito maior, fazendo com que essa célula cresça desproporcionalmente, tenha um quadro de fibrose, um quadro de inflamação, chama essas células inflamatórias que a gente chama de mastócitos, eh, fazendo com que ela tenha muito mais dor, muito mais edema e um acúmulo de gordura nessa região.
>> Tá.
E toda mulher que tem que foi diagnosticada com lipedema, ela vai encontrar alguma disfunção hormonal, algum algum problema hormonal ou não necessariamente? >> É, um letícia, é, inclusive, antigamente a gente falava: "Olha, a gente tem um excesso de estradiol nessas mulheres".
E aí os estudos mostram que a quantidade de estradiol nas mulheres com lipedema e sem lipedema é igual.
Então, ou seja, a questão não é a produção hormonal, mas são esses receptores, é essa periferia, ou seja, a célula de gordura, esse substrato na região dos membros inferiores que é diferente entre essas mulheres.
Então, muitas vezes o valor de hormônio e a produção ela é igual ao longo eh entre, né, as mulheres.
Mas naquela mulher ela tem um impacto diferente.
Eu gosto de fazer uma analogia com o TPM.
Hã, nem todas as mulheres vão ter uma TDPM, que é aquele transtorno disfórico pré-menstrual.
Não tem mulheres que ficam muito mais sensíveis, muito mais chorosas.
Muitas vezes isso não é o valor do hormônio, mas é o quanto essa variabilidade de hormônio causa de impacto na saúde mental, nos neurotransmissores.
A mesma coisa no lipedema.
É o quanto essa variabilidade hormonal que acontece na fase da perimenopausa e menopausa, naquela mulher que tem uma uma célula de gordura diferente, causa um impacto muito maior inflamatório.
>> Entendi.
E toda reposição, para todas as mulheres que foram diagnosticadas, que tem essa essa variação, a reposição hormonal pode ser útil ou também vai de paciente para paciente? >> Então, acho que isso é muito importante.
Hoje a gente já tem muito claro que a reposição hormonal ela traz benefícios para as mulheres nessa fase.
Do ponto de vista de qualidade de vida, de saúde óssea, de prevenção cardiovascular.
Então, a mulher que tem uma indicação, seja porque ela tem sintomas ou porque ela teve uma menopausa precoce, ela tem uma indicação de fazer reposição.
E por muito tempo, muitas mulheres tinham medo de fazer reposição.
Porque elas achavam que iam piorar o lipedema, muitos médicos tinham medo de fazer a reposição e aumentar o risco de trombose.
E muitas mulheres começavam a reposição e pioravam o lipedema.
E aí elas falavam: "Não, não quero mais".
Então, hoje a gente tem bem claro que essas mulheres não tem contraindicação de fazer reposição.
A reposição ela vai ser benéfica nessas mulheres, mas a gente tem que saber fazer a reposição.
Ou seja, a dose certa, a via certa, para que justamente ela não tenha esses efeitos colaterais e pare o tratamento.
>> Tá.
E a gente fala muito de reposição, né? Desde os das mais jovens até as mais velhas.
Essa palavra a gente já ouviu falar em algum momento da vida, mas o que que é de fato a reposição, né? Como que funciona ali na prática, no consultório, de quanto em quanto tempo, enfim.
Como que funciona isso? >> Eu falo que falar sobre hormônios é um tabu, falar sobre reposição hormonal por muito tempo também foi um tabu.
E hoje em dia eu acho que a gente tem tantas informações que não são corretas, aí a modulação hormonal, o excesso de hormônio.
Então, a gente tem que tomar um pouco de cuidado, até para a gente poder estar num terreno muito seguro para essas mulheres com lipedema que não podem ter excesso hormonal.
Então, hoje a gente sabe que a gente tem um momento da vida da mulher que esse ovário, ele deixa de funcionar, ele não acompanhou essa expansão da longevidade.
A gente tem cada vez, né, eh, vivido mais, mas o nosso ovário, ele entra em falência, eh, aí ao redor dos 48 anos na população brasileira.
E quando ele entra em falência, ele não consegue mais produzir os hormônios.
Mas embora essa média de idade seja entre 48 e 52 anos, anos antes, que é o período da perimenopausa, a gente já tem uma mudança da produção hormonal, que é justamente quando a gente pode ter uma piora do lipedema por uma grande flutuação hormonal que a gente tem nessa fase.
Então, essa mulher, né, ela tem a vida reprodutiva, naquele momento que ela tem os ciclos hormonais regulares e antes de entrar na menopausa, esse ovário já vai dando sinais de falência, de uma produção hormonal diferente do que ele costumava a produzir na sua vida reprodutiva.
Com isso, a gente tem muita flutuação, a gente tem valores hormonais mais baixos, valores hormonais mais altos, numa montanha-russa, fazendo com que isso piore o lipedema e também traga outros sintomas independentes do lipedema.
Alterações de sono, alteração de humor, fadiga.
Quando eu tô chegando mais perto da menopausa, os fogachos.
E todo esse quadro clínico, ele é uma indicação para trazer o tratamento e bem-estar para a saúde dessa mulher.
>> Tá.
E, e a indolor, a gente pode, na verdade, tem várias formas ali, né? Como é que funciona assim na, na prática, doutora? >> Na prática.
Então, assim, hoje a gente recomenda, independente do lipedema, a reposição hormonal via transdérmica, no qual esse estradiol é feito na forma de gel, de adesivo ou de puff, [roncando] que a gente tem mais recentemente no mercado brasileiro.
Eh, nas mulheres com lipedema, essa recomendação é ainda maior que seja transdérmica, para não aumentar o risco de trombose.
E aí aqui fica, né, essa orientação para vocês que tão acompanhando.
Então, por muito tempo e a maior parte dos estudos de reposição hormonal é através da via oral, porque era o que a gente tinha inicialmente.
No entanto, essa via a gente sabe que aumenta o risco de trombose e as mulheres com lipedema, justamente pela estase que a gente tem, a gente, por essa, essa, essas veias que a gente tem no, nessa fibrose nos membros inferiores, tem um maior risco de trombose.
Então, é uma orientação das sociedades que elas não façam via oral e façam a forma transdérmica e não, não dói.
É algo que, na verdade, a gente só tem que criar uma consistência, porque a maior parte das vezes eu tenho que passar todo dia o gel ou puff, o adesivo são duas vezes por semana, mas eu falo que é essa aderência ao tratamento para que a gente possa ter o benefício.
>> E até melhorar ou ou seria assim, para o resto da vida, para quem foi diagnosticada com lipedema, teve aquela melhora clínica, consegue parar a reposição também? >> Então, a gente tem que entender, Letícia, para que que a gente entrou para a reposição hormonal nessa mulher.
Foi para o lipedema ou foi para todos os outros sintomas de perimenopausa e menopausa que essa mulher tem? Então, ou seja, a gente está falando de uma, de, né, de, de um quadro clínico muito mais amplo que essas mulheres têm.
Então, em relação ao sono, em relação à saúde mental.
E antigamente existia uma recomendação de a gente fazer a reposição hormonal só por cinco anos.
Hoje, a gente, na verdade, não tem tempo previsto.
Se essa mulher quiser fazer durante cinco, 10, 15, 20 anos, ou seja, enquanto ela estiver se sentindo bem, estiver sentindo benefícios da reposição e ela não tiver nenhuma contraindicação ao longo do seu acompanhamento, o exame de ultrassom está tudo bem, o exame da mama, mamografia está tudo bem, ela pode manter essa reposição se ela desejar.
Então, ela não tem mais contraindicação ou necessidade de parar.
>> Tá.
Agora vai acender uma, o pessoal ficou interessado, né, quem está acompanhando.
E tem algum risco assim que a gente tá fala de muita, muita coisa na internet também, acaba surgindo né, no meio desses assuntos.
Existe algum risco mais importante que vale a pena a gente dizer, doutora? >> Então, por muito tempo tabu era em relação ao câncer de mama, né? Então, muitas mulheres, a gente tem uma geração inteira desde 2000, 2002, que quando a gente teve o estudo publicado, que foi o WHI, de médicos que não queriam prescrever a reposição, eh, pelos resultados desse estudo, um medo do câncer de mama, e mulheres que também não queriam receber.
Eu acho que por esse mesmo conceito.
Nos últimos 15, 20 anos, a gente tem novos estudos mostrando que, eh, numa dose baixa, numa forma transdérmica, com uma progesterona micronizada, que não é uma progestina sintética, é uma progesterona natural, né, isomolecular, ou seja, tem a mesma estrutura >> [roncando] >> que o hormônio do nosso corpo, a gente não viu esse aumento de risco.
Tanto que esse ano a gente teve a retirada pelo FDA, né, antigamente a reposição hormonal ela tinha uma tarja preta, de, de, na verdade, de aviso, de cuidado.
E foi retirada justamente porque os estudos mostraram que a gente tem benefícios e esse risco de câncer de mama com essa nova proposta de reposição hormonal, ela é praticamente zero.
Então, na verdade, a gente pode usar com muito mais segurança.
Nas mulheres com lipedema, eu acho que é muito importante que vocês conversem com o médico que seja especialista da área.
Porque dependendo da rota, né, da via de administração, se for oral ou transdérmica, e da dosagem, a gente pode ter uma piora do lipedema, por pico e flutuação hormonal.
Então, é muito importante que faça de uma maneira lenta, a gente vá aumentando aos poucos, a gente ajuste pra menor dose necessária, e a gente respeite muito a periferia.
A gente fala, né, a gente tem um termo médico que é, a gente melhorar os fogachos, a gente melhorar os sintomas dessa mulher na perimenopausa e menopausa, mas respeitar a periferia, o lipedema, é, para que a gente não tenha uma piora e tenha que dar dois passos para trás.
>> Uhum.
De contraindicação seria mais isso? >> [roncando] >> Na verdade, hoje a contraindicação são mulheres que já tiveram câncer de mama ou algum tumor hormônio dependente, então câncer de endométrio.
Mulheres que tiveram infarto, [roncando] AVC, mulheres que na verdade tiveram uma trombose, uma trombofilia com momento de de risco de trombose, embora a trombose recentemente no congresso de hematologia que teve esse ano, é, ela deixou de ser uma contraindicação absoluta, então ou seja, na forma transdérmica como não tem o risco de trombose, ele tem sido liberado para mulheres que já tiveram uma trombose prévia com algum batimento, mas é claro que tudo isso vai ser individualizado com o seu médico.
>> Tá.
Agora a pergunta que não quer calar também que eu lembrei aqui, se engorda.
Imagino que essa essa seja a preocupação de muitas pacientes que te procuram, né? >> Olha aí, vou falar para você, Letícia, ela como é ao contrário.
Então hoje a gente já tem estudos mostrando que a reposição hormonal ela é um aliado metabólico.
Ela não leva a perda de peso, mas ela melhora o metabolismo, ela melhora o sono, ela melhora o bem-estar, ela dá todas essas condições para que a mulher muitas vezes comece a perder peso quando ela ganhou peso numa fase anterior.
E em alguns estudos, é, mais recentes com essas novas medicações que são os análogos de GLP-1, aquelas canetinhas que a gente conversa que é a tirzepatida, o Mounjaro.
Mulheres que faziam uso da reposição hormonal tiveram mais perda de peso com esse tratamento do que as mulheres que não faziam durante a menopausa.
Então ou seja, quando eu associo ao tratamento do peso à reposição, o meu resultado é melhor ainda.
Então ou seja, é, ela não é uma medicação, ah, então eu vou fazer reposição para perder peso? Não.
Mas ela vai me ajudar nesse processo se eu tiver com todo um outro tratamento estruturado para isso.
>> Entendi.
Então é bom esclarecer essa parte.
>> E não ganha peso, ponto.
>> É muita gente vem com essa preocupação estética, né? Imagino.
>> Eu acho que sim, é uma soma, porque muitas vezes a mulher não se reconhece no seu corpo.
Ela tem um ganho, principalmente da região abdominal, que é inflamatória.
Que na verdade aumenta risco cardiovascular, que piora o lipedema.
Então, ou seja, é, não é interessante para essa mulher ganhar peso, do ponto de vista de autoestima e do ponto de vista de saúde.
Então a gente tem estratégias que ajudem ela a manter o peso ou perder quando isso aconteceu anteriormente, é importante.
>> Uhum.
E doutora, falando um pouco aqui do congresso, quando esse episódio for ao ar, o congresso já vai ter acabado, então a gente já vai poder dar alguns spoilers de bastidor, né? O o tema da sua palestra traz alguma novidade sobre os anos anteriores, sobre as esse mundo que envolve os hormônios, na sua avaliação tá mais, é, tudo mais moderno mesmo? Qual que é a sua projeção assim para esse ano de 2026 e até um pedaço de 2027, né? Porque até a gente voltar aqui.
>> Exatamente.
Eu acho que cada vez mais a gente tem estudado o lipedema.
Então ele ainda é um assunto, a gente tem muito poucos estudos de reposição hormonal em mulheres com lipedema, nossa casuística de literatura científica é muito baixa.
Então cada ano a gente tem mais estudos e cada ano a gente tem mais possibilidades em relação a propostas de reposição.
Então antigamente a gente só tratava mulheres na menopausa, agora a gente trata mulheres na perimenopausa também, que é aquele período antes da menopausa.
E que é um momento, meninas, que eu quero deixar aqui de atenção.
Então a gente cada vez mais fala do transdérmico, de uma dose baixa, de começar devagar, são todas as regras de ouro quando a gente fala da reposição no lipedema.
Mas é muito importante o período de perimenopausa.
Então mulheres a partir dos 40 anos, que muitas vezes, ah, começam a perceber uma mudança, mas ainda podem ter uma menstruação regular, é nessa fase que a gente tem um impacto importante no lipedema, um impacto importante na nossa qualidade de vida.
E nos estudos mais novos, que são algumas novidades, é justamente nessa fase que vale a pena a gente intervir pra gente diminuir esse risco de piorar nossa saúde.
>> E pra finalizar também, eu queria saber um pouquinho sobre como que tá funcionando essa questão da reposição hormonal relacionada ao lipedema, né? Porque é o nosso foco aqui no lipedema talks.
É, pro Sistema Único de Saúde, pro SUS, qual que é sua avaliação? Ainda é limitado? É, eu sei que acaba sendo de forma geral, inclusive no nosso episódio anterior, Dra.
Daisy comentou um pouco sobre isso, acho que é legal a gente também esclarecer como que tá funcionando, né? >> É, essa é uma pena, né? Então assim, eu acho que independente do lipedema, Letícia, a nossa cartela de opções no SUS, ela é muito pequena, então as medicações que a gente tem de terapia de reposição hormonal no Rename é muito baixa.
É, a gente não tem um treinamento médico adequado pra receber as mulheres na perimenopausa e menopausa, fazer o diagnóstico correto, fazer a prescrição.
Muitos médicos realmente que tão nesse atendimento básico não sabem fazer reposição hormonal e deixam de indicar pras pacientes.
Trazendo pro lipedema, acho que esse cenário às vezes ainda é mais difícil, porque as medicações que a gente tem disponível são medicações orais que são contraindicadas, que tem uma piora no lipedema, justamente pelo risco de trombose.
A gente tem progestinas que pioram o lipedema.
Então, ou seja, hoje a gente tem uma proposta segura de reposição hormonal no lipedema, mas essas medicações, elas não se encontram no SUS.
E aqui o pior, eu acho que a gente não tem esse médico treinado pra perimenopausa e a gente também não tem esse médico treinado pro lipedema.
Pra fazer o diagnóstico, pra dar essas orientações adequadas, principalmente nos estágios iniciais, é, quando a gente pode também trabalhar de uma forma preventiva.
Então, eu acho que todo mundo sai perdendo, a mulher com lipedema, a mulher com perimenopausa, a mulher com perimenopausa e menopausa com lipedema.
É, mas eu acho que a gente tem trazido mais esses tópicos, os dois tópicos, lipedema e menopausa, ah, pra roda de conversa, fazendo com que as autoridades também, né, eh, mudem esse olhar e possam pensar num treinamento desses profissionais e dessa cartela de propostas, eh, medicamentosas que são oferecidas.
>> Uhum.
E dá pra fazer algo por fora, além de todo esse tratamento, que a própria paciente consiga pra, pra ajudar quem tá acompanhando a gente e depende do SUS, do Sistema Único de Saúde? >> É, sempre dá, né? Eh, a gente tem médicos particulares, a gente pode passar com o médico do SUS e muitas vezes ele prescrever, mas a verdade, Letícia, é que a gente tá falando de um tratamento a longo prazo, né? Eu lembro de uma vez que eu tava conversando com uma médica, ela falou: "Ah, então, Pri, era uma mulher com menopausa precoce e total indicação de fazer reposição, muito sintomática, e não tinha nada disponível".
A gente tá falando aqui em Campinas, do lado de São Paulo, a gente não tá falando nem de todo o Brasil.
E aí ela falou: "Não, doutora, eu vou me esforçar, eu vou comprar.
Qual é o valor?" Ah, ela falou: "Ah, então, uns 100, 100 e poucos reais".
"Por quanto tempo?" Não, nos próximos 10 anos.
Opa! Então, não é algo que seja pontual, né? A reposição hormonal, o tratamento do lipedema, ele é um processo contínuo, ele é um processo de anos.
Então, muitas vezes, essa paciente, ela tem essa dificuldade de manter essa proposta a longo prazo.
E por isso a importância de a gente incluir essas propostas dentro dessa cartela do SUS.
>> Uhum.
Importante mesmo.
Doutora, muito obrigada.
Eu queria aproveitar, deixar um espaço aberto aqui, se você quiser passar algum site, alguma rede social, se quem tá acompanhando quiser te encontrar, como é que faz? >> Meninas, o meu Instagram é DRA de doutora, underline, Ana Priscila Soggia.
Ana Priscila com SC, Soggia, S O G G I A.
Vocês vão ser muito bem-vindas.
Lá a gente fala sobre tudo, sobre lipedema, sobre saúde da mulher, sobre relacionamentos.
É um espaço nosso.
>> Legal.
E aí também no Hospital Sírio, né, que a gente falou e no Centro Terapêutico Aktalise, que eu falei no início.
A gente vai deixar então os links para quem quiser já ser direcionado direto para as páginas, tá bom, doutora? >> Muito obrigada pelo convite, Letícia.
Muito bom conversar com você.
>> Obrigada, doutora.
Parabéns pelo trabalho.
E obrigada a você que acompanhou até o final.
Não deixe de curtir, comentar e compartilhar, que é muito importante para que a gente continue trazendo os nossos especialistas.
Muito obrigada e até a próxima.
Tchau.

Consulte um especialista

Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.