O Dr. Alexandre Amato aborda a forte associação entre varizes e lipedema, duas condições prevalentes em mulheres. Enquanto cerca de 45-50% das mulheres desenvol
Tem vários aspectos que têm que ser considerados. O tratamento cirúrgico das varízes é muito mais fácil de ser liberado por um convênio, então é um procedimento mais linear, vamos dizer assim. A gente sabe que vai pedir o procedimento, ele vai ser realizado e em pouco tempo o paciente já está de volta às atividades, falando de cirurgia de varízes.
Tem um trabalho na literatura bem interessante que mostra que nessa associação, quando fazem a cirurgia das varízes na presença do lipedema, em mais da metade dos casos não há uma melhora do inchaço. Houve um erro de qual era a causa principal do inchaço dessa paciente.
Olá, sou o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular do Instituto Amato, e hoje eu vou falar sobre a associação de duas doenças muito frequentes, que é varízes e o lipedema. As varízes ocorrem, quando eu estou falando de mulheres, em torno de 45% a 50% das mulheres vão apresentar varízes durante a sua vida. O lipedema ocorre em 11% das mulheres, então vocês podem ver que ambas são doenças muito prevalentes, muito frequentes.
Como eu estou falando de lipedema, que é uma doença restrita às mulheres, a frequência das varízes nos homens não interessa nesse vídeo aqui, mas para as mulheres, então, 45% a 50% vão ter varízes e 11% das mulheres têm lipedema. Agora, quando a gente pega as pacientes que têm lipedema, em torno de 39% delas vão apresentar varízes, e quando eu pego as pacientes com lipedema, 52% a 53% dessas pacientes vão apresentar os famigerados vazinhos, aquelas varízes bem fininhas, aqueles vazinhos dilatados, as telangiectasias. Então, a população que tem lipedema tem uma frequência muito maior de varízes e vazinhos.
Por isso, a discussão dessa associação é muito importante. A gente precisa falar do diagnóstico e do tratamento e como que isso tem que ser feito. Por quê? Porque a queixa, os sinais e sintomas do lipedema e das varízes podem se confundir.
Então, tanto o lipedema quanto as varízes vão causar inchaço, dor, peso, cansaço, aquela sensação de edema nas pernas, às vezes uma fadiga nas pernas. Todas essas queixas, então, podem acontecer em ambas as doenças. Por isso, é muito importante a gente identificar qual sintoma está vindo de qual doença, porque se a gente trata a doença que está dormindo, que não está causando sintoma, muitas vezes a gente causa uma piora desses sintomas após o tratamento.
Mas nem tudo é notícia ruim. O que eu posso falar também de notícia boa é que alguns tratamentos da doença venosa das varízes também ajudam no lipedema. Então, muitas vezes a gente mira num alvo, acaba errando esse alvo e tratando um outro sem querer.
E tem uma certa melhora. Veja, no tratamento das varízes, a elastocompressão, o uso da meia elástica, é também benéfico para o lipedema. Óbvio, não numa fase crítica inflamatória, mas ele vai ajudar.
Vai ajudar a evitar a progressão da doença, diminuir a sensação de inchaço. Então, às vezes, a gente está tratando uma coisa e acerta outra, desde que tenha um benefício para o paciente, está ótimo. Além disso, evitar a obesidade.
Evitar a obesidade é bom tanto para o lipedema quanto para as varízes. A obesidade é muito frequente e acontece em ambas as doenças. A obesidade acaba piorando a evolução tanto do lipedema quanto das varízes.
O tratamento medicamentoso das varízes tem alguns medicamentos que causam uma melhora discreta, mas causam também no lipedema. Então, veja, às vezes o paciente tem as duas doenças, às vezes tem uma doença sintomática e a outra acaba dormindo sem causar sintomas, mas desde que a gente acerte o tratamento, às vezes errando o diagnóstico, mas acertando o tratamento, vai trazer um benefício para o paciente. Agora, vamos falar do que trata antes.
Vamos supor que eu tenho o diagnóstico preciso, bem feito, tanto das varízes quanto do lipedema. Qual que se trata antes? Tem vários aspectos que têm que ser considerados. O tratamento cirúrgico das varízes é muito mais fácil de ser liberado por um convênio, então é um procedimento mais linear, vamos dizer assim.
A gente sabe que vai pedir o procedimento, ele vai ser realizado e em pouco tempo o paciente já está de volta às atividades, falando de cirurgia de varízes. Mas às vezes as queixas não estão vindo das varízes, estão vindo do lipedema. E esse é um problema bem grande, porque quando a gente faz o tratamento cirúrgico das varízes num paciente com lipedema e numa fase inflamatória crítica do lipedema, muitas vezes há uma piora dramática desses sintomas.
Então o que a gente vê? Tem um trabalho na literatura bem interessante que mostra que nessa associação, quando fazem a cirurgia das varízes na presença do lipedema, em mais da metade dos casos não há uma melhora do inchaço. Houve um erro de qual era a causa principal do inchaço dessa paciente. Agora, com relação aos sintomas varicogênicos, mesmo na presença do lipedema, pode ter em torno de 20% das pacientes que não vão ter uma melhora desses sintomas.
Então o ideal é, no mínimo, estar fazendo o tratamento clínico do lipedema para sair dessa fase inflamatória e aí sim pode fazer o tratamento das varízes com êxito muito bom, com probabilidade de êxito muito alta. Agora, um outro aspecto interessante, o lipedema sempre vai ter que ter o tratamento clínico. Nenhuma paciente com lipedema deve fugir, evitar o tratamento clínico.
O tratamento clínico é essencial, mas o padrão ouro é o tratamento cirúrgico, que é a lipoaspiração. E um aspecto bem interessante da lipoaspiração é que, ao se fazer a lipoaspiração, as veias varicosas podem sair também durante o procedimento cirúrgico. Então você acaba tratando cirurgicamente o lipedema e há uma melhora significativa das varízes também.
Mas há uma dificuldade maior numa liberação de convênio ou numa aprovação para que isso seja realizado com o fomento do convênio. Então é muito importante discutir com o seu médico qual doença tratar antes, embora, segundo o meu ponto de vista, o lipedema sempre tem que começar antes, pelo menos com o tratamento clínico. Isso é indiscutível.
Não vale a pena fazer tratamento estético de varízes, aplicação, laser, o que quer que seja, se não tiver controlado clinicamente o lipedema. Vai ter problema de mancha, vai ter problema de dor, inchaço e um pós-procedimento mais incômodo. O grande problema é quando tem uma doença e a outra não é diagnosticada.
Então é por isso que tem que conversar bastante com o seu médico, tem que entender os riscos e benefícios de cada tratamento. E o que eu sempre falo para todo mundo, faça todas as perguntas antes do procedimento. Não deixe para fazer depois, não fique com uma dúvida para depois.
Tiver alguma dúvida, quer uma segunda opinião, segunda opinião antes do procedimento. Porque se fizer o procedimento e alguma coisa der errado, depois você não quer uma segunda opinião, depois você vai querer perícia e é outra coisa. Trate as duas doenças, converse com um médico especialista nas duas doenças, que é o cirurgião vascular.
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Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.