O depoimento relata a experiência traumática de uma mulher com lipedema, centrada no preconceito e na falta de acolhimento que sofreu. O ponto de partida foi um
E aí, eu fui embora para minha casa, falei, nunca mais, não quero ver essa pessoa nunca mais, vergonha. No dia seguinte, ele me ligou, ligou, ligou, eu não atendi o telefone, porque eu não queria, eu falei, para mim, nunca era essa pessoa nunca mais, gostava dele, mas falei, não quero mais.
Esse foi um caso. Os outros casos foram uma vez que ela, a própria mãe dele, me ligou, aí eu já tinha casado, acabei casando, né, tudo mais, aí ela de vez em quando me ligava de manhã, ah, tudo bem, tudo bem, ah, então, eu sempre falo com o seu marido sobre isso, melhorando as suas pernas, o seu problema, eu chamo a doença, o problema, aí um dia ela falou assim para mim, é então, é bom que eu te conheço, porque você é tão esperta, faz tudo, você faz tudo, porque eu sempre tive esse preconceito de que mulher de canela grossa é preguiçosa.
Aí quando começaram os problemas das minhas pernas, a minha mãe às vezes falava assim, ah, filha, tem alguma coisa errada, que triste, né, porque tá feio, né, tem que resolver mesmo.
Eu tive a felicidade, quer dizer, eu diria que o lipedema foi o patrocinador do meu divórcio, foi, porque foram anos casadas, mas anos infelizes, eu sempre fui, eu não me sentia, os comentários tinha sempre aquela connotação, eu sou educada, mas ali no meio tem aquele contexto, você não precisa ser esperto.
Mas, assim, eu acho que comentaram o que mais me marcou na minha vida, mais me marcou na minha vida. Meu marido, não meu marido atual, meu ex-marido, na primeira noite de intimidade, que eu tive, eu estava de pé, eu tirei a roupa, ele estava sentado na cama, ele olhou para mim, nossa, o que que tem de errado com suas pernas? Eu tinha um corpo lindo, sim, eu achava que tinha um corpo lindo, tinha uma coisinha pequena, quase que imperceptível, o que que tem de errado com as suas pernas? Aí, bom, como que você se sente, né? Mas sabe, minha mãe, ela fez até o sexto ano de medicina, mas depois ela parou para criar filho, não seguiu, eu vou perguntar para minha mãe, qual que é o problema das suas pernas? Assim, o que que você faz naquela hora? Não faz, né? Ok, fiquei meio chateada, vesti, tudo mais, honestamente, a gente estava noivo, já tinha me pedido em casamento, nesse dia, né? E aí, eu fui embora para minha casa, falei, nunca mais, não quero ver essa pessoa nunca mais, vergonha. No dia seguinte, ele me ligou, ligou, ligou, eu não atendi o telefone, porque eu não queria, eu falei, para mim, nunca era essa pessoa nunca mais, gostava dele, mas falei, não quero mais. Aí, a gente combinou, resolvi atender, estava bravo, tudo mais, resolvi atender, aí a gente marcou de jantar, a gente foi jantar na América, aí ele chegou lá com papel, aí eu falei assim, ele falou, ah, você está estranho, eu falei, não, é normal, não sei o que é tal, tive um dia ocupado, ele abriu, tirou do bolso um papel, ah, eu conversei com a minha mãe sobre o problema das suas pernas, ela disse que você tem um problema de limfático, isso daí é característico de uma pessoa que tem problema de limfático, mas ela falou também que isso daí é melhor nem mexer, porque isso não tem cura. Daquele momento, para a frente, eu nem escutava mais o que ele estava falando, isso é um trauma, né? Esse foi um caso. Os outros casos foram uma vez que ela, a própria mãe dele, me ligou, aí eu já tinha casado, acabei casando, né, tudo mais, aí ela de vez em quando me ligava de manhã, ah, tudo bem, tudo bem, ah, então, eu sempre falo com o seu marido sobre isso, melhorando as suas pernas, o seu problema, eu chamo a doença, o problema, aí um dia ela falou assim para mim, é então, é bom que eu te conheço, porque você é tão esperta, faz tudo, você faz tudo, porque eu sempre tive esse preconceito de que mulher de canela grossa é preguiçosa. O que? Quer dizer, eles se conversavam o tempo todo sobre esse assunto, se conversavam o tempo todo sobre esse assunto, então eu diria que esse foi traumático, né? Na minha, na escola, não porque não tinha problema antes, né, disso, quando eu falei que eu tive esse problema, que eu já estava formada, eu já tinha saído da faculdade até, que eu terminei com 20 anos, eu acho que 20 anos eu terminei, eu já tinha terminado a faculdade, então assim, nunca tive problema na escola, corpo normal, sempre tive, tinha assim, eu sempre tive muita cintura, quadril grande, mas assim, era outro tipo de comentário que eu recebia, né? Aí quando começaram os problemas das minhas pernas, a minha mãe às vezes falava assim, ah, filha, tem alguma coisa errada, que triste, né, porque tá feio, né, tem que resolver mesmo. Algumas vezes, por exemplo, quando eu ia para o spa, né, que eu queria resolver isso, ah, será que não tem lipoaspiração? Eu fui consultar o cirurgião plástico, o cirurgião plástico falou, olha, não existe cirurgia plástica para o doutor nozelo, porque aí passa todas as terminações nervosas, que te segura em pé, você pode ficar paralítica, então, você tá feliz, você tá infeliz com as suas pernas, mas você pode andar, tem gente que não anda, sabe assim esses comentários? Olha, a minha mãe sempre falava isso, filha, fica contente, tem gente que não anda, você já assistiu para a Olimpíada? Olha quanta gente sem perna, isso não resolve, pode até ser verdade, mas não resolve, né? Eu tive a felicidade, quer dizer, eu diria que o lipedema foi o patrocinador do meu divórcio, foi, porque foram anos casadas, mas anos infelizes, eu sempre fui, eu não me sentia, os comentários tinha sempre aquela connotação, eu sou educada, mas ali no meio tem aquele contexto, você não precisa ser esperto.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.