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CETAMINA no Tratamento da Depressão: Dr. Tiago Gil Explica Tudo | Ep. 54

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CETAMINA no Tratamento da Depressão: Dr. Tiago Gil Explica Tudo | Ep. 54

A cetamina é uma opção terapêutica moderna e eficaz para a depressão, especialmente em casos resistentes. O Dr. Tiago Gil esclarece que a depressão é uma doença

Capítulos

Perguntas respondidas neste vídeo

Quem vai fazer ketamina?

No grupinho é ketamina. Revelo. Mas é uma coisa mais fácil de falar, é uma coisa vocal, mais fácil de falar, mas lembra que a gente não faz dieta ketogênica, a gente faz dieta cetogênica.

Depressão é apenas tristeza passageira?

Não, depressão é um transtorno, uma doença crônica. Então, uma vez que teve depressão, você tem essa capacidade, todo mundo tem a capacidade de deprimir, mas você tem uma facilidade de deprimir, então você tem uma capacidade de deprimir, só que ela é episódica.

Lembrando que esses aqui são trainitópicos, tá, doutor?

O que as pessoas estão mais pesquisando na internet, não sou eu falando não. Isso parece até um pouco de papo dos mais velhos, levanta a bunda daí e vai fazer alguma coisa que se falta de ter o que fazer.

Apenas antidepressivos podem tratar a depressão?

Antidepressivos é uma parte do tratamento, antidepressivos é uma parte talvez hoje mais divulgada do tratamento, mas ele não é nem único, talvez nem o melhor e nem o mais rápido e nem o mais seguro talvez.

Pessoas com depressão precisam apenas se animar?

Se fosse isso, qualquer circo resolvia depressão, a gente não precisava de médico, não precisava de psicólogo, não precisava de palhaço, põe um palhaço para fazer duas piadas e resolve a animação. A depressão é um comportamento muito maior do que isso e não é só tristeza, contém tristeza, mas a irritabilidade, por exemplo, é uma característica de alguns tipos de depressão, a gente quando fala de depressão pensa em depressão melancólica, que é um tipo de depressão, que é a depressão mais comum e aqui vem a cabeça, depressão onde está tudo escuro e melancólica, mas a depressão irritada, a depressão atípica, a depressão ansiosa, são tipos de depressão que também são depressão, que também cursam com a anedonia, a falta de prazer, a falta de evolução, a falta de distúrbios orgânicos, como alimentação, como sono, o distúrbio dos ritmos e não cursa com tristeza, cursa com ansiedade, cursa com irritabilidade, cursa com outras coisas que não tristeza.

Transcrição completa do vídeo

Meletícia, minha mota, está no ar mais um AmatoCache pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e a participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais para falar de temas muito interessantes, um que foi novos tratamentos contra a depressão, um tema também bastante discutido aqui, a gente já falou sobre algo mais genérico sobre isso algumas vezes aqui no canal, mas a gente trouxe tudo que é de novo, de mais moderno na medicina para o tratamento da depressão e antes também nós trouxemos um especialista para falar de síndrome metabólica, um nome que não é muito conhecido para quem não é da área da saúde, para quem não faz parte dessa área médica, mas ao mesmo tempo tem bastante coisa para falar sobre isso, para quem não assistiu, não deixe de conferir aqui no nosso canal. Hoje a gente traz novamente um especialista, um convidado especial que é o doutor Thiago Gil, que é médico anestesista, que dessa vez vai continuar, para quem assistiu o último episódio a gente falou que esse seria basicamente uma continuação desse episódio sobre tratamentos contra a depressão, só que hoje especificamente falando da cetamina que levanta muitas polêmicas, tenho certeza que você já escutou falar, se não com a palavra cetamina, mas talvez ketamina, todo mundo já escutou pelo menos uma vez essa forma de tratamento. Então vou apresentar o nosso convidado de hoje, o doutor Thiago Gil é graduado em medicina pela Universidade de Cidade de São Paulo em 2012 e especializado em anestesiologia em 2016 pelo hospital Estela Mares, realiza infusões de cetamina no centro de Cetamina, São Paulo, e é membro do Comitê Científico da Sociedade Americana de Cetamina, a sigla é ASKP. Doutor, mais uma vez, bem-vindo aqui no Amatocast. Muito obrigado, Lidith. Já vou aproveitar também antes da gente direto para o nosso assunto e agradecer o nosso patrocínio, que é novo aqui para o canal do Amatocast, que é o do laboratório Origem Especializado em Saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco de origem é qualidade de vida e prevenção. Doutor, no último episódio a gente falou, já esclareci sobre a palavra cetamina, que etamina, qual está certo, para quem ficou com a dúvida, volta lá no nosso último episódio, já esclareceu esse termo. A maioria escuta falar que etamina, para ser sincero, eu escutava sempre que etamina. Agora que... Vou te contar um segredo, quando a gente está entrando estésistas, a gente chama de ketamina. Esse segredo ele não tinha comentado. A gente chama de cetamina quando eu falo com o público externo, mas é que interno assim, quem vai fazer ketamina? Quem vai fazer ketamina? No grupinho é ketamina. Revelo. Mas é uma coisa mais fácil de falar, é uma coisa vocal, mais fácil de falar, mas lembra que a gente não faz dieta ketogênica, a gente faz dieta cetogênica. É verdade, é uma forma de lembrar qual que é o mais correto. Mas a raiz é a mesma dos corpos cetônicos da dieta cetogênica e aqui do grupo cetona. É que dá uma satisfação falar ketamina, não sei se você quer dizer... É uma coisa mais da fala, mas quando for escrever, escreve com C, que está tudo certo. Não escreva com QE, nem com K, que isso são fórmulas. Não dá o seu contato no meu WhatsApp aqui, que eu já tinha colocado com QE. Não acredito que você falou com o QE. Meu arroba é cetamina por causa disso. É, então aí já vai para as redes sociais, porque quem quiser acompanhar. Bom, então agora mitos e verdades falando dos novos tratamentos que a gente tinha citado, não deu tempo de comentar no último episódio, mas já que o pessoal gosta tanto desse quadro, a gente já começa, vai inverter hoje, começa pelos mitos e verdades. Doutor, primeiro mito ou verdade? Depressão é apenas tristeza passageira? Não, depressão é um transtorno, uma doença crônica. Então, uma vez que teve depressão, você tem essa capacidade, todo mundo tem a capacidade de deprimir, mas você tem uma facilidade de deprimir, então você tem uma capacidade de deprimir, só que ela é episódica. Então ela vai acontecer em episódios. Então vai ter dias que eu tomei, períodos que eu gostar melhor, períodos que eu gostar pior. Depress é uma tristeza, o que define depressão principalmente é a falta de evolução, de capacidade de fazer as coisas e a falta de prazer nas coisas a anedonia. Tristeza é um dos componentes, muitas vezes ele está acompanhado, mas não é uma tristeza passageira. Muitas coisas nos deixam triste, mas quando deixa triste eu não paro de comer, quando me deixa mais chateado, o meu time perdeu, eu briguei, eu não tenho insônia, não deixo de comer, não percorridimento no trabalho, tristeza é isso, tristeza é um sentimento humano. Depressão é um transtorno mais profundo e ele tem suas características próprias. Depressão é apenas uma fraqueza de caráter, essa foi forte, né? Lembrando que esses aqui são trainitópicos, tá, doutor? O que as pessoas estão mais pesquisando na internet, não sou eu falando não. Isso parece até um pouco de papo dos mais velhos, levanta a bunda daí e vai fazer alguma coisa que se falta de ter o que fazer. Depressão está longe de ser falta de caráter, muito longe de ser falta de caráter, é uma coisa que a gente consegue identificar tão facilmente quanto vontade, caráter, falta de Deus ou sem vergonhice. Depressão é uma doença que pode cometer qualquer um em qualquer momento e então ela tem suas características, ela tem seu tratamento, ela tem sua sua organização e sua padronização e falta de caráter, com certeza não está entre elas. Depressão não é uma doença real. Essa é uma coisa bem complicada porque a gente vai ter que chegar em duas visões de mundo diferentes. Tenho aquelas pessoas que são de um lado que vão te falar, olha, depressão não existe, isso é uma corrente que existe, existem psiquiatras inclusive, psiquiatras ingleses que falam isso, olha, depressão não existe. Eu não tenho nenhuma base fisiopatológica, eu não consigo nada insentemente, que me fale que depressão existe. Então eu tenho um processo adaptativo ao estresse de uma pessoa, como o luto é um processo adaptativo à perda daquela pessoa ou à perda daquele trabalho. Então o luto é um processo adaptativo e depressão é parte de um processo adaptativo ao estresse. Como eu não tenho nada que eu consigo segurar e pegar na mão e falar isso aqui é a causa da depressão, eu não posso dizer que depressão é uma doença, então existe essa corrente que fala que depressão não é doença. Tem muitos psicólogos, psicanalistas e alguns psiquiatras que vão por essa linha. Existe um outro lado que vai falar que depressão é só doença. Depressão é puramente bioquímico, puramente funcional, puramente cerebral e eu não tenho ainda, eu não consigo encontrar, até inventar em um contador de radiação, eu dizia que não existia radiação. Quando eu consegui um contador que mede radiação, eu não estou vendo, mas eu descobri o que estava me machucando com a radiação. E a depressão eu não consigo ver ainda porque o meu instrumento é ruim para enxergar a depressão. Eu tenho alguns instrumentos que chegam próximos, que eu consigo delimitar, que eu consigo talvez ver, então existe ressonância magnética funcional, não é aquela que a gente faz em laboratório, é só em pesquisa, que consegue ver um padrão de funcionamento cerebral que é repetido na depressão. Então ela é puramente biológica, então depressão é somente uma doença e os dois lados eles estão errados, eu te garanto que os dois lados estão errados, eu te garanto que alguma coisa aí no meio termo depende para algumas pessoas provavelmente vai mais para um lado, é mais comportamento e menos biológico, é mais biológico e menos comportamento e ainda deve ter nesse caldo aí um monte de coisa que a gente não consegue nem imaginar, não consegue nem ver. Eu gosto de fazer uma analogia com o bolo, o bolo tem leite, mas o bolo não é de leite, o bolo tem farinha, mas eu não consigo separar a farinha, não consigo separar o ovo, mas quando eu tenho um bolo eu tenho tudo junto e eu sei que lá dentro tem isso, então tem um componente biológico, tem um componente psicológico, tem um comportamento social, eu tenho um monte de coisa que é depressão, mas dizer que ela não é doença é negligencial o sofrimento de quem tem. E tem uma forma grave também que a gente falou né, no outro episódio inclusive para quem quer uma explicação mais a fundo né, doutor do que é a depressão, causa da depressão, tudo isso a gente comentou no outro para não parecer que a gente está indo direto agora para o tratamento, para quem perdeu a primeira parte é legal conferir lá, doutor depressão não pode ser tratada. Isso é um mito muito grande, que a depressão pode ser tratada, a chance de cura é muito alta, a chance de você retomar a sua vida como era antes da depressão é muito alta, posso te dizer com confiança em torno de 80% dos casos resistentes, então eu estou falando, não é das pessoas que são, dois casos resistentes em torno de 80% e depressão é episódica, depressão vem e vai embora, ela é gosto muito de comparar com asma, eu tenho não posso curar a asma de uma pessoa, uma vez que tem asma ela vai poder ter asma para sempre, ela vai ser capaz de fechar o pulmão para sempre, mas não quer dizer que ela está constantemente no hospital, quer dizer que ela tem episódios, nesses episódios ela vai fazer nelação, uma, duas, três, quatro nelações e depois ela vai seguir a vida normal por anos, antes de ter um novo episódio. Apenas antidepressivos podem tratar a depressão? Antidepressivos é uma parte do tratamento, antidepressivos é uma parte talvez hoje mais divulgada do tratamento, mas ele não é nem único, talvez nem o melhor e nem o mais rápido e nem o mais seguro talvez. Existem medidas, existem graus de depressão, existem estágios, estados, a gente tem que separar e tem que usar a medicação correta, por lugar correto, na pessoa correta, na idade correta, então a depressão de uma pessoa mais jovem não deve ser tratada igual da depressão de uma pessoa mais idosa. Pessoas com depressão precisam apenas se animar? Se fosse isso, qualquer circo resolvia depressão, a gente não precisava de médico, não precisava de psicólogo, não precisava de palhaço, põe um palhaço para fazer duas piadas e resolve a animação. A depressão é um comportamento muito maior do que isso e não é só tristeza, contém tristeza, mas a irritabilidade, por exemplo, é uma característica de alguns tipos de depressão, a gente quando fala de depressão pensa em depressão melancólica, que é um tipo de depressão, que é a depressão mais comum e aqui vem a cabeça, depressão onde está tudo escuro e melancólica, mas a depressão irritada, a depressão atípica, a depressão ansiosa, são tipos de depressão que também são depressão, que também cursam com a anedonia, a falta de prazer, a falta de evolução, a falta de distúrbios orgânicos, como alimentação, como sono, o distúrbio dos ritmos e não cursa com tristeza, cursa com ansiedade, cursa com irritabilidade, cursa com outras coisas que não tristeza. Então, tristeza é um componente que muitas vezes está presente na depressão, mas ela não é definidora de depressão. Doutora, até no episódio que a gente já falou da cetamina, a necessidade de exercício físico está associada também, ou isso, já aproveitei fazer uma pergunta aqui, saí um pouco do mito de verdade, eu vou voltar, gente. Só para já adiantar se isso precisa andar junto com o tratamento. O exercício tem uma força de eficácia muito grande. O exercício tem recentemente um trabalho que mostrou qual exercício físico é melhor para o tratamento da depressão e qual a força de eficácia disso, porque quando a gente fala não é tão simples o mundo, é eficaz não é, não é tão preto no branco, tão simples, eu tenho que pensar sempre em quantas, qual o tamanho da população que eu ajudo e seu ajudo com qual o tamanho de eficácia que eu ajudo. São dois componentes que a gente tem que sempre pensar no tratamento. E o exercício físico incrível que pareça, ioga, é um exercício físico que tem uma grande resposta antidepressiva, exercícios de força e de corrida, tem grande eficácia antidepressiva, então a intensidade do exercício ela modifica a resposta antidepressiva que a pessoa apresenta. Mas eu não consigo pegar uma pessoa que nem toma banho, que não os covos dentes, tirar ela da cama, colocar ela para fazer ioga, arrastar na coleira, isso é mais prejudicial do que terapêutico. Então o exercício físico ele tem um papel na prevenção de depressão, ele tem um papel na estabilização do humor e ele tem um papel em quadros leves até moderados. Passou de moderado grave, eu não vou ter muita eficácia de exercício físico. Apenas mulheres têm depressão? As mulheres são as que mais têm depressão, então se a gente pegar uma população, a maior 60% dos quadros depressivos acontecem em mulheres. E mais ou menos entre 35 a 45 anos é a idade que mais acomete as mulheres. Então mulheres de 45 anos, 30 em 40 anos, são as mais vulneráveis para depressão. São as únicas, não, a gente tem depressão em qualquer idade, a gente tem depressão em qualquer classe social e igualmente distribuída entre as classes sociais. Depressão não é coisa de rico, que é uma outra umito e verdade, mas em qualquer idade a depressão no idoso é uma depressão super importante que leva muitas vezes mais ao suicídio do que depressão de pessoas mais jovens, que a gente nem pensa em idosos com comportamentos suicídios, mas a depressão no idoso é uma depressão muito perigosa, difícil de tratar e difícil e perigosa. E aí a gente tem nos dois sexos mais idosos igual pessoas mais jovens, mulheres com 60% dos carros. Uma vez deprimido, sempre deprimido é o último? Eu não acredito que ninguém nasce quebrado ou vai morrer quebrado. Essa não é uma linha que eu entendo na minha prática clínica. Depressão é um acometimento, ele acontece e ele tem começo e ele acaba. Se ele não acabou, ou a gente não está tratando a coisa errada, não era depressão, ou a gente está tratando mal tratado e eu não acredito que ninguém vai, ninguém que nasceu quebrado e vai ficar quebrado para sempre. Eu já vi muita gente recuperar depois de muitos anos de quadro depressivo para acreditar que uma vez deprimido, sempre deprimido. A pessoa, uma vez deprimida, pode ter mais facilidade de ter um novo episódio? Pode. Isso sim, mas quer dizer que ela vai, quer dizer que vai ser grave, quer dizer que vai ser entratável, quer dizer que ela está condenada a ter um novo episódio gravíssimo? Não. Eu não posso dizer que ninguém está imune a nenhum tipo de doença. Isso é, eu não posso dizer que eu sou incapaz de pegar uma pneumonia. Isso não existe. Ou que uma vez que eu peguei uma pneumonia, que eu vou sempre pegar uma pneumonia. Não. Depressão tem tratamento, tem cura, os episódios podem aparecer e eles vão embora e não quer dizer que eu vou ficar para sempre no episódio depressivo. Certo. Agora, doutor, falando da cetamina, já entrando no nosso assunto, mais especificamente que a gente vai tratar hoje, porque no último a gente até citou um panorama ali de vários tratamentos, um que tem de mais moderno que eu citei anteriormente na medicina para o tratamento da depressão, mas a gente precisa falar agora só da cetamina, que tem muita dúvida relacionada a esse tema. E eu já começo com uma polêmica, que é da cinhazinha, daí cinhazinha, do boi garantido, para quem não lembra do caso, mas acho que é pelo menos alguma coisa que escutou falar, porque repercutiu muito na época. Foi em Manaus, mas eu acabei até repercutindo aqui em São Paulo, a cobertura desse caso, que era da Didia Cardoso, que o que diz ali, o que saiu na mídia também, na época, é que ela utilizava a cetamina, ficou dependente da substância e que ela acabou tendo uma morte por conta de uma overdose da substância. Doutor, o que aconteceu de fato nesse caso? Claro que a gente vai falar da paciente em si, até porque não é só paciente, não tem ali todo histórico da Didia Cardoso para a gente falar de fato como foi a vida dela relacionada a isso, mas a cetamina é utilizada como anestésico, é utilizada como também substância interveicente, como é que funciona toda essa questão desse nome tão conhecido? A cetamina é uma medicação anestésica em uso desde 1970, no mundo, no Brasil, nos Estados Unidos, desde 1970. Até 1999, essa medicação não era de uso restrito hospitalar nos Estados Unidos, quem proibiu ela de ser circular livremente proibiu Clinton. E logo que ela foi utilizada lá em 1970, já houve algumas pessoas que faziam o uso dela como droga de abuso. O que é uma droga de abuso? O que vai definir se a cetamina é uma droga de abuso, se é uma medicação terapêutica, é o ambiente onde eu estou usando e o objetivo que eu estou usando aquilo. Quando eu uso a cetamina como um anestésico para pôr um ombro no lugar, eu estou fazendo um uso com o objetivo que não é recreativo. A Didia usava a medicação de forma recreativa, não é a única medicação que ela usava, ela usava por exemplo, a sua mãe dela falou, Rivotril, ela falou, então existem os benzos de asepínicos, os calmantes, ela também utilizava calmantes e muitas vezes usava outras pessoas que tiveram o mesmo destino dela, também usavam os benzos como Morfina, como Tramal, como Cordeína, que são medicações que também levam a dependência. O ator de Friends, que morreu também nele, continha a ketamina no sangue, mas a maior parte era de opioide, era de análogos a Morfina que ele tinha. Então, o que é o uso terapêutico? O uso terapéutico é quando eu faço uso dentro do hospital, quando eu faço uso com o objetivo terapêutico. Em, em 2012, mais ou menos, os meninos da Tailândia devem lembrar desse caso, ficaram presos dentro de uma caverna, a água entrou na caverna e eu, lá naquele momento, a gente precisava tirar aqueles meninos, eram 13 pessoas, de dentro da caverna, por um mergulho em áreas super estreitas, super dentro da água, que mergulhadores experientes já haviam morrido naquela caverna, tirar essas crianças que não tinham uma, a habilidade com mergulhos de lugares confinados e, para isso, o mergulhador, que também é anestesista, chamado Richard Harris, ele sedou essas crianças dentro da caverna e passou por duas horas para elas por baixo da água e usou cetamina para fazer essa sedação. Então, ali ela não foi usada como droga de recreativa, nem como droga de abuso, ela foi usada com o objetivo. O uso recreativo de rivotrina, pode acontecer, se eu estou, se eu fui indicado para ele, para usar um miligrama por dia ao deitar e eu passo ao usar durante o dia, é um uso recreativo, eu não estou usando com a prescrição médica. Cetamina é uma das medicações que podem ser utilizadas como droga de abuso. A Didi, como outros que já fizeram abuso de cetamina, não começa o abuso através do uso terapêutico. Então, não é alguém que veio para a clínica, fez uma anestesia, usou cetamina ou usou cetamina para tratar depressão e, desse ponto, ficou viciada e começou a roubar a videocassete na rua para pegar. Não é esse o trajeto. O trajeto é, usa drogas, cocaína, craque, maconha, usa também cetamina, não com o texto de abuso, ele nasce no contexto de abuso, faz o uso de polidrogas, então todas essas com ainda drogas prescritas, como os opióides, como o tramadol, que eu falei, e no meio de tudo isso, usa cetamina como droga de abuso e vem a morte e vem ao óbito. É a causa, eu não posso dizer que é a causa, eu posso dizer que é um elemento que compôs o acidente, é um elemento que compôs a morte, é, isso sim, mas existe uma espetacularização da morte, existe uma espetacularização da Didia e em falar que cetamina foi a causa. O irmão dela começou o uso, o irmão dela fala, eu fui para Inglaterra, conheci a cetamina como droga de abuso, normalmente ela é misturada com cocaína, então já começa com uma polifondrogas, usa-se cocaína com ketamina misturada normalmente e ele fala e eu vim para cá, quando eu vim para cá eu oferecia a minha irmã, quando eu oferecia ela, a mãe e o irmão faziam uso e eles faziam uso da medicação veterinária, não é a medicação humana, qual que é a diferença se ele usa veterinário ou se usa humana, se você não sabe a diferença, se você não consegue pensar em diferença, imagina que hoje a gente vai jantar e eu vou te oferecer salmão, mas como o salmão tá caro, eu abri um patezinho de gato, sabor salmão e pus para você comer. Nada mesmo, né? O veterinário é uma coisa, o humano é outra, começa aqui a origem, né, na hora de fabricar, o Ministério da Agricultura Epecuária cuida das questões veterinárias e a Anvisa cuida das questões humanas, então começa lá na origem, não é a mesma coisa. Quando eu pego uma droga com uma cetamina desviada, veterinária, entrega na sua mão e fala, usa? Quando você achar que deve ou você faz esse uso, eu tô fazendo um uso abusivo. Quando você vem procurar um médico, fala, eu tenho um problema, o meu objetivo com você é tratar minha depressão, o meu objetivo não é usar a cetamina, o meu objetivo é tratar a depressão, é qualidade de vida. E eu te ofereço um plano de tratamento que compõe cetamina, o plano terapêutico que a gente estabelece, contém a cetamina dentro. É como você falar para mim, eu preciso tirar uma pênnsis e eu vou falar para você olha, para tirar uma pênnsis eu preciso te anestesiar e o anestésico que eu vou usar é morfina e cetamina, além de outros, compõe para fazer você passar por esse momento. Você não sai da cirurgia ou se querendo usar a ketamina, não sai querendo usar morfina, não sai querendo usar opioide, não sai dependente de nada. Então é o uso e o controle. Quem que vai fazer o controle dessa medicação? Sou eu na prescrição com o uso terapêutico, nunca vou te dar na mão e falar, usa, quanto você achar que deve. E os casos que a gente tem de abuso, não nascem do uso terapêutico, eles nascem da uso abusivo de drogas e a Didia também nasceu assim, ela nunca foi abrindo de ninguém que fez cetamina, que tratou um quadro depressivo, que foi diagnosticada com depressão e ela não tinha somente uma droga no corpo dela. E como que a cetamina age no organismo, doutor, quando é recomendada, né, agora saindo dessa parte aí do abuso, quando a pessoa usa como o caso dela, mas quando é de fato recomendado, como que, qual que é o objetivo da cetamina no corpo? O processo de depressão, o transtorno depressivo, ele tem várias hipóteses e ele tem várias origens, várias causas que são levantadas durante o estudo da depressão. Uma delas que é a mais conhecida é a falta de serotonina, essa você já deve ter ouvido aqui, então a gente já deve ter pensado, nossa, eu já ouvi falar que a falta de serotonina me causa depressão, tem até alguns memes, né, minha última molécula de serotonina tentando me animar durante o dia, né. Minha única falta de serotoninha tentando fazer alguma coisa. Isso é uma simplificação e isso não é real, a gente sabe que serotonina ou dopamina ou noradrenalina não tem relação com o quadro depressivo, não é a falta de serotonina que me causa depressão, essa foi um modelo que foi um modelo divulgado, um modelo que vem lá de 1980, talvez um pouquinho antes, que foi até 1990 alguma coisa, um modelo mais prevalente, mas a gente já tem diversas entidades médicas e diversos trabalhos falando, olha, não é o déficit de serotonina que causa depressão, tá. Isso além de uma grande simplificação é um mito, a gente não tem nenhum trabalho que consiga correlacionar o nível de serotonina no cérebro com o quadro depressivo ou a gravidade da depressão com o nível de serotonina. Então esse é um modelo teórico de por que a gente adoece que não é muito real, talvez ele contenha esse contém a déficit de serotonina, mas ele não é o modelo que a gente deve explorar. Desde 1990, algo, um outro modelo teórico falando, olha, talvez a depressão seja uma hiperatividade cerebral, talvez eu tenha alguns elementos quando eu pego examina os cérebros de pessoas que morreram com depressão, que eu tenho mais glutamato nesse cérebro, glutamato é um neurotransmissor excitatório, então ele fala para um neurônio, olha, vamos continuar mensagem para frente, tem algumas que são inevitáveis, algumas que são excitatórios, glutamato é um neurotransmissor que fala, olha, vamos continuar a nossa mensagem. Então ali foram, foi identificado lá nos anos 90 alguns trabalhos que falaram, talvez eu tenha mais glutamato no cérebro de algumas pessoas, algumas hipóteses falam, eu tenho pensamentos intrusivos, eu tenho pensamento repetitivo, então isso talvez seja uma hiperatividade cerebral, mas recentemente a gente tem restaurância da hiperatividade a funcional, a restaurância de 7 Tesla, que é isso, como se fosse uma televisão super hiper HD que consegue olhar o cérebro, não é disponível para a gente fazer exame de imagem, é só para pesquisa, quem consegue ver que áreas do cérebro estão hiperativadas quando eu tenho um quadro depressivo, mais ativadas do que quem não tem quadro depressivo, então existe um modelo chamado modelo da sinapse recitatória, ou modelo glutamatérgico, aonde o glutamato, que é um neurotransmissor, causa uma hiperatividade cerebral, e aí pesquisadores lá da universidade de Yale, John Crystal, foi o primeiro pesquisador que fez isso, mais ou menos o primeiro pesquisador, existiu alguns trabalhos anteriores, mas que conseguiu delimitar esse modelo e fazer essa pesquisa, foi o John Crystal, que ele falou, eu vou, então, se é uma alta atividade cerebral, se eu tenho muito glutamato no cérebro, eu vou bloquear o glutamato, eu vou diminuir essa atividade cerebral, eu vou reduzir essa função e vou ver se gera um efeito terapêutico, então eu testo o meu modelo, testei o modelo teórico, como a cetamina é uma medicação que está liberada, que está em uso, que em 1990 já era uma medicação antiga, que ela tem nível de segurança, ela tem perfil, ela, a gente conhece como ela funciona, em vez de inventar uma nova molécula, uma nova medicação, para diminuir os pega medicação que eu já tenho, pega a cetamina, eu faço fazer um trabalho mais ético, fazer um trabalho assim, ele pegou a cetamina e aplicou em sete pessoas, seguindo então todo o modelo teórico, não foi que ele tirou do nada, a gente não faz coisas do nada, tem um modelo teórico por trás e o John Crystal pegou sete pessoas e fez cetamina nas sete pessoas e no dia seguinte avaliou o quadro depressivo dessas pessoas e viu que eram pessoas com resistência à depressão, então já tinham testado outras medicações orais e essas pessoas, naquele momento algo em torno de 40% dessas pessoas tiveram uma resposta antidepressiva no dia seguinte, então em uma tarde a gente resolveu o problema daquelas pessoas, acabou aquele episódio depressivo em uma tarde. Então como que ela age no cérebro? Primeiro diminui a atividade cerebral através do bloqueio do glutamato, que é um neurotransmissor estimulante, quem é a fechadura, o glutamato é a chave, quem é a fechadura é o receptor chamado NMDA, N-metil-D aspartato, lembra lá da professora de biologia, da professora de química que N-metil-D são só prefixos, parece que foi ontem, parece que foi ontem, mas são só prefixos, N-metil-D são prefixos do aspartato, então N-metil-D aspartato, foi com o deram o nome dessa fechadura, a chave é o glutamato, a cetamina entra no meio disso e impede essas chaves de se ligar com essa fechadura, quando eu não tenho uma transmissão para frente, eu tenho uma anestesia. Quando eu faço isso e bloqueio essa neurotransmissão, eu informo o meu neurônio que está embaixo dizendo, olha, bloqueando o glutamato de ativar você, ele faz uma série de processos, eu tenho outros receptores também chamados AMPA, que é outro de nós, com uma presença menor no nosso quadro depressivo da cetamina, eu bloqueio alguns neurônios, não bloqueio outros, eu bloqueio algumas cadeias neurológicas, eu bloqueio, por exemplo, a hiperatividade da amígdala lateral, eu diminuo essa hiperatividade da amígdala lateral, que é uma área no cérebro que controla nosso comportamento social negativo, eu desligo ela e eu disparo um processo dentro do neurônio que produz uma proteína chamada BDNF, ou Fator de Crescimento próprio do cérebro, derivado do cérebro. Esse Fator de Crescimento fala, neurônio, vamos crescer? É como se fosse um adubo. E esse neurônio volta a arborizar e se conectar com os vizinhos. Então hoje se eu falar Letícia, vamos comer uma pizza, você está com um grau depressivo, tem poucas conexões entre os neurônios, você vai falar, eu procuro no meu cérebro se eu gosto de pizza, se eu gosto de Thiago, se eu quero sair, mas o meu cérebro não me responde. Quando eu procuro isso, eu não tenho memória afetiva nenhuma, eu não tenho prazer nenhum nisso, eu não sei, eu não quero sair de casa. Quando a gente faz a cetamina e você responde ao tratamento, isso não é exclusivo da cetamina, mas ela é a mais rápida que faz isso, ela é a mais consistentemente estudada que faz isso. Eu produzo BDNF, que é essa proteína, eu disparo uma série de procedimentos, de processos dentro do neurônio e eles voltam a dar as mãos uns pros outros. E aí eu pergunto, Letícia, vamos comer uma pizza? Seja, logo lembra, nossa pizza gosta mesmo de portuguesa Thiago, Thiago, putz, eu fui com ele uma outra vez, foi mó legal. Então eu já tenho um procedimento em cadeia que me lembra, vamos, vamos sim! E aí eu tenho um segundo procedimento, então eu tenho que trocar de roupa, tenho que me maquiar, tenho que pegar um carro, tenho que não sei o que, tenho que não sei o que lá, não, eu vou tomar um vinho, então eu não vou de carro, eu vou de taxi, então todo esse planejamento só existe, porque eu tenho conexão entre os neurônios e eu não tenho a hiperatividade de nenhuma parte, nenhuma desfuncional. Então basicamente como a cetamina funciona, diminui a atividade cerebral através do bloqueio do glutamato, dispara um processo interno no cérebro dos neurônios, de neuro, não é, de conexão, de sinaptogênese, de não é o neurônio que cresce, não é o corpo do neurônio, neurônio é uma célula, tem as pernas, não é o corpo do neurônio, é sim as pernas, as conexões entre elas. Então quando a gente tem quadros de estresse crônico, que é o causa da depressão, mais conhecida hoje, eu diminuo, vou desligando essas mãozinhas dadas dos neurônios. Quando eu faço a cetamina e eu consigo um tratamento, eles têm um crescimento dos botões sinápticos, eu tenho crescimento das sinaptogênese, uma neuroplasticidade, são todos os nomes que a gente pode usar para o mesmo fenômeno. O crescimento de mãozinha dada de neurônios, e aí o caminho consegue pensar, eu gosto de pizza, eu gosto de chágua, vou lá, eu vou fazer isso, vou levantar, vou tomar banho, vou fazer aquilo, eu consigo ter um funcionamento normal do cérebro. É muito tudo perfeito, complexo, mas também quando eu faço esse tipo de relação, imagino que para todo mundo também está bem simples e fácil de entender. Doutor, agora uma dúvida na parte prática, para quem quer de fato usar, como que funciona o protocolo, como que é utilizado, que precisa ser num hospital, isso a gente já tinha conversado, né? Isso, a medicação é uma medicação anestésica, então ela tem algumas regulamentações para ser usadas. A primeira regulamentação é que eu tenho que não posso fazer num consultório, eu tenho que fazer em algum lugar, se você não é técnico nisso, tem um segundo lugar que me parece uma clínica de endoscopia, me parece um laboratório, tem que ter aquela cara. Uma das coisas que a gente vê, por exemplo, é que tem rampa para a entrada, toda vez que a gente for anestesizar alguém, eu preciso ter um plano de renda dessa pessoa, mesmo que ela esteja muito grave. Então, se eu regra da vigilância sanitária, você vai ver, se eu tiver um elevador que não cabe uma maca, não é um lugar autorizado para fazer, porque eu preciso, a vigilância fala, eu só vai poder sedar alguém para qualquer coisa. Seja para tirar um dente, seja para tomar um encravado, seja para a cetamina. Se eu tiver um elevador que cabe uma maca, então se eu tiver num consultório que só cabiu mais duas pessoas, já sabe que ele não tem um elevado para fazer a cetamina. Eu não posso ter nenhuma barreira entre aonde vai ser feita a cetamina até a saída. Então, eu já tenho aquela cara de lugar médico. Então, eu tenho que ter essa cara de lugar médico. Esse é o primeiro lugar que você vai procurar para fazer suas infusões. Então, você proteja procurando um lugar. Isso é interessante, né? A gente nunca pensa sobre isso, mas antes de procurar um lugar, eu preciso ver, será que tem o seguro para mim? Será que essa pessoa que está querendo oferecer é um lugar confiável? Então, a gente já dá uma xicada no, tem cara de hospital, hospital dia, é um lugar decente. Então, é um lugar para a gente fazer a cetamina. Então, você vai procurar um profissional que faça infusão de cetamina, que tem especialização, que seja, não tem uma residência médica em infusão de cetamina, mas que tem experiência, que tem trabalhos publicados, que tem a divulgação sobre o que ele está fazendo. Tem que ser feito preferencialmente por um anestesista. O CRM não pode, não é o Conselho Federal, o Conselho de Medicina não delimita que cada especialidade só pode fazer uma coisa. Então, anestesistas podem fazer outras especialidades. Posso tratar o braço quebrado? Posso tratar o braço quebrado? Mas, de preferência que seja um anestesista fazendo infusão de cetamina para você. Então, primeiro, tem que ter uma cara, tem que ser um anestesista. O Conselho Federal de Medicina fala, olha, é importante que a gente já tenha tido um diagnóstico feito por um psiquiatra, que tem um acompanhamento do psiquiatra, do psicólogo, para a gente poder fazer cetamina. É obrigatório? Não é obrigatório, é importante, é importante. É obrigatório que seja um anestesista que faz? Não é, mas é importante, é importante. A gente não pode delimitar as especialidades médicas para o ato. Então, a primeira coisa a gente fazer é procurar um médico que tenha esse tipo de qualificação, que seja um anestesista, e a gente vai fazer uma consulta pré-anestésica. Encontra ele, olha, parece uma pessoa decente, trabalha num lugar decente, e ele vai oferecer uma consulta pré-anestésica para você? É obrigação dele oferecer uma consulta pré-anestésica. Então, todo ato anestésico precede uma consulta pré-anestésica. Nessa consulta pré-anestésica, ele vai conhecer você, vai conhecer seu histórico de saúde e vai te oferecer um plano de tratamento. Qual é o plano de tratamento mais comum? O plano de tratamento mais comum é a gente fazer uma consulta inicial de infusões endovenosas. Se ele falar para você subcutânea, na barriga, foge. Isso não é uma via de administração possível para a cetamina. A cetamina só pode ser feita entre a muscular profunda ou pela veia. Não podemos fazer a cetamina de outra forma, que não seja pela veia ou entre a muscular profunda. Existe uma medicação chamada que é que fica para o nariz, a aplicação do nariz, mas isso é outro papo, outra conversa do que a gente está falando aqui na veia. Então, ele vai te falar, olha, se ele fizer a cetamina endovenosa, você já está no caminho certo. O tratamento, então, nessa consulta pré-anestésica, ele vai estabelecer normalmente, o que a gente propõe? A gente propõe uma fase inicial, uma fase que a gente chama de fase de indução. E o objetivo nessa fase de indução é fazer você voltar a sua condição premórbida ou voltar a sua condição antes de adoecer ou remissão do quadro. Então, o objetivo aqui é que a gente não tenha mais sintomas depressivos. E ele vai oferecer provavelmente para você seis infusões endovenosas de cetamina num prazo de duas a três semanas. Então, essa é a parte mais comum, é a forma mais comum da gente prescrever. Existem variações nisso? Infinitas variações nisso. Pessoas com quadro talvez mais leve, um quadro menos tempo, vai ser menos infusões. Pessoas com um quadro mais arrastado, mais longo, vou planejar essas infusões de uma outra forma. Pessoas mais jovens, eu vou planejar de uma forma. Pessoas com necessidades especiais, obesos, idosos, gestantes não é permitido fazer, mas menos nutrizes, que estão amamentando. A gente vai organizar isso de uma outra forma. Então, a gente tem uma variedade de coisas. Mas, se a gente pensar básico, como é que eu faço a cetamina? Procure um lugar decente que tem alguns de requerimentos de segurança, a gente tem que se proteger. Procure um médico que ele tenha demonstrado capacidade intelectual, sabe o que está fazendo, conhece, vai poder me ajudar. E ele vai fazer uma consulta preanestésica. Nessa consulta preanestésica, ele vai me oferecer mais ou menos seis infusões endovenosas de cetamina num período de duas a três semanas, duas a três vezes por semana. Vai oferecer uma vez por semana para sempre. Não tem prazo, não tem limite, não tem protocolo? Não é um lugar bacana para você fazer. Fala que não sabe, a gente vai vindo, te vende um pacote, vamos fazer assim, a gente faz um pacotão de dez sessões, pacotes são proibidos na medicina. Então, não é um lugar, já viu que, né, eu não posso fazer para você. Então, operar, apende-se e se beber, a gente já tira vesículo. Aproveita e faz alguma coisa junto. A gente já tira vesículo, né, então, a gente não pode ser mercantilizado à medicina. Então, as infusões ali, tem que te dar um plano terapêutico, ele vai te dar uma previsibilidade, que é o que mais acontece, é o mais estudado, é o mais comum. Mas, tem algumas coisas que você vai se proteger ali, quando a pessoa falar para você, não, a gente vai fazer assim, olha. Três vezes na semana, vinte vezes. Por que que todo mundo faz, todo mundo estuda? Todos os pesquisas são seis infusões endovenosas, num prazo de duas a três semanas e esse cara tá querendo ser uma pessoa totalmente diferente, né? Então, é isso que é o básico para você se proteger, para você procurar um médico que faça isso, de preferência que seja um médico anestesista. É obrigatório que seja um médico anestesista? Não. Mas, se for um médico com capacidade de pessoas sedadas, que tem habilidade em pessoas anestesiadas, por exemplo, um médico intensivista, um médico que trabalha em OTI. É uma pessoa que tem habilidade em lidar com pessoas sedadas, entubadas, com pessoas em serados de consciência. Se eu estiver falando com um médico que trabalha, que tem a certificação de emergência. É uma pessoa também que tem essas características, então, podem ser médicos que podem fazer. Tem habilidade e prática, cuidar de você quando você não puder cuidar de você, que é durante a infusão. Doutor, no último episódio você citou que o tratamento com cetamina, a reação, não sei se é assim que a gente pode dizer, costuma acontecer durante o uso ali, né? No hospital mesmo. O que é essa reação? Quais são os sintomas que a pessoa sente? Os efeitos colaterais que a cetamina de trás, ela é uma medicação que tem os efeitos colaterais ligados ao ato anestésico. Então, eu já posso falar que não há efeitos colaterais de longo prazo, então, não cai cabelo, não dá espinha, não engorda, não causa nenhum efeito colateral ao longo prazo. Os efeitos colaterais são delimitados durante a infusão e eles são próprios do ato anestésico. Então, a cetamina é o que a gente vai procurar uma situação entre leve e moderada. E alguns dos efeitos colaterais são próprios do ato anestésico. O mais comum dos efeitos do efeito colateral é tontura, náusea e vômito. Isso é com qualquer anestesia. Quem está assistindo a gente, mulher, jovem, que já fez o procedimento, ah, vou meter horrores. Qualquer anestesia é mais comum ter a náusea e vômito. A segunda é tontura, que é uma coisa muito comum. A gente vai anestesiar o lavirinto, a capacidade de enxergar e a pessoa vai ter tontura. E isso, muitas vezes, tontura é a causa da náusea e vômito. O efeito colateral que a gente vai ver mais conhecido é a chama de associação. Esse efeito colateral até que ela é utilizada de forma de droga de abuso por conta desse efeito colateral e ele é mais conhecido por isso. A associação é um efeito anestésico também. A acetamina entra em uma região do cérebro chamada de talamum. O talamum é como se fosse o portão entre o nosso cérebro e todos os sentidos. Tudo passa pelo talamum antes de entrar no cérebro. E o talamum decide quem vai e quem não vai, quem sobe e quem desce. E a acetamina vai lá no talamum e bloqueia tudo o que acontece nos órgãos do sentido disso de entrar dentro do cérebro. Se eu bloquear totalmente, eu tenho anestesia geral. Eu posso cortar a perna, a perna e eu não vai subir. E a acetamina, quando a gente faz essa subanestésica dessa forma cedada leve, amoderada, eu bloqueio alguma coisa dos estímulos de passarem para cima, mas não todos. E a pessoa vai ter também anestesia da capacidade de enxergar. Então não é que ela vai ficar cega, mas ela vai enxergar duplo, vai estar meio embaçado, vai estar um pouco sedado, um pouco tonta, já não está enxergando muito bem, vai preferir fechar o olho. Já que não está bem, o estímulo está vendo duplo, prefere fechar o olho e diminuir o estímulo. Quando diminuir o estímulo e não tem mais ninguém subindo para o córtex para o cérebro, a área da visão do cérebro, o cérebro não fica vazio, não para de trabalhar e desliga. Ele começa a criar um ruído na área do cérebro do córtex, que a gente enxerga, um ruído e esse ruído é visto pelos olhos como se fosse um sonho. E esse ruído geralmente em forma de cores, de texturas, de formas geométricas e essas formas geométricas e texturas vão criando sentido que nem um sonho. É um ruído que o cérebro cria, então de olho fechado, a pessoa começa a sentir que ela está vendo uma cachoeira de areia na frente dela, mas ela não perde a crítica, esse é o mais legal dessa termina. Ela sabe, eu me chamo Thiago Gil, eu estou fechado numa cama, estou sendo cuidado pela anestesista, estou fazendo cetamina e quando fecho o olho, me parece que eu vejo uma cachoeira de areia na minha frente. E aí a gente interpreta essas visões, a gente interpreta isso e vai puxando coisas da memória e durante a infusão você vai lembrando de coisas, puxa coisas, vai para lá, vai para cá e eu lembro da areia, a areia me lembra da praia do Guarujá, eu me lembro quando eu tinha cinco anos que eu fui comer o voo na praia do Guarujá e eu me lembro, me sinto de novo sentado na areia do Guarujá e olhando para o meu voo, eu sou uma criança, que saudade do meu voo, que saudade de ser criança e isso me tem um conteúdo emocional e isso é o que a gente chama de dissociação. Eu vou até esquecer o que eu estava fazendo de cetamina porque eu fiquei tão envolvido nessa memória que eu esqueci de o que eu estava falando, esqueci de o que eu estava fazendo de cetamina e aí de repente aquilo se transforma e aí eu estou na sala de casa e eu vejo que o tapete ele tem muita textura, então são memórias e são sonhos, eles não têm relação com a resposta antidepressiva. Isso é um efeito colateral da cetamina, mas um efeito colateral super conhecido, normalmente descrito como agradável, normal também descrito como um lugar de passo, um lugar, não me tira nunca mais daqui, mas é um lugar que não faz parte do efeito colateral, mas é um efeito colateral mais comum da cetamina que é dissociação. A gente não sabe se quem faz o uso de abuso faz por causa dessa sensação, mas eu sei que ela não é viciante, não é que eu vou querer sempre isso. Isso é rápido, não é doutor? Durante a sessão? Quanto tempo tem mais ou menos? A sessão dura cerca de 40 a 50 minutos e essa dissociação dura o tempo que a gente está usando a medicação. Desliga a bomba de infusão, em 10 minutos você abre o olho e fala: "voltei", já tenho de ver todas as minhas faculdades mentais em relação com o ambiente de novo, igual quando a gente faz indoscopia. Você está lá na indoscopia, apaga, abre o olho, acabou. Começa a falar coisa sem sentido para o médico, se declara para o médico, porque eu já vi caso no tiquitão, que nasceu as brincadeiras. A pessoa se compõe com menos de limites, quando elas estão sedadas, parece que tudo faz sentido quando está sedada, mas isso acontece mesmo, não é nada muito grave. Como anestesista, eu nunca tive um grande efeito e o papel do anestesista nesse momento é sedar mais o paciente e proteger a privacidade dela e a pessoa às vezes ela faz isso, apaga, corre, acabou, já fiz indoscopia e aqui é muito parecido. Faz anestesia, faz a cetamina, desperta e vai para casa. Doutor, apesar de ser tranquilo pelo que você falou os relatos da maioria dos seus pacientes, tem casos de pessoas que têm, por exemplo, em pânico, fica desesperado nesse momento, tem como voltar, parar ou precisa terminar a sessão? Isso é muito interessante, porque é uma dúvida muito comum, será que eu vou ficar em pânico nesse processo? Será que eu vou me sentir preso dentro desse processo? E aí eu vou querer sair, não vou conseguir, vou me sentir sufocado e eu já sou uma pessoa ansiosa, que não aguento ficar parada? Lembra que quando você está fazendo a cetamina, eu estou desligando as atividades cerebrais, eu estou diminuindo a atividade cerebral e você está sendo sedado, então não é como ficar parado, não é como dormir, dormir e ser sedado, anestesia e sono são coisas diferentes, você normalmente, a imensa maioria das pessoas, eu nunca vou falar 100% das pessoas porque a gente está falando de medicina, não apresenta nenhum tipo de ansiedade durante o procedimento, elas apresentam sempre uma calma, uma paz, uma tranquilidade e lembra quando você está fazendo num lugar bem decente com anestesia, provendo venosa, eu posso ou parar a medicação, se eu perceber, se você falar, você vai estar consciente para falar comigo, eu estou muito ansioso, não estou aguentando, eu preciso parar isso, eu me sinto perdido, me sinto preso, eu preciso parar isso, pode ser que você queira falar isso, então você vai poder ter essa capacidade, você não vai estar mudo, não vai estar em outro lugar e eu vou falar com você, vou diminuir a dose de infusão, posso parar a infusão, como a gente está fazendo pela infusão, eu posso controlar quanto estou te dando e é outra importância de estar com anestesista junto com você, dentro da sala com você, o anestesista pode dissedar, eu posso falar, olha realmente você está muito agitado, pega um sedativo e eu faço um pouco, você vai dormir, a especialidade do anestesista é S, você vai entrar numa sedação mais profunda, a cetamina vai sair do corpo rapidamente em torno de 20 minutos, depois você desperta e acabou, então é um medo comum, será que você vai ficar angustiado, pode, mas isso não quer dizer que você vá, a menor parte das pessoas menos de 1% vão ficar com algum tipo de ansiedade ou angústia, mas eu tenho como fazer, como tratar você caso você tenha. Isso é importante, mas imagino que seja uma dúvida muito comum. Agora doutor, quanto tempo para as pessoas perceberem de fato os resultados, porque a sessão é rápida, menos de uma hora, mas para começar a ver a resposta na vida, no sintoma. Quando a gente faz a sessão em Duvensa, a gente tem em torno de 30% de resposta, quer dizer na prática eu trato três pessoas na primeira infusão e eu ajudo uma pessoa a cada três na primeira sessão. Enquanto tempo depois, a gente vai fazer, então hoje e eu tenho na literatura alguns trabalhos que falam, olha a chance de eu ter uma resposta em 24 horas é de 8 vezes quando eu faço uma trinerte, quando eu faço um teste em placebo e com 72 horas é 16 vezes mais eficaz do que o placebo. Então eu tenho um crescimento ali até o terceiro dia, um crescimento de até 16 vezes mais do que o placebo na eficácia da setemina. O mais comum é a gente ter resposta entre a terceira e a quarta sessão. O mais comum é que a resposta ela apareça como uma falta de sintomas. Então às vezes a gente vai fazer ali quatro sessões, cinco sessões e fala, não vou mudar a personalidade de ninguém, não, se você não gosta de sertanejo raiz, vai continuar odiando. Tem gente que acha que muda. Tem gente que fala assim, nossa, eu acho que eu vou começar a gostar de coisas que eu nunca gostei. Não, não vai, você vai continuar não gostando de tião carreiro, não vai gostar de tião carreiro, não vou conseguir fazer você gostar de tião carreiro, não vai mudar sua personalidade, não vai mudar quem você é, não vai mudar você. O que vai mudar? É uma falta de sintoma. Então se hoje, durante o dia, eu penso várias vezes, eu podia desaparecer e nunca mais abrir o olho e morrer, eu passo o dia seguinte e isso não vem na minha cabeça. Então é uma falta de sintoma, não é um prazer, não é um bliz, não é uma coisa que eu te coloco, é uma falta de sintoma. Se hoje eu conseguir abrir o olho de manhã e pensar, mais um dia que eu acordei, não vou levantar, não consigo, vira pro lado e dane-se meus compromissos. Quando eu faço cetamina, o resultado esperado é droga, mais um dia que eu tenho que trabalhar, desligo o alarme, levanta e vai. Então eu tiro um sintoma, não tô falando que você vai gostar de acordar de manhã pra trabalhar. Vai acordar, hi de sol, às vezes esperam também. A gente espera coisas mágicas de qualquer coisa, espera que você acorde e fala, nossa, tô super animada pra fazer a aeróbica de auto-impacto. Não, não vai acontecer. O que vai acontecer é uma falta de sintoma dentro da sua personalidade. Eu sou uma pessoa mais quieta, sou uma pessoa que fala menos, sou uma pessoa mais reservada, não gosto de bagunça, não gosto de festa. Eu vou continuar não gostando de bagunça, não gostando de festa, só que em vez de não gostar de festa. E nem tomar banho? Eu vou escolher o dente, vou tomar banho, vou fazer outras coisas, vou chamar pessoas pra comer uma pizza, vou tomar um vinho, pra em vez de uma festa, vou jogar baralho, sei lá o que eu vou fazer dentro da minha realidade. Então não muda a personalidade e o resultado é uma falta de sintomas, mas ele normalmente é perceptível pela própria pessoa. Todo mundo percebe? Não, às vezes o olhar pra dentro que uma pessoa tem não é tão importante, tão grande assim. E ela não percebe que desligou aquele barulho, não percebe que aquele pensamento acelerado foi embora. Eu preciso ou que alguém fale, nossa meu marido está mais carinhoso, tem mais toque. Ele até pediu pra gente fazer alguma coisa, coisa que ele não faria anos atrás. Ah, eu não melhorei não, mas eu olhei o quarto inteiro. Não melhorou não, mas olhei o quarto inteiro. A organização da casa, organização de rotina é parte da melhora do quadro depressivo. Então existem algumas pessoas até quando ela vai perceber, quando voltar fica algum quarto enturado, quando voltar a faltar no trabalho, quando voltar uma dificuldade na escola, na faculdade, aí vai pensar, nossa eu já esteve melhor. Então às vezes a gente precisa desses. Comparação, né? E doutor, pra poder fazer, começar a fazer uso, precisa de alguns anos, algum acompanhamento específico pelo que você falou, a sua grávida aqui não pode fazer, é isso? A única contraindicação que a gente tem, ela nem é uma contraindicação normal assim, é digestão. É, porque? Eu não tenho nenhum estudo, ninguém vai pegar 100 grávidas de um lado, 100 grávidas do outro, uma se faz o que também, outra se não faz e vê o que aconteceu com o bebês. Você não vai fazer isso. Não tem como, né? A gente não vai fazer esse tipo de trabalho. E modelos animais, modelos enratos e macacos, são modelos enratos e macacos. Não são modelos animais, mas se você estiver num acidente, estiver grávida, bater o carro, quebrar a perna e vier pra um pronto-socorro, eu vou te fazer essa termina pra te tratar. Então não é uma contraindicação absoluta, mas ali a exposição única, depende também da gestação, não é uma exposição única que vai causar teratogenia, com defeito na criança. Mas agora, se eu tiver uma gestante que vier me procurar pra fazer essa termina, será que eu tenho dado o científico pra embazar? Será que a gente tem outras atitudes pra fazer? Será que a gente não pode esperar um momento da gestação um pouco mais longo, né? Quando estiver mais bem formado, quando nascer, pra gente fazer um tratamento desse tipo? Então a gente vai precisar quais são os benefícios e os riscos. Às vezes a gente fala, olha, o quadro é muito grave, essa gestante tem uma ideia ação constante, tá difícil de lidar com ela, é um risco pra ela ir pro bebê e eu vou fazer uma infusão, né? Uma dose única. Vou esperar um momento da gravidez aonde não esteja mais formando órgãos, que esteja só amadurecendo e vou fazer uma infusão, não vou fazer o mesmo protocolo. Mas pra gente começar a fazer primeiro, a gente tem que ter um diagnóstico de tratamento com quadro depressivo, então eu preciso ter um diagnóstico. O diagnóstico de depressão preferencialmente dado por um médico psiquiatra, né? Que tenha feito o diagnóstico diferencial de que eu tenho depressão e não falta de vitaminas, e não falta de hormônios, e não outro problema. Então um diagnóstico de depressão feito por um médico psiquiatra. E aí a escolha do tratamento é sua do paciente. Eu quero começar com medicação oral, acho que a medicação oral pode ser que me ajude e ajuda ali em torno de 30, 40% das pessoas. Eu vou começar com ela, eu posso estar nele nesse grupo. Eu começo com a primeira medicação oral, começo com a segunda medicação oral. Não tive resposta com duas medicações orais, né? Não tô de volta ao meu quadro inicial. É hora da gente fazer um tratamento de terceira linha, que é o tratamento com cetamina. E aí a gente procura profissionais anestésistas de preferência que façam infusão de cetamina. Existem alguns no Brasil que fazem infusão de cetamina. Procura um médico que fez e o médico bom, o médico que cuida de você, ele vai querer te conhecer antes. É uma obrigatoriedade do ato anestésico fazer uma avaliação pré-anestésica. Você já fez algumas ilugias antes, chegou uma anestesista no quarto e falou, oi Letícia, tudo bem? Como é que tá? Fala um pouquinho aqui umas coisas pra mim. Só uma conversinha rápida. Fala aqui pra mim, quando você pesa? Tem alergia, tem... Ele tá fazendo uma avaliação pré anestésica em você. Super direcionada pra aquele quadro, seja pra um fratura, seja pra um quente-sit, sei lá o que que isso foi fazer. Mas é super direcionado. Aqui é um pouquinho mais amplo, eu preciso conhecer o seu histórico de saúde, preciso conhecer tanto física, orgânica, preciso conhecer um pouco da sua história com depressão, que tem caso que eu falo, olha, eu acho que você tá mal diagnosticada, né? Eu acho que isso aqui não é depressão. Você tá me falando que seu pai morreu, tem duas semanas, começou lá, eu não vou fazer vitamina, você precisa procurar um outro médico, um outro lugar, isso é um quadro de luto, não tá mais depressão também, não é pra você agora. Então, essa consulta pré anestésica é pra isso. Lugares que você vai lá, pague, entre e faz? Já desconfi. Já desconfi. A gente falou muito já disso aqui no Amatocache, viu, doutor? Sobre até outros assuntos, bastante da cirurgia plástica também, dos não-médicos que oferecem os procedimentos, enfim, tem bastante coisa. Pra quem ficou curioso também, a gente sempre deixa a listinha e também pode sugerir novas perguntas aqui pro doutor Tiago. E, doutor, agora não posso deixar de citar, imagino que muita gente ficou até o final pra saber sobre isso, desafios da cetamina ainda, em questão tanto de acesso, né? Se isso só tá disponível na rede particular ou se já tá disponível no SUS, como que funciona o acesso à cetamina, já que a gente tá falando de tantos benefícios? O acesso ainda é um problema, né? Não é um problema pela medicação, porque a medicação ela tá em todo o hospital, se existe um hospital essa medicação está na lista formalista, a medicação está na lista de medicações essenciais da Organização Mundial de Saúde, então absolutamente todo hospital tem cetamina lá. O difícil é o profissional com especialização, com instrução, com sabendo o que tá fazendo, isso é difícil. A gente não tem nenhum lugar que ofereça pelo sistema único de saúde, pelo sistema gratuito, nenhum lugar faz infusão de cetamina de forma gratuita, a gente tem algumas clínicas de cetamina hoje espalhadas pelo Brasil, que são iguais, né? Algumas são anestesistas, outras não são anestesistas, outras têm anestesistas que trabalham junto com outros médicos, mas a gente tem algumas clínicas espalhadas. Muito aqui ainda do que acontece nos Estados Unidos, nos Estados Unidos a gente tem mais ou menos umas 500 a 700 clínicas de cetamina. Se você pensar só em Nova Iorque, que tem só a ilha de Manhattan, são mais de 5 clínicas de cetamina que fazem infusão de cetamina nos Estados Unidos. Aqui a gente tá muito abaixo da cetamina, o acesso ainda tem uma certa dificuldade no acesso, não é algo que a gente, acho que a gente não pode pensar na cetamina como uma medicação, eu não tô indo lá fazer um remédio, eu não tô indo lá fazer net, você não poderia fazer em qualquer hospital que todo hospital tem cetamina, não é isso que a cetamina é. O tratamento com cetamina é uma coisa diferente, é um tratamento, não é um remédio, isso é uma mudança de conceito muito importante, eu não tô indo fazer um remédio, eu tô indo fazer um tratamento. Porque, qual que é a diferença? Existem nuances no tratamento, existem melhoras, existem pioras, existem evoluções, existem novas percepções, um exemplo que eu tenho que lidar. 20 anos com depressão, a pessoa faz cetamina, nesses 20 anos ela teve uma vida que já foi ser crescendo da sociedade, o marido já não tá muito, já tá com outra mulher, o filho já não liga muito, eu já virei uma bajurna na sala, porque tá sempre depressão, nunca melhorou, essa pessoa aqui não tem pra onde voltar, e eu faço cetamina nela e ela volta pra onde? Pra onde? O que que ela vai se tornar? O que que ela tem pra, ela vai melhorar pra quê? Pra onde? Pra ver que a vida dela tá com o marido, tem outra minha filha não liga pra mim, eu não tenho profissão, eu não faço nada, eu só durmo o dia inteiro, cai num desespero essa pessoa, e aí o médico que tá tratando dela deve dar respostas e amparar essa pessoa também. Então a gente quase assim encaminha pra psicólogos, encaminha pra terapêutas ocupacionais, a gente encaminha pra uma rede, porque é um tratamento, não é um remédio que eu faço, tomo remédio e vou fazer, existem nuances tipo, eu vou fazer de novo, eu preciso parar, eu tenho uma fase de manutenção, ou é só fazer essa cetamina e acabou, eu tô curada, como que eu lido nessa fase de manutenção com essa paciente? Eu vou fazer essa cetamina e eu vou parar, e como que eu vou lidar com esse paciente? Então é um tratamento, acho que a fase de manutenção é a fase mais difícil da gente conseguir passar pra pessoa que é um tratamento, mas é a mais perceptível, porque ela fala, poxa, como é que eu tomo conta do meu tratamento? Como que eu faço pra usar essa cetamina como uma ferramenta pro meu bem-estar? Então eu preciso de um médico, eu preciso de um ponto de referência, eu preciso de alguém que troca comigo, e pra isso a cetamina então é um tratamento, não é um remédio que eu vou no hospital e tomo. Então quem tá habilitado, quem tem capacidade, quem tem conhecimento de oferecer esse tratamento, são poucas pessoas. Quem pode fazer essa cetamina como um remédio como novalgina? Qualquer anestesia em qualquer hospital tem acesso, mas você vê que não acontece isso porque é um tratamento e isso que é o disco diferencial do tratamento que eu ofereço e eu não ofereço um remédio pra você tomar, eu ofereço um tratamento. E esse tratamento inclui, tem o objetivo de melhora da sua qualidade de vida, de recuperação, funcional, então a gente tem outros profissionais às vezes que a gente está junto para ter uma resposta terapêutica maior, mais robusta e mais duradoura. É uma equipe integrada normalmente, notor? Eu não tenho uma equipe minha comigo, mas eu acho que é meio antiético e eu te falar, olha, vai na minha terapêutica opacional e eu prefiro te falar, procure uma terapêutica opacional, eu acho que nesse momento você tem essa pessoa que eu conheço, mas você pode procurar quem você quiser. Fala da necessidade, né, daquilo psicólogo, eu não tenho na minha equipe psicólogo, eu não tenho psiquiatra na minha equipe, eu não acho que seria ético eu ter psiquiatra e falar, olha, pra você passar comigo você tem que passar no meu psiquiatra ou eu acho que essa dependência, essa relação não é uma relação de idônia pro paciente. Então eu prefiro, olha, passa no seu psiquiatro, conversa com ele, eu estou disposto a conversar com ele, eu estou aberto a conversar com ele, eu acho que você precisa voltar, acho que tem questões que você precisa lidar com ele, vai no seu psiquiólogo, você não tem psicólogo, eu te indico um psicólogo, você não tem psiquiatra, eu te indigo um psiquiatra, mas não que seja necessário, não que eu tenha essa relação de necessidade ou de poder, mas eu acho que vai ser bem bom pra você, né. O meu pessoalmente, o meu conceito de tratamento base, assim, é a autonomia. Então se a pessoa consegue ganhar autonomia, ela precisa voltar a ter autonomia plena sobre a sua vida e aí eu vou fazer de tudo o que eu puder pra que você volte a ter essa autonomia. Isso é muito importante, doutor, acho que fica a mensagem mais importante, né, que a gente fala de qualidade de vida, tanto que a nossa frase de sempre aqui, da abertura do Amato Cast, é que a gente fala sobre tudo que envolve qualidade de vida e é até essa preocupação com a pessoa que tudo que envolve, um geral ali, não só um tema específico que a gente está falando, por exemplo, nesse da cetamina, mas que não é só isso, não é só o medicamento, precisa saber como a pessoa está, esse cuidado com a pessoa, tem muita gente que reclama disso, muitos pacientes, pessoas próximas, eu já vi gente comentando isso que fala, nossa, eu sinto que os especialistas que conversam têm esse tratamento mesmo que a pessoa ali é realmente uma pessoa, não só pelo termo, mas que tem um monte de coisa por trás e não tem aquela consulta só, ah, e que qual que é o problema, passa um medicamento ali, prescreve, entrega e não quer saber mais de nada, que a pessoa não se sente acolhida, acho que essa é a palavra do acolhimento para tudo e esse é mais um caso que envolve tudo isso. Você vê que nem medicação oral, por exemplo, que você deu, nem medicação oral é só o medicamento, nem antidepressivo, não é só o remédio, poxa, ele foi lá, abaixou a cabeça e me entregou, se fosse só o remédio, você sentiria suficiente com isso, e você não se sente, então porque é um tratamento que você também é a mesma coisa, eu tenho um tratamento para a gente fazer, não é só para escrever e volto aqui há 15 dias, não é isso? E é um princípio meu, um princípio meu pessoal, a maior segurança, a menor quantidade de cetamina com a melhor qualidade de vida e com autonomia. A autonomia passa por diversas coisas e inclusive passa por uma resposta terapêutica, passa por instrumentalização, passa por util da elementos para você poder me criticar, porque a qualidade de vida, a sua passa tem que ter autonomia para ter qualidade de vida e muitos pacientes eu falo, você já me criticou dessa forma, você já perguntou por que eu estou fazendo isso? Você tem que ter essa capacidade para você se proteger, para você saber o que é melhor para você, senão eu criei que todo mundo fosse um homem de 40 anos anestesista, que é essa que nem eu. É verdade, doutor, foi um papo super esclarecedor, eu que não sabia nada sobre, claro, a gente já ouviu falar muito, a gente inicia o episódio aqui falando de algo muito polêmico, que às vezes as pessoas nem sabem o que significa, saem falando que é algo perigoso, sem saber de fato o que é, então foi muito esclarecedor, antes da gente terminar eu vou pedir para você passar suas redes sociais e se faltou alguma coisa que você queria destacar, tem algo que você acha que precisa ainda acertar? Acho que tem uma pergunta super comum, que assim, todo mundo me faz esse, eu vou precisar continuar todo mundo nos meus remédios? Para sempre, para sempre. O tratamento de vitamina é para sempre, ir meus remédios por boca, é um remédio que eu tomo para sempre, eu vou fazer termina, mas eu vou poder parar aqueles, essa é uma relação muito comum e uma dúvida bem comum, será que como é que eu vou, como é que se interage no tratamento? As medicações orais, elas têm diversas formas de medicação, elas têm diversos objetivos, então tem algumas que são para tirar você de episódio agudo, tem algumas que são para prevenir recaída, tem outras que são para momentos de mais ansiedade, mais de crise, então existe, geralmente ali umas três ou quatro medicações que você está usando, uma para a gente para dormir, uma para acordar, uma para um aumento de crise, uma para um antidepressivo, e quando a gente faz vitamina, você pode escolher se você quer tirar essas medicações, porque a vitama é uma melhora do quadro original, então é uma melhora do quadro depressivo, e aí o seu psiquiatra ou você pode escolher e falar assim, olha, eu não sei se a medicação de uso agudo, de fazer aguda, é tão necessária para mim, eu não sei se a medicação de crise é tão necessária para mim, será que eu tenho alguma medicação que me evita novos episódios de uma maneira mais eficaz, mas que não é boa para tirar de crise, e eu posso ir trocar, então a gente pode fazer esse tipo de medicação na medicação oral, e lembre-se que a autonomia é a palavra principal, e se você falar eu não aguento mais tomar medicação, eu quero parar de tomar remédio, a gente tem ali no diversas sociedades médicas, principalmente as inglesas, tem a australiana também, a francesa também, mas sociedades médicas e psiquiatria tem motivos para o parar de tomar remédio, quais são os cinco motivos que eles colocam, algumas um pouco mais, um pouco menos, são várias motivos para eu parar de tomar medicação psiquiátrica, por que que eu deveria parar, então o principal delas e a primeira delas é desejo do paciente, então você fala eu quero parar de tomar remédio, eu não quero mais me tratar com medicação, o que causa o efeito colateral, a gente tem que enfrentar, tem que aceitar que medicação oral antidepressivos causa aumento de peso, causam perda de libido, causam disfunção sexual, causam alguns problemas hormonais, causam síndrome metabólica, causam algumas até pioram quadros de pânico, eles podem piorar a impressão, eles podem piorar a cognição, funcionamento global, e você pode escolher, eu não quero mais utilizar essa medicação, eu não vejo mais sentido nela, então primeiro, o meu condição base melhorou, esse é uma boa, uma boa, bom porquê, despreescrever. Segundo, eu desejo, eu não quero mais, eu todo vez que eu tome esse remédio, eu me sinto que eu estou me machucando, ele me causa, por exemplo, insônia, ele me causa sonhos anormais, ele me causa disfunção sexual, eu quero parar de tomar remédio, então é um motivo para você parar de tomar remédio, eu já estou tomando ele há dois anos e ele não me trouxe eficácia, então a falta de eficácia dele é um outro, um outro porquê, despreescrever ou tirar a medicação, eu prefiro despreescrever, desmarmar, despreescrever é uma coisa, essa medicação ela não tem mais um efeito terapêutico, eu só to dependente dela, eu só to usando ela porque se eu fico sem eu não consigo, tenho ansiedades, eu tenho problemas, então é um outro porquê despreescrever. Então a gente pode nesse processo, nesse tratamento, desprezescrever medicações que não são mais tão necessárias ou que elas não têm mais um sentido dentro desse plano terapêutico novo e prescrever outras ou se você falar eu não quero, eu quero ficar com essa, eu não quero nenhuma e a gente pode conversar sobre isso, então existe essa, essa é uma pergunta muito comum, como é que a gente vai lidar, eu acho que esse é um bom jeito de lidar, mas sempre com autonomia. Entrando aquele plano, que é montado ali com o tempo que vai ser utilizado nas semanas, quanto, em que momento, quantos dias, quais dias? Isso, eu tava tendendo uma paciente que ela toma três remédios pra dormir, ela fala eu não consigo tomar nenhum deles pra dormir, eu não durmo nada, eu falo olha a gente vai fazer isso também, não sei se ela vai melhorar seu quadro depressivo, a insônia faz parte do quadro depressivo e a gente vai poder tirar essas medicações. O que você acha? Não, todas não, uma delas eu quero ficar, tudo bem, a gente tira então elas e a gente fica com uma delas só, pode ser? Tá bom, pode ser assim. Negunciando. Negunciando, a autonomia inclui a negociação, então isso faz parte desse plano terapêutico que a gente tava conversando anteriormente. Doutor, passa as suas redes sociais pra pessoal, se ficou alguma dúvida? Eu imagino que foi superesclarecedor, eu pelo menos consegui entender todas as dúvidas, os temas mais polêmicos mesmo que são relacionados a cetamina, mas se alguém teve alguma dúvida, ainda quer te perguntar alguma coisa, pode te mandar nas redes sociais. Claro, no Instagram, @cetamina, é cetamina.com, no site cetamina.com, aqui no YouTube tem o centro de Cetamina e pode me encontrar até em alguns outros podcasts, mas me encontra no Cetamina, @cetamina no Instagram, manda lá mensagem que eu respondo. Exatamente, e eu também vou pedir pra vocês comentarem aqui, se ficou alguma dúvida, se alguém que traga, que a gente traga novamente o Doutor Tiago, não só da Cetamina, mas às vezes surgiu alguma, eu acho que isso tem a ver, a gente pode esclarecer aqui no episódio e vocês podem mandar tanto aqui nos nossos comentários, como também nas próprias redes sociais do Doutor Tiago. Obrigada, Doutor. Eu quero a Deus. Eu quero a Deus, obrigada. Conto com a sua participação de novo nos próximos, que pessoal comenta e a gente te trazes de volta. Claro, serão um prazer. Obrigada pela sua participação aqui no nosso Matocash, vou pedir pra você não esquecer de curtir, compartilhar com todo mundo que se interesse por esse assunto, tanto pessoas leigas na medicina, que a gente sempre traz esse equilíbrio especialista com uma pessoa no caso eu, que faz perguntas mais próximas do público, mesmo dos pacientes, pra pessoas que sejam próximas de vocês aí, tanto da área da saúde ou não, que possam se interessar por esse assunto. Conto com a sua participação no nosso próximo episódio, a gente deixa tudo relacionado que a gente citou aqui, sempre na nossa listinha, e teve um episódio anterior com o Doutor Tiago, que a gente deu o panorama do início, o que que é a depressão, causa, enfim. E pra quem acompanhou já veio direto nesse, volta lá e vê o início dessa conversa que também foi muito legal.

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