O episódio discute se varizes são apenas uma questão estética ou uma doença, trazendo orientações práticas com a cirurgiã vascular Dra. Flávia Magella. A conver
Eu, não, eu tinha uma dúvida. Eu sempre, eu acho que, assim, as nossas maiores referências são os nossos professores. Eu acho que uma das profissões mais belas do mundo é o professor.
Eu sempre ficava... Nossa, duas coisas bem diferentes. Totalmente diferente, mas eu, chegou algum momento que eu falei assim, não, eu não vou fazer Direito, porque se eu for fazer Direito, eu vou fazer, eu vou ser juíza.
Porque eu também tive uma influência de algumas professoras minhas. Eu tive a honra de ter um conhecimento muito grande dado por cirurgiãs. Na minha faculdade, as cirurgiãs-chefes eram mulheres, a Soraya, o Mico e a Eliana.
Eu e o Alexandre temos uma coisa muito curiosa. Nós somos dois, eu brinco, dois cientistas. Nós temos um gosto pela ciência, pela pesquisa.
Então, tecnologia. Eu acho que uma coisa que une eu e o Alexandre é a curiosidade, a ciência de verdade e tecnologia. Nós dois adoramos tecnologia.
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato, e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais, conversamos sobre o lipecurso, se você ainda não sabe o que é, a gente vai deixar uma playlist aqui para você acompanhar esse episódio, e antes também falamos sobre fisioterapia e o desafio do lipedema com a Mária, fisioterapeuta aqui da Clínica Amato. Hoje, novamente, a gente recebe uma convidada especial, já vou dar as boas-vindas aqui para a nossa médica de hoje, doutora Flávia Magella, como vocês estão vendo aí no nosso tema.
É também ligado a um pouquinho o lipedema, um tema que a gente traz bastante aqui no AmatoCast, mas também vamos falar do tratamento estético de varizes e microvasos, que é um tema que vocês sempre pedem, eu sempre vejo os comentários e continuo mandando para que a gente traga sempre as dúvidas de vocês, os especialistas que vocês gostam, enfim, vai ser muito legal. Então, antes de dar as boas-vindas aqui para a nossa convidada especial de hoje, doutora Flávia Magella, cirurgia vascular, eu vou apresentar um pouquinho do currículo dela para vocês poderem conhecê-la melhor, vamos lá. A doutora Flávia Magella é cirurgia vascular, ultrassonografista, tem felon em laser, é diretora da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular e é mãe de quatro filhos.
Bem-vinda, doutora. Muito obrigada, gostaria de agradecer ao Instituto Amato, ao Alexandre Amato, pelo convite para estar aqui hoje, muito obrigada. Eu que agradeço, inclusive eu já aproveito de perguntar aqui um pouquinho da sua, eu ia falar do currículo, da parte profissional, mas mãe de quatro filhos me chamou a atenção, meu Deus, como que faz para conciliar aí a cirurgia, tem, acaba pegando uma parte de clínica também, né doutora, essa parte aí inclusive do tratamento.
Tem, tem, eu sou a prova viva que dá para fazer muita coisa nessa vida, desde que você faça uma coisa de cada vez. Eu fiz faculdade de medicina, aí eu fiz cirurgia geral, depois cirurgia vascular e somente com 35 anos de idade eu casei e tive meu primeiro filho, que é o Davi, que hoje está com 14 anos, depois o Arthur, depois o Guilherme e depois a Marcela. Então, é muito desafiador conciliar tudo, mas fazendo uma coisa de cada vez, focando naquele momento, no que realmente precisa e com muito amor eu falo que tudo dá certo.
Nossa, imagino que deve ser assim, desafiador mesmo essa palavra, né, para unir tudo, mas inspirador também, que a gente estava conversando aqui nos bastidores, que eu sempre quis também ter quatro filhos, já dá até uma motivação, né, escutar. E aí você tem três homens, então, e uma mulher. Isso, isso.
Eu acho que nós mulheres temos a capacidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. A mãe natureza nos preparou para procriarmos, né, e eu acho que a mulher tem muita sensibilidade, mas ao mesmo tempo a mulher tem muita força e a mulher brasileira é uma prova que, com trabalho e com perseverança, a gente vai fazendo as coisas e vai chegando lá. Lógico, eu nunca pensei e nunca planejei, ah, vou ter quatro filhos.
Eu achei, inclusive, por questão da minha idade, que eu só fosse ter um filho, mas aí as coisas foram acontecendo e foi dando tudo certo. Graças a Deus, eu sou abençoada porque todos têm muita saúde e é uma família grande. E eu venho de uma família grande também.
Eu sou a filha mais velha de quatro filhos. Então, eu tenho mais três irmãos e só que na minha casa é o contrário, são três meninas e um menino. E na minha casa tem bastante médica, todo mundo da área de saúde.
Ah, que legal. Camila é psiquiatra, meu irmão é ortopedista e minha irmã é psicóloga. Então, vocês imaginem o almoço de domingo.
É um barato, tem muita medicina, tem muita coisa, bem movimentada, mas é muito gostoso. Isso que eu ia te perguntar, como que surgiu a medicina na sua vida, né? Aproveitando, então, sempre que você é médica? Eu, não, eu tinha uma dúvida. Eu sempre, eu acho que, assim, as nossas maiores referências são os nossos professores.
Eu acho que uma das profissões mais belas do mundo é o professor. Inclusive, eu sou uma grande entusiasta de incentivar e promover a educação de grandes professores, porque isso faz uma sociedade melhor, um país melhor. E eu tive a honra de ter professores de humanas maravilhosos.
Eu tive meu professor Aloysio, que era um advogado, deixou o direito. Eu lembro que ele falou, eu, eu, eu passei no Largo São Francisco e deixei a faculdade de Direito da USP para estar aqui com vocês, porque é muito amor pela literatura, pela gramática. E eu lembro que eu fui ficando apaixonada e eu gostava, ao mesmo tempo, muito de biologia também, porque os professores eram incríveis.
O colégio que eu estudei, que se chamava Quarupa, era um dos lugares mais saudáveis e que instigavam os estudantes a criar o gosto mesmo pelo conhecimento, eu ficava na dúvida. Então, eu falava assim, eu vou ser, vou fazer Direito ou eu vou ser médica? Eu sempre ficava... Nossa, duas coisas bem diferentes. Totalmente diferente, mas eu, chegou algum momento que eu falei assim, não, eu não vou fazer Direito, porque se eu for fazer Direito, eu vou fazer, eu vou ser juíza.
Eu tinha já essa noção de resutibilidade, eu gostava de resolver as coisas. Daí eu, não, acho que vai ter que ter muita política, naquela época não tinha, assim, uma ideia que fosse ser uma coisa tranquila. Eu falei, não, como eu gosto muito de biológicas, de ciências, eu acho que eu vou ser médica.
E aí culminou no meu perfil, que eu virei cirurgiã, que eu gosto muito da parte da medicina que a gente consegue intervir diretamente para resolver o problema do nosso paciente. Entendi. Então, eu sou realmente apaixonada pela cirurgia.
Legal. Então, eu fui por esse caminho, porque eu gostava muito de ciências também. E hoje a sua, então, sua rotina mesmo é em centro cirúrgico, não pega tanto essa parte de clínica, consultória.
Acaba tendo um pouco no primeiro contato ali com o paciente, mas hoje é mais cirúrgico. Então, quando eu entrei na faculdade de medicina, eu tive uma dificuldade também, porque eu gostava de várias coisas. A faculdade de medicina, ela é muito encantadora.
E eu gostava de dermatologia, gostava de cardiologia, mas quando eu entrei no internato, para quem não sabe, o internato são os últimos dois anos da faculdade de medicina, o quinto e o sexto ano, onde o aluno entra no hospital, tem contato direto com o paciente, atende o paciente, a parte prática. E lá eu tive contato com a cirurgia. Quando eu entrei no ciclo de cirurgia, de pronto-socorro, em que eu vi que a gente poderia resolver o problema da paciente naquele momento, aí eu fui para a cirurgia.
Mas, quando eu decidi fazer cirurgia vascular, e por quê? Porque eu também tive uma influência de algumas professoras minhas. Eu tive a honra de ter um conhecimento muito grande dado por cirurgiãs. Na minha faculdade, as cirurgiãs-chefes eram mulheres, a Soraya, o Mico e a Eliana.
Hoje eu tenho a honra, ainda depois de 25 anos, fazer parte da minha equipe. Nós somos uma equipe, a doutora Eliana, que nós operamos juntas. Então, essa parte, no contato com essas cirurgiãs, essas professoras de novo, olha a importância de referências, cirurgiões, médicos, que encantam os seus alunos.
Através delas, elas viraram um dia, nós saímos, Flávia, você tem que fazer cirurgia vascular, porque você tem esse perfil. E aí elas me falaram uma coisa que é muito interessante. A cirurgia vascular, ela tem clínica.
Você atende o paciente, você tem que entender de cardiologia, de endocrinologia, de toda essa parte clínica. Temos os pacientes, uma grande parte dos pacientes da cirurgia vascular são diabéticos, tem aterosclerose. Então, você mergulha na parte clínica e aí você mergulha na parte cirúrgica também, tem a parte prática.
Então, você atende esse paciente, você dá remédio. Eventualmente, se não há uma resposta, você parte para um procedimento cirúrgico. E elas viraram para mim, e ainda tem a parte de exames.
Eu, nossa! Aí, ultrassonografia. Na época, começou a cirurgia endovascular, quando eu estava começando a residência de cirurgia, eu estou falando coisa de 20 anos atrás. Então, a cirurgia minimamente invasiva, por catéteres.
E aí, elas falaram, e para fechar a cereja do bolo, tem a cirurgia estética. Aí, eu falei, não, um milhão de possibilidades. Uniu tudo isso.
É, a cirurgia vascular é muito rica. Aí, eu falei, é isso que eu vou fazer. Num jantar que nós saímos, eu e essas minhas, hoje são grandes amigas, mas eram minhas professoras, porque me ensinaram a operar, enfim.
Eu acabei fazendo cirurgia vascular. Legal, dá para ver que seu olho brilha de verdade, falando do tema. E o doutor Alexandre Amato, que a gente grava demais aqui com ele.
Todo mundo sabe que ele que organiza, o nosso anfitrião aqui, que está sempre gravando com a gente também. Vocês chegaram a trabalhar juntos, como que foi que vocês se conheceram, com a mesma especialidade? Eu e o Alexandre temos uma coisa muito curiosa. Nós somos dois, eu brinco, dois cientistas.
Nós temos um gosto pela ciência, pela pesquisa. E, felizmente, eu encontrei o Alexandre em congressos. A gente, sendo convidado para dar aula, ministrar palestras, sempre no mesmo ambiente, nós fomos nos conhecendo.
E eu tenho a honra hoje do Alexandre ser meu amigo e ser um pesquisador em que compartilhamos conhecimentos e informações. Então, é uma troca muito rica. E muito obrigada, Alexandre, por me convidar e por gostarmos de ciências e realizarmos essa troca.
Parece aqueles cientistas, a gente brincando com inteligência artificial. Vocês um dia deveriam gravar a gente, porque é muito interessante. A gente acabou fazendo um episódio, sem querer, de bastidor aqui, que já estava gravando.
E a gente estava conversando antes de começar a gravar, que foi justamente isso. O papo vai longe, né? Se deixar, a gente acaba mudando completamente o rumo do foco ali, né? Então, tecnologia. Eu acho que uma coisa que une eu e o Alexandre é a curiosidade, a ciência de verdade e tecnologia.
Nós dois adoramos tecnologia. Realmente é muito legal. Então, esse que é o link que me faz com o Alexandre.
Tá certo. Então, antes, eu só queria, antes da gente ir de fato aqui para o nosso tema de hoje, agradecer o nosso patrocinador aqui do Amatocast. Quem já acompanha há bastante tempo sabe, para quem está chegando agora, a gente tem um patrocinador que é do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa.
O foco da Origem é qualidade de vida e prevenção. Doutora, então, antes de tudo, eu acho que é importante a gente esclarecer bem sobre o tema que a gente falou, né? Varízes, microvasos, pacientes com NPDM. Mas antes, vamos começar do básico, né? A gente tem bastante médico que acompanha, mas tem muito paciente também que está sempre mandando dúvidas e tudo mais.
Varízes, quando que é um tratamento, vamos colocar como algo de saúde necessário, básico, ou quando vira algo estético? Tem como separar essas duas coisas ou as coisas andam juntas? Tem como separar, mas as duas coisas andam juntas. Varízes, primeiramente, é uma doença crônica. Ela te acompanha para o resto da vida.
A varíze nada mais é do que uma dilatação de uma veia maior que 3 milímetros. A parede dela fica elástica, as válvulas dela ficam separadas, e ela fica lá, gordinha, saltada. Então, ao invés de você ter uma perna mais lisa, você tem uma perna com veias saltadas, aparentes, grossas e tortuosas.
Então, o diagnóstico de varízes, ele é muito fácil. Se você tiver um dia na praça, no parque, andando, você olhar uma perna de uma pessoa, tiver uma veia lá, dilatada, grande, o diagnóstico de varízes está feito. E o que causa? Que problema essas varízes podem causar? Existe uma coisa muito interessante, que o sintoma de varízes, ele não é diretamente proporcional à quantidade e nem ao tamanho das varízes.
Às vezes, uma pessoa que tem poucos vazinhos, varízes microvasos, que são aqueles menores que 3 milímetros, às vezes essa pessoa pode sentir cansaço, choque, dor, coceira, e uma pessoa que tem varízes grandes, pode não sentir nada. Então, isso é muito difícil. Por quê? Porque a pessoa olha e fala, não sinto nada, tá bem, eu não vou fazer nada.
Mas qual que é o maior problema? Esse quadro, ele vai evoluir e ele vai aumentar. Em algum momento na vida, quem tem varízes, pode ter alguns problemas relacionados à permanência desse vaso e desse sangue parado na perna. Então, nós éramos quadrípedes, andávamos de quatro.
Na evolução, ficamos bípedes. Quando a válvula dessas veias não funciona, o sangue fica parado na perna. A longo prazo, pode desencadear um inchaço.
A longo prazo, a pele vai sofrendo. E a longo prazo, esse sangue que ele deveria retornar pra filtrar no pulmão, nos rins, ele começa a gerar alterações nas pernas. E é por isso que nós devemos tratar pro paciente não ter complicações a longo prazo.
E esse tratamento, então, quando é micro ali, como você deu de exemplo, às vezes tem pouca coisa, a pessoa vai ou sente alguma coisa, ao contrário, que também foi exemplo, mas assim, se a pessoa tem micro vasos, não sente nada, não incomoda, já é o momento de tratar ou pode esperar começar a aumentar e aí sim gerar um incômodo tanto ali do corpo como o estético, por exemplo? Essa pessoa, ela pode esperar. Vai aumentar? Vai aumentar. Eu sugiro, a partir do momento que você olha nas suas pernas, você faz um diagnóstico, que as veias estão aumentando, que estão mais aparentes, você deve procurar um cirurgião vascular pra realizar uma avaliação e um diagnóstico.
E ele vai tentar entender o quanto aquilo vai poder fazer mal pra você e o quanto aquilo está te incomodando. Então, no caso de vazinhos pequenininhos e micro vasos, a gente tem tratamento pra isso? Tem, de excelência. A cirurgia vascular brasileira é uma das melhores do mundo.
Você sabia? Eu sabia porque o doutor Alexandre já falou um pouquinho desse tema, mas é interessante. É muito interessante. Os cirurgiões vasculares brasileiros, eles são muito habilitosos.
Em algum momento, algumas décadas atrás, os cirurgiões tiveram o entendimento que a cirurgia vascular deveria ser mais delicada. Então, eles passaram a fazer microincisões. Tem uma coisa muito curiosa que é, no Brasil, é utilizado uma agulha de crochê pra retirar essas veias.
Então, você vai lá, faz uma mini incisão. Sabe a agulha de crochê que a sua avó fazia ponto cruz, bordava? Essa agulha que a gente opera e faz a retirada dessas veias com delicadeza. Então, a gente tira essas veias superficiais que estão fazendo mal praquela perna.
E eles desenvolveram isso e hoje o Brasil tem uma excelência no tratamento desses microvasos. Então, o tratamento é, um, cirúrgico e dois, com tecnologias. A gente pode usar o laser pra tratar esses microvasos.
Existe... O que é o laser? Às vezes as pessoas ficam me perguntando. O laser nada mais é do que uma máquina que dispara um comprimento de onda que gera um efeito em um tecido. Esse efeito, ele pode ser térmico, ele pode esquentar esse tecido.
Por exemplo, as dermatologistas fazem um laser na pele, esquentando pra melhorar o colágeno, a textura de pele. Na cirurgia vascular, a gente faz um laser que o alvo é o sangue daquele vasinho. A gente vai lá, dispara esse laser e queima esse vasinho.
Então, a gente pode tratar microvasos tirando microvasos, fazendo laser e também fazendo aplicação, que são as famosas injeções. Isso, no Brasil, nós somos realmente um dos melhores do mundo. Tem tratamento.
Se incomodar, deve fazer, porque em qualquer lugar do Brasil nós temos cirurgiões muito capacitadas. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular, a qual eu tenho honra de fazer parte, ela tem inúmeros congressos, inúmeros cursos que capacitam essas cirurgiões. A gente faz encontros, tem mais de quatro encontros anuais entre a nacional e as regionais.
Então, a gente fomenta muito uma educação médico continuada. E você lá, se estiver mesmo no interior da Bahia, do Amazonas, hoje em Rorama, em qualquer lugar, você vai ter um atendimento que eu tenho certeza que vai ser muito bom e pode prevenir a evolução dessa doença. Legal.
Então, nem sempre, doutora, é algo cirúrgico de fato. Esse laser, por exemplo, é em consultório mesmo? Em consultório. Que isso é muita dúvida, né? Hoje, nós temos muitas opções de tratamento em consultório.
Tem gente que morre de medo de entrar no centro cirúrgico. Só de pensar, já sai correndo. É, eu tenho uma opinião que o centro cirúrgico é o lugar mais seguro que tem.
Que o hospital é um dos lugares mais seguros que tem. Porque lá é um ambiente preparado para qualquer tipo de intercorrência. Mas hoje, existe uma procura por desospitalização.
O que seria isso? Isso começou muito nos Estados Unidos, na Europa, em que foram criados pequenos centros em que tem centro cirúrgico, em que tem a cirurgia ambulatorial, principalmente, para poder oferecer tratamento para os pacientes mais rapidamente e com menor custo. Hoje, no mundo, pensa-se muito em custo-efetividade de um procedimento. E nós, aqui no Brasil, no SUS, cada vez mais, estão estudando custo-efetividade para termos um entendimento para oferecer o que há de melhor para os pacientes com melhor custo-benefício.
Então, existe o tratamento que pode ser feito no hospital e tratamentos inúmeros que podem ser feitos no consultório e no centro cirúrgico. Tá. E agora, para entender também um pouco sobre a causa, que as pessoas, às vezes, sentem algo ali e não sabem exatamente se é a hora de procurar.
É bom para esclarecer isso. Todo mundo, qualquer pessoa, tem esses microvasos, ou seja, várias vezes eu acredito que não, que já é... Aliás, antes de tudo, porque surgiu agora a dúvida. Microvasos é uma etapa antes de varizes? Tá certo a gente definir assim? Eu acho que não necessariamente é uma etapa antes, mas é um calibre menor.
Tá. Então, a gente pode ter microvarizes da pele e vasos do tecido celular subcutâneo, que é uma camada embaixo, que pode se tornar maior. E ainda tem uma coisa que é muito interessante, que depois a gente pode conversar, que é a veia safena.
Que a veia safena é muito conhecida. A veia safena é uma veia que sai desde o tornozelo e entra lá na virilha. Ela caminha a meio centímetro, a um centímetro abaixo da pele.
É um vaso de 3 milímetros a 4 milímetros. Ela é cheia de válvula, a cada 3, 4 centímetros ela tem válvula. E ela é responsável por trazer uma parte do sangue dos pés e das pernas para ser filtrado no coração e no pulmão.
E uma pergunta que os pacientes sempre têm, falam Ah, doutora, como é que eu faço? Eu vou tirar a minha safena? Eu vou tratar minhas varizes? Como faz para o sangue voltar? Eu falo que Deus é muito sábio. 90% do sangue volta pelas veias profundas, dentro da perna, da coxa, colada atrás do fêmur, dos ossos, no meio do músculo. A principal circulação, ela é interna.
Varizes e vazinhos, ele dá na superfície, acaba dilatando, acaba alterando. Mas se a gente tratar, não vai fazer falta para o sangue retornar e não vai interferir na circulação dos membros. Pelo contrário, se você tiver vazinhos e varizes, isso piora a circulação da sua perna, porque pode complicar.
Essas varizes maiores, que são as de 3 milímetros, elas vão aumentar. Os vazinhos também da pele, eles vão aumentar. Mas como você perguntou, não necessariamente um antecede o outro.
Eles caminham juntos. O importante é saber que tudo isso pode aumentar. Tá, e vazinhos e varizes é fácil de diferenciar.
Para quem não é médico, bater o olho na perna também consegue. Varizes é aquele maior que você disse no início. Maior que 3 milímetros.
Menor que 3 milímetros, microvasos. Vazinhos é menor que 1 milímetro. Existe um termo técnico que é telangectasias.
Até tem o nome de aranhinhas vasculares, que são aqueles vazinhos vermelhinhos, vermelhos, roxinhos que ficam na pele. Esses menor que 1 milímetro, eles são vazinhos. E o tratamento é laser e aplicação.
Sendo maior, você pode fazer técnica de espuma, técnica cirúrgica, técnica de endolaser. E a veia safena, você pode retirá-la ou fazer endolaser. Mas existe uma coisa que é muito interessante.
Cada paciente é único. Cada paciente tem a sua circulação e cada paciente tem a sua doença. Então é muito importante o médico avaliar esse paciente para ele juntar as peças desse quebra-cabeça.
E uma coisa muito importante é o ultrassom. Tem que fazer. Tem que fazer um ultrassom.
Ali na rotina? Na rotina. Uma vez por ano ou menos até? De varizes, eu acho que se você olha para a sua perna, você tem varizes, tem vazinhos. 1. Procurar um cirurgião vascular e um angiologista.
2. Ele vai te examinar. 3. Tem que ter ultrassonografia. O ultrassom é como se fosse o plano de voo do piloto do avião.
Ele faz com que o médico raciocine a respeito de como está aquela circulação naquele momento. Por exemplo, com o ultrassom. Sua veia safena é doente? Nós vamos tratar? Não vamos tratar? Hoje foi muito interessante.
Eu faço parte de um grupo de pós-graduação aqui em São Paulo. E hoje um dos médicos colocou um caso de varizes. De uma safena inteira doente e de uma úlcera.
Que é uma complicação de quem não tratou varizes por muito tempo. E ele colocou no grupo que tem 70 médicos. Qual é o melhor tratamento? E aí todo mundo, ultrassom, a distância da pele, está conectado com que vaso, com que vazinho.
Então, a avaliação é individualizada. Tem que fazer e o ultrassom é fundamental. Legal.
E todo mundo, eu ia começar a perguntar da causa, acabei mudando a pergunta. Todo paciente, toda pessoa, na verdade, por exemplo, eu jovem, nunca fiz nenhum tipo de diagnóstico. Algum momento da vida, eu vou ter microvasos, posso apresentar até varizes ou isso é genético.
Enfim, todo mundo se procurar ali, acha algum momento da vida. Ou tem pessoas que não têm e vai do hábito de vida, causa. Eu acho que é importante a gente estabelecer legal, estabelecer bem isso.
Se é algo de família, se minha mãe teve, minha avó teve, eu vou ter também. Então, vamos lá. 30% da população tem vazinhos ou varizes.
Ah, por quê? Porque nós nos tornamos bípedes, caminhamos naquela coluna de pressão. E com o passar dos anos, geneticamente, uma alteração desses vasos pode ser passado de pai para filha. Só que existem fatores de risco que influenciam pessoas a terem mais varizes e vazinhos ou não.
Por exemplo, mulheres. A cada três mulheres, somente um homem tem varizes. E por que isso acontece? Questão hormonal.
Então, a gente sabe que estrógeno, hormônios decorrentes do sexo feminino fazem com que a mulher tenha mais varizes. Outra coisa que é muito importante. Pessoas sedentárias.
Lembra lá quando eu falei que uma pessoa pode ter muitas varizes e não sentir nada? Principalmente porque essa pessoa, ela movimenta a musculatura da perna. É uma pessoa ativa. Ela não é sedentária.
Ela pode ter varizes, mas ela vai lá, ela faz musculação, ela caminha, ela trabalha muito. Ela pode trabalhar na obra, ela pode trabalhar em pé. Mas se ela andar bastante, ela pode fazer com que esse sangue parado suba.
Então, atividade. Uma pessoa que tem bastante atividade, ela pode ficar livre de sintomas. Mas quem fica parado, sedentário, com aquele peso, aquele desconforto na perna, pode evoluir para mais varizes.
Então, vivemos uma epidemia de obesidade no mundo. Quando você tem excesso de peso em cima das pernas, as válvulas vão ficar sobrecarregadas, a circulação vai ficar sobrecarregada e as varizes irão piorar. Então, assim, por que eu tenho varizes? Primeiro porque pai, mãe, tia, avó, geneticamente, você recebeu uma informação para essa parede dessas veias ficarem mais moles, essas válvulas ficarem mais separadas.
Mulheres da parte hormonal também têm maior incidência de varizes. Sedentarismo não se movimentar. E várias gestações.
Se a mulher em cada gestação ganhar muito, muito peso, não recuperar esse peso, pode aumentar essas varizes. Principalmente porque o bebê vai ocupando espaço dentro da barriga. E aí o que vai acontecendo no final? Vai comprimindo os vasos.
Se a pessoa já tem varizes, fica com o bebê e ganha muito peso, essas válvulas que eram separadas, elas entram em falência e elas acabam sendo danificadas. E depois o nenê nasce e as varizes ficam. Então, uma coisa interessante da gente discutir também depois é se vale a pena, antes de ter bebê, tratar ou não tratar.
O que você acha? Acho que acaba quando a pessoa... Estava vendo esses dias sobre isso, uma influenciadora famosa, que sempre foi referência de belezas estéticas na internet. E agora teve filho, às vezes as pessoas já estão até reconhecendo. Não vou citar nomes, mas... E aí deixou essa parte de lado para cuidar depois, porque às vezes fica tão focado na questão da maternidade e tudo, que prefere deixar em segundo plano essas outras coisas.
Mas aí quando envolve algo que causa dor, por exemplo, é mais difícil você deixar em segundo plano. Quando envolve só estética, mesmo que seja uma pessoa muito vaidosa, consegue, às vezes, deixar a linha um pouquinho mais para frente. Inclusive, eu tinha começado te perguntando isso da parte estética, quando que é algo físico, uma necessidade mesmo, uma condição que acaba causando dor, por exemplo, ou quando é algo estético no consultório.
As pessoas procuram mais por essa parte estética ou costumam procurar mais pela questão física mesmo, de algum desconforto, dor? Por incrível que pareça, a parte estética leva muitos pacientes ao nosso consultório. E por quê? Porque a cultura brasileira é uma cultura que nós temos muitas praias, nós gostamos culturalmente de música, de dançar. A brasileira, ela mostra as pernas, usa vestido, saia, porque é um país tropical.
Se nós vivêssemos no frio, todo mundo, de jaqueta, na neve, seria um quadro diferente. Então, culturalmente, nós mostramos muito as pernas e a brasileira, ela se preocupa muito com o corpo. Nós somos famosos pela beleza até do corpo brasileira mundialmente.
Então, a estética leva muitos pacientes ao consultório, mas o que leva também é quando dói, quando começa a incomodar, quando começa a dar cãibra, inchaço. Essa semana, aconteceu uma coisa muito interessante. Eu tratei uma senhora, eu trato, assim, pacientes muito jovens e pacientes, assim, bem maduros.
Uma senhora de 67 anos, ela veio de outro estado, ela veio do Paraná. Lá, ela tem uma vida muito rica, ela mexe com gado, fazenda, mas ela trabalha mesmo. Ela falou, não, eu adoro medicina, porque eu opero boi, eu fiz o parto do bezerrinho.
Só que ela não sentia dor. Ela tinha varizes, muitas varizes, muitas. E ela chegou para mim, olha, eu vim, porque agora está incomodando.
E eu falei para ela, nossa, se você tivesse vindo há uns 10, 15 anos atrás. E ela virou para mim e falou, mas eu não sabia que podia tratar, se eu não tivesse nada. Sim, pode tratar.
Inicialmente, quando está começando, é melhor. Porque a gente consegue, hoje em dia, com o ultrassom, com uma técnica adequada, com o diagnóstico, meio que parar a doença, dar um break. Então, se ela tivesse vindo há 10 anos atrás, com certeza, o procedimento cirúrgico seria mais rápido, ela não teria que ficar tanto tempo sedada, teria que tomar menos anestesia, e a recuperação seria mais rápida.
Então, é importante procurar o tratamento para não aumentar antes que chegue na dor. Por exemplo, a gestação. Tem pacientes que falam assim, ah, não, primeiro eu vou ter vários filhos para depois tratar.
Mas aí, o tratamento, ele pode ser muito maior, muito mais demorado e um pouco mais traumático. Porque, querendo ou não, é uma cirurgia. Então, eu aconselho, olhou para a perna, tem varizes, está dilatado, tem vazinho, vamos procurar ajuda, porque, com certeza, será muito melhor para a saúde das suas pernas e da circulação.
Já é hora ali de buscar, né? Isso é importante, legal. Agora, essa parte de quando as pessoas, a gente sabe, as mulheres, né? Aliás, a gente até citou que vazinhos, varizes, acabam aparecendo mais em mulher uma vez. Eu acho que foi o doutor Alexandre que comentou, não tenho certeza.
É porque o homem tem muito pelo, às vezes esconde na perna, e a mulher acaba, às vezes, procurando mais por uma questão estética do que os homens. Então, é isso que você percebe também nos consultórios? Sim, sim. E aí, a verdade é quando a gente vai para um procedimento e esses homens retiram esses pelos.
Hoje, eu vou falar para os homens, vocês não precisam ter medo, porque hoje existem cremes depilatórios que a gente passa, o creme cai o pelo, não precisa ir lá arrancar, fazer uma depilação para fazer um ato cirúrgico. Então, quando esses pelos, eles são retirados para a gente programar um tratamento cirúrgico, eles olham e falam, meu Deus! Até a pessoa assusta, né? Assusta. Não tem um que fale, nossa, mas eu nem imaginava.
E hoje tem uma coisa muito interessante, nós fotografamos tudo. A gente tira mais de 20 fotos em cada atendimento, a gente mostra hoje, a gente tem o benefício, né? De mostrar para o paciente na televisão, olha, você tem esse vaso, aí eles enxergam. E aí, quando os homens olham, falam, nossa.
Acho que a gente pode até colocar, né? Você está autorizado a colocar? Vamos, vamos colocar umas imagens. Para poder ilustrar, mostrar como é que fica, a diferença também, quando a gente citou das diferenças, é legal para o pessoal saber como é. E tem algum paciente, isso é mais história de bastidor agora, né? Tem alguma história de paciente que te procurou, sei lá, unicamente pela parte estética ou em algum momento que não era o melhor momento para fazer uma cirurgia e você precisou falar, não vou te operar agora. Sim, uma paciente que tem lipedema e vem para o meu consultório totalmente inflamada, que acabou de descobrir que tem aquele acúmulo de gordura nas pernas ou nos braços, que dói, que fica vermelho, que está gerando muito desconforto, que a perna pesa.
Essa paciente nós tratamos antes, entendemos quais são os gatilhos, o que está fazendo, o lipedema dela está fora de controle, para só depois a gente tratar as varizes e os vazinhos. Porque tratar varizes e vazinhos na paciente com lipedema, que ela está inflamada, não é um bom negócio, pode ser muito ruim. Então eu vou aproveitar esse gancho para falar para a gente continuar esse tema.
No mesmo episódio, só que aqui numa parte 2, para a gente poder separar, a gente falou um pouquinho sobre causa, enfim, tratamento. Eu acho que é legal agora a gente focar nessa questão do lipedema, né? Relacionado a varizes e vazinhos. Para quem buscou aqui já ter bem explicado, bem dividido todo o tema que a gente prometeu trazer.
Pode ser? Pode ser, será uma honra. Então é isso. A gente vai deixar já um link para vocês irem direto aqui para a parte 2 desse episódio.
Foi um pouquinho menor justamente para a gente poder dividir e deixar tudo bem explicado para você. Então encontra a gente lá. Obrigada, doutora.
Até o próximo. Obrigada. Até o próximo.
Então não deixe de acompanhar o nosso próximo episódio, que a gente vai trazer mais detalhes sobre vazinhos, varizes e lipedema, que é um tema que vocês pedem muito aqui para a gente. A gente também vai comentar um pouquinho mais sobre a vida profissional da doutora Flávia Magella, trazer detalhes de onde ela atende, rede social para vocês poderem procurar. E não deixe de curtir, comentar e compartilhar aqui o nosso vídeo, que é muito importante para a nossa divulgação, porque a gente continua trazendo os nossos especialistas em qualidade de vida.
Até a próxima. Muito obrigada.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.